Arquivo do mês: junho 2013

Pai e mãe em sintonia

Que há uns anos eu estou completamente imersa no mundo materno-bebezístico de forma muita ativa não é novidade pra ninguém, muito menos pra vocês. Aprendendo muito sobre diversas teorias e sobre mim também, o que acho fundamental: que todo aprendizado traga um pouquinho mais de autoconhecimento. E isso acontece há todo momento.

Mas e o pai, onde fica nessa história? Porque essa criança será criada pelos dois, certo? E as opiniões dele, onde entram, alguém já perguntou quais são?
Para mim, é muito importante que estejamos, marido e eu, em sintonia em algumas questões da educação e do cuidado com os pequenos. Obviamente, em alguns casos teremos opiniões divergentes, e isso é muito saudável, mas acho que em alguns princípios básicos, ou que atitudes tomaremos em determinadas situações, por exemplo, é bem legal que estejamos do mesmo lado.
E agora que Bolota tá aqui na barriga comecei a pensar nisso com mais frequência. Mas antes que eu decidisse conversar mais com ele a respeito disso, algumas coisas aconteceram, sem nenhum planejamento.

Uma manhã qualquer, no início de junho:

– Amor, tô achando meus peitos tão pequenos ainda. 
(aquelas que com 10 semanas já queria ter o peito cheio de leite)
– Tá nada, já tá crescendo.
– Mas eu tenho medo, às vezes…
– Mas o leite não desce quando o neném tá mamando? 
– … (cara de surpresa) co… como você…?… eu te disse isso já?
– Foi o que aquela sua amiga disse, não foi? Que peito é fábrica, não é depósito de leite.
– Que amiga, amor?
– Aquela do MamatracaAnne, eu acho.
– Mas eu nem te mandei a coluna dessa semana pra ler…
– …
– Você leu?
– Li, ué.

Na cena seguinte, temos uma mulher pulando no pescoço do seu – já atrasado – marido e o enchendo de beijos, achando lindo que ele tenha lido, no trabalho, algo sobre amamentação, sem que ela tivesse pedido.

Pausa para um adendo: marido chama todas as blogueiras que eu acompanho de “minhas amigas”. Mesmo que eu nunca as tenha visto na vida real, ou ao menos falado com elas. Mesmo que elas nem saibam da minha existência. Despausa.

E assim eu soube que ele também procura ler sobre assuntos relevantes. Sobre esse e outros temas que, agora mais do nunca, faz parte totalmente das nossas vidas. É interesse dele tanto quanto é meu.

Domingo passado tivemos uma longa conversa sobre outras questões que eu já vinha pensando a respeito, e queria saber a opinião dele. E eu nem precisei tocar no assunto, surgiu naturalmente mesmo, enquanto almoçávamos no shopping. Falamos muito sobre alimentação infantil, sobre como os hábitos alimentares são construídos na infância, o exemplo dos pais, como é importante comer comida mesmo (e não industrializados), que muita coisa hoje em dia é feito mais por preguiça dos adultos do que pela capacidade da criança, sobre o tempo de introduzir cada coisa, sobre como foi com a gente e o que achamos disso. 
Me senti tão bem por compartilhar meus pensamentos com ele e também ouvir os que ele têm. Foi uma troca muito positiva. E confesso que também senti um certo alívio, porque alimentação infantil é tema importante pra mim, e eu já sei que enfrentaremos certa  chatice implicância de alguns familiares em coisas específicas, então foi muito bom saber que ele está comigo nessa. E outra, às vezes, só lendo e lendo e vendo vídeos, a gente tem uma visão da coisa (qualquer que seja ela) e é bem fácil começar a idealizar e fantasiar, apesar que estou sempre atenta à isso, para não cair nessa armadilha, sempre tento trazer pra minha realidade e avaliar se é uma possibilidade, ou não; e quando eu ouvi, partindo dele, sem que eu falasse nada, coisas que eu também acredito e sempre leio a respeito, fiquei bem surpresa (porque não pensei que fossemos ter essa conversa agora) e bem feliz (por ver que são coisas possíveis, sim, dentro do nosso contexto e rotina).
Fora outras coisas que já percebi, em pequenas conversas ou atitudes, que temos a mesma linha de pensamento, dentro desse mundo fascinante que é a maternidade e a paternidade ativas. Sobre limites ou sobre escola, por exemplo. E toda vez eu fico com o coração tranquilo, preciso confessar.
Acho legal isso, porque na minha opinião de – ainda – leiga, é preciso coerência entre os cuidadores para educar uma pessoa, né?! Porque tarefa fácil a gente sabe que não é, então melhor que os pais estejam caminhando pelo mesmo caminho, mesmo que em alguns momentos os passos, ou a forma de chegar, seja um pouco diferente. Mas o caminho, acredito, é importante que seja o mesmo.

Nós dois, caminhando juntos, em Porto Seguro, BA.
créditos: Rodrigo Zapico (o link leva direto pra mais fotos do ensaio, no site dele)

O que vocês pensam sobre isso?
Com as que já tem seus pequenos, rola uma sintonia também, ou o pai não concorda muito com o seu ponto de vista – ou atitude – em alguma coisa? Como lidam com a questão?

22 Comentários

Arquivado em autoconhecimento, diálogos, escolhas, estive pensando, ser mãe, ser pai, sintonia

12 semanas

Meus dedos estão impossíveis de serem controlados, não param um minuto. Então me animei e sigo escrevendo um post por dia até quando der, rs!

Ontem entramos na 12° semana. Que sentimento delícia saber que passamos pela fase mais frágil. Com alguns contratempos, sim, mas Bolota é forte e mamãe tá se comportando super bem, ouvindo direitinho o que o corpo dela diz e treinando desde já seu instinto.

Agora eu sou uma pessoa mais disposta, ieba!!
Acordo cedo, faço o café, ponho uma mesa bem bonita, depois já tiro tudo e enquanto marido toma banho, eu já lavo a louça (que sempre tem algo da noite anterior), arrumo a cama e separo o lixo pra descer. Animação total, haha! Porque antes era: levantava da cama, migrava pro sofá e daí pra mesa, depois voltava pro sofá e ia me arrastando pelos afazeres do dia, sem muito ânimo. Mas mesmo estando animada de novo, depois que marido sai pro trabalho tenho que dar uma parada, porque eu realmente me animo, então meu corpo já me lembra que não estou mais sozinha, daí vou dar uma atenção só pra Bolota. 
Em compensação, a dor nos seios voltou. Não tive muito problema com isso no começo, doía pouco. No entanto, hoje eu acordei com uma clara sensação: passei a noite inteira rolando pela grama. É a unica explicação. Quem já brincou na grama por um tempinho sabe que é só se levantar para a coceira chegar junto. Eu tinha um quintal gramado na minha casa em Minas, não vou me esquecer dessa constante em minha vida tão cedo, rs. Hoje coçava tanto e doía que eu tive que passar um monte de creme. Agora passou a coceira, mas tá meio pesadinho, sabe? Tenho a vaga impressão que terei estrias nos seios, só espero que não sejam muitas. Genética pra isso eu tenho um pouco, e eles realmente eram pequenos, não sei se vão aguentar tanto crescimento repentino sem uma marca. Mas nem com isso eu tô preocupada, sinceramente.
Já faz umas duas semanas que estou com uma vontade nova: fazer tudo que eu tenho direito pra decorar o cantinho da Bolota e pro pseudo-chá-de-bebê (até parece que vai ser chá: eu odeio chá, haha). Ainda não comecei efetivamente, pois estou definindo o que vou fazer, dentre tantas opções. Mas tudo indica que vou me transformar na louca do DYI (com a licença do apelido, viu Nana). Já comprei papel de origami e ando treinando um pouquinho, mas preciso ainda comprar uns tecidos e papel de scrapbook. Muitas ideias, muitos planos…

Seguimos com o repouso. Segunda eu tenho uma consulta com a médica que, tudo indica, será meu plano B. E dia 08/07 (na ooutra segunda), mais uma na Casa Angela. E antes dessa última, provavelmente vou repetir o exame de glicose, pra ver se me livro daquele maldito exame da curva glicêmica. Oremos!

Uma foto bem tosca, só pra mostrar rapidinho como tá a barriga.

marido falou pra tirar esses jornais do fundo da foto, mas fiquei com preguiça, haha
e essa mini manchinha, que só reparei agora, é do espelho, e não da minha barriga, rs
Eu acho tão fofas essas roupinhas que tem um bichinho no bumbum. E adivinha o que ganhei essa semana? Com touquinha e tudo! 
Quem vai ser a Bolota ursinho(a) mais fofo desse mundo de mamãe? 🙂

Beijo, gente!
Acho que amanhã volto de novo, rs!

25 Comentários

Arquivado em acontece comigo, bolota, conversando, foto

Meu novo olhar

Imagem daqui



Uma vez por semana recebo um e-mail com uns dizeres mais ou menos assim: “O rosto do bebê está mudando. Os olhos, que antes ficavam nas laterais da cabeça, estão mais juntos um do outro, e as orelhas estão praticamente na posição definitiva. Nesta fase, os tecidos e os órgãos que já se formaram crescem e amadurecem rápido.”. Daí também chega um outro e-mail, com algumas informações a mais: “O comprimento do feto neste período é de aproximadamente 61mm e seu peso estará em torno de 13g. A face do bebê já tem aspecto humano. Os dedos das mãos e dos pés estão separados e as unhas continuam crescendo.” 

É claro que eu acho incrível, sensacional e lindo demais da conta saber (aproximadamente) o que acontece com o bebê em cada semana de sua pequena vidinha. E é fácil achar tudo isso, porque já temos uma ideia pré-pronta na mente de como será essa pessoa quando sair da barriga: oras, todo mundo sabe como é um bebê! Mas na realidade, é tudo muito abstrato. Não são todos esses detalhes que vemos claramente no ultrassom. Essas palavras são teoria. 
Quando recebo esses e-mails eu penso: como pode caber tanta coisa num espaço tão pequeno? Pensar que, num tamanho mais ou menos equivalente ao meu polegar cabem cérebro, olhos, boca, coração, fígado, unhas, dedos, braços, pernas, etc. Um organismo (quase) completo. Não pronto, óbvio. Mas existe! Penso em mim, no meu tamanho e em tudo que tem dentro da minha pele: quase tudo isso também cabe dentro de 6 centímetros (!!) 

E antes que me perguntem que droga é essa que eu tô usando, me deixando numa vibe toda doida, falando de uma coisa tão normal, explico. É que agora eu enxergo tudo de um jeito diferente. Aconteceu mais ou menos assim…
Entramos, marido e eu, naquela sala pequena e com uma meia-luz. A médica indicou onde ele deveria sentar e pediu que eu me deitasse. Colocou um gel gelado na minha barriga e começou a mexer aquele aparelho em mim. Apertou um pouco e… lá estava: o nosso bebê. Uma imagem em preto e branco, como uma tevê antiga e mal sintonizada. Para mim, nem a água nascendo na fonte era mais clara. Qualquer medo que, porventura, estivesse sentindo de algo ter dado errado, foi-se embora sem que eu nem percebesse, pois estava ocupada demais admirando, por uma tela, o que acontecia naquele exato instante dentro de mim.
Acostumada a ver nas telas somente o que vem de fora (ou do passado, se for uma foto), não contive a surpresa ao constatar que sim, aquela era uma imagem vinda de dentro. De dentro de mim. Em tempo real. Aquele bebezinho estava mesmo, todo esse tempo e ainda por mais algum, aqui comigo, em mim. Surreal.
Me transportei lá pra dentro e vi perfeitamente: uma pessoa crescendo no meu útero. Literalmente.
Conseguem entender a grandiosidade da coisa?
Foi mais que aquela sensação de ficha caindo. Foi uma mudança completa de perspectiva. E acho que me permitir enxergar tudo com os olhos da criança que ainda mora em mim, como se visse o mundo, maravilhada, pela primeira vez, deixa tudo ainda mais lindo.

Porque uma coisa é a teoria, um número ou uma afirmação; outra, bem diferente, é pensar literalmente no que aquilo representa. A maioria das pessoas não tem o hábito de trazer para si o que aprendem de mais abstrato, por mais que esteja acontecendo exatamente aquilo conosco, o tempo todo. Comigo isso mudou um pouquinho na faculdade, quando eu tive a oportunidade de ver no laboratório muitos dos nossos órgãos e ossos. Ali eu percebi a lacuna entre a teoria e a realidade e pensei: ainda bem que não somos transparentes putz!, é coisa pra dedéu! Nenhum livro dá conta de explicar com exatidão isso, não; nesses casos, a experiência de visualizar nos traz um novo entendimento.
Dá pra entender mais ou menos o meu raciocínio? Claro que a racionalidade não te deixa perceber essa lacuna, mas parando pra pensar melhor, é mais ou menos isso que acontece, sim. E é claro que eu já sabia de um monte dessas coisas que os e-mails dizem, que óbvio que o bebê está crescendo dentro da barriga, mas o fato é que agora eu sou parte integrante e fundamental do processo. E ver tudo isso como protagonista, e não como espectadora, muda tudo. Muito.

Quando marido e eu saímos na rua, com as imagens em mãos, ainda estávamos maravilhados pelo que vimos juntos naquela sala escura. E foi aí que eu disse: você não acha incrível que tudo isso (mostrando a extensão do nosso corpo) também cabe num serzinho tão pequenininho assim (mostrando o indicador e o polegar bem pertinho)? E ele ficou em silêncio pensando um pouco e consentiu, meio embasbacado: sim, é incrível!

E eu vou falar: todo esse acontecimento, chamado fabricação intensa de vida, mais conhecido como gestação, ganhou um novo sentido pra mim, muito mais amplo, muito mais profundo. É como uma nova consciência, eu diria. Complexa e apaixonante.
Não sei se me fiz entender como gostaria, mas vou afirmar de novo: essa é a coisa mais fascinante do mundo todinho. Um outro corpo, um outro organismo, completo, independente do meu (mas ainda dependente de mim) crescendo à todo vapor, bem aqui. Tão perto que nem posso mensurar. Está em mim, mas não sou eu.

Acho mais fácil pensar e visualizar isso no fim da gravidez, quando a pessoinha já é um bebê de fato, já tem o jeitinho e a carinha que vai dar oi pro mundão. Mas pensar nisso desde agora, onde tudo se transforma e evolui numa velocidade absurda, é realmente incrível. Tem sido incrível.
Desde o momento da fecundação coisas incríveis acontecem, sem uma pausa de um milésimo de segundo sequer. Em silêncio, duas vidas formam um outro ser. Um corpo passa a ser casa de outro.
Dois corpos ocupando o mesmo lugar no espaço  #chupanewton.

Isso me faz pensar no poder do corpo feminino. No quanto somos capazes de fazer, sem nem ao menos percebermos. E no quanto temos que acreditar mais em nós mesmas, sempre. Confiar na nossa capacidade, que é inata.
Porque a natureza é de uma beleza perfeita e muito sábia.
Existem mistérios que nunca serão revelados. E saber que, mais do que nunca, eu faço parte disso, me traz uma espécie de empoderamento novo.  
Me faz pensar que a gestação nos faz perceber o mundo de uma forma completamente nova, limpa, sem amarras, e que muita gente não entende, não vê sentido.
Mas não é mesmo pra fazer sentido. É apenas para sentir.

21 Comentários

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, coisa linda, desenvolvimento, estive pensando, filosofando, gestante, insight, sentindo

Desejos

Como já contei, até agora nada me fez virar a cara e ter vontade de colocar tudo pra fora. Nem perfumes, nem comidas. Nas vezes em que não gosto do cheiro de alguma comida, por exemplo, não tem relação nenhuma com a gestação, porque eu sempre tive isso, o que minha mãe chama carinhosamente de frescura, rs. Mas não, não reclamo disso, foi só uma observação mesmo.

O que eu sinto mesmo é fome. Fala sério, parece que o meu estômago se transformou num buraco negro, nunca chega o fundo do negócio, haha. Nem se eu quisesse eu ficaria mais de três horas sem comer, é uma tarefa impossível. E como não podia deixar de ser, os desejos já deram o ar de sua graça por aqui. E é quando todas as minhas tentativas de manter uma alimentação toda saudável vai pras cucuias.

Dias antes de eu saber do positivo, exatamente numa quinta-feira à noite (me lembro perfeitamente ainda), por volta de umas 21 e tanto, viro pra minha mãe e digo: quero comer canjica agora (e no nordeste é chamado de mungunzá, se eu não me engano; lá, canjica é outra coisa). Ela me olhou com aquela cara de “pronto, endoidou de vez” e não, não fez a canjica pra mim, até porque o processo demora, né, tem que  colocar o milho de molho e tal. Não a deixei em paz até o fim de semana. No domingo, ela finalmente fez a tal da canjica pra mim. Foi o dia em que teve um almoço de família aqui em casa (e o dia que eu fiz o primeiro teste de farmácia), e o plano era eu me esbaldar na delícia depois que todos fossem embora (egoísmo, a gente vê por aqui – que também é sinônimo do desejo: querer tudo só pra si). Pois não é que minha tia viu a panela cheia e, louca que é por canjica, levou metade da panela pra casa dela? Ok, repartiremos, então. Como eu digo quando como uma coisa boa e quero mais “não deu pro buraco do meu dente” o que sobrou aqui, ainda mais que não era só eu comendo, mas tudo bem. Depois ainda rolou canjica mais umas duas vezes, e então passou (mas sabe que agora, clima de festa junina, é uma boa pedida também? Vou providenciar isso, rs).

                                     

Também antes de saber que Bolota já tinha fixado residência em mim, me vi doida de vontade de tomar sorvete de creme. E esse nem é o meu sabor preferido, apesar de eu ser alucinada por sorvete. Mas não um simples sorvete de creme. Tinha que ser um sorvete de creme, com cobertura de caramelo e paçoquinha em cima, servido na taça. Se não fosse assim, não servia. Aconteceu duas vezes antes de eu saber que estava grávida, e mais umas duas ou três depois. Agora passou, mas era engraçado sair procurando lugares que serviam sorvete na taça, rs.

A foto é de um sorvete de banana, mas pensem só no visual, que parece o que eu queria. Foi o mais próximo que encontrei. Fonte: Gnt Receitas

Depois, foi a vez do bolo. Bolo caseiro, comum, sem recheio e sem calda.
Mas até que meus desejos não me fazem comer muito, enlouquecidamente. É assim, eu sinto uma vontade absurda de comer tal coisa, até posso vê-la na minha frente e preciso que seja realizado o mais rápido possível. Mas quando tá pronto, como um pedaço ou dois, e só. No dia seguinte posso comer de novo, mas assim, de uma vez, não como, não. Então eu queria bolo (o primeiro pedaço ainda quente, obrigado), e depois do primeiro pedaço passava. Mas depois de uns dias – uns dez ou quinze – eu sempre quero de novo. Como estou tentando evitar a farinha branca, comprei a integral. Ontem minha mãe fez um bolo de cenoura integral (farinha integral e açúcar demerara) com calda de brigadeiro mole que meu Deus do céu, divino!! Esse fugiu do meu desejo e teve calda (mas podemos só focar na parte integral? Grata, rs), mas não era exatamente um desejo genuíno, então tudo bem.

Foto da maravilha dos deuses, o bolo de cenoura integral com calda de brigadeiro mole.

Daí teve um dia que eu queria torta de frango, daquelas de liquidificador, na janta. Não tinha ovo e, tamanha era a minha vontade, fui comprar na hora, rs. Foi minha janta e meu almoço do dia seguinte. Delícia, delícia. Depois de um tempo, a Dani postou uma receita maravilhosa, um pouquinho diferente da torta da mami e não teve jeito, fiz a minha amada mãe fazer a torta pra mim no fim de semana seguinte. Porque eu queria ter certeza que daria certo, né, não me arriscaria a fazer, não. E foi sucesso absoluto aqui em casa. Beijo, Dani, sua linda!! Bolota, eu e o povo aqui de casa agradecemos.

A maravilhosa torta da Dani, feita pela minha mãe

Esses dias eu quis comer uma fatia de melancia, daquele jeito lindo que suja toda bochecha. Não servia cortadinha no prato. Mas foi uma coisa passageira, rs.

E acho que foram esses, por enquanto. O que eu acho até muito, considerando que amanhã eu faço 12 semanas.
E sim, a minha mãe faz todas as comidas e guloseimas que eu quero, porque ela é simplesmente a melhor cozinheira que eu conheço. Sem esse negócio de comida de mãe, todas as pessoas que provam, aprovam muito a comida da minha mami. Desde as coisinhas mais simples, arroz e feijão, até pratos bem elaborados e super chiques e difíceis, ela faz e arrasa sempre. Eu, em contrapartida, cozinho o necessário, haha. Não é exatamente a minha praia, apesar de eu achar lindo quem sabe mesmo cozinhar. Às vezes marido e eu assumimos o comando do fogão e cozinhamos juntos (leia-se: ele cozinha e eu auxilio, rs), mas ela gosta mesmo de fazer isso, de verdade, então a cozinha é todinha dela.

E eu ainda nem dei trabalho pro marido, querendo algo super exótico de madrugada. Estou muito legal com ele, sim ou com certeza? haha
Por falar em coisas exóticas, meu pai foi pra Minas sexta-feira e eu já encomendei pra minha vó, que mora lá e aqui, dependendo da época do ano, rs, para fazer pra mim doce de buriti. Eu amo esse doce, e parece que agora é época da frutinha, então tenho que aproveitar, rs. Pra quem não sabe, buriti é um fruto, predominante no norte e nordeste do país, mas também encontrado em Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Diz que tem aqui em São Paulo e no Rio, mas encontro muito pouco. Lá na nossa roça, em Minas, tem muitas árvores, então é mais especial ainda.

   
Buriti no pé e o fruto. O doce é feito com a parte amarela. E é de comer em pedaços, como se fosse rapadura.

E é isso! Chega de falar de comida. Vou partir pra ação. Hora do almoço e minha Bolota já tá manifestando sua insatisfação com a demora da comida (ela tá super na onda dos protestos, ó céus!).

E as gravidinhas de plantão, também já tiveram seus desejos? Conta pra mim!

9 Comentários

Arquivado em acontece comigo, conversando, desejos, fome, gestante, sintomas

11 semanas e a alimentação

Pela contagem do ultrassom, ontem eu completei 11 semanas! Yeaaah! #todascomemora
O cansaço que eu sentia não existe mais, amém! Em contrapartida, agora tenho que ficar de repouso, ó céus! Porque o cansaço não veio agora, né?! Seria mais fácil, haha Mas estou vendo bastante filme, lendo  livros, relaxando, tudo certinho. Simplesmente consegui, de alguma forma que não faço a mínima ideia, não me estressar demais com qualquer coisa. Acho que ver o baby me fez tão bem que eu acabei desencanando de tudo e entrei no “mundo gestante” de uma vez por todas. E dele só pretendo sair para ir direto pro mundo “mãe-bebê”.

Na mini-consulta que tive sábado na Casa Angela, aproveitei para perguntar sobre o resultado do meu exame de glicose, ter uma segunda opinião e tal. A Andreza (EO) disse que o exame da curva glicêmica só é feito mais pra frente mesmo, e que antes se repetiria o de glicemia de jejum mais uma vez, pra tirar a dúvida, até me deu uma guia. E disse pra eu cumprir as 12 horas certinhas e não beber nem água (no outro eu bebi, disseram que podia). Disse para uns dias antes também evitar doce e carboidrato, principalmente à noite. Vamos ver se vai dar certo, tô torcendo por isso!
Então, diante desse fato, estou cuidando ainda mais da alimentação e pretendo fazer algumas adaptações no cardápio (ainda falta comprar umas coisas), para ficar mais saudável. E depois, se eu sentir muita necessidade, procuro um nutricionista (porque não tô podendo pagar um agora, rs).
Segundo os profissionais que já me atenderam, não engordei além do que deveria, mas me preocupo agora com a questão de controlar mais os carboidratos. Já me disseram (lá na Casa) para eu não encanar com a questão do peso e essas coisas, e sinceramente, não estou preocupada mesmo.
Eu sou a pessoa que nunca fez regime na vida. Sempre fui magra (não mega magra, assim eu só fui na infância até os 15, 16 anos, depois fiquei só magra mesmo, haha), mas mesmo há uns 3 anos atrás, quando tomei um AC que me inchou de-mais e as pessoas começaram a mandar umas indiretas, não me importei. Sinceramente, não tenho paciência alguma com isso. Ou seja, também nunca fui a pessoa que deixa de comer alguma coisa “porque vai engordar”. Eu comia, sim, o que eu quisesse; mas acho que a diferença é que eu sempre tive moderação, nunca fui de comer em excesso. E também nunca senti culpa. E como já disse em outro post, almoço e janta pra mim é comida mesmo. Com verdura, legume, etc. Suco é natural é feito na hora e, dependendo do sabor, sem açúcar. Depois de um tempo eu cortei totalmente o refrigerante, porque me fazia muito mal, uma dor sem fim na barriga, e não me faz falta alguma, ainda bem.

Mas confesso que, mesmo tendo essa consciência e sendo super bem resolvida, depois que vi o resultado do exame, entrei em parafuso, pensando que estava fazendo tudo errado e que tinha que mudar tudo. Ô drama! rs. Comecei a me achar gorda e toda errada. Marido fala “tá gorda nada, é a Bolota crescendo”, rs. E como eu disse ali em cima, na infância e começo da adolescência eu era mega magra mesmo. Mas o fato é que tenho a estrutura um pouco grande. Tenho 1,67 e quadril largo, bunda grande (haha, isso desde sempre) e essas coisas, sabem? Não dá pra eu querer pesar 50 e pouquinhos quilos (esse é o peso da minha mãe, pasmem, rs! Que é um pouco mais baixa que eu e beeem mais magra). É a minha estrutura corporal mesmo. Então tô tentando desencanar de novo, que nunca fez parte de mim e não tô gostando desses pensamentos.
E também tem o fato de, desde o começo até hoje, eu não senti um mísero enjoo, nem vomitei, nem tive náuseas, nem ânsias, nem absolutamente nada referente a isso. O que eu sinto é fome, rs. Agora menos, tá mais controlado, eu acho, mas no começo eu sentia mesmo muita fome, então acho que é inevitável que os quilos já comecem a dar dar às caras. Em toda consulta a Camila faz aquele gráfico de peso e medida (aquele do IMC, eu acho, rs), e eu estou super dentro do “normal”, então pronto. E eu li muito, textos de profissionais que eu confio, e fui ficando mais calma.

Para tirar a dúvida se eu estava mesmo fazendo “tudo errado”, escrevi as horas em que costumo comer. Até porque no fim da tarde eu me perdia um pouco na hora e estava achando bem bagunçado. Descobri que como, sim, a cada 3 horas (mas como todo mundo, às vezes acontece da fome vir um pouco antes, ou um pouco depois). Meu lanche da manhã é sempre fruta; e pela hora em que eu janto, à tarde preciso de 2 lanches pequenos (ou teria que fazer um depois da janta, se jantasse mais cedo, o que eu não quero). À tarde eu como outra fruta e depois mais alguma coisa, que pode ser bolacha com geléia natural, ou um pedaço de bolo, por exemplo. Mas tô pensando em trocar e colocar a fruta no segundo lanche, pra não comer nenhum carboidrato depois das 16:00. E a minha janta não é pesada. E nos intervalos de tudo, água!
Agora diminuiu muito a minha vontade de comer doce, chocolate; só como muuuito de vez em quando, e só um pouquinho. Pizza (que só consigo comer um pedaço), sanduíche (tipo x-salada, porque desses fast food não como há muito tempo), ou outras coisas desse tipo, tenho evitado; mas se como é só uma vez em algum fim de semana.  Sei lá, não acho que esteja tão ruim assim a minha alimentação. Ainda preciso de ajustes, comer mais salada, mais ingredientes integrais, e não sou radical com nada. Estamos no caminho, espero…

Gente! Não é pra seguir isso aqui, hein! Tudo da minha experiência. É o que funciona aqui e eu não sou profissional de nada de saúde, pelo amor de Deus, rs. Só coloquei mesmo pra eu não me esquecer que estou me alimentando direitinho e que não sou a monstra que pensei que eu fosse, haha.

E até hoje não comecei a fotografar a evolução da barriga, que vergonha! Justo eu, que sou tão apaixonada por fotografia. Mas enfim, já que fiz esse post, queria muito colocar uma fotinho pra vocês verem e palpitarem se minha pança condiz com 11 semanas, ou não. Peguei minha câmera e fiz um improviso, porque estava com preguiça de montar uma produção com tripé, luz melhor e tudo direitinho, então não ficou nada bom, mas prometo que as próximas serão melhores, com ajuda do meu super marido, rs.

               
de um lado e do outro e a bunda grande hahhaha

18 Comentários

Arquivado em acontece comigo, alimentação, bolota, calma, conversando, primeiro trimestre, repouso

O som mais lindo que já ouvi (a parte II)

(continuação desse post…)

Na sexta, dia 14 (ontem, rs), Cleber se arrumando pra ir trabalhar, resolvemos que seria bom ir ao médico, sim. Eu estava preocupada, queria ter certeza que estava tudo bem.

E então ele me levou em um hospital público (maternidade). Chegando lá, já odiei porque o Cleber não poderia subir comigo, nem na sala de espera!!! E bem, sentada ali com outras mães gestantes, pertinho da ala onde ficam as que já tiveram seus bebês, ouvindo chorinhos recém-nascidos, também ouvi muito absurdo (que rende um post à parte). E era um lugar quente.  E eu com fome. E pensando na banana que tinha na mochila, só que com o Cleber, lá embaixo. Ouvindo coisas ruins, dentro de um ambiente péssimo, minha pressão me deu um sinal de que, se eu ficasse ali mais uns minutos, ela iria cair. E eu sabia que se ela caísse, eles iam querem me jogar no soro. Levantei e desci, rumo a minha banana. Marido resolveu que iríamos em outro médico, já que não tinha nem sinal de que eu seria atendida nas próximas horas. Percebemos, porém, que minha carteirinha de gestante tinha ficado retida junto com a minha ficha, e sem ela eu não posso ficar. Como eu estava tomando um ar, ele foi ao resgate pra mim. A moça não quis dar a bendita carteirinha pra ele, que contou o que eu tinha tido (ninguém tinha perguntado, nem na triagem, pasmem), então ela disse que eu subisse que seria atendida imediatamente. Melhor que não tivesse subido. Quando eu entrei, sozinha, na sala do médico, já senti que não ia render boa coisa.
Segue o diálogo:

– Então, eu tive um sangramento ontem à noite, mas foi bem pouco e…
– Quantas semanas?
– pela DUM, 11. Pelo ultrassom, 9. Olha aqui o ultrassom.
– ah, você tá de 9 semanas (em tom de voz que não tinha ouvido o que eu havia acabado de falar)
– Tira a calcinha e deita ali.
como ele continuou escrevendo e nem sinal de levantar, permaneci sentada
– Por que será que aconteceu isso?
escrevendo… – Tira a calcinha e deita ali.
Lá vai eu pra trás do biombo, tiro a parte de baixo da roupa, descubro que não tem onde pendurar, e me deito segurando as calças.

Quando ele coloca as luvas, eu coloco meu pés naqueles estribos horríveis e vejo que quase na minha frente tem uma porta aberta. Ele coloca as luvas e enfia, sem a mínima cerimônia ou jeito, doi dedos bem dentro de mim. E gira. E dói. Bastante. Isso em pé mesmo. Tirou, viu que não tinha sangue algum, me mostrou os dedos e voltou pra sua mesa.
 – Não tem mais sangramento.
– Nossa, que bom! Mas por que será que aconteceu isso?
nenhuma resposta audível.
– Se sentir dor, toma paracetamol. Se voltar a ter sangramento, volta quando estiver acontecendo.
(Porra, paracetamol, cara? Cê tá de brincadeira comigo!!! Só faltou ele falar, próóximoo.) Lamentável!
Saí de lá com vontade de fazer um barraco naquele hospital de meia tigela. Mas marido me conteve. O foco era me manter calma.
Fomos a outro hospital, particular dessa vez. Depois de esperar pouco mais de uma hora pra ser atendida, finalmente chegou minha vez.
A médica me examinou direitinho e disse que realmente não tinha mais sangramento, mas que meu colo do útero estava bem sensível, quase como se tivesse um machucadinho. Até desenhou. Disse que não tinha vindo de dentro do útero, ou seja, não tinha comprometido o bebê. E que por isso eu não precisava fazer um ultrassom com urgência. Mas recomendou um super repouso. 
Gostei dela, foi satisfatória. Marido, que também estava preocupado, ouviu tudo junto comigo. 
Ele seguiu pro trabalho (já passava das 13:00) e eu vim pra casa. Fiquei pensando que eu queria, sim, ter feito um ultrassom, pra ver minha Bolotinha, ter certeza que estava tudo bem.
Então hoje nós dois tínhamos aula de yoga na Casa Angela. Era o que eu queria. Não a yoga, e sim a Casa.
Meu pai nos emprestou o carro e lá fomos nós a mais uma consulta (sem marcar). Cheguei, a minha EO não estava lá, então comecei a explicar o que aconteceu a outra, a Andreza, e não poderia ter sido melhor. Ela me explicou um monte de coisas, também desenhou pra mim. E me passou um pedido de ultrassom, para que eu ficasse calma, pra ter certeza que o baby estava mesmo bem e aproveitar pra confirmar de quantas semanas eu estava. 
Saímos de lá direto pra clínica. É uma clínica conveniada com a Casa (eu ia pagar menos, yes!), que não precisava marcar horário e estava funcionando hoje. Tudo que eu queria, de novo, rs.
Fiquei bem nervosa na ida, por causa do trânsito. Os carros decidiram que hoje era o dia de sijogar em cima de quem estivesse perto, daquele jeito horrível. Direção defensiva, nesse caso, nos salvou várias vezes.
Chegamos, enfim. Esperamos um pouquinho e fomos chamados.
Na espera, aquele medo de sempre. E se não tiver nada? (isso porque eu já tinha visto, vamos abafar essa parte). E se não tiver se desenvolvido? E se eu tiver feito mal pro bebê? Fui cortada de meus devaneios medísticos quando ouvi meu nome.
Falei que não sabia ao certo quantas eram as semanas, mas disse a DUM e contei do ultra das 4 semanas. Deitei, recebi gel gelado na pança. E esperamos. De repente, não mais que de repente, uma imagem tomou conta da sala – e de mim: a minha Bolota não é mais uma bolota, estava claro e nítido naquela imagem cinza. É agora uma pessoa. E a médica: “olha aqui o seu bebezinho”. E eu: “amor, olha como a Bolota cresceu”, e a médica achando que eu estava falando que era uma menina, haha. Explicamos e ela entendeu. “Vou colocar o som do coração”.
TUM TUM TUM TUM TUM TUM 
Xenti!!!
É o som mais lindo que eu já ouvi em toda minha vida! Música para os meus ouvidos.
E o meu sorriso já passando das orelhas.
A médica: – Olha aqui, duas perninhas, dois bracinhos. Tá vendo?
– Sim, tô vendo. E tá tudo bem com ele?
– Sim, tudo ótimo!
(quase dei um beijo nela)
E marido lá sentado, olhando pra tela, emocionado. Coisa mais linda.
– Vamos medir o tamanho do seu bebezinho, pra ver de quantas semanas está (pausa para medir). Sim, você está de 10 semanas (e 4 dias, tá escrito no laudo). Confirmado. E a data provável do parto então fica pra 11/01.

Oi, pessoal!, eu sou a Bolota! (a barriguinha é uma bolotinha sim ou com certeza?)
E aí depois de uns minutos, cabô exame. 
Esperamos a impressão do laudo. Os mais bobinhos da recepção. Marido até calado, de tanta emoção. E eu tagarela. Ambos de sorrisão no rosto. Os mais bobinhos, já falei?
Quando chegamos em casa, vi que tinha um pouquinho de nada de sangue, de novo. Medo. Mas alívio, porque tinha acabado de ver (e ouvir) que estava tudo bem com baby. E eu confirmei internamente: é o stress que faz isso comigo. Preciso, urgentemente, relaxar. A Andreza suspendeu a yoga, por enquanto. É repouso mesmo, nem namorar podemos. Estamos pensando aqui no que fazer para me manter em paz, calma. Eu queria viajar pra um lugar bem calmo, mas agora não dá mesmo. Tô pensando em fazer umas coisinhas pro baby. Para preencher mais meu tempo. Origami também. Só preciso que alguém compre as coisas pra mim, já que enfrentar a 25 de março não é uma opção. Ver filmes à tarde, relaxar mesmo. Eu vou conseguir. Conversando sempre com Bolota (não consigo arrumar outro nome, rs). Vou cantar pra ela, mostrar umas músicas que eu gosto e tal. Meditar em casa mesmo. 
O importante é que eu consiga.
E nós vamos conseguir 🙂

21 Comentários

Arquivado em acontece comigo, bolota, Casa Angela, coisa chata, coisa linda, felicidade, gestante, médicos, primeiro trimestre, ultrassom

A semana mais difícil (parte I)

Hoje é sábado, faz um dia cinza em São Paulo, e até um friozinho também.
Mas é um dia lindo, maravilhoso, tudo de bom. Não vou me esquecer dele tão cedo.

Corta!!
Vamos começar do começo.

Parte I – a montanha russa de sensações

Oficialmente, essa deve ter sido – se não a mais – uma das semanas mais estressantes da minha vida inteira. Não foi fácil, não foi divertido, não foi legal.
Porque não basta ser uma pessoa intensa, é preciso que essa intensidade seja possuída pelo ritmo ragatanga agora que estou em estado interessante e enlouqueça de vez. Meus hormônios decidiram, assim numa reunião de última hora e sem aviso prévio, que essa seria a semana ideal para surtar a mamãe aqui. Eles montaram uma montanha russa de responsa em algum lugar entre a minha cabeça e meus pés, e começaram a diversão (eu já contei que tenho medo e pavor de altura?)
E como eu disse no post de segunda, já estava pensando em muitas coisas novas, que ainda precisavam ser um pouquinho mais sentidas. E tudo indica, percebi, que as sombras (aquelas da Gutman) chegam antes do bebê nascer. Como um baby blues adiantado. E sabe do que mais? Até pensei que podia ser uma boa, porque melhor tomar consciência e elaborar tudo agora e deixar só um restinho, ou nada, para janeiro, do que ter que dividir tempo entre minha Bolota e a bendita sombra. Encarei como exercício de autoconhecimento mesmo – e estou em processo de reflexão e elaboração.
Pois bem. Somado a isso, temos problemas de cunho mais sociais, digamos. Estatuto do Nasciturno. Manifestações tomando proporções estratosféricas em São Paulo, e a polícia tendo lapsos de memória (oi, ironia) e tendo certeza absolta que voltamos uns anos no calendário e caímos direto na Ditadura Militar. Vocês não tem ideia do que sucedeu-se em mim: me tornei uma rede de eletricidade. Era muita energia. E muita raiva. E muita raiva. Não tava dando pra conversar muito tempo sobre esses assuntos sem que eu não me estressasse. E para não entrar em contato com nada disso? Só se eu fosse pra Marte. Mas se eu fosse, minhas sombras iam junto, gente linda. Não tinha pra onde correr, não.

E o que o ser gravídico faz quando muita coisa acontece, dentro e fora dela? Chora, minhas amigas.
Chora porque sentimentos antigos voltam à tona. Chora porque tem uns problemas acontecendo, com você, e só de pensar na pessoa você já tem vontade de chorar. Chora porque esse mundo tá todo errado e você está fabricando uma nova pessoa nesse exato instante, e tem medo do que pode acontecer. Porque quando você vira fábrica de pessoas, os problemas do mundo tendem a ganhar uma nova ótica, e você só se dá conta disso quando já está chorando pela coisa. E chora.
A Luíza, mãe da Bebê da Cabeça Quadrada e do Menino que não Sabia Chorar, escreveu lindamente aqui sobre isso.
(ok, essa é a parte que eu paro de falar porque já chorei, apesar de achar que faltaram algumas coisas, senão o post fica só sobre isso – e corre o risco d’eu chorar de novo. Sigamos)

Então. Quinta-feira, 13 de junho. Acordei não muito bem. E as horas foram passando e a minha animação acabando. Eu ainda não posso falar claramente aqui o porquê, desculpem, mas eu chorei. Sozinha em casa, sem ninguém pra ver, eu chorei muito. Sentia um peso no peito. Não tinha muito o que fazer. Foi o dia mais difícil de todos. Coincidentemente, ou não, foi o dia que o bicho pegou pra valer aqui em Sampa. Quer dizer, ainda ia pegar. Do-la-do de onde o Cleber trabalha. Ele trabalha na República, muito pertinho mesmo de onde o pessoal começou a se reunir. Graças a Deus eles foram liberados mais cedo, mas fiquei um pouco tensa mesmo assim. Aliás, na hora em que ele saiu do trabalho eu já estava mais calma, não estava mais chorando. Porque resolvi tomar um banho, para acalmar. Passar um óleo com calma, lavar os cabelos.
Não foi na quinta, foi na terça, mas cabe aqui então vou contar: tive uma conversa muito linda com a Bolota. Disse pra ela desculpar mamãe, que nada do que eu estava sentindo era sua culpa; expliquei o que era, contei mais umas coisas legais. Tudo fazendo massagem na barriga, no banho. Foi lindo e forte.
Na quinta eu rezei. Pedi à Deus e ao meu anjo da guarda que me acalmassem, porque podia fazer mal pro bebê. Pedi ajuda. Com muita fé e muita vontade. E quando o banho acabou, tudo tinha passado como num passe de mágica. A água levou embora as minhas dores.

Por volta das 16 e pouco, fui ao banheiro e vi que havia ali, no papel que tinha acabado de usar, um leve sangramento. O tempo deve ter parado, ou foi meu coração, não sei. Só sei que me assustei. Não era muito. Na verdade, era bem pouco, e eu não tinha dor alguma, então raciocinei que não devia ser algo de gravidade extrema. Fiquei esperando pra ver, sentadinha, descansando. No fim do dia não tinha mais nada, por isso decidi que não iria ao hospital, mesmo porque já era noite (e a coisa tava feia na cidade).


(continua…)

1 comentário

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, bolota, casulo, chorar, coisa chata, conflito, primeiro trimestre, sombras

Tanta coisa…

Tenho sentido uma intensidade diferente esses dias.
Quer dizer, intensa sempre fui. Sinto demais, penso demais, quero demais, sonho demais. Mesmo!
Mas tenho pensado algumas coisas novas. E mais, ando sentindo mesmo, além do pensar, algumas coisas que ainda não consigo explicar, nem colocar no papel. Ou seja, a coisa tá bruta ainda, preciso de mais um tempinho.

Quinta-feira foi a segunda consulta na Casa Angela. Chegamos lá, Cleber e eu, uns vinte minutos antes do horário marcado. Tinha uma moça e o marido, com o nenenzinho deles, de 26 dias. Coisa mais fofa, gente. Estavam lá porque ela tinha consulta pós-parto, e o bebê também (bebê que nasce na Casa Angela – ou que a mãe teve acompanhamento todo lá, mas não nasceu lá porque não dava mesmo – tem consultas pediátricas com eles até os 40 dias, ou até 1 ano, como a mãe preferir). Ele não nasceu lá, teve que ser cesárea mesmo, mas todos passavam bem. A mãe muito bem, animadíssima!!! Conversamos bastante. O pai também, super participativo. E eu pensando, depois: essa interação é que faz a diferença. A gente chega, tem uma mesa delícia com bolachinhas, frutas, suco, chá; ali mesmo, na espera, a interação entre as mães é muito natural. A mãe me dizendo que, no final da sua gravidez, tinha dias que passava o dia todo na Casa, só pela companhia e pelo astral; que fez todos os cursos (tem muita coisa disponível); muito legal mesmo. Até as enfermeiras entram na conversa. Rimos muito. Todo mundo gosta de estar ali. Não é aquela coisa fria, sem graça.
Pois bem. Chegou a nossa vez. Estamos muito bem, obrigado. A consulta foi ótima, conversamos bastante, como sempre. Exames todos feitos já, e tudo dentro do esperado. A não ser o de glicose, que não está alterado, mas porque sou gestante, o valor tinha que ter sido um pouquinho menor. Então a Camila (EO) já pediu aquele exame de curva glicêmica (e sim, já estou sofrendo-chorando-rezando três terços para conseguir sobreviver à ele). Apesar de depois eu ter lido que esse exame só é feito lá pelas 24 semanas, mas enfim.
E por falar em semanas, lembram da minha confusão pra contar o tempo, né?! Pela DUM, ontem eu completei 11 semanas. Pelo ultrassom (que eu não repeti depois, ficou só aquele mesmo), eu estaria completando 9 em algum momento dessa semana (e eu estava considerando essa idade). Mas a Camila disse que como não deu pra ver o bebê, ela ainda está considerando a DUM, porque é pelo tamanho do baby que calculamos a idade gestacional. Fiquei confusa de novo, rs.
Ela tentou ouvir o coração da Bolota, mas ainda não deu.

Sobre o exame que terei que fazer, só tenho a dizer que fiquei arrasada, me sentindo péssima e culpada. Muito. Fim. Em contrapartida, tenho total consciência de que a minha alimentação está boa, sim. Já faz bastante tempo que não exagero em nada (há mais tempo do que tenho de grávida, quero dizer). E agora com a gravidez, então, meu paladar mudou consideravelmente. Nem se eu quiser eu consigo comer muita coisa, além de frutas e coisas salgadas. Aliás, tenho sentido desejo de bolo (caseiro, comum, sem calda, só bolo), mas também não como uma quantidade grande, entendem como é? (e óbvio que não como todo dia também, haha). Definitivamente, não consigo ser radical em nada. Bom senso e moderação são meus aliados na alimentação, sempre foram. (mas depois vejo se faço um post à parte sobre alimentação).
Tem também meus exercícios. Próximo sábado começo a yoga na Casa Angela (junto com o Cleber, tudo lá o acompanhante está incluso). Tinha parado um pouco antes de ficar grávida, porque o local que eu fazia entrou em reforma e precisamos dar um pausa. Já a hidro, parei por conta própria, porque antes eu sentia muito cansaço; e depois veio aquela onda de gripe e São Paulo foi a cidade que mais registrou casos, e muito idoso junto, vestiário muito cheio, chão sempre molhado… eu senti mesmo que deveria dar um tempo. E dei. Mas daqui a pouco eu volto, numa unidade mais perto da minha casa, porque a que eu fazia era muito longe – e o ônibus muito cheio. Então o tempo que fiquei sem praticar alguma coisa não foi muito, estou tranquila mesmo. Mas com medo. Tudo junto.

Próximo ultrassom provavelmente na semana que vem, êêêê!!! Mas só se eu achar um laboratório que aceite o pedido do ultra com carimbo de enfermeira, porque o que tentei marcar só aceita o de médico.
Marquei consulta com a médica que, muito provavelmente, será meu plano B, caso, por algum motivo, não dê certo na Casa. Só consegui pro dia 01/07, mas já é um começo, rs.

Ontem dei uma surtadinha, querendo ver minha Bolota logo. Ainda tá passando.

E parece que ainda tenho um monte de coisa pra escrever, mas preciso sentir mais.

E vocês, como estão?
Boa semana pra nós 🙂

15 Comentários

Arquivado em bolota, Casa Angela, consulta, conversando, espera, gestante, primeiro trimestre

O pai da Bolota

Esse é mais um post da série: “a incapacidade marinística de controlar os dedos e fazer resumo”
Contém altas doses de açúcar. Diabéticos de plantão: leiam com moderação. (e perdoem a minha pieguisse. A meu favor posso dizer que são os hormônios… ou o amor).

Nos conhecemos há quase 5 anos atrás.
E quando eu paro pra pensar na nossa história, não tem como não ter aquela sensação de que tudo, realmente, acontece na hora certa. Não dá nem pra perguntar por onde ele andava antes que não nos cruzamos. Estávamos muito mais perto um do outro do que eu podia imaginar. Estudamos na mesma escola – e no mesmo turno – desde a quinta série. Ele era uma série a mais que eu e pasmem: eu nunca o tinha notado lá. Ele sim, lembra-se de mim. Mas eu não. Enfim. Os anos passaram, ele terminou o ensino médio e, no meu último ano, a minha prima (que era do 1° ano, na época), começou a namorar o irmão dele. Ou seja, primeiro conheci o irmão. Isso foi em 2007. Em setembro de 2008, depois de passar um bom tempo (desde o ano anterior) só cuidando de mim, e por eu estar sempre com a minha prima, e ele sempre com o irmão (e trabalhavam no mesmo lugar, na época), acabamos, enfim, nos encontrando. Dias depois estávamos nós quatro juntos e o então único casal dali, dois tratantes, simplesmente saíram andando e nos deixaram sozinhos. Bom, se era assim, fomos andar um pouco e acabamos entrando num museu.

Pausa pra explicar uma coisa: estávamos na cidade de Embu das Artes (SP), que é um pólo cultural, famoso pelos móveis, pelo artesanato lindo e com uma das feiras de artesanato mais famosas do país, que acontece todo domingo e lota de gente; mas durante a semana é uma cidade vazia e muito calma, delícia andar por aquelas ruazinhas, e tem um Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, pequeno, mas símbolo da cidade. Despausa. 

O museu!

Entramos no museu e, papo vai papo vem, nos beijamos encostados numa janela, lá no 1° andar, com um jardim lindo ao fundo. Era uma terça-feira e acho que só tinha a gente lá dentro. Bom, resumindo, não nos desgrudamos mais. Foi no dia 09 de setembro. Em janeiro de 2009, eu precisava ir à Aracaju batizar minha sobrinha. Ele foi comigo. De São Paulo à Sergipe de ô-n-i-b-u-s, nada menos do que 36 horas de viagem. Dizemos que essa foi nossa primeira prova de fogo, porque realmente não é fácil enfrentar o cansaço da viagem sem matar o outro e ainda manter uma relação, e depois ficamos lá, convivendo diariamente, por uns 20 dias direto. Tínhamos 4 meses de namoro e, ainda lá, começamos, naturalmente, a fazer planos sobre um futuro casamento (!!). Foi tudo muito natural. Quanto mais nos conhecíamos, mais íamos nos sintonizando. Em setembro do mesmo ano ficamos noivos. E em setembro de 2011 nos casamos. (Só o bebê não vai nascer em setembro, rs).
Ele sempre soube do meu desejo de ser mãe, mas ambos sabíamos que ainda não era o momento. Muita coisa aconteceu e de uma forma incrível a nossa parceria só fez aumentar, mesmo nos momentos mais difíceis. Construímos uma base bem sólida pra nossa relação, eu acho, com muito respeito, muio diálogo e muito amor. E estamos sempre nos cuidando (vide o nome desse blog, que é baseado numa frase nossa, e nas nossas alianças de casamento está escrito “Por todo o nosso sempre”). Ele é um cara incrível, que respeita muito a minha forma de ser, sem me julgar nunca e sempre me apoiando. É certamente a pessoa mais tranquila que eu conheço, que nunca (eu disse nunca) altera a voz ou grita. Se ele está muito puto com alguma coisa (ou comigo), a voz é a mesma, só um pouco mais dura. Me ensinou isso também. E eu era muito ansiosa e frequentemente ciumenta e a segurança que eu adquiri ao lado dele fez com que eu me tornasse uma pessoa muito mais calma, que não pensa mais em ciúmes e que se ama muito mais, também.

Nós dois, no nosso ensaio pré-casório, em frente ao museu onde tudo começou. Foto de Vini Brandini, fotógrafo incrível.
Para ver outras fotos desse ensaio, o caminho é por aqui

Dito tudo isso, não seria muita novidade dizer que ele já tem se mostrado um pai maravilhoso.
Ele sempre foi super cuidadoso e carinhoso com crianças, mas não é de mimar. Ele tem uma irmã de 8 anos, ou seja, tem experiência no ramo e uma segurança que me acalma, confesso.
Quando ele soube do positivo, que já esperávamos, ele disse que “ficou sem chão”. Porque é bem racional e a notícia o abalou um pouco, pensando em tanta coisa que ia acontecer e que ele tinha que fazer, rs. Mas obviamente estava muito feliz!
Desde que comecei minhas leituras dentro do mundo do parto natural humanizado, leio muita coisa pra ele. Ia falando sempre o que aprendia, aos poucos, porque com alguém eu precisava conversar. E também pra ele ir se inteirando e saber das minhas preferências. No final do ano, coloquei pra ele assistir o documentário “Violência Obstétrica: a voz das brasileiras”. Peguei pesado, né? haha Mas assistimos tudo e ele ficou chocado com a situação. Mais do que nunca me apoiou e disse que faria de tudo para eu que tivesse meu parto do jeito que sempre quis. Mas também não sou tão má assim, também mostro pra ele os vídeos engraçados do Minha Mãe que Disse, pra ele entender porque eu não saio dessa blogosfera linda. Sempre o inseri em tudo, não de hoje, porque se o objetivo é formarmos uma família, a presença dele não é um detalhe.
Enfim. Eu disse ali em cima que ele sempre me apoia e tal. E agora mais uma coisa: ele banca as minhas escolhas também. Também são dele, grande parte delas. Quando fomos à casa da mãe dele logo depois do positivo, num momento em que estavam sozinhos (porque eu estava brincando com a minha cunhadinha no outro quarto), eles entraram no assunto de parto e ele contou que a minha decisão era pelo natural total, sem nenhuma intervenção, dentro do possível. E antes que ela falasse alguma coisa, ele disse “e não quero que ninguém vá falar nada pra ela sobre mudar de ideia” (nota da autora: eu só soube disso depois – e eu disse que ele não mima ninguém, haha). No trabalho foi a mesma coisa, umas colegas – adeptas da cesárea – perguntaram e ele falou, elas não falaram muita coisa diretamente, mas ele também disse algo sobre “respeitar as escolhas dos outros, pois cada um tem suas”. Ou seja, nem sei porque tenho medo do povo tentar se intrometer na criação do bebê, certamente ele não vai deixar.
Quando eu tenho medo de alguma coisa não dar certo, ele sempre me olha e me acalma muito. (e sim, quando necessário, me dá umas broncas também, rs).
Que ele esteve comigo durante o exame de sangue eu já contei. E cuida da minha alimentação. Quer dizer, da nossa: pensa muito na Bolota. Tem um super cuidado conosco.
E o que eu acho o grau máximo da lindeza: ele já conversa com a barriga. Desde o comecinho. Aliás, antes de eu fazer o teste, quando estava só desconfiada, um dia de manhã, naquele estágio que estamos quase despertos, mas ainda dormindo, ele esticou o braço e fez um carinho muito lindo na minha barriga. Foi uma certeza a mais que eu tive.
E agora é assim: ele alisa, faz carinho, deita a cabeça na barriga e começa a conversar. E o detalhe: muitas vezes nem me deixa ouvir, o papo é deles mesmo, hahaha.

E eu já estava com vontade de registrar isso aqui, e hoje resolvi colocar em prática, mesmo não sendo um data específica. Com o único intuito de registro mesmo, pra eu não me esquecer dos detalhes e para lermos juntos com Bolota no futuro. E também porque a escrita é a minha maior forma de expressão, então daqui a pouco ele vai estar lendo isso aqui também. E eu preciso dizer:

Amor, eu agradeço muito a Deus por ter feito tudo exatamente do jeitinho que foi. Obrigado por ser você, o meu amor. Pensei em escrever esse post em alguma data especial ou coisa assim, mas hoje me lembrei que não podemos adiar as nossas vontades esperando um momento ideal. Quem faz isso somos nós. E sempre é tempo de dizer o que se sente. Apesar que eu vivo te dizendo essas mesmas coisas de outras maneiras, mas você bem sabe que eu sou repetitiva. Enfim. Você tem sido incrível! Amo a nossa parceria, as nossas conversas antes de dormir – e a qualquer hora -, as nossas ideias diferentes e meio subversivas e os nossos planos que sempre insistimos em mudar. A Bolota veio para nos ensinar muita coisa, além de várias outras que ela vai fazer nessa vida. Que bom que estaremos sempre por perto, né?! Já passamos por tanta coisa juntos… tanto aprendizado, tanto amor. Nem parece que cabe tudo dentro de 5 anos (o que me faz ter mais certeza que nosso caso é mais antigo, apesar de conservarmos algumas manias de namoradinhos adolescentes). E ainda tem tanto pela frente… Só posso prometer que eu vou te amar muito, até amanhã de manhã; depois você se vira pra me conquistar de novo.
Da sua sempre,
Marina

22 Comentários

Arquivado em amor, bolota, coisa linda, família, ser pai

Doula: empoderamento com amor

A palavra doula vem do grego e significa: mulher que serve.

Durante a gestação, ela tem o papel fundamental de preparar o casal para o trabalho de parto e o parto em si. Conversas, massagens, posições para lidar com a dor e para ter o bebê, dicas de profissionais alinhados às suas expectativas, desmitificação dos mitos que rondam a gravidez e o parto e mais um monte de coisas. 
Isso tudo era o que eu lia nos blogs, nos relatos, nos sites.
Sabia também que muitas mulheres só a procuram lá pela metade da gestação, ou no final mesmo.

Mas se eu comecei a pesquisar sobre parto natural e humanizado bem mais de um ano antes de começar a tentar engravidar, e mergulhei nesse mundo totalmente, então não é surpresa o fato de que, logo depois de confirmar o positivo, eu já marcasse logo uma conversa com aquela que viria a ser a minha doula.
E como assim “viria a ser”, alguém pode pensar, você já não tinha escolhido? Explico (o meu ponto de vista). Se com a equipe médica você tem que ter uma afinidade e uma confiança, com a doula é ainda mais, eu acho. Você estará escolhendo aquela pessoa para te dar suporte emocional em um dos momentos – se não o mais – mais fortes e marcantes da sua vida. Tem de ser aquela relação construída, recíproca. É preciso (muita) confiança, empatia, simpatia. E a gente sabe que isso não acontece com todo mundo. Mesmo que você saiba que aquela é uma profissional-dos-sonhos, se não acontecer aquele feeling, não vai rolar. Tem que ser natural. Sempre acreditei muito nisso.
Aliás, é principalmente para isso o primeiro encontro.
E para ele eu fui ciente dessas coisas. Apesar que é bem difícil eu me enganar assim, ainda mais em alguns casos específicos, se me permitem dizer. Já sentia que daria certo, mas também não podia cantar vitória antes do tempo.

E não me enganei mesmo.
Quando comecei a pensar em quem poderia ser, super levei em conta esses meus pensamentos.
E assim como acontece muito (também em outras áreas) na minha vida, acabei chegando na pessoa certa. Porque sim, eu pesquiso muito, muito, muito. Mas também me deixo ir levando. Não fico muito só na teoria, só na razão. Em algum momento dentro das minhas buscas, me deixo a ir a lugares, links e pessoas que não estavam tão à mostra no início, mas que – depois eu descubro – se tornam essenciais no meu caminho. E assim, meio “no faro”, cheguei até à Isadora Canto.
Muito provavelmente vocês já a conhecem. Ela canta músicas muito lindas (vide CD Vida de Bebê – e parece que tem um novo vindo por aí), tem o Projeto Acalanto, que dizem ser lindo e intenso – e eu vou fazer mais pra frente, o Materna em Canto,  o coral de mães. Isso eu já conhecia, porque quem está nesse mundo materno já escutou, pelo menos uma vez, sua voz (linda, diga-se de passagem).

Mas eu não sabia que ela era doula.
E descobrir isso acendeu aquela luzinha em mim. Por vários motivos – daqueles que a gente sente, não explica. E ainda com o bônus de que eu sou uma pessoa extremamente musical. Música é fundamental na minha vida. E aí pronto, já estava sentido. Só precisaria encontrá-la.

O nosso primeiro encontro foi mês passado, pouco depois da minha primeira consulta na Casa Angela.
Ela atende num lugar lindo, delícia, super aconchegante, que é a Casa Curumim. 
Conversamos por mais de uma hora, eu acho. Foi muito bom! Uma salinha pequena, mas aconchegante, com sofá e almofadas lindas. A conversa fluiu, tanto que nem percebi o tempo passar.
Saí de lá com aquela sensação de quero mais, sabem?
Depois, acertamos alguns detalhes da parte financeira. Achei o preço super justo. Não sou de pedir desconto para alguns profissionais (e doula com certeza, está entre eles), porque gosto de valorizar. É uma profissão de extrema dedicação e entrega, penso muito nisso. E o valor do todo é, com certeza, bem maior que o preço. É a minha postura, não julgo outras. Mas também nunca estive não estou em épocas de vacas gordas (como dizem alguns lá em Minas, rs), então ajustamos alguns pontos, ela super flexibilizou as condições e vivemos felizes para sempre, rs.

O segundo encontro foi hoje. Dessa vez, em outra sala. Com tatame, ambas sentadas em futtons no chão, e almofadas coloridas. Mais conversa. E como conversamos.
E o que eu achava antes, confirmei mais uma vez hoje. A relação que será construída ao longo (no meu caso) de toda gestação, é de muita confiança. É como se fosse uma super amiga, daquelas que você pode contar tudo. Vários pontos da vida são abertos ali, talvez algum assunto mais delicado. Não: com certeza os assuntos delicados virão.
Hoje a Isa me pediu pra contar um pouco da minha história de vida. Ela disse que, na hora do parto, quando estamos lá na Partolândia, no lugar mais interno – e mais longe de tudo e de todos – que vamos chegar, muita coisa do nosso passado pode vir à tona. Porque a gente vai fundo mesmo. E se ela souber da minha história, se falarmos dela algumas vezes, com certeza ela conduzirá melhor lá na frente.
E aí não pode ser aquela coisa morna-entrevista-de-emprego, né?! Falei de tudo, num apanhado geral, mas incluindo os pontos que mais me marcaram. Algumas coisas que mexem comigo até hoje, mesmo tendo acontecido há muitos anos. E posso falar? Foi tão bom!! Saber que é importante falar quem eu sou e que tem alguém ali disposta a me ouvir integralmente, com certeza ajuda a fortalecer a minha autoconfiança.
Depois ainda vimos um vídeo, falamos mais um pouquinho, e terminou – por hoje (mas sim, ela está disponível 24 horas por dia, se eu precisar de alguma coisa).

E se eu puder te dizer uma coisa, eu digo: tenha uma doula.
E agora eu acrescento mais uma definição àquela lá do início do texto. Doula, palavra que vem do amor e significa: empoderamento. Palavra que, mesmo vindo do outro, significa autoconhecimento.

16 Comentários

Arquivado em autoconhecimento, coisa linda, comecinho, doula, escolhas, gestante