Arquivo do mês: janeiro 2014

Mamãe craft

Então que ontem eu dei uma repaginada básica num caderno, afim de escrever tudo sobre esse mundo de gestante num lugar mais arrumadinho. Ficou simples, eu não tenho a melhor mão do mundo pra esses assuntos, nem muita prática. Mas não queria nada chique mesmo, então tá ótimo. Hoje terminei os balõezinhos e resolvi vir aqui mostrar como ficou. Na capa usei papel vergê e color plus, e esse vermelho de bolinhas é washi tape, uma fita decorativa feita de papel. No interior, é tecido mesmo 🙂 Dentro da nuvem vou escrever o nome do baby, quando souber o sexo e decidirmos o nome. O que acharam? 
O fato é que gostei da coisa e pretendo fazer mais. Quer dizer, na gestação passada eu já tinha essa ideia de fazer por conta própria algumas fofurices, e mantive algumas mesmas inspirações para esse baby também. Vou listar o que já estou planejando, até pra lembrar de mostrar aqui depois.
– Kit higiene: já tenho uma bandeja branca de mdf, que vou pintar de outra cor (quero amarelo, vamos ver se vai rolar). Comprarei cru ou personalizarei algo que já tenho como potinhos para algodão, cotonete e água. Comprarei uma garrafa simples também e farei um mimo;
– Bandeirinhas de tecido;
– Móbile de nuvem (pra ficar na parede, porque baby não terá berço);
– tenho um regador de alumínio que usava no meu quarto como decoração; vou pintar com tinta spray e bolar algo para enfeitar junto, e colocar no cantinho dele;
– quadrinhos variados, que ainda estou bolando;
– algo com o nome do baby;
– algo que eu ainda vou inventar mas por enquanto não sei.
Reparem que de nuvem a itens de jardinagem, esse cantinho do baby vai ter de tudo. Pra quê escolher um tema se eu posso ter vários? hahaha 
Quando nos mudarmos de casa e tiver um quarto inteiro destinado só pra ele, aguardem mais invenções, rs.
E aí, alguém mais pensa em colocar a mão na massa? O que fizeram ou pensam em fazer?
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15 semanas

15 semanas e 3 dias de amor!!

Tudo muito bem aqui com a gente, graças a Deus 🙂
Ontem, acordei e minha barriga tava dura e “amontoada” do lado direito. Posso com isso, produção? A pessoa mal tem tamanho e já prefere um lado da barriga, haha. Adorei sentir. Ou melhor, quando coloquei a mão a primeira vez assustei, mas depois foi legal, marido também sentiu. E aos poucos foi “voltando pro lugar”, rs.
Sentir mexer ainda não rola. Sinto umas coisiquinhas leves vez ou outra, mas ainda não dá pra dizer que é baby-baby.

Hoje acordei animadíssima e fiz uma faxina na minha mesa, que tava realmente necessitada, rs. Liberei um monte de espaço e separei algumas coisinhas que já tenho pra dar uma “repaginada” pro baby. Tô animada!
E depois que terminei, vi que tinha um caderno livre, sem uso, todo borocoxô. Fiz o que? Peguei papel, fita, tecido, tesoura e cola e dei uma carinha nova pra ele e tcharammm… agora temos um caderno exclusivo para assuntos gestacionais e bebezísticos. Tá simples, sem muito frufru, mas eu gostei. Falta só alguns poucos ajustes e depois posto foto; mas não aguentei e já comecei a escrever, hehe.

Já viram que essa semana começou animada, né?! Pois é. Tô realmente com mil coisas na cabeça, espero colocar tudo em prática, ou pelo menos boa parte.
Mas nem tudo são flores, minhas caras, não se enganem.

Hoje apareceu aqui pra me visitar uma dorzinha chata de estômago, um pesinho estranho. Não gostei.
Depois fiquei pensando, será que pode ser um princípio de azia? Nunca senti azia antes, não sei exatameente como é. Bom. Espero que essa visita não se prolongue eternamente, que me dê pelo menos alguns dias de sossego.

E eu descobri uma coisa. Tá, mentira. Dei nome pruma coisa que tô sentindo.
Pico de crescimento gestacional. pra frente e pros lado, só se for
hahaha
Hoje eu não pude ficar num intervalo maior de duas horas sem comer, acreditam nisso?
Na hora do almoço, quando já tava me preparando pra ir pra cozinha, me veio uma ânsia tão forte, achei que fosse vomitar. Não ia dar pra aguentar esperar esquentar comida + colocar no prato, a coisa tava urgente e feia mesmo. Comi uma bolachinha doce pra enganar e deu. E assim foi durante todo o dia. Um hiato maior e logo vinha a sensação ruim no estômago (sim, aquela que já citei ali em cima) e não dava pra deixar pra depois. Aff, que coisa difícil. Ainda bem que tinha uva, melancia… as frutas sempre me salvam.
Mais uma vez eu penso nos bebês e o quanto eu preciso me lembrar de ter paciência e empatia, porque olha, se falando, raciocinando e sendo responsável pelos meus atos não é fácil, imagina pra eles, né?!

Mas enfim, vamos em frente ver o que me espera.
E como prometido, foto da barriga \o/ – clicada ontem, super atual, rs.

Baby-baby e eu curtindo um showzinho na praça 🙂 (tô séria na foto mas juro que tava muuuito animado, rs).

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Sobre a expectativa que eu não tenho

Eu não nutro expectativas em relação ao bebê que cresce aqui na minha barriga.
Existe amor, certa ansiedade para conhecê-lo aqui fora na hora certa – que só ele mesmo pra saber, algum medo do desconhecido e também alguma curiosidade. Nestas semanas em que estamos juntos, já estabelecemos alguma conexão, que vem se fortalecendo pouco a pouco, no nosso próprio ritmo nesse momento. E acho que isso só tende a crescer. Essa conexão eu nutro com muita alegria e com muito cuidado, faço questão. Mas expectativa sobre algum comportamento qualquer, não tenho.
Sei que essa é uma afirmação curiosa, ainda mais vinda de uma gestante, mas é a verdade mesmo.

Segundo o dicionário, a palavra expectativa significa: 
1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.”

Ou seja, só pela descrição já podemos concluir que não é um bom negócio criar expectativas em relação a um bebê. Nem a ninguém, convenhamos. E não dá certo por um motivo que muitas vezes nos esquecemos: criando expectativas, estarei levando em conta apenas o meu desejo. E tudo que eu não quero é anular ou reprimir os desejos, as preferências e as necessidades do meu filho. Não podemos nos esquecer de que é uma relação que estará se estabelecendo – e toda relação é via de mão dupla. É uma troca.

Não tem como eu determinar, hoje e  desde já, qual ritual de sono seguirei, ou quantos minutos meu bebê poderá mamar, ou criar fantasias de como espero que ele reaja diante de tanta novidade que acontecerá em sua vida – em qualquer estágio dela. E não tem jeito por uma razão até simples: eu ainda não sei quem será esta pessoa que cresce aqui dentro. Não sei se será brava, como eu fui, ou bem calmo, como o pai. Provavelmente uma mistura de nós dois e com outras muitas características únicas, novinhas em folha, prontas para serem usadas e descobertas. Se chorará com facilidade, ou se terá o riso solto sempre. Muito menos como lidará ou interpretará o que a vida lhe oferecer. Como criar expectativas assim?

Não sei, mas na minha opinião, se preocupar muito com “prazos e metas” deve ser muito desgastante, tanto pra mãe, quanto pra criança. Pensar que o filho tem que dormir a noite toda aos 3 meses, chorar só de fome ou frio, comer toda a comida do prato, andar até um ano, ler aos 4 anos, não fazer birra em público, nem gritar, estudar na melhor escola, falar 8 línguas, passar no vestibular. É muita pressão para uma pessoa de meio metro de altura (e pra qualquer outra também). Isso é criar expectativas que serão, em sua maioria, frustradas, essa é a verdade. Porque a expectativa geralmente é idealizada. E não vivemos nesse mundo, não é mesmo? Além do mais, partindo da ideia de que não existe um certo e um errado absolutos – e sim as necessidades de cada família e suas histórias de vida- não tem muita lógica se prender a isso, que, vamos combinar, vem muito mais de fora, da observação da grama do vizinho, do que das particularidades de cada criança.

Partindo desse pressuposto, também não dá para criar expectativas sobre como eu reagirei frente a tanta mudança. Ser mãe é o meu maior projeto, quero isso desde muito tempo, e estou simplesmente adorando que eu já esteja na fase de execução, mas não tenho a ilusão de que saberei lidar com tudo o tempo todo. Isso é quase impossível, eu diria. O que faço (há bastante tempo, aliás) é ler, me informar, me inteirar sobre esse fantástico mundo que me será apresentado daqui uns meses. Leio mil coisas por dia, a fim de estar um pouco mais segura e mais consciente das minhas escolhas, até porque, sei que virão “pitacos” de todos os cantos. Teorias e experiências de outras mães foram e estão sendo minhas maiores fontes de pesquisa e referência até agora. Mas daqui a pouco isso vai mudar e vai ser a minha vez de entrar em campo. Porque por mais que eu tenha experiência prática em algumas coisas, como trocar fralda, dar banho, colocar roupinha, dar comida, por pra dormir, o exercício da maternidade é diferente. Diferente de quando é com um sobrinho ou um vizinho. Eu simplesmente amo esse mundo e escolhi me dedicar a ele integralmente quando acontecesse comigo (pelo menos até quando eu sentir que é a hora de mudar). Só que isso não significa que eu não terei dificuldades pelo caminho. Não tenho essa fantasia.

Na verdade, estou mais interessada em conhecer essa pessoinha que eu já amo tanto. Saber de suas preferências, de seus desgostos. Se vai gostar de dormir com o bracinho pra cima, ou espalhado na cama. Se vai ter cócegas. Se vai se irritar com pessoas desconhecidas, ou mostrará o sorriso banguela até pra quem passar de cara fechada na rua. Se vai chorar num cantinho, ou ir logo dizer na cara de quem seja que não gostou do que ouviu ou viveu.
Eu fico pensando na beleza que é descobrir o mundo, ter a capacidade de se encantar com todas as coisas que, para nós adultos, já passam batidas. Quero estar perto quando isso acontecer. Penso como deve ser difícil ter que se comunicar só com o choro, não entender a maioria das coisas que as pessoas te dizem, mas mesmo assim sorrir pra elas. Quero estar disponível para ajudá-lo a lidar com as coisas que nos irritam, ajudar a entender que tem coisa que é difícil mesmo, mas com o apoio e um cafuné de quem amamos, as coisas costumam ficar um pouquinho mais leves. E sempre pode existir um lado positivo, mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.

Por fim, penso o quão sortuda e abençoada eu sou, por ter a oportunidade de ver todo esse mundo novo bem debaixo do meu teto, daqui uns meses. Do equilíbrio para sentar, aos desengonçados e animados primeiros passos. Os meus e os dele. Nós vamos aprender juntos, dia após dia. 
O prazer da descoberta, como uma relação, será uma via de mão dupla.

Imagem daqui

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14 semanas e a consulta médica

Ontem foi dia de consulta com a obstetra. E só quando você tem uma profissional muito afinada com a sua história de vida e realmente interessada em te ouvir que você entende porque algumas pessoas (eu, eu!) saem tão animadas da consulta. Uma hora de conversa, de atenção, de dúvidas sanadas e também de risadas. Muito bom poder confiar em quem estará com você durante toda a gestação e parto. Dessa vez minha mãe foi comigo, porque marido não poderia se ausentar do trabalho, mas na próxima ele estará lá.

Mas vamos aos fatos:
Minha primeira consulta com ela nesse pré-natal foi no fim de novembro. Em dezembro não nos vimos (só nos falamos por e-mail), e agora voltei quase no fim de janeiro. Eu já tinha mandado os resultados dos exames de sangue pra ela, mas levei nessa consulta também. Tudo bem com a minha saúde; e repetiremos o exame da listeriose mais adiante, para controle mesmo, já que já tomei o antibiótico.
Mostrei o ultra que fiz semana passada, tudo lindo com baby-baby também, graças a Deus.
Suspendemos o ácido fólico e agora seguiremos com vitamina e um cálcio (que tenho que mandar manipular). Nenhum exame para esse mês.

Quando foi a hora de ouvir os batimentos cardíacos do bebê deu aquele friozinho na barriga. Não muuuito, porque já estava relaxada com o nosso papo, mas como eu não soube o que é passar por isso na gestação passada, foi mais aquela coisa de primeira vez mesmo. Deitei na cama, medimos altura uterina, depois ela colocou aquele gelzinho básico e, assim que encostou o sonar, o som mais lindo do mundo preencheu a sala. Aahhh, que coisa mais deliciosa, minha gente! Aquele tum-tum-tum debaixo d’água – e algumas vezes dava umas “ondulações”, que ela disse serem os movimentos fetais, que o sonar também capta. E tava animada, a pessoa aqui dentro, viu?! Mexendo bastante, rs.
Em seguida, medimos minha pressão, que está igual, como sempre.
E depois era hora de pesar. Em dezembro eu nem pesei, sinceramente. Quer dizer, acho que subi uma vez numa balança lá em Aracaju, mas só por curiosidade mesmo. E ontem, quando eu vejo: MESMO peso da consulta de novembro! Yeaah! Pensem como fiquei animada, hahaha.

E foi isso.
Próximo encontro daqui um mês.
Aqui seguimos com 14 semanas e 5 dias hoje. E preciso criar vergonha na cara e tirar mais fotos da pança, me lembrem! (minha memória anda péssima, pode culpar os hormônios? haha).

o único aplicativo que tenho de gestação: Alô Mamãe, do pessoal do Mundo Ovo.
Todo dia o bebê te manda uma mensagem, haha. 


Só pra não dizer que não postei foto da barriga, aqui uma da minha afilhada, semana passada, fazendo carinho no bebê ❤

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O Poder do Discurso Materno

Faz tempo que terminei de ler “O Poder do Discurso Materno”, da Laura Gutman, e ainda não havia conseguido parar para escrever sobre ele. Descoberta da gravidez, lerdeza, enjoos, pensamentos em outro lugar, viagem; enfim, vários fatores. Mas hoje resolvi que queria falar sobre isso.

“As lembranças se organizam na consciência por meio de palavras, que quase sempre foram proferidas por nossa mãe. Assim, organizamos as lembranças do ponto de vista do discurso materno – que em geral está distante da nossa real experiência infantil – e acabamos por vestir certos personagens, atuando sempre da mesma forma na esperança de obter amor  e aceitação. Quantas de nossas dificuldades afetivas, profissionais e familiares advêm daí?

Nesta obra, Laura Gutman explica o funcionamento de sua metodologia de construção da biografia humana, processo de autoconhecimento que permite às pessoas entrar em contato com experiências esquecidas no inconsciente e, com base em um novo ponto de vista, libertar-se do passado opressor, criando novas maneiras de estar no mundo.”

Já vi muita gente dizendo que começou a ler esse livro com o olhar de mãe, mas no decorrer da leitura foi o olhar de filha que prevaleceu. Comigo não foi exatamente assim.
Quando soube do que se tratava, quis um na mesma hora. Fiquei muito curiosa pra saber como era esse método de construção da biografia humana, como ela iria abordar esse tema, etc e tal.
Claro que toda essa minha curiosidade não veio do nada. Eu tinha um pequeno motivo para querer logo esse livro em minhas mãos. Mesmo sem saber exatamente como seria, me identifiquei com essa sinopse. Então, sim, comprei o livro pensando em mim.

E me surpreendi.
Basicamente, o que ela fala ali, sobre o método da construção da biografia humana, é o que eu faço, sozinha, com a minha história. Eu não fiquei surpresa com a abordagem utilizada ou em como aquilo funciona para os “pacientes” dela (e da equipe). Fiquei surpresa de saber que o que eu faço há uns bons anos é uma linha de terapia. Até porque, até onde eu me lembre, nunca tinha conhecido alguém que fazia ou achava esse um método válido, digamos assim. Me lembro uma vez, numa aula da facul de psicologia, toquei por alto nesse assunto e ninguém nem pensava nisso de uma forma parecida com a minha.
Óbvio que o fato de ser uma terapia, uma coisa com muito estudo e pesquisa por trás, é mais abrangente do que aquilo que eu faço, ainda mais porque não tenho ninguém que me conduza e que me ajude a ver alguns fatos de fora. É tudo na base do instinto mesmo, tateando no escuro. Mas o objetivo é o mesmo. Aliás, também fiquei surpresa de saber que estou chegando nesse objetivo (conduzindo a coisa toda) de uma forma parecida com a retratada ali.

Na maioria dos casos que o livro mostra, as pessoas não se lembram na quase nada da sua infância, praticamente nenhum evento ou sentimento havia sido nomeado para que pudesse ser “armazenado”. Nesse ponto eu não me identifiquei muito, porque me lembro de muita coisa da minha infância. Muita coisa. Sempre tive uma consciência, digamos, diferente com relação as coisas que me acontecem. Quando eu era criança e me ressentia por algum motivo e ninguém me entendia, ou se eu não conseguia expor o que se passava comigo, eu sabia que aquilo não era “normal” (usando os termos que tenho hoje, na minha cabeça da época era tudo mais rudimentar, rs). Eu não conseguia mudar alguns jeitos, mas sabia que um dia poderia vir a entender tudo aquilo. E o fato de eu acreditar que muita coisa que nos acontece hoje vem da infância, é justamente pela minha experiência.

Então, em algum momento que já não me lembro mais especificamente qual foi, comecei a fazer isso com uma certa frequência. Provavelmente quando eu estava passando por alguma dificuldade, daquelas que a gente não sabe de onde veio. Eu consegui associar um evento do presente a um acontecimento do passado. E um novo mundo se abriu pra mim. Aos poucos, muito lentamente, fui ressignificando a minha relação com muito do que me aconteceu. É claro que não posso mudar a forma com que tudo se deu, fazer com que pessoas que me deixaram triste lá atrás se arrependam e venham me pedir perdão de joelhos. Esse é um processo meu. A minha forma de lidar com tudo aquilo vai mudando e, consequentemente, vou me livrando de amarras que, de outra forma, talvez eu nem saberia que tinha.

Sem contar que eu também acredito que quanto mais a gente se entende e se descobre, mais a gente pode praticar a empatia e entender o outro. Não é concordar ou aceitar tudo que o outro faz. Mas saber que aquelas ações não estão acontecendo por acaso, que todo mundo tem uma história de vida diferente e, portanto, vai ter uma reação diferente frente a algum obstáculo.

Também me ajuda muito a entender a minha irritação diante de algumas coisas. Nessas semanas com a minha sobrinha aqui, por exemplo, andei ficando irritada com alguns de seus comportamentos. Não vou expor aqui porque nem é minha filha, e pra dizer eu precisaria expor outras pessoas, mas depois de um tempo refletindo vi que alguns detalhes estavam em mim, na minha história. Talvez por eu ter passado por coisas semelhantes mas ter internalizado e me expressado de forma diferente. Talvez por ainda serem coisas que mexem comigo. Talvez, muito provavelmente, por serem coisas que ainda precisam ser revistas. Foi bom pra eu entender, na prática, que alguns sentimentos contraditórios que as crianças nos despertam vêm de nós mesmos, e não delas. Não podemos obrigá-las a se comportar como achamos “certo” (por já termos passado por isso), como se o fato de “protegê-las” as salvassem do que nós mesmas vivemos. É bem complexo – e sim, vou ter que comer muito arroz com feijão pra chegar pelo menos perto do que acho legal, mas a gente tem que começar de algum lugar, não é mesmo?

É um trabalho de formiguinha, aos pouquinhos é que vou conseguindo avançar nessa minha autoterapia, indo em busca de mais autoconhecimento e, por que não, me dando um pouco mais de bagagem para lidar com o pequeno ser que hoje me habita.

Ler todas aquelas histórias, as teorias, os resultados, tudo isso foi me dando mais ânimo pra continuar o que faço, aprendi muita coisa nova também. Porque não é fácil, minha gente. A gente precisa estar disposto a encarar certas coisas, e nem sempre o que vemos é bonitinho. Às vezes eu dou um tempo disso tudo, porque preciso respirar outros ares para espairecer. Mas já percebi que isso tem me ajudado muito, em muitos aspectos, e vou seguir em frente assim. O próximo passo é passar tudo pro papel. Mas isso já é assunto pra outra conversa.

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Morfológico do 1º trimestre

Voltei, gente! \o/

Hoje foi o dia de encontrar, mais uma vez, meu baby-baby na telinha. E aquele frio na barriga de nervosinho que dá antes desses exames? Ontem à noite eu andava pra lá e pra cá, lavando louça onze da noite, hahaha. Mas nem era medo nem nada ruim, só uma coisinha boa mesmo, que fazia um tempo que eu não sentia.
Marido foi comigo, sempre bom a companhia dele.
O exame estava marcado para 11:30 e eu fui atendida uns 40 minutos depois. Pra que manter o horário, né, minha gente? Esses laboratórios me irritam, mas ok.

Entrei na sala, deitei e adivinhem só: senti minha barriga muito mais dura do que de costume. Tipo mais aparente, sabem? Não que ela não ficasse antes, não que eu não sentisse meu útero antes, sentia sim, sempre tive essa sensibilidade com meu corpo. Mas dessa vez foi diferente – e justamente numa sala de exame, rs. Eu nem precisava tocar nem olhar, sabia direitinho onde estava o útero, assim que deitei até comentei com marido. Coloquei a mão e foi muito louco, aquela parte durinha, toda aparente, dava mesmo pra ver abaixo do umbigo mais estufadinho. Foi tão gostoso, parecia que o bebê já estava esperando pelo exame, haha.

E dito e feito. O médico mal colocou o aparelho na pança e logo o baby apareceu na tela, todo lindo e grande. Como crescem, né gente? 81mm de pura gostosura, rs. Todo formadinho já, lindo de ver. Vimos tudo separadinho – e aquele monte de costelinhas, meu Deus? Como pode, né?! Coraçãozinho a todo vapor, TN normal (ao que tudo indica), medidas e circulação sanguínea também normais. Ele disse que minha placenta já está “bem formada”, pensa numa mãe que ficou se achando? haha. Tudo dentro do esperado e desejado, graças a Deus.

Pelas minhas contas (que são baseadas no primeiro ultrassom que fiz, com 5 semanas e 5 dias, visto que meus ciclos são maiores, ovulo “mais tarde” e, por isso, a idade gestacional não bate com a DUM), hoje estou com 13 semanas e 4 dias. Pelas medidas da anatomia do baby, o médico disse que são compatíveis com 14 semanas. Espichado que só vendo, rs. Continuo contando pelo primeiro ultra, porque a partir de agora cada bebê tem seu ritmo de crescimento e podem ocorrer pequenos erros mesmo.

Baby está sentado na barriga da mamãe, de boa na lagoa, e o médico não conseguiu pegar um bom ângulo para vermos um possível palpite do sexo. Eu perguntei, mas também não insisti. Engraçado que antes eu tava toda curiosa pra saber, agora nem tô mais, apesar de ainda pensar em quem será que me habita. Não sei se espero o próximo morfológico ou não, nem vou decidir isso pra já. Na outra gestação eu estava mesmo toda tranquilona, quase querendo esperar o nascimento, rs, mas nessa realmente não tô planejando, tô tranquila mesmo.
Muitos ultrassons podem mais agoniar do que tranquilizar, isso eu sei muito bem, por isso nem pretendo fazer milhões. Confio no meu corpo e na natureza. Conheço as evidências científicas sobre o assunto. E, também importante, confio na minha médica – que não vai me empurrar uma cesárea por bebê grande, circular de cordão ou qualquer baboseira que inventam toda hora. Se eu estiver nesse ritmo que estou hoje, toda calma e feliz, espero tranquilamente; se não, não. Vamos aguardar o próximo episódio…

Mas agora deixa eu postar uma foto do ultra, pra vocês comprovarem como eu ando comprometida com esse negócio de fabricar gente fofa.

e eu sempre acho que a imagem no papel é diferente da que vejo na telinha; o ao vivo é bem mais legal, né?! rsrs…


Ah, só para registrar: de ontem pra hoje tive um sonho muito delícia, com um bebê bochechudo e com dobrinhas todo grudado em mim. Não tem como não ficar toda bobinha, com um sorriso no rosto, né?!
Beijos e boa noite, gente linda. Nos falamos nos comentários o//

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13 semanas e uma afilhada linda

Completamos 13 semanas de amor!
Posso dizer que essa semana os incômodos praticamente sumiram #todascomemora. Quase nadica de nada de enjoos – só aparecem de vez em quando pra me lembrar quem é que manda aqui, haha.
O calor que faz nessa cidade (no país, em todo lugar) está demaaais da conta. Fico imaginando que pras grávidas de barrigão não deve tá nada fácil – pra mim, pelo menos, com uma mini-barriga, não está, rs. Apesar disso, até que meus pés não tem inchado, o que já é bem bom.

Aquilo que eu senti no fim de semana realmente foi embora. Tanto que nem pensei mais em antecipar o ultrassom nesses dias e me surpreendi quando me dei conta de que o exame “já é” na próxima terça. Se fosse pra esperar mais seria tranquilo. Vai entender a cabeça de uma gestante… rs. Mas é na terça mesmo, não tem como ser depois porque eu já vou estar no limite do que pedem, então, depois disso com certeza venho aqui contar como foi o nosso encontro pela telinha.

Como eu comentei em outro post, minha afilhada, que tem 5 anos, está passando uns dias aqui em casa (serão 15 dias, no total) e está indo tudo bem. Bem cansativo. Ela é uma criança tranquila no quesito ficar longe dos pais, mesmo sendo a primeira vez que isso acontece na vidinha dela, não está dando trabalho nenhum. É muito carinhosa. Beija, abraça, quer – e faz – carinho. E adora fazer cócegas na minha barriga e dizer que “a priminha” está rindo e gostando. Ain, morro de amor! rs. Ela conversa com o bebê, faz perguntas. Na sexta eu contei pra ela que o bebê tá dentro d’água, se refrescando nesse calor, e ela ficou surpresa mas logo concluiu que “a bolha” no qual o bebê está dentro é pra proteger. E acredita que tudo que eu como vai direto pro bebê (meio que literalmente, no caso, porque ela descreve o bebê mastigando e gostando, haha).
Fala mais do que uma matraquinha, tem um “causo” pra tudo e pra nada (no caso do nada, é pra tentar te enrolar quando quer ganhar um tempinho mesmo, rs). E um sotaque nordestino que eu adoro!
Mas não se deixem enganar pela carinha de anjo e vozinha fina, viu? A criança é fogo, minha gente. Fogo na roupa, na casa, nos cabelos, no prédio. Tem que ter uma dose extra de paciência – o que me falta, algumas vezes, porque os hormônios estão em ebulição aqui dentro, uma loucura total.
Por causa desse ritmo mais frenético, juntando com o calor que fez essa semana, chega o fim do dia eu quero mais é cair na cama e por lá ficar – de preferência com um ventilador na minha cara. Vocês fazem isso? Nem eu, hahaha. De noite a menina pega fogo, ainda tô procurando o botãozinho que desliga essa máquina. Haja imaginação pra entreter e depois desacelerar esses pequenos!…
Então assim, nem sempre é fácil, mas posso dizer que é beem gostoso. Vou sentir falta quando ela for embora.

Helena e eu. Dizem que é a minha cara, rs…
E a pança? Continua crescendo, firme e forte, haha. Quer dizer, não acho que esteja enooorme, mas já dá pra aparecer um pouquinho – embora não o suficiente pra me fazer pegar as filas preferencias, ainda, haha. 
Eu a sinto durinha desde o início, no baixo ventre. Mas só agora tá ficando mais redondinha, com carinha de barriga de grávida mesmo; e o peso vai mudando também. E sinto que ela fica maiorzinha e (ainda) mais dura/firme no final da tarde, é uma delícia! 
Olhem só como estamos…
Estamos crescendo, gente! \o/
E é isso, minha gente. Na terça (ou na quarta) eu volto com notícias do ultrassom. 
Uma semana linda pra nós \o/

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Coisas boas

Meninas, como vocês são lindas, hein?! Esse meu puxadinho aqui só me enche de amor – e sim, vocês são responsáveis por isso. Obrigada pelo apoio no post de ontem.
Mas aí fiquei achando que, nessa gestação, tenho escrito muito sobre o medo e pouco sobre todo o resto. Na verdade, tenho escrito pouco sobre tudo, no quesito quantidade e frequência dos textos mesmo. Vamos ver se a gente muda isso de lugar.

Vai parecer contraditório, mas essa gestação está bem mais tranquila. Eu tenho (tive, vamos deixar no pasado, rs) os picos de medo, que aconteceram, de forma maior, umas duas vezes, mas no restante do tempo tem sido bem legal.

No começo, não quis contar pra ninguém porque precisava desse tempinho. Aos poucos, a família e alguns poucos amigos foram sabendo e ficaram todos super felizes. Mas assim, eu não saí ligando pras pessoas pra contar, foi tudo de uma forma natural, digamos assim. Tanto que grande parte da minha família de Minas só soube quando cheguei lá, agora pro Natal. E, não me perguntem como estou conseguindo, mas ainda não divulguei no meu perfil do face a notícia do ano. Fui deixando pra postar depois, depois… e até hoje não mencionei nada. Então tem gente que ainda nem sabe, ou só desconfia. Daqui a pouco vou compartilhar, até porque com a pança crescendo não tem jeito, haha. E nem é porque tô com medo ou coisa assim. Tá gostoso mesmo essa coisa mais nossa, mais íntima. Eu adoro as torcidas e os bons desejos que vem de todos os lados, adoro! Mas menos perguntas nesse primeiro trimestre foi fundamental. Eu me permiti sentir medo quando ele veio, assisti pela janela ele indo embora – como ontem ele foi, e assim seguimos com os outros sentimentos também.

Estou aprendendo, ainda mais, a confiar no meu corpo, que já o sei incrível e capaz. Constatar isso a cada coisinha que acontece é ainda melhor. Estou me conectando mais comigo, pra não precisar que aparatos externos me digam que está tudo bem. Como eu disse ontem, não quero correr prum ultra a cada suspiro que eu der. Pontadinhas, sensações, sonhos, pensamentos e, principalmente, a minha intuição, tudo me leva prum caminho de autoconhecimento que é só meu.

De uma certa forma, não existe uma ansiedade gigante de que o mundo saiba a revolução que está acontecendo aqui dentro. Eu estou mais calma e tá muito gostoso assim. Eu faço massagem na barriga, passo óleo, cremes, converso com a barriga. É tão bom! É ainda a mesma sensação de quando eu decidi não contar pra ninguém logo de cara. Um coisa meio doida, como se eu sentisse que o bebê precisasse mais do meu tempo dedicado a ele, olhando pra dentro (e, portanto, pra ele), do que contando pro mundo e olhando pra fora. Uma coisa nossa, no nosso atual ritmo. Vai chegar esse momento, de anunciar pra cidade toda (tá chegando, na verdade!), e vou aproveitar também, ô se vou! rs; curtir cada momento do jeito que eu sinto que tem que ser é delícia.

Uma das melhores partes é a minha disposição. Estou super bem disposta pra andar, fazer coisas e tudo mais. Acho que mais do que quando eu não estava grávida, mas essa parte a gente abafa, haha. Ainda não estou me exercitando regularmente, porque a Cátia disse que íamos avaliar isso na próxima consulta. Mas não vejo a hora de ser liberada oficialmente e voltar pras atividades. Nesse dezembro eu andei pra caramba (teve um dia que quase desmaiei no ônibus, por causa do calor imenso, mas mami estava comigo e me socorreu), lá em Minas fizemos um dia uma caminhada muito boa também, na nossa roça. Ar puro é outra coisa, né minha gente?

Marido tá um lindo, como sempre. Super paciente e carinhoso, além de bem presente sempre. Esse apoio e essa parceria são fundamentais pra mim. Os momentos dele com a barriga são muito fofos.
Já comprei algumas poucas coisinhas, mas essas vou deixar pra contar em outro post, que aí coloco fotos também. Minha mãe deu um macacãozinho lindo, todo pequenininho, uma fofura. Tenho pensado em algumas coisas do quartinho e já já eu começo a colocar a mão na massa.

E é isso, por enquanto. Em breve volto com mais novidades 🙂

nossa tradicional caminhada 

trilha com estilo 😛

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12 semanas e o encontro com a própria sombra

Ei, gente linda! Demorei, mas voltei o//
E aí, como vocês estão? As festas foram boas? Tudo certinho?
A minha viagem foi ótima, descansei um monte, super necessário. Foi bem legal a distribuição daquele mundo de presentes, e os das crianças lá da roça, muita emoção: elas amaram! E as meninas nem queriam abrir o pacote, achando lindo o embrulho. Valeu a pena meus dias dedicados a isso 🙂
Daí que marido e eu íamos voltar de Minas mesmo, mas num dia acordei e cismei que queria ir pra Aracaju também, ver meu irmão e tal. Entrei na internet e adivinhem? Achamos uma passagem que não valia um rim, iupii!! Isso mais as milhas do meu lindo pai, possibilitaram que subíssemos com eles de carro até Sergipe. Ficamos 3 dias lá. No dia 01, 01:30 da manhã (sim, logo depois da virada!! rs) voamos de volta pra casa.
Meus pais chegaram ontem (05/01) e minha afilhada linda veio junto, vai passar uns dias aqui com a gente.

Nosso paraíso familiar – e esse céu lidimais das Minas Gerais.

Mas agora vamos falar da gestação \o/
Pelo primeiro ultrassom que fiz (com 5 semanas e 5 dias), sexta-feira entramos na 12º semana! Uau, até que passou rápido, né?!
Os sintomas deram uma boa acentuada. Quer dizer, durante a viagem (a ida mesmo, de carro), não foi fácil comer em qualquer ponto de parada. Ainda bem que compramos bastante coisa pra ir comendo no caminho, foi o que me salvou.
E nessa semana até consegui passar o café, um verdadeiro milagre, visto que antes eu não podia nem sentir o cheiro de longe. Mas ainda não estou podendo pensar muito em sorvete da kibon (não falem o nome tablito, ainda mais o de massa – sim, é o meu preferido – porque meu estômago revira na hora. Não tá fácil ser eu, haha). Ainda é difícil comer carne todos os dias (a não ser peixe). No mais tá tudo bem.

Vacilei e não deixei marcado ainda em dezembro o ultrassom morfológico do 1º tri. Pense numa dificuldade pra encontrar vaga e/ou um lugar que não me arranque os olhos da cara? Meu convênio ainda não cobre o morfológico, só acaba a carência em fevereiro, e nos lugares que liguei perguntando custava uns 600,00! Eu não sei vocês, mas eu não pago 600,00 num exame nem aqui nem na China! Ou então, quando achava um que eu pudesse pagar, não tinham vagas para as datas que eu podia. Consegui, depois de muita labuta, uma vaguinha semana que vem, dia 14, já nas vésperas de fazer 14 semanas (ou seja, a data limite!).

Nesse primeiro trimestre, me senti um recém-nascido, completamente. Muitas sensações, o tempo todo. Muita incapacidade de transmitir ao mundo o tanto que se passa aqui dentro. Muito choro quando a coisa aperta e quando a coisa afrouxa também. Um pouco de dificuldade de lidar com a comida – e às vezes, sentir fome sem conseguir comer (e daí, então, fazer a única coisa que resta: chorar!). Ou seja, se é assim pra nós, adultas, imaginem pros bichinhos que acabaram de chegar nesse mundão? Tenhamos paciência com nossos recém-nascidos. Eles só precisam de amor e muita paciência – experiência própria!

E aí, quando a gente acha que está tudo bem, que está ficando tudo mais brando, já imaginando as alegrias do segundo trimestre, ela aparece pra me assombrar. Ela, a temida, a horrorosa, a coisa-ruim… a sombra! A nossa própria sombra. Aquela, que todas temos, e que só se revela quando estamos sensíveis e desprevenidas.
De vez em quando aquele medinho básico de passar pela mesma coisa duas vezes bate aqui na porta, mas eu vejo logo de quem se trata e ignoro; normal, fazia parte do script. Eu estava bem, levando numa boa essa gestação.
Mas nesses últimos dias a coisa pegou. Acho que ela entrou pela janela, enquanto eu dormia, só pode ter sido isso. Durante uns dois dias (sexta e sábado, eu acho), mais ou menos pela hora do almoço, a coisa começou a pegar e eu ficava com medo. Ontem não sei o que aconteceu, só sei que acordei com uma dor no corpo horrorosa, coisa péssima mesmo, do nada. E com a cabeça pesada. Achei que ia gripar, ou coisa parecida. Quando almocei, botei tudo pra fora imediatamente. Vomitei um monte e, estranhamente, me senti um pouco melhor, menos pesada. Mas o corpo doeu o dia todo, sem trégua. Consegui comer pouquíssimo. E junto com tudo isso o medão bateu. “E se tiver acontecendo alguma coisa errada?”, “e se já tiver acontecido?”, “não quero saber o que está acontecendo porque minha médica tá viajando e quero o apoio dela pra qualquer coisa”, “quero fazer um ultrassom imediatamente!”. Um inferno, minhas amigas! Não sei como marido me aguentou. Mas assim, não dura o tempo todo-todo minuto. É um intensivão e depois passa. E depois volta. E depois passa.

Conversando com marido, percebi que esse medo sempre vem na mesma hora. Adivinhem qual? A hora em que eu soube, pelo ultra, que bolota já tinha ido embora. Sombra, minhas caras, sombra. E também sei que tá chegando a “data-limite” que se instaurou na minha cabeça: 14 semanas (e não sei quantos dias). Porque foi quando as coisas começaram a parar de evoluir da outra vez.
Vejam bem, eu não acho que um raio caia duas vezes de maneira tão igual no mesmo lugar. Se fosse pra acontecer algo ruim (todas bate na madeira 50 vezes) teria que ser diferente, não é? Estou me agarrando nisso. Mas a minha insegurança se reside no fato de que, da outra vez, mesmo estando tão ligada na gravidez e me sentindo conectada com bolota, tudo aconteceu lentamente aqui dentro e eu não me dei conta. Não me culpo por isso, era pra acontecer, eu sabendo ou não. Mas e o medo de não sentir nada de novo? Entendem qual é exatamente o meu medo? Claro que, depois de passado o fato, eu puxei pela memória e percebi umas coisas que saíram dos trilhos, disfarçadamente, naqueles dias prévios. Mas assim, não foi nada que me fizesse ficar com a pulga atrás da orelha, eu estava toda zen naquela época, rs. Então, quando percebo, já estou procurando qualquer sinal de sintoma de que algo não vai bem. Durante a viagem, lá em Aracaju, senti umas dores de cabeça (que pode ter sido por fome alimentação fora de hora, ou sono, ou a falta do meu óculos de leitura que não uso há tempos, porque quebrou), mas já senti um frio na barriga. Hoje eu acordei achando que meus peitos diminuíram, que minha barriga tá pequena, que um monte de coisas (aqueles sintomas de ontem sumiram em algum estágio do meu sono, acordei bem!). Até chorei. Minha mãe achou que eu tinha que ir no médico, contar dessa angústia, mas médico de plantão em ps eu prefiro não arriscar. Nessas horas eu sinto falta da Casa Angela, que era um lugar que eu poderia correr nesses momentos (eu estava deixando pra ir lá, ou decidir se iria, mais pra frente). E assim, até tem aquela clínica que eu faço ultra sem precisar agendar, mas queria um lugar melhor, com uma imagem mais bacana, sabem? Por isso não fui lá fazer o morfológico. E não quero correr pra lá a cada medinho que eu venha a sentir, pra verificar se tá tudo certo. Não vou usar isso de muleta, não faz bem nem pra mim e muito menos pro baby. Estou ocupando minha mente, tomando meu homeopático para acalmar o coração (tinha deixado de lado nessas férias) e seguindo em frente. Agora à tarde já estou bem melhor, posso até dizer que já sem o mesmo medo de cedo. Vou tentar levar assim até terça que vem e caso a coisa aperte demais, eu vejo o que faço. Mas já entendi duas coisas: a primeira é que todos os sentimentos passam, sendo bons ou não. A segunda: medo não salva ninguém. Independente do que eu faça, o que tiver que acontecer, vai acontecer. Porque isso não está nas minhas mãos. E de alguma forma, isso me deixa mais calma.

“minha primeira vez na praia”

“mamãe colocou a mão na minha frente, mas estou ali ó, estão vendo?”

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Arquivado em 12 semanas, acontece comigo, conflito, conversando, gestante, viagem