Arquivo do mês: fevereiro 2014

A base que construiremos juntos

Escrevi um texto sobre algumas escolhas que fiz e os motivos que me levaram a não realizar um chá de bebê. Na verdade, aquele era um texto mais sobre o chá de bebê, sobre um recorte do meu mundo, sobre o fato de eu conhecer os meus convidados e, por isso, optar por não fazer essa festinha, e menos – bem menos – sobre o meu poder de decisão de certas coisas na maternidade.
Simplesmente porque não podemos prever tudo. Ou quase nada.

Eu quero muito amamentar. Acho importantíssimo, em vários aspectos, e quero que faça parte da minha nova rotina logo após o nascimento da pequena. Quero me dedicar, me esforçar e me entregar, pois sei que não é fácil no começo. Por esse motivo, não quero estar aberta a ter estoques de substitutos ao meu seio na minha casa, desde já. Pode acontecer alguma coisa séria – fisiológica ou psicológica – que mude meus planos e me faça recorrer às fórmulas? Com certeza pode. Pode acontecer de um tudo. (Claro que vou chorar ou ficar chateada por precisar recorrer a algo que eu não queria, mas saberei que fiz e fui até onde pude). Diante disso, e depois de orientação dos profissionais competentes, faço as compras necessárias e adapto meus planos à nova realidade. Mas agora, não. Agora eu estou lendo muito, tanto a teoria quanto os mais diferentes relatos, exatamente pra ver que em cada casa – ou melhor, com cada filho – é diferente, e (tentar) preparar minha mente pra isso. Agora eu estou indo atrás de informações de onde tem bancos de leite próximos a mim e também pessoas capacitadas para me orientar diante de alguma dificuldade. E muito em breve passarei pro papel uma lista com alguns telefones, ou e-mails, de pessoas que sei que me darão real apoio (e não pitacos), que são a favor da amamentação e que me darão forças para seguir em frente. Agora estou me preparando ao máximo para bancar a minha escolha.

E esse foi só um exemplo. O mesmo pode-se aplicar para o não uso do berço, para as fraldas de pano e assim por diante. São escolhas iniciais, que eu fiz porque tenho valores semelhantes aos propostos, que tomei depois de um certo tempo pesquisando, pensando e conversando, e também por achar que vai facilitar meu dia-dia como mãe, por que não? 😉
Mas tudo isso ainda está no plano das ideias, eu só vou saber o que acontecerá de verdade em julho (ou agosto) e nos meses seguintes, depois que a Agnes nascer e eu ver como vai ficar a nossa rotina juntas. São apenas um norte, para que eu não me sinta perdida – e porque algumas decisões práticas, como o caso das fraldas, tem que ser resolvidas (compradas) desde já.
(obs: isso também não quer dizer que mudarei de ideia e de prática a cada manhã, vamos com calma. É só que eu entendo que existem surpresas no caminho, coisas que não esperávamos (não falo de algo específico, realmente não sei a que me refiro; é isso que caracteriza a surpresa), e que podem mudar um pouquinho os passos da dança).

Eu não sei como será minha vida depois que ela chegar. Nunca fui mãe, estou diante do desconhecido mesmo. Por mais que eu tenha alguma experiência prática com bebês, sei que é muito mais. Pressinto que vai me transformar numa pessoa nova – é o que dizem por aí. Imagino que não será muito fácil, mas que será absolutamente importante para todos nós; que será lindo, claro, dentre outras tantas coisas que ainda não parei pra pensar.

Estou muito aberta a aprender com tudo que vier. Viver a maternagem integralmente é uma espécie de sonho de consumo que estou realizando. Viver a maternagem integralmente, e não projetar um tipo desenhado de sucesso em cima dos pequeninos ombros da minha filha, que fique claro – disso eu quero passar longe.
Na minha visão é um ato valiosíssimo: gerar, gestar, parir, alimentar, amar, ensinar valores, cuidar, acalentar, mostrar limites, apresentar o mundo… aprender ou reaprender a voltar o nosso olhar para o belo, enxergar o mundo de uma maneira diferente, perceber novas nuances e emoções também está no pacote, porque toda relação é via de mão dupla e esses pequenos tem um tipo de saber que é só deles. E estou aqui, inteira, para viver cada um desses dias.

Hoje o Pedro Fonseca escreveu uma carta pro seu filho, sempre linda, que me fez pensar. Nisso e em outras coisas também.

Eu estou seguindo o meu coração e completamente ciente de que essa pessoa que hoje depende de mim para crescer e sobreviver, daqui a pouco vai estar aqui no mundão, no meu colo e segurando minha mão, até que possa dar seus próprios passos e trilhar seu próprio caminho. Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é pra já. Até lá, me esforçarei ao máximo para preservar sua essência e respeitar suas particularidades, fazendo as melhores escolhas que eu puder fazer por nós, mantendo o que nos é fundamental, como família e como pessoas, porque uma boa base é essencial para se construir o que quer que queiramos construir.
Então saiba, filha, que construiremos juntos a sua base. O caminho trilhado a partir daí será seu. Só seu.

Uma pessoa completamente nova – e paradoxalmente já pronta – entrará na minha vida em breve.
Para que eu possa cuidar e também para me ensinar. Para que eu possa levar, mas pronta para me mostrar a melhor direção.
Para fazer parte do meu caminho, para construir e trilhar o dela. Do jeito que melhor lhe parecer.
Não tem como não ser especial.
Não tem como ser muito planejado. Amém.

Mais uma vez, Steve Hanks ilustrando minhas palavras, só porque eu acho uma lindeza só.
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Carta do dia: você

Filha,
a vida é muito engraçada. No começo da gravidez, eu não tinha palpite algum a respeito de quem estava dentro de mim. Se era uma menina ou um menino, não passava pela minha cabeça. Eu estava tão feliz de te ter aqui que essa parte passou meio batida. Sem contar que você tem um tempo que é só seu, né, isso foi fácil perceber, e como eu o respeito muito, não invadi seu espaço para tentar saber antes da hora o que seria revelado apenas quando você quisesse. Curiosidade eu tive, mas soube lidar bem com ela.
De repente, como se alguém tivesse apertado um botão dentro de mim (foi você, né sua danadinha?!), eu quis muito saber. Sentia uma vontade louca de descobrir logo e a coisa aumentava principalmente aos domingos. Comecei a chamar os episódios de “fadiga de domingo”. Durou uns 2 ou 3 fins de semana. Enrolei o quanto pude, tentei esperar o próximo ultrassom necessário, mas como não estava funcionando, marquei logo o nosso encontro pela telinha.

Alguns dias antes de sabermos que era você, entrei numa mini-crise por não conseguir escolher nenhum nome de menina. Veja bem, eu não tinha palpite nem pressentimento (um milagre, filha!), mas pirei por conta do nome. Qualquer um poderia dizer que já era um sinal, menos eu, que estava surtada demais pra me dar conta disso. Fiquei triste, matutando esse sentimento por uns dias, tentando entender o que se passava. E olha só que curioso, ao mesmo tempo em que pensava nisso, um único nome não me saía da cabeça. Tentei escolher outros, falava em voz alta e conversava com seu pai, mas nenhum se encaixava. A não ser aquele. 


Percebemos que já estava escolhido há mais tempo do que imaginávamos, e assim ficou. Só que resolvemos não anunciá-lo imediatamente, apesar de nos perguntarem todo dia se já havíamos decidido. Ainda não era a hora – pois é, parece que essa questão de tempo e respeito estará ainda mais presente agora com a sua chegada, né?! Que bom. 
Seu pai foi firme nessa decisão de manter o silêncio, apesar de eu quase ter deixado escapar algumas vezes. Já tivemos uma experiência não tão boa a respeito de nomes no passado (depois te conto essa história); ele queria me proteger e, consequentemente, proteger você também. O foco está sempre em nos mantermos unidos como família e com a mente arejada, relaxada. Tomamos essa decisão porque o principal nem é sanar a curiosidade das pessoas, mas construirmos nossa base – a sua base – de forma sólida e com muito amor. Queríamos também viver essa fase sem nenhum tipo de contratempo, só curtição, afagos e delícias. Então, resolvemos esperar, viver esse momento só entre a gente, até para que ficássemos mais fortes, que é o que acontece por estarmos juntos. Foi uma delícia, não foi? 
E agora que já “voltamos” do nosso mundinho particular, revigorados, por assim dizer, podemos dizer. Dizer o seu nome pra todo mundo, filha.

O nome que já estava presente desde que sua irmã estava aqui, inclusive, mas que nunca cogitamos colocar nela, porque bem, era seu. O nome que seu pai sugeriu há muitos meses atrás, e que pra ele já estava resolvido. Um nome lindo, que me disseram esses dias ser doce.
Seu nome vem do grego e significa pura, honesta. Assim como desejamos que sejam os seus sentimentos em relação a tudo que te coloque em movimento. 
Seu padrinho e sua bisavó disseram que significa pássaro de fogo (estou checando essa informação) e amamos igualmente. Um nome forte, é o que dizem quando ouvem pela primeira vez.
Cinco letras. Seu nome é seu e não poderíamos estar mais felizes. 
Agnes, nossa pequena, linda e única Agnes.
Obrigada por estar aqui. 


Com amor, 
mamãe.


“ainda descobrimos que tem uma personagem muito fofa com o seu nome, filha; daqui uns anos a mamãe e o papai te mostram esse desenho.”

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19 semanas de nós duas

Oi, gente linda!
Hoje completamos 19 semanas. Uau, já é quase metade do caminho, né?! Ao mesmo tempo em que acho que está passando rápido, está dando pra curtir bastante a pancinha.
Agora minha moça se manifesta sempre, que delícia deliciosa sentir eles brincando dentro da gente, né?! Ainda não dá pra saber se são chutes, socos ou cambalhotas, mas sei que tem horas que a coisa fica divertida aqui dentro, haha.
Minha barriga resolveu que estava tudo muito fácil pra mim e agora coça muito. Não é o dia inteiro, mas incomoda um bocado. Não estou passando as unhas – o milagre do autocontrole, não sei como estou conseguindo, rs. Besunto creme e rezo um terço para que as estrias sejam carinhosas comigo e, se aparecerem, que sejam poucas e discretas, pelo amor de Allah (porque pedir pra não aparecer ia ser demais, né?! Apesar que não custa tentar, hehe).

E hoje também foi dia de consulta \o/
Marido foi comigo dessa vez, muito bom quando ele pode ir junto.
Nossa, gente, como é bom ter um atendimento humanizado. Eu sei que eu já disse isso em outros posts, mas vou repetir sempre: faz muita diferença. Já ouvi muita gente falar que vale por uma sessão na terapia e olha, não posso discordar, agora entendo totalmente. Falamos sobre parto, sobre escolhas, sobre empoderamento, e ouvi muita coisa que eu precisava nesse momento. Saí de lá com várias ideias e planos na cabeça, sem contar a força e o incentivo que recebi dela (e do marido também, claro, rs). Foi bem importante e é por isso que eu digo que faz diferença. Um atendimento onde a sua história de vida é respeitada e que o poder das escolhas e das decisões estão realmente com a mulher, sempre.
Sobre termos práticos: finalmente saí do peso em que estava quando engravidei, mas nada preocupante também. Barriga crescendo bem, pressão linda, coração da moça a todo vapor. Beleza pura de resultados. Em breve tem ultrassom morfológico, ieba!

Estamos pensando na configuração do nosso quarto compartilhado e… toda hora temos uma ideia diferente. Ok, admito, toda hora eu tenho uma ideia diferente. Mas como só vamos mudar os móveis lá pra abril/maio/junho/quando ela tiver 15 anos, dá tempo de mudar de ideia mil vezes pensar mais um pouquinho.
Já tenho algumas coisas para repaginar (mãos à obra!), e tenho pensado nas lembrancinhas de nascimento também, que vou encomendar com uma amiga.

Quero ver se retomo logo a yoga, que me faz muito bem, e estou combinando uns horários com minha mãe para fazermos caminhadas juntas, não todo dia, porque meu pé dói muito, por conta de um ossinho chato que tenho aqui, mas pelo menos 2 ou 3 vezes na semana acho que rola (eu já ando pra lá e pra cá, mas quero uma coisa mais regrada, digamos assim). Tô me sentindo uma #menasgestante por não estar praticando nada com regularidade ainda, mas as coisas vão mudar, torçam aí pra dar certo…

E é isso, por enquanto. Provavelmente na segunda eu volto com novidades \o/

a gente tá crescendo 😀

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Sobre escolhas. Ou, porque não farei chá de bebê

Uma das perguntas que a gente mais ouve quando fica grávida é: e aí, vai fazer chá de bebê? A minha resposta, como dá pra saber só de ler o título da postagem, é não. “Ah, mas faz chá de fraldas, você vai precisar bastante”, podem dizer. A reposta, sinto dizer, também é não. E então que achei legal escrever um pouco mais sobre isso.

Primeira coisa que acho bom pontuar: não tenho nada contra chás de bebê. Sério. Podem me chamar pros seus chás, inclusive, rs. A única coisa que não suporto são aquelas brincadeiras que pra mim são chatas, tipo pintar barriga (e a cara e todo resto) com batom, pagar mico se errar qual o presente, sair na rua toda horrorosa, etc, mas até aí tudo bem, porque se eu fosse fazer um chá não teriam brincadeiras desse tipo. E se você teve um chá assim e amou, tudo bem também, eu estou falando exclusivamente de mim agora; e apesar de ser do signo de leão, com ascendente em leão, não gosto muito de estar no centro das atenções, essa é que é a verdade, então essa nunca foi uma opção de festa pra mim. 
Dito isso, vamos falar um pouco sobre escolhas. 
Eu adoro que sejamos pessoas livres para decidir o melhor caminho para nossas vidas (tudo bem que, muitas vezes, diante de muitos assuntos sérios, não podemos efetivamente escolher, mas conversamos sobre isso outro dia, hoje quero que o assunto seja mais leve mesmo). 
E eu já fiz algumas sobre como vou exercer a minha maternagem. Minhas escolhas foram feitas depois de muitas pesquisas e leituras, por afinidade de valores e por ver que se encaixavam bem com o que eu acredito e, também, pela forma como levo a vida. Acontece que muitas delas se chocam totalmente com o senso comum. Com o que é amplamente falado pelas nossas tias, vizinhas, desconhecidas e listas de internet como “essenciais” e “necessários” para todos os bebês e suas mães. Ou seja, com o que é usado pela esmagadora maioria das pessoas. 
No começo da gravidez eu ainda não tinha descartado completamente a ideia de fazer um chá pro baby. Nem tava pensando muito nisso na verdade, estava deixando as coisas rolarem. Até que um dia marido chega do trabalho contando que suas colegas disseram que faria um chá de bebê pra mim. Ele disse que não (porque ele é contra essa coisa de festa “só pra ganhar presente”, haha), mas elas disseram que fariam mesmo assim. Eu falei “ah, amor, deixa fazer, tem nada não” e emendei “mas fala pra elas que não precisa levar isso, nem aquilo, muito menos aquilo outro”. Aí eu parei, pensei e completei: “é, melhor não fazer nada mesmo, né?!” e caímos os dois na risada. E foi aí que caiu minha ficha: não dá pra fazer um chá de bebê, que é uma festa para se ganhar coisas*, essencialmente, e colocar uma lista enorme de itens vetados, proibidos, e poucos (diante da gama dos proibidos) permitidos. Isso não é legal, isso não é bacana. 
Dando uma olhada por cima aqui na internet, apenas para fins de sanar minha curiosidade, vi umas duas listas de presentes nos chás de bebê. Não cheguei a contar, mas acho que dá pra dizer que pelo menos metade da lista seria vetada por mim, outra parte pode deixar que eu mesma compro (lixeira pro quarto, lençol avulso… sério que tem isso também? desculpem, mas acho completamente desnecessário pedir esse tipo de coisa) e sobraria bem pouco para os convidados trazerem. Não é justo. Nem com as pessoas, nem comigo. Porque quem fez as escolhas fui eu, então sou eu quem tem que bancá-las. 
Outra coisa, além de ser chato essa coisa de “traz isso, nem pensar em trazer aquilo”, eu teria que explicar essas minhas escolhas para pessoas que, infelizmente, não estão abertas às minhas respostas. Iam achar que é frescura, ou que é moda, ou dizer aquela frase que eu amo #sóquenão: “você diz que não quer agora, deixa nascer pra você ver”. Vocês já sabem a minha opinião sobre o pitaco, então nem vou comentar. 
Não se trata de expectativas desmedidas ou “seguir moda”, como gostam de falar, até porque ninguém tem que seguir ninguém, as pessoas apenas se identificam, ou não. E o mais importante, pra mim: o fato de ter escolhido essas coisas não quer dizer que condeno todas as outras. Cada um com seu cada qual, já dizia o poeta, rs. Precisa haver diversidade para que possamos escolher, não é mesmo? Eu apenas não quero ir pelo caminho mais comum, mais óbvio, mais usado, porque eu sou assim mesmo, não tem jeito. Se não der certo a gente reajusta as coisas, mas só quem poderá tomar essa atitude sou eu, depois de vivenciar as experiências que optei viver, e não agora. Não tenho motivos para comprar nada disso antes dela nascer e antes de saber realmente como as coisas vão funcionar por aqui. 
Mas que raios de escolhas a mulher fez, meu pai, pra não querer nada da bendita lista? Alguém pode estar se perguntando. Daria para fazer um post sobre cada coisa – e pode ser que aconteça, qualquer hora dessas, num humilde blog perto de você. Por hora vou listar aqui, de modo bem simples mesmo, o que eu não vou comprar pro enxoval da minha pequena moça:
– Mamadeiras (céus! nas listas tem tantos tipos que eu nunca ia conseguir decorar);
– consequentemente, excluímos também os tipos variados de bicos para mamadeira, bem como aquecedor, escorredor, pinça, escova e não sei mais o quê para mamadeiras;
– chupetas;
– nada que tente substituir o peito e o leite materno;
– kit berço pra juntar pó e nos fazer espirrar (porque não teremos berço, rá!);
– mil opções de travesseiros para mil coisas diferentes;
– babá eletrônica (não há nenhuma necessidade, visto que dormiremos no mesmo quarto);
– absolutamente nada de personagens (bebês não precisam de personagens. fim.);
– cremes antiassaduras;
– lenços umedecidos;
– fraldas descartáveis (sim, pirilim, o enxoval de fraldas de pano modernas já está sendo feito, e falo sobre isso muito em breve. Ou seja, chá de fraldas é dispensável aqui).
Ufa, acho que é isso. Eu conheço muitas, muitas pessoas que fazem uso desses itens, que acham indispensáveis, ou que não sabem que existem outras formas de agir, de tanto que essas ideias já estão impregnadas no nosso subconsciente. E tudo bem, é a vida delas. Mas aqui, na nossa vida, por escolha minha (e do marido), não teremos. Se eu tivesse mais pessoas que compartilhassem da mesma opinião que eu (oi, amigas virtuais, quero todas vocês do lado de cá!) ao meu redor, com certeza poderia fazer um chá de bençãos, ou um chá da mãe hippie (hahaha acabei de inventar essa!). Mas eu não posso introduzir essas ideias assim do nada na cabeça alheia, pedir que todos achem legal e fim de papo. Estou aberta para conversar e trocar experiências sempre, mas pedir que todos dancem no meu ritmo, quando claramente ninguém ainda nem ouviu a música, não é pra mim. 
arquivo pessoal
*festa essencialmente feita para ganhar presentes, apesar de muita gente fazer para reunir os queridos e comemorar a chegada do bebê, eu sei. Aliás, quem sabe eu não faça um lanche qualquer, sem nome nem nada, só pra juntar os amigos mesmo? 
ps: se as colegas de marido ainda quiserem fazer o tal chá pra mim no mês de maio, terei que dizer sim que não precisam comprar certas coisas.
ps2: caso alguém não saiba das minhas intenções e me presenteie com um dos itens que não acho essenciais (principalmente mamadeira ou fralda descartável) não vou fazer cara feia nem dar sermão em ninguém. Mas me reservo o direito de colocar no fundo da gaveta ou, se perceber que não vou mesmo usar, doar a quem precisa. 

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18 semanas e o meu bem-estar

Entramos hoje na 18° semana de gestação.
E isso significa o que, senhoras e senhores? Ultrapassamos o limite, o fantasma das 17 semanas e daqui pra frente é tudo, realmente, novidade \o/ Não que já não estivesse sendo, porque foi tudo muito diferente da outra gravidez, desde o comecinho do comecinho. Mas daqui pra frente é tudo completamente novo e eu tô animada para viver tudinho.

Nas semanas anteriores eu cheguei a pensar que ficaria ~meio assim~ quando chegasse a semana 17, uma tristezinha ou um medinho, sei lá. Adivinhem? Não aconteceu. Fiquei uns dois dias mais calada, introspectiva, cheguei a pensar no assunto, mas me dei conta de que não estava com medo, não era nada relacionado a esse bebê, era só uma brisa leve do que passou. Seguimos adiante e aqui estamos.

E como eu me sinto?
Ótima!!
Sem sintomas chatos, sem reclamações. A única coisa que tá pegando é o calor e, por conta disso, pés um pouquinho inchados no fim da tarde, mas não acho que esteja mais difícil pra mim do que pra todo mundo. Essa semana eu li dois textos sobre como é muito mais fácil reclamar da gravidez do que se sentir bem com ela. E é verdade. Sempre que alguém pergunta como estamos, a resposta esperada, muitas vezes, já é uma queixa, um desconforto. É claro que eles existem, são muitas mudanças ocorrendo de uma vez só, a gente não tá acostumada, às vezes enche o saco mesmo, mas não acho legal focar só nisso. E toda a mágica que estamos fazendo dentro de nós? Existe muita beleza na gravidez, literal e poeticamente, sempre achei isso e estou adorando vivenciar esse processo. Sim, eu sou a pessoa que sempre vai buscar um lado lindo em tudo, agora mais do que nunca, tanto que sempre tratei meus sintomas chatinhos com respeito e não apenas esbravejando o quanto eu os detestava. Sempre tentei entender o que eles queriam me dizer, a talvez diminuir me ritmo, ou rearrumar alguma coisa na rotina, ou aqui dentro. Tenho aprendido muito, essa é que é a verdade.
Além do mais, tenho me sentido muito bem comigo mesma. Não digo tanto pela aparência, mas sinto meu corpo trabalhando tão direitinho, tão em sintonia, que não tem como não me sentir bem.
E esses dias eu estava pensando em como é bom poder viver isso no meu ritmo, sem a pressão, todo dia, do que acontece lá fora, ou de um local externo de trabalho, por exemplo. Quando estou cansada eu respeito, quando a coisa agita eu vou junto. E isso não tem preço. Poder sentir e entender o que o meu corpo ou a minha mente estão me pedindo é fundamental pra mim.

Estou bem disposta, meus cabelos deram uma boa crescida, apesar de eu precisar dar um jeitinho nele, minhas unhas que quebram com uma super facilidade agora não quebram mais. Minha pele não está 100%, mas não ligo muito pra isso nesse momento. Minhas roupas decidiram que era uma boa hora para não servirem mais em mim, e tenho feito uns malabarismos para inventar novas combinações, muito legal essa parte, fico feliz quando um vestido não fecha mais, rsrs.

Tá uma delícia acompanhar a barriga crescer. Apesar de, às vezes, eu achar que ela deu uma boa crescida, outras vezes é como se ficasse estacionada  semaaanas no mesmo lugar.
Faço massagem com óleo todos os dias, e essa é uma das partes que eu mais gosto.
E agora as leves coisinhas que eu sentia (leia:se: pequenos movimentos tímidos da dona moça aqui dentro) estão se tornando movimentos mais perceptíveis. Todo dia já acontece, mais de uma vez por dia. E adivinhem? Ontem marido sentiu também!! Ain, que gostoso dividir isso com eles, né?! Eu estava deitada no sofá e senti, coloquei a mão dele em cima e, de repente, ele sentiu também, ficou todo bobo, rs.

Ou seja, as coisas estão indo muito bem do lado de cá, graças a Deus. Não perfeito, claro que tem umas coisinhas ainda para serem colocadas em seu devido lugar, mas não era sobre isso que eu queria falar hoje, e elas não tiram a graça, nem roubam a cena do que ando vivendo 🙂

E é isso.
Que venham mais e mais semanas de bem-estar.

Fica de registro duas fotos de ontem. A pança é do mesmo tamanho, juro, algumas roupas é que disfarçam mesmo, haha.

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Minha bela novidade

A frase que vem norteando minha mente e meu coração nessa gestação é: siga seu coração. Mais do nunca, isso tem feito muito sentido pra mim, desde o começo. Desde que eu soube eu aquele seria “o” mês. Desde que eu soube que meus pés inchados não eram calor, mesmo que ainda não houvesse tempo hábil para sintomas. Desde que eu confirmei e não quis espalhar a notícia logo de cara, porque precisava de um tempo só nosso, particular.

Mas às vezes, diante de uma situação nova ou não planejada, eu tento buscar uma explicação mais elaborada para estar sendo daquele jeito. Porque não é fácil tomar uma decisão e simplesmente dizer a quem quer que seja “tô fazendo isso porque eu senti que deveria”. Soa lindo em alguns momentos, mas em outros, nem tanto. Então, para não causar taquicardia nos outros, nem me desgastar com opiniões que não me apeteciam, eu tinha outras cartas na manga. Tentei não criar falsas expectativas naquele que seria “o” mês, nem sequer comentei com ninguém. Falei que o calor estava inchando meus pés (e me deixando tonta, e com moleza). Falei que precisava de um tempo pra mim antes que soltar a notícia. Nesse não menti. Eu disse, não é sempre que preciso inventar alternativas. Teve gente que acreditou ser só pelo fato do que aconteceu antes – e foi, também – mas não ia ser algo só nesse nível, não pra mim (até porque, se fosse isso, eu só soltaria a notícia sexta passada, quando completei 17 semanas). Eu não queria todas as energias voltadas pra nós naquele momento, senti mesmo que esse serzinho precisava de tempo para se desenvolver do jeito que a natureza mandou.
A verdade é que essas respostas sempre foram pros outros. Eu sempre senti o que deveria ser feito (troque o sentir por instinto, se quiser; aqui eles têm o mesmo significado), o que se passava aqui dentro, mesmo que não fizesse sentido algum pra mais ninguém. E agora, nesta gestação, isso tem se acentuado um tantinho mais.

E quando eu não entendo muito bem – às vezes por estar com os ouvidos no que se passa lá fora, ao invés de aqui dentro – eu paro. Para ouvir, para sentir, e daí então pensar e decidir o que fazer.
Aconteceu há pouco tempo.
Eu comecei a sentir um comichão de ansiedade para saber se quem me habita agora é um menino ou uma menina. Não havia tido, até então, grandes pressentimentos. Uma coisa completamente nova pra mim, devo dizer. Mas não era por isso a vontade de saber logo. Eu só queria. Não havia um motivo aparente, e me custou um pouco de tempo entender o que se passava. O ultrassom morfológico será lá pro fim de março, mais ou menos, mas eu sabia que até lá eu já queria saber. Não queria admitir e pedir uma guia extra pra médica, tanto que saí da última consulta sem guia nenhum.
Mas os dias foram passando e a vontade, que oscilava em alguns dias, começou a vir com mais frequência. E vinha muitas e muitas vezes quando eu estava a conversar com a barriga. Teve um dia que eu simplesmente senti. Quase ouvi o “plim” do instinto quando me dei conta. Estava na hora. Como numa conversa só nossa, eu entendi que podia dar mais esse passo para frente, que já podia conhecer um pouquinho mais de quem era essa pessoa, que se manteve quietinha durante todas essas semanas, e que eu respeitei. Vi que não precisava me sentir menas “culpada” por fazer um exame só pra constatar algo que podia muito bem esperar, aos olhos dos outros. Mas aos nossos, não. A nossa relação vem sendo construída lentamente, com um passo de cada vez. O próximo passo chegou e era agora. Não era em março, nem no momento do parto, assim como não foi nas primeiras semanas, diante da possibilidade de fazer uma sexagem fetal. Me despindo do que a minha razão me dizia (que seria um ultra “desnecessário”), ou do que alguns enxergavam (só ansiedade, nada mais), eu segui em frente. Mandei um e-mail pra médica, que na mesma semana deixou uma guia na recepção pra mim. E então eu marquei o exame.

E o exame foi ontem, às 13:00.
Sem planejar, nem me dar conta, foi na 17° semana. O número que marca minhas gestações.

Não fiz muuuitas brincadeiras de adivinhar o sexo, não. A maioria deu que seria um menino, inclusive a tabela chinesa e a calculadora dos batimentos cardíacos fetais. A grande maioria das amigas companheiras de luta, aqui da blogosfera, achavam ser menina.
Uma mulher que diz sempre acertar o sexo dos bebês na barriga, me disse há uma semana atrás que era menino. Outras pessoas também cogitaram o mesmo. Minha mãe também palpitou isso, apesar de nos últimos dias me perguntar que nome eu daria se fosse menina, disse pra eu pensar. Minha afilhada e minha cunhadinha, juntamente com uma prima de Minas, disseram ser menina.
Cleber não tinha nenhum pressentimento também, e estava tão tranquilo que se fosse pra saber o sexo só no parto, assim seria. Mas não deixou de me acompanhar no exame – e de ficar todo bobo com a novidade.
Eu, apesar de não ter tido nenhum pressentimento forte, passei as primeiras semanas achando ser uma coisa, depois mudei pra outra, e por fim fiquei confusa. Sonhei com ambos os sexos. Eram só achismos. Mas aconteceu um fato engraçado: diante da minha incapacidade de escolher o nome de um dos sexos, eu travei. E fiquei triste por isso, de verdade. Não sosseguei enquanto não coloquei tudo em seu devido lugar. Isso foi há umas duas semanas atrás e, depois de tudo acertado, fiquei mais aliviada e também com uma luzinha acesa na caixola.

E provavelmente esse deve ter sido o maior texto que vocês já leram para anunciar esse tipo de notícia.
Uma das notícias mais lindas de my life.
Que me fez ficar toda emocionada na sala do exame.
E depois sair ligando pra todo mundo. Além de abraçar marido a cada 5 minutos.
Mas que também me fez sentir #menasmãe, porque não consegui identificar direito o que o médico mostrava. E depois sentir raiva daquela imagem ser tão ruim (não, a culpa não foi da minha emoção, cof cof) e com receio dele ter me falado errado.
Ok, sobre bipolaridade na gestação a gente conversa depois.
Agora vocês só tem que saber:

I’ve got sunshine on a cloudy day
When it’s cold outside
I’ve got the month of May
I guess you’ll say
What can make me feel this way
My girl (my girl, my girl)
Talking about my girl (my girl)

                            

E aqui fica uma foto de nós duas, com esse vestido que eu adoro mas que já não fecha mais em mim, mas quem se importa, né?! Importante é que minha menina está bem acomodada em sua casinha.
Ah, sim, o anúncio do nome da bela moça vem em sequência, aguentem só mais um pouquinho aí que eu juro que conto – e esse recado é pro mundo virtual and pro real também, contarei para todos tão logo acertar uns detalhes aqui com meu excelentíssimo marido.

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Carta do dia: 16 semanas de você

Bebê,
faz pouco mais de 16 semanas que estamos juntos, coladinhos um no outro.
Eu sinto que a gente se conhece cada dia um pouquinho mais, num tempo que é difícil de explicar para outras pessoas, de tão nosso que é.
Simplesmente fico apaixonada quando sinto suas leves mexidinhas, ainda tímidas e só de vez em quando, sentidas aqui desse lado. Minhas mãos tem estado em contato constante com a barriga, tenho sentido essa vontade de te dizer que o carinho será irrestrito aqui fora também, e parece que você tem gostado.

Você sabe, às vezes a mamãe fica nervosa e chora um pouco, colocando pra fora o que ela não consegue expressar naquele momento – tal qual você fará assim que chegar aqui desse lado da vida. E tudo bem, bebê, chorar é natural, e mais natural ainda é termos nossas lágrimas amparadas por quem amamos e confiamos (e pode ser por qualquer coisa, você se lembra quando chorei porque não conseguia comer e estava com fome, né?). Algumas vezes, nem a gente entende direito o porquê daquilo, mas um colinho é sempre bom, por via das dúvidas.
Outras tantas vezes, em maior quantidade, ainda bem, mamãe sente uma tranquilidade tão grande, você sente também? Ontem mesmo aconteceu, em algum momento no meio da tarde, sentada no sofá, eu percebi o quanto estava bem e o quanto você aqui dentro tem a ver com isso. Foi só um insight, mas foi bem vivo e percebi nitidamente sua participação nesse processo todo.

Assim como você escolheu quando viria morar aqui dentro de mim – só isso explica o fato de eu ter surtado de um dia pro outro, querendo parar a contracepção a qualquer custo (e aconteceu mesmo, poucos dias depois), também terá a liberdade de nascer quando for o seu momento, e assim por diante. Aqui em casa respeitamos muito o tempo particular de cada um, sempre – temos uma boa rotina, somos bem felizes e as coisas têm fluído muito bem nesse esquema, então continuaremos assim por tempo indeterminado. É muito importante perceber e respeitar esse tempo só nosso, e tenho certeza que será uma delícia (mas não menos cansativo, por vezes) descobrir o seu.

Ainda não sabemos se você é menina ou menino. Tem gente que diz que é um, tem gente que diz que é outro. Seu pai e eu estamos sem um palpite fortíssimo, sem aquela “certeza”. Talvez porque saibamos que teremos muito tempo para nos conhecermos. Talvez porque isso simplesmente não importe, visto que o amor que sentimos é destinado a você, não ao seu gênero. E quando perguntam pro seu pai o que ele “prefere”, ele diz que não importa, porque na verdade é você quem vai escolher melhor quando crescer. Você vai entender melhor mais adiante, hoje as pessoas arregalam os olhos quando ele diz isso. Saiba desde já que seu pai é raro, bebê, mas creio que isso você já tenha percebido. 
Mas toda nossa falta de palpites em relação a esse assunto não significa que só saberemos quando você nascer, nem que não bata uma curiosidade por vezes, nem que estejamos desligados disso. Na verdade, em breve teremos a confirmação, mas sobre isso eu vou dizer numa próxima oportunidade. De qualquer forma, acho que já chegamos num consenso sobre os possíveis nomes e, ao que tudo indica, você não se opôs, pelo menos por enquanto. 

Tenho tantas coisas para registrar e te dizer, mas vamos aos poucos, que é como funciona conosco. Estamos começando a arrumar as suas coisinhas, planejando compras e preparando o coração (em breve, a casa também). Tudo para sua chegada. Seus avós estão super presentes e adorando esse movimento.

Prometo escrever com mais frequência para termos o registro, visto que isso e o que ainda virá são fruto das nossas conversas. Sei que você sente, e obrigada por me ouvir.

Um cheirinho e um chamego bem gostosos,
mamãe.
Nós, quinta-feira da semana passada. Click do papai.

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