Arquivo do mês: junho 2014

37 semanas e a minha calma

“Do alto das minhas 36 semanas de gestação, enquanto todos perguntam (quase afirmando) se estou ansiosa pra ela chegar logo, enquanto muita gente diz que não vê a hora dela nascer, eu só penso que quero viver – mais do que nunca – um dia de cada vez, e que passe um pouco mais devagar, porque eu não estou com a mínima pressa. Não estou ansiosa para saber o dia, nem o horário, nem nada que só o tempo e a natureza decidirão. Eu só quero viver o presente.”

Escrevi isso no facebook semana passada e posso dizer que resume muito bem o momento atual em que estamos. 

Hoje completamos 37 semanas. 
37 semanas de barriga crescendo. De muito amor. De corpo trabalhando e produzindo pessoa nova lindamente. De dúvidas, enfrentamentos. De descobertas. De encontro com a minha sombra. De empoderamento. De muitos aprendizados. E de gente linda no meu caminho. 

A partir de hoje, se a Agnes quiser nascer, já não será considerada prematura. Estamos a termo. 

Semana passada, quando escrevi essas palavras que abrem o post, eu estava vivendo o presente exatamente como o nome diz: um presente. Eu não queria pensar que estamos chegando na reta final, nem que daqui a pouco meu corpo e ela irão trabalhar juntos para dar início a uma nova fase da nossas vidas, muito menos em como seria quando ela chegasse. Eu estava muito grávida e só queria saber disso. Queria só saber da barriga, dos movimentos dela, da nossa comunicação, de curtir o marido e tantas outras coisas. E me dei conta que estava nessa vibe quando percebi que estava todo mundo me perguntando como eu me sentia, se estava ansiosa, que não viam a hora dela nascer logo, que tava chegando etc e tal. Aí eu me pegava pensando: não estou com essa pressa toda, não, que estranho. Tá tão gostoso ela aqui dentro, por mim poderia continuar grávida por uns 3 meses, sem reclamar. Juro juradinho. Ela tá se preparando, sei que quando ela estiver pronta vai me dizer, então pra quê eu preciso de pressa? Hoje em dia é muito comum querer antecipar as coisas, viver lá na frente, pensar no próximo passo. Eu também sou assim em alguns momentos, aliás. Mas em relação a chegada dela, estou na paz. 
Eu sempre ouvi que a gravidez dura 9 meses e que o último mês dura 9 meses, de tanto que demora. Semana passada, então, eu devia estar de umas 4 semanas, porque só queria saber de curtir meu bebê aqui dentro. Como me acostumei a dizer nesses dias: tá todo mundo ansioso pra Agnes nascer logo… menos o Cleber e eu. Rs…

Mas eu entendo esse sentimento nas pessoas. Eu tenho a Agnes aqui comigo há meses, só eu e ela, ela e eu. O pai também presente, mas deu pra entender o espírito da coisa – aliás, vou sentir saudade dessa nossa vivência e sintonia depois, já tô sabendo. Natural que todo mundo queira que ela saia pro mundo, para interagirem e fazer parte de forma mais ativa da vidinha dela. Vendo por esse lado, deve ser também por isso (mas não só) que eu não tenho a mínima pressa: nunca mais seremos só nós duas. Nunca mais poderei protegê-la de tudo e de todos, assim do jeito que é agora. A mãe leoa parece já dar sinais que será bem ativa nesse sentido, rs.

A verdade é que eu estou calma. O que é um pouco estranho, pra quem me conhece de looonga data, mas é a mais pura verdade. Não posso dizer que não estou sentindo nada. Na verdade, o frio na barriga já tá dando as caras, mas é só porque essa coisa de “qualquer dia, qualquer hora” agora tá rolando pra valer. De hoje até agosto ela pode chegar na hora que der na telha, olha só que legal!! 

E devo estar assim nessa calma toda em relação ao parto porque fisicamente estou muito bem. Essa semana que comecei a sentir peso na barriga, mas só quando eu ando. Aí o pé da barriga doi, me canso mais rápido e hoje deu umas coliquinhas também, tanto que estava indo numa padaria mais longe e fiquei na mais perto mesmo, porque tava chatinho, não quis forçar. Sinto dor nas costas só se fico muito tempo sentada na mesma posição, ou se durmo a noite toda pro mesmo lado. Insônia só tive duas vezes, mas foram por motivos externos mesmo. No mais, tenho estado muito bem. Ainda consigo lavar os pés (#ostentação, kkkk), me abaixar. Só acordei de madrugada pra ir ao banheiro umas 2 vezes em toda gestação.
Até agora ganhei 8 quilos e uns quebrados, devo chegar aos 9 e pouco até o fim (sou péssima em contar as gramas, percebam), mas estou sendo otimista, porque tenho sentido mais fome (apesar de não caber mais tanta comida, rs) nesses dias, então se eu não chegar a 12 em poucas semanas tô no lucro, hahaha 😛 
Na consulta das 35 semanas, remarcaram a próxima pra quase 38, porque eu não tinha queixas ou coisa assim. 
Cheguei a 29,5cm no Epi-no, que vitória!!! \o/ Isso foi semana passada. Depois acabei não fazendo mais, por motivos meus mesmo, mas ele ainda tá aqui comigo, e tem outros exercícios pra fazer. Comprei uma bola de pilates há um tempo que tem sido muito parceira nessas semanas 🙂
No último ultrassom, que a Catia pediu que eu fizesse com 35 semanas, Agnes estava linda, cefálica, serelepe. 2,3 quilos e 43cm de gostosura. 

Sobre a parte prática, só falta arrumar as malinhas – isso será feito amanhã. O quarto tá pronto (e juro que venho mostrar num post específico, pre-ci-so lembrar de tirar fotos decentes pra ficar completo), roupas e fraldas lavadas, passadas e guardadas. Quer dizer, sempre tem uma coisinha aqui ou ali pra trocar de lugar ou que eu ainda invento fazer, mas do essencial, realmente necessário, já tá tudo pronto.
Em relação ao parto, plano A é Casa Angela e plano B é hospitalar com minha equipe linda de confiança. Plano de parto feito, editado por mim, aprovado e comentado por marido e revisado com a doula. 

Enfim, tudo se encaminhando direitinho. 

Estou feliz, estou calma com a chegada dela, estou curtindo muito esse presente.
Também estou num casulo, num momento de super introspecção, vivendo um monte de emoções e sentimentos… mas isso eu volto daqui a pouco pra contar, prometo 😉


37 semanas de mamãe-filhinha ❤

                           

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Tanto tempo

Considerando que já passamos da meia noite, podemos dizer que a 35º chegou.
35 semanas e me dei conta que faz tempo que não passo aqui pra atualizar os registros sobre a gravidez.
Tenho vários posts inacabados. E mais uns tantos aqui na caixola.
Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo… Lá fora e aqui dentro.
Não digo só pelo desenvolvimento da Agnes – que está crescendo e se remexendo lindamente, me fazendo ficar cada dia mais apaixonada. Mas em mim mesmo, como pessoa inteira, muita coisa tem mudado – se reajustado, reformado, transmutado. A gravidez tem um papel importante nisso, mas não é só. É mais.
O slogan da minha vida está sendo: 2014, o ano da mudança.
E eu pretendo escrever sobre tudo isso, com toda certeza. Mas não pode ser planejado, nem de qualquer jeito. Uma hora a inspiração e o jeito certo chegam, com certeza.

Estou muito feliz, e foi isso eu fiz questão de vir aqui registrar. Com a barriga crescendo e as arrumações quase concluídas. Berço montado, cômoda reformada, quarto reestruturado. Roupas lavadas. Plano de parto feito, equipe definida – com plano A, B e quantos mais forem necessários. Mas acho que dona Agnes vai fazer do seu próprio jeito mesmo, como sempre é. Tenho estado super ultra mega sensível, chorando por qualquer coisa, até pensamentos. Tenho estado no meu casulinho, arrumando o ninho pra chegada da nova vida. O frio na barriga tá surgindo, apesar de ainda não ser ansiedade. É só o saber que ela está chegando pra valer, que finalmente vou vê-la aqui fora, na sua hora, nos meus braços, sentir seu cheirinho e apertar suas dobrinhas.

Daqui duas semanas, se ela resolver nascer, não será prematura. Isso porque eu conto pelo primeiro ultrassom, se fosse pela dum, já seria semana que vem. Mas ela sabe a hora dela, a minha parte eu estou fazendo aqui fora. E faremos ainda mais, juntas, quando ela me avisar que podemos começar.

Até lá, os planos são: descansar, terminar os penduricalhos que comecei e nunca consegui terminar, ir ao cinema, relaxar a mente, não ficar estressada com gente chata, ir a dois shows (ingressos já comprados), respirar e algumas coisinhas mais, que nunca é demais.
E, sim, eu volto pra contar.

34 semanas e 6 dias de dois corpos ocupando o mesmo lugar no espaço ❤




Obs: reli e achei que ficou com tom de despedida. Não, não é despedida, nem nada planejado – pelo menos por enquanto. É só que tudo tem acontecido tão rápido que eu mal tenho tempo e percepção para parar e registrar tudo. Só passei mesmo pra dar notícias, e pra dizer que meu sumiço tem prazo pra acabar – só não me contaram ainda qual é 😉

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Carta do dia: sobre a última noite

São Paulo, 04 de junho de 2014.

Agnes, 
essa noite eu sonhei com você. Sonhei com o momento do seu nascimento. 
Não foi um sonho longo, cheio de cenas, detalhes e pormenores. Foi simplesmente assim:

Eu estava no banheiro aqui de casa sentada num banquinho, que não sei de onde surgiu, de frente prum espelho grande, de origem igualmente desconhecida. Provavelmente eu estava em trabalho de parto, pois estava sem roupa. Me lembro que não estava com muitas dores, nem fazia muito tempo que estava daquele jeito. De repente, ali sentada, sozinha, senti que algo estava acontecendo, uma força, e quando olhei pelo espelho, vi que você estava saindo de mim. Você estava nascendo, filha, na nossa casa! Eu coloquei a mão pra te segurar e no momento seguinte você veio suave pra mim, de uma forma muito natural, ainda dentro da bolsa das águas. Nessa parte eu me emociono. Eu te segurei no colo, ainda dentro da bolsa, – me lembro de achar incrível conseguir te segurar e a bolsa continuar íntegra – sua vó chegou no banheiro pra ver o que estava acontecendo e nos viu ali – eu sem saber direito o que fazer, você toda emboladinha dentro da sua casinha. Eu te olhava e te achava tão pequenina. Parecia que a ficha ainda não tinha caído, eu não acreditava que você já tinha chegado. Rompi a bolsa e aí sim pude te ver melhor, maior, senti seu corpinho no meu, quente, molhado e cheio de vida. Eu não queria parar de te olhar, estava tão feliz e tão emocionada – e agora percebo que não ficou gravado todos os traços do seu rosto, que eu terei a vida toda para observar. Mas aquela sensação de te ter aqui, de uma forma tão natural, quase como se sempre tivesse estado entre nós… isso eu não esqueço. 

E foi simplesmente assim. O primeiro em quase oito meses de gestação. Não sonhei com você, nem com o parto, em nenhum outro momento dessas 33 semanas e 5 dias de nossa coexistência. 
Ele poderia ter acontecido em qualquer outra noite, em qualquer outro sono, mas foi nesse, e por isso eu fiquei ainda mais emocionada. Vou te contar porque.
Ontem à noite, eu estava praticando o epi-no com a ajuda do seu pai. Era uma noite muito fria, no começo eu tremia com o ar gelado, já passava das onze da noite. Mas persistimos. Seu pai tem sido um companheiro e tanto, depois te conto mais sobre isso. Eu estava com muito frio e muito cansada também, pelo dia que tive. Estava difícil relaxar e me entregar ao exercício, como deve ser feito, e você, danadinha desde já, mexia pra lá e pra cá, me fazendo ter vontade de ir ao banheiro antes da hora. Eu respirava fundo pra relaxar e me concentrar, e você se remexia a cada expiração minha, apertando minha bexiga. Me contraía por causa do frio e da vontade de ir banheiro. Apertava a bombinha do aparelho. Respirava fundo. Você se remexia (dava até pra ver). Resumindo, eu não aguentei do mesmo jeito que nas outras noites e comecei a contar logo o tempo pra acabar. Quando completou os 10 minutos e o balão começou a sair, eu só queria que acabasse logo. Sentia dor, vontade de fazer xixi, queimação. Aflição. Fui dormir chateada comigo por não ter sido melhor. Pensava se daria conta de um expulsivo natural e não conduzido, como eu desejo que aconteça. Pensava se minhas forças seriam suficientes para me fazer esperar o seu tempo de sair totalmente de mim, sem desejar que “acabem logo com isso que eu não aguento mais!”. Seu pai me abraçou e eu dormi. Já no fim da noite, quase amanhecendo, sonhei com você.

Foi muito emocionante, filha, de verdade. Um sopro quente de conforto e de força no meu coração.
Eu não estou achando que o seu parto vai ser rápido, fácil, indolor. Mas ter sonhado com você exatamente nesta noite, depois de tudo isso, foi quase como te ouvir me dizer que vai dar tudo certo, sim. Independente de como for e onde for. Que as coisas podem não acontecer exatamente como planejamos, mas podem ser ainda mais intensas, se nos permitirmos senti-las. 
Passei o dia com esse sentimento no peito, relembrando o sonho e o interpretando de mil maneiras. Mas não preciso detalhar tudo aqui. Quis registrar para nunca me esquecer, e para que você venha a saber, um dia, da nossa primeira vivência de sintonia. E o quanto essa vivência foi real.


com amor,
mamãe.

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