Arquivo do mês: julho 2014

15 dias depois…

Hoje minha pequena Agnes faz 15 dias de vida . . .

E esse negócio de puerpério é mesmo uma loucura, nossa senhora!!
Porque ao mesmo tempo que parece que ela está aqui com a gente há muito tempo – bem mais do que 15 dias – também parece (e é, obviamente) que o caminho que percorreremos juntas ainda nem começou. É uma sensação única, gente.

Só agora consegui voltar aqui pra registrar alguma coisa. Só agora (percebam o “só”, como se há 2 anos eu não aparecesse por essas bandas bloguísticas) consigo me sentar em frente ao computador e raciocinar – e formular, e digitar – minimamente como antes.
Eu sei. Nada mais será como antes.

Esses primeiros 15 dias passaram como um verdadeiro vendaval na minha vida.
Eu já disse que esse negócio de puerpério é uma loucura?
Tudo que eu fiz foi: amamentar, comer, dormir 1 hora por vez e me sentir super descansada com isso – porque no pós parto imediato nem sei como sobrevivi sem dormir, só pode ter sido ocitocina mesmo – e sim, sofri muito com a privação de sono. Tomava banho bem a noite, quando me lembrava que eu também precisava disso. E amamentava. E de novo. E dava colo. Amamentava. E chorava. E morria de amores pelo meu pinguinho de gente. E virei bicho e quis minha cria só pra mim (ok, essa parte já sei que não vai passar). Assim bem confuso mesmo. E intenso. E desorganizado. Eu mal via os dias passando, porque não tinha tempo pra isso. Não tive aquele pensamento de que “isso nunca vai passar?”, porque eu não pensava direito, então pulei essa parte.

É que assim: desde o primeiro dia de vida – desde a primeira hora de vida! – dona Agnes mama (graças a Deus! Não reclamo disso nem por um minuto, e tô adorando amamentar!). Ela nasceu sabendo, a danada. Como diziam as enfermeiras da Casa Angela: ela é mamona, uma bebê sugadora.
Sugadora. Essa palavra traduz a primeira semana. Fui sugada por ela. Era essa a sensação clara que eu tinha: ela mamava e sugava aqueles pensamentos que nos levam pra longe, sabem? Minha cabeça sempre funcionou a milhão, penso mil coisas ao mesmo tempo, converso com você, prestando mesmo atenção, mas imaginando outras nuances. Isso acabou na primeira semana depois que pari. Eu tentava e ficava tonta. Literalmente tonta. Receber as visitas estava difícil, porque não conseguia conversar direito.
Como eu disse, pra traduzir o que estava sentindo: minha filha tem uma válvula que me trouxe realmente pra viver o presente, integralmente.

É, eu disse que foi intenso . . .

Por falar em Agnes, o que posso falar dela? É linda. Adora seu mamazinho. Adora o pai. Já dormiu 5 horas seguidas na noite – a mesma noite em que ficou puta da vida por algum motivo que ainda não sei ao certo qual e se acalmou feito mágica com o banho de balde, foi apenas lin-do de ver. Ainda não usa fralda de pano porque tem as perninhas finas e todas ficam grandes, haha – mas percebo que acertei na escolha e que bom que logo vai servir, porque a pele dela é muito sensível e eu já detesto as fraldas descartáveis por isso. Ah, tenho muita coisa pra contar dela, mas faço isso num post exclusivo 😉

Exatamente hoje eu percebi que já estou bem melhor, bem mais sociável, digamos assim. Já não choro por qualquer motivo, já consigo ver filme (com ela no colo, claro!), consigo ligar o computador, já consigo me manter acordada quando ela dorme sem que isso represente eu amamentando a noite e caindo pro lado num piscar de olhos. Não estou 100% ainda – e confesso que não sei o que é estar, visto que é tudo muito novo pra mim também. Mas estou voltando pra dizer que: SIM, há vida no puerpério, minha gente!! \o/

Obviamente, ainda não fiz o meu relato de parto. Eu nem conseguia pensar em como iria começar esse registro, porque simplesmente minha cabeça não processava tal informação, como podem imaginar, pelo que contei ali em cima, e eu digo porquê: não dava pra parar para registrar algo forte vivendo outro ~algo~ com uma força também daquelas. Viver integralmente, e literalmente, o presente, como eu disse. E minha pequena Agnes é o meu presente desde então.
Sábado passado minha doula veio aqui, pra visita de pós parto, e trouxe as fotos que ela gentilmente fez do parto e Uau!! que delícia que foi ver aqueles clicks. Aliás, foi ali que eu percebi que estava ficando pronta pra vir contar como tudo se deu. Ainda não comecei a escrever porque o tempo continua escasso (essa é a primeira vez que me sento pra escrever algo), mas estou me organizando pra isso. Adianto que foi longo, que precisei vencer uns fantasmas e que, no fim, foi muito diferente, e muito MUITO melhor do que eu um dia poderia imaginar que seria.

Tenho a “vaga impressão” de que ainda tenho muito o que dizer sobre isso. Espero mesmo conseguir.
Esse foi um post pra fazer um apanhado geral, simplesmente senti vontade de escrever, ela estava dormindo aqui do meu lado, abri a página e fui digitando do jeito que me vinha na cabeça.
Ainda quero vir contar com mais detalhes como passei por esses 15 dias iniciais – do apoio que recebi, do meu acolhimento ao que senti, essas coisas todas. Quero vir falar só da Agnes, essa delícia deliciosa que eu tenho (aqui no meu colo agora, inclusive!). Falar o quanto meu marido tem sido fenomenal. Do quanto estou amando me descobrir mãe e o quanto estou amando essa coisa de ter uma recém nascida pra chamar de minha. Enfim, quero contar como tem sido e o que tenho achado. Torçam para dar certo!
O relato sai em breve, acreditem.

Fotos da pequena, pra voltar em grande estilo

      
                          

 

10 Comentários

Arquivado em acontece comigo, Agnes, ajustando a vida, apoio, aprender, conversando, puerpério

Nascemos!!

Hoje, 15 de julho de 2014, as 4:30 da manhã. 
Pari Agnes. Nasci mãe. Nascemos família, Cleber, Agnes e eu. 
Natural. Na água. No tempo dela. 
Transformador. Intenso. Incrível! 
3,205 kg de uma lindeza sem fim. Apgar 10/10. Mamou por 2 horas depois que nasceu. Não medimos seu tamanho ainda, para que não seja esticada num momento que só quer ficar juntinha. 
Estou transbordando felicidade.
Olhando, cheirando e babando por ela desde então. 
Sendo assim, volto depois com foto e mais detalhes, só precisava dividir isso com vocês ❤ 

27 Comentários

Arquivado em Sem categoria

música-desejo

“Olhe sempre pros dois lados,
Antes de julgar, de se manifestar,
Ou pra cruzar a rua

Pense, antes de escolher alguém pra namorar,
Alguém para ficar,
Quem sabe a vida inteira

Por favor entenda se eu pedir pra você não voltar tão tarde
Isso aconteceu quando no seu lugar quem estava era eu
Isso não vai mudar até alguém encontrar outro jeito de amar

Veja, quem são os seus amigos, com quem tu vai andar,
Se dá pra confiar em todos os sentidos

Ame, quem você quiser, não vá se machucar
E não esqueça de avisar
Tudo isso aos seus filhos

Por favor entenda se eu disser
Pra você que ainda é cedo

Isso aconteceu quando no seu lugar quem estava era eu
Isso não vai mudar até alguém encontrar outro jeito de amar

Por isso olhe, pense, veja, ame
Olhe, pense, veja, ame”

Dança do Tempo, Nenhum de Nós.



– porque, depois de um longo tempo, hoje ouvi essa música novamente e fiquei pensando em algumas coisas – inclusive no fato de que esses desejos coincidem com muitos dos meus também;
– porque minha mãe também cantava Nenhum de Nós pra mim quando eu era bebê;
– porque essa banda me lembra muito o início do meu relacionamento com o Cleber, e tô nostálgica esses dias.

3 Comentários

Arquivado em acontece comigo, lembrança, música, terceiro trimestre

Carta do dia: venha no seu tempo, mas venha

Filha,
há alguns dias tenho sentido meu corpo me enviando uns sinais. Pequenas cólicas, contrações ainda sem dor, mas já mais fortes. Pequenas ondas no pé da barriga que me lembram que você está perto.
Ainda não está nada ritmado, nem nada perto disso. Ainda não é trabalho de parto. Mas a sua chegada já começou a ser anunciada. O seu tempo é mesmo muito precioso, não é meu amor? E bem diferente do meu, devo dizer. Isso causa uma pequena confusão em mim algumas vezes, preciso dizer. Porque é o seu tempo dentro do meu corpo, assim, juntinho e muito misturado, então é natural que eu me confunda vez ou outra. Ainda estou aprendendo com você. E espero poder te ensinar também. 
Eu estou entregue ao que está por vir, meu bem. Já tive medo, já quis controlar, já chorei. Acho que superei. Estou tentando me entregar. Sentir você. O que me diz, o que espera de mim, o que está acontecendo aí. 

Me desculpe se eu choro demais, mas é que tudo o que acontece dentro de mim já está começando a transbordar. Ok, talvez esteja mais para um encanamento furado, eu confesso, e por isso te peço desculpas hoje. Não quero nunca que você pense que você causou isso de uma forma ruim. É só que ser sua casa mexeu demais com as minhas lembranças e histórias. Algumas coisas eu tive que mudar de lugar, outras jogar fora. Para outras, o que aconteceu foi a descoberta mesmo. O desvendar. Você está trazendo mais luz pra minha vida, filha. E tá iluminando tudo, a começar pelo meu coração, que eu pensava já conhecer. Imagina! Ainda tenho muito trabalho pela frente. 

Confesso que estou doida para sentir as dores. Estou desejando mesmo. Porque sei que não será em vão, não será ruim. São nossos corpos trabalhando em sintonia para que possamos nos dar a luz, ao mesmo tempo. Vou sorrir quando você disser que é pra valer, que já está a caminho. 
Estou sentindo vontade de ter aqui fora. É uma delícia sem precedentes te ter aqui dentro, um segredo só meu, só eu sei como é te ter aqui, parte de mim. Mas não posso te prender para sempre. A liberdade é uma das coisas mais belas do nosso mundo, quero que você venha aqui ver com seus próprios olhinhos. Quero que você veja tudo que a natureza é capaz de produzir, todo o segredo que guarda em cada feito, mas nos dá tudo de presente, para que possamos aproveitar do jeito que melhor nos for. Quero que você sinta o vento no rosto numa viagem de carro, e andando a cavalo, e correndo no parque, e pedalando uma bicicleta. Quero que respire profundamente diante de uma bela paisagem. Quero que escute o som do mar. Que ouça o silêncio do seu coração. Quero que sinta o gosto da vida aqui fora, linda e plena, que você construirá em cada passo. Que você seja capaz de enxergar as coisas boas do mundo, apesar do que nos dói. Que dance. Que suje. Que bagunce para depois arrumar (pode ser uma boa terapia). Que vá. Que volte. Que erre. Que gargalhe. Não deixe de chorar. Que cultive o frio na barriga. E que tenha em quem se aquecer. 
Quero aprender enquanto te ensino. E te ver construindo e inventando suas próprias verdades, enquanto eu refaço as minhas. Nós vamos viver muitas coisas juntas, filha. Mais do que já estamos vivendo – muito mais. O parto será apenas uma porta para o que nos espera. 
Seu pai e eu estamos te esperando. Pode vir no seu tempo, mas venha. Porque nós te amamos muito. E o amor não conta as horas, mas também tem pressa.


com muito amor,
mamãe.

                    


20 Comentários

Arquivado em amor, aprender, carta, espera, gestante, mistério, sentimento, sentindo, tempo, terceiro trimestre

E aqui estamos nós…

… 38 semanas e 3 dias depois, esperando a pequena Agnes dar o ar de sua graça nessas bandas de cá do mundo.

– arrumar todas as roupas: checked
– arrumar as malas (e desfazer e arrumar de novo – adoro arrumar malas!!): checked
– mudar os móveis do quarto de lugar 50 vezes até decidir como ficar: checked
– receber duas amigas em casa: checked
– entrar no meu casulo e ficar isolada do mundo todo: checked
– ir respirar na Praça do Por do Sol (um dos meus lugares favoritos nessa cidade): checked
– passar a manhã no parque: checked
– andar pela Vila Madalena conversando com o Cleber, depois de irmos numa sorveteria, como adoramos fazer: checked
– Show do Jeneci e show da Tulipa no sesc – com o combo de ter amigos por perto: checked
– arrumar as lembrancinhas para as visitas: checked
– namorar e aproveitar o marido: checked
– dormir tarde e acordar tarde durante a semana: checked
– comer pastel de feira delícia: checked
– ler algo que não seja sobre maternagem: checked
Ainda não fui ao cinema, mas acho que é porque não tô com muita paciência pros filmes que estão em cartaz. Então fico com os filminhos em casa mesmo.

E é isso. Acho que as coisas que me propus a fazer nessa reta final eu já fiz e/ou estou fazendo, na medida que a vontade vai surgindo e o tempo colaborando. O que não fiz foi porque simplesmente não estava a fim, simples assim.
Agora talvez esteja querendo aparecer uma pontinha de ansiedade. Na verdade é um sentimento meio doido porque, como eu já disse, realmente tô adorando essas prenhice toda, haha. Só que agora estamos a termo, né, então é aquela coisa “ah, sim, ela pode chegar até os primeiros dias de agosto, tem tempo ainda”. Pausa pra lembrar do outro lado da moeda. “Mas se ela quiser chegar agora, hoje, tudo bem também, pode vir”. Ou seja. É uma expectativa gostosa – até o momento, pelo menos. Eu prefiro usar o termo frio na barriga, que é mesmo o que tá rolando, porque falar ansiedade traz uma conotação quase ruim. Explico.

Hoje em dia, com todo esse papo de vizinha pitaqueira de que “passou da hora”, “conheço um  caso em que a mãe esperou demais e (…)” e tudo isso que a gente já conhece bem, temos que bater firme na tecla de estender a data provável, esperar todas as semanas possíveis, etc e tal. E preparar nossa cabeça pra isso também. Pode demorar, sim. Pode ser depois do esperado, sim. E tudo bem.
Eu me preparei pra esse momento, acho que por isso tô tranquila agora. Porque confio no meu corpo, no tempo da Agnes, na fisiologia do parto. Só que a coisa tá virando uma faca de dois gumes, porque se eu comento que estou sentindo uma colicazinha, ou que ela está mais baixa, já querem minar isso em mim, achando que estou ansiosamente louca pra chegar logo. Acho ótimo não apressarem as coisas, medicalizar tudo, claro que sim. Por outro lado, é quase como se só fosse aceitável um sintoma de pródromos depois das 40 semanas. Só que não, né. Se a gente fala tanto de respeitar o tempo da natureza, de que ela pode vir quando ela quiser… pode ser agora, sim, ora pois. Deixa a menina decidir sozinha, que coisa chata!
Confesso que, por uns dias, eu nem queria sentir nada, só pra não ouvir essas coisas.
Calma, gente! Tá tudo certo aqui.
Eu entendo que, em geral, as gestantes são muito ansiosas, ainda mais agora no final. E acho que não estão acostumados a encontrar alguém que fala em voz alta, assim como eu, que sim, tô gostando disso, tá legal, não tenho urgência. Mas poxa, é o meu momento; não é hora de falar o que querem ouvir, ou fazer cara de alface, ou algo do gênero. Eu nunca imaginei que estaria assim a essa altura do campeonato, não tem como programar. Mas é o que tá rolando.

E sim, “já” estou sentindo alguns sinais. Se compartilho isso é porque acho lindo esse funcionamento todo, porque estou conectada comigo e sinto meu corpo trabalhando. Não quer dizer que eu anunciei que estou parindo nos próximos 30 minutos. Aliás, recordando aqui, eu “senti” que iria engravidar antes mesmo de ovular. Se eu dissesse, lá no começo de outubro, que sentia que ia vir outro bebê, to-do mundo falaria que eu estava surtando e que tinha que controlar a ansiedade. Mas eu sentia. E esperei o tempo certo das coisas rolarem. Portanto, se eu digo hoje que eu sinto que a Agnes está perto de chegar, não quer dizer nem que tô marcando minha eletiva, nem que já tô no expulsivo. Só quer dizer que alguns sinais ela já me envia, mas o dia exato, como sempre, é ela que sabe. E tudo bem.
Eu quero que ela chegue, claro que quero – tô doida pra ver seu rostinho, sentir seu cheirinho e todos esses clichês super verdadeiros na vida de uma mãe. Estou aqui fazendo minha parte. Sentindo, achando lindo, curiosa. Demorou, mas eu aprendi a viver um dia de cada vez. Tô fazendo isso agora – e está sendo ótimo!

Solzinho de inverno na pança na nossa manhã no parque, semana passada.

7 Comentários

Arquivado em acontece comigo, espera, expectativas, gestante, sentindo, terceiro trimestre

Uma gestação, muitos sentimentos

38 semanas de gestação. Não tem como negar que estejamos na reta final. Se nascer hoje ou se nascer de 42 semanas, tá perto. Sendo assim, esse me parece um bom momento para falar de como eu fui invadida por uma montanha russa de sentimentos e sensações nesses meses todos.

Se me perguntarem como foi ou como estou em relação a gestação em si, é mais fácil responder. Eu me sinto ótima, me sinto feliz, me sinto plena, sinto que estou realizando um sonho. De verdade. Até agora tive uma gestação muito tranquila, graças a Deus. Sem contratempos, sem alterações, sem aqueles sem-fins de sintomas incômodos – só alguns mesmo. Pra quem emendou uma gravidez na outra, sendo que a primeira não teve um final feliz, passar por isso assim, dessa forma calma, sem turbulências, foi um presente. Não estou dizendo que não tive medo. No começo, claro que senti. Me permiti guardar a notícia só para os mais chegados por um tempo tanto para preservar a nova vida e me vincular a ela no nosso tempo, como também para evitar mil especulações e comparações desnecessárias com o que tinha me acontecido 2 meses antes. Eu não precisava do medo das pessoas, já tinha o meu para aprender a lidar. Aprendi a não projetar uma experiência na outra e foi bem gostoso ir descobrindo o novo. Eu não tive uma conexão instantânea com a Agnes assim, logo de cara. Apesar de ter sentido muito cedo que ela já estava aqui, ela foi um mistério morando na minha barriga por um bom tempo. E eu acolhi esse sentimento. Aos poucos fomos sendo cada vez mais uma da outra e hoje eu amo tê-la aqui dentro e conhecer seus movimentos e respostas. Mas sim, sinto que isso é um grão de areia diante do que ainda está por vir.
Sem contar que adoro estar grávida, adoro os sintomas e ver o quanto o nosso corpo é mesmo perfeito e sabe o que faz. Adoro curtir a barriga e conversar com ela, fico toda emocionada pensando em como vai ser quando ela estiver aqui do lado de fora, em como ela vai nascer e essas coisas todas. Amo! Amo compartilhar tudo isso com o Cleber, ver como ele já está construindo uma relação com a Agnes desde agora, conversando e brincando, e o quanto ele se empenha para entender meus sentimentos e se inteirar de tudo o que diz respeito a hora do parto e aos cuidados dela.

Agora, se o assunto é o resto do mundo… Ou melhor, se o assunto é o que o resto do mundo tem despertado em mim, aí é outra conversa.
Por um lado, gosto das pessoas perguntando, se interessando pela pequena, todos animadíssimos com a sua chegada. Mostro roupinhas pra todo mundo que vem aqui em casa, conto do andamento da montagem do enxoval e do quarto, fazemos festa. Entendo que um bebê faz as pessoas ficarem mesmo muito animadas – até porque eu fico muito animada quando sei que tem um pra chegar. Realmente gosto dessa parte.
Porém, ao que tudo indica, algum duende travesso passou por aqui e levou toda minha (pouca) paciência embora. Acabou rápido e eu tentei me virar como deu. Foi difícil aguentar mimimi. Foi difícil fazer ouvidos moucos e cara de alface. Foi difícil lidar com fofoca. Ou até mesmo com conversa fiada em horas inoportunas. Foi difícil, não. Está difícil, porque ainda não acabou. Eu sofro, eu fico com raiva, eu quero enforcar dar na cara de quem for. Depois, choro (nossa, como eu choro!). Tô chata mesmo, não posso negar. É uma espécie de tpm misturada com salto de desenvolvimento – pense numa combinação que não deveria existir.
A boa notícia é que não foi assim durante 38 semanas sem parar, ufa! Claro que houveram folgas, muitos períodos felizes e ensolarados. Mas é que esses aqui que conto agora, os dias mais cinzentos, quando meus hormônios me dão um baile daqueles… esses são intensos.
Muitas coisas aconteceram – algumas que foram “despertadas” por causa da chegada da pequena (mas que não tem a ver com ela, necessariamente), outras que não tinham nada a ver com a gravidez – e mexeram muito comigo. Que me fizeram enxergar uma parte do mundo de um jeito diferente. Sombras minhas, fatos dos outros. Situações, constatações. Na verdade, é complicado escrever sobre isso, acho que por isso nunca mencionei diretamente por aqui. Porque o que é meu, não quero/posso/consigo compartilhar agora, não quero falar por enquanto, e isso nem indica um problema, veja bem, só quer dizer que o meu modo de elaborar o que me acontece se dá assim mesmo: internamente. E não posso expor diretamente o que veio de fora, porque é preciso preservar os envolvidos, mesmo que os mesmos tenham me chateado muito algumas vezes.
O que posso dizer é que muitas vezes eu quis ir pra uma casinha lá na marambaia, porque realmente não foi fácil ser eu. Com o tempo eu percebi que tinha que me preservar, também pela Agnes, que sente e vive tudo o que vem de mim. Eu precisei me cuidar. Eu precisei aprender a relaxar (e ainda estou em processo). Quando deu, evitei sim situações que eu sabia que iriam me irritar ou me chatear, simples assim. Algumas vezes eu só quis um pouco de paz mesmo, pra curtir o presente e viver a gravidez. Nem sempre fui compreendida, mas era isso ou muito stress pra minha pequena e pra mim. E claro que nem sempre deu certo também, mas a vida é isso aí, tentativas e erros e acertos. Não dá pra ensaiar antes. Foi um grande e intenso aprendizado – está sendo, não sei quando (ou se) vai acabar.

Teve um dia que ouvi algo assim: “na verdade, não são os outros que mudam e se intrometem mais, elas sempre foram assim e a gente ia contornando e relevando para evitar indisposições. O que muda é a nossa postura diante do mundo. É saber que agora não ficaremos calados quando quiserem tomar decisões em nosso lugar – porque afinal tem alguém ali que depende inteiramente da gente”. E é exatamente isso. Não foram os outros que mudaram, fui eu. Não vai dar mais para ser como antes, e nem quero também, não faz sentido.
E então, escrevendo esse texto, percebo que nesses 9 meses gestei não só a Agnes, mas também a mim. Não só a mãe que serei, que isso é principalmente dia a dia, mas também a mulher que quero ser. Ainda não sei inteiramente quem vai nascer – e sinto que será um expulsivo doloroso, se me permitem a comparação – mas tudo bem né, tenho um longo caminho para (re)descobrir.

7 Comentários

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, casulo, sentindo, silêncio, sombras, terceiro trimestre