Atendendo ao choro do bebê

Minha filha tem pouco mais de 1 mês de vida e, nesse curto tempo de maternidade, já me ocorre uma pergunta: como algumas pessoas conseguem não atender ao choro de um bebê? Não, calma, isso é não é um julgamento. Não estou apontando o dedo pra ninguém. É uma dúvida sincera mesmo, baseada no que vivo aqui. Explico.

A Agnes é meio bravinha. Ok, algumas vezes ela fica realmente puta da vida dela. Podemos nomear como salto de desenvolvimento, pico de crescimento, sono, muito estímulo, gases, enfim, ‘n’ fatores. O fato é que já aconteceu de ela chorar por mais de 1 hora sem ninguém conseguir acalmar. E ela nunca ficou desamparada, nem 1 minuto sequer. Todo o tempo de choro foi no colo, foi no peito, foi conversando, cantando, ninando ou simplesmente rezando pro tempo passar e fazer com que ela se acalmasse. Foi numa dessas ocasiões, diante daquele choro, daquele corpinho bravo, que mal tem tamanho e já chuta de raiva, meu coração apertado por querer resolver sua aflição rápido, que me ocorreu a dúvida: como alguém consegue não atender o choro de um bebê? Ou melhor: como alguém, um dia, achou que isso fosse um método eficaz e escreveu livros e divulgou aos quatro ventos que deixar chorar era válido? Daqui do meu ponto de vista, de dentro da coisa, não vejo lógica alguma nisso.

Mesmo quando não acontecem essas crises, quando ela chora e eu estou almoçando, por exemplo, não é uma alternativa pra mim deixá-la esperando. Nunca é uma opção deixá-la chorando, na verdade. Isso só acontece mesmo quando, por exemplo, eu estou no banho e ela chora me querendo, aí eu termino tudo o mais rápido possível e a atendo o quanto antes. Afinal de contas, ela é uma recém-nascida, não tem ferramentas ainda para lidar com tantas transformações e informações que chegam no seu corpinho a todo instante. Mesmo que eu não saiba o motivo, eu nunca pensei que ela estivesse fazendo aquilo para me irritar, ou por “manha”. Sei lá, é uma coisa que não ~orna~ com o contexto e o bebezístico, entendem?

Eu nunca tinha botado fé nessa crença mesmo. Mas, agora, eu discordo dela ainda mais. Vendo minha filha chorar eu só consigo ver uma pessoa, num corpo frágil e pequeno, se adaptando lindamente a um lugar completamente novo e desconhecido. Quando nós, adultos, chegamos a um lugar novo, a uma situação nunca antes vivida, geralmente buscamos uma referência, um ponto de apoio que seja (mesmo que seja interno), que nos faça nos sentir mais confortáveis e seguros para olhar pra onde estamos e prontos (ou quase isso) para o que vier. Onde a minha filha estava antes de chegar aqui era em mim. Naturalíssimo que ela se agarre em mim sempre que sente algum medo ou desconforto. E que chore me querendo. Eu sou tudo que ela conhece. Quando ela chora – especialmente quando chora muito – eu enxergo alguém pedindo ajuda, alguém me dizendo que não, desse jeito está desconfortável, ruim, eu quero diferente. Nem sempre eu sei o que ela está pedindo. Nem ela mesma sabe, eu acho. O que eu sei é que quando uma coisa não me é boa, eu mudo, eu tenho autonomia e recursos para pelo menos tentar uma outra estratégia. Como pessoa, não me acomodo muito ao que incomoda. Por que então quero que com a minha filha seja diferente? Por que me recusar a ouvir o seu chamado? Por que querer mostrar que eu não estou aqui, se eu estou, sim? Não, obrigada. Se, por enquanto, eu sou o “recurso” que ela tem para conseguir a mudança e o conforto, que assim seja. 

Como eu vi alguém dizer esses dias: o colo é o chão do bebê. Então, sim, eu dou colo. Eu dou peito. Eu acarinho, nino, balanço, danço, converso, canto. O que eu faço, além de dar amor, é fazer com que ela se sinta segura onde está, que ela perceba que sim, esse é um lugar novo, mas que ela não está sozinha, que pode se abrir para conhecer o mundo, pois sempre terá em quem se apoiar. 

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11 Comentários

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11 Respostas para “Atendendo ao choro do bebê

  1. Luciené Asta

    Marina, eu penso assim também. Entendo as mães que seguiram tal ‘método’. Mães esão sempre tentando acertar. Mateus tem 3 anos e é assim até hoje com ele. E o que escuto a todo momento é que estou mimando o menino. Já conversei muito com ele sobre o choro de manhã, já falei que ele pode chorar quando estiver triste, com dor, chateado, com sono. Mas não só por Jeter algo que não dei. E não é que ele entende ? Quando tá com muito sono, cansado e não dorme, fica chorando, eu Abraço, Beijo. ….ele diz “mamãe tô chorando porque tô com soninho tá? ” então eu Abraço e Beijo e dou carinho infinitamente.

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    • SIm, Lu, também acho que as mães (e pais) que fazem isso estão sempre querendo acertar, eu só não sei como conseguem mesmo, deve ser péssimo (pra todo mundo). 1 minuto da Agnes chorando no quarto meu coração já fica apertadinho, imagina “não poder” ir ao encontro dela? Eu não conseguiria.
      Que lindinho o Mateus! Fofo ele te falando porque tá chorando… Eles entendem, sim, claro. E se sentem mais seguros por poder demonstrar os sentimentos, e acho que até lidar melhor com eles, né?

      Beijo, querida! Obrigada pelo comentário.

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  2. Adorei “a casa nova”, Má!! Parabéns!

    Sobre o post, tb tenho essa dúvida! Morro de dó dos bebês que são deixados chorando, mas tb dos pais que o fazem, pq não consigo acreditar que essas pessoas não sintam uma angústia absurda enquanto ouvem um choro tão sentido quanto o do seu recém nascido!!

    Aqui Cecília continua ganhando muito colo e muito peito – e eu continuo “ganhando” fama de “mãe que mima”. Nem ligo!
    Adoro, aliás, retrucar quando me dizem que ela está fazendo manha ou me manipulando… Sei que ja coloquei algumas pessoas pra pensar sobre o fato de o choro ser a única forma de comunicação do bebê!

    Ah! Um negócio que me desconcerta muito é quando alguém, achando que vai me ajudar e/ou me dar um descanso pega a Cecília de mim, pra que eu possa comer, por exemplo, num momento em que ela só quer saber de mãe e fica no maior chororô! É uma situação em que eu não consigo ter estômago pra continuar comendo e a pessoa sempre insiste na tal “ajuda”, ou que eu preciso relaxar, ou que ela precisa aprender… Uffff!!!
    Sei que é na melhor das intenções, mas quero morrer de catapora! Hahaha

    Beijos ansiosos pra acompanhá-las nesse “novo” caminho! 😉

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    • Eeee, obrigaada, Gabi!! \o/

      Exatamente! Deve ser péssimo ficar do lado de fora do quarto, escutando aquele choro, e tendo que se manter firme em não entrar. Meu coração se aperta só de pensar nisso, rs.

      Nossa, você falou uma coisa que me deixa mal também. Não funciona quando outra pessoa tenta ficar com ela no colo pra eu descansar e ela chora (ela sempre chora, mais cedo ou mais tarde, haha). Já acostumei a comer com ela no colo, escrever, etc. Complicado é quando acham que eu estou muito cansada por isso (as vezes eu tô mesmo, mas não me martirizo não), ficam olhando tipo “coitada, eu bem queria te ajudar”. Ai, difícil! rsrs. Mas a gente vai levando, né?

      Beijão procês!! ❤

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  3. Pois é, Má. Me peguei pensando nisso outro dia também. o Thomas é super irritado, desde sempre, bravo mesmo e chora. Chora sofrido pelas coisas mais “bobas” e eu tb nunca o deixei chorando sozinho. Mesmo nas crises mais bravas, eu fico com ele, seguro, acalento, canto, sambo, tudo para ele ficar bem. Penso exatamente como vc. Agora, aos 9, quase 10 meses, ele tá no pico da ansiedade de separação e chora MUITO, quando está sozinho e ontem marido me falou: e se a gente deixar ele chorar. Eu fiquei PUTA, disse que não sou assim e que nunca vou deixar ele chorar sozinho e perguntei pra ele: Qual seu motivo para deixar ele chorando? Ele não soube responder, óbvio. E claro, que assim que ele começou a chorar, corremos para atendê-lo, e levou mais de meia hora pra ele dormir de novo… MAs é assim mesmo, tem gente que não consegue assumir a responsabilidade que é cuidar de criança e acha mais fácil “ensinar” os bebês a se virarem sozinhos….
    Bjosssssss

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    • Carol, acho que o Thomas e a Agnes combinam muito nesse quesito, hahaha. Ela é bravinha também, não aceita muito (só por pouco tempo mesmo) o colo de outras pessoas. Só o meu e o do Cleber mesmo.
      Nessas crises é que o bicho pega, né? Se dando colo e tudo mais, já é complicado, imagina se a gente “largasse” lá? Ninguém dormiria aqui no prédio, certeza! haha.
      Nem quero pensar na ansiedade de separação ainda, rs. Que passe logo ai pra vocês.

      Beijão!

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  4. Meu filho hoje tem 2 anos e 5 meses
    E ele sempre foi um bebê bonzinho, mas sempre foi muito, mas muito exigente.
    Ele nunca dormiu bem. Por ele ter terror noturno, acorda diversas vezes de madrugada.
    E sempre, várias pessoas me falam pra deixar chorando, que se acalmava sozinho. Mas pprque eu deixaria um bebe chorando sozinho? Principalmente a noite, quando ests escuro ? Eu sei que com o terror ele se acalma
    sozinho mesmo, e nao tem oq a gente faça qur acalme a criança, mas ele nunca, nunca, em nenhuma das crises dele, ficou sem o pai e primprincipalmente sem a mãe. E vsi ser assim… até quando? É uma boa pergunta.
    Mas eu tbm acho que bebês foram feitos pra ficar no colo.
    Boa sorte Marina.

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    • Nossa, Fernanda, terror noturno deve ser realmente muito ruim. Que bom (ótimo!) que você não deixa seu filho sozinho nesses momentos. Mesmo ele se acalmando sozinho, penso que deve ser importante, mesmo inconscientemente, que ele sinta e veja a sua presença ali do lado né. Isso faz diferença, com certeza!
      E que seja assim até quando vocês dois quiserem, tem coisa melhor do que dar e receber carinho? 😉

      Boa sorte pra nós 😀

      Beijo grande! Obrigada pelo comentário!

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  5. êêêê!!! Parabéns pela casa nova!! Vida nova, ano novo, tudo novo por aqui, hein??!???!

    Amei, Má, bem clean, visual bacana, textos ótimos para variar…. =D

    Eu sei como consegue a mãe deixar chorar por tanto tempo: obstinação, ignorância, insegurança, fragilidade, cansaço…. Fui uma mãe (de m**da sim) que deixou Laura chorar por dias, até aprender a dormir sozinha, com 2 meses (!). Eu não acho que este texto seja para mim nem muito menos que vc me atacou, viu?? Eu mesma me ataco hj em dia hohohoho mas quero explicar o que leva algumas mães a fazerem este absurdo: pitacos + insegurança + falta de informação. Receita completa para um desastre em família.

    Jamais deixaria outra filha chorar daquela forma, faria o Nana Nenê ou tentaria qualquer adestramento de sono com a Helena, mas respondo ao seu post falando que sim, a gente faz mesmo na melhor das intenções (e sei que vc não está julgando as intenções, fique tranquila), pq a falta de informação realmente acomete a maioria das mães no puerpério dessa vida.

    Ainda bem que podemos mudar, crescer, evoluir e aprender…. podemos fazer diferente não é?

    Feliz da Agnes que já tem uma mãe de primeira viagem consciente, entregue e madura!!!

    Um beijo enorme, queridona!!!

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    • Obrigaaada, chuchu!! Tudo novo por aqui mesmo, hehe.

      Obrigada também pela resposta à minha pergunta. Era isso mesmo que eu queria saber, porque sinceramente, de verdade mesmo, meu coração fica apertadinho quando a Agnes chora e não para mais, e isso que faço de tudo para acalmá-la, daí me peguei pensando em quem deixa chorar pra ensinar a dormir ou o que for, sabe? Eu jamais conseguiria, mesmo se fosse “o certo” eu acho. Mas consigo entender que quem faz é pensando que este é o jeito mais correto, que está fazendo o seu melhor e tudo e tal.
      Aqui eu tenho o adicional de ter um marido/pai super ativo que me ajuda muito, porque sim, a gente se sente insegura e também precisa de acolhimento (e os pitacos estão aí para fazer (na minha cabeça, pelo menos) justamente o contrário de acolher, né).

      E sim, que ótimo que sempre temos a chance de evoluir, conhecer, mudar…

      Beijo grande!!

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  6. Não, não faz sentido.
    Acho até um pouco cruel.
    Por aqui o guri só chora quando com sono ou fome, o que facilita um pouco o atender sempre. Agora que está aventureiro e desbravador ele chora sempre que cai também…
    E por estar maior e ser menino, sempre tem um pitaqueiro pra dizer que tem que deixar chorar…TEM NADA.
    Se eu, com 26 anos, quando choro quero colo, carinho e atenção, imagine uma criaturinha tão pequena…

    Linda a nova casa, Marina…
    Paz e sucesso pra vocês por aqui.

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