Arquivo do mês: setembro 2014

TODOS CONTRA A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA – #VOBR2014

Lá em 2012, quando eu sofri um péssimo atendimento hospitalar, por conta da minha sensibilidade a procedimentos invasivos, saí de lá querendo algo completamente diferente pro meu parto. Veja bem, eu nem estava grávida na época, nem sequer nas tentativas. Mas eu queria. A maternidade sempre foi um sonho forte pra mim e eu não queria sofrer no momento do parto. Cheguei em casa e comecei a procurar por alguma luz no fim do túnel (que não fosse o trem, rs). E o que eu encontrei não foi um feixe ou uma pontinha, foi todo um caminho e um lugar lindo e iluminado chamado movimento de humanização do parto e nascimento.

Eu ainda não sabia que o que eu mais temia tinha nome e sobrenome: violência obstétrica.
Eu não tinha medo do parto, e sim da violência em si que muitas vezes ocorre nesse momento.

Minhas pesquisas me levaram a vários textos e informações, um ia levando a outro e depois outro, em blogs e sites diferentes. Conheci o Gama e o Cientista que virou mãe assim. Alguns meses depois foi lançado o documentário “Violência Obstétrica –  a voz das brasileiras”. Confesso que não tive coragem de assistir logo de cara, mas quando o fiz me lembro de me emocionar muito com os depoimentos, mexeu mesmo comigo; e me deixou ainda mais convicta de que eu precisava me cercar de profissionais realmente bons para não passar por aquilo. Inclusive, foi esse documentário que mostrei ao meu marido para mostrar como era a realidade do nosso sistema obstétrico e confirmarmos juntos que o que eu mais temia era vivido todos os dias por várias outras mulheres, e que não era normal. Descobri que 1 a cada 4 mulheres sofrem algum tipo de violência na hora do parto – e esse número pode ser ainda maior, porque muitas delas nem veem como violência o que viveram.

Aliás, se tem uma coisa que me choca e me entristece é a normatização da violência. Achar que é normal, que é fraqueza de quem quer diferente, que é assim que as coisas são e não podemos mudar, isso me deixa mal. Não. Sorinho na veia de rotina não é normal. Episiotomia não é aceitável. Ficar sem acompanhante, em posições restritas, em jejum, não é tolerável.

À propósito, vamos esclarecer, se alguém tem dúvida, com um trecho dessa excelente matéria sobre o assunto, que vale a leitura na íntegra: “O conceito internacional de violência obstétrica define qualquer ato ou intervenção direcionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera (que deu à luz recentemente), ou ao seu bebê, praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher e/ou em desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências.”

Por isso é importante divulgar. Fazer as boas informações circularem e chegarem ao maior número de pessoas possível. Para que se saiba é precisamos ser respeitadas, e que querer e lutar por isso é válido, sim, e muito.

Felizmente, tive acesso à boas fontes bem antes de engravidar e pude me preparar e ter ao meu lado profissionais atualizados e que trabalham de acordo com as melhores evidências científicas. Meu parto foi natural, na água, lindo e transformador. Hoje mesmo eu estava falando pra Agnes o quanto esse momento foi especial e que foi muito importante ter ao nosso lado, nos assistindo, pessoas que confiam na fisiologia do parto e no corpo da mulher e que esperaram o nosso tempo. Ela olhava pra mim e sorria. Sim, filha, vamos contar pra todo mundo o quanto isso é importante, para que cada vez mais pessoas tenham a oportunidade de ter essa experiência forte e verdadeira que foi o jeito que a gente nasceu.

Eu converso com quem quiser sobre isso e sempre gosto de estar por dentro do tema. É um assunto muito importante. Sendo assim, fiquei felicíssima quando soube que no dia 23/09, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tornou pública, em português, uma declaração oficial para a PREVENÇÃO E ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE de todo o mundo!Trata-se, portanto, de uma grande novidade que representa um dos mais importantes instrumentos que o movimento contra a Violência Obstétrica dispõe atualmente. Ele é específico e exclusivo, e está disponível para download, no site da OMS. Do original em inglês, o documento foi traduzido e publicado em apenas cinco línguas, incluindo o português. O que sugere que o Brasil ocupa uma posição estratégica para o fortalecimento dos debates institucionais sobre os abusos, desrespeitos e maus-tratos que as mulheres sofrem durante a assistência ao parto.

É um marco, uma conquista que deve ser comemorada, divulgada – e cobrada para que seja colocada em prática pelas instituições, claro.
Se você também quiser compartilhar essa informação, para que mais gente tenha acesso a ela, seja em blogs ou redes sociais, se joga no facebook, instragram, twitter, camisetas, hinos e cartazes pelo mundo afora, rs.
Vou deixar aqui, mais uma vez, os links.
Do site da OMS: http://www.who.int/reproductivehealth/topics/maternal_perinatal/statement-childbirth/en/
Do documento, em português: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf
Use a Hashtag #VOBR2014 em sua postagem para que possam monitorar os resultados e vambora mudar o mundo, minha gente, que tem um bocado de bebê lindo pra nascer com respeito vindo por aí.

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Conversando com o bebê

Eu nunca duvidei que os bebês têm uma grande capacidade de compreensão, mas vivenciar isso está sendo algo incrível, tem sido muito legal poder observar e aprender com essas situações.

Minha mãe sempre me disse que conversava muito comigo quando eu era bebê, me contava as coisas, me explicava para onde estávamos indo, o que ela tinha que fazer e tudo mais. Sim, como se estivesse conversando com um adulto, meio que contando o cotidiano, sabem? Sempre achei lindo e falava que seria assim quando tivesse os meus filhos também. Só não sabia que também tinha um outro jeito de conversar – e o quanto ele pode ser forte.

Aprendi com o pessoal lá da Casa Angela, e também com o pediatra – não sei se está relacionado a antorposofia, linha que tanto a Casa quanto o pediatra seguem, vou perguntar a ele depois. O fato é que funciona lindamente e me dá até tranquilidade para fazer as coisas com a pequena. E é bem simples: basta ser sincero e contar detalhadamente para o bebê o que você vai fazer com ele. A primeira vez que nos ensinaram foi para a troca de fraldas. Ela ficava nervosa quando ia ser trocada, acho que se sentia desprotegida, talvez. A enfermeira que me ensinou era muito delicada e tinha uma voz bem suave. Ela falava: “Agnes, agora eu vou deitar você aqui no trocador para trocar sua fralda. Tô abrindo o seu macacão, tirando sua calça, agora vou abrir o seu bodie. Vou abrir sua fralda, passar o algodão pra limpar seu bumbum, tá bom?…”  Ia falando exatamente o que estava sendo feito, literalmente. Achei demais. Até então eu só pensava em dizer algo mais básico, como: “vamos trocar a fralda”, “fica calma que a mamãe está terminando”, ou coisas assim mais resumidas. Era assim que eu via antes outras pessoas fazendo. Uma conversa mais amena, digamos. Ali, não. Ali eu falava pra ela o que estava sendo feito em seu corpo, respeitando o seu espaço. Ah, eu também sempre peço licença para mexer no seu corpinho: “com licença, filha, vou abrir sua fralda”.
E o que aconteceu foi que eu “ganhei” uma bebê calma que fica muito tranquila nessas situações. No banho a mesma coisa. Aliás, principalmente no banho, e principalmente nos primeirinhos dias de vida deles, porque tirar a roupa do recém nascido os deixa muito vulneráveis, eles não estão acostumados ao ambiente aéreo, precisam ser tocados constantemente para sentir segurança. Dávamos banhos nela enrolada numa fraldinha que ia sendo solta aos poucos, já na água. E contando o que estava sendo feito: quando o corpinho entrava na água, quando nossas mãos lavavam sua barriguinha, perninhas, e assim por diante. Ela adorava, ficava nos olhando, bem calminha.

A primeira vez que fomos ao pediatra, foi lindo como ele a recebeu: “Oi, Agnes, eu sou o José Moacir, seja muito bem-vinda. Eu vou te examinar (e falou exatamente o que ia ser feito, passo a passo). E sim, minha gente, ela não chorou. Realmente isso traz uma boa segurança pra eles. E quando eu disse que estava muito cansada pelas noites insones, ele falou pra eu conversar com ela, mostrar o dia e a noite, falar que a noite a gente dorme, que de dia tem o sol, que ficamos acordados. Enfim, desse jeitinho ai que já contei. Aos poucos foi funcionando até chegarmos no ritmo de agora.

Claro, o bebê não é um robô, nem tudo é como queremos ou pedimos a eles que seja. Ainda bem, aliás. E aqui também não funciona se eu falo meio que da boca pra fora, só por dizer: os danadinhos sabem quando estamos entregues ou não. É preciso haver verdade.

Quando a minha mãe me viu fazendo isso com ela, achou muito legal também. O jeito que ela fazia comigo era diferente, e ela viu o quanto assim é bacana e realmente funciona. Pra quem vê de fora pode ser meio estranho, a gente falar com o bebê uma coisa tão óbvia, do tipo “mas ela não tá vendo que você tá tirando a roupa dela, precisa falar?”. Pode até parecer meio bobo, mas, para mim, virou algo essencial. E, além de tudo, na minha opinião, ainda é uma demonstração de respeito ao corpo alheio.

O fato é que eu conto tudo pra ela, aviso o que será feito, não subestimo seu poder de compreender o que está sendo dito. Eu falo calma, com voz normal (sem falsetes, rs), contando a verdade, olhando bem nos seus olhinhos. Inclusive falo quando ela vai mudar de colo/lugar, quem vem visita-la, aonde estamos, enfim, situações que envolvam outras pessoas.

Várias vezes, em diferentes situações, eu vi que a coisa funciona e é forte mesmo. Lindo poder presenciar e construir isso com ela.

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Como está a nossa amamentação

Seguindo a dica da querida Luciene, vim contar como está sendo a amamentação aqui pra nós.

A verdade é que, graças a Deus, tivemos um começo até tranquilo por aqui. Mas deixa eu contar do começo.

Ainda na gestação eu procurei me informar sobre o tema. Entrei em grupos no facebook, li blogs sobre o tema, li relatos de blogueiras amigas e falamos sobre isso num dos grupos de gestante lá na Casa Angela, e também com a doula. Como disse o Cleber na época: a teoria a gente já sabe, vamos ver como vai ser a prática.

Na real, essa foi a minha preparação. Informação de qualidade é tudo, anotem isso aí. Eu não tomei sol nos peitos (porque nem tinha como, não bate sol aqui no ap, na verdade), nem passei bucha vegetal, nada. Só continuei cuidando para não passar sabonete nem óleo nos mamilos. Não comprei nenhuma mamadeira, de nenhum tipo, e nem chupetas. Nada que pudesse substituir meu peito pra Agnes. Também não comprei bicos de silicone, nem concha. Só um pacote de absorventes para seios, mas não me adaptei e a caixa tá aqui novinha ainda. Também comprei 2 sutiãs de amamentação, mas não usei, continuei usando os tops que eu já tinha que abrem na frente, que foi o que deu mais certo aqui pra mim.

Meus seios não cresceram muito na gestação e nunca vazou colostro (uma vez saiu quando dei uma apertadinha no banho, já no terceiro trimestre, mas li que não era necessário esse estímulo e parei. Tinha sido só curiosidade e um pouco de ansiedade mesmo). Eu tinha receio de não dar certo, claro que tinha. Mas li tanto que é raro não ter leite e que o melhor estímulo é o bebê mamando que resolvi acreditar, rs. Procurei não encanar com isso, mas me informava e fui mapeando mentalmente onde poderia pedir ajuda, caso fosse necessário.

Quando a Agnes nasceu, colocamos ela pra mamar logo que saí da banheira. No seio direito não sei porque, mas não deu certo. Pensei se seria difícil pra ela acertar a pega e senti um friozinho na barriga. Alguém falou pra ir no outro seio e quando a colocamos (acho que ajudaram a colocar a boquinha dela em mim), ela pegou! Eeee! Verificamos que a pega ainda não estava bem correta, tirei a boquinha dela (colocando o meu dedo mindinho pelo canto da boca dela, até ela mesma soltar). Tentei de novo… e aí ela não soltou mais, haha!! Ela sugou, não doeu e assim ficamos por um longo tempo. Que gostoso lembrar disso agora.

Tudo isso com uma enfermeira e a doula ao meu lado auxiliando. E assim foi até a alta, elas sempre se disponibilizando para me ajudar e verificando a pega. Isso é outra coisa muito importante: boa orientação logo no começo e incentivo à livre demanda. Com a pega correta, não tive fissuras nem outro tipo de machucado.

Ela nasceu na terça de madrugada e meu leite desceu na quinta a tarde, já em casa. Senti um peso nas costas e uma espécie de queimação, mas não ficou ingurgitado nem empedrado, ainda bem. Não sei se foi por uma característica do meu corpo mesmo ou porque eu tinha no colo uma pequena sugadora, que trabalhava em grande escala para não deixar nada parado, rs.

Aliás, ela sempre foi sugadora mesmo, mamava muito e mamava forte. Isso trouxe uma espécie de dificuldade na primeira semana. Eu me sentia, literalmente, sendo sugada. Minhas energias iam todas pra ela pelo leite. As vezes me sentia ate meio fraca, precisava sempre comer bem (em maior quantidade e tudo saudável) e tomar muita água, porque não é brincadeira não. Sem contar o descanso. Fazia de tudo para descansar, dormir e não pensar em problemas. Na primeira semana eu nem vi tevê nem nada – só tinha forças e pensamentos para a Agnes e seu mamá. Total dedicação.

Ainda sobre a livre demanda, na minha humilde opinião, a considero uma total aliada no sucesso da amamentação. Deixar o bebê no peito pelo tempo que ele quiser, principalmente no primeiro mês, é fundamental. O leite desce mais rápido, garante uma boa produção e a regula de acordo com as necessidades do bebê (apesar que ainda tenho vazado, mas faz parte, rs). No comecinho eu ainda olhava no relógio para ver não o intervalo da mamada, mas quanto ela durava, para saber se tinha chegado no leite gordo ou não. Depois isso foi meio que me bloqueando, me irritando, e foi quando vi um vídeo ótimo do site Amamentar É, que a Gabi recomendou e adorei muito! Passei a acreditar muito mais em mim e no meu corpo. Dou o peito que sinto mais cheio, as vezes dou o mesmo mais de uma vez, e assim vamos indo. A Agnes tem a liberdade para mamar quanto quiser no peito que quiser.

Tive (tenho) muito apoio também – outra coisa que é importantíssima. Marido, vendo que no começo eu me cansava, assumiu as trocas de fralda e os banhos, para que eu descansasse esses minutinhos (apesar de eu estar sempre do lado) – até porque o restante do tempo era mamá e mais mamá. Ele também sempre dizia coisas boas e me incentivava. Minha mãe preparou ótimas refeições, tudo sempre novinho. E marido também me ajudou muito quanto aos pitacos alheios sobre esse tema – que pode até dar um post a parte. O puerpério é uma fase delicada, ficamos muito sensíveis ao que as pessoas falam. É importante ter quem nos acolha e nos dê colo também.

Bom, acho que é isso. Espero não ter intercorrências nesse assunto daqui em diante. Por enquanto são 2 meses de aleitamento materno exclusivo e assim seguiremos até o sexto mês, e depois até quando quisermos.
E se eu puder dizer apenas uma frase sobre o tema, seria:
Boa informação, apoio profissional e afetivo e a livre demanda são os pilares para construir uma boa história de amamentação. Confie em você, no seu bebê e não se acanhe em pedir ajuda. Sério, peçam ajuda sempre que necessário. Eu perguntava mil vezes se a pega dela estava correta, pra garantir. Porque nem sempre é fácil, mas vale muito a pena.

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2 meses

Minha fofolete completa 2 meses hoje e não poderia deixar de vir aqui registrar como está o seu crescimento.

– tivemos pediatra semana passada, e estava pesando 5,120 kg e medindo 58cm;
– agora gosta de ficar deitada na cama “conversando” com a gente e mexendo as perninhas freneticamente – coisa mais linda da vida – é angububuuu o dia todo;
– agora alguns sorrisos são com barulhinho também – a primeira vez que ela fez isso quase surtei de alegria;
– usa fralda M (!!)
– alguns bodies e calças também são M – os rn’s já perdeu todos;
– pasmem: não gosta de usar fralda de pano todo o tempo. Ainda estou digerindo isso e tentando entender, depois vejo se escrevo mais sobre o tema. Por enquanto seguimos intercalando e acho que tô descobrindo um jeito que ela curte mais,  que é o recheio dentro do bolso mesmo, nada de capa por enquanto;
– tem dobrinhas deliciosas;
– já vira de lado algumas vezes;
– olha tudo, é super super atenta a mudanças de ambiente, luz, nos acompanha com o olhar;
– aumentou um pouquinho os intervalos entre as mamadas;
– não gosta de banho a noite – descobrir isso reduziu 99% dos choros noturnos. Adiantamos o banho pro fim da tarde e tudo certo;
– na verdade, não gosta de rotina pro sono, fica brava mesmo. A única coisa é que tenho que ir pro quarto cedo com ela, pra não ter os estímulos do restante da casa. Mas ela dorme quando quer (e sim, tá fazendo seu próprio padrão);
– tem aceitado dormir mais no bercinho (porque antes de fazer 1 mês era só colada em mim). Dia desses dormiu de meia noite às cinco lá, mas em geral fica umas 3 horas e pouco. Mas óbvio que não é todo dia – e não estou com a mínima pressa;
– não é muito chegada a muvucas e falatório, gosta mesmo de mais tranquilidade;
– se alguma coisa incomoda – frio, calor, fralda suja, vento na janela, galo cantando (literalmente, essa aconteceu ontem no Parque da Água Branca, que tem galos e galinhas, haha) – coloca a boca no mundo sem cerimônia, chora alto pra dedéu, rs.

Ai gente, sério, tô apaixonada por ela. Tipo muito apaixonada mesmo, encantada. Tem dias que são muito cansativos, porque ela só quer o meu colo e o mamazinho amado (na verdade, ela fica pouco no colo de outras pessoas, preciso estar sempre por perto, mas alguns dias realmente só eu mesmo), e eu mal consigo tomar banho ou fazer xixi, sério. É uma entrega imensa. Mas mesmo com essa parte mais cansativa, tô amando ser mãe.

E que venham mais muitos meses desse amor doido que toma conta da gente.

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“quem sabe isso quer dizer amor”

São duas da tarde e parece que faz dias que eu estou acordada. Nem é sobre a privação de sono que estou falando, a pequena dorme até bem na madrugada, não posso reclamar muito disso. É só que tenho a impressão de que o tempo está passando mais devagar hoje – comparado aos meus pensamentos, que estão em pleno funcionamento, a todo vapor

Tem um mundo inteiro acontecendo na minha mente – desde coisas que eu ainda preciso elaborar e entender melhor, coisas que eu preciso (e quero) fazer, outras tantas para planejar e fazer virar realidade, projetos que eu já comecei mas foram arquivados e que agora estão voltando à tona. Tanta coisa! Está acontecendo e me fazendo sentir coisas que há tempos eu não sentia, confesso. E ainda nem mencionei o fato dos planos maternos. Até porque, isso já é realidade, né, tem uma pessoinha deitada aqui ao meu lado, tornando real um sonho muito antigo.

Por algum tempo pensei que eu seria “só” mãe, pelo menos por alguns anos. Ainda penso assim na maior parte do tempo, me programei pra isso, desejo isso. Desejo, na verdade, poder estar inteira para viver tudo que a maternidade traz e para ser uma mãe bacana (dentro do que eu acho bacana e do que me é possível) para a minha filha. Nunca almejei um cargo numa grande empresa, nem ser milionária, nem ter um prestígio profissional que me custasse minha vida particular e familiar. Com isso bem resolvido, sempre assumi meu lado materna e esse desejo insano para me tornar mãe, tão logo fosse possível. Pois bem, o tão logo chegou e me sinto realmente muito feliz com isso, tenho amado essa minha nova fase.

Mas agora que ela está aqui, que eu estou vivendo e vendo como é, eu quero mais. Não sei, acho que ela me trouxe uma boa dose de vida e de quereres, assim de brinde. Pensei que demoraria mais para passar por isso, até demorei um pouquinho para entender o que está acontecendo. Não quero atropelar o andar das coisas nem mudar meu foco, mas está sendo inevitável, não dá pra conter esse turbilhão de pensamentos aqui dentro, nem frear o desejo de fazê-los se tornarem reais – ou o mais próximo disso que eu conseguir. Ainda não sei se é a hora mais propícia para colocar a mão na massa, mas separar os ingredientes e repassar a lista acho que já dá.

Ela vem comigo, claro. Andaremos juntas, sempre.
É tempo de movimento, de renovação.
E eu escolho viver.

Coloquei essa música pra gente ouvir, achei que tem tudo a ver com o clima do dia.
“quem sabe isso quer dizer amor, estrada de fazer o sonho acontecer”

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às vezes

às vezes o coração fica pequenininho, né.
uma vontade de poder fazer mais. 
de fazer parar todas as dores, todas as angústias, todos os medos.
como eu queria acabar com os medos . . .
os meus, os dela. os nossos.

mãe não deveria “não saber”.
somos humanas, eu sei. sei que aprendemos na experiência, no cotidiano.
mas deveria existir um jeito, um caminho ou atalho que fosse
para que soubéssemos sempre acalmar nossos filhos.

o que não dá é pra existir esse aperto.
essa lacuna entre o que ouço e o que faço.

ela é tão pequena ainda, vai passar por tanta coisa.
necessário.
faz parte do contrato.
mas hoje eu queria poder saber (fazer) mais.

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Carta do dia: seu pai

Filha, 

hoje é aniversário do seu pai. Vou aproveitar esta data, neste ano em que você acabou de nascer, para te dizer: que sorte que você tem. Olhe pra ele, filha, o abrace, segure sua mão… isso é pra vida toda, não tem preço que pague. Não se esqueça disso.
Seu pai é um cara incrível, um marido parceiro de vida e, agora posso dizer porque estou vendo bem diante dos meus olhos: um pai maravilhoso! 

Ele é apaixonado por você, filha, todo mundo vê.
Esteve ao meu lado durante toda a gestação, conversava com a minha barriga (com você) desde o começo. Cuidava de mim, porque também estava cuidando de você. Se empoderou e puxou pra si também a responsabilidade de te dar um nascimento digno e respeitoso. Estudou, foi comigo nos grupos, nas consultas. Resumindo, ele também te gestou, do jeito dele. No final, quando já estava bem perto de você nascer, ele pôde ficar mais tempo ao nosso lado e foi ótimo pra nós duas. Passeamos, conversamos, resolvemos o que faltava, relaxamos… E quando, enfim, comecei a sentir os seus sinais de chegada, ele esteve sempre ao nosso lado. Me abraçou, segurou minha mão, secou minhas lágrimas, fez massagem, escutou meu silêncio e me olhou nos olhos do jeito mais amoroso que eu já vi. Desde o sábado anterior à sua chegada ele não desgrudou de mim nem por um minuto. Viveu tudo intensamente conosco. Foi nos braços dele que me apoiei para fazer a força que te trouxe pra nós. E quando você nasceu, chorando forte, escutou minha voz e aquietou. Chorou  de novo, eu falei que ele estava ali também, ele veio te ver de frente, e você se aquietou novamente. Reconheceu a voz. Ele cortou o cordão que nos uniu – a partir daquele momento passávamos a ser nós três, juntos, ligados por um outro nível de vínculo. 

E a partir dali, uma nova vida começando, um novo homem nascendo também. Ele é um pai extremamente carinhoso – o que você já deve saber, daí de onde está me lendo agora, não é? Na primeira semana, em que eu estava cansada pela amamentação e noites insone, ele assumiu as trocas de fraldas e banhos, desde a Casa Angela. Fiz isso poucas vezes no seu primeiro mês de vida, principalmente o banho. Ele ficou acordado comigo quando você chorava de noite, me ajudando a te acalentar – e teve uma vez que foi nos braços dele que você finalmente se acalmou e dormiu.
Te dá colo sempre e sem ressalvas.
Conversa muito contigo, pra te acalmar, pra brincar, pra te contar histórias.
E você adora quando ele dança com você, e quando te canta músicas (sempre pela metade, rs).

E ele defende a nós duas, filha. Guarda a nossa integridade emocional como quem guarda um tesouro. 

Sabe o que é lindo? O jeito que você olha pra ele. Um olhar tão bonito, tão feliz.
Igualmente lindo é o jeito que ele te olha, que fala de você. Encantado com o que vê diante de si.
Aliás, pensando aqui com os meus botões, só te contei esses episódios pra legitimar um sentimento que é visível, pra gravar esse início da nossa vida. Você já sabe que pode sempre contar com ele, que tem naquele colo um porto seguro. Vocês se amam, filha.

 

E eu adoro estar exatamente aqui, vivendo esse sentimento com vocês.

 

com amor,
mamãe. 

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