Arquivo do mês: outubro 2014

sobre alergia e amor

Eu ando com muita vontade de comer chocolate. Muita mesmo. Não de sentir o sabor chocolate em algum bolo ou outra coisa, mas de comer bombom, brigadeiro, ou em barras. Ando com vontade de comer doces, em geral. Leite condensado. Doce de leite. Beijinho. Sempre gostei de doce, sou uma formiguinha nata. Não costumo comer grandes quantidades de uma vez, mas como. Um bombonzinho inofensivo depois do almoço. Um brigadeiro de colher numa tarde de domingo vendo tevê. Essas coisas simples da vida, corriqueiras. Já faz parte da minha rotina. Ou melhor dizendo, fazia parte.

Já estou na quarta semana sem ingerir leite de vaca e seus derivados.
Nunca pensei que um dia eu fosse conseguir tal feito. Eu sou daquelas que simplesmente não consegue seguir dieta alguma. Quando eu estava organizando meu casamento e, obviamente, ansiosa com o evento, comia bastante chocolate. Me diziam pra maneirar, para estar bem no vestido e eu ignorava essas palavras solenemente, afinal de contas, o vestido é tinha que caber em mim, não é mesmo? E contrariando às expectativas, até emagreci. Quando eu estava grávida, pensava melhor no que ingeria, claro, pois sabia que tudo ia pro bebê, mas nunca deixei de comer nada. Havendo moderação, eu seguia com minhas guloseimas sem peso na consciência. Por isso eu pensava que jamais conseguiria me manter longe disso tudo. Mas ta aí, tô conseguindo. Com muita vontade de atacar umas guloseimas no meio do caminho, mas estou.

E só estou por causa da pequena pessoa que dorme tranquilamente aqui no meu colo enquanto escrevo essas palavras. Minha filha. Eu pensava que nunca ia conseguir porque antes não existia um motivo.
Ela tem uma pele muuuito sensível, então começou a ter assadura muito cedo. Primeiro só uma vermelhidão na pele, depois ficou mais feio. Troquei a marca da fralda descartável (porque as de pano não cabiam nem de longe quando ela nasceu), mas logo ficava igual. Resumindo: durante mais de 1 mês, melhorava por 5 dias e depois voltava a ficar ruim a pele de novo. Ia e vinha. Isso porque eu a troco sempre, só uso algodão e água/chá de camomila para limpá-la, seco direitinho. Não sou adepta das pomadas em todas as trocas, gosto de deixar a pele dela respirar. Uso a da Weleda, para alguns casos, e a boa e velha maizena mesmo. Mas nunca ficava 100% o bumbum dela. Cismei que tava vendo um muco no cocô de vez em quando. E estava mesmo. Até que um dia, começo de setembro, vi um risquinho de sangue. Apavorei. Levei num outro pediatra, que nem me deu bola, disse que podia ser das assaduras mesmo. Mas e elas, por falar nisso, por que nunca saram? Fiquei sem resposta. Uns 12 dias depois apareceu de novo. Como ela estava visivelmente bem, não chorava demais, não tinha outros sintomas, fiquei observando, tentando não me desesperar. Eu tinha receio de começar a dieta, achava que não ia conseguir. Mas aí 10 dias depois apareceu de novo e pra mim foi suficiente. Chega! Não liguei pra pediatra nenhum, eu sou a mãe dela, estava presenciando alguma coisa rolar e já tinha chegado no meu limite. A partir daquele dia, 30 de setembro, eu iria iniciar a dieta sem leite para ver o que acontecia. Era só um teste, até para parar de pensar nisso se nada acontecesse. Mas o que aconteceu foi que tudo melhorou. O bumbum ficou bonito, como deve ser um bumbum de neném. Não teve mais muco e nem vestígio de sangue. Foi muito rápida a mudança, no segundo dia eu já percebia claramente a diferença, até a consistência mudou.

No primeiro dia eu passei mal, fiquei fraca, muita coisa na minha dieta tinha o leite como base, eu adorava comer iogurte natural com frutas no lanche da tarde. Mas aos poucos fui aprendendo que existe vida sem esse alimento. Está sendo bom também para variar o paladar, hehe.
Nesse quase 1 mês aprendi bastante coisa sobre a alergia da proteína do leite da vaca, mais conhecida como aplv. Nem falo muito que a Agnes tem isso, porque o sintoma dela é só mesmo esse intestinal e é até leve, se comparado a outros bebês que sofrem mais. Vou continuar na dieta mais um tempo e depois reintroduzir algo para ver como ela reage. Mas o fato é que ela melhorou muito depois que parei de consumir esses alimentos. E vê-la bem é a minha maior motivação para seguir adiante, com toda certeza. Ver que ela está mais saudável, feliz, ganhando peso lindamente… é muito bom! Como pode a gente conseguir mudar tanto por causa de uma pessoinha tão pequena, né? Tô encantada por viver o amor materno, ver como ele acontece, o jeito que ele age e nos faz tomar certas atitudes sem pensar duas vezes. Eu já imaginava (óbvio) que ele era poderoso, mas senti-lo está sendo demais! Nos faz mesmo pensar no outro, deixar um pouco o próprio umbigo de lado – pelo menos é o que eu tenho sentido aqui nesses poucos meses sendo mãe. Esses dias eu até comentei: nunca pensei que ficaria tão feliz por ver um bumbum lisinho. Hahaha E é bem isso mesmo, uma felicidade por saber que o que estou fazendo está fazendo bem pra ela, que mesmo ainda estabilizando os sintomas, estamos no caminho. E é isso que me faz ir além, mesmo sentindo mil vontades.

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O que ninguém me contou sobre o pós-parto

Não importa o quanto você lê e devora todos os textos, blogs, dicas amigas e informações sobre gestação, parto e puerpério, tem coisas que a gente só sabe na prática. Eu já vi muito essas listas na blogosfera da vida, achei que mesmo não passando por algumas coisas, eu não poderia falar que ninguém tinha me avisado, porque tinham sim. Mesmo assim, acontecem coisas que você olha e fala “nossa, jura que é assim mesmo?”. Comigo aconteceu de descobrir, agora no pós parto…

– que chegar ao peso antigo não significa ter o corpo antigo de volta – visto que a balança mostrou o mesmo peso de antes de engravidar 30 dias depois de parida, mas meu corpo… ah, esse não é o mesmo, não;

– que amamentar dá uma fome fora de controle – eu já sabia que dava muita sede, acho que ouvi algo sobre fome, mas não sabia o tamanho dela, e eu vou te falar: é GRANDE;

– que eu ia passar a gostar mais ainda de tomar banho – e que pode ser difícil conseguir um em alguns dias; e sim, as vezes alguém fica segurando a Agnes dentro do banheiro pra ela me dar mais uns minutinhos debaixo d’água;

– que eu ia me adaptar tão rápido a usar a mão esquerda – ainda na Casa Angela eu descobri o quanto é importante desenvolver minhas habilidades com a mão esquerda (leia-se: conseguir comer sem derrubar tudo no bebê);

– que a gente sente saudade do bebê quando ele dorme – acho que essa eu tinha lido, mas me surpreendi quando aconteceu comigo, é um sentimento muito doido;

– que eu precisaria trocar com mais frequência os lençois da minha cama – visto que tenho uma bebê que adora colocar um leitinho pra fora, a qualquer hora ou lugar, ou seja, não é só a minha roupa que está sempre suja, minha cama também;

– que lavar o cabelo sempre é coisa do passado – cabelo molhado dia sim-dia não? Pff! Esquece! Contente-se com 2 vezes na semana e fim!

Muitas coisas, gente! Com certeza deve ter mais, mas minha memória foi-se embora na gestação e já avisou que não é agora que vai voltar… mas disso já tinham me avisado, não posso nem reclamar.
E por aí, o que descobriram só no pós parto? 😉

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3 meses

E hoje faz 3 meses que eu pari. 3 meses que a pequena Agnes está aqui desse lado do mundo com a gente. Que felicidade que é viver ao lado dela, conhecê-la mais a cada dia. Cleber e eu já chegamos a conclusão que 3 meses é muito pouco pro tanto de amor que há em nós e pra intensidade dessa relação: é como se ela estivesse aqui com a gente desde sempre, há muito mais tempo.

Ela está linda, linda, cada dia mais. Vamos aos fatos desse mês que passou:

– ainda não sei peso e medida, mas sei que cresceu e engordou bem – meus braços que o digam! Rs. Edição: pesamos no dia 21/10, estava com 6,485 kg e 61cm <3;
– está deliciosamente fofinha, com mais dobrinhas;
– está bem mais calma e aceita ficar alguns momentos no carrinho ou na cama;
– maaas não pode me perder muito de vista, senão é choro certo. Às vezes, deixo pra tomar banho de noite e ela fica no quarto ~conversando~ com a minha mãe. Tem dias que eu vou, até demoro uns minutos a mais e tudo certo. Outras vezes, minha mãe conta que ela fica olhando pro ambiente, como se estivesse mesmo me procurando. Não me acha, vira o beicinho e começa a chorar. Nessas horas, o jeito é entrar com ela no banheiro e aí ela pára na hora, só queria me ver mesmo, hehe;
– faz um carinho em mim enquanto mama – fica passando a mãozinha no meu peito, várias vezes, é muito fofo!!!
– e continua dormindo muito melhor quando está coladinha em mim; então seguimos assim, e preciso confessar que adoro dormir com ela;
– fica pegando nas próprias mãos, como se tivesse confabulando alguma coisa, rsrs;
– tá aprendendo a gritar;
– adora que a gente “pule” com ela – levantando num ritmo e “batendo” nas costinhas, fica toda animada, haha;
– e fica em pé na nossa barriga com as pernas durinhas, e dá uns impulsos também;
– se eu deixo na cama, livre, daqui a pouco tá toda torta; feito um reloginho, vai girando, girando… rs;
– fez as pazes com as fraldas de pano, haha. Descobri que ela ficava mais incomodada quando o recheio estava fora do bolso, como nas capas. Estou usando só como pocket agora (recheio dentro do bolso), ajustei melhor o tamanho e estamos bem assim. Tô indo aos poucos, até porque não tenho tantas assim, mas nesses dias de calor aqui de Sampa, tá dando pra deixar que ela fique só de fraldinha, toda linda, hehe.

– parte chatinha: comecei a dieta sem leite, derivados e traços pra ver se ela é aplv. Faz 2 semanas e ela está beeem melhor, então acho que está se comprovando, sim. Seguiremos assim por tempo indeterminado, tudo pelo bem da pequena.

Acho que é isso. Como disse a Carol quando o Thomas fez 3 meses: passamos pelo período de experiência, fomos efetivadas! hahaha Viva!!! \o/

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Um lugar chamado puerpério

Então você pari um bebê lindo e rosa, se sente inundada de felicidade e ocitocina, fala pra todo mundo (várias vezes) o quanto você está feliz por ter dado tudo certo e por estar vivendo aquele momento. Claro que você não consegue parar de olhar pra cria – e fica siachando porque acabou de parir e nem quer dormir pra descansar, olha que forte! Mas aceita de bom grado o farto café da manhã que surge na sua frente, óbvio. Você quer contar pra todo mundo que pariu, que sua filha é linda, que o mundo é bom! Tudo é divino maravilhoso! As horas vão passando, a euforia vai dando lugar a algo mais palpável… parece que você fez uma maratona e seu corpo começa a doer pelo esforço físico. Você vai ficando dividida entre dar só uma descansadinha e continuar com o neném no colo, aí dorme, mas parece que não funcionou muito bem, parece que permanece em alerta.
Acho – não tenho muita certeza, a placa estava meio apagada – que é nesse ponto em que tem uma porta aberta te esperando: bem vinda, você chegou ao puerpério! 

Bom, pelo menos foi assim que eu percebi a coisa. Ou quase assim.
O fato é que – vou confessar aqui só pra você – sempre tive medo do puerpério.
Nunca tive medo do parto, nem da dor. Nunca tive medo de cuidar de um bebê, de me sentir responsável por um serzinho tão pequeno. Mas eu tinha um receio grande do pós parto, sim. Porque eu li e me informei que os hormônios ficam doidões, que a gente chora, ri e sapateia ao mesmo tempo. E bem, eu já sou super sensível, chorona de natureza, eu imaginava que não ia dar certo ser tomada por esse turbilhão de hormônios desse jeito. Por outro lado, também tinha lido que quem tem um parto respeitoso, inundado de ocitocina natural, sente menos o tal do baby blues. Daí era esperar pra ver, né. O dia chegou e, bem, só posso dizer por mim: os primeiros 15 dias não foram fáceis, não.

Fui entrando nessa fase aos poucos – ou foi o puerpério que foi entrando em mim? – sem muito alarde. Um passinho de cada vez e quando eu vi tava dentro do furacão.

Começou com o cansaço físico – essa coisa de parir cansa mesmo, né? Sem contar a privação de sono. Sem brincadeiras, quando eu fico sem dormir eu pifo, não funciono de jeito nenhum. Esse era um receio grande meu em relação aos primeiros dias: como eu faria com a privação de sono. Para ser bem sincera, teve um episódio em que eu simplesmente apaguei, assim, de uma vez. Foi lá na Casa Angela ainda. Acordei achando que tinha só tirado um cochilo, que tudo estava sob controle, e o Cleber me perguntou se eu estava bem, com uma carinha meio preocupada. Aí eu vi que tinha rolado alguma coisa. E o que tinha rolado? A Agnes tinha se esgoelado de tanto chorar, eu não acordei. Ele me chamou, tentou me acordar, eu nem tchum. Ele a pegou, colocou no meu peito… e eu não vi!! Nada, não lembro de nada-nada, até hoje. Quando ele me contou isso, comecei a chorar, fiquei apavorada. Imagina! Eu ser incapaz de ouvir minha filha recém nascida! Me senti muito culpada, a pior das mães. Só agora consigo falar sobre isso, mas me senti muito mal, com vergonha. Naquela madrugada uma enfermeira me ajudou bastaste, conversou comigo e ficou com a Agnes no colo por 1 hora pra eu poder dormir tranquila. Mas eu tinha muito medo de dormir e acontecer de novo. Tive que aprender na raça a descansar junto com ela, porque aí era um pouco mais fácil.

E os sentimentos? Ah, os hormônios, esses fanfarrões! Tudo ganhou uma nova dimensão pra mim. Chorei muito, por qualquer motivo. Não quis muitas visitas. E essa parte foi meio complicada, porque moro com meus pais, né, e somos uma família bem unida, bem animada. Eu gosto disso, mas me vi num momento totalmente oposto. Queria fugir, queria me enfiar numa caverna. O Cleber conversou muito com meus pais, ele foi a ponte entre mim e o mundo exterior, rs. Acabou que nem tive grandes dores de cabeça quanto a isso, o pessoal entendeu que era um momento meu, delicado, e vieram aos poucos, no tempo certo (leia-se: no meu tempo). Agora que já passou eu percebo que foi até tranquilo. Mas lá de onde eu olhava tudo era diferente. A gente vira bicho mesmo, querendo proteger a cria. Eu ficava nervosa com quem vinha me dizer qualquer coisa sobre como eu cuidava dela, como se as coisas fossem muito mais graves do que realmente eram. Para mim, eram. Fiquei sensível com outras coisas também, com o meu relacionamento. Meu marido foi incrível, cuidou lindamente de mim, mas fiquei mexida, sim, não posso negar.

Em contrapartida tem um sentimento muito louco nascendo também, que é o amor materno. Cuidar do bebê, querer fazer tudo certo, aprender a decifrar o que está acontecendo com ele. Tudo ainda muito novo. Olhar aquela pessoinha tão pequena, tão dependente e que você ama tanto, desejou tanto. Se derreter com os sorrisos involuntários, com os barulhinhos, com aquele corpinho tão frágil, que você segura como se estivesse protegendo o seu bem mais valioso. E está.

É muito desconhecido pra lidar de uma vez só. Parecia que não ia passar nunca, que ia ser sempre aquele limbo, aquele stress. Em alguns momentos me sentia fora do ninho, como se não fosse certo estar passando por aquilo. Como se todo mundo estivesse vivendo num mundo lindo e colorido, com seus recém nascidos nos braços, exalando amor e leite, e eu chorando de amor e de medo por tudo que estava vivendo.

Quando a Agnes fez 15 dias foi o primeiro dia que não me senti estranha com esse tanto de sentimento misturado. Me olhei no espelho e, em algum lugar daquele olhar que eu via, consegui me ver de novo. Foi um alívio.

Essa semana ela faz 3 meses. Tudo já está mais tranquilo, já (re)conheço os sentimentos, já sei que ainda estou aqui. O furacão passou. Ficou uma bela bagunça para ser arrumada, mas não tenho pressa, não. Sei que é aos poucos que as coisas vão entrando nos eixos.

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