Arquivo do mês: novembro 2014

Receita amiga: bolo de chocolate

Então que estamos aqui, ainda fazendo a dieta sem nenhum leite de vaca ou derivados.
Quando eu parei de consumir, parecia que nada podia, que eu ia viver a base de água e arroz-feijão, hahaha. É que eu consumia bastante, muita coisa no meu dia-a-dia continha leite: café com leite, iogurte natural, requeijão cremoso, queijo minas (todo tipo de queijo, haha), chocolate, molho branco… Enfim, várias coisas, rs. Ou seja, sim, tive que mudar muito, adaptar. E também descobrir novas receitas.

Aí que entra esse bolo de chocolate. Acreditem se quiserem: eu não era fã de bolo de chocolate. Gostava de calda no bolo comum ou de cenoura, e só, mas a massa, não. Só que com tanta restrição, não podia me dar ao luxo de recusar esse, que não vai leite nem margarina, haha. E não é que gostei de verdade?! Acho que porque não é tão doce, sei lá. Sei que eu gosto e é uma ótima opção para distrair minha vontade louca de sentir o gosto de chocolate, haha (comer a massa crua que sobra: check, sucesso absoluto) – a título de informação, o chocolate em pó “do padre”, da Nestlé, é limpo, ou seja, não possui traços de leite na sua composição.

Resolvi colocar a receita aqui, porque quando comecei a procurar tive dificuldade de achar coisas fáceis e gostosas. Agora de vez em quando venho dividir algumas receitinhas, quem sabe não ajude alguém, né.

 

Bolo de chocolate

Ingredientes:
4 ovos
1 xícara de açúcar
1 xícara de chocolate em pó
1 xícara de óleo
1 xícara de água
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento (não muito cheia)

Modo de fazer:
Na batedeira, bata os ovos e a açúcar. Junte o óleo e o chocolate (peneirado) e bata por mais 3 minutos. Acrescente a água e bata mais um pouco. Por último, a farinha de trigo e o fermento. Mexa só para misturar.
Leve ao forno por mais ou menos 35 minutos.

E fim. Viu como é facil? Haha. Se alguém fizer, me conta!

Beijo, gente! E até a próxima 😉

IMG_3566.JPG

2 Comentários

Arquivado em alergia, receita

Carta do dia: nossos novos dias

Filha,
eu já te contei isso, mas quero registrar em carta também: nós vamos nos mudar! Agora não iremos mais morar na mesma casa que o vovô e a vovó; seremos “só” papai, você e eu. Já te contei que isso é muito legal, que teremos um espacinho nosso, que isso não significa que estejamos brigados com eles, ou algo do tipo, pelo contrário, eles estão sendo muito bacanas, nos ajudando com tudo e etc e tal. Ainda estamos no limbo entre um apartamento e outro, naquela fase em que toda a burocracia já foi feita, só falta os móveis novos chegarem. Hoje chegou uma parte, aliás. Já levamos as caixas também, que ficaram aqui guardadas 2 anos esperando esse momento chegar – já te contei essa história aquele dia, enquanto você me via lavar a louça, lembra? De quando papai e eu nos casamos, moramos numa casinha lá longe e como as circunstâncias nos trouxeram pra cá de volta. Enfim, como eu digo: tá sendo uma mudança em doses homeopáticas, rs. E enquanto isso, ainda estamos aqui, no apê de sempre, mas indo ao novo toda hora (é aqui no condomínio vizinho mesmo, rs), medindo paredes, conferindo detalhes, comprando coisinhas, pensando em decoração. Muita coisa a ser feita. Você tem nos acompanhado sempre, obviamente. Você é atenta a tudo, percebe todas as mudanças de ambiente.
Em meio a esse delicioso caos, você cresce lindamente, a olhos vistos! Já pega seus próprios pézinhos e os quer levar até a boca – às vezes consegue, às vezes “os perde” no meio do caminho e põe só as mãozinhas na boca mesmo, rs. Faz bolhas com saliva, grita, conversa, ri, pega tudo o que estiver ao seu alcance. Está quase virando de barriga pra baixo num impulso só. Uma lindeza total! E com essas mudanças no seu desenvolvimento, de vez em quando dá uns “tilts” no seu sono ou comportamento, hehe. Hoje, 25 de novembro, você está ótima, parece ter assimilado que agora temos 2 casas e mais as suas conquistas. Mas na semana passada estava bem mais grudadinha em mim, só servia se fosse o meu colo, choramingando em alguns momentos, e dormindo super tarde. Teve um dia que brigou comigo porque não queria pegar no sono e ficava fazendo bolhas e gritando sem parar, haha. Eu respeito e acolho esses dias mais difíceis, e acredite, eles realmente passam. Te dei muito colinho, te expliquei sobre a nossa nova situação, ri e elogiei as novidades que você me apresentou. Foi demais. E acredite, eu sempre percebo (seu pai também) que você dá umas “espichadas” no tamanho depois dessas “crises”.

Ah, posso te falar uma coisa? Eu AMO o jeito que você olha pra mim! Hoje mesmo eu estava reparando isso, coisa mais bonita da vida, esse seu olhar. E agora você aprendeu a ficar pegando no meu rosto, como estivesse fazendo um carinho, é uma delícia de momento. Estou amando muito ser sua mãe, filha, saiba disso. Me sinto em casa com você, confortável, de bem com a vida. 

Vamos juntas nesse nova fase da nossa história. Vai ser inesquecível.
Vou repetir isso sempre: que bom que você veio, meu amor. Que bom! 

com amor,
mamãe.

5 Comentários

Arquivado em Agnes, amor, carta

4 meses

4 meses de Agnes.
Pausa para que eu me recupere desta informação. Sim, porque 4 meses me soa como: o tempo tá passando bem rápido, ó céus! Despausa.
Mas a verdade verdadeira é que eu estou curtindo cada momento. Ao mesmo tempo que penso que o tempo tem voado, me sinto muito agradecida por acompanhar o desenvolvimento e a fofura da minha pequena dia após dia. Tenho curtido muito. E como tem crescido… Já perdeu roupa, já comprei mais – e já perdeu 1 bodie e 1 macacão da nova leva de roupa, haha. Está num nível de fofura que olha.. difícil não apertar toda hora, viu, rs. Dobrinhas nos braços, nas pernas, covinhas no cotovelo, bochechas macias. E eu, como podem ver, corujando num nível igualmente alto e intenso, hehe. ❤

Na real? Estou completamente apaixonada pela minha filha. Como costumo dizer: é uma coisa de doido esse tal de amor materno. Cresce, cresce, cresce, parece não caber, transborda, e continua crescendo a olhos vistos! E eu estou amando ser mãe, de verdade. Me sinto literalmente realizando um sonho, porque sempre quis viver essa fase.

Eu já vi várias mães falando “essa é a melhor fase”, e outras variações dessa frase, e agora entendo. O bebê vai crescendo, interagindo mais com todo mundo, aprendendo coisas novas a todo instante… é fácil mesmo se encantar e declarar isso. Eu até agora gostei de tudo, até da loucura do pós parto imediato (depois que passou eu gostei mais, claro, mas né, detalhes…), então não a uso com frequência. Agora, a frase que tem me caído como uma luva mesmo é “parece que ela sempre esteve aqui”. Eu suspeitava, entendia que devia ser um baita sentimento, por isso falavam assim, só não sabia como podia ser verdadeiro. E não no sentido “não lembro de mim antes, de como era a vida” porque até que lembro, sim. O ponto chave é que é um sentimento tão concreto, tão certo, tão real. Eu olho pra ela e sinto que em algum nível já a conheço tão bem. Parece mesmo que é de muito além. E não, não dá pra explicar, só vivendo é que a gente entende (ou tenta entender).

Estou filosofando muito esse mês, né? Será que ~piora~ com o tempo? Haha. Mas quis registrar e dividir esses sentimentos, sensações, pensamentos por aqui. Quero me lembrar dessa fase no futuro e ah… se não, de que vale ter um blog, né? Gosto de escrever (como vocês já sabem) para organizar a caixola, nomear as bagunças e essas coisas todas.

Mas vamos ao resumo do mês:
– Ela grita, minha gente! Aprendeu mesmo que tem voz e a usa para gritar. O que me faz chamá-la de Adelaide – a gralha do Castelo Rá-Tim-Bum;
– Além disso, conversa e balbucia várias sílabas. Se eu dou trela e converso, aí é que ela gosta mesmo;
– Também faz bolhas e faz aquele barulho com a boca, tipo caminhão/moto ou o que o valha. Baba pra todo lado, haha;
– É risonha. E aprendeu a abrir a boca bem grande quando tá feliz, só que não sai som de gargalhada ainda, é bem engraçado. Ela só gargalhou mesmo umas duas mini vezes, ainda não é parte do repertório. Mas ri com gritinhos, o que é tão fofo quanto;
– Mas não é pra todo mundo que ela ri. Sim, temos um menina séria por aqui, principalmente quando está em um ambiente que ela não frequenta muito e/ou com quem ela não convive. Ela já não chora imediatamente quando vai no colo de alguém, o que já é um avanço, haha, mas fica séria boa parte do tempo, ainda mais no começo. O que me lembra de comentar que…
– Ela observa tudo ao seu redor. Minha mãe diz que isso pode ser indício que ela vai estranhar ambientes, vamos ver. Aliás, quando passamos um bom tempo na rua e chegamos em casa, ela fica olhando em volta e depois vai relaxando, sorri, bate as pernas… Ou seja, gosta de chegar em casa, rs (e já a reconhece);
– E agora tem olhado pra gente também, dá umas encaradas, do tipo “ah, é você que tá me segurando”, haha. Às vezes a gente tá com ela no colo e fala alguma coisa, aí ela levanta a cabecinha e olha bem pro nosso rosto, como se tivesse na conversa também, muito fofo!
– Come a mão. A mão, os dedos e se pudesse até o braço. Aprendeu um jeitinho de chupar o dedão, que fica segurando o nariz também, muito bonitinho. Mas pode ser 2 dedos juntos, 3, 4… Não é o tempo inteiro tudo isso, mas acontece, sim;
– Além de ficar pegando nas próprias mãos, que eu já comentei mês passado, agora pega objetos também. Antes ela ficava só olhando, ou segurava se colocássemos na mãozinha dela, mas há poucos dias já tem esticado o bracinho para tentar alcançar algo. Às vezes ainda meio descoordenada, claro, mas pega.
Aí nessa última semana ela deu uma parada nas coisas. Não “falava” mais tanto, não fazia as bolhinhas, ficou mais quieta. Durou quase 1 semana, não contei direito, mas fiquei observando. E o que aconteceu em seguida?
– Pegou os pézinhoooossss!!!! \o/ \o/ \o/ (foi segunda-feira agora, há poucos dias de completar 4 meses). Que coisa mais linda da vida, minha gente! Eu quase chorei de emoção, acho fofo demais (imagina quando ela andar, né? kkkkkk). Bonito demais acompanhar tudo isso, adoro!

E ufa! Acho que é isso.
Com certeza devo estar esquecendo várias coisas (todo mês é assim), mas o principal tá aí 😉

 

 

1 comentário

Arquivado em Agnes, amor, desenvolvimento

Precisamos falar sobre parto

Esses dias tenho me lembrado muito do meu parto. Uma lembrança boa, uma nostalgia do momento mais intenso da minha vida: o nascimento da minha filha. Eu olho pra ela hoje e penso no que passamos juntas naquela madrugada, em como ela se acalmou imediatamente quando eu falei com ela e a coloquei no meu colo. No vínculo que também nascia ali naquela banheira, pronto para crescer junto com a gente.

Uma vez vi a Ana Thomaz dizendo num vídeo que a gente precisa se entregar mais à vida, aos momentos. Parar de buscar – porque sim, estamos sempre buscando alguma coisa. E que ela aprendeu isso com seus partos domiciliares: parto é entrega, definitivamente não é busca. E aí uma ficha enorme caiu lá dentro da minha cabeça: eu demorei muito para me entregar. Justo eu, que vivo falando sobre isso, que entendo esse conceito etc e tal. Mas aconteceu. E quando a ficha caiu, eu chorei. Precisava lavar essa lembrança. Só aos poucos é que eu fui assimilando todos os fatos e digerindo o momento.

Quando eu penso em uma palavra sobre o meu parto, logo me vem ‘forte’ na cabeça. Um momento forte. No quesito intensidade, densidade mesmo. Foi forte. Foi lindo também, eu sei, mas de dentro do furacão eu senti primeiro a sua força. Mexeu comigo. Me desestruturou. E por alguns dias eu achei que tivesse alguma coisa errada. Ah, puerpério, seu fanfarrão! Turvou minha visão com uma sombra diante dos meus olhos. Sombra minha mesmo, aquela que tá sempre aqui, esperando os momentos mais sensíveis para vir à tona. Hoje eu li que “quanto mais perto chegamos da luz, mais haverá sombras”. Com certeza foi isso. É que algumas coisas foram muito difíceis pra mim durante o trabalho de parto. Eu suportei bem a dor, soube lidar com elas. Mas não posso dizer o mesmo de alguns sentimentos. Foi como se eu tivesse entrado num lugar em que morassem vários sentimentos e lembranças delicadas da minha vida. E eu não queria passar por aquilo, simplesmente não queria. Queria que fosse só bom, sabe como? Em algum nível, acho que tentei fugir. O que é exatamente o oposto de entrega. Fiquei eternamente esperando sair desse limbo para então entrar na coisa bonita de ‘estar em trabalho de parto’ e tudo mais (seja lá o que isso queira dizer), como se as duas sensações não pudessem coexistir. O fato das pessoas me falarem que poderia demorar muito ainda, de certa forma me fez esperar por algo diferente, tipo assim: ok pessoal, isso foi só um ensaio, vamos pra real agora (sem contar que isso brecou um pouco a minha intuição). Mas óbvio que não rolou, né. Já era a vida real. Já era trabalho de parto. Já era o MEU trabalho de parto, a minha história sendo construída, sem ensaios, sem pedir licença. Simplesmente estava acontecendo. A vida sendo vida, como dizem por aí.

E simplesmente não foi como “nos livros”. Não foi um parto de manual. Eu senti a primeira cólica/contração na madrugada de domingo. A Agnes nasceu na madrugada de terça-feira. Ok, no domingo pode ter sido apenas pródromos. A real é que eu não sei ao certo quando foi realmente que começou o TP. Na segunda pela manhã toda senti contrações. Cheguei na Casa Angela, estava com 5 pra 6 cm, colo médio. Não faço ideia de que horas comecei a dilatar. E nem ali, com mais da metade do caminho (em cm) percorridos, a coisa engrenou de vez. Tornou parar. Vinha e ia. Nunca por mais de 1 hora igual, com o mesmo intervalo. Meia noite tive uma ruptura alta de bolsa, acho que ficou mais perto uma contração da outra, mas não estava contando nada. Me falavam que podia demorar – e falavam por que? Porque eu não gritava de dor, estava tranquila, deitada, apenas “esperando”. Mas deu 3:30 e eu não quis mais ficar deitada, não dava. E 4:30 a Agnes nasceu. Foi de meia noite até às 4:30 que ficou mais intenso, mas só nessa última hora o bicho pegou de vez, sem piedade. Eu gritei no expulsivo. Vivenciei uma força animal, nunca antes vista por mim. Essa força vinha de mim – de algum lugar desconhecido, mas era minha. Era eu. Eu era forte, então? É meu esse poder de trazer uma pessoa ao mundo? Impressionante. Era um recado claro: não importava o que eu já tinha passado na vida, que lembranças eu tinha, como eu tinha me comportado até ali. Era hora de olhar pro agora. Uma nova vida estava chegando. Me deu todo tempo pra eu me preparar, mas agora era a nossa hora. Dali pra frente, seria o presente. Tempo presente. O meu presente. A Agnes estava me falando que faríamos aquilo juntas e que era hora de eu fazer a minha parte no acordo. E eu fiz. Foi tsunâmico. Foi transformador. Tranforma(dor).

Quando acabou eu estava extasiada de felicidade. Eu estava exausta. Foi muito cansativo aquela sabatina sentimental. As pessoas vinham me parabenizar, as enfermeiras ficaram encantadas em como tudo se deu. E eu pensava: vocês não sabem o que eu passei, definitivamente não sabem. Durante um tempo eu não achei tão bonito assim. Até que a poeira começou a assentar e minha doula veio me ver, trazendo as fotos do dia. Quando eu vi uma foto, eu na banheira, o Cleber me apoiando atrás, as enfermeiras me olhando, ali sentadas, eu percebi. Tinha sido lindo. Aquela foto é a própria imagem do meu plano de parto: não façam nada, apenas estejam ali para, e quando, for necessário. Quem vai parir sou eu, me deixem em paz (rs). E assim foi.

 

11.1

 

A imagem me traz uma sensação muito boa, vendo aqui de fora. De lá de dentro da banheira eu já estava na partolândia. Sabia que a Carina estava ali porque estava ao meu lado, sabia do Cleber porque segurava sua mão. E só. Em algum lugar eu imaginava que estava a Rose e a Janie, mas tudo suposto, eu não as ouvia. Não ouvi nem os clicks da câmera. Eu era pura emoção e sentimento ali dentro, encontrando a melhor posição para parir minha filha. Era como se fossemos só nós duas no mundo.

A partir do dia em que vi essa foto que as coisas foram se reajustando, que eu fui colocando tudo em seu devido lugar.
Foi forte, fortíssimo. Mas foi lindo também. Um portal que me levou pra uma outra dimensão, me fez ver as coisas por um outro prisma. Tudo aquilo que me visitou faz parte da minha história, de mim, mas agora está num lugar mais adequado. A verdade é que houve uma ruptura naquela banheira, a Agnes chegou chegando mesmo, rasgando minhas verdades em pedacinhos.
Um mundo novo passou a ser construído desde então; lá mesmo, naquela banheira. Vamos ver no que é que vai dar.

6 Comentários

Arquivado em parto, puerpério, reflexão