Arquivo do mês: dezembro 2014

2014, o ano!

2014 foi intenso.
Não só na minha vida. Nem foi preciso acompanhar as notícias do mundo todos os dias pra sacar que 2014 não veio de brincadeira, não. Teve copa, teve eleições. Teve eu tentando não surtar com esses assuntos. Não teve água. E aí eu só não surtei mais porque… nem sei porquê, devem ter sido os hormônios, haha. Teve gente morrendo. Putz! Como 2014 levou gente boa com ele, ninguém merece!! Me abalei. Teve bafões. E mais um monte de histórias pra contar.

Mas foi lindo também. E como foi lindo! Como dizer o contrário do ano que me trouxe minha filha?
Eu gestei. Eu pari. EU PARI!!! Amamentei (sigo amamentando, aliás, hehe). Me afoguei no puerpério. Me embrenhei na simbiose. Comecei, enfim, minha jornada como mãe. Como eu esperei por isso! Como eu sonhei e desejei e quis que chegasse esse momento. E ele chegou. Em 2014.
Eu revi tanta coisa. Enxerguei outras tantas. Ressignifiquei.
Fiz pré-natal humanizado. Não, fiz dois.
Chorei, briguei, fiquei puta, quis fugir.
Ri um monte, abracei, beijei, amei. Conheci gente nova, revi velhos amigos.
Que delícia foi essa parte!
Tentei fazer exercícios direitinho, mas não rolou, então fiz só o quanto deu.
Isso foi uma coisa que 2014 me fez aprender na marra: algumas coisas a gente faz só o quanto dá. E tudo bem. Existe o que a gente quer, o que a gente faz para que isso aconteça e, muitas vezes, sai tudo diferente do esperado. E isso pode ser uma merda, dá uma sensação estranha de atropelar – ou ser atropelado pelos fatos, na verdade. Mas também podemos nos surpreender positivamente. Algumas vezes a gente faz o que dá, algumas vezes a gente cede. 2014 também me ensinou a aprender a lidar.
Eu quis ficar sozinha, quis me isolar, quis ir pra caverna. Em alguns momentos eu realmente fui.
E sabe o que aconteceu? Foi lá que eu vi que é impossível ser feliz sozinho. Quando eu achei que ninguém entenderia meus motivos e os respeitaria, foi exatamente o contrário que aconteceu. Me senti acolhida, protegida, cuidada, amada. Então fico feliz por ter estado errada algumas vezes.

2014 me deu a prática.
2014 foi vida real. Foi ação. Reação. Emoção.

Também teve meu marido saindo do emprego fixo e virando autônomo do alto das minhas 35 semanas de gestação. Coragem! Teve eu tentando revender roupas pra poder ganhar mais uns trocados sem precisar sair de perto da Agnes. Teve a gente conseguindo alugar um apartamento novo, no nosso bairro mesmo. Um cantinho só nosso, um espaço a mais nessa cidade-caos. Teve o desenvolvimento lindo e encantador da Agnes. Teve a gente se conhecendo, virando família. Meus Deus! Somos uma família, temos uma casa! Obrigada, meu Deus!

Com toda certeza, escrevi infinitamente menos do que queria e precisei. Mas não foi por querer. Foi porque não dei conta mesmo. A escrita é minha terapia, meu passatempo, meu espelho. Muitas vezes não consegui parar um tiquinho que fosse para assimilar e botar no papel. Tentei escrever no calor da hora, mas nem sempre rolava. Valeu a tentativa.

2014 veio pra mostrar que sim, eu posso conseguir. Consegui tanta coisa, afinal! Mesmo que não dê tempo pra assimilar tudo no calor do dia-a-dia, a gente consegue. Basta ir.

2015 tá chegando.
Quero que seja leve, que seja lindo. Que seja exatamente como tem que ser.
Que tenhamos coragem de ir lá e fazer tudo o que temos que fazer para alcançar o que desejamos. Que façamos o nos move.
Estou animada para o amanhã.
Vamos?

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Tem dias…

… que a gente chora junto, de cansaço.

Nada de especial aconteceu. O calor de sempre, a correria de sempre, o sono, o colo, o peito, a energia dela de sempre.
Mas parece que tem dias que a nossa pilha está mais fraca.
Pode ter sido cansaço pelo passeio que demos, a pé, sem sling nem carrinho – e andamos muito (quero registrar para não esquecer: Paulista, Peixoto Gomide, Oscar Freire, Rebouças. De uma vez só. No sol. A pé).
Pode ter sido os mais 30 graus na rua. Eu sempre acho que essa temperatura simplesmente não combina com São Paulo, não orna.
Pode ter sido agitação demais do povo na rua, mil gentes por metro quadrado, com o bônus de estarem todos com trocentas sacolas nas mãos. Menos nós, que só tínhamos uma bebê e uma mochila.
Ou o meu sono que anda todo bagunçado – não pela bebê, pelos acontecimentos doidos do fim de ano mesmo.
Não sei.
No fim, acho que não foi nada disso. Foram outras coisas, de outros dias, de outras ordens.

Não queria vir aqui só reclamar. As escolhas foram todas minhas. E me diverti bastante, eu juro. Ri, comi brigadeiro sem leite (sério, essa parte é MUITO feliz!!!), passeei na minha cidade que eu amo. Mas agora a noite o cansaço bateu e bateu forte.

Porque tem dias que tudo que a gente quer é sijogar no sofá, pedir uma pizza 4 queijos e ver uns dois filmes bobos, só pra relaxar a mente. Sem pensar em nada. Sem ouvir gritinhos que te atingem fundo – o tímpano e a alma.
Tem dias que a gente lembra que tem respirar e acolher.
Mas como faz quando quem quer ser acolhida é você?

Queria poder dar pause no caos, pra dar uma respirada, uma descansada. Dá pra ser, papai noel?

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5 meses!

Há 5 meses atrás eu estava na Casa Angela, me preparando para receber as primeiras visitas à pequena Agnes (minha mãe, minha avó e minha prima). Eu estava transbordando felicidade, cheirando e olhando minha pinguinho de gente a todo instante e contando a todos o motivo da minha felicidade sem tamanho. Também estava descabelada, tentando caber no corpo pós parto, esfomeada…
Hoje minha pinguinho de gente está mais pesada, mais fofa, mais esperta, mais mais mais… Ela faz umas expressões faciais lindas, um jeitinho só dela. E eu continuo descabelada, mas já caibo melhor no meu corpo e a fome está mais controlada (eu não disse menor, veja bem, rs).
Estou feliz por demais, uai.

Nesse mês que passou aconteceram muitas coisas:
– ela aprendeu a virar de barriga pra baixo;
– depois a tirar a mãozinha de baixo do corpo
– e já desvira algumas vezes também.
Não faz tudo isso seeempre, mas está ficando mais frequente.
– está na transição da fralda M pra G!! Ainda cabe na M, mas a G fica melhor, com mais espaço pra pele respirar;
– mas não, ainda não tem 9 kg – e como sempre, não sei o peso certo ainda, vamos descobrir amanhã, hehe;
– ficou resfriada/gripada pela primeira vez! :((( Acho que pela mudança de apê, a gente mexendo com caixas e poeira + mudança brusca na temperatura foi demais pro corpinho dela. Pra completar, marido e eu ficamos baqueados também. Péssimo! Muita inalação com soro e umas bolinhas antroposóficas pra passar a tosse, mas agora ela já está bem, amém!
– não estranhou a casa nova, eeee!!! Quando começamos a levar as caixas, ela grudou em mim em nível máximo, mas depois foi ficando mais segura e a nossa primeira noite lá foi sucesso!
– está quase sentando, mas quando seguramos sua mãozinha pra dar apoio e pra mantê-la sentada, a danada faz força pra levantar, acreditam? Paciência zero de sentar, a gente vê por aqui! Haha!
– come o pé loucamente, haha! Delicia! E agora aprendeu a mamar segurando o pezinho também, coisa mais fofa.
– e se não a olhamos quando ela quer, grita, grita, grita! Gralhinha, haha! Confesso que isso me irrita um pouco, essa gritaria sem fim, mas a gente vai lidando como pode.

E esse mês vou postar foto, que faz tempo que não coloco 😉

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Respira e acolhe

É o meu mantra materno.
Pois é, 4 meses e meio de maternagem ativa (porque antes era só “imaginativa”, rs) e eu já tenho um mantra meu. Mais do que o “vai passar”, que também é ótimo, válido, verdadeiro – e que também me acompanha, obviamente.
Respira e acolhe.
O choro, o grito, a dúvida, a neura, o medo, a dor. Respira e acolhe.
Exatamente por saber que vai passar, acolhe.
Noite passada a Agnes choramingou bastante. Mal acordava, na verdade, chorava de olhos fechados. Calor, salto, mudança. Muita coisa na vidinha dela, não é fácil ser bebê. Crescer doi, afinal de contas. Eu levantei pra niná-la umas 5 ou 6 vezes (isso porque fazemos cama compartilhada, imagina se não), quando deitava, ela chorava de novo. Dormiu em cima de mim. A madrugada toda nesse deita-levanta. Eu caindo de sono, respirava e acolhia. E dizia que era assim mesmo, que nem sempre é fácil, mas que estamos juntos para todas as situações – somos uma família. Estamos aqui um pro outro, pro que der e vier. E veio. Ela finalmente aprendeu a virar de bruços num impulso. Fazia tempo que ensaiava, mas foi no tempo dela, sem pressão. Ainda não acabou, ainda tivemos bastante choro agora a noite –  mas neste momento, ela dorme tranquila aqui ao meu lado, tomara que seja uma noite melhor do que a anterior. De qualquer forma, estou aqui.

Desde que ela nasceu, tenho um sentimento bem vivo no presente. No começo da amamentação eu dizia que ela literalmente me sugava, me trazia pro agora. Trouxe mesmo e trouxe muito – chegava a sentir isso fisicamente. Ainda há divagações e mil planos na caixola, mas tenho tido mais habilidade para viver o presente. Poder assistir o desenvolvimento de uma pessoa assim tão de perto é um privilégio lindo, raro; adoro ter. Por isso respirar e acolher, e não só esperar que passe, rezar para que passe. Não. Eu quero viver. Tudo. As delícias, as gracinhas, as risadas, as sapequices, os olhares, os toques, o aconchego. Para isso também, respirar e acolher. Já faz um tempo, descobri que quando a gente aceita, acolhe, ao invés de querer mandar embora a todo custo – seja lá o que for – parece que a gente lida melhor, vive melhor. Faz até ficar mais leve.

Só sei que, às vezes, eu tenho vontade de guardar tudo isso num potinho, congelar os momentos, dar um pause para ver os mínimos detalhes. Como não é possível, eu acolho. O que vier. Tudo é tão intenso que faz parecer que já faz tempo. Mas é só o começo. Então respira e acolhe. Que tem muitas outras histórias e momentos chegando por aí.

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