Respira e acolhe

É o meu mantra materno.
Pois é, 4 meses e meio de maternagem ativa (porque antes era só “imaginativa”, rs) e eu já tenho um mantra meu. Mais do que o “vai passar”, que também é ótimo, válido, verdadeiro – e que também me acompanha, obviamente.
Respira e acolhe.
O choro, o grito, a dúvida, a neura, o medo, a dor. Respira e acolhe.
Exatamente por saber que vai passar, acolhe.
Noite passada a Agnes choramingou bastante. Mal acordava, na verdade, chorava de olhos fechados. Calor, salto, mudança. Muita coisa na vidinha dela, não é fácil ser bebê. Crescer doi, afinal de contas. Eu levantei pra niná-la umas 5 ou 6 vezes (isso porque fazemos cama compartilhada, imagina se não), quando deitava, ela chorava de novo. Dormiu em cima de mim. A madrugada toda nesse deita-levanta. Eu caindo de sono, respirava e acolhia. E dizia que era assim mesmo, que nem sempre é fácil, mas que estamos juntos para todas as situações – somos uma família. Estamos aqui um pro outro, pro que der e vier. E veio. Ela finalmente aprendeu a virar de bruços num impulso. Fazia tempo que ensaiava, mas foi no tempo dela, sem pressão. Ainda não acabou, ainda tivemos bastante choro agora a noite –  mas neste momento, ela dorme tranquila aqui ao meu lado, tomara que seja uma noite melhor do que a anterior. De qualquer forma, estou aqui.

Desde que ela nasceu, tenho um sentimento bem vivo no presente. No começo da amamentação eu dizia que ela literalmente me sugava, me trazia pro agora. Trouxe mesmo e trouxe muito – chegava a sentir isso fisicamente. Ainda há divagações e mil planos na caixola, mas tenho tido mais habilidade para viver o presente. Poder assistir o desenvolvimento de uma pessoa assim tão de perto é um privilégio lindo, raro; adoro ter. Por isso respirar e acolher, e não só esperar que passe, rezar para que passe. Não. Eu quero viver. Tudo. As delícias, as gracinhas, as risadas, as sapequices, os olhares, os toques, o aconchego. Para isso também, respirar e acolher. Já faz um tempo, descobri que quando a gente aceita, acolhe, ao invés de querer mandar embora a todo custo – seja lá o que for – parece que a gente lida melhor, vive melhor. Faz até ficar mais leve.

Só sei que, às vezes, eu tenho vontade de guardar tudo isso num potinho, congelar os momentos, dar um pause para ver os mínimos detalhes. Como não é possível, eu acolho. O que vier. Tudo é tão intenso que faz parecer que já faz tempo. Mas é só o começo. Então respira e acolhe. Que tem muitas outras histórias e momentos chegando por aí.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Respira e acolhe

  1. Luciene Asta

    Má, não te conheço pessoalmente mas imagino voce uma pessoa muito intensa, serena (será só impressão), reflexiva sabe? Essa forma que voce tem de escrever imagino que reflita sua forma de pensar mesmo, voce literalmente pensa. Voce não está só ‘passando’ pelas coisas, voce está vivendo intensamente. E isso é lindo. E vai lhe ajudar muito pra fase das birras que virão. Olha, voce vai precisar muito do ‘respira e acolhe’. Dia desses Mateus (3a 7m) chorou tanto no banho, tanto, mas tanto. E tinha lágrimas, muitas, soluçava e falava que não queria banho naquela hora. E me falava ‘puxa mãe, não era hora do banho’. Tadinho, sabe por quê? A rotina da noite ficou toda bagunçada porque eu tive que sair e deixá-lo com o irmão mais velho na avó, o pai não tinha chegado do trabalho ainda. No horário em que ele estaria na nossa casa brincando, pra só depois tomar banho, estava na avó. Então ele entendeu que eu pulei a parte da brincadeira. E falava chorando muito ‘eu nem brinquei’. Mas brincou na avó, mas pra ele não contava. Eu tive toda paciência do mundo, acolhi, dei banho falando pra ele que seria bom pra acalmar, que eu ia dar colinho e ler histórias com ele. Tomou o banho todo chorando, muito mesmo, é horrível mas eu tinha que continuar porque já estava ficando tarde e no dia seguinte ele sai de casa 6:30 da manhã conosco, pois fica no colégio em horário integral. Quando o abracei com a toalha e o sequei carinhosamente, o choro foi diminuindo, foi acalmando, até irmos pro quarto dele pra leitura noturna. Eu fiquei pensando quantas crianças devem apanhar nesse horário, dormir chorando. Abracei tanto ele, beijei tanto e agradeci muito a ele por me ensinar a ser uma pessoa melhor. Respirei e acolhi. Gostei do seu mantra, vou usar tá ? 🙂
    Beijos pra voces !!!!!

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    • Lu, me dá um “leve” arrepio quando penso nos 2 anos, hauhaushashasua :p
      que bom ter amigas como você, que dividem experiências, isso com certeza me ajuda muito. Que bonita a sua forma de lidar com a frustração dele. Não tem jeito, acontece, né? Que bom que ele tem você, que cuida, que acolhe. Vamos semear mais amor, vamos sim!

      E super obrigada pelas palavras, eu realmente sou uma pessoa intensa, haha. Obrigada mesmo ❤

      Beijo grande!

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