introdução alimentar da (nossa) vida real

Eu queria vir aqui relatar sobre a introdução alimentar da Agnes. Sobre como eu sou uma mãe cuidadosa, zelosa, eficiente, dedicada, incrível, entre outros mil predicados.
Eu queria contar dos artigos que li, com mais de 1 mês de antecedência, sobre qual a melhor forma de oferecer os alimentos. Quais são eles, suas quantidades, onde vivem, como se reproduzem, o que estão achando da crise hídrica. Além de mostrar todos os utensílios lindos, novos e caros que eu comprei para esse momento tão especial e esperado na vidinha da minha filha.
Eu queria vir aqui contar que no dia 15/01/2015, dia em que a Agnes completou 6 meses, eu a sentei num cadeirão especial, coloquei na sua frente uma papa bem deliciosa que eu mesma preparei, com tudo orgânico e natural e ela abriu o bocão e comeu. Como rimos felizes das gracinhas que ela fez quando experimentou pela primeira vez, achando tudo muito estranho, mas devorando no final. Mamãe oferecendo, papai fotografando, e vice-versa. Uma família feliz. Unida. Equilibrada.

Aí eu acordei.
E caí da cama.

Não foi nada assim. Nada.

A primeira coisa além do meu leite que ela experimentou foi melão. Foi assim: uns dias antes dela fazer 6 meses, estávamos comendo melão. Ela quis muito pegar, muito mesmo. Aí nós deixamos. Ela lambeu, uma vez. Fim. Um dia antes da marca oficial, o Cleber ofereceu outro pedaço e ela lambeu mais, gostou. E foi isso. No nosso colo mesmo, direto da nossa mão.
No dia 15 teve consulta com o pediatra. Eu sempre gostei dele, mas não curti a orientação de começar com suquinho de laranja lima. Poxa, como assim ele ainda não se atualizou sobre as novas orientações de não oferecer sucos antes de 1 ano? Enfim. Não obedeci pediatra nenhum e segui, aos trancos e barrancos, juntando as milhões de informações com o meu instinto e a curiosidade dela. Salada mista total.

Nesse primeiro momento foi tudo muito lento, muito pouco. Minha afilhada passou janeiro todinho aqui com a gente, ou seja, eu quase não fiquei em casa. Comecei com as frutas, que são mais práticas #prontofalei. Deixo ela pegar em tudo, faz uma lambança infinitamente maior do que de fato come, mas é assim que é no começo, imagino. Mais experiência, menos refeição. A banana eu amasso e dou na colher (tento, pelo menos), mas aí entramos num impasse: ela é a proprietária da colher, não sossega enquanto não a tem nas mãos. Justo, né, visto que quem vai comer é ela, rs. Às vezes, eu deixo meter a mão no prato e aí é bom que tenha um lençol por baixo – que vai direto pro tanque depois. Às vezes, eu vou no modelo mais “tradicional”, digamos assim. Com tudo isso, o que ela mais ingere, de fato, é o que dou em pedaços: melancia, manga. Adora! Manga tem sido a preferida, por enquanto. Chupar a laranja também curte.

Ah, sem contar que demorou um pouco pra ela entender como é que se engole algo que não seja leite, rs. Agora é que tá pegando o jeito da coisa. Nisso eu aprendi e entendi o que o BLW fala: confia, eles não engasgam. E não mesmo! O reflexo é muito perfeito. Perfeito até demais, haha. Põe pra fora até o que poderia engolir, mas tudo bem.
Por falar em método, tô indo naquele meu de sempre, que comentei ali em cima: salada mista mutcho lôca. Na maior parte do tempo é blw, sim, porque é o que dá mais resultado aqui, pelo que percebo. Já ofereci dos dois jeitos, porque né, quem sabe o melhor pra ela é só ela mesmo. Mas a gente dando nunca dá tão certo, e eu percebo que é quando rola uma frustração também. Porque claro, se a gente tá oferecendo, queremos que eles aceitem. Quando ela come sozinha (ou mesmo que eu esteja segurando, mas o pedaço inteiro, e não a colher), flui bem melhor.

Sobre a parte salgada da história ainda não tenho muito o que contar. Começamos essa semana. Pra ser mais exata, ontem. Ontem foi pedaço, hoje amassei. Dos dois jeitos foi lento, ainda vou observar mais pra poder contar minhas impressões.

Água ela adora. Começou lambendo (haha), agora já até aprendeu a sugar o canudinho, coisa mais linda!! E deixei ela lamber um suco de laranja (sem açucar) esses dias no restaurante, porque a bichinha abriu a boquinha tão linda quando viu o copo, mas foi bem pouco, tô evitando os sucos agora no começo.

Até uns dias atrás ela ainda não tinha nem um copo pra chamar de seu. Troféu MENAS pra mim, hahahaha. Agora já tem umas coisinhas. E comprei uma cadeira daquelas portáteis, pra ela ficar na mesa junto com a gente, mas ainda não chegou. Essa eu fiz questão, porque comer é relação. Comer se aprende comendo AND observando. Quero que ela participe e esteja presente com a gente nas refeições. Ela já fica desde sempre, na verdade, mas agora vai ganhar um lugarzinho especial.

Ai, é isso.
Resumindo, estamos indo. Devagar e sempre. Do nosso jeitinho, no nosso tempo.
Ainda bem (super ainda bem!!!) que eu sei que até 1 ano o leite materno continua sendo a principal fonte de nutrição, e que a alimentação é complementar, e não ao contrário. Ela ainda come, de fato, muito pouquinho, nem sei dizer quantidades, na verdade. Mas está sendo apresentada ao mundo dos sabores e texturas. Temos um longo caminho pela frente. Estamos no começo, mas estamos indo.

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5 Comentários

Arquivado em Agnes

5 Respostas para “introdução alimentar da (nossa) vida real

  1. Eu sonhava com o post sobre introdução alimentar. Eu li textos, eu tinha uma tabela na porta da geladeira com a lista do alimentos ideais. Daí o Ravi fez 6 meses, a introdução de frutas foi maravilhosa e veio a introdução de alimentos salgados, ele se recusou a comer por quase um mês e o post tá no rascunho até hoje.
    A vida real sempre dá um jeito de mudar nossos planos.

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  2. Tb tô em dívida com meu post sobre o tema! rs
    Mas aqui esse método mix mucho loko continua sendo o caminho!
    E MORRI com esse braço gordelício atacando o prato!!!

    Essa tranquilidade será ótima pra relação da Agnes com a comida! 😉

    Bjs

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  3. gabrielagrossi

    Eu ia comentar exatamente o quea Gabi falou: esse braço delicioso! De resto, Má, siga tranquila. Ao que tudo indica, o método da mistura tem sido ótimo. Beijos

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  4. Camila

    Ah que saudade eu estava dos seus posts Marina rs, toda semana vinha aqui dar uma ” espiadinha”. Hoje fiquei super feliz quando abri e vi que tinha algo, muito bom começar o dia com uma leitura delicia e que acrescenta.
    Vou ser titia agora, minha irmã esta com 11 semanas, e já passo para ela todas as dicas que aprendi aqui no seu blog rs.
    Quando for minha vez colocarei em prática também rs.

    bjos Agnes é lindaaaaaa demais 🙂

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  5. Pingback: Agnes e a comida | Travessia Materna

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