Arquivo do mês: abril 2015

E eu?

Esses dias percebi que no meu celular não tem uma única foto minha sozinha. Tem pouquíssimas com marido, várias selfies com a Agnes, até algumas outras com mais gente. Montes de imagens da pequena, de todos os tipos e pra todos os gostos. Mas eu, sozinha, não tenho.

Com esse pequeno e simplório exemplo, eu questiono: onde foram parar os momentos em que eu passava ~só comigo mesma~?

Não sei. Ou melhor, sei, pelo menos em partes. Eles estão em algum lugar aqui dentro, esperando um momento mais propício para voltarem pra rotina. Às vezes, eu acho que esse momento está quase chegando, às vezes, acho que ainda está longe pra dedeu.

Aqui vale pontuar que, mais de 9 meses depois, eu “ainda” me sinto numa relação muito simbiótica com a pequena. Muito. Algumas vezes eu estou muito cansada, acabada mesmo, e me pego pensando que eu bem podia ter umas horas sozinha pra descansar e fazer outra coisa. A verdade? Ainda não é a nossa hora. Digo, hora de nos separarmos fisicamente para vivermos experiências longe uma da outra, rotineiramente. Porque essa é sempre a primeira coisa que pensamos em fazer nessas horas, ou o que nos dizem pra fazer. Ou que nos fazem acreditar que deveríamos fazer. Só que essa não é a minha escolha hoje. Saber e assumir isso me deixa mais leve.

Mesmo assim, vez ou outra surge uma vontade de fazer algo que me agrade, digamos assim. Quando eu penso em algumas horas sozinha, não quer dizer unicamente “uma hora pra mim”, como se todo o resto não fosse. Os momentos que passo com a minha filha também são por mim, ora bolas. É uma relação, ou seja, tenho minha parte no processo. Ser mãe faz parte de quem sou, não dá pra fugir disso, e nem quero. A questão não é essa, e sim sentir falta de fazer outras coisas, para além do universo-prático-bebezistico, outras coisas que também contemplam o “quem sou eu”.

Vocês conseguem fazer algo somente por vocês?
Talvez esse questionamento venha desde antes da maternidade para algumas pessoas, visto que estamos sempre trabalhando, sendo esposas, filhas, amigas, etc, etc, etc. São coisas que, sim, fazem parte de nós, nos fazem bem (tomara!), mas muitas vezes deixamos de fazer outras tantas coisas que agradariam, talvez, somente a nós mesmas. Coisas que ninguém mais poderia fazer por nós. Que contribuem imensamente para o nosso bem-estar físico, mental e espiritual. É disso que eu estou falando.

Esses dias postei no instagram essa foto aí em baixo, com a hashtag #algopormim. 

Aquele foi um dia muito difícil, fazia dias que eu me sentia cansada, em crise em vários aspectos. Daí decidi que eu precisava fazer algo exclusivamente por mim. Não dava pra ir ao cinema, nem ir caminhar sozinha, nem nada muito elaborado. Então eu escrevi. No meu caderninho vermelho, coisa que não acontecia há 1 ano. Fiz isso pra desanuviar, abrir a mente, para relaxar. A Agnes estava ao meu redor, brincando, mas consegui fazer isso por mim. Nem demorou, na verdade, mas me fez muito bem. Me fez tão bem que eu pensei em transformar num projeto. Mas né?, faz mais de uma semana e ainda não postei mais nenhuma foto. Foi tão simples, mas muitas vezes me vejo engolida por uma rotina que eu amo, mas que não deixa de ser doida.
Ontem me peguei pensando nessas coisas todas e resolvi vir até aqui falar mais sobre isso, saber se mais alguém sente algo parecido, ou eu é que ando viajando demais. Não pra contar que vou fazer projeto diário, porque não vou. Não quero correr o risco de que, em algum momento, se torne um tipo de obrigação. É para fazer bem. De qualquer forma, me deixo o lembrete para fazer algo por mim mais vezes. E sempre que possível registrar e vir contar mais dos nossos processos.

Quem vem comigo?

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a primeira vez 

Ontem, terça-feira, com 9 meses e alguns dias, a Agnes foi pela primeira vez num hospital.
Começou com um nariz escorrendo, acrescentou uma tosse, alguns espirros. Daí noite passada ela mal dormiu. Mal dormimos, na verdade. Chorou muito, tadinha, o sono nem pesava. Uma das noites mais difíceis da vida dela, certamente. Não podia se afastar de mim que chorava. Se mudava de posição, chorava. Tossia, chorava. Quase chorei junto. Quando amanheceu, continuava chorosa, mas estava cansada, com peitinho cheio, aparentava falta de ar. As inalações com soro e as bolinhas antroposóficas não foram suficientes dessa vez. 

O pediatra não podia nos atender num encaixe. Liguei pro médico do meu sobrinho, também não deu. Fui a duas clínicas, liguei para mais outros profissionais, nada. Ninguém tinha um tempinho pra examinar minha fofolete, que a essa altura, hora do almoço, só tinha comido um pedacinho micro de banana e mal conseguia mamar, tentava dormir no meu colo, choramingando amuada. Então decidimos ir a um hospital com pronto atendimento pediátrico. Ela nunca havia ficado assim, preferi não arriscar em observar em casa – porque sim, sou a chata que nunca quer ir ao hospital e nem tomar remédios. 

Acabamos ficando quase o dia todo por lá. Mais burocracia do que outra coisa. Mas pelo menos fomos bem atendidos e a consulta não foi mal feita, a pediatra foi gentil com ela e isso acalmou meu coração. O que não impediu que minha pequena sensível tivesse uma crise de choro interminável enquanto estávamos na sala de espera. Muita conversa, tevê ligada (quase sem som, mas tava), ar condicionado (sério, trocentas quianças tossindo e o raio do ar ligado no frio!!), ambiente fechado: combo certeiro para crises de stress. A médica quase não conseguiu examina-la, teve que ser no meu colo, mas no fim deu tudo certo. Era bronquiolite. Tirou raio-x e tomou medicação – no primeiro nem chorou, o moço foi um anjo, já na segunda as enfermeiras ficaram impressionadas com a força dela, que odiou tomar remédio no espaçador. 

E o Cleber ainda gripado. Não dormimos nada, mal comemos (só de manhã) e enquanto estivemos lá só fomos ao banheiro no fim do dia. O foco era só ela mesmo. Chegamos em casa exaustos. Beijo pra minha mãe que fez uma janta delicia pra nós. Ambiente hospitalar realmente não é pra mim. Ver tanta gente doente, internado, as conversas de corredor…  É uma energia que não me cai bem, definitivamente.

Agora ela está bem melhor. Ainda está com tosse, mas está reagindo bem a medicação. Tomara que passe logo. Péssimo ver filho doentinho, né. Vamos cuidar para que ela não precise entrar num hospital de novo tão cedo. Amém.



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Divagações de um domingo 

Eu gostaria que entendessem que não existe essa coisa de menas mãe. Apenas não existe. O que existe é cada uma fazendo o que pode com o que tem no momento. O que não significa que tudo está justificado e que posso fazer qualquer coisa usando essa premissa como um escudo. Sempre é tempo de refletir, de pensar se as coisas estão caminhando de um jeito bacana, se posso aprender algo mais. E sempre podemos, essa é que é a verdade, mas cada um sabe do seu tempo, da sua disponibilidade.

Acho estranho quando vejo relatos do tipo: “não aguento mais ver fotos de mães que se dizem perfeitas!”, “unhas feitas, filhos penteados, casa limpa, etc etc etc”. A lista é grande. E não me incomodo porque posto esse tipo de foto (até porque só fiz a unha depois que a Agnes nasceu uma mísera vez, hahaha), mas porque eu percebo uma energia grande sendo direcionada prum lugar que não dará o mesmo retorno: a vida do outro. 

Gente, quando vamos entender que a internet é um recorte da vida, e não o todo? E que cada pessoa a usa de um jeito? E, mais importante, que a forma que a colega usa não tem nada a ver com a gente, e sim com ela? Claro que postamos pros outros também, para o bem ou para o mal, mas se formos levar tudo pro lado pessoal, a coisa fica complicada. 

Sem contar que quando elencamos as coisas que tornam uma mãe “perfeita”, geralmente não estamos falando da mãe, mas sim de um padrão. Padrão que alguém inventou e continuamos seguindo, muitas vezes no automático, sem nos darmos conta que nem tudo faz muito sentido, nem cabe na nossa vida, muito menos precisa ser feito. Tem que fazer assim, de jeito nenhum fazer assado. Como se todas estivéssemos nas mesmas condições sociais, com os mesmos horizontes, vivendo tudo de maneira exatamente igual. E aí é traçado uma linha em que todas devemos permanecer em cima, sob a pena de sermos carimbadas com o estigma da menas. Não, muito obrigada, mas dispenso esse peso. Não faz o menor sentido, inclusive.

Nos incomodar pela maneira que o outro vive, a ponto de querer que ela faça tudo diferente, não vai nos fazer melhor. Não é sobre a gente. Lembrando que a mudança é uma porta que só abre por dentro. A vivência da maternidade por vezes já é muito solitária. É preciso mais acolhimento. Menos desconfiança. Mais abraços e braços dados. Por uma maternagem mais leve.

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9 meses

Quarta-feira minha delicinha completou 9 meses e só agora tô vindo aqui registrar. Mas né, antes tarde do que mais tarde.

“Uma gestação” de vida aqui fora, não é lindo? ❤
E acho que dá uma certa nostalgia nos bebês, com essa coisa de 9 meses fora, aqueles 9 meses dentro… e daí resolvem que seria bacana matar a saudade da época de recém nascido querendo só o colo da mamãe, muito mamá, muito contato físico. Porque gente, é uma coisa essa tal da angústia da separação, né? Acho que começou a rolar com uns 8 meses e meio, mais ou menos, ou foi quando caiu minha ficha, não sei. Só sei que estamos nessa vibe por aqui.

Por um lado é lindo. Ela está se locomovendo super bem, fica em pé em tudo que encontra e dá apoio e, vejam só, até vai dando uns passinhos de ladinho (no sofá, no rack) pra chegar onde quer. Antes, quando eu a colocava no chão pra brincar, ela ficava mais perto de mim, no meu campo de visão. Agora não. Ela vai pro quarto, fica lá um pouco, volta. Explora tudo. Nada mais fica no lugar. Inclusive, o rack da sala é só dela, não tem decoração, haha. Manda beijo, dá tchauzinho, bate palma, faz chamego. Agora aprendeu duas coisas muito fofas: deitar a cabeça no nosso colo/ombro e, quando quer fazer charme, virar a cabeça de ladinho, um dengo só. E sim, derreto muito, como não?

Mas aí, de repente ela ~lembra~ que não é tão legal assim essa autonomia toda, que nós duas somos pessoas bem diferentes, que não ocupam o mesmo lugar no espaço, que o mundo é muito injusto e que não é nada fácil ser um bebê que mal nasceu e já adquiriu tanta bagagem assim. Aí ela vem até mim, gruda nas minhas pernas e me olha com uma carinha que não dá pra resistir (rs). Ou ela chora. Ou ela grita. Ou ela faz tudo isso ao mesmo tempo. Tudo isso ao mesmo tempo enquanto eu cozinho ou limpo o banheiro ou faço algo que é difícil atender na hora. Às vezes, está no meu colo, daí minha mãe brinca com ela, ela faz festa, vai pro colo da vó, olha pra mim… e começa a chorar. Bem sentida. Volta pro meu colo, enterra a cabeça no meu pescoço e não sai de lá tão cedo. Ou, quando o Cleber chega da faculdade, se por acaso ela estiver acordada, vai pro colo dele. Aí me vê e chora querendo o meu. Aí estende os bracinhos pra ele. E fica num looping doido e confuso e acabamos todos juntos, abraçados, misturados, fundidos, cansados e coisa e tal.

Ou seja. É uma fase exaustivamente linda.
Lindamente exaustiva.

Tenho estado bem cansada. Mas sobre mim eu volto uma outra hora pra falar…

Com 8 meses completos, ela ainda tinha 2 dentes. Agora, com 9, são 5 (um está só a pontinha, mas já rasgou). Acho que ela é uma bebê bem tranquila, porque não dá tanto “trabalho” quando os dentes estão chegando. Fica mais irritada, claro, mas não chega a se transformar em nada assustador, não. O que pega mais é que ela passa a comer quase zero, principalmente comida. Aí é paciência e oferecer sempre, né – e tentar acalmar o coração da mãe que cisma em querer vê-la comer mais, mesmo sabendo que é normal essas fases.

Estou decidindo se faço ou não uma comemoração do primeiro aninho. Provavelmente sim. Eu queria mesmo era ir viajar com ela, criar uma tradição nossa, de sempre viajar no aniversário, mas acho que não vai dar, vai ficar mais pra frente. Então devo fazer uma festinha baby-amiga mesmo. Mais pra frente volto e conto mais (até porque ainda não tenho definido, rs).

E ela sorri pras selfies, posso com uma filha dessa? hahahaha Tenho uma coleção de sefies nossas, qualquer dia venho mostrar. Mas vejam essa, que lindeza (e dá pra ver os dentinhos ^^):

escalando a mamãe, uma das brincadeiras favoritas 😛

soninho da tarde no colo . . .

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sobre teoria e dia a dia

Passei muito tempo da minha vida teorizando sobre maternidade. Ser mãe sempre esteve em pauta, eu sempre quis e sempre disse que se não encontrasse o pai das crias até os 30 ia ser produção independente mesmo (ps: quem diz isso em plena adolescência? Pois é.). Ainda bem que eu encontrei e as coisas foram acontecendo como tinha mesmo de ser. Depois que casei, em 2011, foi que embarquei de cabeça no mundo das leituras e pesquisas, de fato. Primeiro, sobre gravidez e parto. Depois, quando vi já tinha me embrenhado ainda mais nos assuntos e me vi super familiarizada com termos como sling, banho de balde, exterogestação, criação com apego, livre demanda, cama compartilhada, terrible two, blw, etc. Várias coisas que antes eu só ouvia falar lá longe ou nem sabia que podiam existir. Aprendi muito e desmistifiquei outro tanto.
Ao contrário de muita gente que só tem contato com esse “outro lado” da maternagem depois que os filhos nascem, eu tive antes. Eu li sobre saltos de desenvolvimento, sobre o quanto é inútil dar palmadas, enfim, sobre outros jeitos – diferentes do senso comum e do mais difundido pela sociedade – de cuidar e educar uma outra pessoinha. Ah, mas por que querer fazer tudo diferente?, você pode se perguntar. A verdade é que eu só me permiti ler e me inteirar sobre um universo que eu queria muito conhecer, abrir leques e janelas, ter opções; não ficar refém de um único modelo pré programado.

Aí a Agnes nasceu.
Nossos dias foram sendo desenhados aos poucos, conforme nosso humor do momento ou o clima do dia. E ali, com uma recém-nascida no colo, eu fui vendo que algumas coisas realmente funcionavam com uma eficiência linda, outras nem tanto. Me lembro das primeiras semanas, ela chorando muito na “hora da bruxa”, pelo excesso de estímulos, seu cérebro ainda amadurecendo, e não tinha ofurô, meia luz, peito e colo que dessem jeito imediato. Era rezar e esperar mesmo. E continuar tentando. Não que a teoria tivesse me enganado, só não se encaixava no nosso caso, naquele momento.

Até que esses dias percebi que depois que ela nasceu não tem mais leituras como antes. Óbvio, né. Primeiro porque não tenho mais tempo. Mas acho que principalmente porque agora estamos construindo a nossa história.
Eu sou o tipo de pessoa que não consegue seguir muitas regras, essa é uma verdade bem verdadeira sobre mim. Busco ter entendimento sobre os assuntos, mas na hora do vamo vê eu me viro do meu jeito. Porque se eu fico pensando muito “mas eu li/me falaram que era assim, então não vou/não posso fazer assado”, eu surto. Pura e simplesmente surto. Isso quase aconteceu quando comecei a introdução alimentar, mas percebi a tempo e pude mudar a rota. Ficava pensando muito, tentando, claro, fazer o melhor – que mãe não tenta, não é mesmo? Mas as supostas regras, que eu mesma tinha encafifado em seguir, estavam me travando, limitando. Não. Não tava legal. Tive que abstrair e seguir apenas o meu instinto e os sinais da pequena, que é a melhor coisa a se fazer, sempre.

A informação tem que te libertar, nunca aprisionar. É fato que algumas coisas podem causar algum incômodo no começo, pela falta de familiaridade no assunto (qualquer que seja), mas se aí dentro você não sente o coração tranquilo, aliviado, é porque existem pontos a serem ajustados. E não podemos ter medo de ouvir nosso coração, nosso instinto. Ele é sempre o melhor caminho a seguir. Mesmo quando o que sentimos é “não sei o que fazer”. Já é um começo, é você aberta a aprender e se doar. A verdade nua e crua? Não existe manual pra exercer a maternagem. Existe você e seu bebê, duas pessoas novas, se conhecendo, descobrindo um novo mundo. A gente pode ler artigos, ouvir palestras, ter o pediatra top, se não fizer sentido aí dentro da sua casa, de nada vale.

E é isso. Foi uma ruptura pra mim – acho que é para todas nós, não é? Faz parte da travessia, afinal.
Desconstruir para reconstruir. Do nosso jeito, muito mais legal.
E vamos em frente. Tem sido uma experiência incrível. Que venham mais e mais descobertas e aprendizados.

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Arquivado em acontece comigo, vida real

Lá no instagram

Como eu disse no outro post (aliás, super obrigada pelo carinho, suas lindas! Beijo babado da Agnes em todo mundo), às vezes escrevo umas notas curtinhas no instagram. Pensamentos, sentimentos do momento, essas coisas todas da nossa vida de mãe. Daí que resolvi colocar as que já escrevi aqui no blog, pra guardar e ficar o registro pra quem não me segue por lá. À medida que for juntando mais, vou trazendo pra cá.

Existiu um bebê antes da Agnes. Um bebê que só morou dentro de mim por 17 semanas, depois voltou pro céu dos anjos de luz. Eu aprendi muito com aquela gestação. Mesmo tendo sido breve, mesmo que o final não tenha sido o esperado. Me disseram que a dor ia diminuir com o passar do tempo e que quando eu engravidasse de novo ia ficar mais fácil, que o novo bebê ocuparia minha mente e meus dias. Não deixa de ser verdade, mas não é sempre assim. As vezes, ainda bate uma saudade – como tem sido nós últimos dias. Uma dor estranha, daquilo que não foi, mesmo tendo sido. O espaço que seria dela continua aqui. Em contrapartida, olho pra minha filha aqui do meu lado e sei, em algum lugar aqui dentro, que as coisas acontecem realmente como tem que acontecer. Tinha de ser a Agnes aqui agora, desse exato jeitinho. E isso traz uma espécie de calma pro meu caos. Um descanso. E então eu agradeço. Por tudo que aprendi e aprendo com as minhas filhas. Pelos mistérios da vida. E por me permitir viver o que vier. (7 de abril de 2015)

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8 meses e meio e estamos no auge do brincar no chão. Ela pede pra ir, quando está no colo. Engatinha a mil, se levanta no que estiver na frente, inclusive nas nossas pernas. Os dias estão muito animados por aqui – além de uma loucura e de nada no lugar, claro. To falando tudo isso só pra pontuar uma coisa: não existe essa de que colo estraga, que deixa mal acostumado. Se assim fosse, ela não estaria tão segura em busca da própria autonomia. Agnes ganha colo todas as vezes que pede, desde que nasceu. Passou o primeiro mês de vida quase todo nos meus braços. E agora ta aí, aumentando a bagagem do seu mundinho, cada dia aprendendo um tanto de coisas. E me ensinando mais. (31 de março de 2015)

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Ano passado, do alto das minhas 35 semanas de gestação, ele saiu do emprego fixo e decidimos, juntos, que ele trabalharia em casa para – entre outros motivos – estar perto da gente e estar mais ativo nos cuidados com a pequena. E olha, nem sempre é fácil. Tem os dias difíceis, tem a grana incerta, tem os olhares tortos pras nossas escolhas. Mas também tem os dias como hoje, em que eu vejo essa cena bem aqui na minha frente. Ele nina e ela dorme em 3 minutos, adora o colo do pai. Ver a relação deles sendo construída é lindo e são esses momentos que me lembram que vale a pena, sim, super. Por que ninguém disse que seria fácil, né?! Ainda bem que ninguém disse, aliás. Mas eu digo: vale a pena todos os dias. Muito. (9 de março de 2015)

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Depois de um dia cinzento – lá fora e aqui dentro – ela tinha dormido e eu aproveitei para tomar um banho relaxante. Marido preparando algo pra comer, eu já ia escolher um filme para vermos juntos, tudo se encaixando… Até eu ouvir alguém chamando no quarto e encontrar esse sorriso. Ontem esse plano funcionou, vimos “as vantagens de ser invisível” e foi ótimo; mas como todos sabem: nenhum dia é igual ao outro quando temos filhos, ta lá no contrato, a quem eu queria enganar? Então vamos para o plano B: desapegar de planos e curtir o que vier. Amém? (28 de fevereiro de 2015)

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Existem dias difíceis, dias bagunçados, dias furacão. E existe hoje, todos eles juntos num só. Não dormi direito, não almocei. Eu respirei? Mas vamo que vamo, que eu só sentei pra fazer a baby dormir. Enquanto ela descansa, tenho roupa pra estender, louça pra lavar, banheiro pra faxinar, janta pra pensar, e-mail pra responder, texto pra escrever e ainda recolher brinquedos e meias que os duendes espalham pela casa. Já chamei Caetano pra me ajudar. Vai dar tempo. Fui! (24 de fevereiro de 2015)

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Crise existencial… bloguística

Tenho pensado tanto no blog. Que eu queria estar escrevendo mais, compartilhando mais, inventando mais assuntos pra contar. Estar mais presente aqui, afinal. Eu podia culpar a falta de tempo, mas nem sempre essa desculpa cola. De vez em quando eu abro essa página, vejo o espaço em branco e penso em mil possibilidades, mas não consigo começar nada. Ou começo, mas não termino. Ai o telefone toca, a bebê chama, chora, puxa o fio do carregador, me puxa pra junto de si. Aí é hora de comer, de tomar banho, de cozinhar, de limpar… de (tentar) descansar. E o texto se perde no limbo dos rascunhos e dos pensamentos inacabados.

O fato é que eu tenho sentido falta e ando querendo mudar isso. Acho que todo mundo passa por isso vez ou outra, quando se tem um blog, né? Quase uma crise existencial bloguística, rs. A internet tem tanto conteúdo, tanta informação, será que não vou escrever mais do mesmo? Será que tô me expondo demais? Expondo minha filha mais do que o necessário? O quanto é necessário – acho que nem é essa a palavra adequada, mas enfim.

Quando a Agnes nasceu, mal ia no colo de outra pessoas. Até hoje é meio assim, mas já mudou bastante. Mas naquela época eu sentia que ela não queria muitos olhares pra si, muita gente, muita energia. Eu também não queria. Mal postei foto dela aqui, só comecei a colocar algumas depois de uns meses, porque não fazia sentido me recolher com as pessoas e mostrar tudo nas telas. No face diminuí muito também, muito. Só sobrou o instagram. Lá eu posto com mais frequência, mas obviamente que nem tudo e nem todo dia. Tenho até escrito algumas coisas curtinhas por lá recentemente, tem sido um bom exercício. A vontade de escrever sobre esse nosso mundo materno tem surgido de novo e escolhi começar por lá, que é mais rápido, eu acho.

Também tem o fato de que me vi meio afastada das teorias todas. Sem querer ler sobre o ter que fazer de tal ou qual jeito. Então acabei não escrevendo sobre os meus meios e escolhas também. Sobre isso sairia um texto inteiro, e vou escrever. Mas não era sobre os outros, sabem, sobre o “não sou #menasmais por isso, isso e isso outro”, justificativas e tudo mais; era mais sobre mim, mesmo. Uma ruptura entre a teoria e a prática, entre todos os textos que eu li e sobre a vida real aqui da minha casa. Eu precisava de tempo e espaço. E me dei isso. Sobretudo eu não queria que nada soasse como justificativa, explicações, talvez eu tenha lido em grupos e em outros lugares muita coisa nesse tom, ou reflexões sobre esse assunto, ou tenha sentido isso em algumas pessoas, ou de tudo um pouquinho. Só sei que preferi muitas vezes o silêncio do que a palavra. Na dúvida, achei melhor esperar.

Mas agora eu quero voltar. Escrever sempre foi a minha melhor ferramenta para lidar com o mundo. Sempre fez parte da minha vida e não quero perder isso agora. Eu poderia escrever em outro lugar, não publicar, achar outros jeitos, mas gosto muito daqui. Gosto do que construí, das pessoas que conheci através do blog, do carinho, da troca, de tudo. E isso me basta. Se tornou um lugar especial pra mim, que quero continuar cultivando.

E é isso. Vou tentar ir voltando aos poucos, no ritmo que as coisas forem acontecendo do lado de cá.

Beijo nosso

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