Arquivo do mês: maio 2015

Carta do dia: o seu abraço

Filha,
no início desse ano eu decidi que buscaria, ao longo dos meses que estavam por vir, ser uma pessoa mais leve. Tentar ser, pelo menos, para começo de conversa. Entendendo o ser leve como não querer carregar mais peso do que os meus ombros aguentam. Peso mental, psicológico, espiritual. Não carregar peso desnecessário. Que não valem quanto pesam. Nem fazer isso por outras pessoas. Estou lendo, escrevendo, tentando silenciar minha mente, escolhendo batalhas. Não sei se está sendo suficiente. Bom, estamos praticamente no meio do ano e já quero te contar que eu não consegui cumprir meu plano durante todo o tempo. E a pergunta que você se faz agora, dai de onde está lendo é: por que, oh céus, esta mulher ainda insiste em planos? Eu sou assim, filha, não tem muito jeito. Mas voltando ao assunto. Não deu muito certo. Ainda. Tenho me estressado por coisas que não sei resolver. Sinto raiva dessa coisa de não saber. Me sinto pequena diante do tanto de coisas que eu não sei, nem imagino. E aí me pego pensando que não, que nem é tão ruim assim esse não saber. Que é até bonito, inclusive. Mas para onde estou olhando, dos assuntos que estou falando, me sinto pequena. Eu queria saber. Não sei agir sem saber (…)
E aí você me olha.
E aí você me abraça.
Você me abraça, filha. Fico tão emocionada de receber esse carinho assim. Você, do alto dos seus 10 meses e meio, me abraça. Pura e gratuitamente. Seus dois bracinhos passam pelos meus ombros e seu queixo pousa em mim, as vezes com o rostinho no meu pescoço. 
E aí o mundo volta pro eixo de novo.
E aí eu paro o fluxo de pensamentos que andam em círculos dentro da minha cabeça.
Apenas para te sentir. 
E é quando eu consigo sentir a leveza no meio do caos.
É quando eu percebo que dane-se essa coisa de o tempo todo. Não existe o tempo todo. 
Você me traz pro presente sempre. E eu te agradeço por isso. Posso até não conseguir ser leve sempre, mas ainda me lembro de pelo menos tentar. E não foi essa a proposta do começo, afinal? Vou continuar me esforçando nos meses que ainda estão por vir, depois volto pra te contar como foi.

com amor,
mamãe.

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daquilo que não sai como o planejado

Ou, a nossa meia-experiência com as fraldas de pano modernas.

Era uma vez eu grávida fazendo mil planos.
Era uma vez eu grávida jurando que não estava fazendo nenhum plano de coisa nenhuma.
Mas estava.
Coisa doida isso de gestação, minha gente.
Anotem aí no caderninho para não esquecer, vou escrever também: não importa que você diga que não está com planos e expectativas, porque você está. Já está. Fim.

Então vambora pra história.

Eu não fiz chá de bebê porque – entre outros vários motivos – não queria estoque de fraldas descartáveis na minha casa. Além do mais, estava super entusiasmada nas versões ecológicas e, convenhamos, bem mais lindas da ditas cujas. Os grupos me diziam que eu precisava de umas 20 fraldas para usar em tempo integral, mas só comprei 12, eu acho. Pensei em ver qualé que era, depois compraria mais. Comprei uns pacotes da fralda descartável Wiona, biodegradável, me achando a mais ecológica das pessoas, para dar conta dos primeiros dias. E assim esperei o nascimento da pequena.
Pois bem, Agnes nasceu e ainda bem que eu não tinha mesmo a ilusão de já começar a usar as fraldas de pano na primeira semana. Ela era muito pitutuquinha, com as perninhas magras, rs. Eu só havia comprado as de tamanho único, então nem encanei. Ah, não, espera. Eu havia comprado umas capas pequeninas também, quase me esqueci. Mas mesmo assim eram grandes pra ela. A minha ideia inicial era usar as fraldas da Wiona, que são ecologicamente corretas e tudo mais, mas… o modelo RN ainda era grande pra ela, haha. Parece brincadeira, mas tudo que eu pensei já mudou ali, com apenas algumas horas de mãe na prática, hahahaha.

Lá na Casa Angela tínhamos que dobrar a fralda para ficar melhor, e depois as meninas acabaram me dando uma Pampers rn que era bem pequenina e serviu direitinho. E assim fomos indo. Da rn Pampers pra rn Wiona, depois comprei outras marcas, fui testando, um pacote por vez. Resumindo: com 2 meses a versão de pano ainda não ficava legal nela. A essa altura do campeonato eu já achava que nunca mais ia conseguir usar (alô drama do puerpério!). Mas persisti. Um dia deu e fiquei feliz da vida. Comecei a colocar com alguma frequência e sabem o que aconteceu? A dona Agnes detestava! Não sei como pode ser possível, provavelmente ajuste errado, ou talvez pelo volume, não sei, mas a bichinha chorava e gritava quando eu colocava a fralda. Teve uma vez que foi eu abrir a fralda e ela sorriu… Juro juradinho que era desse jeitim que acontecia. Eu colocava-dava 5 minutos-choro muito choro-gritaria-abre a fralda-sorriso. CATAPLOFT!! O chão se abriu sob meus pés. Como assim minha filha é #menas ecológica? Hahahhahahahaha. Vamos rir pra não chorar, colegas. Mas era um fato real, consumado.
Só que não, eu não iria desistir assim tão fácil, ora pois.
Muitas vezes colocava uma única vez por dia, mas colocava. Espaçava vários dias, mas colocava. Quando durava duas horas eu comemorava parecendo que tinha sido uma noite inteira.
E aos poucos ela foi parando de reclamar. Também foi crescendo, engordando, ganhando dobrinhas nas pernas. E eu fui aprendendo a ajustar melhor, e descobri que ela aceitava mais quando o recheio estava dentro do bolso, e não como capa. Fomos nos adaptando, enfim.
Aí pegou a questão que eu não tinha quantidades suficientes para usar full time. Em algum momento faltava fralda. Sem contar a questão que ela assava demais da conta, até eu cortar de vez o leite da minha dieta. Mas era um tal de troca marca, usa de pano, suspende de pano, água morna, chá de camomila, o soft esquenta demais, ai meu deus, não aguento mais. Foi uma fase mais chatinha nesse quesito.

A nossa melhor fase com as fraldas de pano com certeza foi no verão.
Ela estava com 5/6 meses, fase delícia. Calor total, dobrinhas ao vento, curtição. Usamos até na piscininha. Chegamos a ficar mais de uma semana só com elas, dia e noite. Que bonito, que alegria, que beleza! E foi o máximo que eu consegui sem as descartáveis. Fim.

Não sei se desencantei, ou o que.
Sei que lá no começo, quando ela chorava muito, eu elaborei que ela não estava curtindo. E respeitar os sentimentos dela sempre foi mais importante. E com isso na cabeça, mesmo quando ela parou de reclamar, fui deixando meio de lado, para o de vez em quando. Porque, sim, ainda usamos fralda de pano. Tem dias que eu cismo e vai o dia todo assim. Mas não é em tempo integral como, no começo, eu queria que fosse. Pensei que quando chegássemos aqui, com uns 9, 10 meses, já estaríamos livres das descartáveis. Mas tudo bem também. Eu não vou forçar uma situação “só” para dizer que deu certo, que eu consegui. Pra mostrar pros outros que eu sou capaz. Porque eu sei que eu sou, que uma coisa não tem nada a ver com a outra e do que acontece aqui na minha casa, só diz respeito mesmo a nós que aqui estamos, não acham? Esse ano eu escolhi ser leve – e isso inclui escolher as batalhas, ceder algumas coisas, refazer o roteiro. Essa foi uma delas.

E vocês, mudaram de ideia (e de prática) em relação a que, depois que o babys nasceram?

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Bonitas somos nós!

Participei, junto com a Agnes, de um projeto fotográfico lindo, da fotógrafa Renata Penna. O projeto é o “Bonita é a mãe!”, que retrata a beleza do corpo pós maternidade. Corpo real, com furinhos, risquinhos, cicatrizes e o que mais for elemento para contar a história daquela mulher.

Foi muito legal participar, e muito importante.

Foi importante me despir ali naquela sala, junto com outras mulheres.
Foi importante fazer isso – um projeto com essa proposta, tão plural – com a minha filha.
Foi importante me permitir.
Foi importante perceber que eu estou me sentindo bem comigo mesma.

Sei que não posso “reclamar” do meu corpo, e nem quero.
Meu biotipo sempre foi esse mesmo. Sou magra, mas com quadril largo, bumbum grande. Sempre tive uma boa relação comigo mesma, mas acho que antes eu encanava mais com celulite, estria, ou coisas assim. Não era neurótica em arrancá-las de mim, mas dependendo da situação podia surgir uma vergonha.
O fato é que eu estou mais de 7 kg mais magra do que eu estava antes de engravidar. Usando números de calça que eu não usava há muitos anos. E eu tenho a impressão de que só estou assim por ter seguido a dieta sem leite, nem derivados, nem traços tão a risca. Porque eu cortei muita coisa do meu cardápio de rotina. Tive que reinventar receitas, descobrir sabores, me contentar com coisas que eu não queria, passar vontades. Foi difícil, no começo. Fiquei 5 meses assim. O que também nem é muito, comparado às mães que fazem isso por anos. Mas é a minha história. Tem também o fato de eu não estar tomando anticoncepcional, que sempre me deixa inchada e retendo líquidos. Foi uma decisão tomada por alguns motivos, mas ganhei esse efeito colateral de brinde, rs. Sem contar a amamentação, claro. E aí você pode pensar que eu não tenho nenhum motivo para me queixar, que muita gente luta para perder os quilos adquiridos na gestação e mais um monte de histórias. Mas quer saber de uma coisa? Todas as pessoas que eu encontro comentam que eu estou mais magra, que meu rosto está mais fino, etc e tal. Algumas falam elogiando? Sim, e obrigada mesmo, de coração. Mas também falam com muita surpresa, quase um susto. Como se fosse uma coisa ruim, como se eu estivesse doente. Juntando esses comentários ao fato de que eu não tenho mais tempo para ficar me olhando no espelho, nem sou cheia das vaidades, confesso que estava me sentindo um pouco pra baixo. Autoestima não andava lá muito em alta.

Daí surgiu a oportunidade de fazer essas fotos e eu, que adoro um ensaio, topei na hora.
E como me fez bem!
Percebi que não tenho mais nenhuma neura com o meu corpo. Já tinha poucas, mas acho que agora não sobrou espaço pra elas na minha vida. Não tenho mais tempo pra elas. Não senti vergonha nenhuma de me despir e fazer as fotos.
Quando vi o resultado fiquei muito feliz. Amei me ver junto com a pequena. Nas nossas bagunças, colos, mamás. E também amei me ver inteira, de corpo a mostra. Poxa, me senti bonita, sim!
Porque eu me reconheci ali. Me reconheço aqui. É o meu corpo real, que comporta as minhas histórias, as minhas dores, delícias e doidices. Não a da moça da capa da revista, nem a da colega, nem da vizinha, ou de quem for. Foi a mim que eu vi e nossa!, como gostei desse (re)encontro. Abriu precedentes para outras descobertas, ainda em andamento, eu diria.

Obrigada, Rê, pela oportunidade e pelo olhar. Fez um bem danado aqui pra mim.

Obrigada, filha, por ter vindo, pela companhia, pela travessia.
Esse meu corpo, definitivamente, não é igual ao que era antes de você vir fazer dele sua morada. E que bom que não é. Porque eu também já mudei um tantão desde que você chegou. Era mesmo preciso uma nova roupagem para esta nova eu. Que bom que temos histórias para contar. E muitas ainda por viver.

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momento nostalgia

Tenho estado meio nostálgica com a proximidade do primeiro aniversário da Agnes.
Quer dizer, faltam 2 meses. No mundo dos bebês, dois meses é até muito. Quantas coisas eles não podem aprender numa semana, imagina em dois meses? Eu sei. Mesmo assim o sentimento tem me visitado nos últimos dias.

Acho que pode ser porque o tempo tem mudado também. Já está mais friozinho nas bandas de cá.
Uma sopa quentinha dali, uma meia grossa de cá. E essas pequenas coisas, detalhes que poderiam passar batido aos olhos de qualquer um, me trazem lembranças do último ano. Eu de barrigão, não sentindo tanto frio quanto as outras pessoas. O peso da barriga, a espera, as coisas que eu fiz como se fosse a última vez de tudo… e era só o começo.
Daí me lembro da Agnes pequetucha de tudo. Que tínhamos de ir pro quarto no fim do dia e não sair mais, porque senão era stress certo. Minha mãe entrando no quarto pra ver se estava tudo bem, falando baixinho. As comidas que eu comia com a mão esquerda, com ela no colo. O tanto que ela chorava quando sentia frio.

Gente, é lembrança que não acaba mais.
Elas poderiam ter aparecido no mês que vem, ou em julho mesmo, o mês que tudo aconteceu. Mas não, vieram agora. Quem entende dessas coisas, né? Não tem muita lógica, mas penso que não precisa mesmo ter. Os sentimentos não obedecem a razão, não é? Seguem uma lógica particular. Sei que olho pra ela e fico até emocionada pensando em tudo que já vivemos juntas, desde a barriga. Desde que ela veio pro meu colo e parou imediatamente de chorar. Vai fazer 1 ano . . .

E eu ainda não comprei nada dos preparativos para a festa. Penso que ainda falta tempo, etc e tal. Quedê coerência? Com certeza deve ser negação, hahaha.
Queria muito fazer a celebração no parque ou numa praça, ao ar livre, mas acho que não vai rolar. Inverno, São Paulo, frio, vento, crianças. Não são combinações ideais para esse tipo de evento. Me falaram que se eu fizer durante o dia, pra acabar cedo, é melhor, porque esfria mesmo só no fim da tarde. Não sei. Ela é meio sensível a variações do clima, fico com receio. Ano passado não estava frio quando fui pra Casa Angela, mas me lembro de dias bem gelados, sim.
Por outro lado, o salão do meu prédio é muito pequeno, e dentro de casa menor ainda, rs. Vou ter que rever a lista de convidados, ao que tudo indica. Enfim. Falta ~apenas~ tudo para ser decidido, hahaha. Mas vai ter festinha, sim! Acho muito legal e até simbólico comemorar esse primeiro ano de vida dela. Que também é nosso.
Vocês fizeram? Como? Me contem tudo!

Enquanto isso eu vejo se saio da negação e faço alguma coisa… além de sentir essa nostalgia doida da minha recém nascida, que tem crescido a olhos vistos!

meia que eu comprei pra usar na Casa Angela, e que voltou à ativa esta semana . ai que saudade!

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10 meses

Ok, agora é oficial, Sr. Tempo. Que negócio é esse de chegar arrasando tudo assim e, de repente – não mais que de repente – levar minha recém nascida e me dar uma bebê de d-e-z-m-e-s-e-s? Hein? Não foi isso que combinamos. Mas tudo bem. É assim que funciona, não é? Tentarei me adaptar, quem sabe eu me acostume quando ela fizer 30 anos.

10 meses, gente.
De amor, de loucura, de fofuras, de amamentação em livre demanda, de bagunça.
10 meses de Agnes, minha fofolete delícia.

Ainda estamos vivendo a tal da ansiedade da separação, mas nada que muito colo (pra ela) e chocolate (pra mim) não resolvam. Na verdade, ela sempre foi meu grudinho, como diz a minha mãe, só que agora está mais intenso, a ponto de eu já ter ido com ela ao banheiro (#quemnunca?), coisa que não rolou quando ela era menorzinha, mas né?, sempre tem uma primeira vez, hahaha.

Está sapeca de tudo. Explora tudo, mexe em tudo, levanta em tudo, abre todas as gavetas e tira o que estiver dentro, brinca com as panelas. Às vezes, quer ser um filhote de labrador e morde todos os sapatos que cruzarem seu caminho. Ou nosso dedão do pé, se estivermos descalços. Sempre quis entrar engatinhando no banheiro, coisa que não rola por motivos óbvios. Só que esses dias me distrai indo ligar pro marido, percebi um silêncio muito suspeito e quando vi, ela estava dentro do box, toda feliz. Ela me olhava e batia palmas, ria, mandava beijo, haha. Não teve jeito, caí na risada, de modo que quando marido atendeu o telefone eu estava rindo e ele não entendeu nada. E foi assim que nós, que tentávamos manter a porta do banheiro sempre fechada, passamos a não esquecer de verificar nunca. Nem quando vamos dormir, porque dormimos com a porta do quarto encostada e agora a mocinha, toda manhã, acorda antes de mim e, quando se cansa de tentar me acordar, pega toda sua independência e desce da cama (dormimos todos no chão), abre a porta e #partiumundo. Vai até uma parte do caminho, volta me chamando (AN, AN) e quando eu olho, ela coloca a mão na boca e faz um barulhinho – que na sua língua quer dizer: mãe, levanta logo e me dá café da manhã porque estou com muita fome. Ou isso, ou eu irei até aí subir em você, apertar seu nariz, puxar seu cabelo e te dar um beijo babado até você levantar. Na maioria dos dias, já começamos direto com essa segunda opção, inclusive. E o humor dela é sempre tão bom pela manhã, não tem como não se contagiar.

Presta atenção em tudo e quer puxar papo com o povo no ônibus, quando não estão olhando pra ela, rs.
Adora sair pra passear, andar na rua. E é encantada com crianças, de todas as idades.

Anda comendo bem melhor, acho que engatamos na alimentação. Claro que tem dias que come mais, outros menos. Mas encontramos nossa média.
Nosso banho continua sendo no chuveiro, eu e ela. Quando estamos sozinhas em casa, dou banho nela no colo, normal, depois a coloco pra brincar sentada numa bacia e tomo o meu. Diversão garantida!

Nossa, tanta coisa que ela anda fazendo… Tanta novidade, gracinhas, trejeitos.
Que delícia de fase.
Eu sei que sempre digo isso, mas é verdade, rs. Tenho curtido muito todas as etapas do desenvolvimento dela, do ser mãe.

E vamos que vamos. Que o tempo tem voado e eu tenho muito que curtir com a minha pequena.
Daqui a pouco ela faz 1 ANO, já falei?
Pois volto depois pra falar, aguarde.

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Carta do dia: tudo bem

Filha,
você está dormindo logo ali no quarto, a alguns metros de mim. Nossa noite foi tranquila. Tomamos banho juntas, você jantou, brincou um pouco na sala – é lindo te ver concentrada nas coisas, que será que passa pela sua cabecinha? – depois se distraiu e demonstrou irritação quando não deixei você ir engatinhar na cozinha (tá frio em São Paulo, filha, você já estava quentinha, limpinha e o chão da cozinha é bem mais gelado do que o resto da casa, onde você já estava explorando). Te peguei no colo, coloquei uma seleção de músicas que sempre ouvimos, você mamou e dormiu. Deu até pra conversar uma coisinha ou outra com a vovó, que ainda estava por aqui. Depois ela foi embora e ficamos nós duas (papai está na faculdade, hoje é segunda). Pude jantar e, desde então, estou aqui zapeando pela internet, lendo, aproveitando um pouco esse silêncio.
Nem sempre é assim. Tem dias que eu estou mais nervosa e tudo desanda. Dias em que você está muito animada e não vê motivo algum para dormir antes das 23:00. Na hora é cansativo. Às vezes, eu choro. Às vezes, você chora. Fico pensando se estou sendo uma boa mãe, se estou te fazendo sentir algo que era melhor deixar pra depois, querendo pedir desculpas pelo equilíbrio que muitas vezes me falta. Coisas doidas da minha mente que nunca para, talvez você saiba do que estou falando. Mas sabe, filha, daqui de onde estou, sentada no sofá, com tudo calmo ao meu redor, posso ver que tudo bem.
Tudo bem eu querer um momento em total silêncio para voltar pro meu eixo. Tudo bem você resmungar nesse meio-tempo e eu ir correndo te amamentar (você faz carinho em mim quando mama assim sonolenta, é tão gostoso). Tudo bem que em alguns dias pareça que perdemos o jeito e que o bolo desande. Sendo nós o próprio bolo, no caso. Tudo bem. Porque é disso que somos feitos. Esse tanto de acontecimento que não tem regra, nem obrigação de ser. Os momentos tortos existem, mas não existem sozinhos. Há tanta coisa boa e linda e divertida. Precisamos educar o nosso olhar para essas coisas. Voltar nossa atenção para o que é bom, para o que nos faz sair do lugar, para o que nos deixa com frio na barriga. Não deixe que os percalços embacem sua visão do mundo, filha. Muito menos sua visão de si. Pode ser fácil cair nessa armadilha, do comodismo, da mesmice, do automático, de reclamar, julgar, mimizar. Não pare aí, apenas passe. O caminho é torto para que continuemos andando. Que graça teria se já víssemos tudo desde já?
Vamos juntas, minha pequena, vamos sempre. 

com todo amor do (nosso) mundo,
mamãe.

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das lembranças …

Eu estava andando de bicicleta com meus amigos pelo bairro, coisa que a gente gostava sempre de fazer. De repente, começou a chover muito, um toró daqueles. Pedalei rápido para chegar logo em casa, mas não teve jeito, me encharquei da cabeça aos pés. Não me lembro se ganhei bronca, ou não. O que ficou na memória, muito bem guardada, foi que assim que cheguei, minha mãe já logo me falou pra ir tomar um banho quente, depois fui pro sofá me cobrir e ela me fez um copo de leite com toddy bem quentinho, com espuminha em cima, do jeito que só ela sabia fazer – que durante muito tempo foi uma das minhas comfort foods (só não é mais porque não consumo mais leite como antes). O que ficou na lembrança foi o cuidado, o aconchego, a sensação deliciosa de poder chegar em casa, depois da tempestade, e encontrar o quentinho, a segurança, o colo de mãe.

Colo de mãe. Tem coisa melhor do que isso? Aquele lugar mágico, que a gente sempre cabe, mesmo que já tenha crescido um tantão. Colo de mãe é casa.

E na casa de mãe sempre tem o que? Comida! Lasanha, suflê, panqueca, arroz e feijão, brigadeiro, bolinho de chuva, bolo com calda de chocolate. Huuumm! Delícia demais. A melhor cozinheira de todos os tempos, com certeza. É um lugar onde sempre tem um fogo aceso, onde sempre cabe mais um na mesa. Ou no sofá, ou nos corredores, ou onde tiver um espacinho. Porque receber as pessoas é uma das especialidades dela. Me lembro dos almoços de domingo depois da missa, das tardes de fim de semana em que meu irmão levava os amigos pra jogar RPG, da nossa casa que sempre foi ponto de apoio pra família de outras cidades e dos encontros delícia que ainda acontecem hoje em dia. Sempre há disposição.

Disposição pra ir várias vezes na 25 de março e no ceasa preparar tudo pro meu casamento. Para perambular pelas lojas de enxoval comigo grávida. Para passar as noites no hospital com quem precisa. Ou também para ver filmes com a gente, e o que mais pintar.

Não tem uma pessoa com quem eu converse que não conte algo dela, que tenha me ensinado ou algo assim. Mesmo que tenhamos diferenças – aquelas, que existem em todas as relações – não posso deixar de afirmar que é uma das pessoas mais especiais da minha vida, sem sombra de dúvidas.

Mãe,
obrigada por ser exatamente quem você é. Que me ensina tanta coisa, mesmo que às vezes nem saiba disso. Obrigada pela presença, pela companhia, pelos mimos (hehe) e por, agora, me acompanhar nessa jornada materna. Muito bom ir nessa estrada com você ao meu lado; você é uma avó sensacional – e a Agnes sabe bem disso. Te amo!

Beijo,
eu!

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Angústia da separação

É tanta nomenclatura para as fases do bebê que a gente fica até confusa, né.
Caso você esteja em dúvida sobre o que seja, de fato, essa tal de angústia da separação, senta aqui do meu lado que eu vou te contar.

É quando o bebê sente uma nostalgia de quando era recém nascido e quer se comportar como naquela época.
É quando você acorda de manhã quebrada por ter dormido na mesma posição – agradeça por ter dormido, pode ser que na próxima noite o bebê resolva que é mais legal engatinhar pela casa, ou conversar, ou querer colo e muito grude à 1 da manhã.
É quando você come mais doce do que o normal – porque só com muita glicose no sangue pra aguentar o ~batido da lata~
É quando você coloca o sling logo depois do café da manhã – e já passou da hora do almoço e a cria ainda está aqui.
É quando os peitos voltam a ficar sensíveis – mas agora tem o adicional deles serem mordidos vez ou outra.
É você declarar amor eterno a cream cheese com goiabada cremosa no pão, na bolacha, na rua, na chuva, na fazenda – não tem nada a ver com a fase, mas você precisa de um álibi para comer isso a todo instante.
É quando você sente muita dor nos ombros, porque uma coisa é ficar o dia todo com um recém nascido pacotinho delícia de 3 kgs no colo, outra é quando esse pacotinho tem mais de 9 kgs.
É quando você dança raul seixas, banda do mar, tulipa ruiz, marcelo jeneci, arnaldo antunes, zeca baleiro, arca de noé, barbatuques meu deus quando é que essa quiança vai dormir??

É ficar deliciosamente derretida ouvindo os primeiros mãmãmã – E meio desesperada quando esse som vem num looping infinito com alguém puxando sua calça.

É viver de amor com todas as gracinhas que eles aprendem – tão rápido e tão certeiros. Dá pra acreditar que ela segura o celular como se tivesse tirando selfie? Surreal, mas juro que é verdade.

Enfim. É vida real. É difícil, é entrega, é cansaço, é alegria.
Como acontece sempre e cada dia mais nessa vida de mãe, inclusive.



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