O primeiro ano como mãe

O que você fez no último ano?
Eu fui mãe.
Orgulhosamente mãe. Diariamente mãe.

Eu sempre sonhei com esse momento. Desde muito nova eu já tinha dentro de mim que um dia iria viver a maternidade. Brincar de boneca foi a coisa que eu mais fiz na infância, até uns 11 ou 12 anos. Eu pensava como seria, como eu agiria, no jeito do bebê. Enfim, eu sonhava mesmo, não tem outra palavra. Tanto que esse sentimento me acompanhou sempre, quase como um norte. E em algum momento ali naquele limbo do começo da vida adulta eu decidi que seria mãe antes de ter uma profissão. Assunto complexo, eu sei, mas foi o que eu fiz por mim e não me arrependo. A minha história de vida caminhou para isso e eu tomei esta decisão com consciência e alguma clareza.
Então de repente me vi estudando assuntos que não aprendi na escola. Sobre desenvolvimento infantil, sobre parto e sobre todo esse universo único que tanto me encanta. Isso antes de engravidar.
Eu me descobri. Acalmei algumas inquietações que me atingiam. Entendi algumas dores, dei nome a elas. Falar disso renderia linhas e linhas aqui, quem sabe eu não conte aos poucos, em outros causos.

Quando eu engravidei da Agnes, sabia que queria ficar com ela em tempo integral por tempo indeterminado. Simplesmente porque eu não sei fazer de outro jeito. E assim foi.
Daqui há alguns dias ela completa seu primeiro ano de vida. E eu completo meu primeiro ano sendo mãe.
E o que eu posso dizer é que foi uma experiência incrível. Está sendo. Sim, tudo indica que vai ser sempre.
Eu cheirei muito, abracei, beijei. Eu chorei. Fui lá no fundo do puerpério e acho que só agora é que estou voltando.
Eu mergulhei fundo nesse mar. E ainda estou lá dentro. Porque na verdade eu mal comecei, né. A jornada é contínua, é todo dia. Um ano do ponto de vista de uma vida inteira pode ser até pouco. Mas é uma vida, sim. Muita vida.

O primeiro ano de vida é quando a gente mais aprende, mais que em todos os outros, eu acho.
Penso na Agnes recém nascida, molinha e melecada ali no meu colo logo que nasceu.
Penso nela hoje, toda serelepe e atenta a tudo que acontece ao seu redor.
Por isso tenho essa sensação de “putz! como passou rápido”, mesmo que talvez nem tenha passado, mesmo que nem seja tanto tempo assim. Mas é que olhando pro desenvolvimento do corpo e tudo mais, muita coisa aconteceu com ela.
Eu comemorei cada uma delas.
Quando ela virava a cabeça meio que procurando a voz de quem estava falando no quarto. Quando sorriu. Quando aprendeu a estalar a língua. Quando aprendeu a virar de lado, depois de bruços. Depois rolar. Quando falava “angu”. Quando eu percebia que perdia roupas. Enfim, todas as conquistas e descobertas, no tempinho dela.
Está sendo assim. Essa semana mesmo eu estalei o dedo e depois ela tentou repetir, com aqueles mini dedinhos me imitando. Não conseguiu estalar, mas eu fiquei boba com a percepção dela.

Foi um ano inteiro de pequenas descobertas.
Sobre ela, seus choros, barulhinhos, expressões faciais, gestos, gostos. Entre tantas outras nuances e detalhes.
Sobre mim, que me vi numa cena completamente nova. Muito idealizada, desejada, e agora real. Teve essa parte também, de desconstruir o imaginário para dar conta do que estava acontecendo em volta. Muitas vezes não consegui parar para escrever e botar as ideias no lugar, como gosto (e preciso) tanto de fazer. A vida foi acontecendo num fôlego só e eu acompanhei. Às vezes bem mais ou menos, mas acompanhei.

Eu aprendi muito.
Aprendi a cuidar de outra pessoa. A me doar. Aprendi sobre os meus limites. E a superá-los. Aprendi a guardar a minha dor no bolso para dar amor pra minha filha. A escrever sobre coisas que eu queria gritar e não mostrar pra ninguém, só para extravasar a energia. Aprendi sobre escolher batalhas. Sobre respirar fundo. Sobre acolher. Aprendi que mesmo que aprenda um monte, ainda vai ter outro tanto bem grande para entrar na lista, todo dia.
E o melhor de tudo é saber que isso vai continuar sempre, em todas as fases.

Que venha mais um ano cheio de amor para nós.

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7 Comentários

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7 Respostas para “O primeiro ano como mãe

  1. Que privilégio, hein, Ma?!
    Viver seu sonho! Mergulhar nesse mar profundamente lindo e viver a vida “aí embaixo” com tanta intensidade!!!
    Parabéns pelo seu primeiro ano como mãe! Você tem sido incrível e te acompanhar nessa jornada é privilégio nosso! 😉

    Beijo!

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  2. Luciene Asta

    Verdade Má ! É tudo muito intenso. Olhar aquela criaturinha, aquele mini-ser-humano, imaginar que gerou, trouxe ao mundo, orienta, ajuda no desenvolvimento. Eu olho pros meus, tão diferentes (não só pela faixa etária de 12 anos de diferença), mas tão especiais. Às vezes choro só de vê-los dormindo. A maternidade é um presente. Parabéns pelo seu 1o ano.

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    • Lu, estou indo passar 2 dias no Rio em julho, pós niver da Agnes. Quero te veeeeer!!!
      Vamos combinar?

      Obrigada pelas palavras. A maternidade é um presente mesmo, que bom poder dividir isso com você, e acompanhar um pouco das suas histórias também. Adoro!

      Beijo grande!

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  3. Não podia deixar de comentar aqui porque eu sei exatamente o que é ficar totalmente imersa neste mundo, submersa mesmo até. O último mês do primeiro ano é pura nostalgia, não é? Os três estão de parabéns por essa jornada que acabou de começar, mas mostra-se tão intensa desde o primeiro dia.
    Obrigada por deixar a gente fazer parte disso, de certa forma.

    Um beijo enorme!!

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  4. Marceli

    Estou gostando tanto de ler seu blog Marina. Meu filho nasceu em abril de 2015, e é reconfortante saber que todas as mães são diferentes e iguais ao mesmo tempo, aprendendo e crescendo junto a nossos filhos nessa jornada incrível. Abraços.

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