O começo do fim

Algumas pessoas dizem que o puerpério é mais aquele momento do pós parto imediato, até uns 3 meses, mais ou menos. Realmente, ali a coisa é intensa, é quando estamos tateando nessa novidade de ser mãe e tudo mais.
Outras, dizem que ele perdura até os 2 anos. Que é quando o bebê já está maior, a fusão emocional já não é a mesma, enfim.
Ainda tem aquelas que acham que o dito cujo acaba quando voltamos a menstruar. Que é o sinal do nosso organismo que estamos pronta para outra fase.

Não sei.
Tem mulheres que não amamentam e voltam a ter ciclos logo, e também aquelas que mesmo amamentando voltam cedo. Eu ainda não voltei. Tem quem ache 2 anos tempo demais – ou de menos. Que dirá 3 meses.

Sei que o puerpério é uma fase bem delicada e deve ser tratada com carinho.
E cada mulher tem o seu tempo de vivê-lo. Um tempo próprio, como em muito da vida.

Pra mim, é o tempo de imersão total, de fusão, de simbiose completa. É o tempo em que olhamos pro espelho procurando encontrar alguma semelhança com aquela que éramos até pouco tempo atrás, e que parece ter ido para não voltar. O tempo de adaptação. De ressignificação. Do reencontro. O tempo em que queremos ficar coladas dia e noite na cria. É um tempo de reconhecimento. Reconhecimento mútuo. Com quem parimos e com quem pariu.

Eu vivi isso na pele desde o dia que a Agnes nasceu, como era de se esperar. E agora, quase um ano depois, acho que esse período está chegando ao fim. Ou pode ser que seja o começo do fim, sei lá.
Em setembro do ano passado, 2 meses depois que ela nasceu, experimentei pela primeira vez a sensação de que “oh, existe vida depois do puerpério!”. Foi quando eu fui me acostumando com a nova intensidade e vislumbrei outras coisas. Até escrevi algo sobre isso. Foi muito bom. Foi ali, aliás, que eu tentei um trabalho em home office, que acabou não rolando, porque realmente era muito cedo, mas valeu o aprendizado.

Essa semana experimentei essa sensação de novo. Sensação de que existe vida pra mim em algum lugar fora da bolha materna. Que eu sei falar de outros assuntos, me interessar por outros casos. Quem diria (rs). E resolvi encarar isso como um sinal de que estamos mesmo chegando numa nova esquina. Que eu quero inventar um projeto, exercitar mais essa mente. Não que eu vá começar a me ausentar da vida da Agnes ou algo do tipo. Na verdade, ainda nem existe algo concreto, só o sentimento. Mas se antes eu nem imaginava outros afazeres, nem conseguia, agora as coisas parecem estar voltando para o seus (novos) lugares. A disponibilidade para outras coisas do meu mundo – que antes era zero – agora está surgindo.

Me sinto bem. E pronta para descobrir e testar alguns jeitos de fazer isso acontecer. De ser uma mãe inteira para minha menina, sem deixar de contemplar outras vontades minhas, que possam (re)aparecer pelo caminho. Porque só assim mesmo é que somos inteiras, né. Não tem como ser uma mãe inteira se estivermos com a sensação de falta em outro lugar. É preciso ouvir o que sentimos e encontrar formas de abraçar essas vontades, de fazer caber nessa vida doida nossa de cada dia. É o que eu vou fazer nesse próximo ano, já decidi. Mas calma, deixa eu curtir meus últimos dias antes do primeiro aniversário. Não preciso da pressa agora, basta-me organizar algumas ideias. Tá muito gostosa essa fase e eu quero mais é aproveitar!

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2 Comentários

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento

2 Respostas para “O começo do fim

  1. Quando eu voltei pra faculdade, eu me senti viva. Por 4 horas no dia eu podia ser a Mariana e não só a mãe do Ravi, eu não deixo de ser a mãe do Ravi, mas essa não é a minha tarefa principal e isso é maravilhoso. Porque quando eu saio ele me deseja boa aula e quando chego ele está sempre me esperando com um abraço, porque construimos essa confiança no primeiro ano e continuamos a construindo todos os dias.
    Aproveita o começo do fim do puerpério e a fase nova virá tranquila e natural para as duas, porque recomeços são ótimos!

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  2. Pingback: O segundo ano como mãe e a vida fora do binômio | Travessia Materna

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