Arquivo do mês: julho 2015

Um lugar especial

Hoje, oficialmente, foi cortado o cordão umbilical que nos ligava a um lugar.
Foi um corte tardio, respeitoso, feito com amor, do jeito que tem que ser.

Imaginem um lugar que foi feito para acolher.
Tem jeito de casa, nome de casa, cheiro de casa.
Janelas amplas, quintal, garagem, sala de estar, cadeiras confortáveis, cozinha, cheiros e sabores maravilhosos vindos dessa mesma cozinha, camas de verdade, ambientes preparados para deixar livre os bebês. Isso porque ainda nem contei sobre as pessoas… ah, as pessoas! Sorriem ao te ver, te chamam pelo nome, conhecem sua filha, te abraçam. Pessoas que sentam em roda para conversar. Que escutam e ensinam.

É claro que eu estou falando da Casa Angela.

A casa de parto onde a Agnes nasceu.
A casa de parto onde eu fiz meu primeiro pré-natal, onde recebi apoio quando precisei, onde me preparei na gestação da Agnes, onde fiquei em paz no trabalho de parto, onde frequentei por mais um ano, acompanhando o crescimento da pequena.

E pensar que a história quase foi diferente. Que eu quase deixei de viver tudo isso.

Quando engravidei da Agnes, no começo, não quis a mesma equipe que estava comigo antes. Não por não ter gostado, mas é como se eu quisesse lembranças novas, energias novas, sabem? Minha obstetra foi outra, minha doula foi outra. Só voltei na Casa Angela com quase 20 semanas de gestação. E mesmo assim ainda tinha dúvidas se teria meu parto lá. Por vezes chegava a ir embora achando que seria no hospital mesmo. Provavelmente era um medo inconsciente de dar errado de novo, não sei. Sei que conversei muito com a Catia (minha GO) sobre isso, e foi ela que me fez ir em frente e optar de vez pela Casa.

Marido e eu fizemos todos os cursos de preparação para o parto que eles oferecem.
Os temas são: “Parto e nascimento – como nasce o bebê?”, onde é explicado a fisiologia do parto; “Caminhando para o parto: trabalho corporal”, em que são faladas das posições, alívios não farmacológicos para dor, etc; “Nasce uma família – uma nova fase – cuidados pós parto”, falando sobre puerpério; “Aleitamento materno – amamentar com paixão”; “Meu bebê chegou, e agora? – Oficina de cuidados com o bebê”.
Sim, super completo. Imaginem esse apoio e essas informações durante o pré natal? Era (É!!) muito bom!
Aí o bebê nasce, você fica lá por 2 dias, para que já saia com o teste do pézinho colhido e tudo mais, comendo uma comida da boa. Tem consulta de pós parto com 15 e com 30 dias. Tudo isso com enfermeiras obstetras e obstetrizes capacitadas. O bebê passa em consulta com o pediatra com 1 semana, nas consultas pós parto também são pesados e medidos.

E então começam os grupos Meu Bebê.
Quase a mesma turma que fez a preparação para o parto uns meses antes, agora com pequenas pessoas. Numa sala com cadeiras e almofadas formando um círculo e, no meio delas, colchões para que os bebês fiquem mais a vontade. Junto com os temas da vez, é feito alguma coisa em artesanato.
Os temas dos grupos são: “Meus primeiros meses”, foi feito uma almofadinha com lavanda para aquecer a barriguinha do bebê (o único que faltei, muito triste); “Meu corpo, Meu mundo”, foi feito um cubo colorido de feltro; “Gosto dos gostos – o prazer em comer”, fizemos um livrinho de receitas; “Explorando o Mundo”, fizemos argolas com fitas; “Primeiros passos”, onde foi feito um boneco waldorf, tipo naninha; e hoje, o último, “Eu quero brincar”, fizemos um painel de feltro, com figuras coloridas.

Gente, fala sério! Não é muito amor?
Os bebês vão crescendo juntos, se desenvolvendo. A gente trocando e aprendendo.
Isso é mês-sim mês-não. Nos meses em que não tinha grupo, era consulta com o pediatra. Nos grupos também medimos e pesamos os babys. E comemos lanchinhos saudáveis, mas tá, parei, senão vocês pensam que só frequentei a Casa pela comida o que não seria uma má ideia.

   

   
Um dia depois do aniversário dela foi a última consulta com o pediatra.
Hoje foi o último dia de grupo.

Ficou o aprendizado, o carinho e a gratidão por existir um lugar tão lindo e acolhedor quanto esse.
Acho mesmo que em todo canto deveria ter uma Casa Angela, para chegar em cada vez mais pessoas.

Para quem quiser conhecer:
Site: http://www.casaangela.org.br/
Facebook: https://www.facebook.com/CasaAngela.PartoHumanizado?fref=tshttps://www.facebook.com/casa.angela.1?fref=ts

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das coisas que não te contam

Algumas vezes eu me sinto muito sozinha.
São tantos pensamentos, tantas questões, tantas dúvidas e anseios.
Sei lá. Não estou falando de uma coisa específica agora, só dessa coisa louca que é maternar mesmo.

Eu já havia lido sobre essa solidão. Não posso dizer que ninguém nunca tenha me contado, ou coisa assim.
Só que eu não sabia que, mesmo tendo companhia, a danada te visita também. Que mesmo tendo um companheiro presente e ativo, mesmo tendo suporte nos afazeres de casa e nos cuidados com a pequena, ela existe.

Por que, hein gente?

É por que romantizaram esse momento, durante toda nossa infância, e a vida real é bem mais “pauleira” do que nos contam? É por que a maternidade te leva prum mundo só seu, de difícil acesso a terceiros? É por que é difícil falar do que se sente sem ganhar muitos pitacos em troca? Ou eu que ainda não achei minha turma?

A verdade é que eu nunca fui de muitos amigos. Mesmo quando tive turmas maiores, mesmo quando tinha uma vida social mais ativa, sempre fui mais reservada. Ou seja, meu jeito não ajuda muito a resolver isso. Às vezes, vejo fotos de outras mães socializando lindamente, em rodas, em encontros, em grupos, slingando, fazendo piquenique… ô coisa linda! Aqui eu frequento os grupos de bebê da Casa Angela a cada 2 meses, mas fora de lá não rola nada, só aquelas 3 horas a cada 2 meses. Saio de lá tão feliz, é tão bom ver os bebês brincando “juntos”, a gente conversando, trocando.

O que me salva muitas vezes é a internet. Sobre me sentir entendida em algumas coisas, compartilhar algumas palavras. Os blogs, o instagram, alguns poucos grupos no face me fazem companhia em algumas tardes ou noites. Mas né, não tem virtual que se compare a um abraço de verdade, um encontro, uma boa e velha vida real acontecendo sem filtro e sem edição.

Essa cidade também não ajuda muito, é verdade. Tudo é longe, tudo é trânsito, tudo é tempo que falta. Mesmo levando uma vida mais leve, a rotina e os afazeres do dia engolem a gente. Cada um em seu canto da cidade, equilibrando tantos pratos, em ritmos diversos, que dificilmente se encontram. É preciso criar datas e eventos no facebook, por exemplo, para reunir alguns queridos. Não tem muita casualidade.

E aí eu vou levando, tentando não olhar muito para isso. Mas a verdade é que a solidão existe.
E vez ou outra ela é grande.
Como lidar?

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12 meses!

Passou o aniversário, passou o festerê, passou aquela nostalgia que tomou conta de mim desde quando ela fez uns 10 meses, rs… e agora eu tenho uma bebê de um ano em casa! Que lindeza!

Eu queria ter tido tempo para levá-la ao parque ou em alguma praça no dia do aniversário, pra ela brincar e curtir, mas a real é que eu não consegui me transformar em duas para dar conta de tudo, então não rolou. Isso porque decidi meio que em cima da hora que a festinha dela seria, na verdade, um bolinho em casa só com os mais chegados, os da família mesmo. Decidi assim porque nunca que se desencantava os preparativos para o piquenique que eu tanto queria. Daí então eu resolvi fazer no salão de festas do meu prédio, só que quando fui reservar, com a máxima antecedência que eles permitem, já estava ocupado. Putz, que triste! Foi aí que resolvi fazer algo bem menor, mais simples e fim. Até para economizar, porque não tá fácil, né. Mas claro que isso não impediu que eu quisesse decorar bonitinho e fazer coisinhas gostosas pra comer. Mais uma vez essa parte não saiu como eu tinha imaginado – no piquenique, por exemplo, o plano era fazer tudo saudável e que ela pudesse comer, caso alguém quisesse dar. Como eu diminuí a lista absurdamente, teria mais “controle”, vamos dizer assim, das mãos nervosas dos adultos e liberei umas gordices delícia pra todo mundo (menos pra ela, rs).
Ficou assim:
para comer:  torta de frango sem leite que eu fiz, salgadinhos fritos (coxinha, quibe recheado com queijo, croquete, bolinha de queijo) e salada de frutas servida na casquinha de sorvete.
para beber: suco de maga, suco de goiaba e cerveja pros adultos.
Além do bolo e dos brigadeiros, claro. O bolo foi nega maluca sem leite, sem manteiga, sem ovo, com recheio de geleia de morango, tudo feito por mim. E até poucas horas antes da festa ia ser naked cake, só com morangos e mirtilos em cima, mas o Cleber e meu pai ficaram tirando sarro, falando que faltava uma cobertura (haha) e minha mãe fez rapidinho um brigadeiro mole e colocou por cima, só um pouco. Eu me esforço, mas é difícil ser toda saudável assim, né gente, hahaha. Enfim. Ficou uma delícia e todos aprovaram. Foram 11 pessoas, contando meus pais (foi na casa deles, que a minha é muito apertada). Exatamente quem estava quando ela nasceu, só os vips, rs. Faltou minha avó e dois tios, mas eles estão em Minas, não deu pra chegar a tempo. Quanto a festa em si, foi bem legal, descontraída, adorei! A Agnes chorou um pouco quando todo mundo chegou, ficou assustada, mas depois relaxou e até curtiu!


     

Passamos o fim de semana no Rio de Janeiro. O plano era ir pra lá e depois para algum outro lugar (sério, não sei porque ainda faço planos, rs), mas o trabalho do marido não permitiu e ficamos só por lá mesmo. Uma amiga nos acolheu e foram ótimos anfitriões, adoramos! Agnes conheceu melhor o mar, mas ficou com medo, tadinha. Molhei os pézinhos dela na água e o coraçãozinho foi a mil, até tremeu. Agarrou forte no Cleber por um bom tempo. No mais, adorou. Brincou muito, curtiu, comeu… Um fim de semana muito delícia.

mais uma desvirtualização. Muito bom ❤


Falando agora do desenvolvimento dela…
Está com 9.550 kg e 74 cm; 8 dentes; cabelo começando a enrolar atrás.
Tem estranhado um pouco algumas pessoas, já faz umas semanas. Às vezes fica só séria, às vezes chora mesmo. No colo da minha mãe ela se joga, mas é só com ela.
Já associa algumas palavras com objetos. Bola, tchau/oi, não… É muito bonitinho de ver como eles vão aprendendo rápido, né. Esses dias o Cleber “filha, pega a bola pro papai” e ela pegou, sendo que antes eles nem estavam mexendo com ela.
Fala mamã (mamãe/mamá), dadá (papai) e teté (até/tchau – com direito a aceno de mão, rs). Acho que tá chamando minha mãe de bó (vó), mas não é sempre ainda.
Já imita algumas coisas que a gente faz.
Tem ficado bem mais tempo em pé sem apoio, mas não arrisca ainda os passos (só porque escrevi hoje ela arriscou uns 2, rs). Geralmente, quando a gente chama, ela abaixa e vem engatinhando mesmo, rs. Mas normal, nunca forçamos nada, nem com palavras.
Entrou numa fase essas semanas ai atrás de só aceitar arroz. Pode ser um prato lindo, colorido, com um cheiro ótimo. Ela só come o arroz. Depois volto pra contar mais sobre a alimentação dela.
Tem dormido bem a noite, graças a Deus. Mas sonecas do dia continuam sendo no colo.

Ai é muita coisa, gente. Essa é uma fase muito deliciosa.
Tô apaixonada pela minha menina, pelo seu crescimento…

sim, ela senta com as perninhas cruzadas. Beijo!

Que venha o segundo ano! \ o /

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Carta do dia: 1 ano!!!

São Paulo, 15 de julho de 2015.

Filha,
hoje faz um ano que você nasceu.
Um ano que você encostou a cabeça no meu peito pela primeira vez e se acalmou imediatamente.
É madrugada enquanto escrevo essas palavras, você está dormindo logo ali no quarto, e eu estou aqui emocionada, pensando no que foi a nossa vida nesse primeiro ano. Sinto que não vou conseguir escrever uma carta cheia de floreios e pormenores, mas não queria deixar de vir agora. Para registrar meus desejos. Que você tenha muita saúde, sempre. Saúde é tudo, filha, e enquanto eu puder eu vou cuidar da sua, até você aprender a cuidar por si mesmo. Alegria pros seus dias também desejo, porque a alegria é a melhor coisa que existe – já te mostrei essa música, né? Que você descubra novas coisas, cores, sabores, pessoas. Que continue se entregando. E aprendendo. E me ensinando. Você é tão feliz, meu bem, é tão gostoso de ver. É tão bom quando você me olha nos olhos. É forte e bonito. Desejo que esses nossos olhares continuem sempre. Assim como nossas danças, banhos, brincadeiras no chão, cavalinhos, comidinhas, companhia. Desejo que eu esteja presente, que eu continue presente. Que eu não atrapalhe suas descobertas. Que eu seja quem eu preciso e quero ser. Para que você seja quem é, por inteira. 

Feliz aniversário, meu amor.
Que o seu segundo ano de vida seja pleno, feliz, saudável e com muita luz.
Vai ser um ano e tanto, você vai ver.

Eu te amo muito.

um beijo estalado,
mamãe.

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1 ano em fotos

Sem textos dessa vez, hoje vamos só de imagens.

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❤ ❤ ❤

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Do que eu não quero esquecer II

– como é delícia quando ela me abraça;
– como ela dorme bem e respira fundo quando eu deito ao seu lado;
– o jeito que ela joga longe o brinquedo quando perde a paciência – do mesmíssimo jeito que eu fazia (a genética, amigos, ela não tem limites);
– dela trazendo algum brinquedo pra mim – seu jeito de pedir pra eu parar o que estiver fazendo e ir brincar com ela;
– nossos banhos;
– todas as mamadas;
– ela sorrindo para todas as selfies que tiramos juntas;
– ela “dançando” com um bracinho pra cima;

só registrando porque eu sei que a memória é falha. e porque eu sei que ainda vai vir tanta coisa que eu não quero esquecer, que essas, tão primeiras, tão singelas, podem passar batido.

o primeiro post com esse título está aqui.

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5 de julho

Eu sei, eu sei. Já passou da meia noite, tecnicamente já é dia 6.
Mas me deixa assim mesmo, enquanto a casa dorme e eu fico aqui relembrando o que já foi, respirando o que é e pensando no porvir.

Há exatamente 1 ano atrás eu estava de 38 semanas, barrigão que pesava quando eu andava muito e sem nenhum sinal da chegada da pequena. Eu só sabia que queria curtir ao máximo meus últimos dias barriguda fazendo coisas que me deixassem bem. A meta era relaxar, curtir e focar na beleza da vida; evitar todo e qualquer stress. Estávamos empenhados nisso.

Me lembro do último ultrassom que fiz, com 36 semanas, e depois fomos comer qualquer coisa no Empório Moema. De quando fomos ao Ibirapuera, bem no dia (e hora) do primeiro jogo do Brasil na Copa. Eu não estava nem aí pra Copa, sinceramente. Me lembro das caminhadas pelo condomínio e pelo bairro. Do último filme no cinema. Das fotos que improvisamos no Villa Lobos.

Eu tinha aquela sensação de que estava fazendo tudo “pela última vez”, alguém experimentou algo assim também? E não vou fugir do clichê, porque realmente a vida foi toda outra depois disso.

Naquele sábado eu quis ir até a Praça do Pôr do Sol, um dos meus lugares preferidos de São Paulo.
Foi muito gostoso. Sentei na grama, respirei fundo, agradeci por tudo que estava vivendo e assisti um belo pôr do sol, claro. O que não aconteceria hoje, já que fez um dos dias mais frios do ano nessa cidade. Mas ano passado eu estava de vestido, toda feliz. Foi um dia especial.

Além da sensação de “última vez”, me lembro que foi naquele dia, às vésperas do parto, que me caiu a baita ficha que nunca mais iríamos ser só marido e eu nos nossos programas. Sabe um medinho estranho do desconhecido? Bem assim. Deu vontade de fazer uma última viagem só nossa, mas óbvio que estava fora de qualquer cogitação. Conversamos sobre esse sentimento e seguimos juntos para os próximos dias que nos esperavam.

Dias de espera e muito amor.

(…)

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5 de julho de 2014. carinhas de bolacha, felizes, com frio na barriga na porta do desconhecido ❤

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