Arquivo do mês: agosto 2015

Carta do dia: passeio da alma

Filha,

algumas coisas nesse mundo não fazem o menor sentido. Este acontecimento é um exemplo.

Hoje faz 5 dias que o vovô Luiz não está mais conosco neste mundo.
Terça-feira passada amanheceu normal demais aqui na nossa casa, seu pai saiu para trabalhar e nós duas ficamos preparando o almoço e brincando. Poucas horas depois tia Mariana chegou aqui em casa trazendo a notícia. Ele se foi.
A vida é um mistério, filha. Não há regras para dizer quem fica e quem vai. Seu avô estava bem de saúde, não tomava nenhum remédio, tinha apenas 50 anos. Mas, como eu li num post esses dias, “o cérebro para de funcionar quando a alma vai dar um passeio”. Quem disse isso foi uma criança, filha. Como eu acredito muito nas verdades que as crianças dizem, estou me apegando nisso. 

Ele era uma pessoa feliz. Em todos esses anos de relacionamento com o seu pai, nunca o vi de mal humor. Era uma pessoa simples, que se realizava em sua profissão e o ouvi dizer há uns meses atrás que nunca era tarde para fazer algo que se gostava, “olha pra mim, por exemplo, descobri meu dom agora, amo dirigir e quero ser motorista”. Ele não chegou a se tornar motorista como tanto queria, mas deixou o ensinamento para cada um de nós que ficamos. É preciso ser feliz nas suas escolhas. Ele era, filha.

Seu pai tem sido forte. Ele é forte, sei que você sabe. Deu todo o amor do mundo para a vovó Edite e pros seus tios, mesmo estando com o coração despedaçado. Virou a noite, dormiu no carro, nem trocou de roupa. Ele estava lá tomando todas as providências e fazendo o possível para se manter de pé diante da realidade. Hoje estamos só nós duas aqui em casa, ele foi dormir lá com a vovó, estar mais perto, dar mais colo. E ganhar também. Não está sendo fácil pra ele, nem pra ninguém. Nós vamos dar muitos abraços nele amanhã, com certeza. 

Eu precisava te escrever esta carta, por mais dolorosa que fosse, filha. Você esteve presente na despedida, e pela sua reação percebemos que você “entendeu” o que se passava. Nós te contamos a verdade, claro, porque é assim que somos uns com os outros, e não seria diferente contigo: por mais difícil e dolorido que seja, enfrentamos tudo juntos, de frente, e assim acabamos ficando mais fortes também. 

Mesmo que não tenha sentido algum, como isso. Mesmo que não entendamos os sentidos do que acontece em nossas vidas, neste mundo. Estamos juntos. E é assim que iremos, sempre. 

Eu te amo muito, minha pequena.

um beijo e um abraço,
mamãe.

2 Comentários

Arquivado em Sem categoria

Sobre a arte de ser mãe e acolher também a criança que eu fui

Uma das coisas mais difíceis na prática da maternidade, na minha opinião, é lidar comigo mesma. É entender que muitas vezes, diante de uma situação rotineira, como um almoço ou a hora da soneca, quando o caldo entorna e as lágrimas surgem, o que eu enxergo (em mim) é a criança que eu fui. E mais, que a minha filha é um espelho que apenas reflete aquilo que vê. E nem todos os dias, em todos os momentos, ela vê beleza e harmonia. Há muita bagunça no mundo, e dentro de mim não é diferente.

Eu não estou aqui para me culpar. Nem para discorrer sobre a formação da psique da minha pequena – se ela vai interiorizar isso de tal ou qual maneira (já faço isso em outros momentos de insanidade, me deixem). Só quero dizer que nem sempre é fácil manter o equilíbrio. O equilíbrio vem do constante movimento, aquela coisa sobre andar de bicicleta, mas e quando bate o cansaço, como prosseguir? Também não quero fazer o discurso da mãe que sofre e coisa e tal, pois este nunca me apeteceu. Talvez eu até pudesse começar esse texto de outro jeito.

Uma das coisas mais difíceis na prática da vida, na minha opinião, é lidar comigo mesma. É entender que, muitas vezes, numa situação rotineira, o que me incomoda é o quanto de mim eu reconheço no outro. Perceber que a minha ação agora é uma resposta a uma atitude que já pereceu tempos atrás. Reagir conforme o passado nem sempre é uma boa ideia. Talvez nunca seja uma boa ideia. Mas quando os sentimentos afloram, raramente conseguimos pensar nisso a tempo.

Na minha relação com a minha filha não é diferente. Muitas vezes eu me vejo nela. Muitas vezes, eu vejo outras pessoas fazendo com ela o mesmo que já fizeram comigo e que me fez tão mal. Não tem como evitar reviver tudo de novo. Dá vontade de brigar, de voltar atrás, de fugir pro mato. Dá vontade de protege-la da dor que eu senti. É surreal, eu sei. E é por saber disso que tento fazer diferente.

Todos os dias eu repito o mantra de que a minha história é minha. Que sim, posso aprender com os erros e os acertos de outras pessoas, mas dificilmente o quadro se repetirá do mesmo jeito, sempre igual. E que bom que é assim. Estou construindo uma história nova, com uma pessoa nova, que vai achar seus próprios jeitos de lidar e interpretar tudo isso. Ou melhor, ela está construindo, não diz muito respeito a mim, em certo nível. Ao invés de querer protegê-la de um passado que ela não viveu, de uma história que ela não faz a mínima ideia que rolou, o que eu preciso fazer é acolher a criança que eu fui. Eu faço isso na minha autoterapia há uns bons anos já, mas tem sido mais efetivo desde que me tornei mãe. É libertador. O espaço que me sobra libertando esses fantasmas é bem grande. E o peso que eu tiro das costinhas da minha filha também não é pequeno.

Porque é isso, né. Se eu não quero projetar nela desejos meus, se não quero que ela atenda incansavelmente todas as minhas expectativas, é no mínimo incoerente projetar meus traumas e desventuras em sua vidinha ainda tão curta. Ela é uma pessoa inteira, nova, começando a formar sua linda e vasta bagagem, pronta para viver um sem número de histórias, incluindo algumas lágrimas e questões porque faz parte do processo. A mim cabe amparar, conduzir enquanto não há toda autonomia, acompanhar, acolher, ensinar e aprender. Projetar não é verbo que cabe nessa relação. Não cabe em nenhuma, mas com criança é ainda mais sério. Meu desejo é que eu saiba colocar a Marina criança no colo quando for necessário, para que a sua parte adulta esteja presente e inteira para ver a filha crescer saudável. Amém.

2 Comentários

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, estive pensando

Meus mantras da alimentação

Agnes está com 1 ano e 1 mês e já passamos por algumas fases no quesito alimentação. O que me faz entender que realmente tudo muda muito rápido, porque faz só 7 meses que ela passou a experimentar novos alimentos, não é mesmo?
No comecinho da introdução alimentar ela não aceitava absolutamente nada pastoso, amassado com o garfo. Cuspia, fazia uma cara de nojo daquelas. Eu cozinhava os alimentos, seguia tabela para não dar nada repetido, carboidrato, legume, raiz, etc, etc etc. Quando ia oferecer, ela ignorava solenemente. Se eu amassasse, rejeição absoluta, se oferecesse inteiro na mão dela, a danadinha jogava longe. Dava vontade de chorar, sinceramente.

A primeira coisa que tratei de ter sempre em mente foi: controle suas expectativas.
De nada adiantaria eu me frustrar, ou criar uma situação desagradável porque ela não aceitou a comida do dia. Colocar as coisas em perspectiva ajuda: até esses dias atrás ela só mamava, não dá para pedir que ela já saiba comer tudinho, de garfo, faca e guardanapo. Muito menos que valorize meus esforços culinários, porque né, ela não faz a mínima ideia dessas coisas ainda, nem que eu demorei 3 horas pensando na combinação do dia. Sem contar que se eu ficasse estressada, ansiosa, não ia rolar nada, só mais e mais stress.

Mas e aí, como faz pra pessoa aprender a comer? Geralmente a gente não aprende uma coisa nova vendo outra pessoa fazer? Não importa se essa outra pessoa é o colega da mesa ao lado ou o professor lá na lousa. Se é só teórico ou de forma prática, como numa aula de dança. Nós aprendemos em relação com o outro. Por isso adoro essa frase: alimentação é relação. Como eu, Marina, me relaciono com a minha alimentação? Como o Cleber se relaciona? Comemos juntos na mesa? Preparamos nosso próprio jantar? Ela nos vê feliz enquanto comemos (principalmente o saudável)? Aqui nós fazemos todas as refeições possíveis juntos. E a comida é sempre preparada por nós também. Vamos juntos na feira, ao supermercado. Tudo isso faz parte do processo, né? Incluir a Agnes nisso foi mais do que natural. Ela tem sua cadeira para nos acompanhar na mesa, e hoje adora ver quando alguém está cozinhando, sempre quer ver o que tem nas panelas e tenta pegar a fumaça (#medo rs). Mostrar e ir conversando quando vamos esquentar ou mesmo preparar o prato da vez já vai deixando ela no clima. Comer do meu prato eu deixo, porque ela come a comida da casa faz tempo já. Fazer bagunça com a comida, pegar, passar no cabelo, então, nem se fala, principalmente no começo.
Claro, aquelas frases que sempre dizem também gosto de praticar. Não forçar a barra. Não distrair. Não enganar. Tudo isso faz parte da relação. Quero ver o prato vazio e me sentir incrível porque ela comeu tudo, ou quero ensinar que é bom comer, gostoso, um momento a mais para estarmos juntos, olha que delícia essa cenoura, comer é importante pra crescer, ficar forte pra brincar? Resposta, as duas anteriores, hahaha. Mas a primeira não deve ser mais importante, no sentido de ser alcançada a qualquer custo. É um processo diário, tem que ter paciência.

Até porque, tem dias que a pessoa não vai aceitar nada. Sim, esses dias existem e a gente quase enlouquece, se bobear. Pelo fato de ainda mamar, não surto tanto, mas dá uma agonia quando ela não aceita nada o dia todo, confesso. Daí é reparar no que de diferente está acontecendo. Dente nascendo, por exemplo, aqui é sinônimo de falta de apetite total – e ela tem 8, ou seja, já ficou muito sem comer. E tem os dias em que ela simplesmente come menos do que de costume. Ou seja, é preciso confiar no bebê. Meu papel é oferecer alimentos saudáveis na hora certa, as quantidades quem determina é ela, sempre. Mesmo na fase em que ela só queria arroz, respeitei. Oferecia sempre outras coisas, óbvio, mas se ela escolhesse só comer uma, tudo bem. Acredito que como ainda não tem o paladar viciado em produtos ultraprocessados, o pedido do corpo é o que ela mais precisa no momento (tento sempre ser razoável e ir dosando, mas em geral o meu pensamento é esse).

E é isso. Procuro ter essas frases sempre em negrito mesmo na minha cabeça. Tem dias mais cansativos, tem dias mais tranquilos, e assim vamos indo. Até que tem dado certo pra nós.
E por aí, como é a hora de comer?

5 Comentários

Arquivado em Agnes, alimentação, vida real

Carta do dia: não deixe de dançar.

Filha,

Tem dias que o ânimo parece se cansar dentro de nós e ficamos meio cinzentos. Dias em que mesmo com sol lá fora, a vontade é de ficar quieta num canto. Pode ser por um problema pessoal, profissional, familiar ou apenas algum outro detalhe que não chegamos a perceber, mas aconteceu e nos sobrou lidar com o que ficou. Seja o que for, escute a mamãe, meu bem: dance. Dance na sala, dance na cozinha, dance na fila do pão. Dance acompanhada, dance abraçada com várias pessoas, dance sozinha. Mas dance. Se puder, feche os olhos. Com música alta ou só na imaginação. Pode até cantar junto. Por uma noite inteira ou apenas alguns segundos. Dance. Pare tudo, ignore o mau humor e apenas dance. Do mesmo jeito que eu, você e seu pai fizemos hoje na cozinha. Não deixe de dançar, principalmente nos dias cinzas. Se quiser, pode até me chamar que eu vou. Dançar cura. 

Com amor,

mamãe.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Balanço anual

Completei mais um volta todinha ao redor do astro rei e eis que chegou o dia do meu aniversário (foi dia 9).
Não sei se é porque essa data coincidiu com a época do fim do meu puerpério, ou por outro motivo qualquer, sei que me sinto entrando numa nova fase a partir de agora. Quer dizer, eu até sei mais ou menos o motivo desse sentimento.
Sabe aquela coisa da gente pensar em como queríamos que fosse a nossa vida? Os planos, as metas, os quereres, tudo? “Quando eu crescer quero fazer isso, isso, e aquilo outro”. Esse é o momento em que vocês concordam comigo para que eu não fique sozinha nessa, ok?! Sigamos. Pois bem, cheguei numa dessas partes.

Não que eu tenha feito um “Plano de Carreira da Vida” (?), ou qualquer coisa parecida com isso, com tudo muito bem definido e pensado. É só que, apesar de eu não conseguir seguir os planos à risca, gosto de fazê-los mesmo assim, pra ter um certo norte (e porque sou teimosa mesmo). Aquela coisa de ter o sonho de casar e ter filhinhos eu sempre tive, nunca escondi, não. E em algum momento se tornou uma espécie de prioridade. Comecemos com o mais importante, não é mesmo? Pra mim, o mais importante era isso, ué. Casei (já vai fazer 4 anos!!), engravidei, pari, estou em processo de criação desta pequena pessoa. E olha, vou dizer uma coisa pra vocês. A sensação de pertencimento que eu sinto exercendo a maternidade é coisa de outro mundo, de outras vidas, só pode.
Em cada um dos dias que eu tive 25 anos, fui integralmente mãe.
Integralmente em relação ao tempo empregado a essa tarefa. Integralmente em relação ao sentimento e a disposição.

É difícil escrever sobre isso, na verdade. Porque, ao mesmo tempo em que estou vindo aqui falar que agora estou encontrando espaço para outras coisas no meu dia, também quero contar que estou ainda mais disposta para aprender coisas novas e proporcionar atividades mil para minha pequena moça que acabou de aprender a caminhar. E sei que nem tem que fazer muito sentido de imediato, mas gosto de registrar assim mesmo. Não é como se o espaço da eu-mãe estivesse dando lugar a outro papel. É como se esse espaço tivesse crescido, para abrigar mais vontades.
O ano que se passou foi forte em aprendizado e me fez entender muita coisa sobre mim mesma. Tipo uma terapia intensa mesmo. E sim, quase endoidei em alguns momentos, mas consegui encerrar alguns assuntos que me eram bem caros. Às vezes nem eu acredito que consegui colocar um ponto final em tantas questões, ainda me pego com alguns vícios de comportamento de uma outra época, mas o fato de “lembrar” que certas coisas já estão resolvidas é bom demais. Talvez tenha sido estas resoluções que abriram espaço para o novo. Não sei, e tudo bem não saber.

Pois sim, voltando ao assunto principal.
Eu achava, não me perguntem o motivo porque desconheço completamente, que aos 25 anos muita coisa já estaria/deveria estar encaminhada e bem feita. E qual foi a minha surpresa dia desses, ao constatar que uau!, não é que eu realmente tinha chegado onde eu tanto queria lá atrás? Essa ficha demorou pra cair, confesso, porque tem vezes que a gente reclama muito do que não tem e esquece de olhar pro que construiu. Mas ela caiu, amigos, e eu fiquei feliz. Fiquei feliz em perceber que tenho meu cantinho, que casei com um cara muito bacana, que a nossa relação é forte, que estamos criando uma filha linda e cheia de personalidade. Muita coisa ainda precisa ser feita, têm muitas arestas para serem aparadas, mas sinceramente olhar para esse cenário me trouxe o que eu me propus a buscar este ano: leveza.

E então chegaram os 26. Uma idade que eu nunca pensei muito a respeito (sempre vamos focando de 5 em 5, porque será?). Eu consegui realizar meu sonho de infância. Esta frase precisa ficar gravada na minha mente, para os dias difíceis, rs. E não é uma conquista que se encerra em si mesma, é uma construção diária, trabalho de formiguinha. Eu sei. Mas daqui pra frente, as águas serão novas e desconhecidas. E me permiti alguns desejos para daqui em diante. Quero escrever mais, porque é a única coisa que eu sei fazer. Quero brincar, porque é exercício pro espírito. Quero ir, porque preciso de movimento. Quero respirar, porque as pausas são fundamentais. Tenho me aventurado na cozinha fazendo doces, tortas, geleias, bolos e está sendo muito legal, então quero manter esse hábito, com certeza. Quanto a travessia? Essa continua, sempre vai continuar. Que venham boas surpresas e memórias. Amém.

2 Comentários

Arquivado em Sem categoria

26 coisas que vocês não sabem sobre mim

Ontem foi o meu aniversário.
Completei 26 anos de idade. Um minuto de silêncio para os pés de galinha que moram nos meus olhos agora.
Comecei a escrever um texto sobre isso – sobre o aniversário, não sobre os pés de galinha, que fique claro. Mas aí resolvi vir fazer essa listinha só pra descontrair, porque hoje é segunda, porque a vida tem que ser mais leve, porque sim.

E como eu escrevo muito sobre maternidade aqui, hoje vai ser diferente.
26 coisas – possivelmente inúteis – que vocês não sabem sobre mim

1- Sou uma formiga apaixonada por doces
2- Adoro dançar, apesar de hoje em dia fazer isso muito pouco
3- Não bebo nada alcoólico, porque não gosto mesmo
4- Já quis fazer faculdade de Oceanografia
5- Tenho delay de resposta. Às vezes a pessoa me pergunta algo e eu demoro pra responder, ou respondo pela metade, porque minha cabeça simplesmente dá uns tilts de vez em quando
6- Falo muito quando estou nervosa
7- Moraria na Livraria da Vila
8- Detesto azeitona
9- Amo viajar – não só estar lá de boas no destino, como o trajeto todo, principalmente quando é de carro
10- Tenho um pouco de medo de avião
11- Na minha sala de aula do pré só tinham 4 alunos – eu era a única menina
12 – Agora que estou aprendendo realmente a cozinhar (antes tarde do que mais tarde)
13- Tenho piadas internas e códigos com várias pessoas
14- Vou muito menos à praia do que gostaria
15- Se eu viajasse na mesma proporção que planejo destinos, seria uma nômade
16- Sou péssima com planos e cronogramas
17- Não consigo seguir nem o cardápio semanal
18- Adoro andar a cavalo
19- Sou zero competitiva
20- Não sei falar inglês
21- O item 20 precisa mudar com urgência
22- Já fui muito brava, hoje sou bem mais tranquila com tudo e com todos
23-  Adoro ficar descalça
24- Tenho medo de altura
25- Quero voltar a fazer yoga
26- Gosto e preciso de um tempo sozinha ou em silêncio para organizar as ideias

Pronto, agora vocês já podem seguir tranquilos na semana.
Beijo, gente! Até a próxima 😉

3 Comentários

Arquivado em acontece comigo, lista, sobre mim

Mais um relato sobre amamentação

Eu não fui amamentada.
Minha mãe tem uma questão bem pessoal em relação a isso, tão pessoal que eu nem sei direito do que se trata. Mas sei que existe e respeito. Sei que devo ter mamado por uns 15 dias, mais ou menos. Também não me lembro de ter grandes referências nesse assunto. Não via tias amamentando, nem vizinhas, nem ninguém. Cresci achando super normal dar mamadeira. Não era uma questão pra mim, pra ser bem sincera. Só há quase 4 anos atrás, quando a minha prima teve neném (beijo, Má!), e o amamentou exclusivo, sem chupeta nem mamadeira nos primeiros meses, foi que acendeu uma luzinha na cabeça “é possível!”. E aqui eu digo: é muito legal e importante ter por perto exemplos de sucesso (sucesso sendo diferente de perfeito e ideal, que fique logo claro).

Quando caí de paraquedas no mundo da blogosfera materna, lia muito sobre aleitamento exclusivo até o sexto mês, amamentação prolongada, recomendações, dicas, relatos. Ou seja, aos poucos, fui entendendo o quanto a amamentação é importante, é necessária, é fundamental de verdade. E mais, o quanto a gente precisa se munir de informação e apoio pra fazer dar certo.

Não sei contar muito sobre como se deu essas minhas leituras e aprendizado. E apenas ia lendo e assimilando tudo que caía no meu colo sobre o assunto. Não fazia a mínima ideia de como seria comigo, tinha medo de não conseguir amamentar exclusivo, de ter que recorrer ao leite artificial, de não ter leite, essas coisa tudo. Sabe do que mais eu tinha receio? De gente pitaqueira. Quem acompanha esse blog a mais tempo deve saber porque já falei disso. Tenho pavor de gente pitaqueira. Quer dizer, tinha, não tenho mais – mas sobre isso eu venho contar em outra ocasião, olha eu querendo desvirtuar o post. Existia sim um receio de outras pessoas quererem dar mamadeira pro meu bebê, de passarem por cima das minha decisões, porque teoricamente saberiam mais sobre bebês do que eu e, como mãe “ingênua” de primeira viagem, eu cairia no papo delas. Isso quando eu ainda era uma desejante (desejante é aquela mulher que quer muito ser mãe, sonha com isso, lê todos os blogs e até tem o seu, mas ainda não está nem tentando engravidar). Quando engravidei as coisas mudaram de figura. Passei a ler ainda mais, ir realmente atrás de informação séria e de qualidade, o que eu precisava saber, o que era mito e o que era verdade. Enfim, passei a buscar mais empoderamento em relação a amamentação. 

Claro que existia um receio de ter problemas e dificuldades, mas a verdade é que não tinha o que fazer, eu teria que esperar para ver como seria essa minha relação com a pequena Agnes. Não dava para adivinhar ou prever nada. Eu comprei absorventes de seio, a Dani me deu uma pomadinha pro caso de fissura e foi isso. Nem almofada de amamentação eu tive. Eu não comprei mamadeira, nem chupetas, nem chuquinhas. A essa altura do campeonato, bem barriguda, eu já tinha declarado que não queria substitutos ao meu seio em casa. Devo ter tratado de fazer todo mundo ficar sabendo que seria melhor não me darem essas coisas de presente, porque também não ganhei. E por que eu não queria? Porque eu acreditei na informação de que para ter leite, é preciso deixar o bebê sugar. Que nossos corpos sabem nutrir e que peito é fábrica, não é depósito de leite (tive amigas que já tinham colostro antes mesmo das 30 semanas, comigo nunca aconteceu, meu peito nem ficou tão grande, só depois que o leite desceu, dias depois de parir). Também não preparei o peito, confiei na informação de que o corpo vai se preparando ao longo da gravidez, não passava sabonete nem óleo no mamilo e era só. Eu teria deixado as peitas de fora pra pegar sol, se tivesse como fazer isso sem escandalizar os vizinhos, mas não rolou.

Daí a pequena nasceu e foi tudo lindo. Tudo lindo em relação a pega. Mas não só lindo. Foi bem intenso. Do nível de me dar umas tonturas e não conseguir nem conversar direito enquanto ela mamava. Só bem aos poucos é que passou a ser mais suave, digamos assim. O que não quer dizer que eu não tenha tido dúvidas. A todo instante perguntava se a pega estava certa, mudava o jeito, tirava e colocava de novo. Até que a gente foi se acertando, se conhecendo e tudo foi ficando mais prático. Quando alguém (oi, pai) dizia que talvez ela estivesse chorando de fome, eu tratava de fechar a cara como só eu sei fazer e afastava essa pessoa de mim naquele momento. Se não acreditavam em mim, dane-se! Eu acreditava e iria fazer dar certo. E deu. Está dando muito certo. Mais de 1 ano se passou e estamos aqui, firmes e fortes no mamá. Agnes “ainda” mama bastante, quando acorda, antes de dormir a qualquer hora, na rua, no ônibus, na missa, aonde quer que seja. Mesmo não tendo planos de desmame para breve, já digo que considero minha experiência ótima. Tão ótima que estou querendo fazer o curso de consultora em aleitamento materno, porque esse é um assunto que eu realmente gosto muito e quero aprender mais.

E se eu puder dar uma dica pra quem vai passar por isso em breve, eu digo:
Invista mais em conhecimento do que em coisas materiais. Informe-se, leia, vá atrás de grupos de apoio virtuais e presenciais, pesquise, me escreva, vamos tomar um suco e conversar mais sobre isso. Procure saber.

Apoio da família é fundamental. Apoio profissional é super necessário. Cerque-se de pessoas que acreditam e confiam em você (começando por você mesma, não se esqueça). Procure um pediatra que apoie a amamentação. Desmistifique todas as dúvidas, pergunte, procure outras opiniões. Entre em grupos de apoio – já disse isso?

Livre demanda total, sempre. Mantenha seu recém nascido plugadinho em você, sugando, sugando, sugando. Mamar é um exercício, é preciso prática para se aprender com afinco. Confie no seu corpo, na natureza, no seu bebê. Não pense na livre demanda como uma coisa ruim. Pense no que a palavra diz: livre. Não se prenda a relógios, nem a regras quadradas. Liberte seus fantasmas.

Ok, nunca consigo dar apenas uma dica. Mas é isso.
Nessa Semana Mundial do Aleitamento Materno, quis fazer um post sobre esse tema tão importante. Ainda ficou faltando coisa, acho, mas volto em outro post para não ficar gigante demais.
Beijo, gente linda. Até mais!

1 comentário

Arquivado em Sem categoria

Eu quero uma casa no campo

Esses dias eu vim aqui contar sobre a solidão que surge em alguns dias nessa travessia.
Falei que aqui nessa cidade tudo é longe. As pessoas ficam envolvidas com suas rotinas e afazeres e é difícil marcar alguma coisa de uma hora pra outra. E não estou reclamando das pessoas, cada um vai se virando como pode, eu sei. Tô reclamando é da dinâmica da cidade mesmo. Acho que estou em crise com São Paulo.

Quando eu era criança e morava em Minas, dizia que um dia viria pra cá. Nem demorou tanto assim, com 11 anos meu pai veio trabalhar aqui e voltamos novamente à terra da garoa. Para ser sincera, adorei. Não sei, mas morar em São Paulo fazia muito sentido na minha cabeça, não dava para ser de outro jeito. Eu gosto daqui. Gosto do que a cidade me oferece. Cultura, shows, livrarias lindas, a Avenida Paulista, que eu simplesmente amo, a Vila Madalena, parques… tem tanto lugar legal aqui. E aí vieram as pessoas. A melhor amiga da escola que até hoje está na minha vida, outros tantos amigos, de tantas épocas, de vários lugares, pessoas que eu admiro, pessoas em quem eu me inspiro, sem contar todas as outras pessoas interessantes que eu nunca nem troquei um oi, mas sei que estão aqui, cruzando comigo na rua, fazendo parte desse cenário doido e intenso. Além do meu marido, que conheci aqui. Além de uma parte da família, que sempre esteve aqui. São Paulo tem tudo, né. Tem escola tradicional e escola alternativa. Tem hospital particular cesarista e tem casa de parto. E tem equipes de parto domiciliar. Tem carro e (agora) tem bicicleta. Tem prédio e tem parque. Até a distância sempre me pareceu algo positivo, porque eu adoro descobrir caminhos novos por aqui (gosto que compartilho com o Cleber, aliás, só ele sabe o quanto já andamos a pé e de ônibus por essa cidade). Por mais que eu nunca tenha almejado um cargo importante numa multinacional (que aqui tem aos montes), por mais que o meu corpo sempre tenha trabalhado num ritmo um pouco menos frenético, eu me sentia bem aqui. Em casa. Talvez porque aqui caiba tantas singularidades. Abrace tantos estilos.

E você que está aí me lendo agora pode pensar que eu sou romântica demais. Que essa cidade é um caos. Que o trânsito é um inferno. Que as pessoas são mal educadas, são egoístas, só pensam em dinheiro. Que a violência está em toda parte, não dá para descuidar. Eu sei. Eu sei que pessoas ruins e egoístas estão em todo lugar, e por morar numa cidade grande, muitas delas estão mesmo aqui. De qualquer forma eu gostava e focava mais no lado bom do que no ruim. Porque é assim que eu olho pro mundo.

Só que alguma coisa mudou.
O estopim pode ter sido o nascimento da Agnes, mas não começou aí. Também não sei quando foi. O fato é que, se antes eu queria vir pra cá e amava voltar depois de cada uma das férias, pelo tamanho e o tanto de possibilidades que eu tinha aqui, de repente eu queria ir para um lugar onde tivesse menos. Menos barulho, menos pessoas, menos interferência. Talvez eu tenha mudado. Não tem me apetecido mais essa distância. Para levar minha filha para pisar numa simples grama eu preciso arrumar uma mochila com roupa de outra estação, pegar o carro ou transporte público, talvez enfrentar lentidão, ficar lá pouco tempo pra voltar antes da hora de pico. Dela e da cidade. Desanima todo esse ritual e preparação todo dia. Óbvio que eu podia pensar diferente se eu morasse ao lado do Villa Lobos, só descer o elevador e pronto. Ou numa casa com quintal legal. Não é a minha realidade. Eu não tenho nem uma pracinha perto de casa, que dirá um parque. Moro em condomínio, mas a área social é uma vergonha de tão pequena. Não tem nem balanço. Sério, como uma criança cresce sem balanço? Fora que a ideia de me contentar em viver dentro dos limites do portão do prédio passa muito longe do meu conceito de liberdade. Que é a palavra chave para uma infância mais plena e feliz. E é aqui que eu paro. Antes, quando tudo era só belezas na minha visão, eu não tinha uma pessoinha em casa. Os planos da chegada dela ainda eram distantes. Comecei a mudar de opinião quando percebi que a cidade não é amigável com as crianças. Tem quem tente, tem que arrume um jeito, quem crie suas vilas e redes de compartilhamento, mas não é tão comum.

Quando eu comecei a estudar sobre o parto humanizado, caí também nas questões da infância e tudo mais sobre esse universo. Juntando isso com a infância que eu tive, que foi das melhores que se pode imaginar em termos de liberdade, brincar na rua, contato com a natureza, etc – e que eu sempre desejei para os meus filhos também – a ficha foi caindo que não ia rolar bonito aqui em São Paulo. E realmente não está rolando. Por isso eu tô em crise. Sou hippie, quero comer orgânico, quero liberdade, quero árvore, quero segurança e tranquilidade na rua, quero muita coisa que aqui não tá tendo, não. Não pra todo mundo que quer. Muita gente tem pegado o caminho contrário e ido para outras cidades. Nossa, muita gente que eu acompanho tem feito isso nos últimos tempos. Tô doida pra fazer isso também. Mas ainda não dá, não é a nossa hora. Não temos planos concretos de nada, na verdade, só vontade.

O que eu sei é que não dá pra continuar como está. Vou começar um projeto sobre os lugares legais (que não são meus vizinhos, nem de bairro) que tem aqui na cidade para levar as crianças. Projeto é só uma forma bonita de dizer que vou me obrigar a enfrentar o lado ruim e ficar firme na proposta. Com o único objetivo de me fazer continuar gostando daqui um pouquinho. E não entrar em depressão com as coisas ruins. E me dar força para continuar até achar um lugar melhor para morar. E oferecer, por enquanto, pelo menos uma vez por semana, um pouco mais de qualidade de vida para minha pequena. Ou eu vou ter motivos para sair daqui de vez, ou vou conseguir encontrar um jeito de ressignificar minha relação com a cidade. Só sei que do jeito que está não quero continuar.

8 Comentários

Arquivado em acontece comigo, ajustando a vida