Meus mantras da alimentação

Agnes está com 1 ano e 1 mês e já passamos por algumas fases no quesito alimentação. O que me faz entender que realmente tudo muda muito rápido, porque faz só 7 meses que ela passou a experimentar novos alimentos, não é mesmo?
No comecinho da introdução alimentar ela não aceitava absolutamente nada pastoso, amassado com o garfo. Cuspia, fazia uma cara de nojo daquelas. Eu cozinhava os alimentos, seguia tabela para não dar nada repetido, carboidrato, legume, raiz, etc, etc etc. Quando ia oferecer, ela ignorava solenemente. Se eu amassasse, rejeição absoluta, se oferecesse inteiro na mão dela, a danadinha jogava longe. Dava vontade de chorar, sinceramente.

A primeira coisa que tratei de ter sempre em mente foi: controle suas expectativas.
De nada adiantaria eu me frustrar, ou criar uma situação desagradável porque ela não aceitou a comida do dia. Colocar as coisas em perspectiva ajuda: até esses dias atrás ela só mamava, não dá para pedir que ela já saiba comer tudinho, de garfo, faca e guardanapo. Muito menos que valorize meus esforços culinários, porque né, ela não faz a mínima ideia dessas coisas ainda, nem que eu demorei 3 horas pensando na combinação do dia. Sem contar que se eu ficasse estressada, ansiosa, não ia rolar nada, só mais e mais stress.

Mas e aí, como faz pra pessoa aprender a comer? Geralmente a gente não aprende uma coisa nova vendo outra pessoa fazer? Não importa se essa outra pessoa é o colega da mesa ao lado ou o professor lá na lousa. Se é só teórico ou de forma prática, como numa aula de dança. Nós aprendemos em relação com o outro. Por isso adoro essa frase: alimentação é relação. Como eu, Marina, me relaciono com a minha alimentação? Como o Cleber se relaciona? Comemos juntos na mesa? Preparamos nosso próprio jantar? Ela nos vê feliz enquanto comemos (principalmente o saudável)? Aqui nós fazemos todas as refeições possíveis juntos. E a comida é sempre preparada por nós também. Vamos juntos na feira, ao supermercado. Tudo isso faz parte do processo, né? Incluir a Agnes nisso foi mais do que natural. Ela tem sua cadeira para nos acompanhar na mesa, e hoje adora ver quando alguém está cozinhando, sempre quer ver o que tem nas panelas e tenta pegar a fumaça (#medo rs). Mostrar e ir conversando quando vamos esquentar ou mesmo preparar o prato da vez já vai deixando ela no clima. Comer do meu prato eu deixo, porque ela come a comida da casa faz tempo já. Fazer bagunça com a comida, pegar, passar no cabelo, então, nem se fala, principalmente no começo.
Claro, aquelas frases que sempre dizem também gosto de praticar. Não forçar a barra. Não distrair. Não enganar. Tudo isso faz parte da relação. Quero ver o prato vazio e me sentir incrível porque ela comeu tudo, ou quero ensinar que é bom comer, gostoso, um momento a mais para estarmos juntos, olha que delícia essa cenoura, comer é importante pra crescer, ficar forte pra brincar? Resposta, as duas anteriores, hahaha. Mas a primeira não deve ser mais importante, no sentido de ser alcançada a qualquer custo. É um processo diário, tem que ter paciência.

Até porque, tem dias que a pessoa não vai aceitar nada. Sim, esses dias existem e a gente quase enlouquece, se bobear. Pelo fato de ainda mamar, não surto tanto, mas dá uma agonia quando ela não aceita nada o dia todo, confesso. Daí é reparar no que de diferente está acontecendo. Dente nascendo, por exemplo, aqui é sinônimo de falta de apetite total – e ela tem 8, ou seja, já ficou muito sem comer. E tem os dias em que ela simplesmente come menos do que de costume. Ou seja, é preciso confiar no bebê. Meu papel é oferecer alimentos saudáveis na hora certa, as quantidades quem determina é ela, sempre. Mesmo na fase em que ela só queria arroz, respeitei. Oferecia sempre outras coisas, óbvio, mas se ela escolhesse só comer uma, tudo bem. Acredito que como ainda não tem o paladar viciado em produtos ultraprocessados, o pedido do corpo é o que ela mais precisa no momento (tento sempre ser razoável e ir dosando, mas em geral o meu pensamento é esse).

E é isso. Procuro ter essas frases sempre em negrito mesmo na minha cabeça. Tem dias mais cansativos, tem dias mais tranquilos, e assim vamos indo. Até que tem dado certo pra nós.
E por aí, como é a hora de comer?

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5 Comentários

Arquivado em Agnes, alimentação, vida real

5 Respostas para “Meus mantras da alimentação

  1. Eu tinha uma tabelinha que imprimi do Maternidade Colorida, com os alimentos que faziam uma papinha saudável. eu pensava no cardápio da semana todinha e salvo um dia ou outro o prato voltava intacto pra cozinha. Era bem frustrante.
    Eu nem sei como foi que passei do bebê que fazia ânsia a tudo na introdução alimentar a draguinha que tenho em casa hoje, meu cérebro apagou a fase de transição.
    Ravi come tudo, limpa o prato e pede mais, mas como a vida real é dura tem dia que ele não come absolutamente nada!!! Nem fruta, nem comida, nem nada…é peito, peito e peito…nesses dias eu piro, viu? Mas passa…sempre passa.

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    • Eu também tinha um cardápio que ganhei na Casa Angela, todo trabalhado no equilíbrio e tudo mais, mas né, não funcionou aqui pra nós, hauhsaushaus.
      Agora, com 13 meses, ela está começando a comer mais comida, em quantidade. Até admiro as vezes, ainda não acostumei com essa novidade, haha. Mas como diria meu marido: cada dia é um novo dia, ou seja, nada está definido, rs.

      Beijo, Mari!! 😀

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  2. Acho lindo que até para falar de algo que poderia ser mecânico e rotineiro como alimentação você coloca poesia e energia ❤
    Também acho demais que alimentação é relação. Se alimentar é sempre muito mais do que apenas sustentar o corpo e as nossas necessidades físicas, né? A comida tá sempre relacionada com tanta coisa que é bom aprender desde cedo a se relacionar saudavelmente com isso!

    Beijos pra vocês duas!

    (Mais uma vez, obrigada pelo comentário tão doce lá no meu blog! Clara (e/ou Benjamin) terão uma mãe meio doidinha, mas que vai amá-los demais, hihi)

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  3. Oi Marina, oi Agnes!
    Eu conheci vocês somente domingo, num post que a Analu fez no blogue dela e de lá pra cá, li o blogue de vocês todinho.
    Adorei a maneira poética e terna com que você conta as coisas, mesmo as mais difíceis e dolorosas.
    Sempre tive em mim esse desejo de exercer essa “profissão mãe”, sabe? Desde pequena. Não é atoa que quando conheci o meu marido, aquele que tinha os planos encaixadinhos nos meus, eu sabia que não demoraria a me casar e assim foi. Janeiro de 2011 começamos a namorar, dezembro ficamos noivos, julho de 2013 nos casamos.
    E é engraçado porque parece que depois do casamento esse desejo de ser mãe alcançou proporções enormes e é só nisso que eu penso, mas sei que ainda não é a hora. Temos profissões instáveis, acabei de me formar e logo que tudo entrar um pouco nos eixos, vamos tentar.
    Tenho só 24, mas meu tempo corre mais rápido por causa da endometriose e por isso, todos os dias, peço à Deus que me abençoe.

    Desculpa esse comentário enorme, mas é que li tudo e só agora consegui respirar e escrever algo pra você.
    Que nunca falte essa poesia nas suas palavras, porque é contagiante, estou bem melhor depois da minha estadia aqui. Obrigada!

    Beijo enorme. ♥

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  4. Pingback: Agnes e a comida | Travessia Materna

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