Carta do dia: o tudo que eu não quero

São Paulo, 13 de setembro de 2015.

Filha,
hoje acordei pensando na época que vivemos quando você nasceu.

Me levantei da cama às 6:30 da manhã para irmos à missa. Com o movimento e minha voz pelo quarto, você acordou e, percebendo que eu já estava de pé, veio até mim, pediu colo, virou pro seu pai e deu um tchauzinho. Você já acorda pronta pro mundo, diferente de mim, que demoro uns minutos para me situar no universo. É lindo de ver a sua disposição e o seu sorriso logo ao abrir os olhos.
Me lembrei de quando você tinha 1 mês e pouco, por aí. Foi quando você já conhecia um pouco o ritmo da casa, agora do lado de fora da barriga, e ficava mais segura para dormir por mais horas, sempre encostada em mim, sentindo meu cheiro. Acho que nunca me senti tão poderosa quanto nesses momentos. O poder de acalmar seu medo, aquietar o seu choro e te fazer dormir apenas por estar perto de mim, num vínculo só nosso, mesmo que tivessem outros olhos a nos vigiar. Até hoje é um pouco assim, aliás. Só que hoje você tem ainda mais segurança para se afastar de mim, me perder de vista, ir além de onde possa me ver. Você vai, explora, conhece, e sempre volta pro colo e pede um abraço ou um mamá. Como uma confirmação que ainda somos nós, que ainda estou aqui para você.
Sim, meu amor. Sempre estarei aqui para você. Para o que der e vier.
Sabe, filha. O tempo passa rápido. Toda mulher ouve isso quando está prestes a ter um bebê. “Aproveita, porque passa rápido. Quando você piscar, já vai estar correndo por aí”. E sim, é verdade.
O mundo anda apressado. A vida lá fora sempre é mais urgente do que questões internas. Passamos por cima de limites físicos, esticamos prazos, inventamos novos padrões para conseguir dar conta de tudo. Tudo. Uma palavra tão ampla, que abriga tanta coisa. Chega a ser vaga. Precisamos ter cuidado, filha. Não há razões para darmos conta desse tudo. Muito menos ao mesmo tempo. No que diz respeito ao cuidado com os bebês, já invetaram muitas coisas para nos fazer “dar conta”. Muita coisa que nos afasta das nossas pequenas pessoas. Na verdade, bastaria que ficássemos com elas no colo, vivendo um momento de cada vez e já estaria tudo bem. Exatamente porque é tudo muito rápido. Não vê você,, tem pouco mais de 1 ano e já mudou tanto em algumas coisas.
Sabe o que eu acredito, de verdade? Que os bebês e as crianças é que deveriam nos ensinar a gerir o nosso tempo, não o contrário. Eu vivi intensamente o seu tempo quando nascemos. Agora estou tendo que equilibrar outros pratos, mas ainda tenho conseguido não apressar seus passos recém conquistados. Quero aprender contigo a ir num novo tempo. Vocês é que sabem – e querem nos mostrar, todo dia – o que realmente importa na vida. Quem tem olhos para ver, que veja. É o que eu desejo e quero. Obrigada por me ensinar. 

com amor,
mamãe.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Carta do dia: o tudo que eu não quero

  1. Leio sempre suas publicações e sempre me identifico. Adoro a forma como escreve as questões simples e belas da vida. Ainda não sou mãe e estou esperando a natureza e a vontade de Deus se cumprirem. Mas Qdo vc escrever um livro eu quero uma dedicatória especial. Cintia Fonseca

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    • Cintia, sua linda! Muito muito obrigada pelo comentário, que bom que você veio!!
      Tô ensaiando ter coragem para escrever um livro mesmo, que bom saber que já terei uma leitora \ o / uhuulll!! hahah
      Se Deus quiser, logo você terá um pequeno baby também, pode confiar 🙂

      beijo nosso!!

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