Sobre o tempo e seus milagres

“Recém nascido é muito bom! Muito gostosa essa fase, que saudade

A frase acima foi proferida por mim e pelo meu marido exatamente ontem de manhã, enquanto conversávamos com uma amiga que está grávida.

Fiquei tão atônita quando caiu minha ficha pelo que tinha dito que tive que vir aqui escrever. Contar que o tempo opera milagres, se soubermos esperar. E se não soubermos também, porque não podemos fazer nada em relação a isso, só mesmo aguardar que ele chegue e faça o seu trabalho.

Por que estou falando isso?
Pelo simples motivo de que o meu pós parto foi pesado. Meus ombros doíam, literalmente. Eu achava que era por dormir mal ou posições erradas na hora de amamentar, mas na verdade era o peso que eu insistia em carregar que me doía o corpo todo. A Agnes era mesmo uma delicinha de bebê, claro. Mas o peso do turbilhão de hormônios e sentimentos que tomaram conta de mim me fizeram achar, na época, que aquilo não estava sendo tão legal. Que bem podia ser de outro jeito, que algo estava fora do lugar. Sim, estava mesmo fora do lugar. Não dá pra parir um bebê e sair imune disso. Nem só do parto estou falando, mas do todo. É novidade em todos os níveis possíveis. Tem gente que passa por isso de forma mais leve e serena. Pra mim foi intenso. E de tão intenso cheguei a achar que estava ruim. E cheguei a achar que por mais que o tempo passasse, eu ainda me lembraria do incômodo que sentia.

Aí sim, fomos surpreendidos novamente.

Agora é a hora que eu digo, tão espantada quanto poderia estar, que aconteceu. Eu não me lembro mais exatamente das chatices que senti no puerpério. Não de imediato. Eu sei que foi tenso, que foi custoso, que precisei lidar com uma catarse doida que eu achei que fosse me acompanhar até daqui umas duas vidas. Mas passou. Oi? Alguém me belisca pra eu ter certeza? PASSOU!!! A ficha caiu completamente hoje, nessa conversa com minha amiga. Marido e eu falando que era uma fase gostosa, que era muito bom etc e tal. Aura de nostalgia no ar. Só lembrança boa.

Como boa amiga que sou, não romantizei tudo. Falei que é intenso, sim, que o primeiro mês é o mais punk, de adaptação de todo mundo, só que também tem sua beleza e sua alegria.

Estaria mentindo se dissesse que já esperava por isso. Como disse, meio que me acostumei a sentir aquilo, a viver assim. Depois que o puerpério passou ficou tudo mais suave, claro. Só não pensei que chegaria o dia em que eu só me lembraria da parte boa. Do cheirinho de rn, de como é gostoso aquele pacotinho no colo, dos barulhinhos, de ficar com ela no colo o dia todo, de boas no sofá, amamentando de um lado e comendo do outro. Era muito legal, gente!
Mesmo estando aqui hoje, com essa sensação boa, não me arrependo de como foi, não sou dessas. Senti tudo que me cabia, tudo que veio, o combo completo. Agora estamos em outra fase, que também abraço inteira. E assim será sempre, se depender de mim.

Contudo, não deixo de agradecer ao Sr. Tempo, de novo e sempre, por me ensinar que ele sempre está a nosso favor e sempre fará o seu trabalho. Só é preciso lembrar que ele só trabalha em silêncio, e não na nossa pressa. Ele está sempre no horário. Ainda bem.

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5 Comentários

Arquivado em acontece comigo, tempo

5 Respostas para “Sobre o tempo e seus milagres

  1. hahaha Eu confesso que li achando qvc,como a Romana ia anunciar o segundinho! Já tava me sentindo fora do clube! hahaha
    Sabe que eu sou assim tb? Meu puerpério não foi tão foda,eu passei ok por ele, e sinto A MAIOR falta de RN.FAlei isso pro marido outro dia, enquanto comentava da Romana e meu, percebi que aqueles 6 primeiros meses caóticos de vida com RN passam MUITO rapido! rsrsrs
    Ai…..um dia o segundex vem! rsrs
    bjs

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    • hahahahah depois que eu postei que fui pensar, putz, acho que vão pensar outra coisa, kkkkkkk.
      Gente, RN é tudo de bom!! Não que nessa idade seja ruim, é delicinha também, mas recém nascido é demais mesmo, tb tô sentindo falta. E sim, o tempo VOA nessa época.
      Vamo tudo engravidar de novo pra não deixar a Naruna sozinha no barco, kkkkkkkkkkkkkkkkkk. :p

      Beijo, Carol!! Adorei que seus posts voltaram, haha

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      • KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK VEM, GENTE!
        Mas eu acho que a vibe é que ressignificamos aquela altura, sabem? Eu tenho plena consciência que o bagulho é louco (e vai ser ainda mais louca já tendo uma outra criança em casa), mas a vontade de mergulhar de cabeça na coisa foi maior. Mesmo que uma pessoa não tenha vontade de ter filho tão cedo, acho que ela, com a distância, consegue enxergar o que foi aquela fase de fato. É dureza, mas acho que é bem necessária também, o autêntico rito de passagem.

        Beijos, meninas! Ainda hoje to rindo de vocês duas aqui! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Nossa, Má! Parece que me descreveu… tbm me senti muito assim no puerpério e agora: puf! Passou! Já consigo sentir saudades! que loucura! rsrsrs

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  3. Ai, eu estava MORRENDO de saudades de um bebezinho.
    Mas visitei uma amiga com uma bebezuca de menos de 30 dias.
    Aí minha vontade passou. rs

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