Dorme bem, meu bem

Uma das coisas que mais gosto na prática diária da maternidade é fazer minha filha dormir.
Dar mamá, embalar, dançar, cantar… Olhar seus olhinhos, que também me olham. E de repente eles vão ficando longe, indo pra outro lugar e depois se fechando, entregando-se ao sono e relaxando o corpinho no meu colo.

Não raro sou invadida por um sentimento muito bom quando estamos assim, nesse processo. Uma espécie de plenitude. Mesmo nos dias mais bagunçados, não importa. Ajudá-la a pegar no sono é uma das melhores coisas pra mim, sempre gostei.

Já teve vezes dela, de noite, ir pro cantinho dela no colchão e ficar lá até dormir, sozinha. Acho que aconteceu uma ou duas vezes. Geralmente ela mama e depois, já dormindo, vira pro seu lado da cama. Esses dias ela mamava, daí ia e deitava mais longe de mim. Depois voltava, mamava mais, e assim por diante. Me peguei pensando que logo ela vai aprender a dormir sozinha. O que vejo é um movimento primitivo desse processo na cabecinha dela. Pode demorar anos ainda, eu sei. Mas vai acontecer.

A infância é muito curta. E também por isso muito rara. Logo a gente pisca e o tempo já passou, e eles já cresceram, e já têm seus próprios compromissos e a roda viva gira e estamos num outro patamar de relação. Pode até soar piegas, que seja. É assim que eu sinto. Até por isso não tenho metodologia nenhuma para ensiná-la a dormir. Temos nosso ritmo diário que nos leva, naturalmente, à hora do sono, tanto de dia quanto de noite. Pode ser que ela adormeça no colo e fique nele durante toda a soneca. Adoro, aliás, sempre tiro esse tempo para ler alguma coisa, escrever. Um momento só meu, e também atendendo uma necessidade dela, uma delícia. Pode ser que só vá dormir de noite quando eu e o pai dela também formos nos deitar. Tudo depende de como foi o dia, de como ela está. Mas ela já sabe dos pequenos rituais. Trocar a fralda, colocar o pijama e escovar os dentes significa que está na hora de relaxar. Talvez o papai leia uma história, talvez mamãe coloque música. De qualquer forma, a hora de dormir se aproxima. Bom, pensando bem, talvez essa seja a metodologia. Que não é rígida, nem sempre igual. Só o que fica é o acolhimento, o colo, o mamá, as palavras. Uma forma de ensinar mais ampla.

Quanto a mim, vou é tratar de aproveitar cada segundinho dela no meu colo enquanto pega no sono. Teremos novos laços, mas esse vai passar. E vai deixar saudade.

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Arquivado em Agnes, coisa linda

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