Arquivo do mês: janeiro 2016

Do que aprendo com a minha filha

Uma viagem serve para muitas coisas, inclusive pra gente observar ainda mais de perto o comportamento das pessoas. Com alguma sorte a gente aprende também.

Durante o trajeto de carro que fizemos de São Paulo até Sergipe (e depois de Sergipe a Minas, e de lá pra Sampa novamente), muitas vezes a Agnes ficava estressada e começava a chorar. Era calor demais, muito tempo sentada, muito tempo na mesma posição, confinada dentro de um espaço muito pequeno e com pouquíssimas possibilidades de se mexer e se entreter. Super normal ela se zangar, nem a gente aguentava tudo sorrindo e achando lindo, não há motivos para cobrar isso dela.

Quando parávamos o carro, algo mágico acontecia. Qualquer choro ou reclamação que ela pudesse estar demonstrando cessava imediatamente. Adorava sair do carro e queria logo ir pro chão esticar as pernas, leia-se: correr por todo lado, explorar o lugar, andar de um lado pro outro como se não houvesse amanhã. Ela sorria, andava, corria, conversava, brincava com a gente, mexia com as pessoas, tentava pegar tudo ao seu alcance. Muitas vezes a gente queria entrar e comer logo alguma coisa, mas sempre ficávamos mais um pouquinho lá fora pra ela curtir, ou então nos revezávamos nos cuidados. Os lanches dela acabavam sendo melhor aproveitados nos carro mesmo, porque lá fora o negócio era andar.

Era lindo de ver. Uma entrega, um desprendimento. Ela realmente estava vivendo o presente, como sabe fazer tão bem.

Do outro lado, não era raro acontecer de nós, adultos, descermos do carro e emendarmos uma conversa (ou um comentário solto que fosse) sobre como estávamos cansados, ou sobre como o trânsito estava ruim, ou sobre o quanto já estaríamos adiantados se não fosse aquele trecho lá atrás, onde aconteceu isso, isso e mais aquilo outro. A gente não se desligava.

Por sorte – e eu digo sorte porque não sei que outra palavra usar – percebi isso em tempo e reprogramei minha mente. Consegui curtir a viagem em sua totalidade, aproveitando todos os momentos realmente em tempo real, enquanto eu estava ali. Não me foquei no que deixei pra trás, nem nos problemas, nem no que ainda estava por vir, nem na chegada aos nossos destinos. Não pensei muito nem nas pessoas que nos esperavam, pra ser sincera – só mesmo o suficiente para mandar notícias de vez em quando, claro. Posso dizer que foi uma experiência ótima, que me trouxe uma sensação total de leveza. Leveza no sentido de não carregar os pesos que já tinham passado, de não prolongar o stress de 2 horas atrás, de não tentar prever a próxima parada. Apenas viver o presente, com o que quer que ele me traga.

Consegui. Estou tentando me manter assim ainda, mesmo já tendo retornado há dias. Parecia mais fácil lá na estrada, não sei porque. Aqui eu preciso “me lembrar” mais de ser assim, lá foi algo natural. Talvez aqui eu tenha mais distrações, não sei. Mas fica a pergunta: por que é tão difícil viver o presente? Por que a gente se prende ao que aconteceu lá atrás, ou sofre por antecipação por algo que ainda nem chegou, e se esquece de apenas olhar realmente para o que estamos vivendo agora? Quando é que a gente perde essa essência de só sair correndo quando podemos, ao invés de lamentar pelo tempo que ficamos sentados?

Observar minha pequena moça nessa viagem foi um aprendizado e tanto. Que bom tê-la por perto, para me fazer lembrar do que realmente importa, seja onde for.

 

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1 ano e meio! 

Ontem completamos 1 ano e meio de vida, não é lindo? 

Agnes está bem sapeca e ativa, não para quieta quase nunca. Tem uma curiosidade nata por tudo e por todos. É tímida no começo, quando chega num lugar novo ou quando vê alguém que não convive muito. Só aos poucos vai se soltando pra “conversar” e explorando o lugar. Quando alguém mexe com ela (na rua, no elevador, etc), sabe o que ela faz? Ou me belisca ou puxa meu cabelo. Não faço ideia do que uma coisa tem a ver com a outra, é como se ela não soubesse o que fazer e, na dúvida, sobra pra mim. 😒

Por falar em coisas que eu espero que passem logo, chegou a fase de deitar no chão quando contrariada. Céus! Parece uma mini adolescente, indignada com a vida e com o mundo injusto. E haja paciência e paz de espírito para lidar né. Em alguns momentos, quando ela está brava, eu falo “filha, respira fundo, fica calma”, e respiro fundo pra ela ver. Agora ela aprendeu e quando eu falo, ela franze o nariz e puxa o ar com mais força, hahahaha. Coisa mais FOFA! Outras vezes eu sento no chão e fico esperando/tentando mudar o foco/ou o que der na hora.  E assim vamos indo, um dia de cada vez. 

Não sei se é porque convive pouco com outras crianças, se é dela, se é fase, alinhamento planetário ou coisa que o valha, mas algumas vezes ela belisca ou puxa o cabelo de outras crianças, geralmente quando vai ficando cansada ou se a pessoinha em questão estiver pegando demais nela. Como aprendeu se nunca viu ninguém fazendo, só Deus sabe. O que eu sei é que preciso estar sempre de olho pra ela não sair beliscando todo mundo. Alguém na mesma fase? Alguém pra dizer que passa ou se é melhor colocar numa aula de karate pra canalizar essa energia? São questões 😛 

Por outro lado, também está super carinhosa. Aprendeu a dar beijo na nossa bochecha (antes ela só jogava de longe) e tem achado isso incrível. Abraça, faz carinho, até “penteia” meu cabelo. Nina as bonecas, anda agarrada, leva no carrinho.

Gosta que a gente sente junto com ela pra brincar em casa. Lá fora, o negócio dela é andar, correr, explorar. Até vai num balanço ou coisa assim, mas se puder ficar livre leve e solta, melhor. Brincadeiras com água também são sucesso. 

Está comendo bem, pero no mucho. Tem ignorado solenemente os legumes no prato (e eu continuo colocando todo dia, sim senhora). Come melhor quando ela mesma conduz; eu auxilio, mas ela quer autonomia. Continua apaixonada por arroz e feijão. E ovo! As vezes até pede “ovô!! Ovô!!”. Frutas continuam bem aceitas, amém! 

Tanta coisa… 

To adorando essa fase, muito gostoso de acompanhar uma pessoa se desenvolver. Mesmo sendo cansativo, também é muito bonito. 

e adora tirar selfie! ❤️

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Sobre autonomia e o que escolhemos ver

Então que hoje a Agnes tomou suco no copo, sozinha. Sem derramar. Fiquei toda boba, como sempre fico com essas pequenas conquistas dela. 1 ano e meio e já bebendo sozinha no copo, vê se eu aguento uma fofura dessas!!


Ela está numa fase de conquista pela autonomia total. Quer comer sozinha – com a mão ou com a colher, que ainda não consegue 100%, mas continua tentando. Quer beber no copo – que muitas vezes ela vira na roupa e no chão (ou na cabeça) depois do primeiro gole. Calçar meus sapatos e vestir minhas roupas, tudo sozinha.

E eu deixo, sabe.

Assim como eu tenho deixado riscar as paredes com giz de cera.

Queria era deixar mais coisas, na verdade. Mas pela falta de espaço ou condições, vamos no que dá, por enquanto.

Porque a vida é muita curta para não colorir as paredes brancas.Ou para derramar água no chão, ou para ficar sem fralda em dias quentes, sem pensar em desfralde ou coisas assim, só mesmo para ficar mais leve.

Sei lá. A gente pode focar nossa visão em tudo o que não podemos fazer. Ou em todas as possibilidades que temos. E sim, tem uma lista considerável de coisas que a pequena “não pode” fazer. Mas é tão mais legal voltar o olhar para tudo que podemos explorar juntas. Mão na terra, pés na água, bagunça, lambança, tudo que puder proporcionar mais liberdade. Inclusive subir e descer degraus e outras coisas que torcem o nariz e fazem cara de espanto quando percebem que a gente não só deixa, como incentiva e confia. Ficamos perto, orietamos, mostramos o jeito seguro. Mas deixamos que ela tente, que ela arrisque, que ela encontre seu próprio jeito.

Seguindo o exemplo de descer degraus, geralmente ela senta e aí desce. Ou se é mais baixo, procura algo pra se apoiar, seja uma parede ou a nossa mão. Quem não convive com a gente, quando a vê chegar perto de um desnível, já vai bradando “olha a queda! não vai! vai cair!”. Ela se assusta e aí é que pode despencar. Teve uma queda assim lá na roça, em Minas, que poderia muito bem ter sido evitada se a pessoa em questão não tivesse gritado e se assutado. Geralmente a gente explica que reagir assim só faz com que ela se assuste, reforça o lado ruim que pode vir a acontecer, e não o lado positivo dela estar conseguindo fazer algo por si mesma.

Muitas vezes a gente quer a praticidade pra nossa vida adulta. E aí, pensando apenas em conseguir realizar as nossas atividades, vamos soltando “nãos” aos montes, sendo que muitas vezes cabe um sim ali sem problema nenhum. E que esse sim pode, inclusive, render minutos pra gente fazer o que precisa, com o adicional plus de proporcionar mais momentos para os pequenos. Ou o adicional seria os minutos que temos pra lavar a louça ou checar os e-mails, porque o principal é o ganho que eles têm, tanto faz.

Na verdade, é tudo uma questão de ajustar o olhar. Escolher olhar o lado mais divertido e mais leve, ao invés de só pensar na bagunça. Nem sempre é fácil, nem sempre é automático, mas seguimos tentando. O caminho é longo e diário. O importante, pelo menos pra mim, é estar atento e presente. O resto vai se ajeitando no caminho.

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A viagem

“Demoramos 3 dias inteiros, 2 noites, 9 horas parados no trânsito no meio da estrada, paradas em postos pra correr e esticar as pernas, chuva, 1 hotel, 1 pousada que na verdade era o puxadinho da casa do dono, frutas, sucos, bolo, comida, bolacha, sol quente, farol alto nos olhos, mamá, livrinhos, música, lágrimas, apoio, cansaço, satisfação. Chegamos ontem a noite, capotamos e estamos aqui agora curtindo a família. Foi uma experiência e tanto, adorei. Mas por enquanto não estou pensando na volta. Primeiro vou curtir o mar.”

No segundo dia, depois do almoço num lugarzinho muito legal, com uma comida de fogão de lenha delícia! 

Foi assim que eu resumi, lá no instagram, o fim da primeira parte da nossa viagem.

Gente,  foi épico! Eu pensei muito antes de encarar essa viagem com a Agnes. Por causa da distância, por causa do tempo, por causa do calor e essas coisas todas que uma pessoa sensata colocaria na balança e ponderaria mil vezes antes de embarcar – se é que embarcaria. Resolvi apenas seguir a minha louca vontade de encarar essa aventura, me preparando mentalmente pros momentos difíceis e fomos. Fé em Deus e pé na tábua, como dizem. Logo na saída, antes de sair do estado, encontramos um baita trânsito que foi parando, parando… até parar de vez e desligarmos o carro. Uma carreta havia tombado e derramado óleo na pista, bloquearam tudo e o resto vocês podem imaginar. Em algum momento, com a pequena já se estressando, meu pai conseguiu avançar um pouquinho só pelo acostamento (não pode, sabemos) onde havia uma entrada pra cidade (Atibaia), achamos um posto e paramos por lá mesmo. Agnes amou descer e poder correr pra todo lado. Ficamos 5 horas parados, dormimos num hotel em Belo Horizonte (o plano inicial era almoçar lá, olha que beleza). No dia seguinte seguimos viagem tranquilos, resolvemos pegar uma estrada diferente, com uma paisagem linda. Nesse segundo dia ela estava mais calma, acho que entendeu a dinâmica da coisa. Paramos pra dormir já na Bahia, num lugarzinho bem simples, mas muito acolhedor. E pensamos, ok chegaremos em Aracaju hoje a tarde. Doce engano. Estrada cheia de caminhões, sem chance de andar muito nem fazer grandes ultrapassagens (sim, estrada não duplicada) e adivinhem o que encontramos mais adiante? Mais trânsito! Dessa vez parados na estrada mesmo, sem jeito de achar outro lugar. Ainda bem que depois de um tempo a Agnes dormiu. Resumindo, chegamos na casa do meu irmão 23:30 do terceiro dia de viagem. E aí foi só alegria! Nos divertimos muito, curtimos a praia, fomos num lago maravilhoso nadar com os peixes, conhecemos um monte de gente legal, Agnes brincou com a prima, foi perdendo o receio de cachorro (que ela só gostava de ver de longe, quando chegava perto queria fugir, rs). No dia 27 pegamos estrada de novo. Paramos rapidinho em Salvador, só mesmo pra almoçar e molhar os pés naquele mar lindo-maravilhoso. E pensar que quando fui lá pela primeira vez a Agnes já existia. Temos um carinho muito especial por essa cidade. Enfim, dormimos na estrada de novo, como era de se esperar. E conseguimos chegar em Minas, na casa da minha avó, no horário mais ou menos esperado, graças a Deus não tivemos mais intercorrências. Nessa parte teve picolé, biscoito de polvilho, brincadeiras algum choro também, porque não dá pra ser tudo perfeito.

Em Minas ficamos curtindo a família. Agnes amou tomar banho de mangueira, ficar sem fralda, ter muito espaço livre pra andar e explorar. Eu já disse que quero um quintal pra chamar de meu? Agora quero ainda mais! Mas com o passar dos dias fui notando que a pequena parecia estar meio nervosa. Não sei se por ter muita gente, se por estar longe de casa há tantos dias, falta da nossa tranquilidade de noite em casa. O sono não foi o mesmo e tinha dias que ela acordava antes das 6, chamando o pai (que estava ao lado, dormimos juntos lá também) e despertando de vez. Mamou muito, comeu pouco. Fomos pra roça e ela se distraiu mais com os bichos, o espaço e até plantamos milho no quintal. Foi muito legal! Ah, e tivemos joelhos ralados também, que faz parte das férias, né, rs.

Voltamos essa semana. Nem eu sabia direito, mas num é que eu estava com saudade de casa? Agnes voltou rápido pra “rotina antiga”. Comeu melhor, dormiu bem, brincou com os brinquedos que aqui ficaram. Ficamos o dia seguinte todinho em casa, só matando a saudade do nosso canto. Enfim. Estamos de volta. E seguindo a ideia de roubar as legendas do inta pra resumir um pouquinho aqui, hoje eu postei:

“Já voltamos das férias e posso dizer que foi uma experiência incrível. Amo viajar de carro e levar a pequena nessa aventura foi demais! Foram quase 6 mil quilômetros em 20 dias e já to aqui querendo mais. Curtimos muito e aprendemos outro tanto enorme de coisas – sobre nós, sobre os nossos limites, sobre lugares e pessoas. Foram 20 dias livres, com muita brincadeira e novos horizontes. Mas confesso que chegar em casa também foi muito bom – vai entender a minha cabeça, que ama viajar mas também adora voltar pra casa. Agora estou aqui, cheia de caraminholas, pensando no que faço com o tanto de ideias que vieram junto na bagagem. Que venham os próximos capítulos.”

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