Sobre autonomia e o que escolhemos ver

Então que hoje a Agnes tomou suco no copo, sozinha. Sem derramar. Fiquei toda boba, como sempre fico com essas pequenas conquistas dela. 1 ano e meio e já bebendo sozinha no copo, vê se eu aguento uma fofura dessas!!


Ela está numa fase de conquista pela autonomia total. Quer comer sozinha – com a mão ou com a colher, que ainda não consegue 100%, mas continua tentando. Quer beber no copo – que muitas vezes ela vira na roupa e no chão (ou na cabeça) depois do primeiro gole. Calçar meus sapatos e vestir minhas roupas, tudo sozinha.

E eu deixo, sabe.

Assim como eu tenho deixado riscar as paredes com giz de cera.

Queria era deixar mais coisas, na verdade. Mas pela falta de espaço ou condições, vamos no que dá, por enquanto.

Porque a vida é muita curta para não colorir as paredes brancas.Ou para derramar água no chão, ou para ficar sem fralda em dias quentes, sem pensar em desfralde ou coisas assim, só mesmo para ficar mais leve.

Sei lá. A gente pode focar nossa visão em tudo o que não podemos fazer. Ou em todas as possibilidades que temos. E sim, tem uma lista considerável de coisas que a pequena “não pode” fazer. Mas é tão mais legal voltar o olhar para tudo que podemos explorar juntas. Mão na terra, pés na água, bagunça, lambança, tudo que puder proporcionar mais liberdade. Inclusive subir e descer degraus e outras coisas que torcem o nariz e fazem cara de espanto quando percebem que a gente não só deixa, como incentiva e confia. Ficamos perto, orietamos, mostramos o jeito seguro. Mas deixamos que ela tente, que ela arrisque, que ela encontre seu próprio jeito.

Seguindo o exemplo de descer degraus, geralmente ela senta e aí desce. Ou se é mais baixo, procura algo pra se apoiar, seja uma parede ou a nossa mão. Quem não convive com a gente, quando a vê chegar perto de um desnível, já vai bradando “olha a queda! não vai! vai cair!”. Ela se assusta e aí é que pode despencar. Teve uma queda assim lá na roça, em Minas, que poderia muito bem ter sido evitada se a pessoa em questão não tivesse gritado e se assutado. Geralmente a gente explica que reagir assim só faz com que ela se assuste, reforça o lado ruim que pode vir a acontecer, e não o lado positivo dela estar conseguindo fazer algo por si mesma.

Muitas vezes a gente quer a praticidade pra nossa vida adulta. E aí, pensando apenas em conseguir realizar as nossas atividades, vamos soltando “nãos” aos montes, sendo que muitas vezes cabe um sim ali sem problema nenhum. E que esse sim pode, inclusive, render minutos pra gente fazer o que precisa, com o adicional plus de proporcionar mais momentos para os pequenos. Ou o adicional seria os minutos que temos pra lavar a louça ou checar os e-mails, porque o principal é o ganho que eles têm, tanto faz.

Na verdade, é tudo uma questão de ajustar o olhar. Escolher olhar o lado mais divertido e mais leve, ao invés de só pensar na bagunça. Nem sempre é fácil, nem sempre é automático, mas seguimos tentando. O caminho é longo e diário. O importante, pelo menos pra mim, é estar atento e presente. O resto vai se ajeitando no caminho.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Sem categoria

2 Respostas para “Sobre autonomia e o que escolhemos ver

  1. Nicole

    Máá, texto ótimo! Igualzinho aqui em casa. Eu sou a “permissiva demais”, aquela que deixa tudo, que mima pq não diz não o tempo todo. Me olham torto, mas eu nem ligo.

    Rudá tá com 16 meses e sabe subir e descer escadas sozinho. As menores eu nem fico perto, mas quando é maior eu fico junto. Sobe e escorrega sozinho no escorregador da pracinha e as pessoas ficam espantadas. Agora está nessa de comer sozinho também e eu demorei a perceber que ele queria isso. Faz a maior sujeira e bagunça, mas isso se arruma.
    Temos que deixar eles né, é tão importante. Eu sinto ele tão livre e seguro, pois sabe que pode ir e eu vou estar junto sempre que precisar.

    É tão lindo isso. Mas já parei pra pensar se não estava sendo irresponsável em deixa-lo fazer algumas coisas sozinhas…mas quer saber? Sou nada. Quero que ele aprenda tudo do jeitinho dele

    Parabéns por estar nesse caminho, nessa maternidade tão linda. Saudades demais de conversarmos..
    Um suuuper beijo em vocês

    Curtir

  2. Ei Marina! Adorei o texto. A Agnes com certeza é uma criança muito feliz e vai desenvolver muito a criatividade e a independência com toda essa liberdade e esses “sims”! ❤
    Também li o post do relato de viagem e achei uma delícia! Tão bom pegar estrada e encontrar a família, né?
    Beijos!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s