Arquivo do mês: fevereiro 2016

Estudo psicológico sobre as redes sociais

 

Pode ser que eu acorde um dia me sentindo péssima, com duas espinhas no rosto, cabelo teimando em permanecer pra cima e pés de galinha no canto dos olhos. Eu posso, então, lavar o rosto com água fria pra acordar, passar um BBcream, prender o cabelo e seguir meu dia normalmente, inclusive saindo de casa e mostrando a minha cara arrumada pra sociedade. Eu posso rir disso no fim do dia. Eu posso decidir passar no salão para fazer as unhas e me sentir um pouco melhor comigo mesma. Eu posso só ir vivendo mesmo e aceitar como um dia normal, que vai chegar ao fim. Porque afinal é só um dia comum, na minha vida comum. E tudo bem.

No meio disso tudo, lá no salão, eu resolvo tirar uma foto dos meus pés de unhas coloridas, porque eu adoro minhas unhas dos pés coloridas e porque, nossa, realmente faz tempo que não faço algo por mim, preciso registrar isso. E posto em alguma rede social.

A pessoa lá do outro lado, deslizando fotos no instagram ou no facebook, se depara com os meus pés coloridos e vai ter certeza que eu sou um sucesso de pessoa. Que eu sou organizada o suficiente para conseguir uma brecha no meu dia e ir fazer as unhas. Que minha casa está limpa e minhas roupas engomadas. Que alguém está cuidando da minha filha enquanto isso, e que eu tenho muita sorte por isso. Que eu só consigo esse horário porque não trabalho, assim fica tudo mais fácil. Eu sou um sucesso de pessoa. Ou, pode ser que me ache uma fútil, que paga manicure, mas não paga a feira orgânica. Que terceiriza a filha para fofocar no salão. Que posto foto colorida, quando o mundo anda tão cinza. Que é tudo mentira. Ilusão. Justo eu, que quero ser hippie, isso é tudo falácia mesmo, não dá mais para acreditar em ninguém hoje em dia nessa internet. Ou, numa terceira hipótese, a pessoa passa direto pela foto porque não chamou sua atenção e ela não perde tempo lendo legendas que não lhe interessam.

Para cada reação, posso quase garantir que o que vai prevalecer para essas reações não é o filtro que eu escolher pra foto ou a legenda. É o que a pessoa está sentindo no momento. É o dia que ela está tendo. É a bagagem que ela carrega.

Do ponto onde me encontro, é apenas uma foto de um momento que finalmente deu certo na minha semana. E o texto poderia acabar aqui, ou com alguma reflexão sobre como uma mesma coisa pode render muitos pontos de vista. A vida, essa maravilhosa. Mas eu ando meio angustiada com uma coisa. Ainda usando o exemplo acima, digamos que a pessoa não só projetou algo da vida dela nos meus pés coloridos, ela fez um post sobre essa projeção. Que gerou ainda mais projeções, que gerou revolta, e a história não tem fim. Como se, usando os defeitos ou erros de outra pessoa, eu conseguisse promover as minhas qualidades, ou anulasse os meus pecados. Sororidade, definitivamente, não é isso.

Agora eu paro pra pensar: que tipo de realidade as pessoas querem nas redes sociais? Porque assim, falando de verdade, não tem como a gente compartilhar tudo cem por cento 24 horas por dia. Que bom, né! Eu fico pensando em algumas pessoas que acham que o que se vê ali na timeline é o retrato fiel e a prova irrefutável do que quer que seja que ela pense sobre a vida do outro. Gente, isso não existe. Assim como não dá para julgar a pessoa por uma conversa que ouvimos no ônibus. Ou apontar o dedo pra birra que vemos no corredor do shopping. Eu sei que o julgamento existe, o que quero dizer é: tamo fazendo tudo errado!

Penso também no seguinte ponto: essa coisa fidedigna que tanto queremos, porque ela anda causando tanto alvoroço? Para além da discussão do mundo romantizado, quero dizer. Digo, eu sei que #precisamosfalar sobre um punhado de assuntos. E precisamos mesmo! Enquanto sociedade, a discussão precisa ser feita em muitos níveis, sobre tudo. Estamos quebrando muitos paradigmas assim, e é só o começo. Porém, o meu ponto é: para além disso, o que mais te incomoda? O quanto já mentiram pra você na sua vida toda? O quanto ser enganado já tirou a sua fé? Por que é tão importante se manter forte, quando tudo o que você precisa é de um abraço e um pedaço de bolo? Quando você deita a noite e relaxa dos assuntos mundanos, o que sente? Que dor é essa que ainda persiste e parece nunca ter fim? Como foi sua infância?

Não sei. Talvez fosse legal a gente ter aulas de autoconhecimento na escola. Eu sempre quero entender porque cada um sente o que sente. Pessoas são mundos inteiros, cheias de possibilidades e de respostas e de perguntas. Seria muito bom aprender sobre todas essas coisas desde cedo. Aprender a olhar para quem somos de forma inteira, não enviesada. Olhar para dentro, não para os estereótipos. Aprender a lidar com o que não é belo, e apreciar o que é. Entender que há muita coisa dentro de mim e que, veja só que surpresa, deve ter muita coisa dentro do outro também. É muito mais produtivo lidar com os próprios fantasmas, ao invés de jogar no colo alheio. Muitas vezes, a gente consegue isso justamente se relacionando com outras pessoas. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Aprender a nomear também é importante. Quando a gente aprender a ser gentil com quem somos, e a ter coragem para nos olharmos, talvez a gente consiga ter uma escuta mais atenta pro outro também. Porque no fim das contas, em uma infinidade de vezes, nós vemos as coisas mais como nós somos do que como elas são. E isso muda tudo.

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Menos uma.

Então que chegou o dia. Desativei minha conta do facebook por tempo indeterminado. Eu já queria fazer isso há tempos, já até tinha comentado aqui no blog também. Mas ia adiando, deixando pra lá, entrando menos. Cheguei até a apagar o aplicativo do celular e foi uma boa experiência. Acontece que a comodidade acabou falando mais alto e instalei de novo.

Só que agora eu cansei mesmo. Eu, que tenho buscado uma vida mais leve, escolhendo minhas batalhas, vivendo um dia de cada vez, acho que já não ando cabendo mais por lá. Tá chato, não estou me sentindo a vontade para compartilhar o que quero. Então é melhor me afastar por uns tempos para desanuviar, receber menos informações (necessárias ou não). Fazer um detox mesmo. Depois, quem sabe, eu volte.

O ruim é que a página do blog também foi desativada, porque não queria entrar só para isso, não ia fazer sentido. Para quem quiser outra rede social para acompanhar as peraltices da pequena, o instagram é bem mais útil, podem vir que a porta está aberta. E as postagens por aqui também continuarão firmes e fortes, com certeza.

Fora isso, tudo certo por essas bandas de cá. Agnes fez 1 ano e 7 meses e eu esqueci de vir fazer o post, ó céus! Está repetindo (quase) tudo que falamos, uma graça! Depois venho contar com mais calma.

Por enquanto, é isso. Menos uma rede social para acompanhar, por um tempo. Vai ser melhor assim.

E vocês, tudo bem? Me contem as novidades!

Beijas!

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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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Mundo mundo, injusto mundo

Sobre a nossa atual vida real do lado de cá.

Ela chora porque…

não pode subir em cima da mesa (de vidro!);
não pode comer sabonete;
não pode ficar mais na piscina de bolinhas no shopping;
não pode viver só na rua;
não vai ouvir a mesma história do mesmo livro pela trigésima vez consecutiva;
não pode devorar o pote de geleia.

Entre outras tantas coisas divertidas e interessantes que ela quer fazer e não deixamos.
E isso porque somos uma família que pratica o sim em muitos momentos. Mas né, não se pode ter tudo, e ela ainda está aprendendo essa parte da equação. Indignada, mas está.

18 meses: tão lindos, porém tão cansativos…

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