Arquivo do mês: março 2016

Por onde andei

Tenho a sensação de que já aconteceu muita coisa desde a última vez em que estive aqui. Ou que já vinha acontecendo desde antes. O fato é que senti saudades daqui e resolvi aparecer. Pra contar da vida, pra falar de nós.

Quando a pequena completou 1 ano, bateu forte em mim o lance de me reinventar. De novo, né? Porque ser mãe, pra mim, já é se permitir viver o novo sempre. E eu realmente me joguei nisso, mergulhei fundo em todas as novidades que apareceram, pelo tempo que tinha de ser. Mas estava chegando a hora de voltar à superfície e respirar outros ares novamente. Ver como seria esta experiência, de andar em outros caminhos que não fossem aqueles traçados por peraltices ou questões de cunho maternal.

Eu sabia mais ou menos o que queria fazer, só não sabia como.

Posso dizer que desde a época que quero ser mãe, quero também uma outra coisa, que sempre amei fazer e que faço desde que aprendi, aos 4 anos: escrever. Aliás, esse é um dos motivos de eu ter criado o blog: a minha paixão pela palavra escrita. Logo, é compreensível e até esperado que uma das minhas profissões mais respondidas quando criança era “serei escritora”. Eu fazia livrinhos, ilustrava, criava as falas, tudo. Era mágico.

Depois, mais do que a possibilidade de criar histórias, a escrita se tornou um refúgio. Para mim, que sempre fui tímida, escrever sempre foi minha melhor forma de expressão. Os livrinhos em folha sulfite ficaram lá na infância, como uma brincadeira, mas o ato de registrar meus feitos, sentimentos e pontos de vista cresceram junto comigo. Em algum momento do caminho, isso acabou se tornando só mesmo mais uma característica minha, algo normal. Eu escrevo porque é a única coisa que eu sei fazer, ué. Escrevo porque é como me comunico melhor, como resolvo minhas pendências internas, como elaboro o quer que esteja me incomodando. Sempre foi assim, pensei que continuaria sendo.

Mas aquela vontade de escrever um livro ainda morava em alguma parte do coração, isso eu sabia muito bem. Sempre tive certeza de que, em algum momento, as coisas iam acontecer e ele ia surgir. Provavelmente seria sobre algumas memórias que eu juro desde bem pequena que tenho e que vão morar no papel. Não sou boa em inventar uma história assim do nada, essa parte eu deixaria pra quem sabe. Isso tudo como uma possibilidade distante, uma vontade longínqua. Por hora eu seguiria escrevendo meus posts e outras coisas em outros lugares não publicados e fim de papo.

Só que aí vem a maternidade e muda nossas certezas de lugar, não é mesmo?

Com a vontade de voltar a fazer algo por mim e só por mim, a vontade de escrever um livro gritou forte. Como assim, gente? Eu nem conheço ninguém que possa me assessorar, e como eu ia vender, e que editora vai me publicar? Foram algumas perguntas que eu cansei de ouvir, numa vozinha irritante dentro da minha cabeça, querendo me impedir de seguir em frente. No fim do ano passado eu coloquei todas elas no modo silencioso para ver o que conseguia fazer com o que havia sobrado em alto e bom som: a vontade. Comecei a esboçar algumas coisas, colocar algumas ideias na tela em branco, tudo muito abstrato, sem saber o que seria amanhã.

No início desse ano eu decidi que isso ia acontecer e era assunto encerrado. Comecei a escrever diariamente com o intuito de levar isso para além dos limites da minha casa (e dos meus olhos). Ainda não vou dizer sobre o que é exatamente, mas tem muita memória, muita maternidade, muita infância, muito aprendizado e tudo mais que tenho visto por aí nesses anos todos de vida. Deve ficar pronto em um ano, se as coisas andarem como imagino.

Só que para a minha completa surpresa, algo aconteceu no meio do caminho. Um dia, cansada e lidando com sentimentos chatos que surgiram no meio das palavras, e não querendo entrar em pensamentos como “estou com bloqueio criativo” ou coisa do gênero, porque eles não ajudam em nada, abri uma nova tela em branco e comecei a escrever outra coisa. Outra coisa, nada a ver com o que havia na janela ali do lado. Uma história que não era minha, apesar de ser. E continuei escrevendo. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro. E nos 30 e poucos dias seguintes a mesma coisa. Me apeguei na história e ela realmente aconteceu pra mim. Até hoje. Hoje eu acabei de escrever o meu primeiro livro de ficção. Um livro que não é sobre maternidade, não é sobre o meu universo, e que gostei muito de ter feito. Muito mesmo! Depois de pouco mais de 1 mês de trabalho. De madrugadas adentro, de sono, de bebê brincando longe com o pai e os avós, ou chorando querendo mamar, ou brincando na sala comigo inventando musiquinhas. 1 mês não sabendo o que aquilo ia virar, andando com a visão apenas até o próximo passo, e continuando mesmo assim. E as vezes achando que não ia dar muito certo, mas sem muito tempo de me ater nesses detalhes. Eu consegui. Um dia depois da Páscoa, celebro uma nova fase da minha vida, uma nova Marina que também divide espaço com as outras que já estão aqui.

Não sei o que vai ser desse meu pequenino filho que nasceu hoje. Não sei se vai ficar morando apenas na minha gaveta, ou se o jogo pro mundo em algum momento, tal qual uma mãe passarinha empurrando seu filhote do ninho para voar. Não sei se algum dia vou ganhar dinheiro com isso. Nem se alguém vai gostar. Por enquanto me basta o sentimento de saber que sou capaz de fazer o que eu quero. E que aquela menina que ainda ontem eu era, se orgulha da mulher que tenho me esforçado para me tornar.

Existe vida própria depois dos filhos, gente, e ela é linda!

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pequena matraca

Agnes está uma lindeza, minha gente! Eu sei que sou suspeita, que sou mãe coruja assumida, mas essa fase está muito legal. Sim, tem choro e ranger de dentes, de todas as partes envolvidas. Sim, tem gritos, testes de paciência (alguns concluídos com sucesso, outros tantos se autodestruindo no instante seguinte) e uma menininha com muitas vontades, sabendo muito bem o que quer e o que não quer – e pais descobrindo que isso pode ser tão lindo quanto desesperador. Tem tudo isso e muito mais. Prometo voltar para contar só sobre como anda a nossa vida real em outro momento. Por hoje, quero contar do que tem me encantado por demais nos últimos tempos: a aquisição da fala.

Ela simplesmente repete tudo que a gente diz. Ou quase tudo, vai. Mas tem desenvolvido a fala com uma velocidade doida. Algumas coisas fala certinho, como papai, mamãe, vovô, vovó, amanhã, descer, maçã, mamão (mamaum), pão (paum), neném, oi, tudo, moço, amor, entre outras. Mas para a maioria ainda é daquele jeitinho que eu acho muito fofo. Já fiz um dicionário Agnês, mas quis vir registrar mais para não esquecer.

Ela não diz o som o C, para algumas palavras ela exclui essa letra, simples assim, para outras ela substitui por t
Aba-a-te = abacate
ô-ô = cocô / e quando ela começa a falar “ô-ô ssissi, ô-ô ssissi num looping sem fim é porque a fralda está carregada;
topo = copo
to-uo = colo

maissi = mais

dato = gato
munhau = miau
au au= cachorro
pada = o panda de pelúcia
mumosa = mimosa, a girafa de pelúcia
to-u-ja = coruja
fante = elefante
pato

aoiz = arroz
suto = suco
bochacha = bolacha
putota = pipoca
epoio = repolho
buiaba = goiaba
manda = manga

Uua = lua (adora a lua!)
avaão = avião (é doida num avião também)

baiá = trabalhar
tóio = escritório (se referindo ao trabalho do papai)
dáia = sandália
entá = sentar (quando ela quer que eu sente pra brincar ou pra ela mamar)

bidada = obrigada
fu favô = por favor

fufa = chuva
fofá =sofá

abaço/abassar = abraço/abraçar

dodói
sauô = sarou (o dodói, no caso, hahah)

tau = tchau

e assim, praticamente tudo que a gente fala, ela tenta repetir. Tanto que esses dias minha mãe falou “chatice” perto dela e logo ela tava falando “tatice” por aí. Chegou a época do cuidado redobrado, hahah.

e conta! segue diálogo ilustrativo
Eu: Um!
Agnes: dôs
Eu: três (ela diz tês)
Agnes: cato
Eu: cinco
Agnes: ses
Eu: sete
Agnes: otcho
Eu: nove
Agnes: ez
Resumindo: até os 4 ela vai seguindo “certo” sempre falando os números pares, eu falo e ela completa; depois repete o que a gente fala. Não estou ensinando ela a contar ainda, calma, foi só uma brincadeira esses dias, e porque ela sempre gosta de ir vendo os números mudando no elevador.

Ai, é muita coisa. Cada hora tem uma palavra nova, um jeito novo de falar. Muito gostosa essa fase, minha gente!

comendo “buiaba”, uma das frutas preferidas ❤

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Momento instagram

O tempo fica curto por aqui, eu fico me sentindo mal (?) porque o blog fica abandonado, então vamos de repeteco do instagram porque o importante é fazer a roda-viva girar e deixar todo mundo feliz, né não? Venham comigo nas minhas últimas andanças por lá.

 

 Fast food

 retrato da artista quando jovem

 

 O que acontece quando a gente resolve seguir um sonho apesar de todas as “desculpas” que surgem para tentar atrasar as coisas? A verdade é que a muitas vezes a gente mesmo se sabota sem saber direito porque – e não raro nos sentimos numa bola de neve, enrolados em nossas próprias bagunças. Diante disso, escolhi seguir em frente mesmo sem saber, mesmo com receios e mesmo nas adversidades. O esquema é um passo de cada vez, todo dia. E ó, tem sido uma experiência muito bacana. Respondendo a pergunta do começo, acontece a felicidade e a descoberta de que, sim, podemos fazer qualquer coisa que quisermos. Basta ir. (E daqui 1 mês eu volto pra contar o que estou aprontando por aqui).

 “Filha, adoro o seu olhar. Desde sempre você olha fundo nos nossos olhos, sem medo, de um jeito muito forte. Já escutei isso em fila de banco, inclusive: “nossa, ela tem um olhar forte, né?”. É, você tem. E eu amo isso. Também gosto muito do fato de que, com você, tenho aprendido a olhar as coisas com mais leveza. Sabe, filha, tudo está em constante movimento no mundo e nossa casa não é diferente. Eu poderia vir aqui registrar a bagunça que está os nossos dias ultimamente e o quanto estamos buscando acertar os ponteiros. É a vida real acontecendo sem filtros. Mas também está acontecendo que eu parei um pouco de reclamar primeiro para fazer depois. Tenho gostado de pensar que essa bagunça faz parte do caminho, afinal. Nem todos os dias eu consigo me dedicar a você como antes, e mesmo assim nossos momentos tem sido gratificantes. É lindo ver o quanto você tem crescido. Estamos construindo nossa estrada com as nossas próprias mãos. Cansa pra caramba, mas tem sido bom demais. Obrigada pela companhia sempre. E pelo seu olhar, que constantemente melhora o meu. 

Com amor, mamãe”

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