Por onde andei

Tenho a sensação de que já aconteceu muita coisa desde a última vez em que estive aqui. Ou que já vinha acontecendo desde antes. O fato é que senti saudades daqui e resolvi aparecer. Pra contar da vida, pra falar de nós.

Quando a pequena completou 1 ano, bateu forte em mim o lance de me reinventar. De novo, né? Porque ser mãe, pra mim, já é se permitir viver o novo sempre. E eu realmente me joguei nisso, mergulhei fundo em todas as novidades que apareceram, pelo tempo que tinha de ser. Mas estava chegando a hora de voltar à superfície e respirar outros ares novamente. Ver como seria esta experiência, de andar em outros caminhos que não fossem aqueles traçados por peraltices ou questões de cunho maternal.

Eu sabia mais ou menos o que queria fazer, só não sabia como.

Posso dizer que desde a época que quero ser mãe, quero também uma outra coisa, que sempre amei fazer e que faço desde que aprendi, aos 4 anos: escrever. Aliás, esse é um dos motivos de eu ter criado o blog: a minha paixão pela palavra escrita. Logo, é compreensível e até esperado que uma das minhas profissões mais respondidas quando criança era “serei escritora”. Eu fazia livrinhos, ilustrava, criava as falas, tudo. Era mágico.

Depois, mais do que a possibilidade de criar histórias, a escrita se tornou um refúgio. Para mim, que sempre fui tímida, escrever sempre foi minha melhor forma de expressão. Os livrinhos em folha sulfite ficaram lá na infância, como uma brincadeira, mas o ato de registrar meus feitos, sentimentos e pontos de vista cresceram junto comigo. Em algum momento do caminho, isso acabou se tornando só mesmo mais uma característica minha, algo normal. Eu escrevo porque é a única coisa que eu sei fazer, ué. Escrevo porque é como me comunico melhor, como resolvo minhas pendências internas, como elaboro o quer que esteja me incomodando. Sempre foi assim, pensei que continuaria sendo.

Mas aquela vontade de escrever um livro ainda morava em alguma parte do coração, isso eu sabia muito bem. Sempre tive certeza de que, em algum momento, as coisas iam acontecer e ele ia surgir. Provavelmente seria sobre algumas memórias que eu juro desde bem pequena que tenho e que vão morar no papel. Não sou boa em inventar uma história assim do nada, essa parte eu deixaria pra quem sabe. Isso tudo como uma possibilidade distante, uma vontade longínqua. Por hora eu seguiria escrevendo meus posts e outras coisas em outros lugares não publicados e fim de papo.

Só que aí vem a maternidade e muda nossas certezas de lugar, não é mesmo?

Com a vontade de voltar a fazer algo por mim e só por mim, a vontade de escrever um livro gritou forte. Como assim, gente? Eu nem conheço ninguém que possa me assessorar, e como eu ia vender, e que editora vai me publicar? Foram algumas perguntas que eu cansei de ouvir, numa vozinha irritante dentro da minha cabeça, querendo me impedir de seguir em frente. No fim do ano passado eu coloquei todas elas no modo silencioso para ver o que conseguia fazer com o que havia sobrado em alto e bom som: a vontade. Comecei a esboçar algumas coisas, colocar algumas ideias na tela em branco, tudo muito abstrato, sem saber o que seria amanhã.

No início desse ano eu decidi que isso ia acontecer e era assunto encerrado. Comecei a escrever diariamente com o intuito de levar isso para além dos limites da minha casa (e dos meus olhos). Ainda não vou dizer sobre o que é exatamente, mas tem muita memória, muita maternidade, muita infância, muito aprendizado e tudo mais que tenho visto por aí nesses anos todos de vida. Deve ficar pronto em um ano, se as coisas andarem como imagino.

Só que para a minha completa surpresa, algo aconteceu no meio do caminho. Um dia, cansada e lidando com sentimentos chatos que surgiram no meio das palavras, e não querendo entrar em pensamentos como “estou com bloqueio criativo” ou coisa do gênero, porque eles não ajudam em nada, abri uma nova tela em branco e comecei a escrever outra coisa. Outra coisa, nada a ver com o que havia na janela ali do lado. Uma história que não era minha, apesar de ser. E continuei escrevendo. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro. E nos 30 e poucos dias seguintes a mesma coisa. Me apeguei na história e ela realmente aconteceu pra mim. Até hoje. Hoje eu acabei de escrever o meu primeiro livro de ficção. Um livro que não é sobre maternidade, não é sobre o meu universo, e que gostei muito de ter feito. Muito mesmo! Depois de pouco mais de 1 mês de trabalho. De madrugadas adentro, de sono, de bebê brincando longe com o pai e os avós, ou chorando querendo mamar, ou brincando na sala comigo inventando musiquinhas. 1 mês não sabendo o que aquilo ia virar, andando com a visão apenas até o próximo passo, e continuando mesmo assim. E as vezes achando que não ia dar muito certo, mas sem muito tempo de me ater nesses detalhes. Eu consegui. Um dia depois da Páscoa, celebro uma nova fase da minha vida, uma nova Marina que também divide espaço com as outras que já estão aqui.

Não sei o que vai ser desse meu pequenino filho que nasceu hoje. Não sei se vai ficar morando apenas na minha gaveta, ou se o jogo pro mundo em algum momento, tal qual uma mãe passarinha empurrando seu filhote do ninho para voar. Não sei se algum dia vou ganhar dinheiro com isso. Nem se alguém vai gostar. Por enquanto me basta o sentimento de saber que sou capaz de fazer o que eu quero. E que aquela menina que ainda ontem eu era, se orgulha da mulher que tenho me esforçado para me tornar.

Existe vida própria depois dos filhos, gente, e ela é linda!

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9 Comentários

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, mudanças, reflexão, sobre mim

9 Respostas para “Por onde andei

  1. Luciene Asta

    Má ! Que coisa lindaaaaaaa !!!! E veja só como é a força criadora: voce achava que não escreveria algo que não aconteceu com voce. E “do nada” surge a intuição, inspiração, chame lá do que quiser. Parabéns ! Parabéns por se encontrar e mais, por se permitir no meio da loucura deliciosa que deve ser cuidar de um bebê full-time. Que Deus te inspire cada vez mais e guie seus caminhos para uma editora =) Eu compro tá ?!

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  2. Muito curiosa para ler esse livro Má! Você escreve super bem, é uma leitura super envolvente, imagina um livro escrito por você que delícia…
    Nos redescobrir depois dos filhos é libertador, é como nascer de novo.
    Não guarde na gaveta seu livro não, please!!! Rsrs
    Você pode publicá-lo de forma independente não pode?

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  3. H

    Eu quero ler!!!!
    Coloca no hotmart em PDF e vende pra nós!!!!
    (Aquelas intrometidas)

    Eu sou fã confessa do seu modo de escrever

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  4. Coloca no hotmart em PDF e vende pra gente!!!
    (Aquelas intrometidas)
    Eu sou fã confessa do seu modo de escrever e torço muito pra que mais pessoas se tornem também.

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  5. Amei, Ma!!!! Parabéns pela busca da vontade e por ter conseguido concretizar um “resultado final” vindo dela!
    Que esse novo caminho, dessa nova Marina, encontre muitas portas abertas!
    Leitoras e fãs vc já tem! 😉

    (ps.: até a parte em que vc conta que resolveu começar de fato, esse texto podia ter sido escrito por mim… Haja identificação, viu?!rs)

    Beijão

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    • Já tenho 4 leitoras assumidas aqui, tô muito animada, haushausha
      mais alguns da família e pronto, arrasei! 😀

      obrigada pelas palavras, Gabi! Vocês me dão força pra seguir em frente, é muito bom compartilhar as conquistas e as alegrias.

      Beijo beijo!

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