Arquivo do mês: maio 2016

Exame, jejum e o mamá nosso de cada dia

Hoje a Agnes fez exame de sangue pela primeira vez na vida.
Tão cedo, acho eu. Mas acharia cedo na idade que fosse, levando em consideração que eu não lido bem com esse tipo de procedimento. Enfim.

O motivo do exame é mesmo para ver se está tudo bem e para dar uma checada naquelas questões misteriosas da restrição ao leite que ela tem – reage a algumas coisas, outras passam batido. Passei ela em consulta no posto de saúde aqui do bairro, vamos ver se agora sossego com essa pediatra, rs. Até 1 ano ela passou com o pediatra da Casa Angela, depois que acabou ficamos meio perdidos, nunca conseguimos um médico que eu realmente quisesse chamar de nosso. Quer dizer, até achei, na Associação que a casa de parto faz parte, a pediatra é uma linda, mas é sempre tão chatinho de achar vaga, entre outras coisas que sempre apareciam no caminho, sei lá, acho que não era pra ser mesmo, pelo menos por agora. Como me recusava a pagar um preço “mais ou menos” por um pediatra ~mediano~ (não temos convênio médico) e como os bons pediatras cobram um valor salgadinho pro meu bolso, parti pro SUS mesmo e é isso. A médica a viu mamando e não mandou desmamar, examinou direitinho, não foi corrido, achei uma consulta bem boa. Já conhecíamos o posto, porque é lá que a levo para vacinar, agora vamos também para consultas.

Mas voltando ao exame. A recomendação era aquela de sempre, jejum de 8 horas, coisa e tal. Péra, jejum de 8 horas para minha pequena bebê de 22 meses? Jejum-jejum, até de mamá? Ai, meu Deus, isso não vai ser fácil.
Ontem falei pra ela que a noite não ia ter mamá, que ela faria exame no dia seguinte e tudo mais. Ela ficou repetindo “exame, exame”, me olhando com uma carinha de dúvida e seguimos o dia. Eu queria que ela tivesse dormido na hora de sempre, umas 21:00 e pronto, ia ser ótimo, mamava para dormir e depois eu me virava ninando se ela acordasse a noite. O exame seria as 7 da manhã. Só que ela não dormiu. Na verdade, ela anda comendo super bem a noite, sempre quer fruta e algo mais que pintar pelo caminho, mesmo depois da janta. Deu 22:30, deitamos todos, mas nada dela dormir, ligadíssima. Passou das 23:10 e expliquei que não dava mais pra dar mamá e todo discurso. Cleber abraçou. Ela começou a chorar. Chorou, chorou, chorou. Peguei no colo, levantei da cama, liguei música. Ela tentava mamar, eu explicava que não podia. Ficamos nesse looping por muito tempo. Ela deitada no meu ombro, quase dormia… e acordava pedindo “ôta mamá”. As vezes ia pedir e parava a frase no meio, deitava no ombro de novo, ficava com a mão no meu peito. Gente, como ser adulta e não desabar chorando? Eu nunca neguei mamá pra ela, foi muito difícil. Eu conversava, explicava, falava que não tinha mamá, mas tinha colo, carinho, que estávamos juntas. Por fim ela dormiu. Acordou no meio da madrugada chorando muito querendo, mas dormiu logo. De manhã, a mesma coisa. Na hora do exame, entrei com ela na sala, foi difícil achar a veia, ela já começou com as lágrimas desde que deitou na maca. Pelo menos não passei mal, vejam só que vitória, rs. No fim, mamou, mas percebi que estava meio chateada comigo. Não me olhou muito, quis ficar em outros colos. Isso acontece, tanto comigo quanto com o Cleber, quando fazemos algo com ela que não a agrada (tipo limpar o nariz com soro e essas coisas chatas, rs). Dei espaço, né. Mas sempre ali olhando pra ela. Mamou muito durante o dia. Dormiu bastante quando chegamos em casa.

E eu, que achava que poderia começar a pensar em limitar a livre demanda, ou fazer novos arranjos, conduzindo e diminuindo o processo, que a vi dormir a soneca da tarde essa semana abraçada com o pai, que gosta de carinho na barriga pra dormir e nem sempre tem pedido o mamá como primeira opção nessas horas, o que me fez pensar que estávamos caminhando para outras fases, descobri que ainda não é hora. Que ainda precisamos do nosso mamá. Somos dependentes dele ainda, nós duas somos. Uma coisa é ir descobrindo novos formatos aos pouquinhos, outra, bem diferente, é não poder ter aquilo que está tão perto e sempre esteve tão disponível. Foram as 8 horas mais longas das nossas vidas até agora #exageradafeelings.

Quem sabe daqui uns 17 anos eu volte a pensar nisso, né. Desmame, agora, nem pensar.

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Arquivado em Agnes, como lidar?, conversando

o começo das frases

Esses dias a Agnes falou pra mim, à noite:
– mamãe, to sono.

Meu pai trouxe um vidro de mel pra ela, porque andou muito gripada. Toda vez que ela vê o potinho, diz:
– touxe méio vovô (o vovô trouxe mel).

Hoje ela queria entrar no banho com o pai, mas ele ia sair rápido para trabalhar e não deixou, falou pra ela ficar comigo. Ela veio até mim e disse:
– mamãe, chatiada papai.  – e ainda me abraçou.

Gente, posso com uma coisa dessas? Quase derreto de tanta fofura! Ainda ontem era um mini bebê que dormia em cima de mim, agora já está começando a estruturar frases.
Ela está aprendendo a identificar e verbalizar o que está sentindo. Tão lindo isso, tão importante!

A gente sempre tenta nomear as coisas que ela está vivendo. Frustração, medo, alegria, sono, fome. A gente vai conduzindo e falando o que está acontecendo, desde sempre. Muito legal acompanhar esse desenvolvimento, esse aprendizado. Ver que realmente ela entende o que dizemos e que está encontrando também os seus processos para reconhecer o que sente.

1 ano e quase 10 meses de aprendizados diários. Pra ela e pra mim.

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Arquivado em Agnes, coisa linda, conversando

Eu mãe

Dia das Mães e a gente se pega pensando nessa coisa doida-linda que é a maternidade.
Eu, que sempre quis ser mãe. Que sempre ansiei por viver o que estou vivendo hoje. Que nunca cogitei ter outra vida, mesmo quando ainda não sabia o tanto de percalços, entraves e batalhas que é preciso travar todos os dias.

Mesmo com os desafios, com os choros, os medos, as angústias, as apreensões e tudo aquilo que tira o fôlego e faz a vontade de parar no meio do caminho bater na porta.

A verdade é que gosto.

Ser mãe é o que eu sou. É parte do que eu sou. Uma parte fundamental, que existe desde muito antes da presença física da minha filha.

Eu me reconheço como mãe. É um pertencimento. Como se a maternidade fosse um lugar. Me sinto em casa.

Em tantos momentos eu quero ficar sozinha, eu quero um tempo pra mim, só ficar sentada no sofá sem fazer nada. E mesmo assim ainda penso no quanto gosto dessa vida. Não trocaria por nada, com certeza. Não é nem questão de romantizar. Estou divagando na madrugada aqui mais pra mim mesma. Eu sei que não é só bonito, e como sei. Sei das sombras, dos fantasmas, dos bichos papões. É que ser mãe é algo tão importante e inato em mim que eu acabo sempre voltando meu olhar para o quanto isso me acrescenta e me faz bem.

Eu tenho muito a agradecer às minhas filhas. À bolota, que fez nascer em mim esse sentimento; me fez forte. À Agnes, pela prática diária e por tudo que tento exercer nos nossos dias. A presença. A leveza que me lembra de usar quando estou a ponto de surtar. A paciência, a escuta, o acolhimento, a praticidade, a compreensão, a simplicidade. E também a força, aquela que eu só descobri que tinha quando ela nasceu. A força de brigar pelo que acredito e defender a verdade que estamos descobrindo juntas.

Eu repito pra mim mesma que sou mãe e aceito de bom grado às felicitações que recebo. Não porque precisamos de um dia x blablablá. Só pra confirmar que é mesmo real essa vida que ando levando. Eu sou mãe! E não há quem me faça deixar de ser.

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Arquivado em acontece comigo, dia das mães, estive pensando, eu mãe, ser mãe