Exame, jejum e o mamá nosso de cada dia

Hoje a Agnes fez exame de sangue pela primeira vez na vida.
Tão cedo, acho eu. Mas acharia cedo na idade que fosse, levando em consideração que eu não lido bem com esse tipo de procedimento. Enfim.

O motivo do exame é mesmo para ver se está tudo bem e para dar uma checada naquelas questões misteriosas da restrição ao leite que ela tem – reage a algumas coisas, outras passam batido. Passei ela em consulta no posto de saúde aqui do bairro, vamos ver se agora sossego com essa pediatra, rs. Até 1 ano ela passou com o pediatra da Casa Angela, depois que acabou ficamos meio perdidos, nunca conseguimos um médico que eu realmente quisesse chamar de nosso. Quer dizer, até achei, na Associação que a casa de parto faz parte, a pediatra é uma linda, mas é sempre tão chatinho de achar vaga, entre outras coisas que sempre apareciam no caminho, sei lá, acho que não era pra ser mesmo, pelo menos por agora. Como me recusava a pagar um preço “mais ou menos” por um pediatra ~mediano~ (não temos convênio médico) e como os bons pediatras cobram um valor salgadinho pro meu bolso, parti pro SUS mesmo e é isso. A médica a viu mamando e não mandou desmamar, examinou direitinho, não foi corrido, achei uma consulta bem boa. Já conhecíamos o posto, porque é lá que a levo para vacinar, agora vamos também para consultas.

Mas voltando ao exame. A recomendação era aquela de sempre, jejum de 8 horas, coisa e tal. Péra, jejum de 8 horas para minha pequena bebê de 22 meses? Jejum-jejum, até de mamá? Ai, meu Deus, isso não vai ser fácil.
Ontem falei pra ela que a noite não ia ter mamá, que ela faria exame no dia seguinte e tudo mais. Ela ficou repetindo “exame, exame”, me olhando com uma carinha de dúvida e seguimos o dia. Eu queria que ela tivesse dormido na hora de sempre, umas 21:00 e pronto, ia ser ótimo, mamava para dormir e depois eu me virava ninando se ela acordasse a noite. O exame seria as 7 da manhã. Só que ela não dormiu. Na verdade, ela anda comendo super bem a noite, sempre quer fruta e algo mais que pintar pelo caminho, mesmo depois da janta. Deu 22:30, deitamos todos, mas nada dela dormir, ligadíssima. Passou das 23:10 e expliquei que não dava mais pra dar mamá e todo discurso. Cleber abraçou. Ela começou a chorar. Chorou, chorou, chorou. Peguei no colo, levantei da cama, liguei música. Ela tentava mamar, eu explicava que não podia. Ficamos nesse looping por muito tempo. Ela deitada no meu ombro, quase dormia… e acordava pedindo “ôta mamá”. As vezes ia pedir e parava a frase no meio, deitava no ombro de novo, ficava com a mão no meu peito. Gente, como ser adulta e não desabar chorando? Eu nunca neguei mamá pra ela, foi muito difícil. Eu conversava, explicava, falava que não tinha mamá, mas tinha colo, carinho, que estávamos juntas. Por fim ela dormiu. Acordou no meio da madrugada chorando muito querendo, mas dormiu logo. De manhã, a mesma coisa. Na hora do exame, entrei com ela na sala, foi difícil achar a veia, ela já começou com as lágrimas desde que deitou na maca. Pelo menos não passei mal, vejam só que vitória, rs. No fim, mamou, mas percebi que estava meio chateada comigo. Não me olhou muito, quis ficar em outros colos. Isso acontece, tanto comigo quanto com o Cleber, quando fazemos algo com ela que não a agrada (tipo limpar o nariz com soro e essas coisas chatas, rs). Dei espaço, né. Mas sempre ali olhando pra ela. Mamou muito durante o dia. Dormiu bastante quando chegamos em casa.

E eu, que achava que poderia começar a pensar em limitar a livre demanda, ou fazer novos arranjos, conduzindo e diminuindo o processo, que a vi dormir a soneca da tarde essa semana abraçada com o pai, que gosta de carinho na barriga pra dormir e nem sempre tem pedido o mamá como primeira opção nessas horas, o que me fez pensar que estávamos caminhando para outras fases, descobri que ainda não é hora. Que ainda precisamos do nosso mamá. Somos dependentes dele ainda, nós duas somos. Uma coisa é ir descobrindo novos formatos aos pouquinhos, outra, bem diferente, é não poder ter aquilo que está tão perto e sempre esteve tão disponível. Foram as 8 horas mais longas das nossas vidas até agora #exageradafeelings.

Quem sabe daqui uns 17 anos eu volte a pensar nisso, né. Desmame, agora, nem pensar.

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5 Comentários

Arquivado em Agnes, como lidar?, conversando

5 Respostas para “Exame, jejum e o mamá nosso de cada dia

  1. Ravi nunca fez exame de sangue, o pediatra do plano passou quando ele tinha 11 meses, com jejum de 8 horas até de mama…nunca mais voltei lá!!!
    No posto (consulto ele pelo SUS também, inclusive acho melhor que pelo plano que cabia no meu bolso) ainda não pediram. A médica diz que não precisa, eu não insisto…

    A amamentação é uma coisa louca, como toda a maternidade, a gente as vezes pensa em diminuir, mas aí vê que é tão dependente quanto eles…

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  2. Tão difícil, né?
    Também passei por uns momentos bem desconfortáveis de privação de mamá. Mas o importante, na minha humilde opinião, é ter sensibilidade e fazer o que acalma os corações envolvidos. O que você já faz, né?
    😉
    Bjs

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  3. Gente, 8 horas? Miguel faz muitos exames de sangue por diversas questões de saúde desde seu nascimento (inclusive dia 28/05 tem outra bateria de exame, poxa vida!), mas sempre são jejuns de 3 horas. Não imagino quando for a hora de fazer por 8 horas, é muito tempo né tadinhos?
    Meu pequeno largou por conta própria o mamá quando completou 1 ano e alguns dias e desde então eu sinto uma saudade que não cabe em mim! Sonhava em amamentar até 24 meses ou mais, mas ele preferiu parar, sentiu que não precisava mais dele, mas procurou outras formas de de acalentar (Confesso que ficou mais ligado à mamãe aqui), então imagino como deve ter sido dolorido para vc e para ela.

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  4. Esses exames acabam com a gente =( . Aqui o desmame foi natural, ele não quis mais, e confesso chorei muito, não estava preparada…rsrs
    Bjs

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  5. Vacinas pra mim são ok. Liana chora, mas é tranquilo. Agora, exames de sangue? Esses são horriveis, judiam demais de mim e da Liana. Eu não tenho problema nenhum em ver alguém me furando com uma agulha gigante e tirando meu sangue. Mas na Liana, é uma tortural! Então, Marina, a Liana já fez uns 4 exames de sangue ou mais. Aqui na consulta de 12 meses é rotina fazer um exame de sangue. E os outros ela fez por conta da alergia a proteina do leite. Mas ela nunca teve que fazer em jejum. Nunquinha! Aliás, aqui as enfermeiras dizem que antes do exame ela precisa de mamar bastante peito pra se hidratar e assim ser mais fácil coletar o sangue. Estranho isso de jejum pra um bebê!

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