Arquivo do mês: junho 2016

Rumo aos 2 anos e a entrega nossa de cada dia

Daqui a duas semanas, meu pequeno lírio completará 2 anos.

Abre parênteses. Incrível como a gente gasta tanto tempo pensando em que nome dar a um filho e, depois, com a pessoa já registrada e tudo, vem uma avalanche de apelidos, né? Isso porque, entre outros motivos, escolhemos Agnes exatamente porque não dava margem para muitas mudanças. Mas aí a gente foi inventando. Lírio. Pequeno lírio. Lili (???), pequena moça, amor da mamãe, fofolete e assim vai. Humanos, tão esquisitos… Fecha parênteses.

E como faz tempo que não falo dela por aqui, resolvi vir aqui hoje pra isso.

Contar que ela está uma lindeza sem tamanho. Falando absolutamente tudo, repetindo tudo, formando frases e criando seu próprio jeitinho de falar. Gente, sério. Que coisa MARAVILHOSA que é ver uma pessoa se formando, né? As carinhas que ela faz, o jeitinho que ela anda, a forma como brinca e interage (ou não) com as outras pessoas. Tudo que é tão novo e, ao mesmo tempo, tão dela. Eu me encanto, sim, me encanto muito, inclusive.

Não que tudo seja fácil e indolor. Óbvio que existe choro, que existem gritos, cansaço, testes de limites e muito jogo de cintura. Para nós duas, aliás. Está no pacote de crescimento e não tem como não vivê-lo. Mas mesmo assim, não tem um só dia em que eu não a olhe dormindo a noite e não pense que tudo está em seu lugar de novo. Que vale a pena abraçar totalmente o caos quando o caminho é tão cheio de belezas e boas surpresas também. É essa mistura de acontecimentos que vai moldando quem a gente é.

E que é bonito que é poder ser, né?
Assim, total mesmo.

Não tem forma melhor (na minha humilde opinião) de contemplar o que é pleno do que observar uma criança vivendo. Elas tem os dois pés fincados com muita certeza no presente, ao mesmo tempo em que se permitem. O que bem quiserem. Elas vão. Elas são. Nem sempre com um intuito, apenas porque querem. Apenas porque sim. Porque o movimento é que é a diversão. Sabe? Isso pra mim é um presente imenso. Uma aula. Não tem escola no mundo que nos dê isso dessa forma.

Claro, não vou mentir. Eu não consigo estar com essa visão e essa entrega em 100% do tempo. Ainda não consigo. As vezes eu choro. As vezes me cobro mais. Tem as coisas que eu queria que fossem diferentes. Tem dias que eu só queria ficar sozinha. Não tem perfeição aqui, nem eu nunca quis, para ser bem sincera. A perfeição tem um peso que eu não me comprometo em carregar. Mas eu tento. Todos os dias eu tento. Enxergar o mundo pelos olhos dela. Me encantar com o que a encanta. Esperar seu tempo. Me abaixar na altura de seus olhos para convesar. Acolher. Abraçar. Dizer a verdade. Deitar ao lado. Ser a mãe que eu consigo ser.

Estamos caminhando para os dois anos com uma convivência muito forte. Literalmente. O máximo que já fiquei longe da Agnes, até hoje, foram 4 horas – horas essas que ela passou com o pai, perto do lugar onde eu estava. Nós somos essas pessoas que, por enquanto, precisam disso. Dessa concretude. E gosto de poder ser quem a gente precisa ser também. É uma liberdade que tem nos feito muito bem, enquanto pessoas e enquanto família. Sem uma ansiedade de ter que fazer de um jeito agora porque depois vai ser daquele outro. Aqui a gente vivendo conforme o que sentimos e o que podemos e o que recebemos da vida também. E tudo bem.

Daqui a pouco faremos dois anos. Que venha muita vida e muita estrada pra gente poder desbravar. Amém.

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Carta do dia: para Helena

Filha, 
a Nena, sua prima querida, é uma ginasta das mais lindas. Ela acabou de embarcar para a Bulgária, aos 7 anos de idade, para dar asas a um sonho de crescer e se aperfeiçoar mais nesse caminho da Ginástica Rítmica. Seu padrinho escreveu uma carta pra ela e eu abri espaço aqui no nosso cantinho para guardar as palavras dele, para que a gente nunca se esqueça dessa emoção que todos estamos sentindo por vê-la ir pro mundo assim, tão segura e tão feliz. 

 

Aracaju, 17 de maio de 2016.

Carta para minha Filha.

Querida filha, estamos passando por um momento sem muito tempo livre, com um leve toque de turbulências e ansiedade. Mesmo assim, apesar de tudo que vem acontecendo vejo você mantendo o sorriso no rosto e a alegria na alma. É algo incrível e muito positivo. Eu apenas agradeço por você ser positivamente resiliente.

As vezes sou obrigado a ser duro com você. Não gosto disso, mas é a parte mais difícil da missão de ser pai. Para te ensinar que na vida nem sempre você terá o que quiser e quando quiser, ou que nem sempre você fará o que quiser ao bel prazer, sou obrigado a te dizer não. São apenas três letras, mas que tem um peso assombroso às vezes. Espero que no futuro você possa me entender e agradecer por cada não dito a você.

Fico observando seu crescimento, físico, mental, e até espiritual. Fico feliz de te ver cada dia mais linda, com o raciocínio rápido e a inteligência afiada. Começo a projetar o bunker numa montanha isolada do Nepal para onde vamos nos mudar quando você fizer quinze anos….(ops). Vejo que você será uma mulher de fibra, com personalidade desconcertantemente forte e grande poder de liderança. Talvez eu não possa prever com certeza como você será no futuro, em relação ao mundo. Para mim, você sempre será minha Princesinha para quem eu sempre terei um colo, um carinho, um copo de chocolate quente ou frio (a depender do calor local).

Hoje eu estou preocupado com a etapa que se aproxima, com a pressão crescente sobre você e com a viagem vindoura. Na verdade, hoje meu coração acordou pequeno dentro do peito, aflito. Mas como eu te disse um dia desses na cozinha do nosso apartamento: “Eu sempre te apoiarei e entenderei suas decisões” Você tem apenas sete anos, mas encara sua opção esportiva com seriedade e compromisso tão profundos que fazem adultos parecerem crianças de colo. Prometi a mim mesmo que não deixaria meus medos e instinto de superproteção não a privariam de suas escolhas. Daqui a dezoito dias você dará seu primeiro grande passo na carreira esportiva, fará sua viagem de treino para a Bulgária. E eu estarei lá, no aeroporto, com você até o ultimo segundo antes do embarque. Depois serei só torcida, energia positiva e saudades. Eu confio em você e espero que seu sorriso seja constante em seu rosto. E quando voltar, estarei te esperando no aeroporto, com toda a certeza.

Amo você minha Filha.

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Carta do dia: preste atenção

São Paulo, 31 de maio de 2016.

Filha, 

preste atenção ao que a sua intuição diz.

Intuição, filha, é uma voz que tem bem lá dentro da nossa cabeça. Ela fala baixo, a gente tem que estar atento para entender. É a nossa voz nos dizendo verdades sobre o caminho que escolhemos trilhar, as pessoas que passam por ele e os detalhes que vão passando ao nosso lado enquanto vamos. É bem verdade que muitas vezes ela fala e a gente não entende o que ela está querendo nos dizer. Parece que não faz sentido, será que estou ficando louca?, você pode se perguntar. Não tem problema. Mesmo quando a gente não entende o que ela está dizendo, é importante que saibamos ouvir. Lembrando que ouvir não é concordar ou reproduzir discursos, nem tampouco se desesperar por não estar conseguindo ser fluente em “intuinês”. Ouvir é saber que a voz existe e se calar para escutar. Algum dia as letras se vão se organizar de uma forma que você entenda exatamente o que está escrito, acredite em mim. 

Não tem problema não entender logo de cara o que a sua intuição diz, porque nem sempre é uma coisa que precisa necessariamente ser feita. Talvez você saiba, filha, que a gente pode até dizer o contrário, mas o ser humano gosta um bocado de um guia, de alguém que nos fale por onde ir, o que fazer, comer, vestir. Enfim. Nem sempre precisa ser assim. Tudo bem não saber, não querer, não entender. Mas mesmo nesses momentos, se a sua intuição disser alguma coisa, qualquer coisa, preste atenção. Pode ser que seja um textão, pode ser que seja só um respiro de cansaço, ou quem sabe aquele frio na barriga, de medo ou de excitação. Preste atenção. Reflita sobre o que sentiu, pense a respeito, deixe o sentimento cozinhando em banho-maria até quando for a hora. Em algum momento vai caber na sua caminhada e você vai gostar de saber que fez a sua parte para que essa voz, que no começo parecia um sussurro estranho e quase inaudível, agora está mais para uma voz calorosa e reconfortante de uma amiga. 

Porque é o que ela é.

Ouvir é o primeiro passo para a compreensão, comece por você.

com amor,
mamãe.

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