Arquivo do mês: julho 2016

Carta do dia: 2 anos

Filha,

hoje faz 2 anos que você chegou. Dois anos de entrega, de amor, de cansaço, de sono diferente, de respirar fundo e de acolher o que estivesse acontecendo. Dois anos de amamentação, filha! Conseguimos! Chegamos até aqui e continuaremos até quando for a nossa hora de seguir por outros caminhos. 

Em dois anos aconteceu tanta coisa. Uma revolução aqui dentro de mim, em todas as esferas – como filha, como cidadã, como amiga, na minha relação com o seu pai. Foi só quando você chegou que eu me senti adulta de verdade. Não é nem de longe uma vida fácil, mas tenho pensado muito nesse conceito ultimamente (o das coisas fáceis) e já não sei se é isso que quero pra nós. Outra hora eu volto pra falar só desse assunto, prometo. O fato é que tem sido uma delícia. Te ver crescer e ir se tornando uma menina tão esperta, inteligente, linda, curiosa, carinhosa. É tão gostoso te ter aqui pertinho, passar os dias contigo, te ver criando laços e reforçando os vínculos com os seus avós, primos, tias e outras amigas. Você se preocupa quando vê outra pessoa chorando. Ouve com muita atenção o que a gente te diz – o diálogo já é fundamental na nossa relação, espero que isso perdure por toda nossa estrada.  

Você é uma pessoa incrível, filha. Eu tenho um baita orgulho de ser sua mãe e me sinto muito feliz quando penso no presente que é esse nosso encontro, essa nossa vida. É um amor tão forte que eu nem sei. Ou melhor, só sei, nem preciso explicar. 

Obrigada, meu amor. Obrigada por ser você e por ter vindo fazer sua estrada com a gente. 

Para esse seu novo ano, desejo um mar inteiro de saúde, muita alegria, muitas brincadeiras, uma chuva de novas experiências que te façam crescer bem e feliz. Estaremos juntas. 

um abraço bem apertado e um monte de beijos.

com amor,
mamãe.

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do que eu não quero esquecer – III

das falas:

-Mamãe, vem cá, pufavô!

-Ditupa, mamãe.

-Que tão fazendo, gente?

-Mamãe? ti foi?

-Té toisa me ida (qualquer coisa me liga)/ Tão tá, be-eza (então tá, beleza) (sim, é a resposta/continuação do diálogo) (!!!!)

-passiá, dô (passear no escorregador = ir ao parquinho)

e do jeitinho que ela anda, toda despojada.
as vezes indo pra frente e olhando pra trás, meio torta, pra ver nossa reação, fazendo uma carinha muito fofa.
as vezes com os braços soltos.
a “corridinha devagar” que ela faz.

como arruma todas as bonecas pra dormir.

como separa as coisas por cor.

posso dizer que quero me lembrar de tudo? Posso e vou! Quero me lembrar de tudo, de cada momento que a gente tem e que vai moldando a pessoinha que está desabrochando bem debaixo do meu nariz.

Amanhã ela faz 2 anos.
E eu, hoje, sou só amor.

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Arquivado em Agnes, amor, aniversário

Assim caminha a maternidade

Dois anos é uma data bem importante dentro da “maternidade teórica”. Assim como os seis meses, eu acho. É tanta coisa que sabemos que é melhor evitar antes dos dois anos que olha, melhor pregar a lista na porta da geladeira para não esquecer.

Ou você pode fazer como eu. Usar esses indicativos todos apenas como uma espécie de referência e ir adaptando à sua realidade. Tentando não extrapolar demais, mas também tentando não surtar no meio da rotina nossa de cada dia. Porque a verdade é que a gente já tem muita coisa pra pensar e pra fazer, não é mesmo?

Então, esse é o momento em que eu exponho publicamente as duas maiores teorias que eu ignorei solenemente para o bom andamento desta casa.

Telas: acho que até 1 ano a Agnes não assistiu tevê. Quer dizer. Não que ela não soubesse o que era aquilo, nunca tivesse visto uma ligada ou coisa assim. Só não parava ali pra ver. A gente assistia série com ela na sala, brincando, então sim, ela foi exposta às telas desde muito pequena, mas foi só por volta de 1 ano que passou a se interessar por alguma coisa que estivesse acontecendo ali. Em algum momento depois disso, um dia, muito cansada, eu coloquei um desenho pra ela ver no netflix. Ela gostou – gosta até hoje, e o desenho é Sid, o Cientista. Assistimos juntas os 5 primeiros minutos depois ela dispersou. Não temos tv a cabo, mas de vez em quando ela assiste Cultura. Hoje ela já reconhece alguns desenhos, mas o tempo é bem limitado, até porque eu percebo que quando a tevê fica ligada demais ela se irrita com mais facilidade. Na tevê ela assiste: Thomas e seus amigos, Moranguinho e Patrulha Canina, na Cultura. Na casa dos meus pais, onde tem tv a cabo, ela assiste Masha e o Urso. No netflix tem Sid. O celular ela só pega pra brincar que tá ligando pra alguém, pra ver foto – e brincar de tirar selfie, rs. Sem desenhos, por enquanto. Joguinho ela não sabe o que é. E assim vamos.

Açúcar: ai, meu calcanhar de aquiles. Queria muito que ela não tivesse consumido açúcar nesses primeiros 24 meses, mas não deu. E o motivo principal é que ela consome as mesmas comidas e bebidas que a gente, na esmagadora maioria das vezes, então em algum momento eu acabei deixando e assim seguimos. Até 1 ano tentei evitar ao máximo, se ela consumiu foi realmente muito pouco. Mas agora os sucos já são adoçados (aqui fazemos com água, não puro) e os bolos caseiros também. Mas bala, pirulito, docinhos, bolacha recheada e refrigerante estão fora do hábito, amém! (teve um dia que ela comeu uma única bolacha, na verdade, que uma menininha deu pra ela num evento que estávamos, rs). Por conta da restrição ao leite fica mais fácil barrar algumas coisas e as pessoas respeitam. É mais complicado quando estamos em família com outras crianças, imagino que a partir de agora vai ainda mais difícil de controlar, porque ela tá pedindo tudo que estamos comendo. Suco de caixinha, por exemplo, só se estamos na casa de alguém e não tiver outra opção. Picolé também já liberei desde o verão, açaí então, nem se fala (ela ama!).

A verdade é que eu vou fazendo o que a minha realidade permite. Meio óbvio, eu sei, mas é sempre bom lembrar (para nós mesmas), para evitar qualquer tipo de comparação com a coleguinha ao lado. Se algum dia eu acordo incomodada com algumas atitudes que estou tendo no momento, tento buscar formas de melhorar o que dá, do jeito que dá. Se não é possível ainda, é abraçar a imperfeição e seguir assim mesmo. Melhor minha filha ter uma mãe possível e presente do que uma mãe sempre frustrada. Porque o que ela vê é o que está acontecendo, literal e inteiramente, e não o que está dentro da minha imaginação e dos meus sonhos. Ou de algum manual (que não existe e nunca existirá, aleluia).

E assim caminha a maternidade, com os passos que eu posso dar e que não me canse ainda mais as pernas ou a vontade.

E por aí, como foram os primeiros 2 anos?

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O segundo ano como mãe e a vida fora do binômio

Ainda no clima dos registros desse segundo ano de vida que está quase chegando, hoje quero falar um pouco sobre uma situação que, sinceramente, eu não havia me preparado muito. O fim do puerpério.

Veja bem, muito se fala sobre o pós parto. É uma fase delicada, em que o bebê está conhecendo o mundo, a mãe está conhecendo sua nova condição e ambos estão tão ligados um ao outro que é quase como se cordão ainda estivesse ali. Comigo foi assim, pelo menos. Tive um puerpério meio tenso do ponto de vista dos meus fantasmas e neuras. Do ponto de vista da fusão com a Agnes, entretanto, foi um período realmente intenso, mas que curti muito. Eu sabia que ia ser assim, eu realmente queria que fosse assim. Não senti muita vontade de ir a lugares sem ela, fazer as coisas de antes, nada disso. Eu estava tão mergulhada ali no nosso oceano que não concebia a ideia de fazer qualquer coisa sem a presença dela, simples assim. Com isso eu não sofri. Se havia vontade de sair, ver gente, eu ia com ela. Estava tudo muito bem resolvido na minha cabeça, estávamos felizes assim.

Aí o puerpério acabou. Mais ou menos quando ela fez 1 ano eu senti que estava acabando. E acho que todo esse segundo ano foi uma despedida disso. Sabe quando a gente vai na beira da piscina e fica só molhando os pés, sentindo a água aos pouquinhos, ainda decidindo se pula de vez ou se entra devagar? Essa fui eu nesse segundo ano. Não foi assim tão simples quanto eu achei que seria.

Eu nunca tinha ouvido falar de mãe que não sabe lidar com isso. O que eu vejo bastante é a vontade de voltar a ter tempo pra si, a trabalhar, a sair com amigos, namorar, viajar. Tudo em torno de um distanciamento muito esperado por aquela mulher, que muitas vezes se sente sufocada ou até mesmo presa na condição de puérpera. A minha maior dificuldade estava em justamente conseguir ter essas vontades. Porque eu fazia tudo que queria, só que com ela do meu lado. Unha, cabelo, cinema, encontros com amigos, show, viagem. Onde quer que eu fosse, lá estava minha pequena moça a tira colo. Só que aí o cenário foi mudando, as demandas foram diminuindo de um lado e aumentando do outro… Eu me via sozinha (quando ela estava com os avós ou só com o pai), por minutos que fossem, e a cabeça ainda estava nela. Demorou pra virar a chavinha aqui dentro e me permitir pensar só em mim, pra variar, rs.

Em janeiro comecei a fazer sessões de coaching e, além de todos os ganhos e descobertas que tive, foi incrível perceber o quanto aquelas duas horinhas semanais só pra falar de mim estavam me fazendo bem. O quanto eu estava precisando disso. Foi quando eu realmente relaxei e abracei essa nova fase. Hoje eu já estou mais adaptada a essa vida fora da fusão. Esses dias até fui numa sessão de cinema só com a minha prima, vejam só que avanço, rs.

Ah sim, com essa nova realidade surgem novos desafios, porque  nem sempre é tranquilo conseguir conciliar as minhas vontades com as demandas dela – mas com certeza já avançamos muito (não que haja um lugar a se chegar, mas né, deu pra entender o raciocínio, haha).

Estamos crescendo, filha, estamos sim. 

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Arquivado em acontece comigo, aprender, autoconhecimento, eu mãe, puerpério, reflexão