Arquivo do mês: agosto 2016

Mãe e estudante

Então que, aos 27, quando ninguém mais achava que isso fosse acontecer nesta vida, eu voltei a estudar (quando contei pros meus pais, por exemplo, eles demoraram para processar a informação, hahah). Acabei de voltar, na verdade, comecei agora no segundo semestre.

Não sei direito como se deu, só sei que em algum momento eu me vi pesquisando uma faculdade, um curso, uma grade curricular, uma data de prova e, fim, estava a dois passos de começar essa etapa da vida de novo. Comecei a fazer Letras, na modalidade EaD, ou seja, a distância.

Escolhi que fosse desse jeito por dois motivos. Primeiro, porque eu preciso de flexibilidade de tempo e de horários, ainda é inviável pra mim, com a pequena aos 2, me ausentar todos os dias, mesmo que seja meio período. Pela web eu consigo ler os livros durante algum intervalo do dia e estudo geralmente de noite ou de manhã, momentos em que está com o pai. Eu me tranco no quarto e só saio depois de 1 ou 2 horas. Pouco se fosse em sala de aula, mas tem sido suficiente, por enquanto.
E o outro motivo é que eu realmente não sei lidar com salas de aulas, vide as duas outras faculdades que eu já tranquei. É um assinto longo e exaustivo, deixemos para uma outra oportunidade, mas basta dizer que é uma coisa que acontece e ainda bem que encontrei uma forma de driblar isso.

Sei que estou só começando, ainda tenho alguns bons semestres pela frente, mas estou  realmente animada e acho que vai ser muito bom. Me desejem sorte!

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Seja você o limite do seu filho

Uma coisa que eu aprendi quando a Agnes tinha 1 ano, numa consulta de rotina com uma pediatra que, infelizmente, só vimos essa única vez, mas que me ajudou muito. Não sei se já falei disso aqui, mas acho que sempre vale o reforço, né.

Por volta de 1 ano começa aquela fase em que o bebê está mais do que disposto a explorar tudo, mexer em tudo, destruir tudo. Pode começar antes, verdade, desde que vão aprendendo a se locomver sozinhos, mas com 1 ano digamos que eles já ganharam um pouco mais confiança. E, quando a gente vê, está falando “não” o dia inteiro. Não pode mexer no lixo! Não pode ir pra escada! Não pode sentar na mesa! Não pode colocar o dedo na tomada! Não pode comer farelo do chão! Entre tantos outros exemplos inspirados em casos reais.

Se você é como eu, que lê muita coisa pela internet afora, certamente sabe que falar “não” o tempo todo não só não adianta como faz com que o feitiço se volte contra você num futuro breve, porque uma vez que eles aprendem a falar o não, tudo é negado nesta vida, até o que estão querendo, hahaha. Existem muitos textos que falam para não usarmos essa palavra, para usar outras que tem melhores efeitos e etc e tal. A bem da verdade, eu até concordo, mas não segui muito, quando via já estava soltando alguns nãos pelo caminho, simplesmente acontecia. Mesmo que eu tentasse usar outras formas de falar, não me sentia muito eficiente em passar a mensagem, digamos assim.

E então chegou a consulta de 1 ano e fomos lá conhecer essa pediatra bem legal. Em determinado momento, Agnes desce do meu colo e começa explorar o ambiente, que é o jeito bacana de dizer que ela começou a mexer nas coisas tudo. Inclusive abriu uma porta de armário que tinha vários frascos de remédio bem ali, a dois dedinhos de distância. Eu, mais do que depressa, falei que não podia mexer. Fiz o não com o dedo, ela repetiu o gesto, riu e continuou. Foi aí que a médica disse que, nesta idade, o cérebro da criança ainda não processa a palavra falada da mesma forma que a gente, que somos muito mais eficazes quando mostramos com o nosso corpo o que pode e o que não pode. Até 3 anos, mais ou menos, eles entendem pelos gestos, pelo contato. A pequena seguiu abrindo o armário e ela me mostrou um outro jeito de lidar com a situação:

Ela, que estava atrás da pequena, se inclinou na direção da Agnes, colocou o braço na frente do seu corpinho e impediu que ela prosseguisse com o que estava fazendo. Ela não disse nada, nem foi rude, nada. Ela apenas colocou o seu braço a frente do seu corpinho (de um jeito mais “vertical”, do ombrinho pra cintura, e não só pela barriga. Deu pra visualizar?). Ela disse que esses limites físicos são muito importantes para a formação deles como indivíduos, por dois motivos. Primeiro para ela entender que existe uma ordem a ser seguida no ambiente, que ela precisa respeitar aquele espaço. E segundo, se fosse uma coisa que ela quisesse muito fazer, ela poderia tentar mais, descobrir outros jeitos, o que incentiva a perseverança e também a ultrapassar esses limites, quando é possível (isso, do ponto de vista de tudo que ela ainda passará na vida, é um aprendizado e tanto, né).

Cara, isso foi um divisor de águas na minha vida.
Ela fez umas duas vezes pra me mostrar e aí a Agnes ficou brava com aquele impedimento, óbvio. Abaixou no chão, chorou, deu uns gritos. A médica disse que era isso mesmo que aconteceria. Que eu poderia então me abaixar e acolher o choro dela. E é o que eu tenho feito desde então. E vou falar uma coisa pra vocês: é muito eficiente esse método. Claro que eles seguem testando os limites e fazendo coisas que não podem, até porque são muito bebês ainda, né, é o esperado para a idade e para o desenvolvimento deles enquanto pessoas mesmo, mas as famigeradas birras diminuem exponencialmente quando a gente age assim.

Sem contar que assim a gente age com mais presença também, realmente entra em contato com eles, e não apenas solta umas ordens no meio da ação esperando que eles nos entendam e parem imediatamente o que estão fazendo. Somos nós que estamos auxiliando o crescimento deles, e não eles que têm que fazer o que queremos nesses momentos-chave. Gosto de pensar nisso quando a coisa aperta por aqui, rs.

Bom, acho que é isso. Me contem se testarem e gostarem.
E por aí, como foi esse momento?

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Sobre o que eu preciso falar

Hoje eu tirei o dia pra desabafar.

Quando eu comecei a escrever no blog, eu tinha o único intuito de ter um lugar para desaguar meus pensamentos sobre maternidade – um tema que eu já amava mesmo ainda nem sendo tentante. Eu queria poder escrever as coisas que eu acreditava, que eu queria, que eu ansiava. Enfim, é pra isso que as pessoas fazem blogs pessoais, não é?

E, bem, eu sou uma pessoa que acredita, sabe. De verdade, eu acredito. Eu acredito nas pessoas, eu acredito em Deus, eu acredito no amor. Eu acredito. Acredito, inclusive, que a gente pode ver a vida de um jeito mais suave, mesmo nas pancadas e nos terremotos. Na verdade, eu passei a acreditar nisso com mais verdade depois que perdi meu bebê, em 2013. Eu passei a escrever aqui no blog como uma espécie de tábua de salvação, desabafava todas as minhas dores e aprendizados. Era a minha tentativa de não me afundar naquela tempestade. E deu certo.

Depois disso veio a gravidez da Agnes e a vida aconteceu da maneira que tinha que ser. Tudo foi dando certo – a gravidez foi bem, pari, amamentei, me mudei. Também cresci. E no meio disso tudo, ainda lá na gestação, eu fui entrando em grupos, fui lendo muitos relatos, fui acompanhando militâncias absolutamente necessárias, mas que acabaram me podando um pouquinho. Pois é, esse é um assunto delicado. Eu, que gosto de ver um lado bom em tudo, que preciso disso inclusive para organizar meus pensamentos, pensei que talvez eu estivesse romantizando a parada toda, coisa que a gente bem sabe que não faz muito bem, nem enquanto pessoas, menos ainda enquanto coletivo. Será que eu estava fazendo isso, meu Deus? Será que estava contribuindo para a propagação de uma coisa que, ao mesmo tempo, eu não concordava? No meio disso, comecei a perceber que as vezes algumas pessoas esperavam que eu falasse das dificuldades, do peso, dos problemas, mas quando eu via, estava dizendo que ela até que dormia bem prum bebê de 3 meses, que estava tudo bem na amamentação e que o pai dela adorava dar os seus banhos. E por que e falava isso? Porque era assim que eu estava vendo. Eu li tanto que as noites iam ser em claro, que quando percebi que nos ajustamos num ritmo de sono que dava certo pra nós duas, achei que estava sendo um sucesso. Eu respondia que ela dormia bem porque pra mim era o que era. Só depois de muitos meses me dei conta de que, na verdade, ela ainda acordava 3 vezes em várias noites, mas pra mim ela dormia bem. Mas o que as pessoas ouviam era: ela dorme a noite inteira, descanso 8 horas seguidas, sou foda, minha filha é um prodígio. Por que eu podia falar do que aprendi de bom com uma perda gestacional, mas não era entendida quando falava do que estava dando certo na maternidade real (real no sentido de que estava acontecendo mesmo, comigo, agora)?

Era como se eu não pudesse falar das belezas enquanto tinha tanta gente no meio da lama, sabe como? Eu comecei a me calar, porque não queria que me entendessem mal, porque queria também ouvir, porque não queria tirar o lugar de fala de quem está em outra vibe. Tentei, inclusive, me “adequar” e falar mais do que geralmente é escondido, mas me sentia mal. E olha, do alo dos meus 27 anos, vou falar uma das poucas certezas que eu tenho na vida: todas as vezes em que tentei me adequar, me ferrei totalmente. Na verdade, quanto mais eu falava do meu cansaço, mais cansada eu ficava, literalmente. Cheguei a conversar com o Cleber sobre isso. Amor, qual é o limite entre o desabafo e uma reclamação sem fim? Pensei muito sobre isso, depois volto pra falar desse assunto. E aí eu me calei. Nem sabia mais qual era a minha voz, ou o meu lugar, ou a minha turma. Puerpério é fogo, eu já disse. E pra mim também pegou nesse sentido.

Demorou pra eu perceber que, muitas vezes, a reação de quem está fora não tem a ver comigo, mas com a própria pessoa. Que a gente é espelho. Se você vê, está em você, é o que dizem. E isso também serve pra mim, para o que eu via. Mas este também é assunto pra outra hora. Demorou pra eu perceber que a minha forma de falar não estava anulando as outras, era só mais um jeito, que mesmo que eu concordasse com elas, não saberia falar da mesma forma, apenas porque não é a minha voz, não porque acho errado. E que tem lugar pra todo mundo nesse mundão.

Hoje eu acho que já me desvencilhei um pouco dessas amarras todas. Acho que tem lugar pra todo mundo e que cada um tem que fazer o que se sente bem. Essa sou eu, afinal. Estou tentando recuperar o meu ritmo de escrita e a forma como compartilho o que sinto. E queria muito falar disso aqui, porque a escrita tem poderes curativos em mim, então, é isso. Só queria mesmo dizer, pra mim mesma, que eu estou voltando pra mim, tentando achar o meu lugar aqui de novo. E que, dessa vez, é pra ficar.

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O presente repetindo o passado

Estou na cozinha lavando a louça. Agnes na sala, brincando com umas xícaras e outros potinhos pequenos (todos de de verdade, coisas que ainda não tinha guardado depois da mudança) e com a boneca. Ela vai brincando e conversando comigo.

-Vô fazê um cházinho pá ela, mamãe.

-Tô tomando café tum leite, mamãe.

E assim por diante. Ela ia falando o que estava fazendo, eu ia respondendo, aumentando a brincadeira.

E de repente fui transportada para um lugar que eu bem conhecia.

Eu estava na área, arrumando todos os meus brinquedos, fazendo a minha casinha. Minha mãe cozinhava na cozinha ali ao lado, a dois passos de mim.

A gente brincava muito assim. Eu na minha casinha, pegava minha neném e ia visitar a minha “comadre” ali do lado. Ela seguia fazendo seus afazeres enquanto brincava comigo.

E de repente, não mais que de repente, a cena se repete sem que eu tenha consciência do que estou fazendo, sem planejar ou montar aquela cena. Ela simplesmente aconteceu. A roda girou, o tempo passou e ali estava eu, reproduzindo uma cena que me era tão familiar – e talvez por isso tenha sido tão instintivo. E tudo entrou em foco e me senti exatamente onde deveria estar. Construindo memórias com a minha pequena moça.

Sorri sozinha na cozinha, e seguimos assim, em meio a lembranças e brincadeiras.

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Tempo e maternidade

Desde que me tornei mãe, venho aprendendo que nem sempre é simples conciliar todas as demandas dentro de um mesmo dia. São os cuidados com o bebê, o trabalho, a casa, a vida social, nós mesmas. Várias coisas, muitos papeis, diversos afazeres. Por mais que exista o cuidado compartilhado com o pai, por exemplo, e mais o auxílio da boa e necessária rede de apoio – avós, tias, vizinhos etc – ainda parece que a conta não fecha. Não sei se é culpa do capitalismo, uma característica dos tempos atuais, de tantas distrações, da nossa geração ou se é o alinhamento planetário, o fato é que não é raro encontrar mães com dificuldade para lidar com todos os pratos que precisam e/ou queremos manter no ar.

Como conseguir ter tempo pra tudo?
Como conseguir conciliar a maternagem com as outras atividades do nosso dia-a-dia?

Muitas vezes me fiz essas perguntas. Muitas vezes deixei de fazer algumas coisas porque achava que não ia dar conta de mais uma tarefa. Aí então, quando a pequena fez 1 ano e o  (meu) puerpério foi chegando ao fim, fui olhando ao redor e percebendo que a nossa rotina precisava de uns ajustes. Eu digo que pra mim foi mais “complicado” me adaptar à vida assim mais dividida do que no pós parto imediato, porque naquela época tudo que eu precisava e queria fazer era me entregar e me conectar com a minha filha. Agora que já crescemos um pouquinho, temos necessidades diferentes e nem sempre consigo atender nós duas de forma totalmente satisfatória. Tive que aprender a conciliar mesmo. Ainda estou aprendendo.

Optamos por não colocá-la na escolinha por hora, o que significa que ela está com a gente o dia todo, todos os dias. Além do mais, agora meu marido tem mais compromissos profissionais fora de casa, o que quer dizer que ele só assume o comando durante poucas horas, comparado a antes. Meus pais trabalham o dia inteiro, só chegam a tardinha e, no mais, não tenho muita gente pertinho. Para chegar até minha prima ou minha sogra são uns 15km de casa, ou seja, não dá pra ser todo dia. Então eu me vi o dia todo com uma pequena pessoa em casa, querendo brincar o dia inteiro, e ainda tendo que cozinhar, manter a casa minimamente arrumada e com várias ideias para escrever e colocar em prática. E ai, como eu faço?

A primeira coisa que eu fiz foi observar nossos dias como estavam, pra ver o que podia ser melhorado, o que podia ser descartado e o que precisava ficar. Eu não funciono bem com rotinas fixas, então não temos uma, simples assim. É importante definir as prioridades. Não adianta querer abraçar tudo sozinha, porque é estafante demais, além de impossível. Nem sempre a casa vai estar linda, nem sempre vai ter variedade no almoço, nem sempre vamos brincar a tarde toda lá fora e nem sempre vou conseguir sentar pra escrever. Aceitar isso já tira um peso e tanto das costas.

Depois disso, passei a realmente fazer o que eu tinha e queria fazer sempre que possível – e fazer surgir esses momentos possíveis. Ou seja, quando ela dorme e quando está com os meus pais. Nesses momentos eu acabava me distraindo muito e ia procrastinando na internet, ou fazendo coisas em casa que podiam esperar e quando via, lá estava a pequena acordada ou me chamando, e eu ficava sem fazer o que tinha em mente. Decidi que a soneca da tarde é, em primeiro lugar, pra ler e estudar. Quando ela está brincando com os avós, eu escrevo e descanso um pouco. Dependendo da demanda, ela fica com o pai a noite para que eu escreva. E no sono da noite, é o nosso tempo de casal.

Quando passo o dia todo com ela sozinha, intercalo as atividades. Percebi que quando tentava fazer minhas coisas com ela acordada, ela se estressava pelo tempo que eu “me ausentava”. Só que se eu não faço nada, quem se estressa sou eu, rs. Então estamos fazendo assim. Depois do café da manhã a gente sai pra brincar lá fora. Voltamos, faço almoço, ela brinca por perto, comemos juntas; brincamos com algo em casa e depois ela dorme. Aí é o tempo pra mim. Quando ela acorda, lanchamos e eu tento seguir o que estava fazendo, geralmente ela está tranquila quando acorda e brinca sozinha. Depois dou atenção pra ela. E assim vamos, um pouquinho pra mim, um tanto pra ela.

Não tem fórmula mágica, sabe. Não tem dias perfeitos. Mas tem a gente seguindo juntas fazendo o melhor que podemos com o que temos no momento. E está tudo bem assim.

E por aí, como tem sido essa questão?

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Feliz dia, papai!

Meu bem,

hoje é Dia dos Pais e eu queria te agradecer.

Não agradecer por você fazer tudo que faz, como se fosse uma espécie de favor ou ajuda. Não esse tipo de agradecimento. Um agradecimento sincero e inteiro por estarmos juntos nessa vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nas alegrias e nos perrengues. E em toda a construção da nossa família, principalmente com a Agnes.

Tão bonito de ver vocês dois juntos. Como ela te chama e te abraça de manhã, como te espera quando sai pra trabalhar, como te chama na sua ausência e pergunta o tempo todo, como fica em cima de você quando volta. Ela confia muito em você, dá pra ver de longe. Confia que seus braços estarão ali para pegá-la nas brincadeiras doidas que vocês fazem, confia na sua palavra e na sua presença. Você faz as melhores receitas e sempre se lembra da blusa de frio, muito mais do que eu, aliás, que sou desligada com isso. Ela fica mais tranquila com você do que com qualquer outra pessoa quando não estou, e isso só prova o quanto a relação de vocês é forte e saudável. Isso me acalma e me enche de amor.

Você é um pai incrível, saiba disso.

Feliz todo dia, e obrigada por tudo.

beijos nossos ❤

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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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só mais 5 minutinhos

Ontem não postei nenhum texto aqui, pulei descaradamente um dia do desafio do BEDA. Eu poderia dizer muitas coisas sobre isso, mas a verdade é uma só: eu tenho sono.

Eu não sou o tipo de pessoa que passa a noite em claro e segue a vida normalmente na manhã seguinte. Estou muito longe de ser essa pessoa. Não fui uma adolescente que virava a noite na balada e ia pro cursinho direto. Ou aquelas pessoas que vão emendando uma atividade na outra, sem descanso, só tomando energético ou café ou qualquer coisa assim, cochilando em pé no metrô ou dormindo só três horas por noite. Eu preciso dormir. Eu preciso dormir uma quantidade de horas suficientes para repor minhas energias. Mesmo que não sejam 12 horas maravilhosas numa cama king size de hotel, com lençóis de 300 fios egípcios. Mas eu preciso dormir.

O que acontece quando eu não durmo é: dor de cabeça, tontura, fraqueza, raciocínio lento, irritação, corpo pesado, choro fácil, tristeza. Além daquela sensação básica de olhos cheios de areia e olheiras de panda, mais conhecida como sono mesmo.

Essa era uma das minhas principais preocupações antes da Agnes nascer. Como conseguir descansar com um recém nascido em casa, porque a falta de sono afeta direta e imediatamente o meu dia. Bem, devo dizer que não foi nada fácil no começo, mas foi melhor do que eu esperava. Fiquei 3 dias praticamente sem dormir, por conta do trabalho de parto, e quando ela nasceu, depois de algumas horas, eu tive 2 episódios de “apagão”: entrei num sono tão profundo que nada conseguia me acordar, nem o choro dela, nem o Cleber me chamando, nem colocando ela pra mamar. Nada. Acabou minha bateria. Capotei. Depois fui descobrindo que o corpo se adapta a novas realidades. Deve ser o instinto de sobrevivência, rs. O fato é que ganhei novos padrões. Eu dormia 2 horas seguidas e achava que estava super descansada, haha. O tempo foi passando e, pela graça das deusas, ela foi se apegando ao nosso ritmo de sono e eu passei a dormir muito melhor, e por mais horas. Cama compartilhada e amamentar deitada também me salvaram, devo dizer. Chegou um tempo que eu nem sabia quantas vezes ela acordava, ou se ela acordava, eu descansava e estava feliz da vida.

Mas é claro que existem os episódios atípicos, né. Febre, gripes, saltos de desenvolvimento mudam tudo por aqui. Essa semana foi o combo da mudança de casa, eu escrevendo de madrugada (até quase 2hr) e acordando cedinho (6 hrs) pra cumprir uns horários externos. Passei o dia ontem lenta, guardando as energias para não me estressar e descontar na pequena. Pra piorar, ela dormiu num horário impossível de eu deitar junto pra dar uma descansada também, bem na hora que chegou o moço que iria instalar o fogão, e ficamos sozinhas o dia todo. Além disso, ela está demandando muito, querendo minha presença física, muito colo, inclusive durante o sono, do mesmo jeito de quando era mais bebezinha,e de noite quer ficar colada em mim, o que me impede de descansar totalmente (agora, por exemplo, está dormindo no colo enquanto escrevo – a diferença da fase de bebê para esta é uma só: o peso. Meus braços que o digam, haha) . Está puxado. Não tive forças pra pensar em nada pra escrever ontem.

Hoje está um pouquinho melhor, apesar de ainda ter sono para colocar em dia. Mesmo assim recorri ao tema para desabafar um pouquinho. Também ajuda a aliviar. Agora deixa eu ir, porque pelo horário ainda consigo fechar os olhos uns minutos antes dela acordar. Tomara que dê certo.

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Agnes e os livros

Eu sou uma leitora convicta e apaixonada desde bem pequena. Desde sempre pegava livrinhos na escola, adorava ganhá-los de presente e cuidava muito bem deles. A paixão foi crescendo junto comigo. Acho livro um presente que sempre vai cair bem, inclusive. Apesar de não ler muitos livros durante o ano, porque gosto de ler devagar e apenas um por vez, gosto de ter um sempre por perto. Ano passado eu não li quase nada e não gostei da experiência. Esse ano estou conseguindo manter um fluxo razoável, considerando que não tenho mais tanto tempo disponível assim.

Curiosidade: escrevendo esse post me lembrei que a primeira coisa que comprei pra Agnes foi um livro! Mesmo ainda não sabendo que estava grávida, Nana e eu compramos um livro do Jorge Amado ilustrado, para quando tivéssemos nossos rebentos. E elas chegaram pouco depois. Viu como dá sorte?

E bem, não posso dizer muito ainda, porque né, ela só tem dois 2 anos, esse é só o começo da sua longa e incrível vida. Mas, pelo menos por enquanto, posso dizer que ela gosta muito dos seus livrinhos.

Não me lembro exatamente quando foi que começamos a ler pra ela, só sei que desde o começo ela demonstra muito interesse e gosta muito de ouvir a gente ler. Fica prestando atenção, ajuda a virar as páginas, coisa mais linda. Depois ela foi “decorando” as histórias e falava algumas coisas junto com a gente, hahah. Ah, e não posso esquecer o principal: nunca uma história é lida apenas uma vez. No mínimo, duas.

Seus livros preferidos até hoje são, coincidentemente, 3 que vieram da coleção do Itaú.

Papai!, do Philippe Corentin.

E o dente ainda doía, da Ana Terra.

Tatu Balão, da Sonia Barros.

Ela adora esses livros! E devo confessar que eu também gosto muito. Teve uma época que só o Cleber podia ler pra ela o do Papai, por motivos óbvios, haha. E tinha vezes que líamos nós dois, fazendo quase um teatro completo, rs.

Os livros ajudam também nas viagens de carro, ou quando quero que ela desacelere um pouco. É uma ótima forma de me conectar com ela quando está muito agitada. Ela tem aqueles de texturas e figuras também, a gente brinca junto, mas na verdade começamos já com as histórias, depois que vieram os outros. E sempre que vou na livraria já vou direto pra sessão das crianças – de 5 a 8 anos, haha. Sou dessas!

É muito gostoso ter esse momento com ela – mesmo que as vezes ela chore porque não quero ler depois da sexta vez seguida. Espero que sigamos assim por um bom tempo.

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Carta para a Marina de 17

Querida Marina,

hoje você faz 17 anos. Você ainda não sabe, mas esse vai ser um ano um tanto quanto conturbado. Desculpe falar assim logo de cara, mas é verdade – e nós gostamos de trabalhar com muita verdade, você sabe.

Você vai mudar de escola, vai se apaixonar, vai quebrar a cara, vai chorar uma quantidade de lágrimas suficientes para suprir uma vila inteira. Vai ser foda. Você vai ter vontade de fugir, de ficar, de fazer com que tudo que está acontecendo seja de uma forma diferente. Vai fazer um monte de coisas que tem certeza que é porque você quer, mas depois vai perceber que não é bem assim. Mas eu não vim aqui hoje para dizer que tudo está perdido, ou o quanto você errou. Eu vim aqui para dizer que está tudo bem.

Sim, está tudo bem.

Não porque eu seja uma espécie de masoquista que gosta de sofrer e te ver assim, mas porque eu sei que você está inteira em tudo que está vivendo. Você é intensa, querida, muito intensa, e não faz nada pela metade. Você se entrega ao que quer que seja que esteja vivendo. E daqui a pouco vai perceber que se é para ficar pela metade num lugar ou com alguém, prefere ir embora logo – isso vai render muito pano pra manga ainda, mas siga firme no caminho, porque esta é você, afinal de contas.

Para não parecer que vai ser um fiasco de ano, deixa eu amenizar um pouco. Aos 17 você vai decidir voltar pra sua antiga escola, encerrar o Ensino Médio onde foi recebida na quinta série. Vai ter muitas risadas – muitas, muitas muitas mesmo, acredite. Vai ter amigas, códigos secretos, companhia para loucuras, para conversas infinitas depois da escola, para planos e tudo mais que a mente de vocês imaginarem. Vai ser foda!

Sabe, eu tenho muito orgulho da gente. Tudo isso que ainda vai acontecer nos seus 17 anos vai te marcar muito. Não exatamente pelos acontecimentos em si, mas pela forma com que você lidou com tudo, apesar de ainda nem pensar claramente sobre isso. E por como o caminho foi se desenhando depois. Independente de qualquer drama, os novos dias continuaram a chegar e você foi. Mesmo quando achava que aquilo nunca ia passar. Essa coisa de não fazer o que queriam que você fizesse foi ótimo, afirmou muitas coisas aí dentro, pode acreditar.

Hoje você completa 27 anos. Dez anos nos separam. Se eu te contar que você acordou ao lado do seu marido e da sua filha de 2 anos vai dar pra acreditar? E que agora você mora num apartamento que te traz calma e que tem um monte de coisa boa acontecendo? Não vou contar tudo, não quero estragar a surpresa. Ainda tem um bocado de histórias entre nós duas pra rolar, muita água mesmo. Aconteceu uma vida em dez anos. A sua vida. Só vem, querida. Continue caminhando que daqui a 2 anos você vai encontrar um cara muito legal e daí pra frente vai ser só sucesso, mesmo que tenha que dar novos significados a essa palavra. Dica: dar sentido ao que vive vai se tornar quase um passatempo, você vai gostar.

Pronto, chega de falar. Receba o meu abraço inteiro e demorado, acolha tudo que vier, já está dando tudo certo. Estou aqui para comprovar isso.

um beijo,

Marina.

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