Carta do dia: vamos juntas

Filha,

estes dias você tem estado mais grudada em mim, principalmente quando estamos em casa. Quer dizer, você sempre foi o “meu grudinho”, mas foi ficando mais solta e mais tranquila com o passar dos meses. Agora parece que voltamos algumas casas. Você tem preferido meu colo, só dorme bem se estou por perto, fica ao meu lado quando faço as coisas da casa, senta no meu colo quando estou escrevendo. Você quer contato físico, proximidade, algo concreto pros seus olhinhos curiosos.

Algumas vezes é complicado, porque eu preciso de um tempo pra mim também. Conciliar nossas demandas, nesses dias em que você está assim, muitas vezes cansa. Hoje por exemplo, que era para eu ter conseguido escrever e fazer outras coisas, não fiz nada. São quase onze da noite e só agora conseguir sentar aqui sozinha. Você já dormiu e ficou lá na cama, mas já acordou uma vez me chamando, em menos de 1 hora (ontem não ficou, dormiu no meu colo e por aqui ficou por todo o tempo que estive acordada, inclusive jantando).

E eu te atendo, meu amor. Mesmo não sabendo exatamente o motivo, mesmo tendo medo de você sentir algo que é só meu, que você não precisa sentir. Mesmo precisando de espaço também. Eu te atendo. Você é tão bebê ainda. Está crescendo, está aprendendo a ser você, a lidar com o tanto que acontece dentro do seu corpinho. É natural que precise de mais amparo mesmo, eu sei. Completamente compreensível que precise de mim, de um corpo físico, de uma voz conhecida, de um cheiro, um ritmo e um cuidado que você conhece desde sempre, não é?

Ia me desculpar por me mostrar tão frágil pra você algumas vezes, mas acho que não vou. Porque esta sou eu, meu bem. Esta é a sua mãe. A pessoa que chora, que fica meio pra baixo as vezes, que também precisa de cuidados. Eu sou assim e você me conhece muito bem. Inclusive, eu não preciso entender com a razão o porquê você está assim. Não preciso porque, muitas vezes, eu não sei explicar nem o que eu mesma estou sentindo – e mesmo assim sei que preciso sentir e viver para entender e deixar passar, e dar mais um passo. Daqui a pouco já assimilamos tudo isso e estaremos andando em outro ritmo, você vai ver.

Obrigada por estar comigo nessa caminhada, filha. Aprendo muito com a sua presença, saiba disso.

com amor,
mamãe.

 

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Arquivado em Agnes, carta, sentimento, um dia de cada vez

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