Arquivo do mês: outubro 2016

Aos 2 anos e 3 meses

Aos 2 anos e 3 meses, a criança está em pleno processo de transformação e crescimento. A busca por autonomia e pelo próprio espaço é constante e ininterrupta. O que fica bonito escrito assim, mas na prática significa que:

ela chora muito;
quer comer sozinha;
quer escolher as roupas que vão ser usadas no dia – as dela e as suas também;
quer colocar a roupa sozinha – inclusive e principalmente aquelas que ela ainda não consegue;
colocar o tênis sozinha;
calçar a meia sozinha;
chorar porque não consegue calçar a meia;
deitar no chão porque está chorando;
mudar de assunto imediatamente depois que você tenta argumentar e oferecer ajuda.
ela imita tudo que você faz;
repete conversas que você achava que ela não tinha ouvido;
canta, dança e interpreta.
e chora.
não podemos esquecer do choro.
que pode começar por qualquer motivo que você possa imaginar – e seguir pelos que você jamais pensaria.

É meio enlouquecedor, sabe. Ao mesmo tempo que achamos lindo todo esse desenvolvimento, também acontece de rolar umas surtadas de vez em quando.
A gente vai a extremos de amor e de loucura. No mesmo dia.
Até poque ela também abraça quando percebe que estou triste ou nervosa;
dá um bom dia muito fofo e de bem com a vida;
diz que vai meditar;
se alonga junto quando me vê fazendo isso.

Além de várias outros momentos.Para ilustrar, uma cena de dias atrás:

No café da manhã:
-Mamãe, eu téo (quero) tomer (comer) manteiga. Pode?
-Não, filha. Só na bolacha ou no pão.
-Eu vou comer no tarto (quarto).

Isso porque dias atrás eu apenas ouvi a porta do quarto fechando e, quando fui ver, a senhorita (de quinze anos, aparentemente) estava com o pote de manteiga lá, comendo de boas (ainda bem que foi muito pouco).

E esse é o breve resumo da nossa atual fase.

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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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Para Cuidar de Mim

Queria contar que tô com um projetinho novo lá no instagram: o Para Cuidar de Mim.

Há tempos venho querendo fazer algo do tipo, mas nunca sabia muito bem por onde começar, pra onde ir. Depois de muito pensar, percebi que o negócio era falar sobre aquela coisa que a gente nem sempre faz com a frequência que gostaria: cuidar da gente mesmo.
Eu gosto de cuidar de mim. Gosto de me dar esse tempo, de me dar esse olhar, essa oportunidade.

Não falo de um coisa só. Falo do que anda fazendo sentido na minha caminhada. Dos meus processos de autoconhecimento, de respirar, de estar presente, de conviver bem com quem somos – e de um chocolatinho de vez em quando também, porque sim.

Vou deixar aqui o textinho que escrevi de apresentação e o convite para você vir conhecer e me fazer companhia, se quiser.

“Toda vez que eu vejo alguém dizer que está sem tempo pra nada, com a cabeça cheia, atolado em trabalho, tenho vontade de marcar uma horinha em sua agenda, só pra ela conseguir relaxar um pouco. Sim, eu sou essa pessoa que quer que ou outros descansem, que parem um pouquinho o ritmo frenético e olhem um pouco para si mesmos. Sabe assim, uma tarde tranquila, conversa fiada, ficar sentado na sorveteria vendo a vida lá fora? Gosto dessa ideia. Gosto de poder parar o tempo um pouquinho, tomar suas rédeas pra mim, pelo menos por duas horas numa semana bem corrida. Só não sigo em frente marcando o tal horário, porque aí seria mais uma coisa que ela teria que fazer, e não algo próprio, de dentro pra fora É tão importante a gente cuidar de quem somos. É tão importante ser gentil com o que sentimos, respeitar nosso corpo, nossos sentimentos. Inclusive, acho que é só assim que a gente consegue ser melhor pro mundo também. E o mundo anda precisando demais de calma, de respiro, de carinho, né? O Para Cuidar de Mim nasceu da minha vontade de espalhar a ideia do cuidado próprio por aí. Vou falar muito dos meus processos, das minhas memórias e dos caminhos que tenho andado, porque acredito que falando de como é aqui pode ser o começo de um diálogo entre a gente. O Para Cuidar de Mim é um projeto, em primeiro lugar, de autoajuda: as coisas que eu faço para me ajudar a estar bem na minha pele. Vai ter palavras-pensamentos e palavras-ações. Reflexões e também práticas cotidianas. Não é pra ter seguidores, só para ter companhia mesmo.”

Você pode acessar a página clicando aqui.

Ah, o Travessia segue normalmente. Sei que as postagens andam escassas, mas esse espaço ainda é o meu potinho de boas recordações e reflexões maternas. Estou sempre aqui, mesmo quando parece que não. Se precisarem de qualquer coisa ou só dar um oi, me escrevam: marina.matos03@gmail.com.

Vamos juntas?

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