Sobre escola, o tempo de cada um e expectativas superadas com sucesso

São onze da manhã e eu tô aqui com saudade da minha pequena moça. Mãe é bicho estranho mesmo. Passa o dia inteiro com a cria e reza um terço inteiro pra conseguir uma folga, ir fazer outra coisa, ter um tempo em silêncio pelo amor de deus. Aí a quiança começa a ir pra escola e na segunda semana tá a mesma mãe com saudade apertada, sendo que deixou a pessoinha no portão há três horas atrás.

Vai entender.

Mas sim, é oficial. Agnes está na creche. Depois de exatamente um ano na fila, saiu a vaga na CEI aqui perto de casa (que eu queria que fosse mais perto pra levá-la a pé, mas é inviável com mochila, ladeiras etc) (ok, eu volto a pé sozinha e já é um exercício pra começar o dia).

Ano passado a gente até tentou que ela fosse pra uma escolinha. Compramos material, uniforme, mochila quase do tamanho dela, lancheira… pacote completo. Menos de dois meses depois estávamos na secretaria pra cancelar tudo, porque ela realmente não estava bem. Não estava feliz, pra ser bem sincera. Era visível em seu rostinho que não estava se sentindo bem naquele espaço. Chorava quando eu dizia que era hora de tomar banho pra ir escola, na trajeto até lá, na porta e entrando. Depois eu até recebia foto dela no whatsapp (“olha, mãe, ela ficou bem”), mas como eu dizia: não é porque não está chorando que está tudo bem. Tem todo o contexto envolvido. Ela não interagia, comia muito pouco, tinha a expressão do rosto de quem não estava bem ali. E saía de lá irritadíssima, brigava muito comigo e com o pai, batia, chorava… estava mesmo liberando seus sentimentos com a gente, que era onde ela tinha segurança. E nós, que a conhecemos muito bem, vimos que sua vitalidade estava caindo e voltamos atrás. Melhor decisão. 90% da irritação passou já no dia seguinte, foi visível o quanto ela gostou da novidade.

Tudo bem, ficou o aprendizado que cada coisa tem o seu tempo e aquele não era o dela. Eu até gostava das tardes escrevendo em cafés e indo ao cinema, mas é óbvio que não estava disposta a pagar um preço tão alto por uma cena ideal. Voltamos para a companhia uma da outra em tempo integral. Quer dizer, ela voltou pra companhia dos pais em tempo integral, não só da mãe. Já que temos esse privilégio de trabalhar de casa, que usemos a nosso favor, né.

Eu sabia que esse ano a colocaria na escola, mas não fazia ideia de onde seria. Não havia possibilidade de pagar as escolas que eu gostava mais, não consegui bolsa em uma super querida do coração. E pra pagar de novo algo que a gente podia mas que não fazia bem pra ela, que era mais espaço fechado e nenhuma grama, tudo tão padrão e igual e com apostilas… de novo, não, obrigada.

Em janeiro recebemos a ligação da creche pública e aceitamos prontamente. Está longe de ser daquele jeito que eu sonhava, ou de ter o espaço físico que a gente curte mais, mas gostamos do que vimos, sim. O mais interessante foi perceber que, mesmo antes de conhecer, a própria Agnes estava curtindo bem mais aquela escola do que a anterior. A começar pelo nome, que começa com “estrela”. Ela adora céu, estrela, nuvem, sol… Disse que a próxima escola vai ser de lua e sol, hahaha.

Essa é a parte que eu digo que estou adorando a praticidade da escola pública. Sem frescura de material, sem alfabetização na educação infantil, alimentação toda deles (que é ok, mas tudo bem). Simples e funcional, sabe assim? Minha única insegurança era sobre o horário, já que para creche a carga é de 10 horas por dia. Meu Deus. A gente mal dá conta de meio período longe uma da outra, imagina o dia todo, como é que vai ser isso? O máximo que consigo, pra enxugar esse horário, é levá-la no último minuto (haha) e buscar no primeiro instante.

Semana passada foi o começo. Deixei ela lá, que chorou um pouco, e voltei quase chorando também. Mas quando fui buscar estava tudo bem, ela estava animada, me contou tudo, foi uma alegria só. Foram três dias saindo às onze da manhã, e dois dias saindo às duas da tarde, pra ter a adaptação do sono – que era outro fator que me “preocupava”, porque em casa ela já não dormia a tarde há tempos e pra dormir longe dos pais é bem difícil. E querem saber? Ela dormiu e dormiu rápido. Eu disse pra professora que ela gosta de companhia pra dormir, aí ela sentou do lado dela e fim, dormiu.

Hoje será o primeiro dia que a buscaria no horário “oficial”, sem adaptação. Vamos ver como estará. Mas ela sabe que horas eu vou e isso já nos acalma. Todos esses dias, quando nos despedimos, ela chora, mas depois de dois minutos não está chorando mais (eu vejo porque muitas vezes sou eu que levo a mochila na salinha dela, já que todos os dias a #menas aqui chegou atrasada e eles já estavam no refeitório, hahaha. Mas o bom é que eu vejo que está tudo bem e saio mais tranquila também).

Enfim. Ano novo, rotina nova.

Que seja bom pra gente. Que ela seja muito feliz. É só isso que esse meu coração de mãe deseja pra ela.

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2 Comentários

Arquivado em Agnes, escolhas

2 Respostas para “Sobre escola, o tempo de cada um e expectativas superadas com sucesso

  1. Luciana

    Sei bem Má como é e como se sente. Eu passei e continuo passando por isso, com os meus filhos. E esse ano, tive que aumentar a jornada e tive que também ampliar o horario deles na escola. Sei que tudo é um processo e eles tiram de letra. Sempre digo, inicio do ano letivo é uma adaptação para os filhos e para nós pais. Beijos

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  2. Opi

    Nossa, que bacana. Há uns anos o ensino público aqui em “Serra Pelada” era exemplar e eu sonhava levar Abeille (que ainda nem era nascida) para a escolinha municipal. Depois a coisa desandou e eu tive que adotar essa opção, exatamente como você descreve: Cimento, apostilas e preço razoável para pagar.
    Que bom que está dando certo para vocês e ficarei na torcida para que seja cada vez melhor. Isso prova que ainda há políticas públicas aplicadas de forma eficiente, que geram bons resultados e podem fazer frente à iniciativa privada. Beijo grande para vocês.

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