Arquivo do mês: outubro 2018

Grávida de segunda viagem

Uma das coisas mais legais de estar grávida do segundo filho é a tranquilidade.
Veja bem, estou aqui com minhas 17 semanas e tô tão relaxada que as vezes acho que é bom achar algo pra pensar, se não me perco,daqui essa pessoa nasce e eu vou estar aqui achando que ainda estou de 4 meses, hahaha.

Aliás, a primeira coisa diferente já é essa.
Vez em quando eu falo o mês, e não as semanas. Da primeira vez é: estou de 16 semanas e 6 dias. 17 semanas e 4 dias. 30 semanas e 2 dias. Agora está sendo: tô de 16 semanas – sem detalhes, rs. E pra quem prefere eu falo em meses e tudo bem, tranquilo. O resumo é: tá previsto pra nascer no fim de março e isso é tudo.

Não tô pirando com equipe de parto, como da primeira vez (aliás, na primeiríssima gestação, que foi a de bolota, eu já tinha doula com 6 semanas :P). Estou fazendo o pré natal pelo SUS e com 28 semanas vou na Casa Angela – e se algo tiver que ser diferente, eu vejo quando chegar a hora.
Não comprei nada-nadinha ainda. Tenho alguns poucos macacões e bodys que foram da Agnes, as mantas dela; minha tia deu umas roupinhas esse fim de semana, e é só.

Considero que tive duas primeiras gravidezes, rs, já que a primeira mesmo não evoluiu aos 4 meses – céus! é a mesminha idade gestacional que estou agora. E a gestação da Agnes, que foi bem tranquila, em termos físicos.

Estar cuidando da minha mente, da minha ansiedade, das questões todas que me rondam está fazendo uma super diferença nessa calma que sinto agora. Ter dedicado tempo pra mim mesma, para os meus interesses e vivências para além dos limites maternos, também. Vou aos meus shows, sozinha ou acompanhada. Tenho meus momentos sozinha, em silêncio. Tenho produzido bastante, ido nas rodas de mulheres. Tudo isso só me fortalece e acalma meus passos.

Claro que o fato de já ser mãe também ajuda. A gente sabe que vai dar tudo certo. Dá pra comprar roupinha depois que nascer porque as lojas ainda estarão todas abertas. O parto é um evento tão selvagem que não dá pra fazer mil programações (além de pré natal certinho e informações baseadas em evidências científicas, óbvio). Um monte de coisa que compra não usa, e assim vai.

Recém nascido precisa mesmo é de colo, fralda limpa e livre demanda de amor. Mãe precisa mesmo é de rede de apoio (em todos os tempos). Isso é mais trabalho interno, entrega, disponibilidade e combinados do que outra coisa. E é só com a prática, então é construir a base da segurança antes e fortalecê-la com as escolhas e a prática quando chegar a hora.

Da segunda vez a gente sabe que tudo se ajeita no tempo certo, que as coisas acontecem – e que o desespero e a ansiedade não são bons amigos das grávidas e puérperas – na real, não são de ninguém, mas quando envolve muito hormônio e uma pessoinha que acabou de chegar no mundo, aí fica mais complicado, né.

Não tem arrependimento nessa minha fala. Acredito que as tudo pode ensinar, e que estamos sempre fazendo o melhor com os recursos internos que temos. Então sim, dei o melhor das primeiras vezes. Estou dando o meu melhor agora. Mesmo sendo diferente. E tá tudo bem. Muito menos acho que vai ser igual, porque se eu já mudei um monte, imagina estar lidando com outra pessoa. É bem diferente, sim. (E eu já sinto que sim, mesmo; são energias bem diferentes). Digo mais sobre ansiedade mesmo, sobre querer controlar os eventos todos muito antes de eles sequer existirem.

E posso dizer que é assim que estou hoje, né. Não tô garantindo nada pro futuro, hahaha. Mas é bom registrar pra lembrar depois. Tô desencanada mas tô bem feliz com essa nova vida já se mexendo aqui dentro. Muito amor envolvido.

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Arquivado em acontece comigo, calma, coisa linda, desenvolvimento, gestante, vida real

não precisa esperar nascer

No fim do dia
sinto o bebê mexendo
dentro do meu ventre
pela primeira vez por vários minutos
vezes seguidas
sinto
leves movimentos
a vida brincando dentro de mim
crescendo
reconhecendo espaços
mandando sinais
me fazendo lembrar do agora
do que importa ser
cultivado
nutrido
cuidado
e então eu paro
celebro
sorrio e consinto
a força é tão grande
potente
que a gente sente
mesmo antes de ver

e hoje
no limiar
entre o fim da tarde e o princípio do luar
lá estava a vida
ativa
a avisar
que já existe agora
e que não é preciso esperar nascer
para sentir
nascer
para dizer
nascer
para viver
abrir caminhos por dentro não só é possível
é o princípio
da vida
do sim
e da revolução de ser.

Marina Matos
em 11 de outubro de 2018.

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