Arquivo do mês: novembro 2018

A primeira carta

Liz,

em abril, sua irmã disse assim pra vovó Zazá:
– vovó, sabia que a mamãe vai comprar uma irmãnzinha pra mim?

Eu ainda não sabia que você vinha, mas naquele momento eu entendi que talvez já tivesse alguém por perto, esperando o momento de chegar.

Ainda brinquei que eu ia procurar nas lojas, a gente deu risada, a vida seguiu. Ela não falou mais no assunto.

Em julho, o teste de gravidez deu positivo.
Um dia antes da sua irmã completar 4 anos.
Nem atrasada eu estava, mas sentia sua presença.
E no instante exato em que eu peguei o celular para conferir se já tinham se passado os minutos pro teste ficar pronto, chegou uma mensagem de texto com a única frase: é bem isso mesmo.
Era isso mesmo. Positivo. Você já estava por aqui.

Quando fomos contar pra Agnes, o papai disse:
– Filha, o que você acha da ideia de ter um irmãozinho?
– Não.
E continuou brincando.

Passou uns dias e eu quis tocar no assunto de novo:
– Filha, lembra quando você falou pra vovó que a mamãe ia comprar uma irmanzinha pra você?
Os olhinhos se acenderam.
– Sim!!!
– Então, é que a gente não compra, o bebê está sendo feito aqui na minha barriga.
_ É, mamãe? A minha irmanzinha?
– Ainda não sabemos se é menina ou menino, meu amor. Vamos descobrir daqui um tempo.
– Tá, mas é a minha irmanzinha.

E daí em diate era só isso. Quem falasse que era irmão, ela logo tratava de dizer que não era. De vez em quando eu tentava dizer pra ela que podia ser legal se fosse um irmão também, mas ela falava com tanta simplicidade que a gente começou a dizer que sim.

E antes disso, antes até que eu contasse pra ela que eu estava gestando, certo dia tive um “sonho” em que eu via um bebê com roupinha branca, perto de muita luz, e me veio a frase: Liz é luz.

Apesar de ter sonhado outras vezes com outros bebês, isso ficou no fundo do peito e eu sabia que, se fosse menina, o nome seria Liz.

Seu pai disse que não tinha nenhum palpite, mas “coincidentemente” não aceitou ne-nhum nome de menino que cogitávamos. Nada o fazia gostar.

Você sempre foi Liz.

Nossa pequena e amada Liz.
Que já me traz uma força absoluta e uma calma igualmente marcante. Está sendo maravilhoso ter você aqui com a gente – e agora já sentindo seus movimentos.

A gente pode não ter calculado milimetricamente a sua chegada, minha amorinha, mas em algum lugar a gente sabia que você vinha.

Estamos muito felizes com a sua presença, meu benzinho.
Que bom que está sendo exatamente assim.

com amor,
mamãe.

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