Só mais um dia

Segunda-feira, 29 de abril de 2019.

Hoje a Agnes não foi pra escola, simplesmente não deu para sairmos de casa. Não tinha almoço na hora certa, e nem depois disso. O macarrão já pronto que iria salvar a refeição estragou e não havia nada mais pronto pra comer, nem eu conseguia chegar perto da cozinha para improvisar qualquer coisa.

No dia em que completou um mês, Liz acordou com muita saudade da barriga, aparentemente. Só peito e colo dava jeito. E mesmo assim chorava. Quando não chorava, reclamava. Sono leve, irritada, sem muito espaço para fofuras. Demanda nível hard.

Eu só consegui fazer uma vitamina e cortar uma fruta quase quatro da tarde. Agnes, que tem pedido tanto pra faltar na escola, até disse que queria ter ido, por perceber que estava intenso por aqui. “Não deu, filha. Hoje a mamãe deixou você em casa porque a demanda mudou e, pra não sair correndo atrasada estressada, resolvi te deixar em casa pra gente ficar juntinha e entrar em outro ritmo, porque a Liz precisa de mais colo hoje”. Vimos muitos desenhos, fomos comendo quando dava e a bola de pilates me salvou de choros infinitos, mas quando chegou a noite eu não aguentava mais aquele balanço.

Quatro e meia minha mãe chegou. Liguei pedindo pra ela vir direto pra cá quando chegasse do trabalho. Deus abençoe as avós e toda rede de apoio que existe nesse mundo. Ela trouxe pão, fez janta, brincou com a Agnes, lavou a louça.

O cansaço físico é grande. O braço dói de segurar e ninar essa pequena bolinha o dia inteiro. Senti tontura de manhã, mas fui percebendo que estava começando a me estressar e relaxei. A melhor decisão foi ter ficado em casa mesmo. Suspende o dia e abre uma janela pra viver o “tempo fora do tempo”. É outro ritmo, outra vibe, totalmente. Aí relaxei. Ainda bem que consegui tomar banho numa pequenina brecha logo no início da tarde, isso também ajudou muito.

Hoje eu prefiro ser a mãe com a cabeça no lugar do que a mãe que quer dar conta de tudo.

Ninguém precisa dar conta de tudo.

Hoje foi assim. E quando chegou a noite, só nós três em casa de novo, mesmo com duas pra fazer dormir, ninar uma e fazer carinho na outra; balançar e contar história; deitar em silêncio e só esperar o sono chegar. Mesmo quando eu queria silêncio profundo e deitar sozinha na cama pra dormir por doze horas, eu sabia que ia passar. É só um dia em nossas vidas. Amanhã pode até ter choro e tudo de novo, mas é isso, vai ser outro dia. Fiquemos no hoje, por enquanto. Uma coisa de cada vez.

Não é preciso dar conta de sustentar tudo em funcionamento o tempo inteiro mesmo. Basta viver o que está sendo pedido, da forma que conseguir e puder. Não tem atalho nessa coisa de vida. Que eu me lembre disso pra seguir adiante, pois tudo é caminho e o andar importa mais que o destino.

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1 comentário

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Uma resposta para “Só mais um dia

  1. Adorei seu esse seu artigo, realmente é um dos melhores blog que estou visitando. Suas postagens são excelente! Parabéns!

    Já até salvei em meus favoritos..

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