Arquivo do mês: junho 2019

Cama na sala

É isso mesmo. No feriado que teve semana passada, dia 20/06, dormimos todos na sala.
Cleber chegou do trabalho as onze da noite e colocou nosso colchão de casal na sala, ao lado do colchão de solteiro da Agnes, que já estava ali. Ela estava esperando por isso, animada. Quando arrumamos tudo, ela era pura felicidade. Corria pela casa, ria, dizia que estava muito feliz. “Eu tô tão feliz que a gente vai dormir na sala, mamãe! Eu tô tão feliiiz!!!” e corria, e ria mais.

“Esse era o meu sonho, mamãe. Meu sonho foi realizado”

Gente, que emoção. Juro que eu quase chorei. Que coisa mais bonita de ver uma pessoa genuinamente feliz. E foi tão simples, sabe. Dormimos na sala da nossa casa. Cleber, Agnes, Liz e eu. Não gastamos um centavo, não precisamos arquitetar nada. Estava tudo pronto e dado, a nós coube apenas acertar o ponto de vista e arrastar um pouco a mesa da sala. Lá estava. Nosso acampamento particular. Nossa diversão.

Ouvir a Agnes falando em sonho realizado foi um quentinho no coração muito gostoso. Quando é que ficamos tão felizes assim? Quando é que nos permitimos sair correndo de alegria comemorando algo que queríamos muito? Quando é que colocamos os sonhos tão longe de nós, que complicamos as coisas? Quero me lembrar disso. Quero aprender com ela. A pedir o que quero. A esperar pelo dia com entusiasmo e alguma ansiedade. A festejar a conquista. A querer o que o meu coração pede – e que tantas e tantas vezes é muito mais simples do que parece, mas que tem uma força imensa que acende o farol interno e ilumina tudo até chegar aos olhos.

Confesso que dormi melhor que muitas noites, acho que mudar o visual por uma noite ajudou a relaxar, foi ótimo. Além do mais, realizar sonhos me deu uma leveza danada. E sonho de filha é sonho de mãe também. Descobri esses dias.

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O fogo e a baleia

Meu primeiro puerpério foi punk.

Lembro de falar pro Cleber que eu não queria ter outro filho porque não queria passar por essa fase de novo. Forte.

Eram muitas sombras e as vozes da minha mente não me animavam muito. Apesar de eu estar realizando um sonho de uma vida, com uma bebê saudável e linda nos braços, tendo tido parto natural e estar tudo bem na amamentação, eu não estava muito bem. E era difícil admitir isso. Nem todo mundo quer ouvir sobre essas coisas.

Quatro longos anos se passaram e eu ainda não cogitava engravidar de novo. A Liz teve que esperar um bocado, e mesmo assim chegou de mansinho dentro de mim. Passei a gravidez sem saber direito como seria dar conta de duas, emocionalmente falando. Mas não fiz nenhum plano, eu teria que esperar pra ver.

E ela chegou.

Parece que junto dela nasceu um amor transcendental, de tão grande. Acho que não estava preparada pra isso, mas que bom que foi assim. A melhor surpresa da vida, sem dúvidas. E a melhor parte dessa história, se é que tem só uma: estou vivendo um puerpério muito mais leve. Todo o caminho percorrido até aqui, não ter jogado nada pra baixo do tapete mas sim descartado os excessos, ter buscado equilíbrio e serenidade foi maravilhoso.

Tem sido incrível olhar pra vida com mais amor com duas mestras tão generosas.

A Agnes é o fogo que iluminou e transmutou o caminho que me levou pro fundo do mar. A Liz é força profunda e tranquila de uma baleia que me diz que é seguro e muito bom viver nas profundezas. É o nosso lugar. E eu amo que seja exatamente assim.

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Irmã mais velha, uma construção

Esse post está iniciado nos rascunhos desde que a Liz completou 2 meses. Pois bem, já comemoramos o quarto mêsversário e ainda não escrevi, rs.

Talvez seja uma questão de título. Pensando melhor sobre o que eu ia dizer, cheguei a conclusão de que não é exatamente “Irmã mais velha, uma construção”, e sim: pais de duas, uma construção. Porque as questões que tem aparecido por aqui são muito mais desse âmbito do que da Agnes propriamente dita.

A pergunta que eu mais ouço é: e aí, Má, a Agnes está com muito ciúme?
E a minha resposta é uma só: ela sentiu a chegada da irmã, sim. Ficou mais sensível, sim. Mas isso está muito mais direcionado para o Cleber e pra mim do que para a Liz, exatamente.

Com a Liz ela é amor, brincadeira, encantamento. Apaixonada por essa neném que chegou. Quando ela chegou na Casa Angela para nos ver, umas cinco horas depois do nascimento da irmã, Cleber e eu estávamos preparados para dar colo pra ela, mimar, aconchegar. Estávamos com saudade da Agnes. E qual foi a cena que aconteceu? A Liz estava dormindo no bercinho. Ela entrou e mal olhou pra nossa cara, foi direto lá pra ver o “pacotinho de neném”, e ainda quis saber por que ela não estava no meu colo, quase que levei uma bronca, hahahaha. Naquele dia ela já segurou a irmãzinha, passou a tarde inteira lá com a gente, brincou, esteve junto, foi muito gostoso.

Logo ela assimilou que aquela pessoinha precisava de mais atenção para tudo. E quando eu ia trocar, dar banho, essas coisas operacionais, ela entendia. O que não fez muito sentido, por assim dizer, foi a questão: por que  mamãe não está mais ao meu lado todo o tempo? Isso na minha interpretação, né. Ela ficou mais chorosa, ainda me queria perto na hora de dormir e não aceitava o pai, quis vestir as roupas da bebê. Mas sempre carinhosa com a Liz, sempre conversando e dando beijinho. Até que um dia ela falou: eu acho que vocês dão mais atenção pra ela do que pra mim. E lá vamos nós explicar, de novo, pela centésima vez, que a atenção chega diferente pra elas por conta da idade, que ela também já foi desse tamanhozinho, que era uma fase. Depois tivemos os dias em que validei o sentimento dela: “filha, você está com ciúme? Tudo bem sentir isso, eu te entendo” e seguiam os discursos todos de novo.

Não é que tenha sido uma surpresa, sabe. Cleber e eu conhecemos bem a nossa filha. Sabíamos que essas coisas estavam por vir. Acho que está sendo até melhorzinho do que pensamos. Existe também o fato de que num período de 03 meses aconteceram muitas coisa: nos mudamos de apartamento, ela ganhou uma quarto só pra si (no anterior era um quarto só, dormíamos todos juntos, então ainda teve essa adaptação: dormir no próprio quarto. Sim, ela ainda vem ora nossa cama e isso é normal). Além disso, começou uma escola nova com muito mais alunos, e daí veio a greve e tinha aula alguns poucos dias da semana. Aí pedimos sua transferência para uma escola mais perto de casa achando que demoraria meses, por motivo de: escola pública fila imprevisível, e a vaga saiu bem rápido. Ela começou na escola nova, de novo, 2 dias antes da Liz nascer. E o Cleber trabalhando fora numa escala 12×36 (dia sim, dia não). Ou seja. Só de escrever isso aqui agora já cansei e tive vontade de chorar, imagina ela, né? Foi uma mudança substancial no modo como ela vivia, em pouquíssimo tempo. Muito natural que tenha choro, sensibilidade, vontade de grudar na mãe.

Por falar em grudar na mãe, me lembro que já no fim da gestação eu não deitava mais com ela pra dormir, por conta da minha barriga, preferia ficar sentada. Aí veio o pós parto e ais repouso. E a Liz no colo o tempo todo. Um dia eu consegui deixar a neném no carrinho e deitei com ela pra fazê-la dormir. E ela disse: mamããee, você já pode deitar comigo! Tô tão feliiz!! A gente se abraçou  e aproveitou esse momento.

Mas claro que eu também chorei.

Não é mesmo fácil. Durante o primeiro mês e parte do segundo eu a fiz dormir com a Liz no colo. Tinha dias que era eu entrar no quarto e a Liz chorava muito, não se acalmava de nenhum jeito. Aí eu precisava sair do quarto, acalmar, andar pela casa, ligar chuveiro, ficar na bola. Acalmava. Voltava pro quarto e tudo de novo. Bagunçou bastante o horário do sono da Agnes. Não rolou isso de “manter a rotina dela igual”. Pois se nada mais era igual, como querer que os horários ficassem, né? Só teve umas duas vezes que ela disse, nesses momentos de choro a noite “queria que a Liz voltasse pra sua barriga”, hahaha. Quase que eu respondo: eu também, filha. Tem que rir pra não desesperar. Mas é porque a Agnes não curte muito barulho mesmo. Com certeza a hora do sono foi a que mais sentimos aqui.

O desafio é continuar brincando com ela. Puerpério é caverninha. E por mais que este esteja mais suave e iluminado, ainda é tempo de conexão máxima com o recém nascido, né. Eu não tenho mais o mesmo pique e a mesma vontade de sentar no chão pra brincar, inventar historinhas, ser didática e lúdica o tempo todo. Por um lado é bom porque ela tem aprendido a brincar sozinha de faz de conta, com os bichinhos e bonecas. Por outro lado, sim, é claro que tem momentos  que ela quer brincar especificamente comigo e eu não tô a fim. Estamos aprendendo a ceder, a respeitar nossos limites, a lidar com esses desconfortos… um dia de cada vez, aquele lema máximo das fases mais complicadinhas.

Todo mundo fala que quando nasce um bebê o mais velho cresce e é muito verdade. Impressionante. A Agnes cresceu, literalmente. Perdeu roupas, o cabelo cresceu, até engordou um pouquinho. Ver isso diretamente de dentro do pós parto ampliou tudo. Mas aí a gente fica achando que na cabecinha deles o crescimento foi ainda maior e, bem, não é assim, haha. Ela continua sendo uma criança de cinco anos (quatro quando a irmã chegou), mas não raro eu preciso voltar a me lembrar disso e dizer a mim mesma que cinco não é oito, rs. Espero que não esteja sendo tão traumático pra ela, rs.

Agora, a Liz com quatro meses, tá muuuito bonitinho de ver as duas brincando. A Liz é enlouquecida pela Agnes. Ela passa e a Liz fica vidrada. As vezes já começa a rir, e a Agnes nem tinha falado com ela, hahaha. E faz umas semanas que a Agnes descobriu que quando a Liz chora no carrinho, por exemplo, se ela começa a pular, a Liz para pra ficar olhando. Isso virou a sensação, haha. E a mãe faz o que? Agradece, né, manas. Que é bom demais ver essa interação das duas? É sim. Mas ter alguém pra distrair a bebê com disposição é bãããããooo demais da conta. Hahahah. Ter uma mais velha dá uma outra leveza pra maternagem, tô achando surreal.

Existem os desafios, existe a fase de adaptação de todos nós, existe um desconforto natural que as mudanças trazem. Mas ainda continuo enxergando o saldo muito positivo. Amo olhar a gente na sala de casa numa manhã de sábado, todo mundo de preguiça. Ou indo pro parque andar na grama, ou até na correria pra chegar a tempo na escola. Essa fase é intensa mas está deixando boas lembranças. Vou gostar de ter essas memórias quando o tempo passar.

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Liz – 2 meses

Nossa amada Liz fez 2 meses no dia 29 de maio.

Eu confesso que estou abismada com o tanto de amor que cabe num coração de mãe.

Ok. Na verdade, eu não tinha tanto aquela dúvida de “será que dá pra amar os dois, ou o segundo filho como o primeiro?”. Sei lá, eu sentia que ia rolar, com certeza. Minha dúvida sempre foi em relação à minha relação com a Agnes, na verdade, como é que seria afetada com a chegada de um baby – e sobre isso tem post sendo preparado já, com as vivências desses primeiros momentos. Mas enfim. Voltando ao amor pela Liz. É enorme, gente. Muito, muito grande mesmo, daqueles que não dá muito pra explicar, sabe assim?

Ela está uma fofura só.
Dá sorrisinhos muuito lindos e tem uma covinha de um lado só, perto da boca.
É uma neném muito tranquila, de modo geral. Sossegada, não costuma chorar muito, fica de boas no carrinho e na cama. Algo impensável na minha primeira experiência, aliás. Mas né, cada um é cada um real oficial. Mas tem seus momentos de choro, claro. Geralmente a noite, quando passa do limite do cansaço do dia. Ou outra coisa, sei lá. Não tem um padrão específico, haha. Aí é colo, ninar, ruído branco, bola e o implacável barulho do chuveiro. Muitas vezes é só assim que ela se acalma.

Algumas vezes já dormiu sem mamar, outra surpresa dessa segundinha.

Ela ama olhar pra Agnes! Fica olhando com aqueles olhinhos de admiração, coisa mais linda de ver. E dá muitos sorrisos pra ela. Eu e Cleber também ganhamos vários sorrisos, aliás. Sei lá, é muito doido, porque quando eu vejo o jeito que ela olha pra gente, me vem muito forte uma sensação de que ela tá adorando ter chegado aqui, finalmente. Estou escrevendo para não esquecer, inclusive. Essas percepções são tão legais, e dizem tanto de nós. É bom poder registrar isso assim, livre, como tem vindo.

Baby Liz também adora tomar banho. Já foi nas 3 modalidades: banheira, balde e chuveiro – esse último acontece quase que dia-sim dia-não. E quando a viramos de costas na banheira ela já mexe tanto as pernas que parece impulso, vê se pode! Rs

Muito gostoso esse processo de ir conhecendo um bebê, né? Eu adoro.

Agora vamos de fotos, porque tá demais essa carinha fofilda!
(fotos “de trás pra frente”: a primeira é do dia seguinte aos 2 meses, a última era bem pertinho de 1)

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