Irmã mais velha, uma construção

Esse post está iniciado nos rascunhos desde que a Liz completou 2 meses. Pois bem, já comemoramos o quarto mêsversário e ainda não escrevi, rs.

Talvez seja uma questão de título. Pensando melhor sobre o que eu ia dizer, cheguei a conclusão de que não é exatamente “Irmã mais velha, uma construção”, e sim: pais de duas, uma construção. Porque as questões que tem aparecido por aqui são muito mais desse âmbito do que da Agnes propriamente dita.

A pergunta que eu mais ouço é: e aí, Má, a Agnes está com muito ciúme?
E a minha resposta é uma só: ela sentiu a chegada da irmã, sim. Ficou mais sensível, sim. Mas isso está muito mais direcionado para o Cleber e pra mim do que para a Liz, exatamente.

Com a Liz ela é amor, brincadeira, encantamento. Apaixonada por essa neném que chegou. Quando ela chegou na Casa Angela para nos ver, umas cinco horas depois do nascimento da irmã, Cleber e eu estávamos preparados para dar colo pra ela, mimar, aconchegar. Estávamos com saudade da Agnes. E qual foi a cena que aconteceu? A Liz estava dormindo no bercinho. Ela entrou e mal olhou pra nossa cara, foi direto lá pra ver o “pacotinho de neném”, e ainda quis saber por que ela não estava no meu colo, quase que levei uma bronca, hahahaha. Naquele dia ela já segurou a irmãzinha, passou a tarde inteira lá com a gente, brincou, esteve junto, foi muito gostoso.

Logo ela assimilou que aquela pessoinha precisava de mais atenção para tudo. E quando eu ia trocar, dar banho, essas coisas operacionais, ela entendia. O que não fez muito sentido, por assim dizer, foi a questão: por que  mamãe não está mais ao meu lado todo o tempo? Isso na minha interpretação, né. Ela ficou mais chorosa, ainda me queria perto na hora de dormir e não aceitava o pai, quis vestir as roupas da bebê. Mas sempre carinhosa com a Liz, sempre conversando e dando beijinho. Até que um dia ela falou: eu acho que vocês dão mais atenção pra ela do que pra mim. E lá vamos nós explicar, de novo, pela centésima vez, que a atenção chega diferente pra elas por conta da idade, que ela também já foi desse tamanhozinho, que era uma fase. Depois tivemos os dias em que validei o sentimento dela: “filha, você está com ciúme? Tudo bem sentir isso, eu te entendo” e seguiam os discursos todos de novo.

Não é que tenha sido uma surpresa, sabe. Cleber e eu conhecemos bem a nossa filha. Sabíamos que essas coisas estavam por vir. Acho que está sendo até melhorzinho do que pensamos. Existe também o fato de que num período de 03 meses aconteceram muitas coisa: nos mudamos de apartamento, ela ganhou uma quarto só pra si (no anterior era um quarto só, dormíamos todos juntos, então ainda teve essa adaptação: dormir no próprio quarto. Sim, ela ainda vem ora nossa cama e isso é normal). Além disso, começou uma escola nova com muito mais alunos, e daí veio a greve e tinha aula alguns poucos dias da semana. Aí pedimos sua transferência para uma escola mais perto de casa achando que demoraria meses, por motivo de: escola pública fila imprevisível, e a vaga saiu bem rápido. Ela começou na escola nova, de novo, 2 dias antes da Liz nascer. E o Cleber trabalhando fora numa escala 12×36 (dia sim, dia não). Ou seja. Só de escrever isso aqui agora já cansei e tive vontade de chorar, imagina ela, né? Foi uma mudança substancial no modo como ela vivia, em pouquíssimo tempo. Muito natural que tenha choro, sensibilidade, vontade de grudar na mãe.

Por falar em grudar na mãe, me lembro que já no fim da gestação eu não deitava mais com ela pra dormir, por conta da minha barriga, preferia ficar sentada. Aí veio o pós parto e ais repouso. E a Liz no colo o tempo todo. Um dia eu consegui deixar a neném no carrinho e deitei com ela pra fazê-la dormir. E ela disse: mamããee, você já pode deitar comigo! Tô tão feliiz!! A gente se abraçou  e aproveitou esse momento.

Mas claro que eu também chorei.

Não é mesmo fácil. Durante o primeiro mês e parte do segundo eu a fiz dormir com a Liz no colo. Tinha dias que era eu entrar no quarto e a Liz chorava muito, não se acalmava de nenhum jeito. Aí eu precisava sair do quarto, acalmar, andar pela casa, ligar chuveiro, ficar na bola. Acalmava. Voltava pro quarto e tudo de novo. Bagunçou bastante o horário do sono da Agnes. Não rolou isso de “manter a rotina dela igual”. Pois se nada mais era igual, como querer que os horários ficassem, né? Só teve umas duas vezes que ela disse, nesses momentos de choro a noite “queria que a Liz voltasse pra sua barriga”, hahaha. Quase que eu respondo: eu também, filha. Tem que rir pra não desesperar. Mas é porque a Agnes não curte muito barulho mesmo. Com certeza a hora do sono foi a que mais sentimos aqui.

O desafio é continuar brincando com ela. Puerpério é caverninha. E por mais que este esteja mais suave e iluminado, ainda é tempo de conexão máxima com o recém nascido, né. Eu não tenho mais o mesmo pique e a mesma vontade de sentar no chão pra brincar, inventar historinhas, ser didática e lúdica o tempo todo. Por um lado é bom porque ela tem aprendido a brincar sozinha de faz de conta, com os bichinhos e bonecas. Por outro lado, sim, é claro que tem momentos  que ela quer brincar especificamente comigo e eu não tô a fim. Estamos aprendendo a ceder, a respeitar nossos limites, a lidar com esses desconfortos… um dia de cada vez, aquele lema máximo das fases mais complicadinhas.

Todo mundo fala que quando nasce um bebê o mais velho cresce e é muito verdade. Impressionante. A Agnes cresceu, literalmente. Perdeu roupas, o cabelo cresceu, até engordou um pouquinho. Ver isso diretamente de dentro do pós parto ampliou tudo. Mas aí a gente fica achando que na cabecinha deles o crescimento foi ainda maior e, bem, não é assim, haha. Ela continua sendo uma criança de cinco anos (quatro quando a irmã chegou), mas não raro eu preciso voltar a me lembrar disso e dizer a mim mesma que cinco não é oito, rs. Espero que não esteja sendo tão traumático pra ela, rs.

Agora, a Liz com quatro meses, tá muuuito bonitinho de ver as duas brincando. A Liz é enlouquecida pela Agnes. Ela passa e a Liz fica vidrada. As vezes já começa a rir, e a Agnes nem tinha falado com ela, hahaha. E faz umas semanas que a Agnes descobriu que quando a Liz chora no carrinho, por exemplo, se ela começa a pular, a Liz para pra ficar olhando. Isso virou a sensação, haha. E a mãe faz o que? Agradece, né, manas. Que é bom demais ver essa interação das duas? É sim. Mas ter alguém pra distrair a bebê com disposição é bãããããooo demais da conta. Hahahah. Ter uma mais velha dá uma outra leveza pra maternagem, tô achando surreal.

Existem os desafios, existe a fase de adaptação de todos nós, existe um desconforto natural que as mudanças trazem. Mas ainda continuo enxergando o saldo muito positivo. Amo olhar a gente na sala de casa numa manhã de sábado, todo mundo de preguiça. Ou indo pro parque andar na grama, ou até na correria pra chegar a tempo na escola. Essa fase é intensa mas está deixando boas lembranças. Vou gostar de ter essas memórias quando o tempo passar.

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