Arquivo do mês: setembro 2019

Não atormente as mães

Esse não é um texto fofo.

Quem me acompanha desde o começo talvez ainda se lembre: a parte mais desafiadora do ser mãe, pra mim, é lidar com as outras pessoas. Isso me estressava muito. Porque todo mundo sabe mais que a mãe, se intromete, dá pitaco sem pedir com aquele risinho condescendente, e eu ainda tenho que sorrir e agradecer, porque “ah, eles só querem ajudar”, né?

Não. Assim simples. Não.

E quando eu me libertei de aceitar isso a coisa mudou muito, graças as deusas.

Ajudar não é colocar em prova a capacidade e intenção de uma mãe. Ajudar não é chegar falando demais e não ouvir nada. Ajudar não é fazer pela pessoa. Eu saio com a Liz na rua em dia frio pra buscar a Agnes na escola e ouço “tá muito frio pra ela, você é doida”. Sério, gente? Não me diga. Eu nunca saberia a temperatura se não me avisassem 😒. Isso com a bebê de touca, agasalho e cobertor.

Poderia fazer uma lista de frases inadequadas a noite inteira. Eu não me importo mais, apesar de não ter muita coragem de mandar pro inferno, sigo andando e deixo a pessoa falando sozinha, mas estou escrevendo porque quero falar uma coisa a essas pessoas: isso mexe com a mãe.

Uma mulher no puerpério é uma mulher fora do seu eixo habitual, se redescobrindo e tentando chegar ao fim do dia com os dentes escovados e de banho tomado. Ela pode estar leve, mas ela também pode estar perdida, insegura, aflita. Ouvir frases broxantes com tanta frequência mina o brilho da pessoa. Atrasa a vida. O pós parto seria um período bem mais suave se ouvíssemos coisas boas, elogios, incentivos sinceros, e se NOS ouvissem com mais empatia e menos soluções.

O que se fala importa, a maneira como se fala importa.

Por mais que você queira ajudar, presta atenção no seu dizer, porque se for muito cheio de certezas e opiniões atrapalha muito mais. Não seja a pessoa que atormenta as mãe. Deixa as mãe. Estou falando para quem está ao lado, mas tô falando da mãe que você vê andando na rua, no ônibus, na fila. Acredite: ela quer o melhor pro bebê infinitamente mais do que a sua boa vontade. Então não enche o saco. Leva um copo d’água, oferece um sorriso, manda marmita. Mas a boca, essa pode deixar quieta.

Estamos combinados?

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Meu contorno

A maternidade me dá contorno na vida.

Muito se fala nos limites que os pais precisam dar aos filhos. Particularmente, gosto da ideia de ser margem para que elas fluam livres, ao invés de muro de contenção.

Essa mesma ideia me veio esses dias, mas ao contrário: elas também me dão margem. Não me sinto limitada, apesar de não mais sair nos mesmos horários, nem andar na mesma velocidade de antes. Que bom. É um presente poder mudar o passo. Quem disse que só o meu jeito era o certo? Só porque sou adulta? Temos muito que aprender com as crianças. Reaprender, se pensarmos na nossa infância.

Minhas filhas me dão perspectiva.

Poder olhar de novo, mais devagar, com mais cuidado.
Tanto para o caminho de todo dia, as borboletas, pedrinhas, carros na rua, formigas, gravetos.
Também para o tempo. O valor de terminar de montar uma cabana antes de se arrumar pra escola – e respeitar esse tempo, segurar a língua para não apressar demais. Contemplar. O tempo da soneca no colo. Cafés da manhã e lanchinhos noturnos, ouvir com presença as palavras e as entrelinhas. Isso só é possível com os pés e o coração no tempo presente.

A agitação lá de fora, o “ter que” estar em vários lugares, dar conta de metas, isso não me permitia essa escuta antes. Aprendi com elas. Agora procuro reproduzir nos outros ambientes, com adultos, no trabalho, andando na rua. É um exercício legal. Gosto de andar por aí pensando que sou turista, não me identificando totalmente com o que vejo. É muito legal. Um jeito próprio de dançar com a vida, na música que tem despertado por aqui.

Com as meninas eu desço das minhas certezas, me abro para o que vier. É vida real intensa. Os caminhos estão sendo abertos na medida do fluir. Não penso mais no medo. Tenho margem pra seguir.

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5 meses de Liz

Cinco meses da fofolete mais fofolete dessa residência.

E acreditem: saiu 2 dentes nela um pouquinho antes de virar o quinto mês. Saiu os dois praticamente de uma vez e não deu muito trabalho, amém! Ela só estava coçando loucamente a gengiva, babando um pouquinho mais, mas até então eu nem estava me ligando muito. Não estava pronta para uma neném com dente aos 4 meses, hahah.

Vira e desvira numa boa, se locomove de barriga no chão e o tapete não é mais um limite aceitável – esses dias a peguei lambendo o chão. Céus, vê se pode uma coisa dessas, hahah. Agarra as coisas, quer pegar tudinho que vê pela frente. Tenho certeza que se eu deixasse, ela já avançaria no que é de comer – quer dizer, ela já avança, eu é que não a deixo concluir a missão, rs. Tudo a seu tempo, né. Deixa pelo menos aprender a sentar primeiro, antes de brincar com a comida 😉

Segue fofa, sorrindo, de boas. Fica mais agitada a noite e precisa me ter a vista, mas a preferência mesmo é o meu colo. Aí fica feliz da vida, rs. Gosta de dormir de bruços e se eu ajeito muito ela não gosta, dane-se as recomendações oficiais, né (é o que ela diz, no caso 😛 )

Tá pesando 8,450 kg e medindo 65cm. Roupinha de 6-9 ou 9-12 meses, dependendo do modelo.

Ela ama crianças e ri com muito mais facilidade pra elas do que pros adultos. Agnes é sua paixão, o priminho Beto também. Ela gargalha só de ver os dois brincando juntos, sério. É muito legal de ver, a pessoinha já querendo se enturmar com a galera dela, hahah

Enfim. Estamos indo bem. Muitas descobertas todo dia, os braços da mamãe doendo um bocado, mas nada que a mãe natureza sabiamente não suavize na memória diante dessas dobrinhas macias de apertar.

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