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Carta do dia: sobre o tempo e sobre nós

Oi, filha

Escrevo essa carta de madrugada, enquanto você dorme ali no quarto. Faz tempo que não venho registrar sensações e pensamentos por aqui, o tempo anda muito doido – ou melhor, eu ando muito doida em relação a tudo; o tempo é sempre o mesmo, nós é que mudamos o olhar, não é? (também não sei, talvez você tenha uma resposta mais crível pra mim quando ler essas palavras).

Mas sim, uma coisa é fato: tem muita coisa acontecendo na nossa vida. 2017 tem sido um ano surpreendente, para dizer o mínimo. 

Esse tem sido um ano de coragem. Um ano de olhar pro fundo de mim, mais uma vez, e entender que a gente precisa de muita entrega na vida para seguir o coração. Um ano de aceitar que preciso de ajuda. Que já consegui superar vários desafios. E que quando penso que estou num eixo e vou seguir assim por muito tempo, puff, lá vem uma curva sinuosa pra mostrar que, sim, ainda tem muuuuita coisa que ainda preciso melhorar e aprender. Que bom.

Esse tem sido um ano bonito e desafiador do seu crescimento também, filha. De você brincar mais com outras crianças, de ficar bem sem mim ou sem o papai, de falar coisas lindas e de aprender sobre limites e espaços – penso que todos os anos da nossa existência são sobre isso, não é exclusividade de quem tem 3 anos, né? Esse foi o ano em que te colocamos na escolinha pela primeira vez, para tirar menos de dois meses depois. Porque é importante reconhecer quando uma escolha não foi lá muito boa (o papo sobre limite cabe aqui também). Você quis mais a minha presença depois disso, o que nem sempre aconteceu da forma fluida e natural que eu tanto gosto, porque os nossos ritmos estavam diferentes. Faz parte, eu acho. Com certeza você viu mais desenhos do que seria permitido pra sua idade. Comeu doce demais. Ouviu uns gritos meus. Coisas que não me trazem muito orgulho, mas aconteceram e, sinceramente, não posso prometer que não teremos nunca mais. 

Mas de qualquer forma, no fim do dia é abraçada a mim que você dorme. E agradeço imensamente pela sua paciência e pela sua companhia. Por sempre chamar de novo pra ir brincar lá fora. Por andar no seu ritmo e parar pra ver minhocas e formigas e folhas e gravetos. Por querer ver o dia quando acorda – e as vezes querer que esteja nublado e que tenha poças de água lá fora “para dar água pras plantinhas”. Obrigada por me fazer pensar em outros jeitos de lidar com a raiva ou com o tédio. Obrigada por riscar todas as paredes da casa e pintar o chão de tinta – e por querer limpar depois no maior estilo bagunçado com água e sabão – são sempre ótimos exercícios de desprendimento. Obrigada pela sinceridade e pelo carinho. Obrigada por me contar sobre o que sente (um dia você disse, depois de uma crise de choro “eu fiquei frustrada, mamãe).

Acho lindo demais você me perguntar sempre que eu chego da rua “e aí, mamãe, como foi a sua tarde/a terapia/o show/o almoço com a sua amiga?”. Você se importa, meu bem. E isso sempre muda tudo.

Sabe, filha. Se tem uma coisa que já posso dizer que aprendi esse ano foi que a gente sempre pode tentar de novo. Nada é definitivo, nem os dias incríveis e muito menos os que parecem durar uma eternidade e mais 10 minutos de sofrência. Mesmo que esteja durando três meses ou sete anos. Sempre vai chegar aquele dia em que a gente simplesmente acorda, olha ao redor e começa pegando as meias do chão, porque é tanta coisa que precisa ser feita que é melhor começar pelas meias – pelo menos a gente esquenta o pé de noite, né?

Você tem me ensinado que todo dia pode ser um dia bom pra começar o que se quer. Toda hora pode ser a hora.

Então eu nem preciso esperar virar o ano ou chegar alguma data específica pra dizer, né? Obrigada, meu amor. Muito obrigada por me mostrar que é possível, se eu quiser que seja.

Sigamos sempre juntas.

com amor,
mamãe

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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Um novo tempo

Domingo, 21 de maio, Agnes mamou quando acordou. Tomamos café da manhã, ficamos por aqui e depois saímos pra almoçar. Depois fomos ao shopping e ela ficou brava por algum motivo – que, na verdade, era sono. Ninei e disse que ela ia dormir sem mamar, só com carinho e colo, ela perguntou porque, eu disse que o mamá estava acabando. Ela aceitou, fiz carinho na barriga, com ela no colo e então ela dormiu.

Já faz dias que estou falando que o mamá está acabando. Não digo que já acabou, porque não quero mentir. Mas estava conduzindo assim rumo ao fim. Tinha dias que ela aceitava mais, outras menos. Teve um dia, alguns dias antes disso, que ela ficou o dia sem mamá e depois teve 2 escapes de xixi, achei que estava indo rápido demais. Mas a verdade é que pra mim já tinha chegado num limite. Eu não estava mais tão confortável em amamentar, ela mamava de fato muito pouco, ficava mais com o peito na boca, isso quando não prendia o dente e depois ficava até marcado, doía muito. Não estava mais prazeroso, era mais uma comodidade nossa, coisa que não sabíamos direito como mudar por nunca termos nos relacionado sem isso.

No dia seguinte, segunda-feira, ela mamou um pouquinho só de manhã quando ainda estávamos dormindo. Essa é a mamada mais difícil de tirar, eu acho, porque ela mama ainda sonolenta, eu também estou mais dormindo do que acordada. Mais difícil tirar essa do que a da hora de dormir, na minha opinião. Aliás, já consiguia fazer ela dormir sem mamá há alguns meses. Não era todo dia, mas rolava tranquilamente. Enfim. Ela mamou um pouquinho e depois eu tirei, ela reclamou um pouco mas logo disse “eu não mamo mais? Agora só carinho e abraço?”. Eu concordei, ela me abraçou e assim dormimos mais 1 hora.

O dia todo ela nem tocou no assunto. Quer dizer, quando saí do banho, ela me viu colando a blusa e disse de novo: eu não mamo mais, né, mamãe? Sim, filha. Você está crescendo e agora estamos descobrindo novas formas de chamego. A mamãe foi muito feliz em te amamentar por todo esse tempo, mas agora é uma nova fase. Você sempre vai ter o carinho e o colo da mamãe, do papai. E ela completou: e da vovó e do vovô. Sim, filha, deles também.

E foi isso.

A noite ela acordou chorando e dei um pouco só, porque ela pediu, tipo um minutinho, depois tirei e fiz carinho. Terça não mamou nada. Quarta só colocou a boca no peito de manhãzinha por um minutinho de novo. De vez em quando ela pede, tipo quando tá com sono, mas é só eu lembrar do carinho que ela aceita tranquila e logo dorme.

E foi assim que eu fui percebendo que nosso tempo havia chegado, que um ciclo estava se encerrando para iniciar outro, ainda desconhecido por nós.

Desde janeiro eu estou “ensaiando” começar esse processo, porque realmente estava cansada – não era um cansaço físico da rotina, era do ato mesmo. Mas fui aos poucos, sem pressa. Comecei a falar pra ela que em algum tempo o mamá iria acabar, que ela estava crescendo, que iríamos chamegar e estar juntinhas de outras formas. Conversava muito com ela, mas não estabeleci limite, nada. Fui apenas sentindo. Há 1 mês, mais ou menos, comecei a ser mais constante no processo, falei várias vezes pra ela, mas horas depois ela pedia pra mamar de novo e eu dava, porque percebia que ainda não era o momento. Não era todo dia que eu fazia isso, não estava “empenhada” em desmamar, mas sabia que tinha que ir falando com ela, com a gente é tudo na base da conversa, sempre foi, e eu sabia que em algum momento ela entenderia e aceitaria. Domingo eu fiz o que fazia antes e ela aceitou tranquilamente, então acredito que foi o tempo dela também.

Hoje é quinta-feira, o quinto dia que ela não mama mais. Ainda estamos nos adaptando, mas acho que já posso dizer que sim, um novo tempo começou aqui nós. Foram 2 anos e 10 meses de aleitamento materno, 6 meses de forma exclusiva, quase dois anos de livre demanda total. E eu sou muito, muito, muito feliz e me sinto muito grata por ter vivido isso com ela.

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Carta do dia: todo dia um tijolinho

Filha,

eu me lembro de quando você era recém nascida e não aceitava outro colo além do meu. Eu me lembro de você só dormir com o meu cheiro. E a cena de você na cama com a cabecinha virada pra mim, enquanto eu estava deitada de lado, apoiada no cotovelo, velando seu sono, ainda é muito viva aqui na minha memória. “Olha, ela quer mesmo dormir com você do lado”, minha mãe falou nesse dia e eu sorri feliz. Porque sim, você queria isso, e eu também.

É uma das coisas que me faz sentir mais poderosa na vida: te fazer ficar calma só por estar ao seu lado, abraçada com você. E eu sempre estarei, meu bem. Enquanto você quiser, enquanto eu puder, estaremos caminhando lado a lado. 

“Eu sou sua amiga e você é minha amiga também, mamãe”. Você sempre me diz e eu sempre agradeço por viver essa parceria maravilhosa que estamos construindo juntas. 

Sabe, filha, não é muito fácil ser mãe. Existem as barreiras do mundo, as minhas próprias barreiras e as suas também. Quando todas se encontram no mesmo dia, bem, vamos apenas dizer que não é a primeira fase mais fácil do video game. Ser mãe é aprender enquanto somos, porque não existe curso, não existe filme, não existe absolutamente nenhuma teoria que chegue perto de explicar o que é viver esse amor e esse cansaço todos os dias. Todos os dias. Eu não sei porque inventaram que as mães tudo sabem e tudo suportam, porque não é verdade. Nós somos muito humanas e não precisamos dar conta de tudo. Eu não dou. Temos a nossa rede de apoio, a nossa pequena vila que nos sustenta e ampara também todos os dias. 

Ser mãe é uma construção diária. Não tem um dia que a gente fale: agora eu sei. Porque estamos todos – eu, seu pai, você, o mundo – em constante movimento e evolução. Temos as fases de expansão e as fases de contração, assim como o universo – esse mesmo universo que a gente pensa que é só lá no céu, mas que está aqui em nós também. Ou seja, é sempre uma novidade e aquele frio na barriga das primeiras vezes (de emoção e pavor). Todos os dias a gente coloca um tijolinho nessa relação. Todo dia abrimos uma janela e olhamos lá pro céu. Todo dia abrimos a porta pra sentir o ar lá fora. Pequenas coisas que vão nos levando pra perto de ser quem verdadeiramente somos – e nos trazendo para o lugar que devemos estar: o momento presente. Essa é uma das coisas mais valiosas que você tem me ensinado, desde o primeiro instante em que saiu de mim. Estar no aqui e agora, respirando, vendo, sentindo com o corpo inteiro, porque é o único lugar onde as coisas acontecem.

E por mais cinza que tenha sido o dia e a mente esteja divagando em outros tempos, basta que a gente deite juntas abraçadas pra me fazer voltar e perceber: nós duas respirando juntas pra fazer ficar tudo bem.

Hoje é dia das mães e eu te agradeço por me fazer ser. 

Toda a minha gratidão e reverência pelo que estamos vivendo juntas.

com muito amor,
mamãe

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Breve relato de um desfralde (quase) relâmpago

Coisas acontecem, amigas.

Numa manhã de sábado, eu levantei cedo, me arrumei, comi umas bolachinhas, peguei minha bolsa e saí, rumo a uma aula experimental de yoga. Deixei Agnes e Cleber dormindo. Tudo isso antes das 8 da manhã. Andei até o metrô (quase 2 km), cheguei lá, fiz a aula, adorei, voltei comendo uma maçã, andei o mesmo tanto e, quando cheguei em casa, minha filha estava desfraldada.

Ok, quando eu cheguei, ainda não sabia do fato. Ela adorou que eu voltei, mamou, me contou que foi brincar no parquinho com o papai, o que comeu e tal. E aí me contaram que ela estava sem fralda. A manhã toda de calcinha. Deixamos o restante do dia, sucesso absoluto, sem escapes.

Nos animamos e mantemos o pacto de tirar a fralda de vez, não tinha como voltar atrás. Eu já tinha tentado antes, mas acho que nem ela e muito menos eu estávamos na vibe. Comprei um assento redutor recentemente, pra ver se ela animava, porque tinha medo antes de sentar no vaso sem nada e eu não gosto de penico, mas ela sempre dizia que queria a fralda e eu não insistia. Ou até ficava a manhã sem fralda, por exemplo, mas era como se fosse uma brincadeira, quando íamos sair, eu colocava a fralda e voltávamos à estaca zero. O Cleber tem uma abordagem mais direta, digamos assim, haha. Na troca daquela manhã tirou a fralda e conversou com ela, dizendo que iria ficar de calcinha, que não iria mais usar fralda e sim o banheiro, igual a gente blablabla. Ela até disse que queria a fralda, mas como ele conversou de novo e se manteve firme, ela aceitou e assim foi. Comprei umas calcinhas novas, porque ela tinha pouquinhas, e ela adorou a novidade.

Colocávamos a fralda só pra dormir a noite e tirava logo que acordava. No primeiro dia, a fralda acordou encharcada. Nos dias seguintes, não. Acontecia um ou outro escape durante o dia, lidamos tranquilamente e seguíamos o dia. Em casa, de calcinha. No parquinho, de calcinha. Pra sair, de calcinha. Soneca da tarde, de calcinha.

Mas depois de uma semana, mais ou menos, parecia que ela não estava mais tão satisfeita com essa nova dinâmica. Teve um dia que ficou sem fazer cocô, porque não queria ir ao banheiro. Ela dizia que queria, a gente tentava, mas ela não fazia. No dia seguinte, chorou querendo a fralda, que estava em cima da cama. E não estávamos tratando diferente, não demos bronca, nada. Durou uns três dias essa insatisfação até que, numa conversa, Cleber e eu chegamos a conclusão que ela estava ficando confusa por colocar a fralda de noite. Não estava funcionando. Como estava acordando sempre seca, resolvemos bancar a escolha e tirar de vez. Tiramos. E desde então, há quase duas semanas, só tivemos um xixi na cama (ontem, e acredito que porque fomos numa festa de aniversário e ela tomou muito líquido). Teve até um dia que ela me acordou 5:40 pedindo pra ir ao banheiro, tão linda, rs.

E essa é a breve história do desfralde total da Agnes, aos 2 anos e 7 meses.

Como eu disse, coisas acontecem. Eu já tinha tentado, mas sinceramente não tive firmeza nenhuma, ao menor sinal de resistência dela eu voltava atrás. E é claro que isso não ajuda muito, né. A segurança do pai foi um pontapé fundamental nesse processo.

Que bom que eu acordei cedo e saí de casa naquele sábado.

Quero ver agora qual vai ser o milagre que vai acontecer pra termos o desmame, mas vamos com calma, né. Um dia acontece (oremos! 😛 )

 

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2 anos e 6 meses

Dois anos e meio da minha pequena moça. (Ok, ela ainda não completou esses 6 meses, eu sei, é só dia 15, mas eu queria muito escrever sobre essa fase logo, haha).
Minha pequena moça que cresce a olhos vistos. Que tem se desenvolvido de um jeito tão lindo e tão dela. Que me arrebata de amor com as coisas que fala.

Que fase, hein, migas.

Pode ser meio arbitrário dizer isso, mas essa fase está muito maravilhosa.
Sei lá, pouco antes dos dois até 2 anos e 3 ou 4 meses, mais ou menos, foi bem intenso. Choros, gritos, pessoinha deitada no chão, eu gritando de vez em quando, a gente chorando juntas e a coisa toda. Todo mundo aprendendo sobre limites – os seus, os meus e os nossos. Tudo muito novo pra nós.
Agora parece que a poeira baixou e estamos numa bonança. Não que não tenha mais choros ou alguns gritinhos, principalmente com cansaço e fome envolvidos. Mas está bem melhor, com certeza, sim.

E ela está falando, falando, falando. Já faz um tempo que eu narro aqui suas palavrinhas e pequenas frases, mas é que esse é um aspecto que eu me encanto muito. Muito bonito de ver ela conversando com a gente, sabe.

Ela está brincando mais tempo sozinha, e aí fica falando consigo mesma, com os bonequinhos, com as pecinhas, criando umas mini narrativas muito fofas – que na verdade é uma reprodução ou de algo que aconteceu com ela recentemente, ou que ela tenha ouvido num desenho.

E ela canta, minha gente! É apaixonada por Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz feito a mãe dela. Sabe cantar as músicas e sabe achar no meu celular.
Aprendeu a cantar “1, 2, 3 indiozinhos”, que eu ensinei. E toda hora é isso também.
De fato, a música sempre foi muito presente na vidinha dela. Desde a barriga. Eu sou muito musical também, não tinha como isso não reverberar também nela, até pelo nosso cotidiano. Sempre tem uma música tocando no carro, cantamos para tirar o estresse ou parar de chorar, adoramos dançar pela sala, e é muito bonitinho ver que ela já vai em busca disso também por conta própria, em muitos momentos.

Tem uma audição incrível e ouve até o que não precisava, hahaha. E repete depois, obviamente. Ah, sim, sobre essa repetição toda. Quando acontece alguma coisa ela fica contando, repetindo, várias vezes. Pra mim, pro pai, pros avós. Por exemplo, uns meses atrás ela tomou uma vacina que estava atrasada. Doeu, claro, ela chorou. Quando fui tirar aquele adesivinho da perna dela, ela chorou de novo, dizendo que doeu. Ela contou essa história várias vezes naquela semana. Depois de uns 20 dias, lá vem ela com a mesma história. “Doeu a vacina, mamãe. Foi aqui na perninha. Eu chorei muito muito”. Eu não tenho dados científicos, mas penso que isso faz parte da elaboração dos acontecimentos dentro da cabecinha dela, sabem? Ela precisa falar, confirmar, validar. E depois passa mesmo. Daí quando lembra, fala de novo. Eu escuto, confirmo, reconheço os sentimentos, digo que aconteceu tal dia, que não foi hoje. E assim vamos indo.

Seguimos mamando, mas a quantidade já diminuiu bastante. Basicamente ela tem mamado para dormir, quando acorda e quando se irrita muito. Ou quando eu saio e ficamos algumas horinhas separadas, aí quando eu chego ela sempre pede. Confesso que ando meio cansada já. Em alguns momentos eu nego e direciono a atenção dela pra outra coisa, em outras eu deixo, mas depois peço pra ela parar. Estamos caminhando para um desmame que eu não faço ideia de quando irá se concretizar, mas que vai acontecer, sim, em breve. Já até consegui fazê-la dormir sem mamar alguns dias esse mês e deu tudo certo. Mas não tenho muitas regras ainda, vou sentindo como foi o nosso dia e os limites de cada uma. Aos poucos a gente vai encontrando os caminhos, não é? Aceito orações, abraços e colinhos.

E basicamente é isso.
Depois eu volto pra contar como é que eu estou nessa fase da nossa vida, rs. Hoje eu queria só mesmo registrar as lindezas dela e o meu contínuo encantamento pelo privilégio que é ver uma pessoa crescer.

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Aos 2 anos e 3 meses

Aos 2 anos e 3 meses, a criança está em pleno processo de transformação e crescimento. A busca por autonomia e pelo próprio espaço é constante e ininterrupta. O que fica bonito escrito assim, mas na prática significa que:

ela chora muito;
quer comer sozinha;
quer escolher as roupas que vão ser usadas no dia – as dela e as suas também;
quer colocar a roupa sozinha – inclusive e principalmente aquelas que ela ainda não consegue;
colocar o tênis sozinha;
calçar a meia sozinha;
chorar porque não consegue calçar a meia;
deitar no chão porque está chorando;
mudar de assunto imediatamente depois que você tenta argumentar e oferecer ajuda.
ela imita tudo que você faz;
repete conversas que você achava que ela não tinha ouvido;
canta, dança e interpreta.
e chora.
não podemos esquecer do choro.
que pode começar por qualquer motivo que você possa imaginar – e seguir pelos que você jamais pensaria.

É meio enlouquecedor, sabe. Ao mesmo tempo que achamos lindo todo esse desenvolvimento, também acontece de rolar umas surtadas de vez em quando.
A gente vai a extremos de amor e de loucura. No mesmo dia.
Até poque ela também abraça quando percebe que estou triste ou nervosa;
dá um bom dia muito fofo e de bem com a vida;
diz que vai meditar;
se alonga junto quando me vê fazendo isso.

Além de várias outros momentos.Para ilustrar, uma cena de dias atrás:

No café da manhã:
-Mamãe, eu téo (quero) tomer (comer) manteiga. Pode?
-Não, filha. Só na bolacha ou no pão.
-Eu vou comer no tarto (quarto).

Isso porque dias atrás eu apenas ouvi a porta do quarto fechando e, quando fui ver, a senhorita (de quinze anos, aparentemente) estava com o pote de manteiga lá, comendo de boas (ainda bem que foi muito pouco).

E esse é o breve resumo da nossa atual fase.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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Da calma para as curvas inesperadas

Teve uns dias aí pra trás que a Agnes não queria comer fruta no café da manhã. Fazemos essa refeição juntos, nós três, e ela queria comer pão com manteiga ou requeijão, tal qual estávamos fazendo. Agora que ela não reage mais ao leite de vaca, tenho liberado algumas coisas, como um pouquinho de requeijão. Ela adora! Enfim. Ela queria isso e era isso que ela comia. Ignorava solenemente o mamão, a banana, a ameixa ou o que quer que estivesse na mesa, só tinha olhos pro pão com requeijão.

Nessas horas, meus pensamentos voam longe. “Lógico que ela não quer fruta, os pais dela não estão comendo fruta no café da manhã! Preciso mudar minha alimentação também. Céus, ela comia tão bem de manhã, nunca mais vai querer fruta, pão não é assim tão nutritivo, sou um péssimo exemplo…” e assim seguia por tempo indeterminado. Eu realmente acredito que a minha cabeça tem uma vida própria, à parte dos afazeres do dia, só assim pra explicar esses surtos de vozes sem fim, hahaha.

Não briguei com ela, nem disse nada sobre esse comportamento. Fiz o que costumamos fazer nessas horas, em relação à alimentação: deixei que ela seguisse tendo (alguma) autonomia, mas segui oferecendo frutas todos os dias no café da manhã. Mesmo já tendo certeza que ela iria querer o bendito pão todos os dias daqui até 98 anos de idade.

E então, uns dias depois, eu ainda estava colocando a mesa e perguntei a ela: Filha, o que você quer comer? Já esperando a tal resposta. E ela disse: Mamão. Eu téo (quero) mamão, mãe. Fui pra cozinha quase descrente, mas segui firme no pedido. Cortei o mamão, coloquei no pratinho e dei a ela. Ela sentou em sua cadeira e apenas comeu todos os pedacinhos, sem nem lembrar de pão (naquele dia, rs).

E aí eu penso. Por que a gente sofre tanto, né? Como se tudo fosse assim tão definitivo, tão certo. Por que não confiar e seguir vivendo um dia de cada vez? A gente acha que nunca mais vai dormir, que eles nunca vão comer, que vão comer tudo errado. É tanta coisa que a gente pensa e já vai tendo certeza, sem se dar conta de que eles, esses pequenos danadinhos, estão experimentando o mundo, não querem saber nada de futuro ou de certezas absolutas. Só querem experimentar e viver. É claro que precisamos seguir no caminho que escolhemos e que achamos melhor, mais saudável e possível para nós e nossa família, mas quando surgir uma curva inesperada, dias difíceis e fora do que consideramos ideal, não é preciso sair correndo desesperada em busca de solução. Não assim no primeiro segundo, pelo menos.

Tenho visto, na prática, que é muito mais proveitoso esperar um bocadinho, não sair falando aquelas “profecias auto-realizadoras” (meu filho não come! ela é terrível! fulana odeia dormir!) e apenas observar o que realmente nossos pequenos estão fazendo. Principalmente porque eles mudam muito, o tempo todo. Não dá mesmo pra ser muito definitivo nessa fase da vida. Além do mais, pode ser que sejam só uns dias fora da rotina. As vezes a gente precisa mesmo variar, não é?

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Carta do dia: se cuida!

Filha,

hoje eu levantei mais cedo para escrever. Nesta altura da sua vida, enquanto me lê, você já sabe, com certeza, que escrever é algo que me faz muito bem, para dizer o mínimo.
Acordei cedo, porque de manhã é quando me sinto melhor para fazer isso, e porque seria um tempo em silêncio, já que você e seu pai seguem dormindo ali no quarto. Muitas vezes eu preciso ficar sozinha e curtir o silêncio, filha. Isso não tem nada a ver com você, seu pai, as pessoas, o ambiente. É algo meu mesmo. Algo necessário para colocar os pensamentos no lugar e seguir calma pela loucura do dia. Ou pelo menos tentar. Faz dias que não consigo isso, levantamos sempre todos juntos e você tem ido dormir tarde, nos acompanhando até não aguentar mais. Não tem sobrado muito tempo pra mim, e antes que eu começasse a reclamar disso e fazer dos outros um problema, decidi levantar mais cedo e resolver de vez a questão. Fiquei com medo que você acordasse em seguida, como acontece de vez em quando, mas já se passaram quase 2 horas e vocês ainda estão dormindo. Estou feliz. É muito bom quando a gente faz algo que nos faça bem, apesar do medo. E dá certo. E a gente percebe que o simples continua sendo resposta para as questões que nos afligem. Hoje eu cuidei de mim e queria te falar sobre isso, por isso escrevi.

É muito importante cuidar de si mesma, filha. Não esquece disso, tá?

Pode ser correndo todo dia por quantos quilômetros você quiser. Pode ser dançando. Pode ser saindo com amigos. Indo ao cinema sozinha numa segunda-feira. Viajando. Andando na rua prestando atenção aos detalhes. Parando prum café num dia corrido. Conversando com quem te acalma. Ouvindo música. Indo a shows. Pode até ser levantando mais cedo para curtir o silêncio da casa. 

É sempre possível, mesmo quado parece que não. Principalmente quando parece que não, pare um pouquinho e veja que você precisa ser cuidada também. E que dá certo, sim, não interessa o que todos estão dizendo ao seu redor. Não se deixe de lado, meu amor. Estarei aqui para te lembrar e fazer companhia quando quiser. 

 

com amor,
mamãe.

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