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Tchau, pão de queijo!

Contei o causo tragicômico e não vim contar sobre a diarreia da pequena. Nunca antes na história dessa família se viu algo daquele jeito. Nem vou entrar em muitos detalhes, na verdade. Quando começou, achei que fosse dente, até porque ela andava irritada e sem apetite. Teve um dia que ela não aceitou comer nada. Fomos caminhar no parque e ela nem conseguia brincar, tadinha. Acho que estava fraca. Não quis nem o açaí, o que é muito muito raro de acontecer. Depois desse dia foram mais 2 de intestino completamente solto. Não consegui encaixe com a pediatra dela, então levei no pediatra do meu sobrinho, que eu já conheço também e tinha uma vaguinha pra nós. Felizmente as coisas já estavam melhorando. Ele disse que não era dente coisa nenhuma, provavelmente foi algo que comeu. E aí chegamos no que eu não queria.

A antiga dúvida sobre a sensibilidade dela ao leite de vaca.

Vamos voltar um pouco para contextualizar.
Quando tinha 2 meses, Agnes apresentou uns sintomas que não gostei, que são associados à aplv (alergia da proteína do leite de vaca). Muito muco e rajadinhas de sangue nas fezes. Além de golfar demais. Cortei toda e qualquer coisa com leite, derivados e traços da minha dieta, emagreci quase 10 quilos e seguimos a vida. Ela melhorou completamente. Aos seis meses, conversando com o pediatra, decidi que ia comer uma coisinha ou outra e ir observando como ela reagia. Aos poucos, voltei a consumir tudo, sem demais reações da pequena, o que me deu um baita alívio. Ufa, passou. Mesmo assim, já acostumada a buscar outras opções e receitas sem leite, não voltei a consumir na quantidade de antes. Pra ela, até 1 ano, o único contato que teve com o dito cujo foi através do pão de queijo, que a minha sogra ofereceu a ela quando tinha uns 10 meses, eu acho. Ela não teve anda demais e eu liberava de vez em quando. E como gostou do pão de queijo. Depois de 1 ano, veio a liberação para oferecer derivados. Para receitas, o pediatra disse que poderia ser leite tipo A mesmo, não precisava ser fórmula. Ela não toma nenhum outro leite, além do materno, e assim seguimos.

Então teve um dia que deixei ela comer um pedacinho de bolo de fubá (com leite), que minha mãe havia feito. E no outro dia estava com o intestino solto. Só um pedacinho mesmo, mas foi o suficiente. Deixei passar. Tempos depois, eu estava comendo iogurte natural com fruta, ela quis e eu dei. Soltou o intestino de novo. Duas vezes depois, a mesma coisa. Parei de oferecer. Qualquer coisa com leite na receita, também evitava ao máximo que ela comesse.  Um dia comeu biscoito de polvilho e no dia seguinte lá estava a fralda carregada. Quando vi, tinha soro de leite nos ingredientes, que raiva.

A única coisa que parecia não afetar seu intestino era o tal do pão de queijo. Até deixei ela comer o próprio queijo, quente, em alguns dias. Com isso, a dúvida passava longe da minha cabeça. Ué, se aceita pão de queijo, se não tem mais sintomas, então não é aplv, certo?

Chegamos ao tempo presente.
No fim de semana que antecedeu a diarreia, ela comeu bolo na casa da minha tia. Descuido meu não ter procurado saber os ingredientes todos, mas foi o que aconteceu. Com certeza tinha leite, tinha manteiga, tinha uma vaca inteira naquele bolo. Contei isso ao médico e ele disse que provavelmente ela tem alguma intolerância, sim. Acreditamos não ser uma alergia totalmente, mas claramente existe alguma coisa.

E sabem o que mais?
Apareceu uma dermatite no pescoço dela. Já faz quase 1 mês que ela tá com isso. Pequeno, parece não coçar muito, tem dia que quase some. Mas está lá. Me disseram que era do calor, mas já teve dias mais amenos e continuou a mesma coisa. E eu sou a mãe zen que não encana logo de cara, vou observando primeiro pra ver no que vai dar. Ela não reclamava de nada e não tinha nenhum outro sinal de algo fora do padrão, então seguimos.

QUEDIZÊ.
Escrevendo agora fica muito claro na minha cabeça que ela nunca esteve totalmente curada. Que tapei muito sol com peneiras fazendo pose de mãe hippie-desencanada. Mas enfim, é o que temos pra hoje. Ela parou de reagir através do meu leite, não reagiu ao pão de queijo e dei o assunto por encerrado. Só depois da consulta foi que caiu minha ficha: a coisa estranha do pescoço dela surgiu mais ou menos na semana que ela comeu só o queijo. E a certeza veio quando, num dia muito quente, meu pai ofereceu sorvete a ela, que acordou com o pescoço todo vermelho e irritado no dia seguinte. E eu, que já tinha ficado brava quando vi, me emputeci mais ainda e tratei e mostrar o resultado pra ele. Hunf!

Agora estou esperando sumir totalmente a alergia do pescoço. Ela está bem, o intestino também voltou ao normal e já recuperou o peso que tinha perdido naqueles dias. Cortei o acesso que ela tinha aos poucos derivados (alô família, cabô festerê) e, até que tudo se estabilize, nada de potenciais inimigos. Nem o tal do pão de queijo.

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Receita amiga: bolo de chocolate

Então que estamos aqui, ainda fazendo a dieta sem nenhum leite de vaca ou derivados.
Quando eu parei de consumir, parecia que nada podia, que eu ia viver a base de água e arroz-feijão, hahaha. É que eu consumia bastante, muita coisa no meu dia-a-dia continha leite: café com leite, iogurte natural, requeijão cremoso, queijo minas (todo tipo de queijo, haha), chocolate, molho branco… Enfim, várias coisas, rs. Ou seja, sim, tive que mudar muito, adaptar. E também descobrir novas receitas.

Aí que entra esse bolo de chocolate. Acreditem se quiserem: eu não era fã de bolo de chocolate. Gostava de calda no bolo comum ou de cenoura, e só, mas a massa, não. Só que com tanta restrição, não podia me dar ao luxo de recusar esse, que não vai leite nem margarina, haha. E não é que gostei de verdade?! Acho que porque não é tão doce, sei lá. Sei que eu gosto e é uma ótima opção para distrair minha vontade louca de sentir o gosto de chocolate, haha (comer a massa crua que sobra: check, sucesso absoluto) – a título de informação, o chocolate em pó “do padre”, da Nestlé, é limpo, ou seja, não possui traços de leite na sua composição.

Resolvi colocar a receita aqui, porque quando comecei a procurar tive dificuldade de achar coisas fáceis e gostosas. Agora de vez em quando venho dividir algumas receitinhas, quem sabe não ajude alguém, né.

 

Bolo de chocolate

Ingredientes:
4 ovos
1 xícara de açúcar
1 xícara de chocolate em pó
1 xícara de óleo
1 xícara de água
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento (não muito cheia)

Modo de fazer:
Na batedeira, bata os ovos e a açúcar. Junte o óleo e o chocolate (peneirado) e bata por mais 3 minutos. Acrescente a água e bata mais um pouco. Por último, a farinha de trigo e o fermento. Mexa só para misturar.
Leve ao forno por mais ou menos 35 minutos.

E fim. Viu como é facil? Haha. Se alguém fizer, me conta!

Beijo, gente! E até a próxima 😉

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sobre alergia e amor

Eu ando com muita vontade de comer chocolate. Muita mesmo. Não de sentir o sabor chocolate em algum bolo ou outra coisa, mas de comer bombom, brigadeiro, ou em barras. Ando com vontade de comer doces, em geral. Leite condensado. Doce de leite. Beijinho. Sempre gostei de doce, sou uma formiguinha nata. Não costumo comer grandes quantidades de uma vez, mas como. Um bombonzinho inofensivo depois do almoço. Um brigadeiro de colher numa tarde de domingo vendo tevê. Essas coisas simples da vida, corriqueiras. Já faz parte da minha rotina. Ou melhor dizendo, fazia parte.

Já estou na quarta semana sem ingerir leite de vaca e seus derivados.
Nunca pensei que um dia eu fosse conseguir tal feito. Eu sou daquelas que simplesmente não consegue seguir dieta alguma. Quando eu estava organizando meu casamento e, obviamente, ansiosa com o evento, comia bastante chocolate. Me diziam pra maneirar, para estar bem no vestido e eu ignorava essas palavras solenemente, afinal de contas, o vestido é tinha que caber em mim, não é mesmo? E contrariando às expectativas, até emagreci. Quando eu estava grávida, pensava melhor no que ingeria, claro, pois sabia que tudo ia pro bebê, mas nunca deixei de comer nada. Havendo moderação, eu seguia com minhas guloseimas sem peso na consciência. Por isso eu pensava que jamais conseguiria me manter longe disso tudo. Mas ta aí, tô conseguindo. Com muita vontade de atacar umas guloseimas no meio do caminho, mas estou.

E só estou por causa da pequena pessoa que dorme tranquilamente aqui no meu colo enquanto escrevo essas palavras. Minha filha. Eu pensava que nunca ia conseguir porque antes não existia um motivo.
Ela tem uma pele muuuito sensível, então começou a ter assadura muito cedo. Primeiro só uma vermelhidão na pele, depois ficou mais feio. Troquei a marca da fralda descartável (porque as de pano não cabiam nem de longe quando ela nasceu), mas logo ficava igual. Resumindo: durante mais de 1 mês, melhorava por 5 dias e depois voltava a ficar ruim a pele de novo. Ia e vinha. Isso porque eu a troco sempre, só uso algodão e água/chá de camomila para limpá-la, seco direitinho. Não sou adepta das pomadas em todas as trocas, gosto de deixar a pele dela respirar. Uso a da Weleda, para alguns casos, e a boa e velha maizena mesmo. Mas nunca ficava 100% o bumbum dela. Cismei que tava vendo um muco no cocô de vez em quando. E estava mesmo. Até que um dia, começo de setembro, vi um risquinho de sangue. Apavorei. Levei num outro pediatra, que nem me deu bola, disse que podia ser das assaduras mesmo. Mas e elas, por falar nisso, por que nunca saram? Fiquei sem resposta. Uns 12 dias depois apareceu de novo. Como ela estava visivelmente bem, não chorava demais, não tinha outros sintomas, fiquei observando, tentando não me desesperar. Eu tinha receio de começar a dieta, achava que não ia conseguir. Mas aí 10 dias depois apareceu de novo e pra mim foi suficiente. Chega! Não liguei pra pediatra nenhum, eu sou a mãe dela, estava presenciando alguma coisa rolar e já tinha chegado no meu limite. A partir daquele dia, 30 de setembro, eu iria iniciar a dieta sem leite para ver o que acontecia. Era só um teste, até para parar de pensar nisso se nada acontecesse. Mas o que aconteceu foi que tudo melhorou. O bumbum ficou bonito, como deve ser um bumbum de neném. Não teve mais muco e nem vestígio de sangue. Foi muito rápida a mudança, no segundo dia eu já percebia claramente a diferença, até a consistência mudou.

No primeiro dia eu passei mal, fiquei fraca, muita coisa na minha dieta tinha o leite como base, eu adorava comer iogurte natural com frutas no lanche da tarde. Mas aos poucos fui aprendendo que existe vida sem esse alimento. Está sendo bom também para variar o paladar, hehe.
Nesse quase 1 mês aprendi bastante coisa sobre a alergia da proteína do leite da vaca, mais conhecida como aplv. Nem falo muito que a Agnes tem isso, porque o sintoma dela é só mesmo esse intestinal e é até leve, se comparado a outros bebês que sofrem mais. Vou continuar na dieta mais um tempo e depois reintroduzir algo para ver como ela reage. Mas o fato é que ela melhorou muito depois que parei de consumir esses alimentos. E vê-la bem é a minha maior motivação para seguir adiante, com toda certeza. Ver que ela está mais saudável, feliz, ganhando peso lindamente… é muito bom! Como pode a gente conseguir mudar tanto por causa de uma pessoinha tão pequena, né? Tô encantada por viver o amor materno, ver como ele acontece, o jeito que ele age e nos faz tomar certas atitudes sem pensar duas vezes. Eu já imaginava (óbvio) que ele era poderoso, mas senti-lo está sendo demais! Nos faz mesmo pensar no outro, deixar um pouco o próprio umbigo de lado – pelo menos é o que eu tenho sentido aqui nesses poucos meses sendo mãe. Esses dias eu até comentei: nunca pensei que ficaria tão feliz por ver um bumbum lisinho. Hahaha E é bem isso mesmo, uma felicidade por saber que o que estou fazendo está fazendo bem pra ela, que mesmo ainda estabilizando os sintomas, estamos no caminho. E é isso que me faz ir além, mesmo sentindo mil vontades.

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