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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Carta do dia: todo dia um tijolinho

Filha,

eu me lembro de quando você era recém nascida e não aceitava outro colo além do meu. Eu me lembro de você só dormir com o meu cheiro. E a cena de você na cama com a cabecinha virada pra mim, enquanto eu estava deitada de lado, apoiada no cotovelo, velando seu sono, ainda é muito viva aqui na minha memória. “Olha, ela quer mesmo dormir com você do lado”, minha mãe falou nesse dia e eu sorri feliz. Porque sim, você queria isso, e eu também.

É uma das coisas que me faz sentir mais poderosa na vida: te fazer ficar calma só por estar ao seu lado, abraçada com você. E eu sempre estarei, meu bem. Enquanto você quiser, enquanto eu puder, estaremos caminhando lado a lado. 

“Eu sou sua amiga e você é minha amiga também, mamãe”. Você sempre me diz e eu sempre agradeço por viver essa parceria maravilhosa que estamos construindo juntas. 

Sabe, filha, não é muito fácil ser mãe. Existem as barreiras do mundo, as minhas próprias barreiras e as suas também. Quando todas se encontram no mesmo dia, bem, vamos apenas dizer que não é a primeira fase mais fácil do video game. Ser mãe é aprender enquanto somos, porque não existe curso, não existe filme, não existe absolutamente nenhuma teoria que chegue perto de explicar o que é viver esse amor e esse cansaço todos os dias. Todos os dias. Eu não sei porque inventaram que as mães tudo sabem e tudo suportam, porque não é verdade. Nós somos muito humanas e não precisamos dar conta de tudo. Eu não dou. Temos a nossa rede de apoio, a nossa pequena vila que nos sustenta e ampara também todos os dias. 

Ser mãe é uma construção diária. Não tem um dia que a gente fale: agora eu sei. Porque estamos todos – eu, seu pai, você, o mundo – em constante movimento e evolução. Temos as fases de expansão e as fases de contração, assim como o universo – esse mesmo universo que a gente pensa que é só lá no céu, mas que está aqui em nós também. Ou seja, é sempre uma novidade e aquele frio na barriga das primeiras vezes (de emoção e pavor). Todos os dias a gente coloca um tijolinho nessa relação. Todo dia abrimos uma janela e olhamos lá pro céu. Todo dia abrimos a porta pra sentir o ar lá fora. Pequenas coisas que vão nos levando pra perto de ser quem verdadeiramente somos – e nos trazendo para o lugar que devemos estar: o momento presente. Essa é uma das coisas mais valiosas que você tem me ensinado, desde o primeiro instante em que saiu de mim. Estar no aqui e agora, respirando, vendo, sentindo com o corpo inteiro, porque é o único lugar onde as coisas acontecem.

E por mais cinza que tenha sido o dia e a mente esteja divagando em outros tempos, basta que a gente deite juntas abraçadas pra me fazer voltar e perceber: nós duas respirando juntas pra fazer ficar tudo bem.

Hoje é dia das mães e eu te agradeço por me fazer ser. 

Toda a minha gratidão e reverência pelo que estamos vivendo juntas.

com muito amor,
mamãe

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Carta do dia: amor e gratidão

Filha,

meu coração está inundado de amor.
Fiz você dormir hoje e, depois que você pegou no sono, fiquei lá te olhando e aconteceu. Meu coração ficou inundado de amor e de gratidão. Por cada escolha da minha vida que me trouxe até aqui, por todos os nossos dias juntas, pela nossa parceria construída todos os dias. 

Sabe, filha, nos últimos meses a mamãe tem sentido vontade de fazer outras coisas, para além das demandas que a maternidade pede. Porque, como você sabe, eu sou uma pessoa inteira como você ou qualquer outro habitante desse nosso planetinha azul. E como pessoa inteira, eu tenho muitas áreas de interesse, digamos assim. Conciliar isso nem sempre é fluido e leve, mas sigo tentando fazer o caminho não ser tão pesado. Então, comecei a deixar você algumas horas com os seus avós pra sair com o papai; tenho trabalhado escrevendo quase todos os dias, estudado. Você tem ficado só com o papai também, para que eu consiga almoçar com amigas e andar de ônibus e metrô sozinha. 

E estivemos pensando em colocar você na escolinha. De vez em quando você pede, como se conhecesse muito bem o ambiente, mas até semana passada nunca nem tinha entrado em uma, rs. Fomos conhecer duas, mas não senti que era o lugar escolhido pra você passar suas tardes descobrindo novas coisas e fazendo outros tipos de laço. Fiquei incomodada, um nó se formou aqui no peito e eu até chorei. A gente (seu pai e eu) queria decidir um lugar e organizar mais a nossa rotina, mas ainda não rolou. E foi só depois que eu desabafei minhas neuras com ele e com outras pessoas foi que acalmei o coração e percebi: está tudo bem do jeito que está. Não preciso querer me encaixar num “jeito certo”, “mais recomendado” para seguir nossos dias. A gente tem escolhido como eles são há mais de dois anos, digamos que agora estamos pegando o jeito da coisa. Pode ser meio bagunçado, mas é o nosso jeito.

Sim, ainda queremos que você frequente uma escola, mas acho que acabou a pressa. Tudo acontece no tempo certo. E encontraremos uma que seja do tamanho ideal pra nós. 

Ah, não te contei. Hoje você dormiu sem mamar, abraçada com seu gatinho azul de pelúcia. E com carinho na barriga, como você gosta. Você tem mamado bem menos, e não foi a primeira vez que você dormiu assim; sinto que estamos em uma transição.

Já falei que meu coração está repleto de amor e gratidão? É só isso que estou sentindo agora. Quis te escrever para que você soubesse disso também (apesar de eu já ter dito no seu ouvido antes de sair do quarto, mas gosto de registrar assim, por escrito). 

Que bom que você veio, meu amor. Que bom que a nossa história está acontecendo de verdade. 

com amor, 
mamãe.

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2 anos e 6 meses

Dois anos e meio da minha pequena moça. (Ok, ela ainda não completou esses 6 meses, eu sei, é só dia 15, mas eu queria muito escrever sobre essa fase logo, haha).
Minha pequena moça que cresce a olhos vistos. Que tem se desenvolvido de um jeito tão lindo e tão dela. Que me arrebata de amor com as coisas que fala.

Que fase, hein, migas.

Pode ser meio arbitrário dizer isso, mas essa fase está muito maravilhosa.
Sei lá, pouco antes dos dois até 2 anos e 3 ou 4 meses, mais ou menos, foi bem intenso. Choros, gritos, pessoinha deitada no chão, eu gritando de vez em quando, a gente chorando juntas e a coisa toda. Todo mundo aprendendo sobre limites – os seus, os meus e os nossos. Tudo muito novo pra nós.
Agora parece que a poeira baixou e estamos numa bonança. Não que não tenha mais choros ou alguns gritinhos, principalmente com cansaço e fome envolvidos. Mas está bem melhor, com certeza, sim.

E ela está falando, falando, falando. Já faz um tempo que eu narro aqui suas palavrinhas e pequenas frases, mas é que esse é um aspecto que eu me encanto muito. Muito bonito de ver ela conversando com a gente, sabe.

Ela está brincando mais tempo sozinha, e aí fica falando consigo mesma, com os bonequinhos, com as pecinhas, criando umas mini narrativas muito fofas – que na verdade é uma reprodução ou de algo que aconteceu com ela recentemente, ou que ela tenha ouvido num desenho.

E ela canta, minha gente! É apaixonada por Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz feito a mãe dela. Sabe cantar as músicas e sabe achar no meu celular.
Aprendeu a cantar “1, 2, 3 indiozinhos”, que eu ensinei. E toda hora é isso também.
De fato, a música sempre foi muito presente na vidinha dela. Desde a barriga. Eu sou muito musical também, não tinha como isso não reverberar também nela, até pelo nosso cotidiano. Sempre tem uma música tocando no carro, cantamos para tirar o estresse ou parar de chorar, adoramos dançar pela sala, e é muito bonitinho ver que ela já vai em busca disso também por conta própria, em muitos momentos.

Tem uma audição incrível e ouve até o que não precisava, hahaha. E repete depois, obviamente. Ah, sim, sobre essa repetição toda. Quando acontece alguma coisa ela fica contando, repetindo, várias vezes. Pra mim, pro pai, pros avós. Por exemplo, uns meses atrás ela tomou uma vacina que estava atrasada. Doeu, claro, ela chorou. Quando fui tirar aquele adesivinho da perna dela, ela chorou de novo, dizendo que doeu. Ela contou essa história várias vezes naquela semana. Depois de uns 20 dias, lá vem ela com a mesma história. “Doeu a vacina, mamãe. Foi aqui na perninha. Eu chorei muito muito”. Eu não tenho dados científicos, mas penso que isso faz parte da elaboração dos acontecimentos dentro da cabecinha dela, sabem? Ela precisa falar, confirmar, validar. E depois passa mesmo. Daí quando lembra, fala de novo. Eu escuto, confirmo, reconheço os sentimentos, digo que aconteceu tal dia, que não foi hoje. E assim vamos indo.

Seguimos mamando, mas a quantidade já diminuiu bastante. Basicamente ela tem mamado para dormir, quando acorda e quando se irrita muito. Ou quando eu saio e ficamos algumas horinhas separadas, aí quando eu chego ela sempre pede. Confesso que ando meio cansada já. Em alguns momentos eu nego e direciono a atenção dela pra outra coisa, em outras eu deixo, mas depois peço pra ela parar. Estamos caminhando para um desmame que eu não faço ideia de quando irá se concretizar, mas que vai acontecer, sim, em breve. Já até consegui fazê-la dormir sem mamar alguns dias esse mês e deu tudo certo. Mas não tenho muitas regras ainda, vou sentindo como foi o nosso dia e os limites de cada uma. Aos poucos a gente vai encontrando os caminhos, não é? Aceito orações, abraços e colinhos.

E basicamente é isso.
Depois eu volto pra contar como é que eu estou nessa fase da nossa vida, rs. Hoje eu queria só mesmo registrar as lindezas dela e o meu contínuo encantamento pelo privilégio que é ver uma pessoa crescer.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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do que eu não quero esquecer – III

das falas:

-Mamãe, vem cá, pufavô!

-Ditupa, mamãe.

-Que tão fazendo, gente?

-Mamãe? ti foi?

-Té toisa me ida (qualquer coisa me liga)/ Tão tá, be-eza (então tá, beleza) (sim, é a resposta/continuação do diálogo) (!!!!)

-passiá, dô (passear no escorregador = ir ao parquinho)

e do jeitinho que ela anda, toda despojada.
as vezes indo pra frente e olhando pra trás, meio torta, pra ver nossa reação, fazendo uma carinha muito fofa.
as vezes com os braços soltos.
a “corridinha devagar” que ela faz.

como arruma todas as bonecas pra dormir.

como separa as coisas por cor.

posso dizer que quero me lembrar de tudo? Posso e vou! Quero me lembrar de tudo, de cada momento que a gente tem e que vai moldando a pessoinha que está desabrochando bem debaixo do meu nariz.

Amanhã ela faz 2 anos.
E eu, hoje, sou só amor.

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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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Carta do dia: obrigada

Filha,

quando você nasceu, eu dizia que você me puxava pro presente, me fazia estar no aqui-agora de forma inteira, crua, literal. Eu dizia isso principalmente quando você mamava. Você sugava forte, mamava muito e eu não conseguia fazer nada além de viver aquele momento. Eu não conseguia conseguia conversar com outras pessoas, ou olhar o celular ou ver tevê, nem fazer mais nada. Me dava tontura, minha vista embaçava. Pra mim, que sempre tive uma mente muito inquieta, que paro em frente um vitrine no shopping já olhando a do lado, aquilo foi uma novidade, ninguém me avisou que iria acontecer.

Hoje você completa 17 meses de vida e estou percebendo que ainda estou aprendendo isso. Você ainda é a pessoa que me faz parar tudo para “apenas” deitar contigo na hora certa pra dormir (a hora certa é a que você tem sono, só pra registrar, não trabalhamos com números exatos aqui em casa, como você sabe). Que me lembra que não adianta me descabelar por todas as coisas que eu não vou conseguir fazer antes da viagem. Produtivo mesmo é sentar e brincar com seus potinhos e livrinhos. Você puxa meu short e me lembra que precisamos viver bem o presente, senão seu sono desanda e seu apetite vai embora. Estende os bracinhos chamando mamãe para me dizer que uma boa soneca pertinho de mim ainda é uma ótima pedida para recuperar suas energias.

Que paciência você tem comigo, meu amor. Tem sido muito gratificante perceber tudo isso nesses dias tão doidões que estamos vivendo. Obrigada, mais uma vez, por tudo. É muito bom ter sua companhia nessa estrada.

Você é o meu descanso na loucura, meu respiro. Meu presente.
Feliz 1 ano e 5 meses, meu amor.

muitos beijos e abraços!

com amor,
mamãe.

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O dia dele

Eu já contei essa história muitas vezes, mas e daí, eu gosto e vou continuar contando.

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O pretexto que me fez abraçar o Cleber dentro de um museu, em plena terça-feira, foi o seu aniversário. Estávamos conversando, olhando pela janela, quando ele contou que há poucos dias tinha sido seu aniversário. Era dia 9 de setembro, o aniversário havia sido dia 3. Mesmo com uma semana de distância, achei que ainda cabia uma felicitação e simplesmente o abracei. Quem eu quero enganar, não é mesmo? Todo mundo já sacou que eu só precisava de uma desculpa qualquer, que até se ele falasse que não gosta de doces eu o abraçaria. A verdade é que ele não gosta de doces mesmo, mas só descobri isso com algum atraso, felizmente. Afinal, como confiar em alguém assim? Eu confiei, amigos. A boa notícia é que de vez em quando ele come, e até faz uma sobremesa delicia com morango, o que prova que nem tudo está perdido.

Depois daquele dia muita coisa aconteceu. Aos poucos eu fui descobrindo seus gostos, jeitos e defeitos. Descobri, por exemplo, que ele sempre topa minhas ideias loucas. Só isso explica o motivo de ter aceito ir comigo até Aracaju de ônibus. 36 horas de viagem. Tínhamos 3 meses de namoro. E ali eu percebi realmente que ele era um homem muito legal, que eu até me casaria com ele. O que aconteceu uns anos depois, também em setembro, dia 10. Esse ano faz 4 anos. E sim, setembro é mesmo um mês especial pra nós.

Mas olha eu desvirtuando o assunto principal.
Hoje é o aniversário do pai da minha filha e eu adoro escrever sobre ele.
A gente tem uns arranca-rabos de vez em quando, eu pego no pé dele por vários motivos, tem vezes que ele me dá altas broncas, só que a nossa parceria e cumplicidade é o que eu mais gosto e mais valorizo na nossa relação. A gente fica conversando antes de dormir, a gente planeja vários dias e muda tudo em cima da hora, a gente banca nossas escolhas e revê tudo quando necessário.

Ele é determinado, tanto para correr atrás do que quer, quanto para terminar as séries que começa a ver. Tem um auto controle dos bons. Cozinha muito melhor do que eu (deletem o fato de que eu realmente não sou boa na cozinha, ok? O foco aqui não sou eu, não sou eu!). Aliás, quanto a isso, obrigada sogrinha! Que foi quem o ensinou a “se virar” na cozinha desde os 11 anos. Sem contar que com 15 ele ganhou uma irmãzinha, então tem toda uma segurança e desenvoltura para lidar com recém nascidos. É bem cabeça dura também e, às vezes, o chamo de meu malvado favorito, mas tem um coração lindo, que tem crescido e se fortalecido cada dia mais. E como não amar uma pessoa que me faz os melhores sanduíches às onze da noite?

Meu bem,
eu desejo as melhores coisas do mundo pra você, todo dia. 

Que você tenha muita saúde, muito sucesso, muita força e muitas boas memórias construídas nesse novo ano de vida. Você merece muito. Obrigada por ser você.
Eu e a Agnes vamos cantar parabéns o dia todo hoje, se prepare. E vamos te encher de beijos e muito carinho, mas não posso prometer que será só hoje. 

Te amo (só até amanhã de manhã).

Muitos beijos,
Marina.

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Carta do dia: nossos novos dias

Filha,
eu já te contei isso, mas quero registrar em carta também: nós vamos nos mudar! Agora não iremos mais morar na mesma casa que o vovô e a vovó; seremos “só” papai, você e eu. Já te contei que isso é muito legal, que teremos um espacinho nosso, que isso não significa que estejamos brigados com eles, ou algo do tipo, pelo contrário, eles estão sendo muito bacanas, nos ajudando com tudo e etc e tal. Ainda estamos no limbo entre um apartamento e outro, naquela fase em que toda a burocracia já foi feita, só falta os móveis novos chegarem. Hoje chegou uma parte, aliás. Já levamos as caixas também, que ficaram aqui guardadas 2 anos esperando esse momento chegar – já te contei essa história aquele dia, enquanto você me via lavar a louça, lembra? De quando papai e eu nos casamos, moramos numa casinha lá longe e como as circunstâncias nos trouxeram pra cá de volta. Enfim, como eu digo: tá sendo uma mudança em doses homeopáticas, rs. E enquanto isso, ainda estamos aqui, no apê de sempre, mas indo ao novo toda hora (é aqui no condomínio vizinho mesmo, rs), medindo paredes, conferindo detalhes, comprando coisinhas, pensando em decoração. Muita coisa a ser feita. Você tem nos acompanhado sempre, obviamente. Você é atenta a tudo, percebe todas as mudanças de ambiente.
Em meio a esse delicioso caos, você cresce lindamente, a olhos vistos! Já pega seus próprios pézinhos e os quer levar até a boca – às vezes consegue, às vezes “os perde” no meio do caminho e põe só as mãozinhas na boca mesmo, rs. Faz bolhas com saliva, grita, conversa, ri, pega tudo o que estiver ao seu alcance. Está quase virando de barriga pra baixo num impulso só. Uma lindeza total! E com essas mudanças no seu desenvolvimento, de vez em quando dá uns “tilts” no seu sono ou comportamento, hehe. Hoje, 25 de novembro, você está ótima, parece ter assimilado que agora temos 2 casas e mais as suas conquistas. Mas na semana passada estava bem mais grudadinha em mim, só servia se fosse o meu colo, choramingando em alguns momentos, e dormindo super tarde. Teve um dia que brigou comigo porque não queria pegar no sono e ficava fazendo bolhas e gritando sem parar, haha. Eu respeito e acolho esses dias mais difíceis, e acredite, eles realmente passam. Te dei muito colinho, te expliquei sobre a nossa nova situação, ri e elogiei as novidades que você me apresentou. Foi demais. E acredite, eu sempre percebo (seu pai também) que você dá umas “espichadas” no tamanho depois dessas “crises”.

Ah, posso te falar uma coisa? Eu AMO o jeito que você olha pra mim! Hoje mesmo eu estava reparando isso, coisa mais bonita da vida, esse seu olhar. E agora você aprendeu a ficar pegando no meu rosto, como estivesse fazendo um carinho, é uma delícia de momento. Estou amando muito ser sua mãe, filha, saiba disso. Me sinto em casa com você, confortável, de bem com a vida. 

Vamos juntas nesse nova fase da nossa história. Vai ser inesquecível.
Vou repetir isso sempre: que bom que você veio, meu amor. Que bom! 

com amor,
mamãe.

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