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Carta do dia: verdades que surgem às sete da manhã

Filha,

hoje de manhã, enquanto comia seu mingau de aveia, você começou a chorar dizendo que não queria ir pra escola.

Você passou o fim de semana sensível dizendo que não queria ir mais pra escola. Imaginei ter sido porque, na quinta e na sexta passada terem sido os primeiros dias em que você ficou todo o período, e não mais o tempo da adaptação. Isso depois de cinco dias direto em casa, por conta do carnaval. Foi uma conta que não fechou, né? Também teve o fato de que sábado eu fiquei até as seis da tarde longe, num encontro mensal que participo – e calhou do de fevereiro ser justamente nesse balaio de escola, horas longe, adaptações, etc. Entendo completamente. E no domingo, por mais que estivéssemos pertinho, foi na rua, em movimento e em bando – com toda euforia e cansaço que tudo isso traz.

Aí de madrugada você acordou com uma dor na barriga, pediu chá, e depois vomitou. Dormiu tranquila depois disso, ainda bem. Também natural, visto que é mesmo muita coisa pra digerir. E não digo só pelo fim de semana, mas pelo período que estamos passando, a saber: adaptação na escola, ou seja, uma rotina completamente nova também, já que você fica lá semi integral. Reforma completa na casa da vovó e do vovô, que é o lugar que mais vamos e que, com a reforma, você foi privada de ir; e você entrou lá algumas vezes rapidinho e viu que estava tudo completamente diferente. O Dindo aqui em casa – que é uma coisa boa, mas também nova. Mudanças internas da mamãe e do papai. A vovó que foi pra Minas de repente cuidar da mamãe dela. E até as mudanças na nossa casa coloco nessa conta. Sim, o ano mal começou e já veio um combo de alterações e desafios.

Você colocou pra fora os excessos e eu te admiro por isso.

Escolhi não te levar pra escola ontem porque, além de você ter pedido muito, e do episódio do vômito, eu senti que era mesmo pra você ficar. Pra reforçar nosso vínculo na presença física, num dia de semana normal, na nossa rotina que você estava habituada. E para não se tornar um tormento ir pra escola, aquela coisa que somos obrigados a ir de qualquer jeito e engole o choro. Podendo escolher, não te obrigo a nada, foi sempre assim; caminho do meio total, sentindo o seu tempo, indo com calma; por que ter que já entrar numa coisa fixa e rígida agora? Não faz sentido pra forma que lidamos com as coisas aqui em casa. Tudo bem ficar em casa um dia pra fortalecer o emocional e ir mais calma nos dias seguintes. Tem quem fale que isso faz você não se adaptar, mas eu não estou lidando com suposições, nem com achismos e muito menos com pitacos aqui, estou sentindo você, nossa história, nossa relação. Ontem era melhor que você ficasse e você ficou, ponto. Conversamos bastante no fim do dia sobre a ida pra escola na manhã seguinte, estive calma, te expliquei mil coisas. Enfim. Fiz o que achei que me cabia e que consegui.

Hoje de manhã te senti bem mais calma, apesar das frases de não querer ir e de algumas lágrimas, como as que rolaram depois do café da manhã.

Depois de poucos minutos, você disse:

– por que eu tenho que ficar longe de você e do papai?

(pausa pro meu coração voltar a bater, lembrar que essa é a sua história, não te projetar meus traumas infantis, não chorar também e ir direto cancelar essa merda de escola e vivermos pelados pintados de verde num eterno domingo. respirei. olhei pra agnes e pra vida da agnes)

-é por isso que você não quer ir, filha?

-siiiim (já chorando e novo)

E aí eu entendi, filha. É mesmo uma fase de adaptação. Três anos e meio, toda a sua vida, sendo cuidada por mim, pelo papai e sempre por pessoas da família e, de repente, lá vem essa coisa de escola, de tantas horas longe de todas as referências familiares (#cancerianafeelings), em meio a todas as mudanças que já andavam rolando? Putz, essa é mesmo uma pergunta muito boa. Por que ter que ficar longe das pessoas que mais amo e me passam segurança?

Eu te disse que estamos sempre juntos, que você pode sempre respirar fundo, se acalmar e lembrar da gente com carinho; e que faríamos muita farra e chamego quando estivéssemos juntos. Além de outras coisas que também disse, em outros momentos. E comecei a focar nas coisas boas que tem na escola, ao invés do fato de ser um lugar que você fica sem a gente. Porque pode mesmo ser muito legal, filha, e você vai descobrir ao longo da vida que é bem divertido ter nossas próprias experiências, rs.

Todos os dias, desde que me descobri grávida, aprendo com você, minha pequena moça. É um privilégio sem tamanho ser sua mãe. De novo e sempre eu te digo: que bom que você veio, meu amor. Que bom!

Sigamos juntas, então, crescendo, aprendendo, chamegando e esticando a borda do horizonte do que conhecíamos até ontem – dentro e fora de nós. De vez em quando dói, arde, dá vontade de viver pra sempre no quentinho do colo e do conhecido. Mas aí é só lembrar que nem existe esse lance de pra sempre e que bom mesmo é sentir a nossa força e nossa coragem pelos caminhos dessa vida.

 

com amor,
mamãe.

 

(tudo isso pra dizer que, sim, eu também tô me adaptando e acho que viver no mato sem muros nem regras segue sendo uma ideia maravilhosa que irei defender pra sempre – não péra. que irei cultivar em nós. que irei cultivar dentro. e que sigo sendo uma pessoa que não obedece todas as regras nem na fase de adaptar a pequena na escola e já tô ensinando que pode, sim, cabular. ô se pode!) (apagar essa parte quando ela for pro ensino médio) (ou relembrar isso aqui exatamente nessa época?) (fica a ideia) (não me interditem) (sou doidinha mas sou legal) (dizem) (hahahahaha).

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Carta do dia: intuição e experiência

Filha,

mamãe tá indo pra Salvador hoje, sozinha. 
Vai ser rapidinho, veja só, hoje é quarta-feira e na sexta estarei de volta pra dormir com você. Mesmo assim já estou com saudade. Você disse isso pra mim também, que vai ficar com saudade quando eu estiver “lá no Salvador”. Você me perguntou porque eu estou indo, e porque estou indo sozinha. 

Sabe, filha. A mamãe está descobrindo como é importante a gente valorizar, ouvir e receber com muito amor a voz que vem do nosso coração. A respeitar as nossas vontades. A conhecer a nossa essência. A nos conectarmos com a verdade que guia o nosso caminho. Tenho feito isso com mais presença nos últimos meses. Vezes mais, vezes menos, porque é um aprendizado – e algumas vezes a gente ainda cai em erros antigos para aprender que aquela é uma questão a ser iluminada e trabalhada. Mas o fato é que tenho feito, sim. Tenho procurado ouvir mais as minhas intuições, acreditar nelas – e tem sido um caminho bem bonito, muito bom de trilhar e desvendar. 

Pois bem. Uma dessas minhas intuições me disse que eu devia seguir em frente e ir pra Bahia sozinha, mesmo que fosse por dois dias (e não cinco ou sete, no Carnaval, como era o plano original, rs). Que Salvador é terra de energia forte, e que eu ando precisando beber um pouco dessa fonte e conversar de perto com aquele azul profundo que é o mar que só tem lá. Que ir sozinha, a passeio, é bancar uma Marina que ainda é meio nova pra mim, mesmo que eu sinta que ela sempre esteve aqui esperando para ser vivida. Que isso também é o meu trabalho, porque eu preciso viajar e me movimentar para me entregar à escrita como sei que posso fazer. Que isso também é a minha espiritualidade, porque minha alma reconhece aquele lugar de uma forma muito gostosa, e pela primeira vez estarei presente numa festividade ao dia de Iemanjá. Que isso é a força da amizade, porque sem a presença e o apoio de Dai eu estaria ainda mais perdida do que o normal, rs. E provavelmente tem mais mil coisas que fazem essa viagem ser imprescindível, mesmo que eu não saiba responder com palavras. Coisas que ainda vão fazer sentido daqui alguns dias ou mesmo em décadas. Coisas que ainda nem sei que são pontos a serem considerados, mas que estão compondo esse cenário. E tudo bem. 

Eu espero que isso seja uma mensagem pra você também, filha. Que você pode, sim. Que você é livre. Que sempre pode conseguir o que quiser, basta continuar tentando, indo, sentindo o caminho e o seu coração. Que algumas coisas não tem explicação racional, graças a Deus. Ao ver os meus movimentos, espero que você entenda, que sinta forte aí dentro do peito, desde já, que fique gravado em você, que é cuidando da nossa verdade e do nosso sentir que a gente se fortalece e floresce. Cresce. Para seguir em frente, para cuidar do outro, para ofertar ao mundo o que de mais bonito vier desse cultivo. E também pela experiência em si, por nós mesmas, pelo tempo presente que é tudo o que temos – então que seja de significado e sentido.

O nosso caminho é construído todos os dias, meu bem. E enquanto estivermos aqui no planetinha azul é tempo de aproveitar, de ir, de viver. Eu espero que você entenda que estou seguindo uma intuição, e que isso é uma escolha possível e natural – uma das milhões de escolhas possíveis na sua vida, você terá milhares delas, acredite. 

Não estou buscando respostas definitivas, nem te escrevendo agora, nem nessa viagem. Estou interessada na experiência. No tempo presente que ainda está por vir. E em te abraçar no aeroporto na noite de sexta, com certeza. 

 

com muito amor,
mamãe.

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Em paz com a minha história

Esses dias eu vi aqui nas estatísticas do blog que o post com mais visualizações das últimas semanas é a carta que escrevi pra Agnes antes dela nascer (aqui o link pra ler a carta). Fiquei emocionada em reler aquelas palavras e relembrar o sentimento de espera, de calma e vontade de viver o parto ao mesmo tempo. A carta foi escrita no dia 10 de julho de 2014. Ela nasceu no dia 15. E fiquei pensando que ali na carta eu dizia que queria sorrir quando percebesse que ela estava dizendo mesmo que ia chegar, que estava me entregando pro parto, que queria viver cada dor que viesse com a consciência de que era um caminho nosso em direção a nos conhecermos.

E, bem. Pensando aqui direitinho… não foi bem assim que aconteceu.

Antes de falar que isso, o fato de não ter sido bem assim, é aquela velha máxima dos cuspes caindo na testa das mães, tô pensando em outra coisa.

Que para viver a leveza e o gostosinho que a luz traz pra nossa vida, invariavelmente a gente passa por uns breus, uns esbarrões nos móveis da casa até chegar pra abrir a janela ou acender a luz.

Tempos atrás eu pensaria assim “eu escrevi que queria estar feliz e leve para receber a pequena, aí três dias depois já estava em trabalho de parto e tudo foi tão diferente, tão pesado… será que eu menti pra mim mesma? Será que menti pra todo mundo falando que estava calma quando na verdade estava surtando de ansiedade? Eu sou uma farsa mesmo”.

hahahaha deixa eu colocar umas risadas aqui pra lembrar que rir da gente mesmo é uma boa pedida pra relativizar o tamanho das coisas.

Sim, eu era dura comigo mesma nesse nível. Uma cobrança surreal. Acho que nem dá pra dizer ainda que já mudei por completo. Estou em processo. Mas ter consciência de que esse é um ponto a ser trabalhado já me ajuda demais e coloca tudo numa nova perspectiva.

Hoje, quando eu reli a carta e quando me lembrei de como foi o trabalho de parto, o que senti foi tranquilidade, de novo. Entendimento. Clareza. Talvez três anos e meio tenha me dado a distância necessária para perceber que tudo aconteceu exatamente como tinha de ser. Que eu precisava enfrentar aqueles fantasmas para chegar até a luz (dar a luz). Que eu precisava encarar, sentir, reviver tantos anos de história para entender de uma vez por todas que aquilo era, sim, importante pra mim, que eram lembranças que moldaram boa parte da minha vida. E que eu já podia deixá-las, se quisesse. Eu podia ultrapassar aquele ponto e dar outros passos para além da estrada. Eu podia abrir a janela e ver a paisagem novíssima lá fora. Eu podia sair dali, afinal.

Não dava pra chegar na prática leve sem antes dar uma faxinada nas práticas recorrentes até então. Não deu pra ter um olhar leve ao entrar em trabalho de parto, porque eu tive acesso a pontos muito delicados da minha bagagem. Coisas que estavam latentes, já chegando na superfície (e eu nunca deixava sair, ficava contendo aquele tanto de coisa dentro de mim), e precisavam mesmo vir pro mundo de novo para liberar o caminho pro tanto de vida que estava chegando. Entendo realmente como uma estrada que eu percorri (ainda precorro), como um lugar que tive que passar pra chegar em outro.

Fim do ano passado aconteceu uma coisa semelhante. De eu estar sentindo algo bem bonito aqui dentro, mas quando fui de encontro com a ação primeiro surgiu uma bagunça generalizada. Fica parecendo que é “culpa” do sentimento, ou que eu não tinha entendido o que era, ou que idealizei demais e depois quebrei a cara. Mas não foi nada disso. E mesmo não tendo nada a ver com parto nem com maternidade, quando eu reli a carta entendi que era um processo semelhante. Do mesmo jeito que aconteceu antes, primeiro tive que encarar um bloqueio, perceber que ele existia, acolher, aceitar como parte do processo. E só agora, semanas depois, tô sentindo que aquilo não foi tudo. Foi uma parte. Parte que precisou existir para me mostrar mais um monte sobre mim e sobre o mundo. Sobre como me comunico, como transporto meus sentimentos mais abstratos pro mundo concreto. Sobre paciência. Sobre acolhimento. Sobre continuar em frente e confiar no poder da (nossa) natureza em nos mostrar o caminho. E que aquele sentimento, o bom, o bem, o leve, continua aqui. Ele precisava de espaço pra existir com mais potência. Ainda é tudo muito novo, o caminho está sendo aberto, eu só dei uns dois passos até agora, mas sei que em algum momento vou olhar esse período e sorrir por perceber que era inevitável que rolasse tudo que rolou.

Aquela calma que eu senti ao esperar o tempo da minha filha nascer ainda mora aqui dentro. Aprendi a confiar nela, a deixar que ela ficasse. E mesmo tendo enfrentado um deserto árido antes de chegar naquele momento mágico em que seguramos no colo pela primeira vez a pessoinha que até um segundo atrás morava dentro de nós, e por muito tempo ter acreditado que havia sido apenas peso e excesso, que eu queria ter vivido aquelas horas de outro jeito, hoje eu sinto que não, não foi tudo “errado”, ou torto. A calma estava aqui, sim. Ela sempre esteve. Até no deserto.

Contextualizando pra quem não acompanhou meu relato de parto (que eu pretendo reescrever qualquer hora dessas): fiquei quase trêsdias em trabalho de parto. Eu não “sofri” horrores com as dores das contrações, tanto que com 6 cm de dilatação (mais ou menos), na troca de plantão, as enfermeiras achavam que eu nem iria parir nas horas seguintes, com elas. Porque eu estava apenas deitada, sem contração regular ainda. Estava tudo bem com o meu corpo e com a bebê. Mas em algum lugar dentro de mim existia um turbilhão de lembranças e sensações. Eu digo que “demorou” pra Agnes nascer porque eu nem estava lá realmente. Eu estava longe, lá atrás, sentindo umas dores e uns medos tão antigos que já nem sei desde quando existiam. Foi um deserto que atravessei. Começou no domingo. Na madrugada de terça, quando me entreguei pro presente e aceitei que, sim, minha filha estava chegando, ela nasceu quarenta minutos depois. Também por isso eu digo que ela é a minha pequena mestra em me ensinar a viver o presente.

Então vamos lá, falando mais uma vez só pra registrar na minha mente: a calma e a conexão sempre estiveram aqui. Todas as horas de turbulência não significaram ausência disso, em mim. Foi uma parte do caminho. Uma parte que atravessamos. E depois seguimos, aprendendo a conviver, a deixar transparecer, a existir. Viver um momento crítico não quer dizer que somos aquilo em absoluto. Ou que todo o evento (ou o ano, ou a vida) é definido por isso. Vamos respirar e lembrar: tudo é caminho. Tá tudo bem em ser quem podemos ser no momento. Daqui a pouco a paisagem muda, a gente muda e seguiremos sempre aprendendo. Aprender a confiar nos caminhos da vida também é uma boa pedida. Paciência, gentileza e movimento, eis aqui um tripé bem importante nessa coisa de lidar com os nossos processos de evolução.

Olha, eu não pensei que os primeiros dias de 2018 me trariam uma “surpresa tão surpreendente”, mas aconteceu. Sim, estou em paz com o meu caminho. Estou em paz com a história do meu trabalho de parto. Ler aquela carta, além de mostrar isso, ainda me ensinou sobre outros pontos desse meu caminhar. Tudo é aprendizado mesmo – e como eu gosto de me conectar com isso.

Que venha um ano potente e cheio de possibilidades de crescimento para todas nós.

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Carta do dia: sobre o tempo e sobre nós

Oi, filha

Escrevo essa carta de madrugada, enquanto você dorme ali no quarto. Faz tempo que não venho registrar sensações e pensamentos por aqui, o tempo anda muito doido – ou melhor, eu ando muito doida em relação a tudo; o tempo é sempre o mesmo, nós é que mudamos o olhar, não é? (também não sei, talvez você tenha uma resposta mais crível pra mim quando ler essas palavras).

Mas sim, uma coisa é fato: tem muita coisa acontecendo na nossa vida. 2017 tem sido um ano surpreendente, para dizer o mínimo. 

Esse tem sido um ano de coragem. Um ano de olhar pro fundo de mim, mais uma vez, e entender que a gente precisa de muita entrega na vida para seguir o coração. Um ano de aceitar que preciso de ajuda. Que já consegui superar vários desafios. E que quando penso que estou num eixo e vou seguir assim por muito tempo, puff, lá vem uma curva sinuosa pra mostrar que, sim, ainda tem muuuuita coisa que ainda preciso melhorar e aprender. Que bom.

Esse tem sido um ano bonito e desafiador do seu crescimento também, filha. De você brincar mais com outras crianças, de ficar bem sem mim ou sem o papai, de falar coisas lindas e de aprender sobre limites e espaços – penso que todos os anos da nossa existência são sobre isso, não é exclusividade de quem tem 3 anos, né? Esse foi o ano em que te colocamos na escolinha pela primeira vez, para tirar menos de dois meses depois. Porque é importante reconhecer quando uma escolha não foi lá muito boa (o papo sobre limite cabe aqui também). Você quis mais a minha presença depois disso, o que nem sempre aconteceu da forma fluida e natural que eu tanto gosto, porque os nossos ritmos estavam diferentes. Faz parte, eu acho. Com certeza você viu mais desenhos do que seria permitido pra sua idade. Comeu doce demais. Ouviu uns gritos meus. Coisas que não me trazem muito orgulho, mas aconteceram e, sinceramente, não posso prometer que não teremos nunca mais. 

Mas de qualquer forma, no fim do dia é abraçada a mim que você dorme. E agradeço imensamente pela sua paciência e pela sua companhia. Por sempre chamar de novo pra ir brincar lá fora. Por andar no seu ritmo e parar pra ver minhocas e formigas e folhas e gravetos. Por querer ver o dia quando acorda – e as vezes querer que esteja nublado e que tenha poças de água lá fora “para dar água pras plantinhas”. Obrigada por me fazer pensar em outros jeitos de lidar com a raiva ou com o tédio. Obrigada por riscar todas as paredes da casa e pintar o chão de tinta – e por querer limpar depois no maior estilo bagunçado com água e sabão – são sempre ótimos exercícios de desprendimento. Obrigada pela sinceridade e pelo carinho. Obrigada por me contar sobre o que sente (um dia você disse, depois de uma crise de choro “eu fiquei frustrada, mamãe).

Acho lindo demais você me perguntar sempre que eu chego da rua “e aí, mamãe, como foi a sua tarde/a terapia/o show/o almoço com a sua amiga?”. Você se importa, meu bem. E isso sempre muda tudo.

Sabe, filha. Se tem uma coisa que já posso dizer que aprendi esse ano foi que a gente sempre pode tentar de novo. Nada é definitivo, nem os dias incríveis e muito menos os que parecem durar uma eternidade e mais 10 minutos de sofrência. Mesmo que esteja durando três meses ou sete anos. Sempre vai chegar aquele dia em que a gente simplesmente acorda, olha ao redor e começa pegando as meias do chão, porque é tanta coisa que precisa ser feita que é melhor começar pelas meias – pelo menos a gente esquenta o pé de noite, né?

Você tem me ensinado que todo dia pode ser um dia bom pra começar o que se quer. Toda hora pode ser a hora.

Então eu nem preciso esperar virar o ano ou chegar alguma data específica pra dizer, né? Obrigada, meu amor. Muito obrigada por me mostrar que é possível, se eu quiser que seja.

Sigamos sempre juntas.

com amor,
mamãe

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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Carta do dia: todo dia um tijolinho

Filha,

eu me lembro de quando você era recém nascida e não aceitava outro colo além do meu. Eu me lembro de você só dormir com o meu cheiro. E a cena de você na cama com a cabecinha virada pra mim, enquanto eu estava deitada de lado, apoiada no cotovelo, velando seu sono, ainda é muito viva aqui na minha memória. “Olha, ela quer mesmo dormir com você do lado”, minha mãe falou nesse dia e eu sorri feliz. Porque sim, você queria isso, e eu também.

É uma das coisas que me faz sentir mais poderosa na vida: te fazer ficar calma só por estar ao seu lado, abraçada com você. E eu sempre estarei, meu bem. Enquanto você quiser, enquanto eu puder, estaremos caminhando lado a lado. 

“Eu sou sua amiga e você é minha amiga também, mamãe”. Você sempre me diz e eu sempre agradeço por viver essa parceria maravilhosa que estamos construindo juntas. 

Sabe, filha, não é muito fácil ser mãe. Existem as barreiras do mundo, as minhas próprias barreiras e as suas também. Quando todas se encontram no mesmo dia, bem, vamos apenas dizer que não é a primeira fase mais fácil do video game. Ser mãe é aprender enquanto somos, porque não existe curso, não existe filme, não existe absolutamente nenhuma teoria que chegue perto de explicar o que é viver esse amor e esse cansaço todos os dias. Todos os dias. Eu não sei porque inventaram que as mães tudo sabem e tudo suportam, porque não é verdade. Nós somos muito humanas e não precisamos dar conta de tudo. Eu não dou. Temos a nossa rede de apoio, a nossa pequena vila que nos sustenta e ampara também todos os dias. 

Ser mãe é uma construção diária. Não tem um dia que a gente fale: agora eu sei. Porque estamos todos – eu, seu pai, você, o mundo – em constante movimento e evolução. Temos as fases de expansão e as fases de contração, assim como o universo – esse mesmo universo que a gente pensa que é só lá no céu, mas que está aqui em nós também. Ou seja, é sempre uma novidade e aquele frio na barriga das primeiras vezes (de emoção e pavor). Todos os dias a gente coloca um tijolinho nessa relação. Todo dia abrimos uma janela e olhamos lá pro céu. Todo dia abrimos a porta pra sentir o ar lá fora. Pequenas coisas que vão nos levando pra perto de ser quem verdadeiramente somos – e nos trazendo para o lugar que devemos estar: o momento presente. Essa é uma das coisas mais valiosas que você tem me ensinado, desde o primeiro instante em que saiu de mim. Estar no aqui e agora, respirando, vendo, sentindo com o corpo inteiro, porque é o único lugar onde as coisas acontecem.

E por mais cinza que tenha sido o dia e a mente esteja divagando em outros tempos, basta que a gente deite juntas abraçadas pra me fazer voltar e perceber: nós duas respirando juntas pra fazer ficar tudo bem.

Hoje é dia das mães e eu te agradeço por me fazer ser. 

Toda a minha gratidão e reverência pelo que estamos vivendo juntas.

com muito amor,
mamãe

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Carta do dia: amor e gratidão

Filha,

meu coração está inundado de amor.
Fiz você dormir hoje e, depois que você pegou no sono, fiquei lá te olhando e aconteceu. Meu coração ficou inundado de amor e de gratidão. Por cada escolha da minha vida que me trouxe até aqui, por todos os nossos dias juntas, pela nossa parceria construída todos os dias. 

Sabe, filha, nos últimos meses a mamãe tem sentido vontade de fazer outras coisas, para além das demandas que a maternidade pede. Porque, como você sabe, eu sou uma pessoa inteira como você ou qualquer outro habitante desse nosso planetinha azul. E como pessoa inteira, eu tenho muitas áreas de interesse, digamos assim. Conciliar isso nem sempre é fluido e leve, mas sigo tentando fazer o caminho não ser tão pesado. Então, comecei a deixar você algumas horas com os seus avós pra sair com o papai; tenho trabalhado escrevendo quase todos os dias, estudado. Você tem ficado só com o papai também, para que eu consiga almoçar com amigas e andar de ônibus e metrô sozinha. 

E estivemos pensando em colocar você na escolinha. De vez em quando você pede, como se conhecesse muito bem o ambiente, mas até semana passada nunca nem tinha entrado em uma, rs. Fomos conhecer duas, mas não senti que era o lugar escolhido pra você passar suas tardes descobrindo novas coisas e fazendo outros tipos de laço. Fiquei incomodada, um nó se formou aqui no peito e eu até chorei. A gente (seu pai e eu) queria decidir um lugar e organizar mais a nossa rotina, mas ainda não rolou. E foi só depois que eu desabafei minhas neuras com ele e com outras pessoas foi que acalmei o coração e percebi: está tudo bem do jeito que está. Não preciso querer me encaixar num “jeito certo”, “mais recomendado” para seguir nossos dias. A gente tem escolhido como eles são há mais de dois anos, digamos que agora estamos pegando o jeito da coisa. Pode ser meio bagunçado, mas é o nosso jeito.

Sim, ainda queremos que você frequente uma escola, mas acho que acabou a pressa. Tudo acontece no tempo certo. E encontraremos uma que seja do tamanho ideal pra nós. 

Ah, não te contei. Hoje você dormiu sem mamar, abraçada com seu gatinho azul de pelúcia. E com carinho na barriga, como você gosta. Você tem mamado bem menos, e não foi a primeira vez que você dormiu assim; sinto que estamos em uma transição.

Já falei que meu coração está repleto de amor e gratidão? É só isso que estou sentindo agora. Quis te escrever para que você soubesse disso também (apesar de eu já ter dito no seu ouvido antes de sair do quarto, mas gosto de registrar assim, por escrito). 

Que bom que você veio, meu amor. Que bom que a nossa história está acontecendo de verdade. 

com amor, 
mamãe.

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2 anos e 6 meses

Dois anos e meio da minha pequena moça. (Ok, ela ainda não completou esses 6 meses, eu sei, é só dia 15, mas eu queria muito escrever sobre essa fase logo, haha).
Minha pequena moça que cresce a olhos vistos. Que tem se desenvolvido de um jeito tão lindo e tão dela. Que me arrebata de amor com as coisas que fala.

Que fase, hein, migas.

Pode ser meio arbitrário dizer isso, mas essa fase está muito maravilhosa.
Sei lá, pouco antes dos dois até 2 anos e 3 ou 4 meses, mais ou menos, foi bem intenso. Choros, gritos, pessoinha deitada no chão, eu gritando de vez em quando, a gente chorando juntas e a coisa toda. Todo mundo aprendendo sobre limites – os seus, os meus e os nossos. Tudo muito novo pra nós.
Agora parece que a poeira baixou e estamos numa bonança. Não que não tenha mais choros ou alguns gritinhos, principalmente com cansaço e fome envolvidos. Mas está bem melhor, com certeza, sim.

E ela está falando, falando, falando. Já faz um tempo que eu narro aqui suas palavrinhas e pequenas frases, mas é que esse é um aspecto que eu me encanto muito. Muito bonito de ver ela conversando com a gente, sabe.

Ela está brincando mais tempo sozinha, e aí fica falando consigo mesma, com os bonequinhos, com as pecinhas, criando umas mini narrativas muito fofas – que na verdade é uma reprodução ou de algo que aconteceu com ela recentemente, ou que ela tenha ouvido num desenho.

E ela canta, minha gente! É apaixonada por Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz feito a mãe dela. Sabe cantar as músicas e sabe achar no meu celular.
Aprendeu a cantar “1, 2, 3 indiozinhos”, que eu ensinei. E toda hora é isso também.
De fato, a música sempre foi muito presente na vidinha dela. Desde a barriga. Eu sou muito musical também, não tinha como isso não reverberar também nela, até pelo nosso cotidiano. Sempre tem uma música tocando no carro, cantamos para tirar o estresse ou parar de chorar, adoramos dançar pela sala, e é muito bonitinho ver que ela já vai em busca disso também por conta própria, em muitos momentos.

Tem uma audição incrível e ouve até o que não precisava, hahaha. E repete depois, obviamente. Ah, sim, sobre essa repetição toda. Quando acontece alguma coisa ela fica contando, repetindo, várias vezes. Pra mim, pro pai, pros avós. Por exemplo, uns meses atrás ela tomou uma vacina que estava atrasada. Doeu, claro, ela chorou. Quando fui tirar aquele adesivinho da perna dela, ela chorou de novo, dizendo que doeu. Ela contou essa história várias vezes naquela semana. Depois de uns 20 dias, lá vem ela com a mesma história. “Doeu a vacina, mamãe. Foi aqui na perninha. Eu chorei muito muito”. Eu não tenho dados científicos, mas penso que isso faz parte da elaboração dos acontecimentos dentro da cabecinha dela, sabem? Ela precisa falar, confirmar, validar. E depois passa mesmo. Daí quando lembra, fala de novo. Eu escuto, confirmo, reconheço os sentimentos, digo que aconteceu tal dia, que não foi hoje. E assim vamos indo.

Seguimos mamando, mas a quantidade já diminuiu bastante. Basicamente ela tem mamado para dormir, quando acorda e quando se irrita muito. Ou quando eu saio e ficamos algumas horinhas separadas, aí quando eu chego ela sempre pede. Confesso que ando meio cansada já. Em alguns momentos eu nego e direciono a atenção dela pra outra coisa, em outras eu deixo, mas depois peço pra ela parar. Estamos caminhando para um desmame que eu não faço ideia de quando irá se concretizar, mas que vai acontecer, sim, em breve. Já até consegui fazê-la dormir sem mamar alguns dias esse mês e deu tudo certo. Mas não tenho muitas regras ainda, vou sentindo como foi o nosso dia e os limites de cada uma. Aos poucos a gente vai encontrando os caminhos, não é? Aceito orações, abraços e colinhos.

E basicamente é isso.
Depois eu volto pra contar como é que eu estou nessa fase da nossa vida, rs. Hoje eu queria só mesmo registrar as lindezas dela e o meu contínuo encantamento pelo privilégio que é ver uma pessoa crescer.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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do que eu não quero esquecer – III

das falas:

-Mamãe, vem cá, pufavô!

-Ditupa, mamãe.

-Que tão fazendo, gente?

-Mamãe? ti foi?

-Té toisa me ida (qualquer coisa me liga)/ Tão tá, be-eza (então tá, beleza) (sim, é a resposta/continuação do diálogo) (!!!!)

-passiá, dô (passear no escorregador = ir ao parquinho)

e do jeitinho que ela anda, toda despojada.
as vezes indo pra frente e olhando pra trás, meio torta, pra ver nossa reação, fazendo uma carinha muito fofa.
as vezes com os braços soltos.
a “corridinha devagar” que ela faz.

como arruma todas as bonecas pra dormir.

como separa as coisas por cor.

posso dizer que quero me lembrar de tudo? Posso e vou! Quero me lembrar de tudo, de cada momento que a gente tem e que vai moldando a pessoinha que está desabrochando bem debaixo do meu nariz.

Amanhã ela faz 2 anos.
E eu, hoje, sou só amor.

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