Arquivo da categoria: amor

Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em acontece comigo, Agnes, amor, aprender, coisa linda, como lidar?, conversando, dia a dia, história, presença

do que eu não quero esquecer – III

das falas:

-Mamãe, vem cá, pufavô!

-Ditupa, mamãe.

-Que tão fazendo, gente?

-Mamãe? ti foi?

-Té toisa me ida (qualquer coisa me liga)/ Tão tá, be-eza (então tá, beleza) (sim, é a resposta/continuação do diálogo) (!!!!)

-passiá, dô (passear no escorregador = ir ao parquinho)

e do jeitinho que ela anda, toda despojada.
as vezes indo pra frente e olhando pra trás, meio torta, pra ver nossa reação, fazendo uma carinha muito fofa.
as vezes com os braços soltos.
a “corridinha devagar” que ela faz.

como arruma todas as bonecas pra dormir.

como separa as coisas por cor.

posso dizer que quero me lembrar de tudo? Posso e vou! Quero me lembrar de tudo, de cada momento que a gente tem e que vai moldando a pessoinha que está desabrochando bem debaixo do meu nariz.

Amanhã ela faz 2 anos.
E eu, hoje, sou só amor.

1 comentário

Arquivado em Agnes, amor, aniversário

Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

3 Comentários

Arquivado em acontece comigo, Agnes, amor, coisa linda, estive pensando, filosofando, intuição, reflexão, sentimento, sentindo, sintonia

Carta do dia: obrigada

Filha,

quando você nasceu, eu dizia que você me puxava pro presente, me fazia estar no aqui-agora de forma inteira, crua, literal. Eu dizia isso principalmente quando você mamava. Você sugava forte, mamava muito e eu não conseguia fazer nada além de viver aquele momento. Eu não conseguia conseguia conversar com outras pessoas, ou olhar o celular ou ver tevê, nem fazer mais nada. Me dava tontura, minha vista embaçava. Pra mim, que sempre tive uma mente muito inquieta, que paro em frente um vitrine no shopping já olhando a do lado, aquilo foi uma novidade, ninguém me avisou que iria acontecer.

Hoje você completa 17 meses de vida e estou percebendo que ainda estou aprendendo isso. Você ainda é a pessoa que me faz parar tudo para “apenas” deitar contigo na hora certa pra dormir (a hora certa é a que você tem sono, só pra registrar, não trabalhamos com números exatos aqui em casa, como você sabe). Que me lembra que não adianta me descabelar por todas as coisas que eu não vou conseguir fazer antes da viagem. Produtivo mesmo é sentar e brincar com seus potinhos e livrinhos. Você puxa meu short e me lembra que precisamos viver bem o presente, senão seu sono desanda e seu apetite vai embora. Estende os bracinhos chamando mamãe para me dizer que uma boa soneca pertinho de mim ainda é uma ótima pedida para recuperar suas energias.

Que paciência você tem comigo, meu amor. Tem sido muito gratificante perceber tudo isso nesses dias tão doidões que estamos vivendo. Obrigada, mais uma vez, por tudo. É muito bom ter sua companhia nessa estrada.

Você é o meu descanso na loucura, meu respiro. Meu presente.
Feliz 1 ano e 5 meses, meu amor.

muitos beijos e abraços!

com amor,
mamãe.

Comentários desativados em Carta do dia: obrigada

Arquivado em Agnes, amor, carta, coisa linda, presença

O dia dele

Eu já contei essa história muitas vezes, mas e daí, eu gosto e vou continuar contando.

Featured image

O pretexto que me fez abraçar o Cleber dentro de um museu, em plena terça-feira, foi o seu aniversário. Estávamos conversando, olhando pela janela, quando ele contou que há poucos dias tinha sido seu aniversário. Era dia 9 de setembro, o aniversário havia sido dia 3. Mesmo com uma semana de distância, achei que ainda cabia uma felicitação e simplesmente o abracei. Quem eu quero enganar, não é mesmo? Todo mundo já sacou que eu só precisava de uma desculpa qualquer, que até se ele falasse que não gosta de doces eu o abraçaria. A verdade é que ele não gosta de doces mesmo, mas só descobri isso com algum atraso, felizmente. Afinal, como confiar em alguém assim? Eu confiei, amigos. A boa notícia é que de vez em quando ele come, e até faz uma sobremesa delicia com morango, o que prova que nem tudo está perdido.

Depois daquele dia muita coisa aconteceu. Aos poucos eu fui descobrindo seus gostos, jeitos e defeitos. Descobri, por exemplo, que ele sempre topa minhas ideias loucas. Só isso explica o motivo de ter aceito ir comigo até Aracaju de ônibus. 36 horas de viagem. Tínhamos 3 meses de namoro. E ali eu percebi realmente que ele era um homem muito legal, que eu até me casaria com ele. O que aconteceu uns anos depois, também em setembro, dia 10. Esse ano faz 4 anos. E sim, setembro é mesmo um mês especial pra nós.

Mas olha eu desvirtuando o assunto principal.
Hoje é o aniversário do pai da minha filha e eu adoro escrever sobre ele.
A gente tem uns arranca-rabos de vez em quando, eu pego no pé dele por vários motivos, tem vezes que ele me dá altas broncas, só que a nossa parceria e cumplicidade é o que eu mais gosto e mais valorizo na nossa relação. A gente fica conversando antes de dormir, a gente planeja vários dias e muda tudo em cima da hora, a gente banca nossas escolhas e revê tudo quando necessário.

Ele é determinado, tanto para correr atrás do que quer, quanto para terminar as séries que começa a ver. Tem um auto controle dos bons. Cozinha muito melhor do que eu (deletem o fato de que eu realmente não sou boa na cozinha, ok? O foco aqui não sou eu, não sou eu!). Aliás, quanto a isso, obrigada sogrinha! Que foi quem o ensinou a “se virar” na cozinha desde os 11 anos. Sem contar que com 15 ele ganhou uma irmãzinha, então tem toda uma segurança e desenvoltura para lidar com recém nascidos. É bem cabeça dura também e, às vezes, o chamo de meu malvado favorito, mas tem um coração lindo, que tem crescido e se fortalecido cada dia mais. E como não amar uma pessoa que me faz os melhores sanduíches às onze da noite?

Meu bem,
eu desejo as melhores coisas do mundo pra você, todo dia. 

Que você tenha muita saúde, muito sucesso, muita força e muitas boas memórias construídas nesse novo ano de vida. Você merece muito. Obrigada por ser você.
Eu e a Agnes vamos cantar parabéns o dia todo hoje, se prepare. E vamos te encher de beijos e muito carinho, mas não posso prometer que será só hoje. 

Te amo (só até amanhã de manhã).

Muitos beijos,
Marina.

Deixe um comentário

Arquivado em amor, aniversário

Carta do dia: nossos novos dias

Filha,
eu já te contei isso, mas quero registrar em carta também: nós vamos nos mudar! Agora não iremos mais morar na mesma casa que o vovô e a vovó; seremos “só” papai, você e eu. Já te contei que isso é muito legal, que teremos um espacinho nosso, que isso não significa que estejamos brigados com eles, ou algo do tipo, pelo contrário, eles estão sendo muito bacanas, nos ajudando com tudo e etc e tal. Ainda estamos no limbo entre um apartamento e outro, naquela fase em que toda a burocracia já foi feita, só falta os móveis novos chegarem. Hoje chegou uma parte, aliás. Já levamos as caixas também, que ficaram aqui guardadas 2 anos esperando esse momento chegar – já te contei essa história aquele dia, enquanto você me via lavar a louça, lembra? De quando papai e eu nos casamos, moramos numa casinha lá longe e como as circunstâncias nos trouxeram pra cá de volta. Enfim, como eu digo: tá sendo uma mudança em doses homeopáticas, rs. E enquanto isso, ainda estamos aqui, no apê de sempre, mas indo ao novo toda hora (é aqui no condomínio vizinho mesmo, rs), medindo paredes, conferindo detalhes, comprando coisinhas, pensando em decoração. Muita coisa a ser feita. Você tem nos acompanhado sempre, obviamente. Você é atenta a tudo, percebe todas as mudanças de ambiente.
Em meio a esse delicioso caos, você cresce lindamente, a olhos vistos! Já pega seus próprios pézinhos e os quer levar até a boca – às vezes consegue, às vezes “os perde” no meio do caminho e põe só as mãozinhas na boca mesmo, rs. Faz bolhas com saliva, grita, conversa, ri, pega tudo o que estiver ao seu alcance. Está quase virando de barriga pra baixo num impulso só. Uma lindeza total! E com essas mudanças no seu desenvolvimento, de vez em quando dá uns “tilts” no seu sono ou comportamento, hehe. Hoje, 25 de novembro, você está ótima, parece ter assimilado que agora temos 2 casas e mais as suas conquistas. Mas na semana passada estava bem mais grudadinha em mim, só servia se fosse o meu colo, choramingando em alguns momentos, e dormindo super tarde. Teve um dia que brigou comigo porque não queria pegar no sono e ficava fazendo bolhas e gritando sem parar, haha. Eu respeito e acolho esses dias mais difíceis, e acredite, eles realmente passam. Te dei muito colinho, te expliquei sobre a nossa nova situação, ri e elogiei as novidades que você me apresentou. Foi demais. E acredite, eu sempre percebo (seu pai também) que você dá umas “espichadas” no tamanho depois dessas “crises”.

Ah, posso te falar uma coisa? Eu AMO o jeito que você olha pra mim! Hoje mesmo eu estava reparando isso, coisa mais bonita da vida, esse seu olhar. E agora você aprendeu a ficar pegando no meu rosto, como estivesse fazendo um carinho, é uma delícia de momento. Estou amando muito ser sua mãe, filha, saiba disso. Me sinto em casa com você, confortável, de bem com a vida. 

Vamos juntas nesse nova fase da nossa história. Vai ser inesquecível.
Vou repetir isso sempre: que bom que você veio, meu amor. Que bom! 

com amor,
mamãe.

5 Comentários

Arquivado em Agnes, amor, carta

4 meses

4 meses de Agnes.
Pausa para que eu me recupere desta informação. Sim, porque 4 meses me soa como: o tempo tá passando bem rápido, ó céus! Despausa.
Mas a verdade verdadeira é que eu estou curtindo cada momento. Ao mesmo tempo que penso que o tempo tem voado, me sinto muito agradecida por acompanhar o desenvolvimento e a fofura da minha pequena dia após dia. Tenho curtido muito. E como tem crescido… Já perdeu roupa, já comprei mais – e já perdeu 1 bodie e 1 macacão da nova leva de roupa, haha. Está num nível de fofura que olha.. difícil não apertar toda hora, viu, rs. Dobrinhas nos braços, nas pernas, covinhas no cotovelo, bochechas macias. E eu, como podem ver, corujando num nível igualmente alto e intenso, hehe. ❤

Na real? Estou completamente apaixonada pela minha filha. Como costumo dizer: é uma coisa de doido esse tal de amor materno. Cresce, cresce, cresce, parece não caber, transborda, e continua crescendo a olhos vistos! E eu estou amando ser mãe, de verdade. Me sinto literalmente realizando um sonho, porque sempre quis viver essa fase.

Eu já vi várias mães falando “essa é a melhor fase”, e outras variações dessa frase, e agora entendo. O bebê vai crescendo, interagindo mais com todo mundo, aprendendo coisas novas a todo instante… é fácil mesmo se encantar e declarar isso. Eu até agora gostei de tudo, até da loucura do pós parto imediato (depois que passou eu gostei mais, claro, mas né, detalhes…), então não a uso com frequência. Agora, a frase que tem me caído como uma luva mesmo é “parece que ela sempre esteve aqui”. Eu suspeitava, entendia que devia ser um baita sentimento, por isso falavam assim, só não sabia como podia ser verdadeiro. E não no sentido “não lembro de mim antes, de como era a vida” porque até que lembro, sim. O ponto chave é que é um sentimento tão concreto, tão certo, tão real. Eu olho pra ela e sinto que em algum nível já a conheço tão bem. Parece mesmo que é de muito além. E não, não dá pra explicar, só vivendo é que a gente entende (ou tenta entender).

Estou filosofando muito esse mês, né? Será que ~piora~ com o tempo? Haha. Mas quis registrar e dividir esses sentimentos, sensações, pensamentos por aqui. Quero me lembrar dessa fase no futuro e ah… se não, de que vale ter um blog, né? Gosto de escrever (como vocês já sabem) para organizar a caixola, nomear as bagunças e essas coisas todas.

Mas vamos ao resumo do mês:
– Ela grita, minha gente! Aprendeu mesmo que tem voz e a usa para gritar. O que me faz chamá-la de Adelaide – a gralha do Castelo Rá-Tim-Bum;
– Além disso, conversa e balbucia várias sílabas. Se eu dou trela e converso, aí é que ela gosta mesmo;
– Também faz bolhas e faz aquele barulho com a boca, tipo caminhão/moto ou o que o valha. Baba pra todo lado, haha;
– É risonha. E aprendeu a abrir a boca bem grande quando tá feliz, só que não sai som de gargalhada ainda, é bem engraçado. Ela só gargalhou mesmo umas duas mini vezes, ainda não é parte do repertório. Mas ri com gritinhos, o que é tão fofo quanto;
– Mas não é pra todo mundo que ela ri. Sim, temos um menina séria por aqui, principalmente quando está em um ambiente que ela não frequenta muito e/ou com quem ela não convive. Ela já não chora imediatamente quando vai no colo de alguém, o que já é um avanço, haha, mas fica séria boa parte do tempo, ainda mais no começo. O que me lembra de comentar que…
– Ela observa tudo ao seu redor. Minha mãe diz que isso pode ser indício que ela vai estranhar ambientes, vamos ver. Aliás, quando passamos um bom tempo na rua e chegamos em casa, ela fica olhando em volta e depois vai relaxando, sorri, bate as pernas… Ou seja, gosta de chegar em casa, rs (e já a reconhece);
– E agora tem olhado pra gente também, dá umas encaradas, do tipo “ah, é você que tá me segurando”, haha. Às vezes a gente tá com ela no colo e fala alguma coisa, aí ela levanta a cabecinha e olha bem pro nosso rosto, como se tivesse na conversa também, muito fofo!
– Come a mão. A mão, os dedos e se pudesse até o braço. Aprendeu um jeitinho de chupar o dedão, que fica segurando o nariz também, muito bonitinho. Mas pode ser 2 dedos juntos, 3, 4… Não é o tempo inteiro tudo isso, mas acontece, sim;
– Além de ficar pegando nas próprias mãos, que eu já comentei mês passado, agora pega objetos também. Antes ela ficava só olhando, ou segurava se colocássemos na mãozinha dela, mas há poucos dias já tem esticado o bracinho para tentar alcançar algo. Às vezes ainda meio descoordenada, claro, mas pega.
Aí nessa última semana ela deu uma parada nas coisas. Não “falava” mais tanto, não fazia as bolhinhas, ficou mais quieta. Durou quase 1 semana, não contei direito, mas fiquei observando. E o que aconteceu em seguida?
– Pegou os pézinhoooossss!!!! \o/ \o/ \o/ (foi segunda-feira agora, há poucos dias de completar 4 meses). Que coisa mais linda da vida, minha gente! Eu quase chorei de emoção, acho fofo demais (imagina quando ela andar, né? kkkkkk). Bonito demais acompanhar tudo isso, adoro!

E ufa! Acho que é isso.
Com certeza devo estar esquecendo várias coisas (todo mês é assim), mas o principal tá aí 😉

 

 

1 comentário

Arquivado em Agnes, amor, desenvolvimento

2 meses

Minha fofolete completa 2 meses hoje e não poderia deixar de vir aqui registrar como está o seu crescimento.

– tivemos pediatra semana passada, e estava pesando 5,120 kg e medindo 58cm;
– agora gosta de ficar deitada na cama “conversando” com a gente e mexendo as perninhas freneticamente – coisa mais linda da vida – é angububuuu o dia todo;
– agora alguns sorrisos são com barulhinho também – a primeira vez que ela fez isso quase surtei de alegria;
– usa fralda M (!!)
– alguns bodies e calças também são M – os rn’s já perdeu todos;
– pasmem: não gosta de usar fralda de pano todo o tempo. Ainda estou digerindo isso e tentando entender, depois vejo se escrevo mais sobre o tema. Por enquanto seguimos intercalando e acho que tô descobrindo um jeito que ela curte mais,  que é o recheio dentro do bolso mesmo, nada de capa por enquanto;
– tem dobrinhas deliciosas;
– já vira de lado algumas vezes;
– olha tudo, é super super atenta a mudanças de ambiente, luz, nos acompanha com o olhar;
– aumentou um pouquinho os intervalos entre as mamadas;
– não gosta de banho a noite – descobrir isso reduziu 99% dos choros noturnos. Adiantamos o banho pro fim da tarde e tudo certo;
– na verdade, não gosta de rotina pro sono, fica brava mesmo. A única coisa é que tenho que ir pro quarto cedo com ela, pra não ter os estímulos do restante da casa. Mas ela dorme quando quer (e sim, tá fazendo seu próprio padrão);
– tem aceitado dormir mais no bercinho (porque antes de fazer 1 mês era só colada em mim). Dia desses dormiu de meia noite às cinco lá, mas em geral fica umas 3 horas e pouco. Mas óbvio que não é todo dia – e não estou com a mínima pressa;
– não é muito chegada a muvucas e falatório, gosta mesmo de mais tranquilidade;
– se alguma coisa incomoda – frio, calor, fralda suja, vento na janela, galo cantando (literalmente, essa aconteceu ontem no Parque da Água Branca, que tem galos e galinhas, haha) – coloca a boca no mundo sem cerimônia, chora alto pra dedéu, rs.

Ai gente, sério, tô apaixonada por ela. Tipo muito apaixonada mesmo, encantada. Tem dias que são muito cansativos, porque ela só quer o meu colo e o mamazinho amado (na verdade, ela fica pouco no colo de outras pessoas, preciso estar sempre por perto, mas alguns dias realmente só eu mesmo), e eu mal consigo tomar banho ou fazer xixi, sério. É uma entrega imensa. Mas mesmo com essa parte mais cansativa, tô amando ser mãe.

E que venham mais muitos meses desse amor doido que toma conta da gente.

9 Comentários

Arquivado em Agnes, amor

1 mês

Pode ser um lapso do tempo

E a partir desse momento acabou-se solidão

Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia e vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido, vira o ponto de visão

Cai o medo tolo, cai o rumo

Quando a terra sai do prumo eu estou perto de ti

Abre-se a comporta da represa
Desviando a natureza pra um lugar que eu nunca vi

Uma vida é pouco para tanto

Mas no meio desse encanto tempo deixa de existir

E é como tocar a eternidade
É como se hoje fosse o dia em que eu nasci

Livre, quando vem e leva

Lava a alma, leve e vai tranquila

E a pupila acessa do seu olho disse love

Bem, se não for amor eu cegue
Bem, se não for amor eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti


Porque hoje faz 1 mês que ela chegou. Numa manhã cinza e fria, como hoje.
E essa era a música que eu queria que tivesse tocado quando ela veio pros meus braços, mas eu estava tão extasiada que não conseguia pedir pra ninguém, só pensar. Cantei em pensamento mesmo, como fazia quando ela ainda estava na barriga. 
Depois disso ela já ouviu esses versos algumas vezes, e pareceu gostar.
Parabéns pelo seu primeiro mês de vida, filha!
Como diz uma outra música do Lenine: isso é só o começo . . .

1 comentário

Arquivado em Agnes, amor, música

Relato de parto

Desde o começo da gravidez eu repito sempre uma mesma frase: o tempo da Agnes é muito precioso. Sempre senti isso, em diversos momentos. E sempre senti que era um tempo diferente. Diferente do padrão, diferente do meu tempo. Esse era só dela. E não teve momento mais propício do que o seu nascimento para me mostrar que sim, esse meu sentimento estava certo.
A Janie, minha doula, me disse em um dos nossos encontros que a gente só sabe mesmo quando começou o trabalho de parto depois que ele acaba. Do tipo “ah, aquela dorzinha que eu senti quando estava em tal lugar, já era o início”. Achei engraçado no dia, e depois vi que é desse jeitinho mesmo que acontece.
 
Na madrugada de domingo (dia 13 de julho), por volta de umas 03:00 da manhã, comecei a sentir umas cólicas no pé da barriga e na lombar. O dia anterior tinha sido agitado, de certa forma, marido e eu fizemos caminhada duas vezes no dia, eu estava super bem disposta – na noite de sábado, inclusive, já sentia umas fisgadas fortes e o início de uma dorzinha, mas como tinha me movimentado bastante, atribuí a isso.
Como eu só sentia as cólicas e não a barriga dura como nas contrações, fiquei observando (depois percebi que a barriga ficava dura, sim, mas não doía nada-nada, só em baixo mesmo). Eram leves e não duravam muito, mas percebi que o negócio estava vindo com uma certa regularidade. Era como se viesse uma onda que ia crescendo, chegava num ponto e ia caindo até acabar. Quando eu vi que não estava passando, mandei mensagem pra Janie, pra avisar que tinha algo rolando. Ela falou pra eu tentar descansar ao máximo, porque não sabíamos quanto ia demorar até engatar mesmo e coisa e tal. Ok. Só que quem disse que eu conseguia dormir? Fiquei deitada, mas rolou no máximo uns cochilos só. Só aqui entre a gente: nesse momento me veio a mente que meu outro “parto” tinha começado bem daquele jeito, de madrugada, eu sozinha sentindo dores que eu achava que eram só o início (e naquele caso terminou rápido), tive um medinho, sim, e usei esse tempo acordada para mandá-lo embora. Meus pais foram pra missa (saem 5 e pouco da madrugada pra ir a missa) e eu levantei pra andar um pouco e tomar um banho. A essa altura, eu já tinha acordado o Cleber e contado a novidade. Lembrei que, além de descansar, seria bom eu me alimentar também, e como estava mesmo com fome, liguei pros meus pais passarem na feira e trazer frutas pra fazer vitamina. Em algum momento eu cronometrei as dores – que sim, estavam bem suportáveis, eu nem precisava de uma posição específica para passar por elas, então estava tranquila quanto a isso, só o que me fez contar foi perceber que elas vinham com regularidade – e para minha surpresa, estava numa média geral de 3 ou 4 minutos (não todas, algumas vinham com mais espaço, mas a média foi essa) e durando uns 20 e poucos ou 30 segundos. Ou seja, minha gente, tinha algo acontecendo, sim.
 
Meus pais chegaram empolgadíssimos da rua, já no clima de “a Marina está em trabalho de parto, que legaaal!!!” e isso me deu uma travada. Porque assim, o negócio tava só começando, eu não queria alarde. Na verdade, esse foi um ponto complicado do TP: lidar com a ansiedade e animação deles versus a minha vontade de me isolar, feito bicho mesmo, pra parir minha filha no meio do mato. Não sei o quanto isso empacou o processo como um todo, mas sei que não foi como eu imaginava. Enfim. Falei pra eles que aquilo ainda nem era trabalho de parto, expliquei o que são pródromos, e que eu não queria que ninguém soubesse ainda, pra não causar mais ansiedade fora de hora na família.
 
A Janie resolveu vir aqui ver pessoalmente como eu estava, já que os intervalos estavam curtinhos, mas eu não tinha nenhum outro sinal. Tomei outro banho enquanto ela não chegava. Ela chegou, conversamos um pouco e percebemos que tinha espaçado mais. Ela viu que eram curtas. O negócio é que já era quase hora do almoço e eu ainda não tinha dormido. Precisava descansar, pra ter energia. Depois de um tempo ela foi embora e voltaria quando a coisa andasse; ficamos em contato.
 
Os intervalos entre as contrações continuaram espaçados no restante da tarde, aí sim parecia o começo de tudo. Eu estava meio nervosa porque queria ficar sozinha e não estava rolando. À tarde eu fui pro quarto com o Cleber e conseguimos dormir (tanto que nem vimos o jogo da final da Copa, rs). E comecei a perder um tiquinho de tampão. Até então eu meio que sabia que não tinha dilatação ainda, sei lá, pra mim só começaria de fato quando viesse o tampão (vai entender, rs). Foi bem pouquinho mesmo, mas já vi que a roda estava girando.
 
Na madrugada de segunda foi a mesma coisa da anterior: dores e eu acordada a maior parte do tempo. Quando amanheceu, estavam mais fortes, e perdi mais tampão. Tomei café da manhã em pé, porque sentada incomodava um bocado. Não sei explicar direito, mas pra mim ainda faltava muito até ela chegar (e agora percebo que faltava mesmo, mas não taaanto assim, hehe). As dores vinham sempre iguais, desde o começo, e como já começou com intervalos pequenos, depois é que espaçaram, não sabia ao certo quando considerar trabalho de parto ou não. Até porque eu não estava fazendo “nada”. Só tomava banho e seguia a “ordem” de descansar. Eu estava muito tranquila quanto a dor e tudo mais.
 
Meu pai foi trabalhar e finalmente ficamos sozinhos em casa. Tomei mais um banho (domingo foram 3, rs) e depois pedi pro Cleber fazer uma massagem nas minhas costas – de tanto cair água quente, pelos banhos que tomei, a pele estava sensível, eu queria algo que aliviasse. Sentei na bola de pilates pra ele fazer a massagem (foi a única vez que usei a bola) e ele massageou com o óleo que eu usava na gravidez pra dormir melhor (hahaha, era o único que tinha). Foi uma delícia!! Aí aconteceu o que? Comecei a sentir sono (óbvio, rs). Coloquei um dvd do Arnaldo Antunes (porque eu simplesmente não fiz uma playlist pro parto, apesar de ter começado diversas vezes) e deitei no sofá. Não deu pra dormir muito, porque as contrações ficaram meio diferentes, eu não queria mais conversar como se não tivesse acontecendo nada. Eu estava concentrada. E o mais engraçado é que eu ainda comentei que o óleo tinha me deixado numa vibe muito louca, as coisas estavam diferentes pra mim – eu muito calma e achando tudo muito legal (quase uma bêbada, haha). A Janie ligou e o Cleber falou com ela como eu estava. Pouco tempo depois ela chegou aqui. Decidimos juntos irmos na Casa Angela dar uma avaliada, porque o meu quadro não era “como os outros”: eu tinha contrações desde o dia anterior, intervalos relativamente curtos, mas que não estabilizavam (apesar de terem espaçado bem no domingo a tarde) e eu passava por elas deitada, na minha, e conversava normal (apesar de me sentir nessa outra vibe depois da massagem, ainda não era exatamente a partolândia). Estava tranquilíssima. E foi importante a presença dela aqui nessa hora, nos ajudando nessa decisão de ir logo, me lembrando que cada corpo é um, que cada história é uma, e também me ajudando a pegar as coisas que faltavam na mala, hehe. Ligamos pro meu pai, que chegou aqui rapidinho, e nos levou até lá.
 
Chegando lá, fomos atendidos pela enfermeira Marina (xará! rs), que me examinou. Pressão, pulso e temperatura ok. A altura da barriga estava 34cm mas a Agnes estava super baixa já. Aí ela fez um exame de toque: 5 pra 6 cm de dilatação, colo médio ainda. Já tinha passado da metade. Aí era hora de fazer o cardiotoco. Sério, essa foi uma das partes que eu não gostei. Aquele tum-tum-tum do coraçãozinho dela foi me dando um negócio e eu fui ficando nervosa. Chorei. A Janie e o Cleber foram uns lindos nessa hora, conversando comigo e me acalmado. Sei lá, acho que veio um fantasma da gravidez anterior, querendo ou não foi ali que eu não ouvi o coração e soube que a bolota tinha ido embora, acho que me veio isso, eu tinha medo dos batimentos da Agnes irem caindo até sumir, nossa, não foi legal. Quando eu saí da sala, minha mãe já estava chegando lá (eu disse que eles estavam animados, rs). Devia ser quase 14:00. Meus pais saíram pra comer e comprar lanche pra Janie. Nós ficamos e nos instalamos na sala de parto, comemos um lanche também. Não tinha nenhuma outra parturiente na Casa, só eu, então pude escolher o quarto. Nessa hora foi meio estranho, sei lá, eu não sabia muito bem o que fazer, com tantos aparatos a minha disposição. Vinham algumas dores, me apoiei na banheira, pra ver se seria melhor. Brincamos com a câmera um pouquinho. Na verdade, minha amiga tinha se disponibilizado a fotografar e estava a caminho, mas como eu também tenho câmera, levei também. E saímos pra dar uma caminhada ao redor da Casa e na rua. Eu andava normal e quando vinha a dor eu dava umas respiradas, às vezes parava pra sentir e deixar vir.
 

 

 

 

 

 
Meus pais chegaram e ficamos por ali conversando, uma animação, ele querendo saber se eu ficaria ou iria embora, em que pé estava, etc – e por dentro eu achando aquilo tudo forçado demais. Daí a Marina veio e disse que como eu estava super bem e tudo mais, poderia ir pra casa ou dar uma volta em outro lugar se quisesse; ou não, eu poderia escolher. Nessa hora a Lilian chegou (minha amiga que ia fotografar),mas nem cheguei a falar com ela direito. Como eu já estava ~meio assim~ ali no meio de todo mundo, falei que para decidir eu precisava ficar sozinha. Entrei rápido e fui direto pro quarto. Deitei na cama e… comecei a chorar. Nem sei direito porquê eu estava chorando, mas deixei vir. Acho que uma parte minha “não acreditava” que a hora estava mesmo se aproximando, que eu estava prestes a conhecer a minha filha, que eu tanto desejei e já amava. E aí descobri que sim, no parto vêm mesmo coisas da nossa história que estavam guardadas, da nossa personalidade, tudo é muito forte. E só pra situar quem me lê, vou usar a frase que eu costumo usar em outros momentos: apesar de eu ser leonina, não gosto de ter os holofotes em mim. Ou não desse jeito escancarado, pelo menos. Quando eu era criança, por exemplo, era infinitamente mais tímida do que sou hoje, nunca fui de turma grande ou esportes coletivos, sempre detestei ter alguém olhando o que quer que eu estivesse fazendo, ou me falando o que deveria ser feito. Isso tudo é parte de mim, mas eu cresci e arrumei um jeito de lidar com isso… até aquele momento. Naquela tarde de segunda-feira, eu só queria ficar sozinha, quieta, sem aquela agitação. Eu precisava me concentrar, poxa! Não dava pra ser toda sintonia e intuição com a Agnes com tanta expectativa em cima de mim. Enquanto estivesse sendo daquele jeito, não daria muito certo. Eu me sentia fugindo dos outros, ao invés de estar indo ao encontro de mim mesma. Aí eu vi que aquele parto animado, com músicas, risadas, gente falando o tempo inteiro, como a gente vê em alguns vídeos (lindos e emocionantes, por sinal) não seria o meu. O meu parto real me trouxe um outro olhar. E eu precisava aceitá-lo e acolhe-lo.
 
Pois bem. A Marina veio ver como eu estava. Sentou ao meu lado e me olhou de um jeito muito acolhedor. Eu perguntei se poderia ficar lá, porque precisava de espaço, de tranquilidade. Ela disse que sim, claro que eu podia ficar. Conversamos um pouco e depois combinamos que se ficasse na mesma até a manhã seguinte, veríamos o que seria feito. Adorei ter tido essa minha escolha respeitada. E antes eu achava que “travaria” se chegasse lá antes da hora, tinha planos de ficar em casa atééé o máximo que eu conseguisse e chegar lá parindo, vi que o que planejamos pode simplesmente não acontecer, tudo é uma caixinha de surpresas. A Janie também veio me ver e contei sobre a decisão – vimos que o ímpeto dela de me levar pra Casa Angela foi mesmo de me deixar “sozinha”, visto que quando mais engatou foi quando Cleber e eu ficamos a sós. Ela foi lá fora dizer isso aos meus pais (eu acho) e todo mundo foi embora. Ela ficou lá fora e eu fiquei no quarto com o Cleber, num momento muito nosso.
 
Teve a troca de plantão e a Carina e a Rose que estariam com a gente na madrugada. A Rose teve a ideia de nos mudar de quarto, nos levar pra um que tinha duas camas (uma tipo hospital e outra cama comum mesmo), porque segundo ela “tinha mais cara de hotel e menos de hospital”, haha, disse que nos sentiríamos mais confortáveis, o Cleber poderia dormir também, etc e tal. Foi só então – umas 20:00 – que eu descobri que minha amiga não havia ido embora com meus pais (como eu pensei que tivesse acontecido), estava lá fora conversando com a Janie. Então ela entrou, conversamos e ficamos todos juntos.
Quando estávamos jantando, tomei um pouquinho de chá de canela (só pelos filhos mesmo que eu tomo chá). A Carina veio dizer que poderia demorar ainda a engrenar (tudo isso baseado no meu comportamento, não fui examinada de novo), que podia ficar cansativo pra Janie e pra Lilian e que elas poderiam ir embora se quisessem. Como, teoricamente, eu não estava fazendo nada (nem bola, nem chuveiro, nem nada para auxiliar a aliviar as dores ou engrenar de vez) e a Janie tem uma filhinha que ainda mama, falei que ela poderia ir sem problemas. Ela foi. A Lilian ficou mais um pouco. Foi uma linda de tudo, respeitou meu silêncio e ficou lá, esperando meu tempo. Não rolou fotos nesse momento, eu sei lá o que eu estava esperando, nem lembrei de pedir pra ela fotografar o momento como estava mesmo, eu lá deitada – fui uma gestante em TP preguiçosa, percebem? Só descansei, haha – a gente conversando e tudo mais. Como diria o célebre Chicó “num sei, só sei que foi assim”.
Estava uma noite fria e tínhamos esquecido de levar um cobertor pro Cleber (eles pedem pro acompanhante levar). Como íamos ligar pro meu pai levar isso pra gente (e blusas de frio também), perguntamos se ela queria ir descansar, porque eu estava ficando com pena dela lá sentada sem muito conforto e a gente deitado nas camas, rs. Ela aceitou e assim foi; isso por volta de umas 23:00, se não me engano. A Carina veio e me fez uma massagem ótima no corpo todo. Depois, como sempre, a ordem era tentar dormir – e como sempre, não rolou de forma muito eficiente.
 
Meia noite eu fui ao banheiro e o papel higiênico tinha acabado. O Cleber estava me esperando na porta e falei pra ele ir pedir um. Enquanto eu esperava, percebi que estava pingando. “Ué, mas eu já acabei de fazer xixi, gente, que coisa”. E saquei que poderia ser uma ruptura alta de bolsa. Contei pra ele e fomos falar pras meninas, avaliar se era bolsa mesmo ou não. A Carina veio me examinar, ouviu o coraçãozinho da Agnes pelo sonar, estava ok, depois fez um teste numa fitinha pra ver se era líquido mesmo – e era. Aí ela perguntou se podia fazer um toque, já dizendo que poderia estar na mesma, pra eu não me frustrar e tal. Mas estava com 7 cm, fiquei super feliz em saber isso, nem me toquei que tinha sido uma evolução “lenta”, eu só pensei que estava chegando perto. Ela me disse que como era bolsa rota eu teria mais 18 horas até a pequena nascer, senão teriam que me transferir, e disse tudo que podíamos fazer pra ajudar. Eu preferi esperar mais um pouco pra ver como ia evoluir depois dessa novidade, se nada acontecesse até amanhecer eu tomaria um shake que prometia fazer milagre, rs. Falei pro Cleber dormir, porque precisava dele descansado. Como não queria ficar sozinha, liguei pra Janie e ela chegou em meia hora, foi ótimo tê-la ali comigo. Da 01 da manhã até umas 03:00, as dores começaram a se intensificar. Eu respirava fundo, mandando ar pra pequena, e depois de um tempo já falava uns “aaai” baixinho.

 

 

Fui ao banheiro de novo, já andando meio torta, e quando voltei pro quarto, não deitei mais (era umas 3:30 – eu sei graças ao horário das fotos na câmera, hehe). Me apoiava na parede quando vinha a dor, que já estavam mais longas e intensas. Chamamos a Carina e lembro que a Janie disse pra ela “acho que tem neném querendo chegar”. Depois de auscultar de novo, dessa vez por mais tempo (era pra ter feito outro cardiotoco, mas eu não quis, pra não ficar nervosa), ela sugeriu que eu fosse pro chuveiro, até foi ligar antes pra ficar tudo quentinho. Tava frio demais e eu não queria nem pensar em chuveiro, em ficar lá em pé. Deitei de novo e aí tirei a roupa que eu tava, pra colocar uma camisola da Casa depois. Eu me sentia indo pra outro lugar. O Cleber foi acordando, me lembro de segurar a mão dele nessa hora, do nosso olhar. Acho que minha ficha só caiu aí que sim, ela ia nascer e estava muito perto. Quando vi, estava chorando. Não de tristeza, de emoção mesmo. Me lembro de me sentir bem por não estar sozinha, por estar com eles ali, daquele jeito.
Como eu não quis ir pro chuveiro, tiveram a ideia de irmos pra banheira, no outro quarto. Eu tinha a sensação que se levantasse, a Agnes ia nascer ali mesmo, então relutei um pouquinho em ir. “Tô tão bem aqui mesmo”, eu falava. “Mas a água é ótima, Má, você vai gostar”. Fomos. Aquele corredor nunca foi tão grande, céus!
E quando eu entrei na água… nossa! Que paraíso!!! Aí sim, aquilo que era vida, haha.
 

Não sei certinho o que aconteceu depois que entrei na banheira.
Sei que consegui achar uma posição confortável, a água era realmente muito gostosa e eu me sentia muito bem ali.
Não sei quanto depois, sei que foi pouco, senti o primeiro puxo. Uau, estava acontecendo mesmo!

 

 

Difícil explicar com precisão esses momentos.
Os primeiros puxos vieram e eu não sabia muito bem o que fazer. É uma força diferente de tudo que eu já tinha sentido antes. Só que, na verdade, a única coisa que eu tinha que fazer era deixar vir, não bloquear, não travar meu corpo. Dali pra frente ele agiria sozinho.
Mas ainda demorou umas duas forças ainda pra eu sacar isso de vez. É algo tão intenso e tão involuntário que eu fiquei meio assustada, se é que foi essa a palavra mesmo. Você tá lá, relaxando na banheira, de repente – e eu disse de repente mesmo – sem nenhum aviso prévio, seu corpo assume o comando e simplesmente faz força – é mais rápido do que o seu pensamento. Surreal! Mesmo se você tentasse não poderia parar aquilo. A natureza é muito perfeita mesmo. Lindo!
Não sei quantas contrações demoraram. Sei que, quando apontou a cabecinha (mas ainda não tinha saído totalmente), ela ainda estava dentro da bolsa – e eu vi! Lembrei do sonho que eu tive, em que ela nascia empelicada. Era muita emoção! Mas a bolsa rompeu quando saiu a cabeça. Essa é aquela famosa hora em que eu achei que fosse rachar, haha. Foi o único momento do expulsivo que doeu, porque nos outros momentos não era exatamente uma dor, é a força, uma pressão forte mesmo.
A cabecinha dela saiu e ainda demorou uns minutos até vir outra contração. A Janie gravou o expulsivo e ontem eu assisti de novo e vi: quase 4 minutos. Foi o tempo que a cabecinha dela ficou na água. Vinha uma contração mas parecia que não era suficiente. Eu chamava por ela, conversava, e em certo momento eu falei assim “ela me responde”. Só lembrei disso vendo o vídeo, muito amor!
Ajudei como pude a manter a força quando ela vinha. Acho que chegou a passar pela minha cabeça que eu queria que fosse suave, que eu precisava respirar pra não lacerar, lembrei das minhas conversas com a Maíra, mas naquele momento tudo que meu corpo falava era que eu precisava fazer força. E eu fiz. Toda a tranquilidade do trabalho de parto deu lugar a uma intensidade sem tamanho quando entrei naquela banheira, e parece que só fez crescer; eu gritava. Era a mãe leoa nascendo também. Eu vocalizava, chamava por ela… e no tempo que ela escolheu, senti seu corpinho escorregando pelo meu, e voltando pra mim. O momento mais forte e mais inesquecível da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Saiu da água já chorando forte, coloquei deitadinha no meu peito, falei com ela… e ela parou de chorar. Ficamos ali nos namorando por um tempo, o Cleber junto da gente – como esteve o tempo todo, aliás. Um momento único.

 

 

 

 

 

Aí a Carina falou que era bom eu sair da banheira, pra esperar a dequitação da placenta. Meu único receio de parir na banheira sempre foi esse momento: a saída com o bebê no colo, ainda ligado a mim pelo cordão. Mas a ocitocina e o coquetel de hormônios naturais dominam e não tem como passar mal. Elas encostaram a cama lá do ladinho e me ajudaram a levantar e me sentar na cama. Pra ajudar a placenta a sair – e também porque era um desejo e um direito nosso – coloquei a Agnes pra mamar. E parece que ela estava só esperando por isso, porque pegou direitinho e sugou lindamente. Ficamos assim por quase 2 horas, eu acho. Enquanto mamava, recebeu a dose injetável de vitamina K (a única intervenção que teve, não tinha como ser oral). Eu não olhei e ela nem chorou.
E nada de placenta. Quer dizer, ela descolou da parede do útero e ficou parada no canal. Com a Agnes no meu colo (eu não parava de olhar pra ela), não conseguia me concentrar para expulsá-la. Como o cordão já havia parado de pulsar, o Cleber veio cortar, e foi lindo. Aí enquanto a Rose a limpava, media cabecinha, pesava e vestia, me concentrei na dona placenta. Fiquei com um pouco de medo porque doeu. E tive que me lembrar dos exercícios com o epi-no (e com a ajuda do Cleber), e ela finalmente saiu.
Como tinha bastante sangue na água, achamos que tinha lacerado, até porque a Agnes nasceu com uma mãozinha no rosto e outra no ombro. Quando me examinaram, não tinha nada. Quer dizer, tinha um cortezinho muito pequeno (disseram que era como se tivesse soltado uma pelezinha só, igual quando batemos o dedo, sabe como?) que obviamente não precisou de sutura nem me incomodou em nada depois.

Ah, voltando um pouquinho… assim que eu fui pra banheira, a Janie mandou mensagem avisando meus pais que estava chegando a hora – até porque a Lilian estava descansando lá. Minha mãe disse que foi tomar banho e, antes de saírem de casa, chegou outra mensagem dizendo que já tinha nascido. Ou seja, essas fotos aí de cima quem clicou foi a Janie. E foi mesmo muito rápido: 3:30 eu ainda estava no outro quarto, e ela nasceu 4:30! Pelo horário dos registros, foram uns 30 minutos de expulsivo (contando de quando eu senti os puxos). Não imaginei que fosse ser tão rápido.
Eles chegaram e depois que a placenta saiu, a Lilian entrou pra fotografar a Janie fazendo os carimbos com a placenta – ficaram lindos! Aí ela fotografou a Agnes, a gente com a equipe, enfim, o depois. Gostei muito.
Depois de tudo meus pais entraram no quarto, todo emocionados, e ficaram lá babando a neta (e impressionados que eu não tinha levado nenhum ponto, rs.

E sim, meus amigos, o que eu falava estava mesmo certo: o tempo da Agnes é só dela. É tranquilo, mas também é muito intenso. Forte e suave. É precioso. Como a minha menina é.

 

 

E foi isso. Um parto que está reverberando em mim até hoje, me trouxe muitos sentimentos e lições, com certeza vou levar um tempo pra digerir tudo ainda.

Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo nesse caminho.
As minhas doulas lindas: Maira e Janie, por todo apoio, informação, ouvidos, palavras, massagens e abraços. Vocês foram muito importantes, obrigada.
A toda equipe da Casa Angela, muitíssimo obrigada pelo acolhimento. Por respeitarem meu plano de parto, meu espaço, meu silêncio, minhas vontades. Todo mundo que faz parte e contribui pra Casa ser o que é, as enfermeiras que me assistiram, as meninas da cozinha (jesus, que comida ótima!), obrigada.
A minha obstetra Catia Chuba, que me incentivou a buscar o empoderamento durante todo o pré-natal, obrigada.
Aos meus pais e a minha família, pela paciência, disposição e todo apoio, obrigada.
A Lilian, que se disponibilizou a fazer o registro do parto e esteve ali o tempo todo, muitíssimo obrigada.
Aos amigos que se fizeram presentes e estiveram comigo durante a gestação, obrigada.
E por último, mas não menos importante, quero agradecer muito ao meu parceiro de vida, Cleber, por ser quem é, por ter se empoderado, estudado e bancado tudo isso comigo, não me deixando sozinha em nenhum momento. Por confiar em mim. Pelas palavras. Pela presença. Pelos abraços. Enfim, é muita coisa. Por tudo. Obrigada.

Ufa, que bom que consegui terminar o relato. Ficou grande, mas tinha de ser assim.
Beijo!

17 Comentários

Arquivado em acontece comigo, Agnes, amor, Casa Angela, casulo, coisa linda, doula, espera, parto natural, relato de parto, tempo