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O não saber

Eu queria descobrir a próxima gestação só com umas 20 semanas. Não que se tiver de acontecer alguma coisa ruim (bate na madeira 50 vezes) será antes disso, mas perece que a marca das 17 semanas não me larga, por mais que eu procure não pensar nisso, por mais que eu nem tenha um positivo em mãos ainda.
Eu queria que alguém me garantisse que daria tudo certo da próxima vez.

Em contrapartida, eu gosto do não saber. Pois é só dessa forma que posso me entregar. É chato saber exatamente o que, quando, como e porquê as coisas acontecem, pelo menos eu acho. O não saber permite que eu me conecte mais comigo mesma (ou tente, pelo menos), que eu tente entender de onde vem esse tanto de vozes, quais estão vindo do instinto, do coração, e quais aparecem para me confundir, ou, mais provavelmente, autoenganar por medo do sofrimento.

Seria bom ter pelo menos uma garantia, por menor que fosse? Seria lindo, seria demais, seria tudo! Mas não tenho. Não existe garantia. Tudo pode acontecer, o tempo todo, com todo mundo. Não que estejamos todos condenados. Mas também não estamos imunes.

Penso que tudo isso pode ser só o prenúncio do que é a vida com filhos. Não estou falando de fatalidades aqui, não sou tão pessimista, muito pelo contrário, vivo vendo o lado bom das coisas. Mas também não dá pra pensar que só dentro da barriga coisas ruins acontecem (que é o meu atual medo). Não é o lugar mais seguro? Quando querem proteger do mundo, algumas mães dizem que queriam que os filhos voltassem pra barriga. Então também não posso pensar: nasceu, cabô. Não dá pra pensar que aqui fora as coisas serão tão diferentes assim. Acho que o medo não vai nos abandonar. O medo da febre, o medo da convulsão, o medo da gripe virar outra coisa mais séria. O medo de não comer e ficar doente. O medo de comer demais e ficar doente. O medo de machucar. O medo de não saber entender o choro. O medo de deixar cair. O medo de fazer mal mesmo tendo certeza que está fazendo o bem. Medo do desconhecido.

A questão, penso, não é a garantia ou não, o medo grande ou não. A questão é seguir em frente dando o nosso melhor. Sempre. A minha vontade de ter um filho é infinitamente maior do que o medo que sinto, não tem nem medida de comparação. Hoje eu sinto medo, claro, porque passei por um baque grande, porque “eu nunca pensei que uma coisa dessa fosse acontecer comigo”, e aconteceu, porque temo que aconteça novamente. Mas não dá pra parar a vida. Não dá pra deixar que isso me conduza. Assim como não dá pra evitar que o bebê chore, só pelo receio de não saber interpretar, ou que ele tenha qualquer outra experiência, só por um sentimento que nos paralisa. É simplesmente incoerente e sem nenhum sentido. Simplesmente não dá. Os dias continuam a passar, coisas continuam a acontecer. Não é o meu medo que protegerá a minha gestação e, depois, a integridade física e psicológica do meu filho. Eu não acredito nisso. Haverá cuidados, haverá amor, haverá afeto. Todo do mundo que eu puder dar.

Eu amei a bolota desde sempre, me conectei com ela de uma forma ímpar, e isso não impediu que ela se fosse. E eu não me arrependo de ter me entregado daquela maneira. Sei que é meio pesado afirmar isso, mas estou escrevendo pra mim mesma, para que eu enxergue esse fato e acalme meu coração. Sessão de autoanálise aberta, é isso que esse texto é pra mim. Prosseguindo. Eu não me arrependo e não vou fazer diferente da próxima vez. Eu acredito no amor, acredito na conexão, acredito nos instintos e no que sinto. Nos últimos dias, confesso, tentei fugir disso. Tentei não me conectar, tentei não ouvir, não falar e muito menos ver. Por medo de quebrar a cara de novo. Mas me diz, e se eu quebrar? Vai valer alguma coisa ter demandado tanta energia para tentar ser o que não sou? Não. Também tive medo de estar errada quanto ao que eu senti esses dias (porque foi assim: quanto mais tentei me fazer de desentendida, mais escancarado ficava). Mas eu preciso entender que eu não estava errada da outra vez. Ela existiu de verdade e todo amor que dedicamos à ela foi real e também necessário. O amor, a entrega, a conexão saudáveis e naturais nunca serão ruins ou prejudiciais. O medo, sim. Sei que o medo também é instinto de sobrevivência, mas nesse meu caso, não. Me escondi atrás dele, o usei como escudo. Mas foi só pra ver que não funciona pra mim. Eu preciso me entregar. Para tudo que está por vir, para a vida que, sinto, vai chegar, na hora que tiver que chegar. Acho que a palavra do momento é: confiar. Confiar que meu instinto está funcionando direitinho. Que se ele falhar haverá tempo para buscar outras alternativas. Que estou minimamente preparada (nunca estamos completamente, nem quero estar, porque é na caminhada que as coisas acontecem, e não antes de começar) para o que tiver de ser.

Preciso confiar que vou conseguir e continuar andando ao lado do não saber. Ele me acompanhará por longos anos, precisamos saber respeitar um ao outro; parada é que não dá pra ficar. Mesmo porque o estar parado é uma ilusão. Ou a gente vai pelas próprias pernas, ou somos levados pela correnteza. Eu prefiro ir, detesto receber ordens. Não há garantias. Há vida. Há mais.

foto totalmente desconfigurada, (pelo Blogger, porque no meu computador tá normal), na verdade a cor dela é diferente e está parecendo estragada, desculpem por isso. Mas é ela que eu quero aqui, pra me lembrar de fechar os olhos, respirar, e ir. 
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Quarto compartilhado

Tô doida pra começar as mudanças no quarto, preparar o cantinho da Bolota… mas vou ter que esperar mais uns meses, porque a mudança de cenário vai ser grande, e só vamos realizá-la lá pra outubro ou novembro. Explico:

Antes mesmo de engravidar eu já tinha tomado uma decisão: não comprar berço pro bebê.
Dentro de tantas e tantas viagens na blogosfera, acabei cruzando com o quarto montessoriano e super me identifiquei. Um espaço realmente para a criança, em sua totalidade, e não para a comodidade do adulto.

Foto daqui

Na verdade, quando eu vejo berços em lojas, em fotos, em outras casas, acho lindo demais da conta, não tem jeito. É o cenário que está implantado na nossa mente, desde sempre. Mas pensando no dia-a-dia, comecei a não gostar muito da ideia. Detesto a ideia de “tem que ensinar o bebê a dormir no berço” e coisas afim. E, ao que tudo indica, bebês odeiam berços, haha. Sem contar que é um móvel caro, ninguém merece (o povo acha que só porque vamos ter um filho, estamos nadando em dinheiro, só pode), mesmo aqueles que viram caminhas depois, podendo ser usados por muito mais tempo… não sei, não conseguia pensar em um pro meu baby. E apesar da maioria dos quartos montessorianos que eu vejo serem de crianças de uns 2 anos ou mais, não fazia sentido algum comprar um berço já sabendo que iria me desfazer dele dali pouco tempo. Sem chance. Baby iria pro chão desde que nascesse e pronto.

Por outro lado, Bolota não terá, à princípio, um quarto inteiro pra chamar de seu. Moramos com meus pais, como vocês já sabem, e não tem um quarto disponível só pro baby aqui. Mesmo que tivesse, mesmo que fosse uma casa só minha e do marido, dormiríamos no mesmo quarto num primeiro momento, até pra facilitar a amamentação noturna. Entretanto, não acho que vai rolar cama compartilhada também, pelo menos não tão cedo. Porque o Cleber é bem espaçoso à noite, e precisa muito dormir bem, ainda mais por causa da epilepsia (que está controlada, amém!). Também não temos uma king size, e acho importante termos um bom espaço pra dormir, porque é uma coisa é gostar de dormir juntinho, outra é não ter opção, rs.

Minha dúvida, antes, era: mas se eu não quero berço, não vai rolar cama compartilhada e não tem espaço para um quarto montessoriano inteiro só pro bebê, como faz?
A resposta é muito simples, caras amigas: vamos todos dormir no chão!
Se tivesse um quarto a mais, aqui ou em outro lugar, faríamos um assim desde cedo, bem completo. Mas não temos, então vamos ter que adaptar tudo.

O primeiro impasse foi que eu não queria me desfazer da minha cama, que é nova e está em ótimo estado. E ela é box, sem chance de fazer com que ela chegasse ao nível do chão. Mas jamais, em hipótese alguma, eu dormiria lá no alto e meu bebê lá no baixo, no mesmo ambiente, não me sentiria bem assim. Depois de pensar em várias alternativas, vários planos mirabolantes, pensamos numa coisa bem mais simples: vamos trocar de cama com o meus pais! Às vezes, a resposta tá bem mais perto do que esperamos. A ideia, inclusive, veio da minha mãe – que no começo ficou meio em dúvida com essa ideia, achando que seria mais difícil eu, de barriga gigante e recém parida, dormindo no chão, mas agora já curte a ideia. Eles têm uma cama daquelas “tradicionais”, com cabeceira, etc. Vamos passar a nossa box pra eles, desmontar a deles, guardar a cabeceira e os pés e ficar só com o colchão e com o estrado. Êêê, todascomemora essa solução genial.
Mas e a cama da Bolota? Eu não queria um colchão direto no chão, porque fica mofado embaixo. Também não daria muito certo colocar sobre um tapete, porque a mamãe aqui é super alérgica. Pensamos em fazer um estrado de pallets ou mandar fazer uma base bem baixinha no marceneiro. Depois, navegando na internet (como sempre), cruzei com uma caminha infantil e fiquei apaixonada. Olha ela aí:

 Foto daqui

Atendia as minhas expectativas de ser baixíssima, mas não ficar diretamente no chão. E vai ficar mais ou menos na mesma altura que nós.
Ontem marido e eu fomos à Tok Stok ver a bendita ao vivo e à cores. Vai que era bem diferente do que eu imaginava, né?! Primeiramente, preciso dizer que adoro ir passear nessas lojas, mesmo não comprando um item sequer, haha. Era tanto quartinho infantil lindo que eu quase pirei, rs. Claro que tem uns bem forçados pro meu gosto, mas são tão pequeninos, os detalhes tão fofos…
Enfim! Acabei vendo mais umas duas caminhas que gostei também. Não têm essa “proteção” aí do lado, mas são lindas. Ao vivo é bem melhor que no site, nem se compara. Mas essa aí de cima, por enquanto, continua sendo a preferida.
Não vamos ficar como se fosse uma big cama, os espaços do baby e o nosso vão estar bem traçados – o que não impede que Bolota fique do nosso lado no meio da madruga, haha – mas acho que vai ficar bom de todo jeito.
Vamos pintar as paredes; na verdade, acasa toda, pra ficar novinha pra chegada do novo morador. O nosso armário dará lugar à outro, um pouco menor; e vamos comprar um pequenino, de duas portas, só pro baby. E na parede em que ficar a mini cama, vou fazer uns enfeites, uns móbiles, umas coisinhas decorativas só pra Bolota. Será o cantinho dela ^^

É isso!
Por enquanto apenas imaginando como ficará tudo daqui uns meses. E preciso decidir mesmo quais enfeites vou fazer, pra comprar os materiais e começar os trabalhos.

Estava aqui fazendo o post e pensando: mais fácil seria só comprar uma cama de solteiro e fazer uma extensão da minha. Mas pra quê simplificar quando podemos inovar os conceitos, não é mesmo? rs 😉
Não vejo a hora de mudar tudo!

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Cadê a segurança que estava aqui? O gato comeu!

Senta que lá vem a história:

Era finzinho de novembro de 2010 (caramba, peraí! escrever 2010 faz parecer tão distante; pra mim isso aconteceu semana passada! mas voltando…). Eu estava na casa da minha prima, que é quase minha irmã. Estávamos sozinhas, ela estava no sofá e eu na mesa, mexendo em alguma coisa na internet (oi, facebook!). Ela levantou a blusa e ficou olhando a própria barriga, depois falou algo como “será que eu tô grávida?”.
E deu-se o diálogo:
– Não sei, Má (nós duas somos Má, rs), porque você acha isso, tá atrasada?
– Eu não sou muito regulada, lembra? Mas faz um tempo sim que não vem nada.
– Ah, então pode ser. Vem aqui pra eu ver sua barriga.
Ela veio até mim, levantou a camiseta e eu peguei na barriga dela, meio que apalpando.
– Ai, Má, ela tá diferente, hein?! Acho que pode ser…
– Mas o que eu tô achando que mudou mesmo foram meus seios, olha.
E quando eu vi, eu sabia, assim como ela, que estava acontecendo alguma coisa.
Descemos até a farmácia na mesma hora e, dois testes positivos depois, vimos que era verdade: ela estava grávida. No dia seguinte ela repetiu o exame de manhã e a resposta veio ainda mais rápido.
Enfim, o resto é “secundário”: eu marquei a consulta com a nossa ginecologista e fui com ela no dia seguinte, os meses foram passando, a barriga foi crescendo, descobrimos que era um menino e ele nasceu no dia do meu aniversário, um mês antes do meu casamento. Esse ano faz dois anos.
Fim da história.
Mas não posso deixar de perguntar: vocês reparam na minha desenvoltura para lidar com a situação? Me diz: de onde eu tinha experiência para diferenciar uma barriga de uma gestante de 4 ou 5 semanas (que era o tempo que ela estava, descobrimos depois) e a de uma mulher não-grávida? A resposta é simples, minhas amigas: eu não faço a mínima ideia!!! Mas naquela situação deu super certo e o resultado está por aí, pedindo pra falar comigo ao telefone e bagunçando a casa toda.

O fato é que, se naquela época eu tive uma espécie de certeza, isso não existe mais. A segurança me abandonou no momento em que eu mais preciso dela. Quanta ingratidão! E por segurança entende-se: não sei nem se é um sim, ou se é um não, o que está acontecendo agora.
Esse é meu primeiro ciclo sem nenhum contraceptivo, mas também sem monitoramento e eu vou falar uma coisa pra vocês: tá foda! Parece que vai chegar o ano novo, mas não vai chegar o dia do fim desse ciclo. Não que eu não esteja aproveitando, é só que o tempo parou, apenas.
E eu fiz esse blog também para registrar tudinho que sei que a minha memória não vai suportar sozinha, então vamos lá: quando eu parei com o anti, em janeiro, fiquei cheia de “bolinhas” na testa e perto nariz. Nem só espinhas, nem só cravos, a maioria eram umas bolinhas mesmo; odiei, óbvio. Pois bem. Elas sumiram! Do nada! Só tenho agora umas pouquíssimas na testa, estou linda de novo (haha). Não estou usando nenhum cosmético, juro. Mistérios da vida.
Fora uns outros sintomas, como pontadas nos ovários, esses dias eu cismei que o gosto do leite condensado estava diferente, estragado. Minha amiga provou (nós fazemos brigadeiro pra vender) e disse que estava normal, mas meu paladar não aceitou: pra mim, estava com gosto de queijo, hahaha. E a mais nova novidade das paradas de sucesso: sabe quando a gente tem uma “sensação” (qualquer uma)? Ou algo parecido com um pressentimento? Pois é, eu estou sentindo, mas não de forma abstrata, e sim no meu corpo, literalmente; mais precisamente na região do estômago. Não é dor, é uma sensação mesmo. É como se eu tivesse borboletas alvoroçadas morando ali de verdade. É difícil explicar porque eu nunca senti algo parecido. Elas têm me acompanhado praticamente o dia todo, já há quase uma semana, e na aula de hidro de terça até me incomodou, um tipo de pressão mesmo na barriga. Muito estranho, gente. Os pequenos quase enjoos não entra na lista, porque eu vivo tendo mesmo, então pra mim é normal, rs.

Simplesmente não estou conseguindo viver um dia inteiro de ansiedade, como eu disse que costumo fazer. As coisas mudaram de figura esse mês e eu estou tentando entender todas essas mudanças.
Meu marido está tranquilíssimo, aquele lindo, e isso tem me confortado muito.

Pelo menos o ciclo, teoricamente, termina no fim da semana que vem e eu poderei tirar minhas conclusões disso tudo. porque por enquanto não estou apostando em nada. Até lá, espero não surtar de vez e sair correndo três dias sem olhar pra trás. Vamos aguardar.

Me diz se eu estou com cara de quem tá gostando dessa fadiga toda?

E por aí, como está o mês de abril?

Imagem: Google Imagens

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O fim do anticoncepcional e as controvérsias da vida

Ano passado, véspera de Natal, marido e eu na fila de check-in do aeroporto rumo à casa do meu irmão, em Aracaju. Fila enorme, como vocês devem imaginar. Marido teve que sair para resolver alguma coisa e eu fiquei lá sozinha. Eu lá, com o carrinho com nossas malas, em meio à trocentas pessoas, um barulho sem fim, percebi que estava sentindo algo diferente. Não era cansaço, não era preguiça, não era vontade de calar a boca daquele cara atrás de mim que só falava asneira. Prestei atenção e percebi: não queria mais esperar, não podia mais esperar, não queria mais usar anticoncepcional. Eu queria um filho “agora”. Não sei porque raios eu senti aquilo naquele exato momento, mas senti. Era um sentimento mesmo, uma coisa forte, real. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu tinha certeza. (já havia sentido coisa parecida algumas vezes durante o ano, mas dessa vez foi diferente, uma força presente mesmo).

Quando marido voltou, percebeu meus olhos marejados e comentei por alto o que estava sentindo e a minha vontade (estava uma correria total, quase perdemos o voo), e ele concordou. Voei 3 horas pensando nisso. 
Eu usava o anticoncepcional Evra, que é um adesivo transdérmico (para quem não conhece é assim: são três adesivos,a troca é feita a cada uma semana. Depois do terceiro, tem a pausa de 7 dias, igual aos outros, que é quando desce, e daí começa tudo de novo). Eu ainda estava com o primeiro adesivo e, apesar da ideia tentadora, não arranquei-o de uma vez por todas e me joguei nas tentativas, até porque eu tinha medo de bagunçar o ciclo. Usei até o final, normal, esperei descer, mas não comprei uma nova cartela. Parei mesmo. 
Mas não me joguei nas tentativas.
Nós ainda tínhamos (temos) para sempre teremos umas contas para acertar, e ainda queríamos aumentar um pouco a poupança para conseguir pagar uma equipe bacana para nos acompanhar. 
Seguimos usando camisinha. Fui à médica, ela disse que estava tudo bem. 
Meus ciclos sempre foram totalmente regulares. Com o anti, eu sabia exatamente o dia e até mais ou menos o horário que viria, achava isso o máximo, rs. E agora está um tormento. No primeiro mês sem o adesivo, demorou simplesmente 39 dias para descer de novo. Para mim, que estava acostumada com 28 dias pontualmente, foi horrível, quase surtei. Fiz uns 4 testes, mas deram todos negativo. Do segundo pro terceiro (que foi a última vez), demorou 34 dias. E agora ainda não estou atrasada, não, mas já até espero que demore de novo.
Na viagem, tínhamos combinado que iríamos começar a tentar no mês de maio (não por um motivo específico, só para estipular uma data mesmo). Quando acertamos isso lá na praia, de frente pro mar, tudo parecia tão distante, tão longe. E a parte que eu tinha sentido que tinha que ser “agora”? Chorei, mas concordei no final, porque no fundo eu sabia que ia ser melhor assim.

Mas gente! Maio é mês que vem!
Mas não foi ontem mesmo que eu estava pensando em como eu poderia burlar o calendário para chegar logo no tal do mês? O tempo foi mais rápido que eu dessa vez e chegou antes da minha descoberta, rs…

E eis que semana passada, quando me dei conta disso tudo… travei.
quén, quén, quén, quéééénnnn…!!!

O que antes era uma ansiedade desmedida, agora é uma coisa que eu ainda não sei definir muito bem, mas se parece um pouquinho com medo.

Ah, claro, essa é a parte que eu conto que marido e eu adoramos fazer planos… para desfazê-los no final das contas. Não esperamos o mês das mães coisa nenhuma, paramos com a camisinha, assim como quem não quer nada, esse mês mesmo. Ou seja. Agora eu sou tentante, né?

Eu sou?

Não estou fazendo nada além daquilo que tem que ser feito, haha… melhor dizendo: não estou contando no calendário o período fértil, não estou medindo temperatura, não estou monitorando muco… nadica de nada mesmo. Até porque, não se esqueçam, ainda não caiu minha ficha que eu mudei de status.

Me diz, gente: haverá um mundo justo e sem controvérsias no universo pré-materno? (porque no materno já me disseram que não há mesmo). A pessoa passa a vida inteira querendo ser mãe, querendo começar as tentativas o mais rápido possível. Quando chega a hora, o que acontece? Um medo descabido, que nem pediu licença e já foi se instalando aqui. Ah, não… tá tudo errado! rs É um medo estranho de não dar certo, de dar certo e eu não dar conta, de ficar neurótica se demorar demais, de fazer tudo errado. Ah, tanta coisa. Tudo ao mesmo tempo. Tenho que dizer que não tô gostando muito disso, não, tô ficando confusa…

Acho que isso é ansiedade disfarçada de medo, na verdade, mas ainda estou averiguando…

Fica no ar muitas perguntas: isso é normal? Eu sou a única em todo Planeta Terra que sente uma coisa estranha assim? Haverá solução para o meu caso? Isso passa? Como? Tenho que fugir para as montanhas antes que a coisa se agrave? Quem vem aqui me dar um abraço? um dia deixarei de ser dramática nos meus textos? Aguardaremos os próximos capítulos.

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Sobre a minha ansiedade: quando a crise vem.

Ei, gente linda! Tudo certo por aí? Dei uma sumidinha essa semana, foi bem corrido aqui, mas já voltei…
Sabe uma coisa curiosa que eu tenho reparado? Minha ansiedade mudou, está diferente (Oi, meu nome é Marina e eu tenho uma ansiedade que muda de cara).
Durante um bom tempo eu estava ansiosa pra valer mesmo, querendo acordar grávida a cada dia que passava, e o tempo parecia que andava para trás. Convivia com ela a toda hora, quase já havia me acostumado. Mesmo com a mente ocupada por outros assuntos, ela estava aqui, presente. No entanto, percebi esses dias que ela deu uma espécie de trégua – vou falar sobre isso daqui a pouco (a pessoa está escrevendo dois posts ao mesmo tempo e ainda acha que não está ansiosa, doce ilusão, hahaha). Aqui eu vou falar sobre como era antes dessa “pausa”. 
Eu costumo pensar que eu tenho duas “fases”: uma ansiedade mais leve, que na verdade é a vontade de ser mãe. É uma sensação boa. E a crise de ansiedade, que é quando eu quero controlar o tempo com as minhas próprias mãos e fazer acontecer tudo hoje, agora, nesse instante. 
Esses dias escrevi um texto falando que quando estou triste, me permito ficar triste. Com a ansiedade prégravídica é a mesma coisa. Quando a crise vem, eu simplesmente a sinto. Me permito fuçar em todos os blogs o dia todo, abrir sete abas de sites maternos ao mesmo tempo, ler relatos, ver o que eu já vi cinquenta vezes, pensar em como será comigo, o que eu vou sentir, mandar 100 e-mails pro meu marido durante o dia. Fico o dia toda às voltas com isso. Aliás, o Cleber é fundamental nos meus momentos de maior ansiedade. Ele sabe que eu quero ficar falando apenas sobre isso, e deixa. Fico o dia todo falando com ele pelo facebook sobre a minha vontade, de como vai ser quando tivermos filhos, de quando eu estiver grávida, essas coisas todas que vocês devem imaginar. Ainda não sei como ele aguenta, haha… 
E quando eu surto de vez e quero inventar uma forma de ficar grávida na-que-le-mi-nu-to (que geralmente é quando eu choro), aí de uma forma ainda misteriosa, ele me acalma. Na verdade não é uma forma milagrosa. Nem instantânea. É muito ruim essa sensação de que nunca vai chegar a hora de ver as duas listrinhas no teste de farmácia (porque eu sempre esqueço que não sou tentante e fico ansiosa do mesmo jeito, rsrs). 
Voltando ao que dizia antes: acho ele me acalma pelo fato de não tentar me podar, sabe como? Porque para mim, se eu percebo que a ansiedade está aumentando e eu tento fugir, só piora. Sou péssima nisso. E se alguém me diz que eu não preciso ficar assim, que o bebê virá na hora certa blablabla, aí a coisa coisa fica feia demais. Dá vontade de dizer: “Ô pessoa, e desde quando a gente racionaliza quando tá ansiosa? Ah, me deixa ficar ansiosa em paz!!” (oi?). 
Também acho que faz parte do processo tudo isso. Quando eu estava planejando o casamento, por exemplo, comia chocolate como se não houvesse amanhã (e até emagreci, hoho, gostaria de mandar um beijo para  minha genética; sua linda, tiamo). E o casamento aconteceu, deu tudo certo, amém. Então me permito sentir isso, sim. Só o que faço é tentar não deixar as outras pessoas – aquelas não tão importantes – perceberem. Isso sim eu disfarço. Porque quando elas percebem, não se contentam em apenas ser solidárias e te dar um abraço, ou mudar de assunto, tentando fazer você pensar em outra coisa, por exemplo, o que poderia ser uma ajudinha. Aliás, nem fazem isso. Elas falam, elas opinam, elas determinam como você deve se comportar. E isso cansa! Uma coisa é ter que lidar com uma crise de ansiedade, outra coisa – ainda pior – é lidar com a sua crise E com as pessoas que além de não ajudar em nada, ainda atrapalham. 
Aqui nos blogs, entre nós, eu acho lindo que exista palavras de incentivo e de ajuda. Porque a gente se entende. Porque estamos no mesmo barco. O mesmo se for uma pessoa “da vida real” que já tenha estado na mesma situação. É uma troca. Mas uma pessoa lá, do alto da sua torre de autocontrole e sabedoria, que nem quer saber muito de mim, ou como eu me sinto, quer apenas proferir palavras sobre como eu devo ou não me comportar, numa coisa unilateral… ah, não! Fico muito brava mesmo! (sou rebelde sim ou lógico? rs).
Então, nesse sentido, para evitar maiores frustrações, disfarço. Tenho minhas crises no conforto e na privacidade do meu lar, com a presença física ou virtual (quando está no trabalho) do meu marido e tá tudo bem. 
E sabe do que mais? Elas passam. Pode parecer contraditório, mas é por isso que as sinto, pra elas passarem logo. Se eu não viver, elas não vão embora nunca, ficam aqui comigo por dias, enchendo o saco e me fazendo mal. Comigo, cada crise não dura mais que um dia. Ou, se é das brabas, no segundo dia já está menos feroz.
A crise maior, que machuca,  passa. A vontade, aquela que traz aquele friozinho bom na barriga, continua. E assim eu tento ir seguindo, um dia de cada vez, só até amanhã de manhã. 
E vocês, como lidam com as crises de ansiedade?

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Primeiros ajustes

Eu sou uma pessoa ansiosa desde que nasci.

História de bastidores: minha mãe conta que chegou na maternidade com contração às 2 e tanto da manhã e quando foi 6:20 eu nasci (e nem foi cesárea, haha). Ou seja, sou ansiosa desde antes de nascer!

Isso é um fato concreto na minha vida e eu não quero arrancá-lo de mim, não; só o que eu faço é moldar e direcionar (pelo menos tento) essa ansiedade para alguma coisa produtiva e, assim, tentar ir me equilibrando.
Pois bem, ainda não sou uma tentante ativa, mas já estou me adequando a esse mundo. Porque, confesso, nunca fui a pessoa mais adepta à atividade física no mundo. Aliás, eu detesto academia. Mas também não sou de todo sedentária. Não tenho preguiça de caminhar, não; dou uma voltinhas de bicicleta de vez em quando no parque; há um tempo atrás eu dançava todo final de semana. Enfim, eu me exercitava de vários jeitos, mas não uma coisa regular, entendem?
Mas aí a pessoa decide que quer uma gestação e um parto completamente naturais. Ou seja, preciso de algum preparo físico pra coisa. Em janeiro desse ano me matriculei na yoga e na hidroginástica, na rede Sesc, que preciso dizer, sempre salva o meu bolso, rs. Escolhi yoga porque além de ser bom para o corpo, auxilia muito a mente também, o que para uma pessoa ansiosa como eu é de grande ajuda. A hidro eu escolhi porque tenho um probleminha no osso do pé que não me permite muito esforço físico em solo, o pé fica inchado, doi, é uma saco. Na água o atrito é bem menor e tá tudo certo. Por último, mas não menos importante, óbvio que escolhi esses dois por serem atividades que eu vou poder fazer durante toda a gestação (apesar que nas duas turmas o que mais tem são idosas, hehe). E nossa, como é bom quando nos exercitamos com coisas que nos fazem bem, né! Estou bem mais calma desde que comecei, e o corpo já agradece, pernas e bumbum mais durinhos, ô beleza! rs…
Em relação a alimentação eu mudei pouco. Dieta restritiva eu não faço a mínima ideia do que seja. Sempre comi de tudo. Mas é assim, almoço e janta é comida mesmo, arroz, feijão, carne, salada, verdura, massa, o que for, mas tem que ser comida. Frutas, muitas. E também nunca me liguei nessa coisa de light e e diet, ou arroz, pão e tudo integral. É tudo caseiro, como sempre foi desde criança. E pão eu como sim, chocolate eu como sim, doces eu como sim, sanduíche eu como, sim. A única coisa que não sou totalmente fã são folhas, só alface mesmo e olhe lá. 
O que eu mudei foi a questão do refrigerante, mas nem foi pensando numa futura gestação, é simplesmente pelo fato de eu sentir uma dor enorme na barriga quando abuso do dito cujo, ou seja, foi bem mais fácil parar de tomar do que lidar com as dores; mas se estou em algum lugar que não tem suco, eu bebo um pouquinho só e não me martirizo também. E de uns tempos pra cá meu paladar simplesmente mudou em relação a carne vermelha. Eu não consigo mais comer sempre, sinto um gosto diferente, mesmo que o tempero seja o mesmo, é difícil até de explicar como é; ou seja, carne vermelha agora só como poucas vezes na semana. Até perguntei pro médico se tinha algum problema, mas como eu como feijão todos os dias, verduras, legumes, ovo, peixe, etc, ele disse que não tem muito problema não (e os meus exames também não deram nada alterado, como anemia, por exemplo, ufa).
Exame ginecológico está em dia também. Estive, em fevereiro, numa consulta com a médica que eu quero que me acompanhe no pré-natal e já verificamos que está tudo certo nesse quesito também. Vacinas também, tudo ok!
Só falta fazer uma visitinha ao dentista, mas ainda tenho algum tempo pra ver isso direitinho. 
Apesar de já ter me ajustado em algumas coisas, o que pode levar alguém a pensar se isso não aumenta minhas expectativas, preciso dizer que essas coisas só têm me ajudado a combater a tal da ansiedade, principalmente as atividades físicas. Me sinto realmente mais calma depois de cada aula, com a mente bem mais leve mesmo. Mas claro que de vez em quando a coisa aperta e eu quero acordar no dia seguinte já com um positivo em mãos. Nessas horas eu preciso inventar meios de lidar com a fadiga (rs), mas isso eu conto em outro post.
Imagem: encontrei nesse blog, que tio Google indicou.

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