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15 dias depois…

Hoje minha pequena Agnes faz 15 dias de vida . . .

E esse negócio de puerpério é mesmo uma loucura, nossa senhora!!
Porque ao mesmo tempo que parece que ela está aqui com a gente há muito tempo – bem mais do que 15 dias – também parece (e é, obviamente) que o caminho que percorreremos juntas ainda nem começou. É uma sensação única, gente.

Só agora consegui voltar aqui pra registrar alguma coisa. Só agora (percebam o “só”, como se há 2 anos eu não aparecesse por essas bandas bloguísticas) consigo me sentar em frente ao computador e raciocinar – e formular, e digitar – minimamente como antes.
Eu sei. Nada mais será como antes.

Esses primeiros 15 dias passaram como um verdadeiro vendaval na minha vida.
Eu já disse que esse negócio de puerpério é uma loucura?
Tudo que eu fiz foi: amamentar, comer, dormir 1 hora por vez e me sentir super descansada com isso – porque no pós parto imediato nem sei como sobrevivi sem dormir, só pode ter sido ocitocina mesmo – e sim, sofri muito com a privação de sono. Tomava banho bem a noite, quando me lembrava que eu também precisava disso. E amamentava. E de novo. E dava colo. Amamentava. E chorava. E morria de amores pelo meu pinguinho de gente. E virei bicho e quis minha cria só pra mim (ok, essa parte já sei que não vai passar). Assim bem confuso mesmo. E intenso. E desorganizado. Eu mal via os dias passando, porque não tinha tempo pra isso. Não tive aquele pensamento de que “isso nunca vai passar?”, porque eu não pensava direito, então pulei essa parte.

É que assim: desde o primeiro dia de vida – desde a primeira hora de vida! – dona Agnes mama (graças a Deus! Não reclamo disso nem por um minuto, e tô adorando amamentar!). Ela nasceu sabendo, a danada. Como diziam as enfermeiras da Casa Angela: ela é mamona, uma bebê sugadora.
Sugadora. Essa palavra traduz a primeira semana. Fui sugada por ela. Era essa a sensação clara que eu tinha: ela mamava e sugava aqueles pensamentos que nos levam pra longe, sabem? Minha cabeça sempre funcionou a milhão, penso mil coisas ao mesmo tempo, converso com você, prestando mesmo atenção, mas imaginando outras nuances. Isso acabou na primeira semana depois que pari. Eu tentava e ficava tonta. Literalmente tonta. Receber as visitas estava difícil, porque não conseguia conversar direito.
Como eu disse, pra traduzir o que estava sentindo: minha filha tem uma válvula que me trouxe realmente pra viver o presente, integralmente.

É, eu disse que foi intenso . . .

Por falar em Agnes, o que posso falar dela? É linda. Adora seu mamazinho. Adora o pai. Já dormiu 5 horas seguidas na noite – a mesma noite em que ficou puta da vida por algum motivo que ainda não sei ao certo qual e se acalmou feito mágica com o banho de balde, foi apenas lin-do de ver. Ainda não usa fralda de pano porque tem as perninhas finas e todas ficam grandes, haha – mas percebo que acertei na escolha e que bom que logo vai servir, porque a pele dela é muito sensível e eu já detesto as fraldas descartáveis por isso. Ah, tenho muita coisa pra contar dela, mas faço isso num post exclusivo 😉

Exatamente hoje eu percebi que já estou bem melhor, bem mais sociável, digamos assim. Já não choro por qualquer motivo, já consigo ver filme (com ela no colo, claro!), consigo ligar o computador, já consigo me manter acordada quando ela dorme sem que isso represente eu amamentando a noite e caindo pro lado num piscar de olhos. Não estou 100% ainda – e confesso que não sei o que é estar, visto que é tudo muito novo pra mim também. Mas estou voltando pra dizer que: SIM, há vida no puerpério, minha gente!! \o/

Obviamente, ainda não fiz o meu relato de parto. Eu nem conseguia pensar em como iria começar esse registro, porque simplesmente minha cabeça não processava tal informação, como podem imaginar, pelo que contei ali em cima, e eu digo porquê: não dava pra parar para registrar algo forte vivendo outro ~algo~ com uma força também daquelas. Viver integralmente, e literalmente, o presente, como eu disse. E minha pequena Agnes é o meu presente desde então.
Sábado passado minha doula veio aqui, pra visita de pós parto, e trouxe as fotos que ela gentilmente fez do parto e Uau!! que delícia que foi ver aqueles clicks. Aliás, foi ali que eu percebi que estava ficando pronta pra vir contar como tudo se deu. Ainda não comecei a escrever porque o tempo continua escasso (essa é a primeira vez que me sento pra escrever algo), mas estou me organizando pra isso. Adianto que foi longo, que precisei vencer uns fantasmas e que, no fim, foi muito diferente, e muito MUITO melhor do que eu um dia poderia imaginar que seria.

Tenho a “vaga impressão” de que ainda tenho muito o que dizer sobre isso. Espero mesmo conseguir.
Esse foi um post pra fazer um apanhado geral, simplesmente senti vontade de escrever, ela estava dormindo aqui do meu lado, abri a página e fui digitando do jeito que me vinha na cabeça.
Ainda quero vir contar com mais detalhes como passei por esses 15 dias iniciais – do apoio que recebi, do meu acolhimento ao que senti, essas coisas todas. Quero vir falar só da Agnes, essa delícia deliciosa que eu tenho (aqui no meu colo agora, inclusive!). Falar o quanto meu marido tem sido fenomenal. Do quanto estou amando me descobrir mãe e o quanto estou amando essa coisa de ter uma recém nascida pra chamar de minha. Enfim, quero contar como tem sido e o que tenho achado. Torçam para dar certo!
O relato sai em breve, acreditem.

Fotos da pequena, pra voltar em grande estilo

      
                          

 

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Arquivado em acontece comigo, Agnes, ajustando a vida, apoio, aprender, conversando, puerpério

Marcha Pela Humanização do Parto

Eu queria ter vindo antes, mas o fim de semana foi de zero tempo livre. Então, vamos hoje mesmo, que antes tarde do que mais tarde, não é? rs

Sábado, 19/10, aconteceu em mais de 30 cidades do Brasil a Marcha Pela Humanização do Parto.
O objetivo é chamar a atenção para questões como o crescimento da violência obstetrícia e o número de cesarianas no país. E também em apoio aos profissionais que oferecem assistência humanizada e respeitosa às famílias – obstetras, doulas, enfermeiras obstetras – baseados em evidências científicas, e que sofrem com perseguições das instituições de saúde – que estão mais interessados em conveniências e cifrões, como bem sabemos.

Aqui em São Paulo a Marcha foi na Avenida Paulista, às 10:00, e reuniu 300 pessoas. Eu (e marido) estive presente, muito feliz, aliás, porque foi a primeira vez que participei de uma marcha. Que bom que foi pela causa que eu tanto defendo e acredito.
Nos reunimos em frente ao prédio da Gazeta e marchamos até o Tribunal de Justiça, bem pertinho, mas foi muito gostoso. Estar ali com tantas pessoas que acreditam e lutam pelo mesmo ideal, andando juntas e dando voz a sentimentos, desejos e pedidos. Gestantes, famílias inteiras, bebezinhos. Muito slings, barrigas pintadas, cartazes, camisetas e um céu azul lindo. 
Quando chegamos ao prédio do Tribunal, a obstetriz Ana Cristina Duarte leu o documento – com mais de 300 assinaturas – que pedia o julgamento da ação sobre o número exorbitante de cesarianas realizadas.

Foi lindo. Um passo ao lado, juntos, e não estaremos mais no mesmo lugar. Já demos muitos passos para mudar o que tem que ser mudado. E isso é só o começo.




  

marchando feliz. 

Arquivo pessoal. Clicks por: Cleber Silva, meu marido lindo e companheiro de aventuras.

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Arquivado em apoio, atitudes, ativismo, marcha pelo parto humanizado

O relato que eu não queria fazer, nunca – o dia.

Post longo, que terá que ser dividido em duas partes (a segunda sai ainda hoje também), e que foi revisado entre lágrimas. Ou seja, é favor perdoar algum erro ou repetição.
Este é o relato de como eu descobri a perda do meu bebê.
Sinta-se à vontade para não ler, qualquer que seja o seu motivo. 

Quinta-feira, 08 de agosto de 2013.
Marido e eu saímos cedo, porque era dia de consulta pré-natal na Casa Angela. Desta vez, fomos atendidos pela Fran, uma EO que ainda não conhecíamos (pois seu plantão era à noite). Conversamos bastante, falei como me sentia – essas coisas todas de consulta – e chegou o momento de ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Me deitei na cama/maca, levantei o vestido e esperei. Ela ainda disse “esse sonar é antigo, então faz um chiado”. E realmente fazia, como um radinho fora da estação. Ela procurou, procurou, procurou… e não conseguia ouvir o coração do bebê. Saiu sala, pegou outro sonar – mais novo, que eles usam durante o trabalho de parto – e foi tentar de novo. Tentou muito, em vários pontos da minha barriga, e nada. Conseguiu pegar a minha frequência cardíaca, mas nada do bebê. Ela conversou com ele, apalpou a minha barriga, como se fosse uma massagem, e tentou de novo. Nada. Absolutamente nenhum sinal. Eu, que já estava com medo, comecei a me apavorar. Ela ainda disse que ele poderia estar escondido, sei lá, mas eu sabia que com 17 semanas era difícil se esconder. Ela me deu uma guia de ultrassom pra eu fazer caso me sentisse muito angustiada, pois ainda faltava quase um mês pro morfológico do 2º tri. Saímos do consultório e, na sala de espera, demos de cara com duas famílias, com seus mini bebês fofinhos. Meu coração ficou apertado, senti um peso no peito. Bebi água e fomos embora.
Chegando no metrô, eu falo pro Cleber (que estava o tempo todo tentando me acalmar): “eu queria muito ir fazer esse exame agora, não vou aguentar esperar até sábado” (sábado seria o dia que ele poderia ir comigo). Ao que ele disse “tá bom vai, vamos lá fazer o exame, eu vou com você”. No caminho, eu disse pra ele: “a maternidade é mesmo um eterno cuspir pra cima e cair na testa; eu estava toda confiante, querendo fazer o mínimo de ultrassons, e agora tô aqui, indo fazer um toda ansiosa”.

Parece que demorou três anos até chamarem meu nome. Minha mão já suava, fria. Quando finalmente fui chamada, o Cleber entrou comigo, mas não ficou do meu lado, pela posição do aparelho e de onde estava a médica. E aí aconteceu o que, na minha visão, foi o mais duro de tudo. A médica colocou a imagem na tela e eu logo falei: “você tá vendo alguma coisa?”, e ela balançou a cabeça dizendo que não. Acho que posso afirmar que uma cratera se abriu no meu peito naquele instante. E eu perguntei aquilo porque, quando olhei a imagem, não foi o meu bebê que eu vi. Não era a minha Bolota ali, em preto e branco. Eu sabia que ela já tinha ido embora. A médica tirou o aparelho e colocou na minha barriga de novo, e eu realmente não conseguia identificar – literalmente – o que a imagem mostrava. Eu devo ter falado mais alguma coisa, mas era mais silêncio que tinha na sala. Eu ainda não chorava. Chamei pelo Cleber, precisava ouvir sua voz. Chegou um outro médico – devia ser especialista, não sei, e conversaram alguns minutos, e ele confirmou, em termos técnicos que não me lembro, o que tinha acontecido.
Acho que foi nesse momento que ela disse, com uma voz baixa e bem suave: “olha, o seu bebê parou de se desenvolver”. Hoje eu agradeço pelo jeito que ela disse, foi super delicada mesmo. Me mostrou o que ela e o médico disseram, que a cabecinha estava bem maior do que as perninhas, tanto que chamava até atenção. Por isso eu não conseguia identificar nada. Não tinha movimentos, não tinha barulho, não tinha batimentos cardíacos. Nada. Ainda perguntei se eu havia feito alguma coisa errada, e ela me me disse que não, que muito provavelmente era uma falha genética mesmo, e que a natureza é sábia. Não sei mais o que falamos. Aí eu perguntei “e agora?”, e ela disse pra eu ir no hospital. “Agora?”, “é, acabar logo com isso, né?”, foi o que ela me disse. Ainda me ajudou a levantar e aí eu desabei. Ainda sentada, chorei, muito. O Cleber veio me abraçar – o primeiro de muitos nesses dias. Deixaram que ficássemos ali uns minutos. Meu coração ardia de dor. Coloquei os óculos escuros mesmo a sala estando na penumbra e ainda consegui dizer que daria tudo certo.

Sentamos pra esperar o resultado, e eu chorava mais. Grudei no Cleber e só chorava. Depois eu soube que ele esteve à beira das lágrimas também, mas segurou firme, por mim. Preciso me lembrar de me casar com esse homem de novo. Ele dizia que me amava, que estava comigo, que não tinha sido minha culpa, que iria cuidar de mim sempre, que o tempo de Deus é o certo. Eu me lembro de agradecer todas essas palavras, balançar a cabeça que sim, eu acreditava nele, tentar afirmar que tinha que ser assim e falar que o nosso bebê tinha ido morar no céu.
O laudo chegou e eu não sabia o que fazer. O Cleber tentou ligar pro meu pai, desligado. Liguei pra minha mãe, chorando: “mãe, não tem mais bebê”, e ela ficou totalmente abalada – devo ter explicado mais ou menos o que houve, e ela disse que ia dar um jeito de achar meu pai, mas não precisou, porque nesse instante o Cleber conseguiu falar com ele, e ele disse que estava indo nos buscar.
Lembrei que não tinha plano de saúde e que não queria me internar em qualquer hospital. Falei que eu não tinha nem médico, e me lembrei que tinha, sim, a Betina. Fui sendo invadida por uma certeza de que eu precisava fazer alguma coisa, agir. Mas ainda chorava. O Cleber ligou pra Betina e conseguiu um encaixe pra mesma tarde – ela disse que tinha que me ver antes de falar o que era pra ser feito. Mandei uma mensagem pra Isa, ela me ligou, disse que iria onde eu estivesse, que ficaria comigo caso eu precisasse passar por um trabalho de parto no hospital, ou qualquer coisa assim. Minha mãe ligou de novo, eu contei que ia na Betina e ela disse que ia dar um jeito de chegar lá também. O Cleber avisou no trabalho que não iria mais e, quando disse o motivo, o chefe deu o dia seguinte de folga também. A gente ainda estava no laboratório, era por volta de 13: 30 da tarde. Eu olhava a rua, enxergava todo mundo em câmera lenta. Abraçava o Cleber, chorava mais. Eu não sabia o que ia acontecer. Eu não sentia fome. Eu tinha medo.

Aos poucos o choro cessou e fui ficando anestesiada. Eu só esperava o próximo passo – que naquele momento era esperar a chegada do meu pai. Ele chegou e decidimos que iríamos buscar minha mãe no trabalho, e depois ir direto pro consultório da médica. Quando finalmente chegamos, meu pai ficou no carro e subimos nós três pra consulta. A Betina viu o ultrassom, mas aí eu disparei a contar o dia e ela só leu a parte que o desenvolvimento do feto estava muito abaixo do normal, não leu tudo porque parou pra me ouvir. Ela achou que ainda tinha chances. Mas aí mostramos as últimas frases e ela entendeu. Pediu muitas desculpas pelo mal entendido. E disse que eu podia esperar, que meu corpo ia agir. Eu ainda estava na vibe do “tenho que agir agora” e pensei mesmo que teria que ir direto pro hospital, meio que me preparei pra isso. Minha mãe fez mil perguntas. A Betina disse que eu poderia escolher, que se eu esperasse meu corpo agiria, sim, mas que se fosse emocionalmente muito pesado pra mim, eu podia ir pro hospital induzir, e ainda disse que eu entraria em trabalho de parto, que ia doer bastante e que ia ficar sangrando mais que uma menstruação. Minha mãe perguntou o que ela achava melhor. E eu disse: “ela acha melhor esperar. Né?” “É, na minha opinião é melhor esperar”. Foi aí que me lembrei. Eu prezo pelo natural. Pelo fisiológico, pelo tempo da natureza. E foi por isso que eu havia escolhido aquela médica. Eu perguntei do chá de canela, ela confirmou que era bom, e que o de gengibre também. Disse que a decisão era minha, mas que eu podia pensar mais um pouco, em casa. Que se acontecesse em casa, talvez eu nem precisasse de hospital depois, mas que se sangrasse demais, eu tinha que ir. O meu medo era ter que olhar pro que ia sair de dentro de mim, essa é a verdade. Eu não fazia a mínima ideia de como seria. Eu não estava preparada.

Chegamos em casa, e aqui eu não sei mais o que escrever. Não me lembro. Lembro que eu não chorava, que sentia uma tristeza imensa. Não queria conversar sobre isso. Sentia umas cólicas leves. Devo ter comido alguma coisa, não faço ideia de quê. Só me lembro que eu estava sentada no sofá, o Cleber do meu lado, a tevê ligada.

(continua…)

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Arquivado em apoio, assunto delicado, Casa Angela, chorar, consulta, corpo, dor, escolhas, luto, o fim, perda, relato, ultrassom, um dia de cada vez

O meu agradecimento

Gente, como eu faço para agradecer o carinho imenso que recebi de vocês, sem ser repetitiva?
Ainda não sei a resposta, então vai do jeito tradicional mesmo: MUITO OBRIGADO pela força. Vocês são incríveis, fui muito feliz quando resolvi criar esse blog, porque o vínculo fica verdadeiro mesmo, e nesses momentos difíceis tudo que  agente precisa é de apoio.

Ainda está difícil, mas já não está impossível.
O nome desse blog, mais do que nunca, faz todo sentido. Porque o “só até amanhã de manhã ” é uma variação de “um dia de cada vez”. É assim que estamos, vivendo um dia de cada vez. Um passinho na frente do outro, sem pressa, sem projetar nada no futuro, porque ainda é muito cedo. Porque ainda existe um medo do futuro, mas não estou focando nisso agora.
Hoje voltamos à rotina normal. A notícia chegou na quinta, o fato se consumou na madrugada de sexta (sim, no dia do meu aniversário) e nesses dois dias (mais o final de semana) não fiquei sozinha nem um minuto sequer. Hoje todos voltaram a trabalhar, inclusive o Cleber, então estou sozinha em casa.
E até que estou reagindo bem. Ainda não chorei (hoje, quero dizer) e estou fazendo repouso total.
Aliás, da parte fisiológica, está tudo caminhando também. Estou sangrando ainda, obviamente, mas dentro do esperado. Não fiz curetagem, nem fui ao hospital.

Estou sentindo vontade de escrever como tudo se deu, como meu corpo trabalhou. Mas não sei se é legal tantos detalhes, pelas recém-gestantes que me leem, mas realmente sinto que preciso disso. Então, se eu escrever, coloco um aviso no começo pra quem não se sentir à vontade de ler, não se preocupem.
Estou me apegando muito na minha fé. Rezei muito pelo bebê (não, não é mais bolota, não vou mais usar o nome, nem consigo falar mais), e também para entender o porquê disso tudo.
Tenho muita coisa pra desabafar, pra elaborar, mas vou escrevendo aos poucos.

No sábado, a minha doula veio me ver, me doular. Foi muito importante pra mim. Depois ela escreveu uma mensagem na página dela. E eu compartilhei na minha time line com mais algumas palavras. Como não quero perder as palavras dela, vou copiar aqui, pra ficar guardadinho.

“Hoje doulei… doulei uma perda. 
Hoje acalantei uma mãe e QUE MÃE. Apesar de não ter concretizado nas mãos sua maternidade, é MÃE e dessa maternagem, mesmo que breve, nasce uma mulher ao quadrado, uma fortaleza que me encanta, que me mostra que não viemos aqui só a passeio, mostra que nesse tabuleiro vc pode andar uma casa ou pode andar várias e nesse caso, a perdi de vista! meu eterno amor!”


e aqui em baixo o que eu escrevi pra ela e pra todo mundo que me mandou força, que fica como agradecimento à vocês também.

Desde quinta-feira, tenho repetido muito a frase “eu não sei de onde vem a força, só sei que ela tá chegando em mim”. Mas a verdade é que eu estava anestesiada demais para me dar conta. Além da força que veio de dentro de mim mesma, da força dos meus anjos me protegendo, também recebi muita força de todas as pessoas queridas da minha vida. Cada palavra de carinho que recebi aqui, nos meus dois blogs e nos meus e-mails me pegavam no colo. Cada abraço e cada palavra do meu marido, que está sendo espetacular, e cada gesto de amor da família e dos amigos, também não me deixaram cair. À todos e a cada um de vocês que estão me amparando, muito obrigado!

Pra quem não sabe, DOULA é a mulher que dá suporte emocional e psicológico às mães (e pais) durante a gestação e principalmente na hora do parto. Vários estudos comprovam os benefícios de sua presença, mas eu não preciso de nenhum pra saber da sua importância. Eu busquei a minha com menos de 8 semanas de gestação (o que é considerado bem cedo), e não me arrependo nem um minuto sequer disso. Ela foi fundamental no meu empoderamento nesse curto, porém intenso, caminho que percorri até aqui. Ela esteve comigo em cada momento que precisei. E ontem ainda veio aqui em casa, almoçar e passar um tempo comigo. Ela veio me doular. É um apoio que não tem preço. (E esse link que compartilhei são as palavras dela à respeito de ontem).

Isadora Canto, aprendi muito com você. As coisas que conversávamos nos nossos encontros foi fundamental para que eu não fraquejasse, mesmo quando achei que já estivesse em pedaços. Obrigado por tudo, por cada sorriso, por cada esclarecimento, por cada abraço e por essas palavras lindas sobre mim. Muito obrigado! ♥

imagem que a Isa Canto postou na mensagem.

Obrigado, mais uma vez, por todo carinho.
Sigamos um dia de cada vez, sempre. E que eu saiba ter discernimento para lidar com tudo isso.
Amém.

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