Arquivo da categoria: ativismo

TODOS CONTRA A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA – #VOBR2014

Lá em 2012, quando eu sofri um péssimo atendimento hospitalar, por conta da minha sensibilidade a procedimentos invasivos, saí de lá querendo algo completamente diferente pro meu parto. Veja bem, eu nem estava grávida na época, nem sequer nas tentativas. Mas eu queria. A maternidade sempre foi um sonho forte pra mim e eu não queria sofrer no momento do parto. Cheguei em casa e comecei a procurar por alguma luz no fim do túnel (que não fosse o trem, rs). E o que eu encontrei não foi um feixe ou uma pontinha, foi todo um caminho e um lugar lindo e iluminado chamado movimento de humanização do parto e nascimento.

Eu ainda não sabia que o que eu mais temia tinha nome e sobrenome: violência obstétrica.
Eu não tinha medo do parto, e sim da violência em si que muitas vezes ocorre nesse momento.

Minhas pesquisas me levaram a vários textos e informações, um ia levando a outro e depois outro, em blogs e sites diferentes. Conheci o Gama e o Cientista que virou mãe assim. Alguns meses depois foi lançado o documentário “Violência Obstétrica –  a voz das brasileiras”. Confesso que não tive coragem de assistir logo de cara, mas quando o fiz me lembro de me emocionar muito com os depoimentos, mexeu mesmo comigo; e me deixou ainda mais convicta de que eu precisava me cercar de profissionais realmente bons para não passar por aquilo. Inclusive, foi esse documentário que mostrei ao meu marido para mostrar como era a realidade do nosso sistema obstétrico e confirmarmos juntos que o que eu mais temia era vivido todos os dias por várias outras mulheres, e que não era normal. Descobri que 1 a cada 4 mulheres sofrem algum tipo de violência na hora do parto – e esse número pode ser ainda maior, porque muitas delas nem veem como violência o que viveram.

Aliás, se tem uma coisa que me choca e me entristece é a normatização da violência. Achar que é normal, que é fraqueza de quem quer diferente, que é assim que as coisas são e não podemos mudar, isso me deixa mal. Não. Sorinho na veia de rotina não é normal. Episiotomia não é aceitável. Ficar sem acompanhante, em posições restritas, em jejum, não é tolerável.

À propósito, vamos esclarecer, se alguém tem dúvida, com um trecho dessa excelente matéria sobre o assunto, que vale a leitura na íntegra: “O conceito internacional de violência obstétrica define qualquer ato ou intervenção direcionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera (que deu à luz recentemente), ou ao seu bebê, praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher e/ou em desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências.”

Por isso é importante divulgar. Fazer as boas informações circularem e chegarem ao maior número de pessoas possível. Para que se saiba é precisamos ser respeitadas, e que querer e lutar por isso é válido, sim, e muito.

Felizmente, tive acesso à boas fontes bem antes de engravidar e pude me preparar e ter ao meu lado profissionais atualizados e que trabalham de acordo com as melhores evidências científicas. Meu parto foi natural, na água, lindo e transformador. Hoje mesmo eu estava falando pra Agnes o quanto esse momento foi especial e que foi muito importante ter ao nosso lado, nos assistindo, pessoas que confiam na fisiologia do parto e no corpo da mulher e que esperaram o nosso tempo. Ela olhava pra mim e sorria. Sim, filha, vamos contar pra todo mundo o quanto isso é importante, para que cada vez mais pessoas tenham a oportunidade de ter essa experiência forte e verdadeira que foi o jeito que a gente nasceu.

Eu converso com quem quiser sobre isso e sempre gosto de estar por dentro do tema. É um assunto muito importante. Sendo assim, fiquei felicíssima quando soube que no dia 23/09, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tornou pública, em português, uma declaração oficial para a PREVENÇÃO E ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE de todo o mundo!Trata-se, portanto, de uma grande novidade que representa um dos mais importantes instrumentos que o movimento contra a Violência Obstétrica dispõe atualmente. Ele é específico e exclusivo, e está disponível para download, no site da OMS. Do original em inglês, o documento foi traduzido e publicado em apenas cinco línguas, incluindo o português. O que sugere que o Brasil ocupa uma posição estratégica para o fortalecimento dos debates institucionais sobre os abusos, desrespeitos e maus-tratos que as mulheres sofrem durante a assistência ao parto.

É um marco, uma conquista que deve ser comemorada, divulgada – e cobrada para que seja colocada em prática pelas instituições, claro.
Se você também quiser compartilhar essa informação, para que mais gente tenha acesso a ela, seja em blogs ou redes sociais, se joga no facebook, instragram, twitter, camisetas, hinos e cartazes pelo mundo afora, rs.
Vou deixar aqui, mais uma vez, os links.
Do site da OMS: http://www.who.int/reproductivehealth/topics/maternal_perinatal/statement-childbirth/en/
Do documento, em português: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf
Use a Hashtag #VOBR2014 em sua postagem para que possam monitorar os resultados e vambora mudar o mundo, minha gente, que tem um bocado de bebê lindo pra nascer com respeito vindo por aí.

1 comentário

Arquivado em ativismo

Dois dedinhos de prosa

Oi, gente linda! Dei uma sumidinha, né? As coisas estão meio agitadas do lado de cá. Mas resolvi passar aqui hoje para, como diria minha mãe, colocar a fofoca em dia, rs.

E como não começar parabenizando a Carol pelo nascimento do Thomas? Já faz uma semana, mas nunca é tarde para dar os parabéns. Ele é uma delicinha de bebê e chegou nesse mundão através de um parto natural, que a mami-Carol já contou aqui, e foi como deve ser: com muito respeito e rodeado de amor. Me emocionei de verdade, Carol! Parabéns pelo filhote lindo e bochechudo, rs ❤ (e eu também quero minhas fotos de parto com a Carla, ela arrasa, né?! 🙂 )

E por falar em respeito ao parto…
Ontem foi dia de Projeta Brasil, o dia em que a rede Cinemark passa só filmes nacionais a 3,00. E qual era um dos filmes escolhidos esse ano? Sim, senhoras e senhores, ele, o lindo, o emocionante, o inigualável, tudo de bom… O Renascimento do Parto!!! \o/
Ele já tinha saído de cartaz aqui em Sampa há um tempinho. Eu queria muito ter levado minha mãe e uma amiga minha para ver, mas logo depois da estreia teve a minha perda, repouso e, depois, minha mãe falava que não estava em nenhuma vibe de ver filme parto (acho que nem eu, na verdade). Acabamos não indo. Agora, quando vi que ele foi selecionado, corri para contar pras duas e já deixar marcado.

E pois bem, dia 11/11 chegou e lá fomos nós! Um calor do inferno nessa cidade e a gente andando no deserto do saara debaixo do sol rachando até chegar ao shopping, mas tudo por uma boa causa, né? E nada que um bom sorvete não tenha apaziguado depois 😛
Já comprei logo um saco de pipoca bem grande, porque eu sabia que seria necessário (pra ter o que fazer quando passasse as cenas de cesária e as de violência obstétrica – olhar compenetradamente para o saco de pipoca e tentar colocar o maior número delas na boca de uma vez, hahaha).
Foi uma delícia assistir de novo. Sentei no meio das duas, para acompanhar as reações, rs. Minha amiga ficou calada o filme todo (quer dizer, no início ela tentou me perguntar uma coisa, mas deixamos para esclarecer as dúvidas no final), bem concentrada. Já minha mãe, ficou horrorizada principalmente com as cenas do tratamento que os recém-nascidos recebem ali na sala de parto, ficava dizendo “que horror! eles são muito brutos! isso é um absurdo!”. Ela ficou bem indignada mesmo. Eu também sinto vontade de chorar quando vejo, confesso. Mas dessa vez o que me emocionou mesmo foram as cenas felizes dos partos respeitosos. Gente, como é lindo ver um bebê nascendo e sendo recebido com amor, com respeito, com carinho, como deve ser sempre. Mexeu muito comigo essa parte (mais uma vez) e faltou uma gotinha pra eu me desabar a chorar. E o mais gostoso foi, no fim do filme, ouvir minha mãe dizer: “ah não! mais do que nunca a gente vai lutar pelo seu parto, vai ser lindo!”, “eu estava pensando, acho que você deveria ter o parto na água. é lindo e bem menos traumático pro bebê. acho mesmo que deveria ser na água!”, entre outras coisas.
O caminho todo da volta foi animadíssimo, regado a muita conversa e esclarecimento de algumas dúvidas. Não tem como negar, o filme é forte, mexe com a gente meeesmo e você sai do cinema toda ocitocinada, com vontade de mudar o mundo, de fazer alguma coisa… e de parir logo! haha. Elas me agradeceram por eu ter insistido em levá-las e adoraram a produção. E quando sair em dvd, certamente vou comprar também. Como bem disse minha mami: quando sair o dvd eu quero, vamos mostrar pra todo mundo, fazer um trabalho mesmo com as pessoas. Linda, sim ou com certeza? 😀

Mudando totalmente de assunto…
esses dias eu andei pesquisando (ainda mais) um pouco sobre as fraldas de pano modernas. Lindas, econômicas, ecológicas, fáceis de usar, tudo de bom! Sério, eu acho a coisa mais fofa do mundo, rs! Já decidi que usarei no meu futuro baby, sim, com toda certeza, e daqui a pouco já quero começar o estoque, porque não quero fralda descartável (acho que no comecinho devo usar as wiona, que são biodegradáveis e meio carinhas, mas um pacote ou dois eu compro, pra suprir os primeiros dias de cansaço, e depois partimos pras de pano mesmo). Na verdade, até pensei em revender algumas, porque eu estava pensando que seria muito bom trabalhar com alguma coisa referente a maternidade. Mas ainda não sei, foi só uma vaga ideia que passou aqui pela caixola, nada mais.

E é isso, chega de falar porque senão isso aqui fica gigante, haha. Tudo bem com vocês? Estou ausente aqui no blog, mas passo diariamente no cantinho de todo mundo e costumo dar às caras com maior frequência lá na página do face. Se precisarem de algo, estou por aqui 🙂

Voltarei em breve (mas não sei quando, rs) com mais trololó.
Beijo, todo mundo!

7 Comentários

Arquivado em ativismo, conversando, empoderamento, filme, renascimento do parto

Marcha Pela Humanização do Parto

Eu queria ter vindo antes, mas o fim de semana foi de zero tempo livre. Então, vamos hoje mesmo, que antes tarde do que mais tarde, não é? rs

Sábado, 19/10, aconteceu em mais de 30 cidades do Brasil a Marcha Pela Humanização do Parto.
O objetivo é chamar a atenção para questões como o crescimento da violência obstetrícia e o número de cesarianas no país. E também em apoio aos profissionais que oferecem assistência humanizada e respeitosa às famílias – obstetras, doulas, enfermeiras obstetras – baseados em evidências científicas, e que sofrem com perseguições das instituições de saúde – que estão mais interessados em conveniências e cifrões, como bem sabemos.

Aqui em São Paulo a Marcha foi na Avenida Paulista, às 10:00, e reuniu 300 pessoas. Eu (e marido) estive presente, muito feliz, aliás, porque foi a primeira vez que participei de uma marcha. Que bom que foi pela causa que eu tanto defendo e acredito.
Nos reunimos em frente ao prédio da Gazeta e marchamos até o Tribunal de Justiça, bem pertinho, mas foi muito gostoso. Estar ali com tantas pessoas que acreditam e lutam pelo mesmo ideal, andando juntas e dando voz a sentimentos, desejos e pedidos. Gestantes, famílias inteiras, bebezinhos. Muito slings, barrigas pintadas, cartazes, camisetas e um céu azul lindo. 
Quando chegamos ao prédio do Tribunal, a obstetriz Ana Cristina Duarte leu o documento – com mais de 300 assinaturas – que pedia o julgamento da ação sobre o número exorbitante de cesarianas realizadas.

Foi lindo. Um passo ao lado, juntos, e não estaremos mais no mesmo lugar. Já demos muitos passos para mudar o que tem que ser mudado. E isso é só o começo.




  

marchando feliz. 

Arquivo pessoal. Clicks por: Cleber Silva, meu marido lindo e companheiro de aventuras.

10 Comentários

Arquivado em apoio, atitudes, ativismo, marcha pelo parto humanizado