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Sobre o último ano


No dia 09 de agosto foi meu aniversário. 25 anos desde que minha mãe me pariu. 
1 ano que eu renasci. 
Foi no dia 09 do ano passado que a bolota, meu bebê-luz, saiu da minha barriga e foi morar no meu coração. Perto da hora em que eu nasci, ela se foi. Um renascimento e tanto. Naquele dia cinza eu fiquei o dia todo em casa, eu chorei, eu quis esquecer. No dia anterior, quando me deram a notícia, eu pensei que demoraria muito tempo até que eu estivesse pronta para gerar novamente. Eu também estava cinza, e não conseguia enxergar além. A partir dali, eu fiz a única coisa que eu poderia fazer: vivi um dia de cada vez. Pra mim, que sempre estava pensando na próxima meta, foi um super aprendizado. Foi um passo de cada vez, porque era até onde eu conseguia ver. Vivi meu luto, senti meu corpo me mostrando que a natureza é perfeita, escrevi minhas descobertas – ela me ensinou tanta coisa em 4 meses. Chorei. 
Aos poucos, alguma cor foi surgindo. Voltei a sair, sorrir. Viajei, conheci pessoas e lugares que ganharam um significado muito especial pra mim. 
Não quis mais bloquear uma certeza que nasceu no meu coração. Parecia loucura na época, mas era a única coisa a ser feita: eu sentia. 
E logo em seguida, a notícia – para mim, a confirmação: um novo agora estava surgindo, nova vida se anunciava aqui dentro.
Uma alegria. Um receio. Eu não queria projetar medos antigos no agora, mas foram inevitáveis alguns pensamentos. Mandei embora e me voltei pra mim. Me concentrei no aqui e, novamente, fui com calma. Me cerquei de boas pessoas, mas na maior parte do tempo quis ficar comigo mesma. Muita coisa estava acontecendo, eu precisava viver aquilo. Foram semanas de muita autoterapia e cuidados. E claro, muita, muita alegria também. 
No fim, eu estava entregue ao que viria, conectada com a minha filha e numa sintonia única com o meu parceiro. Construímos a base da nossa família ali, no final da gravidez. Não que o que tenha acontecido antes não tenha sido válido, mas aqueles dias foram de suma importância. 
Aliás, olhando agora, posso constatar o quanto crescemos juntos nesse ano. 
E como que para coroar esse crescimento, para fechar um ciclo e iniciar outro, no dia 15 de julho, às 4:30 da manhã, a Agnes chegou. Faltando menos de 1 mês pro primeiro ano do meu renascimento. Praticamente na mesma hora da irmã, ela nasceu. Quando ela veio pros meus braços, ali na água, eu perguntei que horas eram, e na hora me lembrei da bolota. Eu falei “nossa, 4:30 é um horário forte pra mim”. Eu não sei exatamente os minutos em que ela se foi, mas foi dentro das 4. E ali, com a Agnes se acalmando com a minha voz, com o amor transbordando naquele quarto, eu disse em pensamento: obrigada, minha fonte de luz, por esse momento. Obrigada por ter vindo e por permitir que a sua irmã viesse. 

Naquele 09 de agosto de 2013, se alguém me dissesse o que eu estaria vivendo hoje, eu não acreditaria. Ia achar que era até impossível. Eu não conseguia enxergar tão adiante assim, e ali, na minha frente, tudo ainda era muito nublado. Hoje eu sei. Sei que tudo acontece exatamente na hora em que tem que acontecer. Não há controle, por mais que achemos que temos algum. Hoje eu sei, pelo menos em partes, o porquê da bolota ter vindo tão rápido. E daqui do ponto onde estou agora, não há como existir tristeza. Só entendimento e aceitação. Ela veio, também, preparar o ninho para a pequena moça que dorme aqui ao meu lado nesse instante. Não seria a Agnes aqui comigo, nos arrebatando de encantamento e paixão a cada minuto da vidinha dela, se não tivesse tido alguém antes.

1 ano que eu renasci.
Obrigada, filha, por ter vindo, por trazer o meu renascimento e por permanecer aqui dentro.
Obrigada, Agnes, por ter chegado exatamente agora no meu primeiro ano de vida. Me dê sua mão. Você veio para me ensinar a caminhar. 

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Meu segundo dia das mães

Era pra eu ter vindo postar ontem, mas ontem nem o computador eu liguei, acompanhei pouca coisa pelo celular e só. Tive uma semana intensa – de pensamentos, reflexões, revisões e decisões – e tudo que eu queria era ficar na minha, curtindo minha barriga e meu marido, ficando na paz.

Ontem acordei com um abraço gostoso do Cleber, me desejando um feliz dia das mães. Foi uma delícia, como se ele estivesse falando também pela Agnes – e acredito que tenha sido também, porque a sintonia deles é bem bonita de ver. Do lado de dentro, ela dava seus chutinhos, soquinhos e remexidinhas, me lembrando que a vida está acontecendo dentro de mim há meses, ficando cada vez maior e que daqui a pouco passaremos para um outro estágio: a prática, a vivência.

Por enquanto, a experiência que tenho é outra. A teoria.
Esse é o segundo ano consecutivo em que estou grávida no dia das mães. Ano passado eu estava com poucas semanas, nem barriga tinha, era tudo muito teórico mesmo. Naquela época, obviamente, eu pensava que esse ano estaria com a bolota aqui do lado de fora da pancinha. Mas as coisas mudaram de rumo e, ao invés de vir aqui pra fora, ela foi ainda mais pra dentro de mim, num nível diferente. Com ela eu aprendi que o tempo é um senhor de barba branca que gosta de nos pregar umas peças, mas que sempre ajeita tudo também. Que não temos controle algum sobre a vida, nem ao que nos acontece. Isso é assustador, sim, mas facilita quando a gente aceita essa verdade de coração aberto. Com ela eu aprendi que eu não preciso ver o amor pra saber o seu tamanho. Que o meu corpo funciona maravilhosamente bem – ainda mais quando eu deixo as coisas fluírem de acordo com o meu instinto e a minha natureza. Me ensinou a me ouvir ainda mais. Me mostrou o quanto eu e o Cleber podemos nos unir. E o quanto a minha família faz por mim também. Me ensinou a chorar e tomar decisões importantes ao mesmo tempo. A respeitar o tempo da natureza. Ela me ensinou a ressignificar a dor, o sofrimento, a saudade. E eu fiz o meu possível para retribuir tudo que ela foi e fez pra mim.
Não foi nenhum ensinamento fácil de viver, mas hoje eles já estão em mim, mesmo quando a pressa da rotina me faz esquecê-los, ou não colocá-los em prática.

Hoje eu sei que ela veio me preparar.

Porque com a sincronia e a sapequice que só os irmãos tem entre si (ainda mais quando querem “pregar peças” nas mães, rs), dois meses depois de todo acontecido, a pequena Agnes chegou. Chegou chegando, aliás, que desde o início eu soube que ela estava aqui. São gestações absurdamente diferentes. São pessoas diferentes. Ela está se revelando aos poucos, no seu tempo. E ao mesmo tempo em que temos uma forte ligação, sei que ainda temos muito a construir juntas. Aqui fora.

                           
Ganhei flores do meu pai ❤

Nesse segundo dia das mães, junto da Agnes, já tenho na bagagem o frio na barriga da espera pelos ultrassons. A força adquirida diante de um exame de sangue. A encarar minha própria sombra, pra tentar ser uma pessoa melhor; por mim, por ela. A pensar e repensar mil vezes uma decisão, só porque ela também está envolvida, e eu não quero nada menos do que o melhor pra ela. Já tenho a felicidade sem tamanho de ver a barriga crescer, crescer… até que todo mundo saiba de longe que tá chegando uma grávida, rs. De sentir o amor crescer na mesma – ou até em maior – proporção. E de sentir a vida nadando e se comunicando comigo através de movimentos – vezes sutis, vezes totalmente descarados. A capacidade de conversar com a barriga e saber que está sendo entendida. A fazer malabarismo com as contas pra caber tudo que falta. E ao mesmo tempo achar que não falta nada, só que ela esteja aqui logo. Ficar com um sorriso bobo por ver seu corpinho perfeito no ultrassom 3D – e comemorar a existência de dois rins, bexiga e estômago funcionando lindamente, quarto câmaras no coração, face fechada sem fissuras. Mas também se derreter com uma boquinha perfeita, igual a do pai. Já tenho a satisfação de imaginar um corpinho pequeno dentro de cada roupinha que eu comprei pensando nela. E adorar fazer suas coisinhas com minhas próprias mãos. Também trouxe a tona um Cleber ainda mais especial, de um jeito que ainda não tinha rolado, apenas porque é o jeito do pai dela. E estou encantada por imaginar nós 3 como família, vivendo a vida real, daqui uns meses. Não vejo a hora. Mas ainda a quero aqui dentro mais um pouquinho, rs.

                           
E também ganhei uma foto da minha pequena Agnes. Absolutamente apaixonada, apenas ❤

É tanta coisa pra falar. É tanta coisa que tenho sentido.
O terceiro trimestre chegou e já estou me sentindo em clima de reta final. Ainda falta tempo, eu sei.  O restante de maio e junho inteiro. Boa parte de julho, ninguém sabe quanto. Não estou sentindo que cheguei ao fim, com um ar nostálgico. Estou sentindo que entrei agora na última etapa, rumo a uma vida nova.
Uma nova etapa com ainda mais experiências para compartilhar. Vivências. Prática. O que eu acho que estou esperando e o que eu nunca poderia imaginar que fosse acontecer. Ainda mais amor na bagagem. Carregando as duas filhas ao mesmo tempo. Uma no colo, outra no coração. Porque eu sou mãe – e sempre vou querê-las perto de mim.

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Pra gente se desprender

Eu preciso escrever um post sobre o livro O Poder do Discurso Materno, da Laura Gutman, me lembrem. Mas antes vou falar de outra coisa. Que é pra deixar registrado e seguir adiante, do jeito que tem que ser.

Logo que eu me descobri grávida, senti muita vontade de não contar pra ninguém, como disse aqui. Não era exatamente um casulo, vontade de ficar isolada. Só de me manter em silêncio sobre isso, guardar esse segredo pra mim. Como se eu sentisse que o bebê precisasse desse tempo sem muitas energias voltadas pra ele. Mas, aos poucos, comecei a perceber que eu também estava com medo (o que não anula o outro sentimento que acabei de comentar, eles coexistiam, apenas). Medo de dar errado. Medo de me jogar e quebrar a cabeça no asfalto. Medo de me entregar. Eu estava curtindo os sintomas e as mudanças todas, mas ainda não era uma coisa total, confesso. Os enjoos iam se intensificando – porque sim, muitas vezes o enjoo tem fundo emocional. Foi o jeito do meu corpo me dizer que estava sendo diferente dessa vez (pelo menos agora no começo, eu ainda não ouso dizer que vai ser tudo lindo), que estava tudo bem lá dentro. Coincidentemente, depois da minha consulta com a Cátia, os enjoos diminuíram 90%, acho que agora é só sintoma normal mesmo, rs.

Mas enfim. Como comentei no post sobre as primeiras semanas, estava meio chorona. Daí comecei a achar que tanto choro só podia ser por isso também, mais uma face do medo. Nem era tanto, eu realmente estou mais sensível, mas normal, eu choro fácil mesmo. Mas enfim, coloquei na cabeça que estava demais, me incomodei. Como eu sempre disse: não queria transferir para esta gestação os receios da outra.

Certo dia, no banho, minha ficha caiu. Eu ainda pensava constantemente na bolota. (Aliás, lembram desse post? Eu já sabia que estava grávida nesse dia). Eu ainda me prendia a ela. E sabe o que eu fiz? Comecei a conversar com ela (acho que nunca contei aqui com todas as letras, mas apesar de não termos ficado sabendo o sexo do bebê, tínhamos uma clara sensação de ser uma menina). Falei que a amo muito, e sempre vai ser assim. Que o lugar que ela ocupa em mim, aqui dentro do peito, não vai ser de mais ninguém, é um quarto na casa só dela. Que eu estava com um pouquinho de medo, mas que eu precisava me libertar para viver essa nova etapa da minha vida – e ela a dela, seja lá onde estiver. Que ela podia ir, porque eu também estava indo. Era a hora. E que não ficasse com medo também, pois daria tudo certo. Seremos sempre uma da outra, mas agora de uma forma diferente, como diz a música num outro nível de vínculo. E tudo bem ser diferente. Que tinha uma outra vida dentro de mim, e que eu amo as duas, mas que eu precisava me dedicar um pouquinho à essa, agora. Essa vida que está crescendo aqui, irmx dela, precisa do meu amor tanto quanto ela precisou, até falei que não precisava de ciúmes, rs – e é bem estranho, mas eu sinto que são pessoas completamente diferentes, ou seja, são amores diferentes, exclusivos.
Conversei, expliquei, chorei. E aos poucos foi mesmo passando. Como se eu tivesse nos libertado do que quer que estivesse nos prendendo uma à outra. Ficou o amor, mas se foi uma espécie de peso que ainda existia.

E aí segui em frente. Acho que já faz uns 15 ou 20 dias, mais ou menos.
Ainda um dia de cada vez, mas realmente o que eu sentia antes, no comecinho, não sinto mais.

E ontem, escutando o novo disco do Jeneci, prestei atenção na letra de uma música. Eu estava pensando em outra coisa, então a princípio nem me liguei com nada. Mas a música me pegou, a melodia é divina. Ouvi de novo. E comecei a chorar. É muito o que aconteceu e que eu acabei de contar aqui. Então resolvi escrever esse post, pra registrar tudo, deixar a letra e a música pra vocês também e dizer, de novo, que a gente se desprendeu (Pra gente se desprender, é o nome da música). Acho que foi quando eu percebi que realmente tinha acontecido. Já ouvi a música de novo, mas não me fez mal, foi só um insight daquele momento. Quem tiver um tempinho, ouça a linda voz da Laura Lavieri cantando, faz diferença. Mas vou deixar a letra também.

Eu sinto o tempo pairando em outro tempo
Correndo bem lento nas asas de um beija-flor
Que espera a flor acordar enquanto o dia não vem
Geleiras vão desabar mudando a cor do mar
Imenso que leva abraços e esperas
Minutos são eras a cada passo pro fim
Se o universo girar pra gente se desprender
Te encontro em outro lugar em paz
Ou não ou nunca mais

Agora é hora da gente se esquecer
Que o tempo e o vento não vão parar de bater
E a cada ponto final a história vai repetir
A gente é mais que um plural e a vida é muito mais
Que a gente espera temendo a toda queda
Deixa a geleira cair e o beija-flor descansar
Um novo agora virá
Escute o som do mar

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sintoma de saudade

Ontem eu chorei.
Não sei, deu uma saudade danada da bolota.
É tão estranho isso.
Ela morou aqui dentro, mas não chegamos a nos ver.
Foi tão pouco tempo.
“O necessário”, posso pensar. Mesmo assim, pouco.
Ela fez parte de mim, mas nem deu tempo de ensinar nada a ela.
Só de aprender.
Ela foi tão real.
Não foram muitas lágrimas, mas caíram e doeu.
Eu sofri muito quando aconteceu.
Depois, mesmo poucos dias após, eu não chorava mais com tanta frequência.
Me concentrei em entender e ressignificar tudo.
Que foi a forma que encontrei de não cair num buraco sem fundo.
Quando chorava, sempre passava logo.
Eu contava a história sem lágrimas ameaçando cair.
Só um ar meio triste mesmo.
Mas contei tantas vezes que já estava meio automático aquela sequência de fatos.
Cheguei a pensar que eu estava insensível demais.
Mas só eu sei o tamanho da tristeza que mora aqui dentro.
Não preciso sair anunciando aos quatro cantos do planeta.
Essa é que é a verdade.
Aí ontem eu relembrei de novo.
E quando vi já estava chorando.
Marido disse que tudo bem sentir isso, que não é errado.
São só o seus sentimentos. Foi o que ele me disse.
E ainda me garantiu que ela está em nós dois agora.
Naquele cantinho só dela,
Lá no meio do peito.
Sim, ela ainda está aqui.
Nas minhas lembranças, no meu amor.
E na minha saudade.
Parece que faz tanto tempo.
Parece que foi sempre assim.
Obrigada, minha bolota, por ter me escolhido.
Não tenho palavras para te agradecer por tanto bem que você me fez.

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Sobre espaços e vazios

De certo ponto de vista, eu já superei o luto.
Por outro lado, parece que sempre tem alguma coisa pra eu falar sobre o que aconteceu, sobre o tempo em que eu estava grávida, ou qualquer coisa assim. E acaba que sempre menciono o assunto em algum texto ou conversando com alguém.
Eu não fico o dia inteiro falando ou pensando nisso, mas às vezes é inevitável.
Eu me esforço pensando em outros assuntos pra postar, mas nem sempre dá certo. 
Ontem foi um dia difícil – não o dia todo, teve momentos em que realmente estava bem, recebi boas notícias, vi coisas bonitas. Mas a dor de cabeça não se limitou a ser apenas aviso de início de ciclo e resolveu ficar por mais uns dias. Foi difícil. À noite, eu estava bem sensível e ainda dei de cara (na internet) com uma amiga do Cleber perguntando sobre o sexo do bebê. Pois é, parece que nem todo mundo sabe ainda. E eu chorei. Ele chegou em casa e me encontrou aqui no quarto sozinha, eu não queria contato com o mundo. 
Mas enfim, ele me abraçou, me distraiu, comi brigadeiro de panela às 22:00 e tudo certo.
Depois, já bem, fiquei pensando e até disse pra ele: parece que foi tudo um sonho, que não aconteceu de verdade.
Mas aconteceu, né? Eu passei por tudo isso. Eu tenho essa carga agora, que insisto em enxergar por um ótica diferente, pra ver se fica mais leve. Mas a verdade é que não é nada leve. Sempre vai existir o espaço que a bolota ocupou no meu corpo, na minha vida. Era tudo muito forte. E em alguns aspectos eu me sinto mesmo diferente. 
Sim, já é um capítulo passado agora. Não fico me lamentando, pensando que podia ter sido de outro jeito. Foi do jeito que tinha que ser, já entendi. A dor não vem mais como vinha antes. Essa é a parte que está “superada”.
Mas existe um vazio. E não, ele não vai ser preenchido por ninguém. As lembranças já moram nele, ele já é preenchido. É o espaço do que passou, é onde eu guardo os sentimentos que eram da bolota (olhando desse ponto de vista, nem é tão vazio assim, visto que são muitos sentimentos, mas enfim); porque tem que existir esse lugar mesmo. Durante a gestação a gente vai estabelecendo uma relação com aquele serzinho, destinando sentimentos, criando vínculo e, de repente, da noite pro dia, não existe mais a relação, agora é só você de novo, pra onde vai tanto sentimento, joga fora? Não dá pra esquecer, também não dá pra vivê-los, então eu guardei nesse lugar.
Só que pela primeira vez eu “entendi” aquela frase: “calma, daqui a pouco vem outro bebê”. Claro que nenhum filho vem para suprir o perdido, isso não existe; não existe voltar lá no passado e fazer uma troca. Em um nível bem diferente do real, eu já me sinto meio mãe. Mas me peguei pensando que terei, com o próximo, a construção de novas memórias, de novas coisas pra contar, de novos sentimentos pra sentir. E a grandeza de um filho aqui do lado de fora da barriga é infinitamente maior, no quesito experiência e intensidade de sentimentos, eu imagino. Vai ser mesmo real. Entendem? Ainda vai ter saudade, mas ela não estará mais sozinha, reinando absoluta na minha vida. Novos espaços serão construídos e preenchidos por seus devidos donos. 
Pode ser que seja isso, ou pode ser que eu esteja tentando enxergar as coisas por um lado mais suave de novo. Não sei, só o tempo poderá dizer. 
Até lá eu vou distribuindo essa carga em letras e outras coisas mais, e tentando pensar em novos assuntos para conversamos aqui.
não sei quem é o autor desta linda imagem; se alguém souber, me avisa que coloco aqui os créditos.

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17 semanas e uma mudança no visual

Entramos hoje na 17º semana de gestação.
Na semana passada fez um frio tenebroso aqui em São Paulo, e eu fiquei meio jururu. E isso é um pouco curioso, porque apesar de gostar de sol e dias azuis desde sempre, me sentia muito bem nos dias cinzas, nunca foi um problema. Ano passado, inclusive, eu me sentia ainda mais inspirada para escrever quando chovia. Adorava mesmo! Gostava de passear em dias de garoa, de ir ver a vida acontecendo, apesar de qualquer coisa. Não sei se é da gravidez, mas esse ano não gostei do frio, não. Bom, Bolota vai nascer no auge do verão, né, vai ver é isso. E dizem que grávidas sentem mais calor… esperei isso semana passada, e não rolou. Minha mente deu uma travada básica, não quis sair de casa, fiquei bem introspectiva mesmo.
Mas aí, para a alegria desta que vos escreve, nesta semana que passou o sol voltou a brilhar e eu voltei a ser gente  ao normal.

Meu plano era voltar pro yoga agora, já que o frio cansaço e a fase casulo passaram, mas não achei mais vaga no Sesc, que é onde eu pago bem mais barato. Lá na Casa Angela tem uma turma todos os sábados, vou ver se me encaixo lá. Verei isto na próxima quinta, na minha consulta mensal. Mas se não rolar por qualquer motivo, me viro aqui em casa mesmo – e aja disciplina (essa coisa de exercício em casa nunca funcionou comigo).

Na quarta-feira, radicalizei e cortei meu cabelo bem curtinho.
No fim do ano passado eu também cortei curto, mas acho que dessa vez foi um pouquinho mais. E essa é a prova máxima de que eu confio muito no meu cabeleireiro: ele me pergunta “quanto a gente vai cortar, Má?” e eu respondo “ah, Thi, pode cortar, o tanto que for necessário”, haha. Estou com ele desde 2007, e somente ele mexe no meu cabelo, ninguém mais. E uma manhã num salão onde os profissionais são super animados faz um bem danado. Saí de lá renovada e ainda passei a tarde com a minha prima e o meu sobrinho, rindo e conversando um pouco.

Na quinta foi dia de desvirtualizar.
Conheci pessoalmente a Dani e foi ótimo o nosso almoço.
E aí a gente percebe que esse carinho todo que ganhamos quando temos um blog é real mesmo. Não que um dia eu tenha pensado que não fosse, não é isso (aliás é bem o oposto, sinto um carinho enorme por tudo isso aqui, e é quase palpável), mas sentir isso num abraço, num papo ao vivo é muito gostoso. Adorei, Dani, vamos repetir muito, hein! 🙂

Dani, eu e meu cabelo novo.

E teve uns dias em que eu estava achando a minha barriga pequena. Ou melhor, não pequena exatamente, mas mole. Sabe, eu achava que 16 semanas já era semana o suficiente para dar um ar mais gravídico à minha pança. Me enganei, tchon, tchon, tchooonn…

Em pé é uma lindeza – e quando estou passando creme em frente ao espelho, por exemplo, realmente percebo uma diferença na parte de baixo, maior, mais firme e tal. Mas quando eu me sento, ainda dobra um pouquinho, entendem como é? Fico me achando mais gorda que grávida. E quando me deito, some quase tudo, rs. Daí, desde ontem estou percebendo que está ficando ainda mais durinha e arredondada. Pensem numa pessoa feliz? Sou eu olhando pra minha barriga, haha.

Aliás, por falar nisso, e por falar no meu encontro com a Dani, justamente no dia do nosso almoço (01 de agosto, para eu não me esquecer), tive certeza mesmo que senti Bolota mexendo aqui dentro. Ai que delícia isso, minha gente! Eu já tinha tido essa impressão antes, mas agora acho que é pra valer mesmo! A parte não-romântica da história é que foi dentro do ônibus o tal momento, mas isso é só um detalhe, não é mesmo? E no dia seguinte, ou seja, ontem, senti de novo, umas duas vezes. É algo realmente bem levinho, quase borboletinhas voando, ou como se alguém passasse os dedos na minha barriga de leve, mas do lado de dentro.

Vejam só como estamos:

16 semanas e 5 dias de Bolota

Os próximos dias prometem! Tem consulta de pré-natal, tem estreia do filme ‘O Renascimento do Parto’, tem o aniversário da minha pessoa (no mesmo dia da estreia do filme, own!) e ainda tem dia dos pais! Ou seja, voltarei algumas vezes com mais trololó. 
Beijo em todo mundo. Até lá!

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BC: ´´Como andam os preparativos pro quarto do bebê?“

É engraçado esse negócio de registrar os pensamentos, os desejos, os anseios e também o que acontece de fato. Porque em algum momento acontece o que aconteceu comigo: você escreve um post todo trabalhado nas boas ideias e soluções, tudo divino-maravilhoso, daí dois dias depois, acontecem coisas que te fazem perceber que não, aquele post-desejo não virará realidade neste momento. No futuro, sim. Agora não.

E estou falando justamente do post sobre o quarto compartilhado, em que eu falei sobre transformar esse cantinho em um lindo e aconchegante quarto montessoriano para adultos e criança. Todos dormiríamos no chão duro e gelado em camas no nível do chão e seríamos felizes para sempre, amém.
Ou não.
Na mesma semana (parece até que foi de propósito), tenho uma conversa com o meu excelentíssimo marido e percebo que eu não havia pensado num mero e pequeno detalhe #sóquenão. Ele não pode ter (ou fazer) movimentos bruscos ao levantar de manhã, sob o risco iminente de ter uma crise nos minutos seguintes. Parece pouca coisa, “ah é só levantar com cuidado”, mas não é bem assim. Dentro dos cinco anos em que estamos juntos, ele teve exatamente 5 crises, sendo que a última foi há um ano e meio. E dentro dessas 5, pelo menos duas a gente tem certeza absoluta que foi por privação parcial de sono + movimentos brusco em sequência. E se hoje, graças a Deus, está tudo controlado, é porque a gente cuida muito dessa parte também. Nem percebemos mais, na verdade, já incorporamos isso na nossa rotina. Tanto que eu quase me esqueci disso. Privação de sono – por causa do bebê – a gente já sabe que vai ter e não há como fugir, então é melhor cuidar das outras partes que temos um pouco de controle para continuar tudo bem. Né?

Né! Mas então, o que fazer?
Depois de uns minutos me sentindo #menas esposa, por não ter me atentado a isso, comecei a pensar numa solução. Porque continuo firme e irredutível em não ter berço, e assim sigo.
Pensei mesmo em comprar uma cama de solteiro e grudar na minha, pra virar uma big cama compartilhada, mas a ideia ainda não me soava tão boa assim.
E então há uns dias, mais ou menos, sem nem estar, de fato, procurando uma solução, cruzei com um daqueles “berços” que não tem uma das grades e grudam na cama, sabem? Como diz o site, é uma “cama auxiliar”. Gostei! Claro que eu já sabia que existia isso, mas nunca tinha visto pra vender, só mesmo em fotos gringas, e também não fazia a mínima ideia de que preço um marceneiro cobraria para fazer um sob medida. Mas quando vi que é acessível ao meu (furado) bolso, me animei! Mandei pro marido, ele aprovou, e agora é só esperar mais um pouquinho para comprarmos (lá pra outubro ou novembro, eu acho).

Pois bem, lugar de dormir “definido” (tudo pode mudar a qualquer momento), passei a pensar no que exatamente eu faria para colocar no “Cantinho de Bolota” – que no caso é a parede mais próxima de onde estará sua caminha. E, por enquanto, acho que vai ser:

– bandeirinhas de tecido;
– coisas de passarinho (tô doida com passarinho, rs) – que pode ser um quadrinho artesanal de papel, ou num bastidor de tecido, ou não sei em quê, haha
– tsurus (que eu tenho que aprender a fazer);
– Um móbile de nuvem, assim:

 

Não é lindo? Estou apaixonada por ele! Rs…
Tenho uma amiga que entende muito de costura e artesanatos em geral, e ela já se disponibilizou a me ajudar a fazer! Ai que feliz! Só falta marcarmos o dia – e quando tiver pronto eu volto pra mostrar!
(e quando eu definir todas as “coisas de passarinho” eu mostro também, rs)

Ah, e pro guardarroupa do baby, que será branco, de duas portas (ou algo parecido com isso), não ficar de fora do DIY, eu vou comprar papel contact (umas duas ou três cores) e fazer bolas grandes pra colar nas portas! (eu sei que parece doido, mas confiem em mim, vai ficar lindo, rs – e sim! eu adoro tudo colorido!).

E, por enquanto, acho que é isso!

Como vocês podem imaginar, tudo pode mudar a qualquer momento (a partir do instante em que eu clicar em “publicar”, rs), mas não tem problema. No futuro, Bolota vai ler, achar graça e entender porque os pais mudam tanto de ideia (fazemos isso o tempo todo, haha).

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Música para ouvir*

Eu sou uma pessoa completa e absolutamente apaixonada por música. Sempre tenho uma (várias) música para embalar os meus dias. Quando estou muito nervosa, ligo o som alto e apenas ouço as batidas da música (daquelas coisas que se aprende com o irmão mais velho; o meu me ensinou isso na adolescência; “abstrai” é o nome que damos ao momento). Quando estou muito feliz, também preciso de música. Pra faxina, pra cozinhar, algumas vezes até pra escrever (e pra fazer exame de sangue também, haha). Viajando de carro, então, é lei. E música nacional me prende ainda mais. Na verdade, é mais de 90% do que eu ouço, com certeza. Temos muita gente boa fazendo música aqui (gente que já se foi, gente que tá aqui faz tempo e gente que acabou de chegar), apesar dos piores serem mais divulgados na grande mídia, blah! E eu adoro saber mais da pessoa por trás do palco; algumas vezes admiro ainda mais o trabalho por saber um pouquinho quem ela é; adoro um making of. Adoro um show, adoro cantar (com a música, ninguém merece ouvir minha voz cantando sozinha), adoro dançar! Acho mesmo que a música tem um poder de nos deixar mais leves, mais conectados, mais felizes. Ano passado, inclusive, fiz amigos maravilhosos através da música, e somos um grupo grande e bem unido hoje em dia.

Então óbvio que com a gravidez não seria diferente. Tenho tido momentos muito gostosos com Bolota, ouvindo música. Em dias como hoje, que acordei com uma saudade danada desse bebê que ainda não nasceu (oi, meu nome é Marina e sinto saudade do que ainda não aconteceu), com uma pontadinha de aperto no coração, sentindo tanta coisa sem saber direito o quê, simplesmente faço dos canais dos artistas que mais gosto no youtube, ou dos meus dvds de shows (adoro!), ou do rádio, meus melhores amigos e, depois de uma hora ou duas, já estou me sentindo bem melhor, organizando mentalmente o que estava bagunçado. E como tenho ouvido muita música nos últimos dias, e como algumas delas já me ligam imediatamente ao meu bebê, quero registrar aqui apenas algumas que fazem sentido agora na minha vida, porque esse blog também é pra isso: depósito de memórias afetivas

“Pode ser um lapso do tempo
e a partir desse momento acabou-se solidão

Pinga gota a gota o sentimento

Que escorrega pela veia e vai bater no coração

Quando vê já foi pro pensamento

Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão

Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido, vira o ponto de visão”
(Música: Se não for amor, eu cegue)

Capa do cd é uma foto do netinho do Lenine dormindo sobre seu peito, como não amar?


“Talvez pelo buraquinho, invadiu-me a casa
me acordou na cama
Tomou o meu coração e sentou
na minha mão”
(Acabou chorare, versão Arnaldo Antunes)

para dias de saudade do que ainda não veio


“A Casa é Sua”, Arnaldo Antunes
penso que vou ouvir muito essa nas vésperas de parir, rs

“Alegria, Alegria”
porque é Caetano. Fim.



Todo o dvd Música de Brinquedo, do Pato Fu – que não é só para crianças. 
Gosto muito!



Ok, eu poderia ficar aqui por horas só colocando músicas que fazem parte da minha vida e que tenho ouvido agora, mas não ia acabar tão cedo e nem ninguém teria paciência – até porque, ninguém é obrigado a ter contato com o que eu gosto. Isso não é nem 1% do que ouço, mas por enquanto tá bom; talvez eu escolha um dia da semana para arquivar uma música aqui 😉 Memória afetiva preservada para Bolota ver no futuro, e depois vou acrescentando mais. 
* “Música para ouvir” é o nome de uma música do Arnaldo Antunes (sim, sou fã e ele é figurinha carimbada aqui em casa)

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Antes que eu me esqueça

Gente linda! Obrigado mesmo pelo carinho no post passado, viu?! Acredito que colocar os medos pra fora faz com que eles fiquem menores, ou pelo menos mais fáceis de lidar. Estou muito confiante que tudo será exatamente da maneira como tem que ser, independente do que eu tema, ou não. Vocês são muito importantes nessa minha caminhada, saibam disso.

Dito isso, deixa eu registrar umas coisas antes que eu me esqueça. Tô naquelas de criar notas mentais pra não esquecer de fazer post depois, mas vocês sabem bem como é cabeça de grávida, né?! Melhor fazer logo antes que eu me esqueça disso também, hehe.
A fome monstro que eu senti no primeiro trimestre simplesmente foi embora, assim sem mais nem menos, sem ao menos avisar ou deixar um bilhetinho. Tanto que, dia desses, fui comer na mesma proporção e quase que não cabe, haha… ou seja, descobri na prática mesmo. A quantidade diminuiu e não tem mais aquele buraco negro no lugar do estômago. Mas isso não quer dizer que agora estou comendo menos vezes. Ok, dá pra atrasar um lanche ou outro, mas pular mesmo uma refeição, nem pensar. E se eu atrasar demais, ganho um gosto muito ruim na boca, que chega a me dar náuseas (senti algo parecido quando ainda nem sabia que estava grávida). Não é nada agradável e já entendi que Bolota é bem exigente quanto à horários de comer (o que me faz pensar: e quando essa criança nascer, meu Deus? Que a deusa das Divinas Tetas me abençoe, haha). Os desejos deram uma trégua boa também.
E eu li essa semana que o paladar do bebê está começando a se formar agora, que o que eu como interfere no gosto do líquido amniótico que o baby ingere, etc, etc. Eu, sinceramente, acho o contrário. O paladar do bebê é que está interferindo no meu. Gente! Quedê vontade de comer chocolate? Não digo todos os sabores doces, é chocolate mesmo, em barra, bombom, nutella… nenhuma vontade de comer, necas de pitibiribas, hunf! 
Ontem fomos à 25 de março fazer umas comprinhas – que não eram pra mim, rs – e aproveitei pra comprar um balde/ofurô. Só tinha rosa ou azul, fico ~impressionada~ com a diversidade dessas lojas infantis, viu! Comprei azul, porque era mais clarinho, porque eu amo azul e porque achei o rosa muito frufruzento. 
Aliás, essa saída provou mesmo que o meu cansaço ficou pra trás. Andamos bastante, fomos ao Mercado Municipal, andamos mais… e eu lá, toda serelepe, rs. Só a cabeça que ficou cansada, mas isso é normal naquele lugar, né?!

E eu já tô pensando em voltar em breve. Eu mesmo quero fazer o kit higiene (que eu me recuso a comprar e nem acho assim tão necessário, mas tô animada para produções manuais, então vou arriscar, rs), umas bandeirinhas pro quarto, uns quadrinhos pro cantinho da Bolota… várias coisinhas. Quando eu começar os trabalhos, mostro tudinho aqui pra vocês 🙂

Em plenas 15 semanas, senti algo ontem que eu posso jurar que era minha Bolota animada. Foi bem levinho, algo bem sutil mesmo, mas uma delícia sem fim. Minha doula disse que sentiu a filha dela mexer mais ou menos nessa época, mas como ainda não tenho uma super confirmação, não espalhei a notícia, rs. Mas que foi gostoso, isso foi!

Ainda acho minha barriga pequena. Apesar que a vi num espelho grande ontem e até que me convenceu, rs. Mas sei lá, ainda parece que eu engordei, e não que tem uma alguém aqui morando aqui dentro.
Hoje pedi pro marido tirar uma foto mais decente pra eu postar aqui e também pra começar a registrar a barriga direito, porque tô muito lerda nessa parte. E quando vi a foto, achei que até já cresceu, sim, eu que a percebo menor, sei lá.
Enfim, vejam vocês mesmas…

15 semanas e mamãe começando a virar Bolota também, hehe

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A presença que eu sinto

Tenho me sentido muito próxima à Bolota. Mais do que nunca, eu acho.
É que eu ando sentindo muita coisa. Eu já sinto há muito tempo, na verdade, mas agora tá diferente. Passei a vida toda querendo decifrar umas coisas minhas, que me aconteceram bem lá atrás e que determinam muito quem eu sou hoje, de uma forma muito forte. Sempre tentei, mas nunca conseguia chegar aonde eu sabia que estava a resposta. Era como andar constantemente, mudar as rotas, refazer caminhos, quase chegar. Mas em algum momento eu me cansava ou me distraía, e parava. Depois tinha que recomeçar, e assim por diante. Até que eu engravidei. Foi como se, junto com o bebê, eu ganhasse uma percepção nova sobre coisas antigas. Eu sabia que mudaria, só não sabia que seria tanto, nem tão rápido.
Estou indo fundo em mim.
Eu achava que já estava começando esse caminho quando iniciei minhas leituras sobre maternidade ativa – e realmente estava, não posso negar -, mas só agora estou conseguindo acessar os lugares que eu não conseguia chegar antes. E eu preciso falar: tá sendo foda (não achei uma palavra equivalente, desculpem). Tanto no sentido de muito bom, quanto no sentido de muito difícil. Eu estou diante de uma porta e preciso abri-la. Estou tentando, mas ainda não consegui. Acho que sei como fazer, mas já entendi que algumas vezes é preciso mais do que saber o que fazer. Mas vou conseguir, e depois conto como foi.

O fato é que, se eu estou indo fundo em mim, no caminho eu cruzo sempre com a minha Bolotita. Neste momento, ela faz parte de um processo muito importante na minha vida. Não que eu esteja depositando num mini bebê a responsabilidade ou uma carga que ele não é capaz de carregar. Nada disso. É da certeza de um amor que eu estou falando. Se ela está em mim, literalmente, não tem como eu me conectar comigo e não me conectar com ela também. É inevitável.

E aí são duas coisas diferentes, mas igualmente intensas. Eu me descubro cada dia um pouquinho mais, e a sinto cada dia mais, também.
Temos tido momentos só nossos. Seja no banho, quando conversamos muito; ou quando coloco uma (sempre mais de uma, na verdade) música especialmente pra nós. Aliás, isso tem se tornado uma rotina muito agradável.
Sempre a incluo no que estou fazendo. Quando acordo mais cedo, com fome, viro pro marido e falo “amor, vamos levantar, a Bolota tá com fome”. Ou ao contrário, se quero dormir mais, digo que ela ainda não acordou. Reparei que não como mais chocolate nem muito doce como antes, acho o gosto mais doce do que eu posso suportar, e gosto de dizer que parece que a Bolota está puxando o pai, que não come chocolate quase nunca. Entre outras tantas coisas que gosto de inclui-la. É muito espontâneo, e tem sido bem divertido também.
E uma coisa muito louca no meio disso tudo que anda acontecendo: eu a sinto mesmo, aqui comigo. De uma forma bem mais ampla do que só sentir que tem alguém dentro da minha barriga. Acho que vocês entendem. Tenho sempre a sensação de tê-la no meu colo, ou perto de mim. Sempre. Já me peguei pensando – e acho que pra vocês posso dizer que até vejo a cena – várias vezes no pequeno bebê que estará aqui do lado de fora, em breve. Eu fecho os olhos e vejo. Uma pessoinha tão pequena a princípio, mas que eu respeito tanto, quero tanto, amo tanto. E aí é que eu chego a sentir o peso do seu corpinho no meu colo, de verdade. É tão real que até me arrepio quando penso nisso. Uma intensidade que eu ainda não havia experimentado. E como mãe é bicho bobo que só, sempre me emociono muito também. Várias vezes isso acontece, e em todas eu me surpreendo com a força desse sentimento. E sempre preciso agradecer a Deus por me permitir sentir tanto.

É… eu disse que estava indo fundo.
E daqui a pouco mudo o nome do blog pra “Travessia Materna”, porque é a palavra que chega mais perto do que ando vivendo.

Eu tô indo…
Foto: Arquivo pessoal
clicada pelo meu marido, em janeiro, lá em Aracaju.

ps: esse post faz parte da minha tentativa de abrir a porta que está prostrada na minha frente. 
Talvez surjam mais posts assim, ainda não sei. Só o que sei é que eu preciso escrever – e está sendo aqui porque me sinto muito à vontade com vocês. 

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