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carta do dia: a natureza é mãe

Filha, tô te escrevendo porque eu também não quero esquecer.

Foi hoje cedo.

Depois de um tempo chorando – cansaço, sono, vontades, sentimentos – você no meu colo. nós duas juntas pra tentar acalmar os ânimos, lembrei de uma coisa e te falei:

-filha, você consegue, meu amor. isso não é seu. deixa ir. solta. deixa o vento levar isso embora, pra longe, pra libertar. a natureza sempre ajuda a gente, meu amor. é só você lembrar. o vento vai levar embora esse choro, deixa ele ir, tá?

-é, mamãe?

-sim, meu bem.

-tá bom!

e acabou o choro.

a natureza é mãe, filha. ela vai sempre dar colo e nos ajudar quando a gente pedir.

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Carta do dia: verdades que surgem às sete da manhã

Filha,

hoje de manhã, enquanto comia seu mingau de aveia, você começou a chorar dizendo que não queria ir pra escola.

Você passou o fim de semana sensível dizendo que não queria ir mais pra escola. Imaginei ter sido porque, na quinta e na sexta passada terem sido os primeiros dias em que você ficou todo o período, e não mais o tempo da adaptação. Isso depois de cinco dias direto em casa, por conta do carnaval. Foi uma conta que não fechou, né? Também teve o fato de que sábado eu fiquei até as seis da tarde longe, num encontro mensal que participo – e calhou do de fevereiro ser justamente nesse balaio de escola, horas longe, adaptações, etc. Entendo completamente. E no domingo, por mais que estivéssemos pertinho, foi na rua, em movimento e em bando – com toda euforia e cansaço que tudo isso traz.

Aí de madrugada você acordou com uma dor na barriga, pediu chá, e depois vomitou. Dormiu tranquila depois disso, ainda bem. Também natural, visto que é mesmo muita coisa pra digerir. E não digo só pelo fim de semana, mas pelo período que estamos passando, a saber: adaptação na escola, ou seja, uma rotina completamente nova também, já que você fica lá semi integral. Reforma completa na casa da vovó e do vovô, que é o lugar que mais vamos e que, com a reforma, você foi privada de ir; e você entrou lá algumas vezes rapidinho e viu que estava tudo completamente diferente. O Dindo aqui em casa – que é uma coisa boa, mas também nova. Mudanças internas da mamãe e do papai. A vovó que foi pra Minas de repente cuidar da mamãe dela. E até as mudanças na nossa casa coloco nessa conta. Sim, o ano mal começou e já veio um combo de alterações e desafios.

Você colocou pra fora os excessos e eu te admiro por isso.

Escolhi não te levar pra escola ontem porque, além de você ter pedido muito, e do episódio do vômito, eu senti que era mesmo pra você ficar. Pra reforçar nosso vínculo na presença física, num dia de semana normal, na nossa rotina que você estava habituada. E para não se tornar um tormento ir pra escola, aquela coisa que somos obrigados a ir de qualquer jeito e engole o choro. Podendo escolher, não te obrigo a nada, foi sempre assim; caminho do meio total, sentindo o seu tempo, indo com calma; por que ter que já entrar numa coisa fixa e rígida agora? Não faz sentido pra forma que lidamos com as coisas aqui em casa. Tudo bem ficar em casa um dia pra fortalecer o emocional e ir mais calma nos dias seguintes. Tem quem fale que isso faz você não se adaptar, mas eu não estou lidando com suposições, nem com achismos e muito menos com pitacos aqui, estou sentindo você, nossa história, nossa relação. Ontem era melhor que você ficasse e você ficou, ponto. Conversamos bastante no fim do dia sobre a ida pra escola na manhã seguinte, estive calma, te expliquei mil coisas. Enfim. Fiz o que achei que me cabia e que consegui.

Hoje de manhã te senti bem mais calma, apesar das frases de não querer ir e de algumas lágrimas, como as que rolaram depois do café da manhã.

Depois de poucos minutos, você disse:

– por que eu tenho que ficar longe de você e do papai?

(pausa pro meu coração voltar a bater, lembrar que essa é a sua história, não te projetar meus traumas infantis, não chorar também e ir direto cancelar essa merda de escola e vivermos pelados pintados de verde num eterno domingo. respirei. olhei pra agnes e pra vida da agnes)

-é por isso que você não quer ir, filha?

-siiiim (já chorando e novo)

E aí eu entendi, filha. É mesmo uma fase de adaptação. Três anos e meio, toda a sua vida, sendo cuidada por mim, pelo papai e sempre por pessoas da família e, de repente, lá vem essa coisa de escola, de tantas horas longe de todas as referências familiares (#cancerianafeelings), em meio a todas as mudanças que já andavam rolando? Putz, essa é mesmo uma pergunta muito boa. Por que ter que ficar longe das pessoas que mais amo e me passam segurança?

Eu te disse que estamos sempre juntos, que você pode sempre respirar fundo, se acalmar e lembrar da gente com carinho; e que faríamos muita farra e chamego quando estivéssemos juntos. Além de outras coisas que também disse, em outros momentos. E comecei a focar nas coisas boas que tem na escola, ao invés do fato de ser um lugar que você fica sem a gente. Porque pode mesmo ser muito legal, filha, e você vai descobrir ao longo da vida que é bem divertido ter nossas próprias experiências, rs.

Todos os dias, desde que me descobri grávida, aprendo com você, minha pequena moça. É um privilégio sem tamanho ser sua mãe. De novo e sempre eu te digo: que bom que você veio, meu amor. Que bom!

Sigamos juntas, então, crescendo, aprendendo, chamegando e esticando a borda do horizonte do que conhecíamos até ontem – dentro e fora de nós. De vez em quando dói, arde, dá vontade de viver pra sempre no quentinho do colo e do conhecido. Mas aí é só lembrar que nem existe esse lance de pra sempre e que bom mesmo é sentir a nossa força e nossa coragem pelos caminhos dessa vida.

 

com amor,
mamãe.

 

(tudo isso pra dizer que, sim, eu também tô me adaptando e acho que viver no mato sem muros nem regras segue sendo uma ideia maravilhosa que irei defender pra sempre – não péra. que irei cultivar em nós. que irei cultivar dentro. e que sigo sendo uma pessoa que não obedece todas as regras nem na fase de adaptar a pequena na escola e já tô ensinando que pode, sim, cabular. ô se pode!) (apagar essa parte quando ela for pro ensino médio) (ou relembrar isso aqui exatamente nessa época?) (fica a ideia) (não me interditem) (sou doidinha mas sou legal) (dizem) (hahahahaha).

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Carta do dia: intuição e experiência

Filha,

mamãe tá indo pra Salvador hoje, sozinha. 
Vai ser rapidinho, veja só, hoje é quarta-feira e na sexta estarei de volta pra dormir com você. Mesmo assim já estou com saudade. Você disse isso pra mim também, que vai ficar com saudade quando eu estiver “lá no Salvador”. Você me perguntou porque eu estou indo, e porque estou indo sozinha. 

Sabe, filha. A mamãe está descobrindo como é importante a gente valorizar, ouvir e receber com muito amor a voz que vem do nosso coração. A respeitar as nossas vontades. A conhecer a nossa essência. A nos conectarmos com a verdade que guia o nosso caminho. Tenho feito isso com mais presença nos últimos meses. Vezes mais, vezes menos, porque é um aprendizado – e algumas vezes a gente ainda cai em erros antigos para aprender que aquela é uma questão a ser iluminada e trabalhada. Mas o fato é que tenho feito, sim. Tenho procurado ouvir mais as minhas intuições, acreditar nelas – e tem sido um caminho bem bonito, muito bom de trilhar e desvendar. 

Pois bem. Uma dessas minhas intuições me disse que eu devia seguir em frente e ir pra Bahia sozinha, mesmo que fosse por dois dias (e não cinco ou sete, no Carnaval, como era o plano original, rs). Que Salvador é terra de energia forte, e que eu ando precisando beber um pouco dessa fonte e conversar de perto com aquele azul profundo que é o mar que só tem lá. Que ir sozinha, a passeio, é bancar uma Marina que ainda é meio nova pra mim, mesmo que eu sinta que ela sempre esteve aqui esperando para ser vivida. Que isso também é o meu trabalho, porque eu preciso viajar e me movimentar para me entregar à escrita como sei que posso fazer. Que isso também é a minha espiritualidade, porque minha alma reconhece aquele lugar de uma forma muito gostosa, e pela primeira vez estarei presente numa festividade ao dia de Iemanjá. Que isso é a força da amizade, porque sem a presença e o apoio de Dai eu estaria ainda mais perdida do que o normal, rs. E provavelmente tem mais mil coisas que fazem essa viagem ser imprescindível, mesmo que eu não saiba responder com palavras. Coisas que ainda vão fazer sentido daqui alguns dias ou mesmo em décadas. Coisas que ainda nem sei que são pontos a serem considerados, mas que estão compondo esse cenário. E tudo bem. 

Eu espero que isso seja uma mensagem pra você também, filha. Que você pode, sim. Que você é livre. Que sempre pode conseguir o que quiser, basta continuar tentando, indo, sentindo o caminho e o seu coração. Que algumas coisas não tem explicação racional, graças a Deus. Ao ver os meus movimentos, espero que você entenda, que sinta forte aí dentro do peito, desde já, que fique gravado em você, que é cuidando da nossa verdade e do nosso sentir que a gente se fortalece e floresce. Cresce. Para seguir em frente, para cuidar do outro, para ofertar ao mundo o que de mais bonito vier desse cultivo. E também pela experiência em si, por nós mesmas, pelo tempo presente que é tudo o que temos – então que seja de significado e sentido.

O nosso caminho é construído todos os dias, meu bem. E enquanto estivermos aqui no planetinha azul é tempo de aproveitar, de ir, de viver. Eu espero que você entenda que estou seguindo uma intuição, e que isso é uma escolha possível e natural – uma das milhões de escolhas possíveis na sua vida, você terá milhares delas, acredite. 

Não estou buscando respostas definitivas, nem te escrevendo agora, nem nessa viagem. Estou interessada na experiência. No tempo presente que ainda está por vir. E em te abraçar no aeroporto na noite de sexta, com certeza. 

 

com muito amor,
mamãe.

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Carta do dia: sobre o tempo e sobre nós

Oi, filha

Escrevo essa carta de madrugada, enquanto você dorme ali no quarto. Faz tempo que não venho registrar sensações e pensamentos por aqui, o tempo anda muito doido – ou melhor, eu ando muito doida em relação a tudo; o tempo é sempre o mesmo, nós é que mudamos o olhar, não é? (também não sei, talvez você tenha uma resposta mais crível pra mim quando ler essas palavras).

Mas sim, uma coisa é fato: tem muita coisa acontecendo na nossa vida. 2017 tem sido um ano surpreendente, para dizer o mínimo. 

Esse tem sido um ano de coragem. Um ano de olhar pro fundo de mim, mais uma vez, e entender que a gente precisa de muita entrega na vida para seguir o coração. Um ano de aceitar que preciso de ajuda. Que já consegui superar vários desafios. E que quando penso que estou num eixo e vou seguir assim por muito tempo, puff, lá vem uma curva sinuosa pra mostrar que, sim, ainda tem muuuuita coisa que ainda preciso melhorar e aprender. Que bom.

Esse tem sido um ano bonito e desafiador do seu crescimento também, filha. De você brincar mais com outras crianças, de ficar bem sem mim ou sem o papai, de falar coisas lindas e de aprender sobre limites e espaços – penso que todos os anos da nossa existência são sobre isso, não é exclusividade de quem tem 3 anos, né? Esse foi o ano em que te colocamos na escolinha pela primeira vez, para tirar menos de dois meses depois. Porque é importante reconhecer quando uma escolha não foi lá muito boa (o papo sobre limite cabe aqui também). Você quis mais a minha presença depois disso, o que nem sempre aconteceu da forma fluida e natural que eu tanto gosto, porque os nossos ritmos estavam diferentes. Faz parte, eu acho. Com certeza você viu mais desenhos do que seria permitido pra sua idade. Comeu doce demais. Ouviu uns gritos meus. Coisas que não me trazem muito orgulho, mas aconteceram e, sinceramente, não posso prometer que não teremos nunca mais. 

Mas de qualquer forma, no fim do dia é abraçada a mim que você dorme. E agradeço imensamente pela sua paciência e pela sua companhia. Por sempre chamar de novo pra ir brincar lá fora. Por andar no seu ritmo e parar pra ver minhocas e formigas e folhas e gravetos. Por querer ver o dia quando acorda – e as vezes querer que esteja nublado e que tenha poças de água lá fora “para dar água pras plantinhas”. Obrigada por me fazer pensar em outros jeitos de lidar com a raiva ou com o tédio. Obrigada por riscar todas as paredes da casa e pintar o chão de tinta – e por querer limpar depois no maior estilo bagunçado com água e sabão – são sempre ótimos exercícios de desprendimento. Obrigada pela sinceridade e pelo carinho. Obrigada por me contar sobre o que sente (um dia você disse, depois de uma crise de choro “eu fiquei frustrada, mamãe).

Acho lindo demais você me perguntar sempre que eu chego da rua “e aí, mamãe, como foi a sua tarde/a terapia/o show/o almoço com a sua amiga?”. Você se importa, meu bem. E isso sempre muda tudo.

Sabe, filha. Se tem uma coisa que já posso dizer que aprendi esse ano foi que a gente sempre pode tentar de novo. Nada é definitivo, nem os dias incríveis e muito menos os que parecem durar uma eternidade e mais 10 minutos de sofrência. Mesmo que esteja durando três meses ou sete anos. Sempre vai chegar aquele dia em que a gente simplesmente acorda, olha ao redor e começa pegando as meias do chão, porque é tanta coisa que precisa ser feita que é melhor começar pelas meias – pelo menos a gente esquenta o pé de noite, né?

Você tem me ensinado que todo dia pode ser um dia bom pra começar o que se quer. Toda hora pode ser a hora.

Então eu nem preciso esperar virar o ano ou chegar alguma data específica pra dizer, né? Obrigada, meu amor. Muito obrigada por me mostrar que é possível, se eu quiser que seja.

Sigamos sempre juntas.

com amor,
mamãe

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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Carta do dia: amor e gratidão

Filha,

meu coração está inundado de amor.
Fiz você dormir hoje e, depois que você pegou no sono, fiquei lá te olhando e aconteceu. Meu coração ficou inundado de amor e de gratidão. Por cada escolha da minha vida que me trouxe até aqui, por todos os nossos dias juntas, pela nossa parceria construída todos os dias. 

Sabe, filha, nos últimos meses a mamãe tem sentido vontade de fazer outras coisas, para além das demandas que a maternidade pede. Porque, como você sabe, eu sou uma pessoa inteira como você ou qualquer outro habitante desse nosso planetinha azul. E como pessoa inteira, eu tenho muitas áreas de interesse, digamos assim. Conciliar isso nem sempre é fluido e leve, mas sigo tentando fazer o caminho não ser tão pesado. Então, comecei a deixar você algumas horas com os seus avós pra sair com o papai; tenho trabalhado escrevendo quase todos os dias, estudado. Você tem ficado só com o papai também, para que eu consiga almoçar com amigas e andar de ônibus e metrô sozinha. 

E estivemos pensando em colocar você na escolinha. De vez em quando você pede, como se conhecesse muito bem o ambiente, mas até semana passada nunca nem tinha entrado em uma, rs. Fomos conhecer duas, mas não senti que era o lugar escolhido pra você passar suas tardes descobrindo novas coisas e fazendo outros tipos de laço. Fiquei incomodada, um nó se formou aqui no peito e eu até chorei. A gente (seu pai e eu) queria decidir um lugar e organizar mais a nossa rotina, mas ainda não rolou. E foi só depois que eu desabafei minhas neuras com ele e com outras pessoas foi que acalmei o coração e percebi: está tudo bem do jeito que está. Não preciso querer me encaixar num “jeito certo”, “mais recomendado” para seguir nossos dias. A gente tem escolhido como eles são há mais de dois anos, digamos que agora estamos pegando o jeito da coisa. Pode ser meio bagunçado, mas é o nosso jeito.

Sim, ainda queremos que você frequente uma escola, mas acho que acabou a pressa. Tudo acontece no tempo certo. E encontraremos uma que seja do tamanho ideal pra nós. 

Ah, não te contei. Hoje você dormiu sem mamar, abraçada com seu gatinho azul de pelúcia. E com carinho na barriga, como você gosta. Você tem mamado bem menos, e não foi a primeira vez que você dormiu assim; sinto que estamos em uma transição.

Já falei que meu coração está repleto de amor e gratidão? É só isso que estou sentindo agora. Quis te escrever para que você soubesse disso também (apesar de eu já ter dito no seu ouvido antes de sair do quarto, mas gosto de registrar assim, por escrito). 

Que bom que você veio, meu amor. Que bom que a nossa história está acontecendo de verdade. 

com amor, 
mamãe.

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Carta do dia: se cuida!

Filha,

hoje eu levantei mais cedo para escrever. Nesta altura da sua vida, enquanto me lê, você já sabe, com certeza, que escrever é algo que me faz muito bem, para dizer o mínimo.
Acordei cedo, porque de manhã é quando me sinto melhor para fazer isso, e porque seria um tempo em silêncio, já que você e seu pai seguem dormindo ali no quarto. Muitas vezes eu preciso ficar sozinha e curtir o silêncio, filha. Isso não tem nada a ver com você, seu pai, as pessoas, o ambiente. É algo meu mesmo. Algo necessário para colocar os pensamentos no lugar e seguir calma pela loucura do dia. Ou pelo menos tentar. Faz dias que não consigo isso, levantamos sempre todos juntos e você tem ido dormir tarde, nos acompanhando até não aguentar mais. Não tem sobrado muito tempo pra mim, e antes que eu começasse a reclamar disso e fazer dos outros um problema, decidi levantar mais cedo e resolver de vez a questão. Fiquei com medo que você acordasse em seguida, como acontece de vez em quando, mas já se passaram quase 2 horas e vocês ainda estão dormindo. Estou feliz. É muito bom quando a gente faz algo que nos faça bem, apesar do medo. E dá certo. E a gente percebe que o simples continua sendo resposta para as questões que nos afligem. Hoje eu cuidei de mim e queria te falar sobre isso, por isso escrevi.

É muito importante cuidar de si mesma, filha. Não esquece disso, tá?

Pode ser correndo todo dia por quantos quilômetros você quiser. Pode ser dançando. Pode ser saindo com amigos. Indo ao cinema sozinha numa segunda-feira. Viajando. Andando na rua prestando atenção aos detalhes. Parando prum café num dia corrido. Conversando com quem te acalma. Ouvindo música. Indo a shows. Pode até ser levantando mais cedo para curtir o silêncio da casa. 

É sempre possível, mesmo quado parece que não. Principalmente quando parece que não, pare um pouquinho e veja que você precisa ser cuidada também. E que dá certo, sim, não interessa o que todos estão dizendo ao seu redor. Não se deixe de lado, meu amor. Estarei aqui para te lembrar e fazer companhia quando quiser. 

 

com amor,
mamãe.

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Feliz dia, papai!

Meu bem,

hoje é Dia dos Pais e eu queria te agradecer.

Não agradecer por você fazer tudo que faz, como se fosse uma espécie de favor ou ajuda. Não esse tipo de agradecimento. Um agradecimento sincero e inteiro por estarmos juntos nessa vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nas alegrias e nos perrengues. E em toda a construção da nossa família, principalmente com a Agnes.

Tão bonito de ver vocês dois juntos. Como ela te chama e te abraça de manhã, como te espera quando sai pra trabalhar, como te chama na sua ausência e pergunta o tempo todo, como fica em cima de você quando volta. Ela confia muito em você, dá pra ver de longe. Confia que seus braços estarão ali para pegá-la nas brincadeiras doidas que vocês fazem, confia na sua palavra e na sua presença. Você faz as melhores receitas e sempre se lembra da blusa de frio, muito mais do que eu, aliás, que sou desligada com isso. Ela fica mais tranquila com você do que com qualquer outra pessoa quando não estou, e isso só prova o quanto a relação de vocês é forte e saudável. Isso me acalma e me enche de amor.

Você é um pai incrível, saiba disso.

Feliz todo dia, e obrigada por tudo.

beijos nossos ❤

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Carta para a Marina de 17

Querida Marina,

hoje você faz 17 anos. Você ainda não sabe, mas esse vai ser um ano um tanto quanto conturbado. Desculpe falar assim logo de cara, mas é verdade – e nós gostamos de trabalhar com muita verdade, você sabe.

Você vai mudar de escola, vai se apaixonar, vai quebrar a cara, vai chorar uma quantidade de lágrimas suficientes para suprir uma vila inteira. Vai ser foda. Você vai ter vontade de fugir, de ficar, de fazer com que tudo que está acontecendo seja de uma forma diferente. Vai fazer um monte de coisas que tem certeza que é porque você quer, mas depois vai perceber que não é bem assim. Mas eu não vim aqui hoje para dizer que tudo está perdido, ou o quanto você errou. Eu vim aqui para dizer que está tudo bem.

Sim, está tudo bem.

Não porque eu seja uma espécie de masoquista que gosta de sofrer e te ver assim, mas porque eu sei que você está inteira em tudo que está vivendo. Você é intensa, querida, muito intensa, e não faz nada pela metade. Você se entrega ao que quer que seja que esteja vivendo. E daqui a pouco vai perceber que se é para ficar pela metade num lugar ou com alguém, prefere ir embora logo – isso vai render muito pano pra manga ainda, mas siga firme no caminho, porque esta é você, afinal de contas.

Para não parecer que vai ser um fiasco de ano, deixa eu amenizar um pouco. Aos 17 você vai decidir voltar pra sua antiga escola, encerrar o Ensino Médio onde foi recebida na quinta série. Vai ter muitas risadas – muitas, muitas muitas mesmo, acredite. Vai ter amigas, códigos secretos, companhia para loucuras, para conversas infinitas depois da escola, para planos e tudo mais que a mente de vocês imaginarem. Vai ser foda!

Sabe, eu tenho muito orgulho da gente. Tudo isso que ainda vai acontecer nos seus 17 anos vai te marcar muito. Não exatamente pelos acontecimentos em si, mas pela forma com que você lidou com tudo, apesar de ainda nem pensar claramente sobre isso. E por como o caminho foi se desenhando depois. Independente de qualquer drama, os novos dias continuaram a chegar e você foi. Mesmo quando achava que aquilo nunca ia passar. Essa coisa de não fazer o que queriam que você fizesse foi ótimo, afirmou muitas coisas aí dentro, pode acreditar.

Hoje você completa 27 anos. Dez anos nos separam. Se eu te contar que você acordou ao lado do seu marido e da sua filha de 2 anos vai dar pra acreditar? E que agora você mora num apartamento que te traz calma e que tem um monte de coisa boa acontecendo? Não vou contar tudo, não quero estragar a surpresa. Ainda tem um bocado de histórias entre nós duas pra rolar, muita água mesmo. Aconteceu uma vida em dez anos. A sua vida. Só vem, querida. Continue caminhando que daqui a 2 anos você vai encontrar um cara muito legal e daí pra frente vai ser só sucesso, mesmo que tenha que dar novos significados a essa palavra. Dica: dar sentido ao que vive vai se tornar quase um passatempo, você vai gostar.

Pronto, chega de falar. Receba o meu abraço inteiro e demorado, acolha tudo que vier, já está dando tudo certo. Estou aqui para comprovar isso.

um beijo,

Marina.

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Carta do dia: vamos juntas

Filha,

estes dias você tem estado mais grudada em mim, principalmente quando estamos em casa. Quer dizer, você sempre foi o “meu grudinho”, mas foi ficando mais solta e mais tranquila com o passar dos meses. Agora parece que voltamos algumas casas. Você tem preferido meu colo, só dorme bem se estou por perto, fica ao meu lado quando faço as coisas da casa, senta no meu colo quando estou escrevendo. Você quer contato físico, proximidade, algo concreto pros seus olhinhos curiosos.

Algumas vezes é complicado, porque eu preciso de um tempo pra mim também. Conciliar nossas demandas, nesses dias em que você está assim, muitas vezes cansa. Hoje por exemplo, que era para eu ter conseguido escrever e fazer outras coisas, não fiz nada. São quase onze da noite e só agora conseguir sentar aqui sozinha. Você já dormiu e ficou lá na cama, mas já acordou uma vez me chamando, em menos de 1 hora (ontem não ficou, dormiu no meu colo e por aqui ficou por todo o tempo que estive acordada, inclusive jantando).

E eu te atendo, meu amor. Mesmo não sabendo exatamente o motivo, mesmo tendo medo de você sentir algo que é só meu, que você não precisa sentir. Mesmo precisando de espaço também. Eu te atendo. Você é tão bebê ainda. Está crescendo, está aprendendo a ser você, a lidar com o tanto que acontece dentro do seu corpinho. É natural que precise de mais amparo mesmo, eu sei. Completamente compreensível que precise de mim, de um corpo físico, de uma voz conhecida, de um cheiro, um ritmo e um cuidado que você conhece desde sempre, não é?

Ia me desculpar por me mostrar tão frágil pra você algumas vezes, mas acho que não vou. Porque esta sou eu, meu bem. Esta é a sua mãe. A pessoa que chora, que fica meio pra baixo as vezes, que também precisa de cuidados. Eu sou assim e você me conhece muito bem. Inclusive, eu não preciso entender com a razão o porquê você está assim. Não preciso porque, muitas vezes, eu não sei explicar nem o que eu mesma estou sentindo – e mesmo assim sei que preciso sentir e viver para entender e deixar passar, e dar mais um passo. Daqui a pouco já assimilamos tudo isso e estaremos andando em outro ritmo, você vai ver.

Obrigada por estar comigo nessa caminhada, filha. Aprendo muito com a sua presença, saiba disso.

com amor,
mamãe.

 

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